Cachorros de Bikini

Coisas bestas da vida tratadas com o cuidado que elas merecem

Nota 5,0… Parabéns!

Posso estar enganado, mas eu tenho certeza de que todo mundo que gosta de escrever começou essa paixão nas aulas de redação. Comigo não foi diferente, até o segundo ano do ensino médio redação era uma das minhas matérias preferidas, desde aquele tempo eu dava umas viajadas e fazia minhas primeiras experimentações. Minhas notas me estimulavam a fazer isso e na minha cabeça juvenil eu era um excelente aluno de redação. Na minha cabeça juvenil eu me via praticamente como um escritor profissional, mas isso durou até exatamente o segundo ano do ensino médio. Meu terceiro ano provou que a vida não era essa maravilha toda, tanto que quando eu penso em redação apenas o ano de 2007 vem à mente. Inclusive foi a pedido de um dos amigos que testemunhou esse suplício que farei provavelmente o relato mais sincero de toda a história do Cachorros de Bikini.

    Nove anos atrás, no ano da graça de nosso Senhor de 2007, eu tinha 16 pra 17 anos, estava concluindo o ensino médio e o fim do mundo já estava marcado pra depois do vestibular. Naquele tempo eu era um bom aluno e tirava boas notas, eu tinha tudo pra acreditar que o terceiro ano seria cheio de notas boas que nem os anos anteriores. Eu estava redondamente enganado. Apesar de passar o ano me lascando um pouco e tendo um desempenho inferior ao dos anos passados, o resultado no geral foi positivo. Eu conseguia conviver com os resultados médios ou negativos na maioria das matérias, na verdade praticamente em todas exceto uma. No terceiro ano do ensino médio eu tirei todas as notas vermelhas em redação da minha vida e isso foi pra mim uma espécie de passeio no inferno.

    Eu estava confiante que toda a experiência em redação acumulada ao longo dos anos me garantiria mais um ano tranquilo no campo da escrita curricular obrigatória, mas eu acabei dando de cara numa barreira. A barreira em questão tinha os cabelos bem curtos, os olhos claros, normalmente usava batom vermelho, atendia pelo nome de Edvânea e também era conhecida como a professora de redação, português e literatura. De longe uma das melhores professoras eu tive na vida, a mesma que nunca me deu uma nota maior que 5,0 em redação.

    Edvânea foi o adversário que eu nunca consegui superar. Eu digo adversário, não por que ela me dava 5,0 de propósito, mas por que ela me desafiava. Ela soltava os leões no coliseu e depois de me ver suar, lutar, sangrar e matar as feras, colocava o polegar pra baixo, fazia a caneta dançar sobre o fruto do meu trabalho e me entregava o simbolo incontestável da minha retumbante derrota. Vermelho, sempre em vermelho. Vermelho como sangue, vermelho do batom, vermelho da tinta da caneta, vermelho da minha nota. O mesmo vermelho que gritava pra todo mundo ouvir o tamanho da minha incompetência, que atestava a fraqueza das palavras derramadas sobre o papel. Em 2007 vermelho era a cor da minha vergonha.

    Sim, vergonha. Era isso que eu sentia sempre que recebia a nota de redação. Sempre que eu via os mesmos amigos que me reconheciam como um ótimo aluno de redação com notas muito maiores que as minhas. Lembro de forçar minha criatividade até o limite, de tentar ao máximo ousar dentro das fórmulas das redações dos vestibulares. Obviamente nada disso interessava muito, ou quem sabe eu não estivesse fazendo as coisas tão bem quanto pensava, e o resultado quase sempre era o mesmo: nota 5,0. Talvez você esteja pensando que 5,0 não é uma nota tão vermelha assim, mas vale lembrar que Edvânea nunca dava menos que 5,0… Quase nunca, já que em uma certa ocasião, beirando o desespero de conseguir uma nota decente, li errado o tema da redação, escrevi uma parada totalmente nada a ver e tirei um maravilhoso 2,5. Gosto de pensar nessa nota como o único mérito que minhas redações tiveram naquele ano, com a pior nota que foi dada nas quatro turmas de terceiro ano de 2007 no Colégio da Polícia Militar de Pernambuco.

    Quando eu paro pra pensar nesse pedaço da minha vida escolar só consigo encará-lo como um grande exercício de humildade. Foi em 2007 que toda a minha vaidade em relação ao que escrevo foi evaporada. Foi quando eu aprendi que aquilo que eu achava do meu próprio trabalho não servia pra muita coisa. Bom ou ruim é o leitor quem diz e isso me faz lembrar que na última redação que eu fiz deixei um recado. Pedi gentilmente que aquele 5,0 fosse dado com uma caneta azul, é uma pena que a última redação era uma prova final e eu nunca vi aquela “nota azul”. Lembro que na última vez em que nos vimos ela me garantiu que meu pedido foi atendido. Foi no teatro da UFPE, na colação de grau das turmas do terceiro ano e não por um acaso Edvânea usava um vestido vermelho. Vermelho como as poltronas do teatro, vermelho como a cor da tinta da caneta, vermelho como o batom, vermelho cor de 5,0.

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Contos de Segunda #48

    Fernanda estava muito feliz. Quando chegou em casa depois de uma segunda-feira de trabalho foi recebida por um e-mail de uma loja de sapatos. Promoções exclusivas para aqueles que clicassem no link. Fernanda clicou e poucos minutos depois estava sorrindo de orelha a orelha por causa do tamanho do desconto em um salto alto, que não só era a sua cara, mas também refletia vários aspectos interessantes de sua personalidade. Ele foi adicionado ao carrinho, Fernanda clicou em “Finalizar Pedido”, colocou o e-mail, a senha e os problemas começaram.

“Senha Incorreta”. De fato fazia muito tempo que Fernanda não comprava nada no site, esquecer a senha cadastrada era perfeitamente compreensível, por isso ela clicou em “Esqueci Minha Senha” e ficou esperando a senha provisória chegar. Um minuto, dois, ela olhou na caixa de spam e não tinha nada. Cinco, dez minutos se passaram e nada do e-mail com a senha. Ela foi lá e clicou novamente em “Esqueci Minha Senha” e dois minutos depois o sangue de Fernanda estava começando a ficar perigosamente quente. Antes de clicar pela terceira vez em “Esqueci Minha Senha” ela notou que tinha escrito “fermanda” e não “fernanda” no endereço de e-mail. Corrigido esse erro o sistema aceitou a senha e a página de confirmação dos dados e pagamento abriu. Tudo bem quando acaba bem… Ou seria se tivesse acabado.

Fernanda resolveu alterar o endereço de entrega, ela queria receber a encomenda no trabalho. Preencheu o novo endereço de entrega e os dados do cartão de crédito. A felicidade começou a voltar quando lembrou que a loja mantinha um estoque na cidade e a encomenda chegaria bem rápido. Dados conferidos, era só clicar em “Finalizar Pedido”. Ela clicou. A página exibiu o que estava sendo processado e… Ficou na mesma. A curta paciência de Fernanda só a permitiu clicar mais duas vezes.

Na terça-feira uma notícia tomou conta dos jornais. Uma mulher não identificada invadiu o galpão onde uma famosa loja de calçados na internet tem o seu estoque. Todos os seguranças foram desacordados e os cães de guarda foram encontrados apavorados, como se tivessem visto algo muito assustador. Nada foi roubado, apenas um par de sapatos de salto alto, mas segundo as informações divulgadas foi encontrada no local uma quantia em dinheiro, exatamente o valor do par de sapatos no site. O dinheiro foi encontrado dentro de um envelope onde se lia “EU TENTEI”.

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Fogos!

Mais uma vez chegamos ao 24 de Junho, dia de São João, uma das maiores festividades deste lado do universo e de longe uma das minhas épocas preferidas do ano. E talvez os maiores protagonistas desse festejo todo  sejam os fogos de artifício.

Quando pensamos em fogos de artifício nos vem à mente aquela coisa bonita inventada pelos chineses, que nos deixa encantados com tamanha beleza ao iluminar o céu com suas cores diversas e efeitos variados. Tirando uma ou outra exceção, na prática os fogos fazem barulho e só. Os fogos mais elaborados são muito caros ou apresentam um potencial destrutivo muito baixo, por isso são sumariamente ignorados ou comprados em pequena quantidade. Afinal a principal função dos fogos é ajudar a simular um conflito armado.

Quando Junho chega um instinto coletivo desperta nas pessoas. Não acontece com todo mundo, mas uma boa quantidade de gente começa a sentir uma necessidade extrema de comprar artefatos pirotecnicoexplosivos com formas e potências variadas para criar as mais ruidosas explosões no dia do principal santo do mês seis, de modo que o barulho da noite do dia 23 poderia ser usada como efeito sonoro de algum filme de guerra. Bombas grandes, pequenas, palitinhos, traques de massa, espirros de bode, peidos de véia são alguns dos nomes dados aos pipocos de São João. Obviamente existem os foguetes e rojões que figuram o céu nublado do dia 23, normalmente com algumas poucas cores e bastante barulho.

    Tais artefatos normalmente são trazidos pelos mais peculiares comerciantes e estabelecimentos. Não preciso nem dizer que algumas muitas normas de segurança são ignoradas e que boa parte dos comerciantes não está capacitado para vender artefatos inflamáveis e explosivos, vide as instruções capengas que eles costumam dar ao questionados sobre o manuseio de fogos mais elaborados e a propaganda que eles fazem dos produtos com frases do tipo “esse aqui um menino usou pra explodir o banheiro de uma escola lá em Jaboatão”.

Pra mim os fogos são parte do tempero que dão o gosto de infância pro São João. Dependendo do ano é possível andar na rua e sentir o cheiro de pólvora desde o final de maio, cheiro que me avisa que essa época boa do ano tá chegando.

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Post Polêmico

    Hoje resolvi criar polêmica. Quando você é proprietário de um blog é bem fácil, é só fazer um post polêmico, onde você fala de alguma coisa controversa e opinando contra uma determinada parcela da população e pronto, está criada a sua polêmica pra usar como quiser… Mas e se essa polêmica não for assim uma coisa que se diga “minha nooossa como é grande essa polêmica”?

    Tudo começou essa semana quando um amigo meu me emprestou o maravilhoso jogo Life is Strange. Fui jogando, jogando e no momento que escrevo esse texto faz menos de duas horas que terminei o jogo. No final da jogatina um amigo me perguntou “o que tu achou do final polêmico?”. Como rola muita coisa no final do jogo, perguntei sobre o que era a polêmica, ele me mandou o link de uma entrevista com o diretor do jogo. Caso você queira ler e não pretenda jogar o jogo, segue o link da entrevista. Li a curta entrevista e o que eu percebi? Não teve polêmica nenhuma.

    “Se o final não é polêmico, qual a polêmica?”. Concordo com você, querido leitor. Também fico refletindo sobre essa suposta polêmica. O jogo trata de assuntos bem sérios como bullying, assédio sexual, depressão, abuso de drogas, violência física e psicológica coisas e por aí vai. Qualquer uma dessas coisas poderia de fato gerar polêmica, mas o final em questão não gerou. O final em questão é só o fechamento da história, todos os assuntos sérios já tinham sido tratados e pouca coisa ainda precisava ser resolvida, mas aí um monte de gente jogou, reclamou do final e… Só. Toda a polêmica gerada não passou de um mimimi ruidoso de uma parcela dos jogadores, na verdade chamar de polêmica foi uma bondade de quem colocou o título na matéria.

    Aí vem a pergunta de um milhão de dólares: como saber se uma coisa é polêmica ou não? Pra mim só é polêmico se vira textão do Facebook, tweet de pastor radical, quando tem tweet de artista rebatendo o pastor radical, e  quando vira pauta de matéria pro Fantástico. Um conteúdo só é polêmico quando chama atenção fora do próprio nicho, além do próprio público. No final “polêmica” é só uma palavra que estão usando pra deixar as manchetes mais atrativas.

    “Ei, Filipe, cadê a polêmica que tu ia criar?”. Ah sim, obrigado por me lembrar… Deixa eu ver… Já sei. Imagine comigo: plantar um feijão no algodão é muito parecido com colocar um bebê humano pra crescer no cadáver de uma vaca. Pense nisso e até o próximo texto.

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Contos de Segunda #47

   Horácio era um assassino da máfia. Era assim que ele se enxergava, apenas um assassino da máfia. A máfia enxergava Horácio como o pior assassino de todos os tempos. Não que ele fosse um capanga incompetente, muito pelo contrário. Horácio era excelente em intimidação, cobrava dinheiro como ninguém, era treinado em todas as modalidades de briga de rua, dirigia como um verdadeiro piloto e tinha contatos em todos os lugares… Só não servia para matar os outros. Tanto que ele era sempre a última opção para esse tipo de serviço. Quando todos os matadores estavam impossibilitados de matar ligavam para Horácio.

    — Horácio, preciso que você faça um serviço — disse a voz do outro lado do telefone.

    — Pode dizer, chefe — respondeu Horácio.

    — Sabe o cara da alfandega? Ele pisou feio na bola, preciso que você garanta que essa foi a última vez que ele nos deixou na mão.

    — Não seria melhor só dar um susto no cara?

    — Ele já levou susto demais. Acabou a festa pra ele. Serviço limpo e discreto, Horácio, você é meu único homem na rua hoje.

    — E o resto do pessoal, chefe?

    — O fim de semana foi movimentado, Horácio, precisei dar uma folga pros meninos. Essa demanda apareceu de última hora, se não fosse urgente eu não te pedia. Só resolve isso, ok?

    A ligação foi encerrada antes que o pobre capanga pudesse argumentar. Pelo menos esse alvo seria mais fácil de eliminar do que os outros, o alvo em questão se chamava Carlos, tinha 58 anos e um problema na perna que o impedia de correr. Horácio entrou no carro e partiu para o porto.

    O escritório da alfandega ficava em uma das partes menos movimentadas do porto e como Carlos gostava de fazer hora extra, não seria difícil pegá-lo sozinho. O relógio marcava nove da noite quando o alvo finalmente saiu do escritório em direção ao carro. Horácio estava encostado na porta esperando por ele.

    — Boa noite, Carlos.

    — É… Boa noite… Horácio, não é? Transmita meus cumprimentos ao seu empregador e diga que já estou trabalhando para resolver o imprevisto de hoje.

    — Isso é ótimo, Carlos, mas meu empregador resolveu adotar medidas mais, digamos, permanentes.

    Horácio sacou a pistola. Um serviço limpo e discreto, foi o que o chefe solicitou. Normalmente isso significa um tiro na testa com uma pistola silenciada ou a simulação de um acidente, nenhuma testemunha. O capanga era um péssimo atirador, mas normalmente não errava a uma distancia tão curta. Fez mira e puxou o gatilho… Nada. Carlos olhou incrédulo para seu algoz. Outra tentativa… Nada. Depois da terceira Horácio lembrou de destravar a pistola. A essa altura Carlos já estava correndo o máximo que sua perna defeituosa permitia, bem mais do que Horácio esperava.

    O pobre funcionário da alfandega corria sem saber bem para onde. Os galpões estavam fechados, assim como os escritórios, a única saída era se jogar no mar e esperar que o assassino se contentasse com sua possível morte. Um tiro passou zunindo pela orelha de Carlos, ele começou a correr mais rápido. Outro disparo, o tiro passou raspando no ombro do futuro defunto, ele começou a chorar. A água não estava tão longe, o assassino estava cada vez mais perto.

    Então viu-se uma luz. Ouviu-se um barulho de freio e uma batida. O motorista do caminhão de presunto não esperava um senhor meio manco cruzando seu caminho naquela noite. Não conseguiu evitar, acertou o pobre Carlos em cheio, arremessando o pobre coitado algumas dezenas de metros na frente. Quando a ambulância chegou o coitado já tinha parado de respirar fazia um bom tempo.

    Horácio esperou até a ambulância chegar. Ele ligou para o contato no IML, dez minutos depois o contato ligou informando que um carro já estava a caminho do local. Finalmente Horácio podia comemorar a eliminação de um alvo e o melhor de tudo: ele não precisou matar ninguém.

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Disso Eu Sempre Esqueço

Memória é uma das paradas mais misteriosas que existe. A gente costuma imaginar o nosso cérebro como uma coisa parecida com nosso computador, com cada coisa no seu lugar certinho, tudo arquivado e organizado, mas tudo funciona de um jeito muito louco. E de todas as coisas do nosso cérebro a mais louca de todas é a memória.

Poucas coisas na vida são mais aleatórias do que nossa memória. Basta lembrar do tanto de coisas inúteis que vem fácil na nossa cabeça e da quantidade de coisa que a gente precisa lembrar e não lembra. Também tem aquelas coisas que lembramos, esquecemos, lembramos e esquecemos de novo em um looping maluco de esquecimento e lembrança que muitas vezes acontece ao longo de poucos minutos. Porém existe algo pior do que esquecer das coisas: nunca conseguir lembrar.

Não tem jeito, todo mundo tem alguma coisa que sempre escapa. Pagar uma conta, abastecer o carro, assinar a prova, marcar o gabarito, início do prazo, final do prazo, aniversários, datas comemorativas, consulta médica, hora do remédio, desligar alguma coisa, tirar outra da tomada e mais uma infinidade de outras miudezas cotidianas. Sempre, mas pode ter certeza que sempre tem alguma coisa que você esquece em praticamente 100% das vezes. Pode tentar o quanto quiser, pode colocar lembrete, alarme e barbante no dedo. Seu cérebro vai sempre trabalhar de forma que uma nuvem de esquecimento fique estacionada sobre aquela coisa. A seguir farei um relato pessoal para exemplificar melhor.

Quem me conhece costuma dizer que eu tenho uma memória boa. Boa parte das minhas lembranças foram sumariamente esquecidas pelos meus amigos, de modo que volta e meia parece mais que eu estou inventando a história toda. Além disso existe uma quantidade inacreditável de informação completamente inútil que eu tenho guardado na minha cabeça e sem motivo aparente o meu cérebro se recusa a me deixar esquecer. Mas eu fico pensando por qual motivo, razão ou circunstância eu sempre esqueço de colocar o efeito riscado.

O efeito riscado do WordPress é um recurso que eu particularmente gosto muito. Ele é ótimo pra dar um efeito cômico e similares. Só que toda vez que eu escrevo um post com esse efeito… Eu só lembro de colocar um tempão depois. Quando todo mundo interessado já leu e viu uma parada totalmente sem sentido escrita no meio do texto… Espero pelo menos ter lembrado de colocar os efeitos nesse aqui, por que o final que eu tinha pensado antes acabei esquecendo.

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Eu, Você e Os Jogos Malditos

    No último domingo um amigo meu entrou no grupo de chat e anunciou que estava jogando um jogo casual, simples e gratuito. “Baixa esse jogo, vocês vão se lascar, não posso me lascar sozinho”, foram essas palavras aflitas que o sujeito supracitado usou para convencer os integrantes do grupo a jogar também. Eu baixei o jogo, eu joguei o jogo e eu me lasquei.

    Não citarei o nome do jogo para não ajudar a espalhar essa desgraça pelo mundo, mas farei uma descrição ligeira dele. O jogo consiste em clicar na tela para eliminar monstrinhos e passar de fase. Você ganha dinheiro matando os monstros e faz uma infinidade de upgrades pra conseguir matar os monstros mais ligeiro. A graça do jogo desaparece pouco tempo depois, os números chegam a casas astronômicas e param de fazer sentido. Em vez de parar de jogar o que eu faço? Continuo jogando. Gasto um pouco mais de tempo e desligo. No outro dia eu abro de novo e o jogo não parou. Acho um absurdo e o jogo começa a parecer pior. Nem por isso eu paro de jogar.

    O tempo gasto nesse entretenimento maldito é muito menor do que eu costumo gastar em outros jogos, mas qualquer minuto gasto com isso parece custar horas do meu dia. Diante desse quadro revoltante eu fico pensando em quantas pessoas estão na mesma situação.

    O vício em jogos casuais é uma praga relativamente recente. Quem tem a minha idade lembra da febre que foram os jogos do Orkut. As pessoas mais improváveis gastavam a vida jogando Colheita Feliz e coisas do tipo. No Facebook isso também acontece e depois da popularização dos smartphones isso tomou proporções inimagináveis. Isso me leva a questionar o motivo pelo qual esses jogos nos escravizam dessa forma. Pensando um pouco só chego a uma conclusão: todos esses jogos foram tocados pelo demônio e estão infundidos com o poder das trevas.

    Pra mim não existe outra explicação. Algo sobrenatural move esses joguinhos e por isso ficamos presos apesar da raiva e da aversão que eles nos causam. Deixo aqui registrado que pretendo reverter essa relação nociva com o jogo maldito que apareceu na minha vida. Pretendo acabar com essa jogatina sem sentido e voltar minha atenção para vícios menos danosos opções de entretenimento mais saudáveis. Caso você, estimado leitor, esteja passando por uma situação semelhante, saiba que você não está sozinho. Um dia conseguiremos nos livrar dessa desgraça… Mas enquanto esse dia não chega, vou aqui olhar o quanto de dinheiro juntou enquanto eu escrevia esse texto.

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Contos de Segunda #46

Todo o plano de Luciana e Roberta para juntar Jorge e Cristina não começou hoje. Esse conto, além do retorno de Jorge e Cristina à nossa série semanal,  é uma continuação dos Contos de Segunda#34, Contos de Segunda #42 e Contos de Segunda #44.

— Você e seu rolo atual vão jantar no dia dos namorados, mas em vez de aproveitar o romantismo de um momento a dois comendo sushi, vocês vão articular um blind date comigo e um amigo dele.

    Era sexta-feira. O dia dos namorados daquele ano caía no domingo e Luciana estava tentando convencer Cristina a não passar o dia 12 sozinha em casa. As duas estavam almoçando, Luciana resolveu comer um sanduíche, ela sabia que Cristina comeria alguma salada complicada que deixaria metade do cérebro dela ocupado durante a refeição. Quando o sanduíche terminou o prato de salada ainda estava na metade.

    — Falando desse jeito até parece um absurdo, Cristina. Minhas intenções são puras e minhas ações movidas exclusivamente pelo sentimento sincero que eu nutro por você – uma dose cavalar de teatralidade estava depositada em cada palavra.

    — Sei lá, Luciana. Não tô no clima de romance ultimamente, principalmente quando aparece uma oferta pra segurar vela em dupla — apesar da complicação da salada o cérebro de Cristina estava funcionando melhor que o esperado.

    — Vai ser legal, amiga. Preciso que você vá lá pra aprovar meu guitarrista. Lembra dos meus outros namorados? Graças a você eu me livrei de dois malucos, um eco terrorista e um fanático por futebol. Nunca namorei um músico, sua avaliação se faz necessária… E vai ser de graça.

    Cristina revirou os olhos como se procurasse uma solução dentro da própria cabeça. Olhou para o prato de salada, mas o alface não parecia ter uma solução escrita nas folhas. Ela respirou fundo, olhou Luciana nos olhos e disse:

    — Tá bom, tá bom — ao ouvir essas palavras Luciana bateu palmas eufóricas de satisfação. — Mas você tem que me garantir que esse amigo não é um daqueles malucos de academia, nem um que vai votar em Bolsonaro, nem daquela galera do “ain, não tinha isso no livro” e nem aqueles malucos por quadrinhos — cada um dos tipos proibidos era contado nos dedos.

    — Relaxa, gata. Pode ter certeza que o cara é perfeito pra você.

    — Já te disse pra não me chamar assim

    — Assim como?

    — “Gata”. Vi em algum lugar que não se deve confiar em uma mulher que chama a outra de “gata”, acabei ficando com isso na cabeça. Não sei se isso tem fundamento, mas por via das dúvidas não me chame desse jeito.

    O dia 12 não demorou para chegar. Era fim de tarde quando Luciana colocou a chave do carro na mão do manobrista. O restaurante japonês não era tão grande, mas era bem refinado. Em condições normais seria impossível conseguir uma reserva para o dia dos namorados tão em cima da hora, mas o guitarrista de Luciana faria uma apresentação no restaurante às oito da noite, de alguma forma aquilo ajudou com a reserva. Pouco depois de cruzar a porta um rapaz se aproximou para atendê-las.

    — Boa tarde, senhoritas. Qual o nome que está na reserva?

    — Boa tarde — respondeu Luciana. — A reserva está em nome de Fábio. Imagino que ele já esteja por aí.

    — Está sim, me acompanhem por favor.

    O rapaz conduziu as duas até chegar a um salão. Próximo do bar estava um pequeno palco onde uma moça tocava piano e cantava. Cinco mesas antes do palco estavam Fábio e seu amigo. Os dois conversavam empolgados e não notaram as moças até que as duas estivessem bem perto.

    — … Eu tô dizendo, meu velho, essas coisas só funcionam na televisão e… Olha elas aí — disse Fábio.

    Instintivamente o outro homem da mesa se virou ainda achando graça da conversa interrompida. Em uma fração de segundos o ar de riso foi convertido em uma cara de velório. A reação de Cristina não foi muito melhor.

    — Ah, não… — Disse ela baixinho. — Oi… Jorge.

    — Cristina, que… Surpresa — o olhar de Jorge foi desviado imediatamente para Luciana. — Não sabia que a menina de quem Fábio estava falando era você, Luciana.

    — É sempre bom te ver também, Jorge. A gente chegou muito cedo, Guitarrista?

    — Na hora certa, Lulu — Fábio se levantou, deu um beijo no rosto de Luciana e ofereceu a cadeira ao lado de Jorge. — E você é Cristina. Sou curioso pra te conhecer faz tempo.

    — Digo o mesmo, Fábio. Não sabia que você e Jorge eram amigos — respondeu Cristina sentando de frente para Jorge, o olhar dos dois se encontrou por um instante. Ele estava tão raivoso quanto ela.

    — Então, Luciana, foi Roberta que apresentou vocês dois? — Perguntou Jorge desbloqueando a tela do celular.

    — Ela me levou pra um ensaio do casamento do irmão dela e a gente se conheceu lá.

    — Ah, é mesmo? — Os dedos de Jorge digitavam rapidamente uma mensagem para Roberta. “Você não devia ter se metido nisso, Roberta”.

    — Eu não tinha sido convidada pro casamento e estava curiosa sobre a banda. Cristina não topou me levar de penetra e Roberta acredita piamente que o irmão dela me detesta.

    — Tenho a forte impressão que o irmão dela também acredita nisso — interrompeu Cristina enquanto enviava uma mensagem para Roberta. “Vou te enforcar com as tuas tripas, Roberta”.

    — Se vocês me dão licença, eu vou no banheiro e volto logo — disse Jorge olhando diretamente para Cristina.

    A moça entendeu a deixa. Jorge podia estar no topo da lista negra, mas eles precisariam trabalhar juntos pra sair dessa situação.

    — Eu vou dar uma passada no bar, estou com planos de ficar meio bêbada, melhor começar cedo.

    Os dois seguiram caminhos distintos. Jorge partiu em direção ao banheiro, mas antes disso entregou um cartão a um garçom qualquer pedindo para entregá-lo à moça que estava chegando no bar. Assim que o cartão chegou Cristina discou o número.

    — Se você tiver alguma coisa a ver com essa história… Alguma coisa com saquê e morango, por favor. Se você estiver no meio disso, Jorge, pode ter certeza que eu te mato antes de matar Roberta.

    — Me mata depois, aí eu te ajudo a esfolar Roberta viva. Eu convenci Fábio a tocar no casamento do irmão dela e é assim que ela me paga.

    — A culpa só podia ser tua, Jorge. Deus queira que esse teu amigo da guitarra não tenha muita coisa pra contar a Luciana.

    — Relaxa que Fábio sabe menos coisa do que Luciana, pelo menos sabia. A gente precisa de um plano.

    — Depois dessa mão-de-obra toda não tem plano? E Luciana ainda quer me juntar contigo, sinceramente.

    — E ainda me perguntam por que eu não gosto de você… Fábio toca às oito, são dez pras seis. Imagino que ele vai sair da mesa pelo menos meia hora antes…

    — Eu não vou ficar mais de duas horas olhando pra tua cara, Jorge. Antes disso eu pulo no pescoço de Luciana e a gente vai daqui pra delegacia ou pro hospital… Tais de carro?

    — Sim. E pelo jeito da pergunta Luciana é a tua carona.

    — Foco na solução, Jorge. É só a gente dar um jeito de disfarçar e depois dá uma escapulida. Eu fico no bar e você finge que tá com dor de barriga.

    — Por que eu tenho que fingir que estou com cag… Dor de barriga? É só eu ir pro bar também, digo que quero ver a pianista de perto.

    — Nós dois no mesmo lugar e eles não vão tirar os olhos da gente. Vou voltar pra mesa, lá a gente pensa em alguma coisa.

    Meia hora se passou. Luciana e Fábio pediram sushi, Jorge não pediu nada e Cristina resolveu não tomar mais nada alcoólico. A tensão da mesa era crescente. Luciana e Fábio pareciam estar se divertindo muito com toda a situação, enquanto Jorge e Cristina estavam se sentindo feras enjauladas.

    — Jorge, já comeu desses sushis com camarão? — Perguntou Fábio. — Eu acho meio estranho.

    — Esqueceu que eu sou alérgico? Se eu colocar um camarão na boca já começo a ter reação.

    — Sério? — Perguntou Luciana genuinamente surpresa.

    Cristina olhou para Jorge. Quando ele olhou de volta ela indicou o camarão com os olhos. Ele fez “não” com a cabeça, ela fez “sim.

    — Sério, Luciana. Vê só — antes que alguém pudesse ver Jorge jogou um pedaço de camarão dentro da boca, mastigou duas vezes e cuspiu.

    Imediatamente a língua dele dobrou de tamanho, o rosto ficou vermelho e estava começando a inchar.

    — Meu Deus, Jorge! — Gritou Cristina da forma mais exagerada que ela pode. — Tá doido? A gente tem que te levar pro hospital.

    — Assho que ffffim — respondeu o pobre Jorge.

    — Me dá a chave do carro, eu te levo — disse Cristina. — Fábio precisa tocar e Luciana leva ele depois.

    Os dois se levantaram e saíram correndo. Antes que Luciana e Fábio pudessem entender tudo, Cristina já estava dando partida no carro. Jorge abriu o porta-luvas, sacou um tubo de plástico, tirou uma ponta e cravou na perna. O antialérgico tinha sido rápido o suficiente para salvar Jorge de um possível choque anafilático. Cristina se colocou no caminho de casa, pouco antes de chegar lá Jorge conseguiu falar.

    — Você só pode ser doida, Cristina.

    — Não te obriguei a fazer nada, Jorge, mas não vou ser injusta com você. Parabéns pela coragem.

    — Não pensei muito, dois segundos a mais de raciocínio e a gente ainda estaria lá — o nervosismo na voz dele era perceptível.

    — A gente precisa dar um jeito nisso, Jorge, a situação tá fora de controle.

    — Segunda-feira a gente pensa nisso, Cristina. Esse remédio já tá me deixando com um sono inacreditável. Me deixa em casa que eu te coloco num táxi ou pego meu carro na tua casa amanhã cedo.

    — Eu que não vou pagar táxi, acabei de salvar tua vida. Mereço no mínimo uma carona, com ou sem você no carro.

    — Então considere isso como o seu presente… Feliz dia dos namorados, Cristina.

    Antes que ela pudesse responder Jorge já estava dormindo. Um sorriso surgiu no rosto da moça. Ela dobrou uma esquina e parou em um posto de gasolina, pegou o telefone de Jorge e ligou para a mãe dele. Ele dormiu antes de dizer onde morava.

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Mulher Larga Emprego para Amamentar Namorado

Sim. É isso mesmo. Você não leu errado. Na última quarta-feira eu estava olhando o meu feed do facebook e eis que vejo uma noticia compartilhada por um grande portal de notícias daqui. O título da notícia era  “Mulher larga emprego para amamentar namorado a cada duas horas, uma manchete chocante e auto explicativo na mesma proporção. Na hora que eu vi esse negócio o cérebro desligou. Antes que pudesse pensar qualquer outra coisa eu pensei:

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Passado o susto inicial fui lá dar uma averiguada boa na notícia. Vamos resumir bem pra diminuir a chance de trauma. Uma moça ouviu falar da prática de amamentação adulta… Vou abrir um parênteses aqui só pra dizer que só de saber que isso existe eu já fiquei traumatizado. Segundo ela, essa prática desenvolve um vínculo único entre as pessoas envolvidas e essa ideia fascinou a jovem. Depois disso começou a saga da moça atrás de um rapaz que topasse essa parada de mamar depois de velho. Ela procurou muito, muito mesmo, a moça realmente estava muito determinada e depois de quase perder as esperanças finalmente encontrou um rapaz disposto e agora os dois estão juntos. A moça amamenta seu namorado a cada duas horas para estimular a produção de leite, largou até o seu emprego como garçonete pra manter a regularidade da amamentação. Os dois estão super felizes com isso e vivendo as maravilhas que apenas o vínculo criado na amamentação pode proporcionar.

  Agora é a parte do post em que eu comento sobre o ocorrido… É, vamos lá.

Sobre isso eu não tenho muito a dizer. Faz tempo que esse mundo tá sem freio e a internet, essa terra maravilhosa, nos ajuda a conhecer mais sobre as coisas malucas que existem no nosso pálido ponto azul. Tudo bem que eu não sou tão velho, não posso dizer que já vi de tudo, mas posso afirmar que vi muita coisa. Nada que eu já vi na minha vida mais ou menos breve se compara com essa maluquice. Notem que a moça não inventou essa onda de amamentar gente crescida, é uma prática com adeptos suficientes pra ser divulgada por aí. Um monte de gente por aí mamando e sendo mamada, literalmente mamando e sendo mamada, sem duplo sentido e nem maldade na afirmação. Pessoas estão aí se nutrindo de leite materno depois de adultos…

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Acho que é isso, até a próxima.

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Uma Receita de Decepção

Mais uma vez o tema dessa quarta-feira estava certo fazia um bom tempo. Um tema bem supimpa com um ar reflexocontemplativo, mas nem por isso mais sério que o normal. Mas ontem aconteceu uma coisa que não poderia deixar de relatar, algo que me surpreendeu de uma maneira que me fez desistir do tema de hoje totalmente. Ontem eu descobri uma receita prática de como me decepcionar comigo mesmo.

    Uma receita simples que você pode reproduzir sem problemas com as coisas que você tem na sua casa.Tudo que você precisa é de uma conexão com a internet e um navegador que funcione com o sistema de abas. O rendimento da receita pode variar de acordo com a importância que você dá para o seu tempo desperdiçado e da sua capacidade de se decepcionar consigo mesmo. O tempo de preparo é praticamente inexistente e você pode fazer enquanto realiza suas atividades normais. Agora vou relatar o processo de desenvolvimento dessa maravilhosa receita.

    Ontem estava eu olhando coisas importantes na internet. Sem exagero ou ironias, eu realmente estava olhando coisas importantes na internet. Depois de terminar de olhar as coisas importantes fechei a aba do navegador e logo depois saí do meu e-mail, por consequência fui parar na página do portal que sempre abre quando eu saio do meu e-mail. Nessa página vi algumas inutilidades que me chamaram a atenção e as abri em outras abas. Quando já estava tudo fechado lembrei que precisava ver uma coisa na página importante, prontamente usei o comando de Reabrir Aba do meu navegador. Esse comando, para aqueles que não estão familiarizados, reabre, da mais recente para a mais antiga, as abas recentemente fechadas do navegador. Obviamente as inutilidades abriram primeiro. Obviamente que tive que abrir um monte de abas inúteis pra finalmente conseguir chegar na aba que eu queria. No curto tempo necessário pra conseguir reabrir a aba desejada eu consegui me decepcionar comigo num tanto que chega bateu uma tristeza genuína.

    Nunca tive problemas com conteúdo inútil na internet, inclusive pra mim produzir um bom conteúdo inútil é um objetivo de vida, mas quando o nível de inutilidade é muito grande e você para pra pensar no tempo gasto no consumo daquele conteúdo dói. Perceber o tanto de tempo desperdiçado com coisas que nem te interessavam muito é uma sensação bastante incômoda. Uma receita prática e rápida pra fazer uma auto decepção que fica pronta mais ligeiro que miojo.

    A receita de hoje foi simples? Acha que consegue fazer sem problemas? Não sei se é possível substituir os ingredientes, não tive tempo pra testar, mas sinta-se a vontade pra mexer e mudar alguma coisa. Não deixe de me contar dos resultados quando você fizer e até a próxima receita.

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