Cachorros de Bikini

Não é um blog sobre cachorros e bikinis

Autor: Filipe Sena (Página 1 de 27)

13 Jovem Ainda

Ficando Velho Cada Vez Mais Novo

Essa semana estava eu procurando coisas pra ouvir. Dei uma passeada na lista de artistas que eu sigo no Spotify e resolvi jogar na fila de reprodução os discos que saíram esse ano. Puxei rapidamente da memória alguns fulanos que tinham disco recente e fui lá catar as músicas pra jogar na fila. Fui lá no primeiro artista todo animado e descobri que o disco do cara era do ano passado. Passei para o próximo, para o seguinte e o que veio depois dele, quase todos tinham discos que datavam de 2016. Obviamente minha reação inicial foi:

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Parei pra pensar um pouco sobre a questão e acabei achando a explicação na obra de uma pessoa que parece entender muito de como funciona o mundo: Neil Gaiman. Lá em Sandman ele define que os Perpétuos, seres imortais próximos do que entendemos como divindade, têm uma percepção diferente do tempo conforme a idade deles avança. Um Perpétuo recém nascido provavelmente percebe o tempo como nós percebemos, com as horas, dias e anos com a duração padrão, um Perpétuo com milhares de anos provavelmente sente o tempo passando bem mais rápido. Imediatamente eu pensei em algo que já vem martelando na minha cabeça faz algum tempo. Eu olhei pra mim mesmo e pensei “eu tô velho mesmo”.

Uma certa vez uma amiga minha me mandou uma playlist com o sugestivo título de “ficando velho cada vez mais novo”. Você pode ouvir ela logo aqui embaixo.

Não preciso dizer que nenhuma das músicas dessa lista é nova, a mais recente tem quase dez anos. Dez anos que englobam praticamente todos os eventos e coisas que eu tenho na minha cabeça como coisas recentes. Qualquer coisa que ocorreu a menos de quatro anos aconteceu “um tempo desses” e é muito fácil confundir os acontecimentos de um ano com os do anterior. Também não é difícil levar um susto ao descobrir que coisas que aconteceram ontem já têm mais de cinco anos e que boa parte das crianças que eu conheci já estão na faculdade ou que os bebês já sabem ler. Aí chego à questão crucial desta dissertação. Como a gente tá ficando velho tão rápido?

A definição de velho é bastante abrangente. Em valores absolutos a velhice só chega quando a gente já passou um tanto bom da metade dos nossos anos estimados de vida. Em valores relativos depende muito de quem observa. Uma pessoa idosa pode não me achar velho enquanto um adolescente pode pensar exatamente o contrário. Mas e a gente? Como é que a gente chega à conclusão de que tá velho?

Pessoalmente considero que você se sente velho quando de alguma forma a idade pesa. Seja na dor das costas depois de sentar numa posição errada ou nas marcas dos anos que a gente vê no espelho. Qualquer período de tempo inferior a dois anos parece pouco e você lembra de um monte de coisa que existiam até um dia desses, mas que uma geração inteira não vai fazer ideia do que é. 

Ficar impressionado com as facilidades mais bestas da tecnologias e usar com uma frequência razoável expressões como “no meu tempo” e “antigamente”.

Assim como a percepção do tempo é relativa, podemos dizer que a percepção da própria idade é tão relativa quanto. Enquanto eu já vivi, em termos numéricos absolutos, duas vezes mais do que algumas pessoas que eu conheço, não vivi nem um terço do que viveu meu avô e nem metade do que viveu meu pai, chegarei a essa marca no ano que vem. Mesmo me achando velho quando eu olho no calendário, por dentro eu ainda não me sinto com essas idades todas. A falta de maturidade e uma aversão ao comportamento adulto padrão estão ajudando nesse sentido. Fico pensando quando eu não só me sentirei, mas de fato estarei velho. Fico pensando como é ter a idade dos meus avós e se o tempo vai parecer mais ligeiro do que me parece hoje… Ia concluir, mas esqueci como era pra terminar, deve ser a idade

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Contos de Segunda #87

Hoje vamos finalmente concluir a primeira história da Dama da Segunda-feira. O conto de hoje é uma continuação direta do Contos de Segunda #80. Pra saber todos os detalhes dessa história é só dar uma passada em Contos de Segunda #38, Contos de Segunda #43, Contos de Segunda #50 – Parte 01 e Contos de Segunda #50 – Parte 02,  Contos de Segunda #62 e Contos de Segunda #77.

Segunda-feira estava no chão. Aparentemente ela tinha passado um tempo desacordada.

“Eu apaguei?”, pensou Segunda. “Por que será que eu apaguei? Não sei bem… Eu lembro que eu estava junto com as meninas… A gente tava fazendo alguma coisa juntas… Acho que eu tava grávida… É, eu lembro de estar grávida, mas depois não tava mais… E tinha dois meninos jogando damas… Acho que eles me chamaram pra jogar com eles e me chamaram de…”

— AIMEUDEUSOQUEESSEMENINOFALOU? — Berrou Segunda-feira quando se recuperou do desmaio. A Dama rapidamente se colocou de pé e grudou as costas na parede. Olhou ao redor e percebeu que Quarta-feira também estava desmaiada, as outras irmãs só estavam em choque.

— Ele falou “Oi, mãe. Quer jogar com a gente?” — respondeu o mais velho.

— Se a senhora não gosta de damas a gente pode fazer outra coisa — disse o mais novo.

— A senhora tá meio pálida — observou o mais velho. — A senhora tá passando mal?

— Aquela moça desmaiou também, Domingo. Acho que ela também tá passando mal.

— Domingo? — Interrompeu Terça-feira.

— É. Meu nome é Domingo — disse o garoto fungando ao fim da frase e arrumando os óculos. — Não lembro de ter nascido de óculos.

— Deve ter aparecido porque a gente acabou de descobrir que nossa mãe usa óculos.

— Mas não apareceu nada na sua cara, Sábado.

— Verdade. Vai ver que você puxou mais a ela.

— Sábado? — Indagou Quinta-feira tentando sem sucesso reanimar Quarta..

— Isso. E vocês quem são? A gente só conhece minha mãe — respondeu sábado.

— Por motivos óbvios — completou Domingo.

— Somos as outras Damas da Semana — respondeu Sexta. — A desmaiada é Quarta, essa com a maquiagem pesada é Quinta, a vestida de hippie é Terça e eu sou Sexta, a melhor de todas.

— Muito prazer… Vocês são tias da gente então? — Perguntou Sábado.

— Sim — respondeu Terça abrindo um sorriso. — Venham aqui me dar um abraço.

Os garotos sorriram e obedeceram. Depois de alguns segundos nos braços da tia, Domingo questionou.

— Por que minha mãe não pediu pra abraçar a gente?

— Parir é uma experiência meio traumática – amenizou Quinta. — E vocês vão ver que a mãe de vocês não tem exatamente todos os parafusos no lugar, mas ainda é uma pessoa fantástica.

Quinta estava certa, aquilo tudo estava sendo muito traumático. Quando ela pensou em ter filhos, na verdade em ter um filho, esperava terminar todo o processo mágicoritualistico com um bebê nos braços e não com dois meninos já meio crescidos que mal nasceram e já sabiam jogar damas. Dois seres plenamente conscientes de quem eram e de quem ela era. Ela respirou fundo, contou até três e finalmente falou.

— Meninas podem nos dar um instante a sós?

As outras Damas saíram carregando o corpo ainda inerte de Quarta-feira para a outra sala. Segunda se abaixou para ficar na altura dos filhos. Os olhos mal podiam acreditar no que estavam vendo. Depois de alguns segundos eles mal podiam enxergar alguma coisa, estavam cheios de lágrimas. Antes que os olhos transbordassem Segunda abraçou seus dois meninos.

— Eu queria tanto vocês aqui — disse ela no começo de um longo abraço.

— Mãe… Acho que já dá pra soltar a gente — disse Sábado.

— A gente tem que ir pra casa… Eu acho — completou Domingo. — A gente vai morar aqui?  O que a gente vai fazer agora?

Segunda soltou os dois. Ela realmente não tinha pensado ainda nessa parte do plano.

— Bem — começou ela. — Acho que primeiro precisamos falar com a avó de vocês e torcer pra ela não transformar a gente em poeira cósmica.

A campainha tocou. A porta abriu e fechou imediatamente, logo depois alguém começou a bater na porta e Sexta apareceu correndo.

— A Mãe-de-Todas tá aqui — disse ela.

— Ah, não — suspirou Segunda.

— Quem é essa, mãe? — Perguntou Sábado.

— Deve ser a Vó-da-Gente — respondeu Domingo.

— Ah, tá.

— O que a gente vai fazer? — Perguntou Sexta.

— Não tem muito o que fazer. Manda a coroa entrar antes que ela derrube a porta.

A Dama da Lua entrou despejando uma quantidade cavalar de revolta sobre suas filhas. A que mais sofreu foi Terça que tinha fechado a porta na cara da mãe, Quarta acabou desmaiando de novo e Quinta tentou ganhar tempo com uma saudação exagerada.

— … Meu assunto não é com vocês — rosnou ela entrando na sala. — Eu quero falar com Segunda, aconteceu alguma coisa aqui e tenho certeza que foi culpa… — A Dama ancestral congelou ao ver as duas crianças. O olhar ia dos meninos para Segunda e de volta para os meninos.

— Oi, vó — disse Sábado impaciente com o silêncio.

— A gente pode chamar ela de vó? — Duvidou Domingo.

— Acho que sim — disse Segunda. — Saudações, Dama da Lua, fonte de tudo que é bom e mãe para todas nós.

— Saudações, Dama da Segunda-feira. Poderia me explicar quem são essas crianças e o que diabos está acontecendo aqui?

— Esses dois são meus filhos, Sábado e Domingo, acabaram de nascer.

— Filhos? São seus… Filhos?

— Exatamente — respondeu Segunda um pouco mais confiante.

— Eu ordeno que encontre um cavaleiro, coloco todas as tuas irmãs à disposição pra te ajudar e você aparece com filhos? Como se um não fosse afronta suficiente, tu apareces com dois? DOIS!

— Meninos, por que não vão pedir pra tia Terça mostrar como ela vê o futuro nas jujubas vermelhas? Eu preciso conversar com a avó de vocês. É coisa rápida.

Os dois obedeceram.

— Quer sentar, Mãe?

— Estou nervosa demais para tomar uma assento.

— Se não se incomoda eu vou me jogar nessa poltrona aqui, acabei de parir duas entidades cósmicas.

— Perdeu o juízo, Dama? Ficou louca de vez?

— Não vejo como gerar novas vidas pode ser sinal de insanidade.

— Estavas prestes a perder o controle de teus poderes, Segunda-feira. Precisavas de uma forma de esgotar tuas energias, de enfraquecer. Não só correste o risco de causar danos cósmicos irreversíveis, mas também de gerar duas entidades defeituosas, insanas e descontroladas. Uma Dama louca é algo reversível, mas uma coisa que já nasceu insana só tem a destruição como destino.

— Não me fale de Damas loucas, Mãe. Sabemos bem que nem todas podem ser controladas ou curadas. Não podem ou a senhora não quer que elas sejam.

— Não me provoque, Segunda-feira. Estou farta da tua insubordinação. Quem te ajudou?

— Não sou caboeta, Dama da Lua. Descubra a senhora.

— Não me provoque. Teu projeto de maternidade está por um fio. Com um gesto eu posso evaporar essas duas crianças.

— Não me provoque a senhora. Até onde me consta, meu santuário ainda estará ativo por mais algumas horas e eu posso estar enfraquecida pelo parto, mas eu ainda sou a dona da segunda-feira. Experimenta tocar em um táquion daqueles meninos pra ver o que acontece.

— Então é isso? Minha filha ameaça por causa dos crimes que ela mesma cometeu?

— Se encontrar um meio de me livrar da insanidade sem o uso de um mortal é um crime, Mãe, então pode me considerar culpada, mas agora eu posso te dar dois bons motivos pra me deixar seguir com a minha vida.

— Gerar filhos é um convite para o sofrimento, Segunda-feira.

— Não acontece com todas, Mãe. Não acontece sempre.

— Aconteceu comigo, Dama. A dor pode enlouquecer muito mais do que qualquer outra coisa.

— Não pensei que eu não sei.

— E mesmo assim quer levar isso adiante?

— Não tenho escolha. Não lembro de casais querendo adotar entidades do tempo.

— Sabes que não vai ser fácil.

— Não estou sozinha, Mãe. Tenho minhas irmãs pra me ajudar.

A Dama da Lua deu um sorriso. Abriu os braços e abraçou a filha.

— Obrigado, Mãe.

— Me apresenta teus filhos?

— Eles vão ter que se apresentar sozinhos, faz menos de meia hora que eu conheço os dois.

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O Inverno Chegou… Mas Tá Quase Acabando

    Estava eu pensando sobre o que escrever nesta sexta-feira gloriosa quando a internet me lembrou disso aqui:

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    Daqui a dois dias vai ao ar o primeiro episódio da sétima temporada de Game of Thrones e eu acabei lembrando que eu nunca parei pra fazer um post sobre a adaptação televisiva das Crônicas de Gelo e Fogo. Justamente por não ter assistido a adaptação televisiva das Crônicas de Gelo e Fogo eu vou parar pra comentar um pouco sobre o que acontece com o planeta Terra quando uma temporada nova do GoT(inho) começa a passar.

    Antes de mais nada devemos lembrar que o sucesso de Game of Thrones, apesar de grande desde o início, veio numa crescente ao longo desses últimos seis anos até atingir o nível de loucura que a gente vê atualmente. Trama cheia de reviravoltas, personagens carismáticos, uma quantidade (muito) acima da média de personagens morrendo de forma inesperada, aquela dose de sacanagem com gente pelada que sempre alavanca a audiência, além de jogar tudo isso dentro daquela temática de fantasia medieval que todo mundo gosta. Não é por acaso que GoT bate todos os anos os recordes de pirataria e vídeos com as reações das pessoas às principais cenas da série tomam conta do YouTube.

Inclusive eu costumo dizer que Game of Thrones é a série que os fãs adoram esperar, quando tá passando a galera fica louca esperando pelo próximo episódio e quando a temporada acaba fica todo mundo louco esperando a temporada seguinte. Depois de analisarmos esse contexto, digamos, cultural vamos pro ponto principal desta postagem.

Se você é tão macaco velho quanto eu, já deve ter notado que Game of Thrones não multiplicou o número de fãs ao longo dos anos, mas sim o seu número de futuras viúvas. Por que eu digo isso? Só porque já foi anunciado que a temporada do ano que vem será a última da série.

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    Exatamente, amiguinhos. 2018 vai ter o final de Game of Thrones. Os motivos pra isso são vários, incluindo os custos de produção e o material fonte das primeiras cinco temporadas e mais umas paradas da sexta estar esgotado. Trocando em miúdos o que rolou foi o seguinte, pegaram os livros pra fazer a série, quatro quando a série começou e mais um que saiu algum tempo depois. A série foi andando, o material foi sendo adaptado e chegou um momento que os livros acabaram. Aí você me pergunta “como assim acabaram?” uma pergunta com uma resposta bem simples. Se você for olhar a data de publicação do primeiro livro, vai ver que a galera tá disputando o Trono de Ferro faz um tempão. Foram lançados cinco livros ao longo de quinze anos (entre 1996 e 2011) e faz uns três anos que tão dizendo que o sexto livro tá pra sair. Como levou apenas um terço do tempo pra série chegar no ponto onde os livros estão atualmente e como na televisão normalmente não rola de dar uma pausa na série e voltar uns cinco anos depois, a galera resolveu se virar e encaminhar a história pro final, seguindo mais ou menos as diretrizes do autor dos livros. Ainda bem que eles resolveram não estender demais a parada pra não correr o risco de cagar tudo mais do que eles já cagaram.

    E eis que nos adiantamos pro fatídico ano de 2018. Já consigo sentir a perturbação gerada pelos gritos de lamento de milhões e milhões de pessoas ao redor do mundo. Eu tô calculando uma comoção parecida com aquela que rolou quando terminou Lost, inclusive com a mesma proporção de gente reclamando do final. Eu não tô ligando muito pra o que pode acontecer na TV, afinal eu só ligo pros livros mesmo e se nos livros a parada sair boa pra mim tá tudo certo, mas eu sou grato por tudo aquilo que apareceu por causa da série, seja camisa, caneca, boneco, jogo,  meme ou até um monte de gente que tá muito longe de ser nerd desesperado pra assistir uma série de fantasia medieval. Mas eu já tô falando demais e o assunto acabou. O assunto, mas o inverno…

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    Esse ainda demora um bocadinho pra terminar.

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Eu, Você e Os Personagens Definitivos

Semana passada rolou a estreia do filme novo do Homem-Aranha. Já vi um monte de gente internet a fora dizendo não só que o filme é espetacular, mas também que nosso compadre Tom Holland é o Peter Parker definitivo. Peguei essa última afirmação e comecei a matutar. Não foi a primeira vez que eu ouvi sobre as versão definitiva de determinado personagem. Quando você consome conteúdo relacionado com cinema e (principalmente) histórias em quadrinhos, onde um personagem pode, ao longo de sua existência, passar por uma infinidade de roteiristas, diretores e produtores, é bem normal ouvir que a versão de tal diretor é a melhor ou que tal roteirista fez a versão que vale de tal personagem. Aí eu chego e pergunto: o que faz da interpretação que um autor dá a um personagem uma versão definitiva?

Superman, Homem-Aranha, Batman, Coringa, Hulk, James Bond, Sherlock Holmes, Rei Arthur, Hércules, Robin Hood, Mad Max, Jesus (sim, ele mesmo), Hannibal Lecter, Zorro e mais uma porrada de personagens tiveram várias versões em várias mídias diferentes. Se você parar pra pensar é bem possível que você tenha suas versões preferidos de cada um deles, assim como eu tenho as minhas, mas por que ela é a sua versão preferida?

Antes de nos direcionarmos ao questionamento de fato, vamos primeiro definir aqui o que é uma boa versão de um personagem. Primeiro devemos lembrar que cada personagem tem a sua versão original, nela estão estabelecidas as principais características do personagem, normalmente atendendo às demandas e preferências do público alvo daquele material. Nesse esquema que foi definido, por exemplo, que o Superman era o último filho de um planeta que explodiu, que Robin Hood roubava dos ricos pra dar aos pobres e que o James Bond era um espião super elegante que pegava todas as mulheres que estivessem dando sopa. Quando rola uma mudança muito drástica em algum desses conceitos base duas coisas podem acontecer: o personagem pode ficar totalmente descaracterizado ou o público pode ficar bem insatisfeito. Depois de garantir que os fundamentos estão lá chega a hora de começar a pensar na interpretação que vai ser dada ao personagem. É aí que chegamos ao cerne do papo das versões definitivas.

Para alguns a versão definitiva se aproveita dos conceitos clássicos e os eleva a um novo patamar, para outros a versão definitiva pode ser um olhar único sobre aquele personagem ou uma reimaginação do personagem para tempos mais modernos e até mesmo a abordagem de um aspecto nunca antes ou pouco explorado. O que importa é que o personagem pareça original mesmo para aqueles que o conhecem bem e, acima de tudo e qualquer coisa, a tal da versão definitiva precisa ser cativante.

Por mais técnica que possa parecer, a escolha da versão definitiva de um personagem é uma decisão emocional. Antes de pensarmos em versões de personagens devemos lembrar que um bom personagem consegue cativar o público. Ele pode ser um personagem secundário, um vilão ou um capanga, mas um bom personagem sempre será cativante e muitas vezes esse carisma acaba superando todos os outros fatores listados acima. Inclusive vale lembrar que muita versão tida como definitiva de alguns personagens não são assim tão definitivas. Vide lá o Coringa do nosso amigo do Heath Ledger.

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Antes de me xingar permita que eu me justifique. Nosso amigo falecido fez um trabalho ótimo como palhaço do crime, bem acima do esperado dele e o melhor que ele poderia fazer tendo um Batema bem qualquer coisa pra contracenar com ele. A questão é que ele não faz a melhor versão do personagem, a mais crua e impactante talvez, mas ainda assim não é a melhor, do cinema talvez, mas não dá pra dizer que é o melhor de todas as mídias, seria uma injustiça muito grande com Mark Hamil, que fez a voz do Coringa em tudo por uns vinte anos, e com a inacreditável versão do Coringa no Batman da Feira da Fruta. Creio que isso pode ser aplicado a vários outros personagens, mas em vez de falarmos mais disso vamos para uma rápida conclusão

De fato existe uma versão definitiva? Claro que existe, pelo menos até a próxima aparecer.

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Contos de Segunda #86

Moacir estava de mau humor, não que isso fosse novidade. Ele deixava o mau humor de todas as segundas ao lado da carteira ou no bolso da calça para não correr o risco de esquecer. A diferença naquela segunda em especial era justamente o fato do mau humor ter um motivo, coisa bem rara atualmente. Moacir estava com um humor péssimo por estar com a sensação de que não tinha mais tempo para nada.

Na semana passada Moacir comprou um livro novo e um jogo de computador que estava em promoção, descobriu que tinha saído a temporada nova da série que ele acompanha e que rolou a estreia de mais duas séries novas que ele estava doido para ver, apareceram os amigos com a história de fazer encontros periódicos de jogatina offline e, além disso tudo, ainda estava chovendo todo dia.

Em todos os dias da semana anterior Moacir saiu de casa quebrando a cabeça para tentar achar uma forma de como otimizar o tempo. Tentou almoçar perto para ter mais tempo no horário do almoço, mas tudo que ele conseguiu foi encontrar com os colegas de trabalho que almoçavam perto e formavam uma fila que mais parecia a fila do show de um popstar adolescente. Experimentou pedir uma marmita da tia do almoço, só para descobrir que a tia do almoço tinha uma média de atraso de quarenta minutos em dias de chuva. Tentou levar a marmita de casa e acabou descobrindo que os outros marmiteiros do trabalho tinham um senso de comunidade tão forte que eles parava para puxar papo mesmo nos dias em que ele não levava marmita, principalmente na hora do almoço.

Já que a hora do almoço se tornou inviável, ele decidiu diminuir a hora do almoço para tentar sair mais cedo. Teria dado certo se ele tivesse feito isso justamente nos dias em que precisou fazer hora extra. Tentou acordar mais cedo, mas tudo que conseguiu foi descobrir como odiava o som do despertador antes do sol nascer. Ele teria conseguido dormir mais tarde se tivesse tentado isso antes de tentar acordar cedo, mas o sono dele estava tão doido que ele passou o resto da semana só pensando em dormir. O fim de semana chegou e tudo teria dado certo se a internet não estivesse com problemas, impedindo Moacir de baixar o jogo novo e de assistir às séries que queria.

E eis que chegou a segunda-feira. O coração de Moacir estava borbulhando com o ódio mais puro e profundo que uma pessoa poderia sentir. Ele sentou diante do computador com a plena certeza de que poderia matar alguém. Ligou a máquina e esperou aparecer a tela do login. No lugar dela apareceu uma tela de erro. Moacir juntou as mãos no rosto e se perguntou o porquê de tamanho sofrimento. Antes de obter uma resposta satisfatória o telefone tocou.

— Moacir, verifica aí teu e-mail que parece que o relatório da semana passada acabou voltando — disse o chefe. — A gente vai precisar rever.

Silêncio.

— Moacir?

Silêncio.

— Alô?

Um som alto de algo quebrando veio como resposta.

— É… Chefe?

— O que foi isso, Moacir?

— Não vou poder trabalhar no relatório.

— Por que, Moacir?

— Meu monitor acaba de quebrar.

— Teu monitor quebrou?

— É. Eu coloquei a senha errada e a tela explodiu.

— Aconteceu alguma coisa contigo?

— Só a minha mão que tá meio machucada, mas nada que um pouco de gelo não resolva.

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O Homem-Aranha que (Ainda) Não Está no Cinema

Ontem estreou  o mais novo filme do amigão da vizinhança, Homem-Aranha: De Volta Ao Lar. Aí você pode pensar “não aguento mais filme do Homaranha, Filipe, já vai no terceiro Homaranha. Pra quê isso?”. Bem, seria só mais um filme do Homem-Aranha se, em 2016, não tivesse acontecido isso aqui:

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O nosso amigo aracnídeo foi integrado ao universo cinematográfico da Marvel e, muito provavelmente, vão fazer uma caracterização mais legal do Aranha no cinema. Só que não é por isso que eu resolvi escrever esta publicação. Hoje o Cachorros de Bikini vai fazer um serviço de utilidade pública e apresentar para você, ser humano que não acompanha a publicação de quadrinhos da Marvel, um Homem-Aranha que pode aparecer no cinema em algum ponto do futuro: Miles Morales, o Homem-Aranha do (extinto) Universo Ultimate.

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Miles foi criado em 2011 para atender uma única necessidade: o Homem-Aranha precisava voltar a dialogar com seus leitores. Pra entender melhor como essa necessidade surgiu precisamos antes voltar um pouco mais no tempo. Em 1962 Peter Parker,o Homem-Aranha, nasceu e se tornou o personagem mais popular da Marvel porque os leitores se identificavam muito com ele. Aí os anos passaram, ele ficou mais velho, casou, descasou, casou de novo, arrumou emprego, terminou a faculdade e se afastou um pouco dos leitores. Aí a Marvel lançou, no início dos anos 2000, o Universo Ultimate, uma versão mais moderna do seu universo regular onde havia mais espaço pra criar novas interpretações dos personagens. O Homem-Aranha voltou a ser adolescente e teve sua origem atualizada. Depois disso foi o mundo real que começou a mudar. Os dados demográficos dos Estados Unidos começaram a mostrar que a ´proporção de “americanos padrão” da população tinha diminuído muito e proporção de americanos negros, hispânicos e de outras etnias variadas estava crescendo. Por consequência o público não era mais o mesmo. Peter Parker não estava mais dialogando tanto com todo mundo. Era hora de alguém novo entrar em cena. Foi por isso que o Peter Parker Ultimate morreu. Foi assim que Miles Morales nasceu para assumir o manto do Homem-Aranha.

Se você não tem familiaridade com o mercado de quadrinhos, pode até pensar que ninguém ligou muito pra esse Aranha novo. Um personagem novo, criado em uma linha editorial secundária pra substituir um personagem já consolidado. Só que, ao contrário do que pode parecer inicialmente, Miles foi um sucesso instantâneo. O público não só abraçou o novo Homem-Aranha, como também tornou o título dele o mais vendido da linha Ultimate. O sucesso do personagem foi tanto que, quando a linha Ultimate acabou, Miles foi o ÚNICO herói daquele universo incorporado ao universo regular, chegando a participar dos Vingadores. Ele se tornou tão querido pelo público que foi só sair a notícia sobre um filme do Homem-Aranha feito pela Marvel Studios que imediatamente começaram os pedidos para que Miles Morales fosse parar na tela grande.

Não preciso dizer que a estreia de Miles no cinema não aconteceu. Temos um novo Peter Parker e parece que ele vai passar um bom tempo nesse papel. Aí você pode pensar que o sonho morreu, só que isso não é bem verdade. Primeiro porque pra ter um novo Homem-Aranha é necessário ter o primeiro, já que Miles é um personagem de legado, segundo porque o cara que manda na Marvel do cinema, Kevin Feige, disse que nosso amigo Morales não só existe no universo do cinema como já tem dica disso no filme novo. AimeuDeusdocéuquefelicidade.

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Por hoje é só, crianças. Nos vemos na semana que vem.

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Meio Cagado Esse Vilão Aí

Na semana passada eu comentei ligeiramente sobre os finais cagados de alguns filmes que eu vi recentemente. Um dos motivos apontados como determinantes para a qualidade dos finais foi justamente a qualidade dos vilões e hoje eu vou dar um destaque maior pra essa galera que nós detestamos tanto odiar: os vilões bosta.

    O vilão é, por definição, o opositor principal do mocinho da história. Essa relação de oposição costuma ser um dos maiores atrativos da história, nos fazendo esperar ansiosamente por cada confronto entre o herói e o vilão, tornando todo o filme apenas um prelúdio para o embate final entre o bem e o mal. Só que tem vez que isso não rola e tudo acaba sendo meio decepcionante por uma série de motivos, alguns deles serão debatidos a seguir.

O primeiro motivo é justamente o fato de alguns vilões não fazerem nada. Sabe aquele bandido que aparece, faz pose, diz umas linhas de diálogo legais, mas acaba entrando e saindo do filme meio sem fazer nada? É exatamente disso que eu tô falando. Um exemplo bom desse tipo de vilão é o Pierce de Logan.

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O cara tem uns equipamentos legais, uns capangas mal encarados e uma aura bem ameaçadora. Só que ele não faz muita coisa além de soltar graça do Hugh Jackman durante o filme todo, além de ter um final que joga na cara do espectador que o nível de periculosidade dele é bem baixo.

Outro vilão que eu considero bem fraco é aquele vilão extremamente bidimensional. O cara não tem motivações e normalmente os objetivos dele estão mais pra uma desculpa do que pra uma justificativa, isso quando a desculpa existe. Normalmente todas as questões relativas ao seu proposito e conduta podem ser respondidas com um “Porque sim”. Pode incluir aí praticamente todos os vilões genéricos de filmes de ação e alguns dos filmes com vilões que querem conquistar/destruir o mundo. Menção honrosa pra nossa amiga Magia do Esquadrão Suicida

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    O próximo vilão da lista dos marromeno é o vilão marqueteiro. Ele sabe vender o peixe dele, deixa todo mundo com medo, faz todas as ameaças do mundo e no final não entrega nada disso. Em algumas ocasiões isso é proposital, como foi o Mandarin de Homem de Ferro 3, mas nem sempre isso funciona muito bem. Os exemplos que me vêm à mente são justamente o Diretor Krennic, de Rogue One, e Santino D’Antonio e seus amigos lá do John Wick 2.

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Por último eu quero destacar aqui um vilão que, na minha humilde opinião, é uma mistura de todos os tipos de vilão citados anteriormente. Provavelmente o vilão que mais me decepcionou na vida, nosso amigo Tom Ridle, que prefere ser chamado pela alcunha de Lord Voldemort.

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Nosso amigo sem venta é um vilão até bem construído. Sua origem e motivações iniciais são bem explorados, e porque não dizer esmiuçadas, ao longo de pelo menos uns dois ou três dos sete livros da série Harry Potter. Só que é justamente o que tem depois disso que complica a parada. Voldemort, pelo menos inicialmente, funciona quase como uma versão mais moderna do Sauron de Senhor dos Anéis. Ele foi, teoricamente, destruído e começa a arquitetar o seu retorno. Nesse período da história ele funciona como uma sombra que paira sobre o protagonista e praticamente tudo de ruim que acontece é através dos seus seguidores. Nessa época ele é um vilão até de boa, aquele lance do mal oculto e da ameaça constante realmente funciona bem. Aí o cara volta e… Assim… Né? Tudo que o cara faz parece meio gratuito, aquela grandeza toda que era pra ele ter praticamente só existe no imaginário popular e no máximo morre alguém por culpa dele. Mas a parada que mais me incomoda é justamente a obsessão que ele tem pelo Harry Potter. Isso até que faria sentido, já que boa parte dos vilões tem relação com a origem do herói e tem todo o lance do elo que existe entre os dois e tal. Só que acaba ficando uma parada meio qualquer coisa quando paro pra pensar que Harry Potter é um dos protagonistas mais incapazes que eu conheço. Desde o começo ele é colocado no posto de escolhido que vai derrotar o mal supremo, mas ao longo dos livros ele não desenvolve nenhuma capacidade ou habilidade que pode ameaçar o Voldemort. Inclusive ele se livra da maioria dos rolos por causa da ajuda da galera dele. Tudo bem que Voldemort não é o melhor vilão do mundo, mas ele seria bem melhor se o herói da história oferecesse um desafio melhorzinho ou se ele tratasse seu inimigo como o adversário fraco que ele é.

Por fim eu só tenho uma coisa a dizer: tem um carinha que também mexe com cobra, é inimigo de um órfão que tem uma origem trágica, é obcecado pela imortalidade e também deixa pedaços dele espalhados por aí pra poder ressuscitar em caso de óbito inesperado. E ele dá de dez a zero no Voldemort… E em boa parte dos vilões que eu vejo por aí.

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Até a próxima.

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Contos de Segunda #85

Aluísio tinha uma relação muito particular com a segunda-feira. Praticamente todas as coisas importantes da vida dele aconteciam no primeiro dia útil da semana. O último exemplo dessa máxima foi o nascimento das suas duas filhas gêmeas, Olívia e Alice, em meados de agosto do ano passado. As duas não só nasceram antes do tempo como também conseguiram a proeza de enganar todos os exames de imagem feitos ao longo da gestação. Ninguém estava esperando duas meninas.

Em uma certa segunda-feira, Aluísio estava em casa com suas filhas. Ele estava de férias e passava a maior parte do tempo com as meninas. Para aqueles trinta dias Aluísio tinha um plano: ensinar as duas a falar “papai”. Na prática ele não precisava ensinar, já que, segundo relatos de sua esposa, as duas já tinham falado “papai” em algum momento ao ver alguma foto dele. Aparentemente uma imagem estática fazia muito mais efeito, então ele bolou um plano.

Assim como muitos pais, Aluísio apelava em vários momentos para coisas do calibre da Galinha Pintadinha. Obviamente ele detestava a ideia de usar um truque tão rasteiro em suas próprias crianças, mas muitas vezes as medidas desesperadas precisavam ser tomadas. Mais uma vez a Galinha seria usada, mas para um propósito ligeiramente mais nobre.

Depois de algumas milhares de vezes, Aluísio tinha certeza que aqueles malditos vídeos da galinha estavam gravados no cérebro das duas meninas. Exatamente por isso ele gastou algumas horas com programas de edição para adulterar todos os vídeos, inserindo algumas fotos suas em locais diversos. Ao ver o pai dentro dos vídeos, Alice e Olivia ficariam tão surpresas que diriam um “papai” bem sonoro. Pelo menos era assim que acontecia na cabeça de Aluísio toda vez que o plano era repassado.

Ele colocou o primeiro vídeo. O ponto em que ele aparecia estava quase chegando quando o celular tocou. Era Amélia, sua esposa, querendo saber se estava tudo bem. A ligação demorou tempo suficiente para a primeira aparição de Aluísio no clipe da Galinha passasse. Se as meninas falaram, ele não ouviu, mas de certa forma o plano tinha dado certo. As duas estavam olhando para ele e apontando para a tela da televisão. O fracasso momentâneo foi eclipsado pelo aparente progresso. Ele ainda tinha mais ou menos vinte chances antes de precisar repetir os vídeos. Infelizmente nenhuma delas teve muito efeito. Depois do celular foi o interfone, a fralda cheia de cocô, o banho, a hora do lanche, do almoço e da soneca, dele e das meninas. Também teve a ida à padaria e ao parque. Já era quase noite quando Aluísio conseguiu outra chance, foi quando o sono bateu e ele apagou no sofá, exatos três minutos antes da esposa chegar a tempo de ver a foto do marido aparecer do lado do galináceo azul e ouvir as duas filhas apontando para a tela dizendo em uníssono:

“Papai”

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Meio Cagado Esse Final Aí

Essa semana comemoraram os 20 anos do lançamento do primeiro livro da série Harry Potter. Eu estava sinceramente inclinado a escrever algo sobre, mas aí percebi que ia ser mais um post explicando o por quê do meu gosto por Harry Potter ter diminuído ao longo dos anos do que uma homenagem. Achei que não ia casar bem com a data, foi então que eu comecei a matutar mais sobre o assunto e lembrei que foi justamente por causa do bruxo inglês mais famoso do mundo que eu comecei a escrever. Eu tinha acabado de ler um dos livros, provavelmente o quarto da série, e estava indignado com o final. Não demorou muito pra chegar à conclusão de que se eu mesmo escrevesse a história, eu teria o final que eu quisesse. Relembrando esse sentimento acabei percebendo que, de uns tempos pra cá, eu tenho experimentado dele com muita frequência. Mais uma vez Harry Potter me dando motivos para escrever

Estamos bem no meio do verão americano, isso quer dizer que estamos também na temporada dos principais lançamentos do cinema em 2017. Alguns deles já saíram, outros ainda vão sair e boa parte deles você acaba assistindo. Dos grandes lançamentos programados para o meio deste ano eu assisti três: Alien Covenant, A Múmia e Mulher Maravilha. Dá pra dizer sem medo de errar que esses três filmes não são muito parecidos, mas o curioso é que eu tenho exatamente a mesma coisa pra falar dos três: o final foi meio cagado.

Um tem o clímax bem fraco, outro tem um final que caga a cronologia da franquia e outro só tem um final merda, mas todos pecam ao entregar a conclusão daquela jornada. Aí eu paro pra pensar mais um pouco e percebo que temos esse problema em outros filmes recentes e chegamos à conclusão de que tá rolando uma praga em Hollywood que tá contaminando um monte de block buster: a praga dos vilões bosta e dos finais cagados.

Alguns dos maiores sucessos de bilheteria dos últimos anos possuem vilões bem qualquer coisa. Guerra Civil (até nos quadrinhos o final é fraco e nem é o mesmo final), Batman vs Superman, Doutor Estranho, Esquadrão Suicida (esse daí não é só o final que é ruim), Mulher Maravilha e vários outros caem na graça do público por vários motivos, dificilmente algum desses motivos é o vilão da história. Do vilão bosta pro final cagado basta um pulo, afinal o vilão é o desafio final, o mal a ser vencido, o obstáculo que vai testar ao máximo os valores e capacidades dos heróis e se esse desafio final não é lá essas coisas… Bem… Digamos que a parada dá aquela desandada e vai todo mundo pra casa quase 100% satisfeito, afinal o resto do filme foi legal.

Acabo de perceber que eu tô meio com medo dos filmes que eu mais espero pra esse ano. O receio de parecer um disco arranhado repetindo a mesma coisa pra todo mundo sobre tudo que é filme é bem grande. Ingresso de cinema tá bem caro e eu queria que os finais fossem mais satisfatórios. Espero que pelo menos Star Wars escape dessa, se bem que rolou uma cagada ligeira ali no final do Episódio VII, mas isso já é outra história.

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O Sexo dos Pombos

Esses dias eu estava viajando a trabalho. Como da outra vez em que isso aconteceu, interrompi o fluxo normal de publicações deste maravilhoso blog. Nessa onda de parar de publicar eu não fiz post por causa do meu aniversário, nem por causa do dia das mães ou por causa do aniversário do Cachorros de Bikini (completamos dois anos no começo deste mês). Também mantive a política editorial em relação aos temas pessoais que chegam a ser publicados por aqui. Normalmente ninguém liga pra essa parada, mas um certo amigo do trabalho passou o último mês e meio inconformado com a minha negligência. Em um dos picos de insatisfação ele me disse: “Vou te dar um tema, você vai fazer um post sobre o sexo dos pombos”. O pedido era compreensível, afinal um par dessas aves tão singulares estava passando as últimas noites tendo um romance ardente na janela do quarto desse meu amigo. Imediatamente eu preparei o “não”, mas o meu cérebro acabou me traindo. Durante o meio segundo que levou pra negativa sair do cérebro e chegar na garganta, as engrenagens trabalharam e cá estou eu pra falar do sexo dos pombos.

Sempre ouvi falar que duas coisas que não se vê muito por aí é enterro de anão e filhote de pombo. Tendo isso em mente, não parece absurdo pensar que os pombos são gerados espontaneamente já na forma adulta, o que removeria de suas vidas a necessidade do envolvimento carnal entre os indivíduos de gêneros opostos, removeria inclusive a necessidade de haver a diferenciação de gêneros. Mesmo contrariando esse conhecimento popular perpetuado ao longo de tantas gerações, os pombos não só se reproduzem da mesma forma que as outras aves, como também são um padrão para os casais apaixonados. Não é raro ouvir em novelas ou filmes dublados que os casais apaixonados são “dois pombinhos”. Isso nos leva ao primeiro ponto relevante dessa nossa conversa: o romance dos pombos.

Nunca consegui processar direito essa associação entre os casais apaixonados e os pombos. Normalmente aves não são muito expressivas, o pombo não foge muito a essa regra, mas eis que estou um dia olhando pela janela e vejo uma cena muito semelhante à essa aqui:

Sim, você acabou de ver o registro de um pombo cortejando uma pomba e, por incrível que pareça, o pombo me pareceu bem mais respeitoso com sua paquera do que boa parte dos animais que eu já vi em situação similar. Antes que você ache que eu sou um voyeur de bicho, devo dizer que assisti um tanto considerável de Globo Rural ao longo da minha, não tão curta assim, vida de 27 anos. Também devemos lembrar que os pombos são monogâmicos, ou seja, não possuem mais de um parceiro por vez. Levando isso tudo em consideração podemos dizer que o pombo é um animal relativamente romântico. Então chegamos ao ponto principal deste post: o tal sexo dos pombos.

Segundo a Wikipédia, os pombos se reproduzem ao longo de todo ano e preferem fazer isso em locais que se assemelham aos ambientes onde eles fazem seus ninhos na natureza. Os locais preferidos atualmente são os parapeitos das janelas e estruturas similares. Essas duas informações nos levam a duas conclusões: a primeira é que os pombos são seres naturalmente fogosos e não tão nem aí pra épocas propícias, o negócio é procriar. A segunda é que os pombos querem mais é que todo mundo testemunhe o amor deles.

Aí acaba o bem bom. Os ovos chegam ao ninho e lá vão os dois pombinhos pro revezamento de chocar as crias. Depois que eles nascem eles são “amamentados” por suas mães com o chamado leite de bucho, presente nas aves amamentadoras. Depois dessa acho que não tenho mais o que dizer. Até a próxima e não alimente os pombos.

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