Cachorros de Bikini

Reflexões rasas sobre coisas profundas e reflexões profundas sobre coisas rasas

Quando Setembro Acabar

O ano era 2004. Onze anos atrás o Green Day lançou um disco que fez um sucesso bem grande na época: o American Idiot. Nunca simpatizei muito com o Green Day, tanto é que nunca ouvi nada deles além do que vi na Mtv, mas sempre achei legal o conceito de lançar um disco que contava uma história. Apesar de nunca ter ouvido o famigerado disco lembro de boa parte das músicas, das que viraram video clipe pelo menos.De todas as músicas daquele disco, muito provavelmente, uma das únicas que é lembrada até hoje é Wake Me Up When September Ends, ou simplesmente “Me Acorde Quando Setembro Acabar”. Setembro acaba hoje, não tem melhor dia pra falar dessa música.

Em 2004 os ataques terroristas do 11 de Setembro tinham acontecido fazia apenas três anos e boa parte das cicatrizes que vemos hoje nos norte-americanos ainda eram feridas naquele tempo. Essa música não fala dos ataques, ela fala do passado, mas não do passado como estamos acostumados. Wake Me Up When September Ends é uma reflexão de como as coisas passam, de como o tempo passa sem nos darmos conta, de como algumas coisas traumáticas não parecem se distanciar de nós com o passar do tempo. Tudo isso está ligado ao mês de Setembro, tão marcante e traumático para o autor da música quanto para o público que ainda sentia os efeitos do 11 de Setembro.

Setembro é um mês doloroso pra muita gente, mesmo para aqueles que nunca escreveram uma música ou sofreram com os ataques terroristas. Muitas pessoas viram a folha do calendário torcendo para que o o mês nove não demore pra acabar. Muitos gostariam de poder dormir e só acordar quando Setembro acabar. Infelizmente não dá pra fazer isso, mas pelo menos Setembro do ano da graça de 2015 deu uma forcinha, correu e passou voando. Setembro veio e acabou. Qualquer coisa ruim que ele acabou trazendo não durou mais do que trinta dias. Já podem acordar, mais um Setembro acabou.

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Contos de Segunda #17

Os fatos da vida de Jorge narrados a seguir têm relação direta com fatos ocorridos na vida de Cristina, protagonista do Contos de Segunda #11

Jorge estava quase tendo um ataque de nervos. Eram 9:30 da manhã de uma segunda-feira e o departamento jurídico teria uma reunião de rotina com os coordenadores do departamento de comunicação às 10h. Jorge era do departamento jurídico e Cristina era do departamento de comunicação. Cristina detestava Jorge, disso ele sabia, assim como todo o departamento jurídico e todo o departamento de comunicação e algumas pessoas de outros setores da empresa. Porém um fato recente acabou embaralhando toda essa história.

 Tudo começou na noite de sábado. Jorge estava em casa estudando Direito Constitucional quando o celular vibrou com uma mensagem

    “Jorginho, meu querido. Preciso que tu quebre um galho”

    “Tô estudando, Fábio”

    “Amanhã tu estuda, meu velho. Preciso de um favor meio grande”

    “Diz aí, só quero saber pra tu depois não dizer que eu neguei sem saber oq era”

Jorge não negou. O favor realmente era grande, mas era bem simples. Fábio tocava numa banda que se apresentava todas as noites de sábado em uma das casas mais famosas da cidade e por causa disso muitos dos seus amigos eram músicos, um deles tocava em uma banda que se apresentaria na mesma hora do outro lado da cidade… Se o guitarrista não tivesse sofrido um acidente e quebrado a guitarra e um dedo do pé. Fábio tinha duas guitarras em casa, casa essa que ficava na rua de Jorge, Jorge esse que morava do mesmo lado da cidade onde o amigo de Fábio tocaria com a sua banda. Tudo que Jorge precisava fazer era pegar a guitarra, levar para o cara do dedo quebrado, esperar o show terminar e trazer a guitarra de volta. O show começaria às 23h, a guitarra precisava chegar uma hora antes, o show não duraria mais do que uma hora. Daria para estudar por mais algumas horas… E era um cover do Pearl Jam, pelo menos o show não seria ruim.

Ele pegou a guitarra certa, chegou na hora certa e já conseguia se imaginar voltando para casa com a missão cumprida, mas lá estava Cristina. Jorge tentava evitar o contato com Cristina sempre que podia. Apesar de não compartilhar do ódio que a moça sentia por ele, encontrar com ela normalmente era uma situação pouco agradável… Mas a desgraçada estava tão linda e tinha acabado de virar uma dose de alguma bebida bem forte… Então ele foi lá e aconteceu… Ele estava sóbrio, não podia ter deixado aquilo acontecer, mas aconteceu e agora o relógio marcava 9:55. Cinco minutos e a reunião começaria. Enquanto caminhava até a sala de reunião Jorge só conseguia pensar em como teria sido melhor continuar estudando Direito Constitucional.

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Parabéns, Sua Infância Valeu a Pena

Como eu falei no texto de quarta, a nostalgia é um sentimento muito interessante e que a nossa querida infernet costuma nos ajudar a lembrar de coisas passadas que nos aquecem o coração. Porém, como tudo na internet, esse esquema de nostalgia tem uma vertente que funciona como um tipo de militância meio babaca. Boa parte do que eu vejo que faz referência à nostalgia consiste em exaltar o próprio passado no esquema “o meu é melhor que o seu”.

Eu particularmente gosto de conteúdo que tem essa pegada nostálgica, gosto de verdade, mas não tem como não sentir uma pontada de indignação quando aparece uma frase do tipo “Se você sabe o que é isso sua infância valeu a pena” ou então “Parabéns, você teve uma infância feliz”. Sério isso? Será que só eu enxergo um problema?

Na minha humilde opinião avaliar as experiências dos outros sob a ótica das próprias experiências até tem sentido, sentido esse que é perdido a partir do momento que tudo que é diferente daquilo que você viveu é taxado como inválido, insuficiente ou negativo. Se o Zezinho que vive na roça nunca teve aquele videogame clássico ou aquele brinquedo famosão pode ter tido uma infância muito melhor do que o cara que teve o disparate de classificar a infância de todos aqueles que tiveram a mesma experiência que ele como uma “infância que valeu a pena”.

Nostalgia não funciona igual pra todo mundo. Muitas vezes as coisas podem significar muito ou nada, depende só da pessoa que se lembra. Por isso gostaria de afirmar que, se a sua infância é o tipo de coisa que aquece o seu coração quando você lembra, que te trás uma infinidade de memórias boas e que te faz sentir uma saudade genuína daquele tempo e de fato você conseguiu ser uma criança, parabéns, sua infância valeu a pena.

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Nostalgia

Não é novidade pra ninguém que de uns tempos pra cá a memória do mundo está na internet. Em função disso trabalhar com o passado, em determinados casos, ficou relativamente simples. Por causa disso começou a surgir um movimento de nostalgia para praticamente todas as gerações com idade suficiente pra sentir saudade daquele tempo bom que não volta mais.

Nostalgia é um sentimento interessante, um sentimento bem discreto na minha humilde opinião. Nostalgia é uma manifestação da saudade, mas não é bem saudade. Nostalgia aquece o coração, nos comove e resgata uma fração do sentimento original de quando as coisas que nos deixam nostálgicos eram presente e não passado. A nostalgia não nos deixa cegos, nem impulsivos, nem agressivos, dificilmente a nostalgia causaria uma guerra ou afetaria um relacionamento. Fazemos coisas pela nostalgia que vamos sentir, não pela que estamos sentindo.

Nostalgia é quase uma droga. Tal qual uma dessas substancias (lícitas ou não), ela nos desliga da realidade por alguns instantes. Ficar nostálgico é como se apaixonar pelo passado, é ficar besta de sentir o melhor tipo de saudade, aquela que a gente sente das coisas que tiveram sua hora e seu lugar. Coisas que apesar de  nos dar saudade estão exatamente onde deveriam estar, na memória e é quando uma memória perdida é resgatada o efeito da nostalgia é multiplicado algumas muitas vezes.

O papo sobre nostalgia termina por aqui. Na prática esse texto não está completo, ele serve como introdução pro texto que será lançado na sexta. Fique de olho que a parte séria da coisa começa no próximo post.

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Contos de Segunda #16

    Moacir deu um pulo da cama quando ouviu o despertador. Ao contrário de boa parte dos dias, hoje ele estava estranhamente bem humorado. O zumbido do ar condicionado passara despercebido, assim como o raio de sol que sempre entrava pelo buraco na cortina. Ele sentia como se nada pudesse estragar seu dia, e ele se esforçaria para tal.

    Quando foi para o chuveiro decidiu que não ouviria rádio. A única estação sintonizável do banheiro sempre tocava músicas bem irritantes e propagandas com os jingles mais chicletes que se tem noticia. Saiu do banho se perguntando por que ele se torturava todas as manhãs ouvindo àquela rádio? Depois de se vestir decidiu que não usaria relógio naquele dia, o relógio era antigo e Moacir sempre esquecia de dar corda. Tal fato era notado bastante tempo depois e gerava uma irritação tremenda no pobre homem. Saiu do quarto se perguntado por que ainda insistia em usar um relógio que sempre o deixava na mão.

    Saindo do apartamento errou o caminho do elevador e foi direto para a escada, quatro andares de escada o separavam do térreo. Com isso deixou de ouvir o barulho produzido pela porta do elevador, que sempre o fazia trincar os dentes de agonia. Enquanto descia as escadas não parou de se perguntar por que não fizera isso antes. Chegou ao térreo e foi direto para a rua, resolveu que não usaria o carro hoje. Em vez de passar mais de uma hora no transito pesado, caminharia por cinco minutos até a rua de trás, pegaria um táxi até o bairro onde trabalhava. Da rua de trás o taxista podia ir pelo sentido que não engarrafava. Ele não se incomodou de caminhar dez minutos até o escritório para que o taxista não precisasse pegar uma rua engarrafada. Tal solução nunca antes tinha passado pela sua cabeça, mas o fato dela ter passado naquele momento acabou deixando o dia um pouco melhor.

    Moacir não precisou se esforçar muito para que o trabalho não estragasse seu dia. Bastaram fones de ouvido e algumas músicas do tempo de adolescente para que nada de ruim entrasse e nada de bom saísse. As queixas dos colegas passaram despercebidas, os gritos do chefe com os fornecedores no telefone foram ignorados. Na volta para casa o plano de usar o táxi funcionou novamente, assim como ir pela escada para não ouvir o elevador. Ao chegar em casa percebeu que o jornal não fora recolhido pela manhã, ao observar a data percebeu que aquele dia maravilhoso tinha sido uma segunda-feira. Diante disso acabou decidindo que não deixaria os dias seguintes serem estragados por nada. Principalmente por ele mesmo.

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Estamos Todos Atrasados

Lembro muito bem de ter ouvido essa frase várias vezes ao longo do segundo ano do meu ensino médio. “Estamos todos atrasados”, era a primeira coisa que o meu professor de português falava ao entrar na sala. Não me recordo se em algum momento realmente estivemos atrasados, também tenho a impressão de que o professor sempre entrava um minutinho depois do horário da aula começar, mas uma coisa que eu sei é que a sensação de estar atrasado volta e meia está presente na minha vida.

Talvez essa afirmação pareça estranha, mas não é incomum sentir que comecei algo depois do tempo, principalmente quando existe um prazo muito curto a ser cumprido. Também tem aqueles momentos em que, depois de pensar que estava tudo adiantado, você cai na real e nota que o atraso já está do tamanho de um mamute. Normalmente acontece quando trocamos o dia da entrega de algum trabalho, esquecemos um compromisso ou estamos com o relógio atrasado. Vale lembrar também que muitas vezes operamos no limite do cronograma, onde qualquer imprevisto nos faz atrasar. Esse ultimo tipo é o que normalmente nos faz arrancar os cabelos, que faz um calafrio subir quando olhamos pro relógio e que testa ao máximo os músculos cardíacos.

Independente do motivo se sentir atrasado, estando ou não atrasado, é uma sensação extremamente incômoda, tanto que o medo de se atrasar acaba gerando boa parte do nosso stress diário. Pensando nisso acabo me lembrando de algumas pessoas que parecem imunes aos efeitos nefastos do atraso. Como não consigo ser assim acabei escrevendo esse texto, não só para compartilhar um pouco da minha aflição, mas também pra aproveitar que o texto dessa sexta está atrasado e usar isso como fonte de inspiração.

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Som, Ritmo e Tempo

Essa semana quando estava pra colocar o pé na rua resolvi dispensar os fones de ouvido e ouvir com atenção os sons de tudo ao meu redor. De fato prestar atenção em todo e qualquer ruído que me cercava foi uma experiência interessante, mas que durou apenas um ou dois minutos, tempo suficiente pra cabeça começar a fervilhar.

Por causa das minhas afinidades musicais acabei ficando um pouco obsessivo por ritmo. O ritmo é algo muito natural, ele está em todo lugar. As batidas do coração, nossos passos, respiração, fala e muitas coisas mais possuem ritmo próprio. Foi pensando nos sons e nos ritmos que comecei a pensar sobre o tempo. Inicialmente pensando na conotação musical da palavra, ainda com um pouco da matemática da música na cabeça, mas logo a mente deu um freio. Literalmente ela “parou no tempo”.

Fico pensando se já tive vontade de falar sobre isso em algum texto. Tempo. Muito provavelmente a medida mais abstrata que o ser humano já inventou. De todas as coisas relativas o tempo é a maior de todas. Não só por percebermos esse nobre senhor de formas diferentes, mas de fato o tempo não passa igual pra todo mundo.

Todo mundo conhece uma pessoa que não mudou nada nos últimos tempos ou aquela pessoa que mudou demais. Gente que parece estacionado na linha cronológica, que continua o mesmo por fora, por dentro ou as duas coisas. Isso nos parece ainda mais absurdo diante da loucura atual do calendário, que parece mais ter tomado um comprimido de ecstasy junto com energético e entrou em um frenesi nunca antes visto na história desse nosso universo.

Não lembro quando o mundo começou a girar tão rápido (provavelmente em 2013, o ano mais rápido desse século), também não sei quando percebi a preciosidade do tempo e comecei a escolher a dedo como desperdiçaria meu tempo. Tão raro que é melhor terminar logo esse texto pra economizar um pouco do meu e do seu tempo.

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Contos de Segunda #15

Amadeu acordou achando o mundo um grande pedaço de cocô orbitando o Sol. Segunda-feira, a mesma porcaria de sempre. Mais um dia estressante no trabalho estava pela frente, cheio de clientes pentelhos, subalternos com inteligência de ameba e superiores que tem parentesco próximo com as portas. Nada na geladeira estava dentro da validade, com exceção da margarina, do óleo de soja e da cola super bonder.

No jornal não tinha uma noticia animadora. Crise, derrota do time do coração, audiência da novela em baixa e outro prédio histórico entregue às baratas. Só faltava ver o resultado da Sena pra desgraça estar completa. Estava lá 03 16 24 43 48 57… 03…16… 24… 43 … 48… 57… Um acertador. Só um. Em quinze segundos Amadeu ficou milionário.

Amadeu levantou da cadeira achando que o mundo era um grande pedaço de chocolate orbitando o Sol, essa estrela maravilhosa e sorridente que acariciava a todos com seu calor gentil. A segunda-feira estava especialmente maravilhosa e um dia sensacional no trabalho estava pela frente. Como sempre os clientes, criaturas tão simpáticas e gentis ocupariam o telefone durante todo o dia, mas Amadeu sabia que podia contar com seus colegas. Seus subordinados eram tão capazes e talentosos que davam orgulho. Sem contar os seus superiores que eram tão habilidosos na gestão das pessoas quanto na gestão dos negócios. Infelizmente a comida da geladeira continuava vencida. De fato algumas coisas não podem melhorar com uma simples mudança de ponto de vista.

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Equalize

Há um tempo atrás peguei uma carona e, pra minha surpresa, começou a tocar uma musica de Pitty no rádio, mais especificamente Equalize. Confesso que nunca fui admirador da famigerada roqueira baiana, mas muitas das coisas que te jogam pro passado não são necessariamente as que você  gosta, são as que estavam lá quando o passado ainda era presente.

Essa música me jogou pra quase 10 atrás. Quando eu passava a tarde assistindo Mtv com o meu, até então inseparável, irmão. Naquele tempo eu sabia ainda menos coisas da vida do que o pouco que sei hoje, principalmente as que eu gostaria de nunca ter sabido, não ganhava dinheiro algum e me orgulhava de ir muito bem na escola.

Mas coisas mudaram, mudaram muito. Os anos foram rápidos e as mudanças não ficaram muito atrás. Aprendi muito mais do que eu fingia saber, tive algumas poucas conquistas e consegui muito do que eu queria. Olho pros livros na prateleira e lembro do tempo que tudo o que eu lia era emprestado, quando fui fazer o ensino médio no Recife e conheci muitos dos amigos que tenho até hoje. Quando eu comecei a realmente ouvir música e ainda cogitava terminar de escrever o livro que eu tinha começado aos onze anos, pouco antes de ficar sem escrever por alguns anos.

Antes da explosão dos filmes em 3d e das TV’s HD, antes de tudo poder ser curtido e compartilhado e os programas do domingo não usarem os Trending Topics como base pras suas pautas. Quando o Faustão era gordo e o Gugu parecia que nunca ia sair do SBT. Entrar na internet fazia barulho e todo mundo conversava pelo MSN. O salário mínimo era ainda mais mínimo e dava pra comprar cartão telefônico em qualquer esquina, ainda existiam notas de um real e estudante usava Passe Fácil no ônibus.

Tempos bons que não voltam, e é melhor que não voltem. Antes que eu pareça contraditório me deixe explicar: por melhor que o passado tenha sido precisamos dele lá, onde sabemos que ele está, seguro em um lugar que ninguém além de nós mesmos pode alcançar. “Passado é propulsão” já dizia a música, justamente por que aquilo que deixamos pra trás é o que nos ajuda a caminhar sempre pra frente.

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Meus Problemas com Barba

Há mais ou menos dois anos já estava formado o embrião que se tornaria o Cachorros de Bikini. Naquela época eu escrevi alguns dos textos publicados nos últimos meses, alguns dos que ainda serão publicados e outros que nunca virão a público. Dentre os componentes desse último grupo está um texto com o sugestivo título de “Barba”.

Recentemente resolvi deixar os pelos da face crescerem a vontade, por isso publicar um texto da reserva com essa temática me pareceu uma boa ideia, mas alguma coisa me fez desistir. Puxei pela memória e percebi que o tempo afastou aquelas palavras de mim. Minha voz não estava mais naquele texto, pelo menos não como eu a escuto hoje, e isso me levou a refletir. O que mudou ao longo desse tempo?

Muito provavelmente a maioria das coisas continua no mesmo lugar, mas talvez eu tenha mudado ou mudado a minha relação com a minha barba. Quem sabe a qualidade do texto me pareça menor do que antes ou simplesmente o tema não me interesse como interessou na época. Será que no futuro olharei para meus cachorros publicados e pensarei a mesma coisa?

Foram só dois anos (na verdade um pouco menos), mas foi o suficiente para que alguma coisa mudasse e provavelmente as coisas continuarão mudando. Fico pensando se isso foi só o começo de uma mudança maior ou de uma mudança na ótica pela qual eu enxergo minha produção recente. Talvez em algum momento eu olhe para os cachorros que habitam nesse humilde sitio e perceba que as roupas de banho que eles usam estão fora de moda. Provavelmente algo desse tipo nunca vai acontecer, afinal estamos no Brasil e por aqui bikini nunca saiu de moda. Sem contar que sungas, maiôs e tanguinhas não me parecem trajes adequados para os meus cachorros.

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