Cachorros de Bikini

Sem nenhum compromisso de mudar a sua vida

Ovo de Páscoa de PlayStation

Estamos contando vinte e quatro dias depois do carnaval e isso quer dizer que já percorremos mais da metade do caminho até a Páscoa. Com a proximidade dessa celebração religiosa tão tradicional, as lojas já estão entupidas de toda a sorte de ovos de chocolate. A cada ano tem mais e mais tipos de ovos, mais e mais ovos de algum personagem, marca, série, filme ou desenho animado. Normalmente com alguma surpresa dentro. Até aí nada muito diferente do que já estamos acostumados, mas um belo dia tive uma surpresa. Não mais que de repente me deparo com essa imagem aqui.

OVO-PASCOA-PLAYSTATION-150G-DELICCE-R-5999Antes de discorrer sobre o assunto, me deixem dar os parabéns pra quem teve essa ideia maravilhosa de fazer um ovo com a temática PlayStation. O mais engraçado é que o ovo não é temático dos jogos exclusivos de PlayStation ou ostenta algum personagem icônico dos video games. Esse ovo é uma ode ao console, ao aparelho, ao equipamento, ao hardware. As pessoas estão literalmente comprando o ovo de uma coisa que serve apenas pra rodar os jogos. Sério, quem teve essa ideia merece palmas.

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Antes de começar a analisar o ovo em questão, vamos fazer uma pequena pausa para analisar os ovos de maneira geral.

Todo mundo sabe que ovo de Páscoa é uma das paradas mais cretinas que existe na face do planeta. Os ovos que a gente encontra normalmente nas lojas de departamento, super mercados e afins, não passam de uma forma das fábricas venderem o mesmo chocolate de sempre por preços absurdos. Digo absurdos porque quando o ovo vem com algum brinquedo dentro, o preço dá uma subida meio violenta. Os mais afetados pelos ovos com brinquedo dentro são as crianças e seus pais. Os pais sofrem porque o preço desses ovos são um verdadeiro assalto e as crianças sofrem porque, depois de todo esforço desprendido pra convencer o pobre pai/mãe que gastar uma quantia obscena de dinheiro em um ovo de chocolate é uma boa ideia, elas abrem o maldito ovo e o brinquedo é uma bela de uma bosta. Normalmente a qualidade, ou funcionalidade, do brinquedo é muito inferior à de uma surpresa do McLanche Feliz, por exemplo. E só depois de estabelecer isso é que chegamos ao ponto crítico da questão.

Não sei se vocês repararam, mas na caixa do ovo tem um joystick de PlayStation. Olhe de novo e você vai ver que esse joystick na verdade é um relógio digital no formato de um controle de PlayStation 4. Aí eu pergunto:

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Sério? Sério que o brinde que vem num ovo temático de vídeo game é um RELÓGIO? Pessoas vão chegar em uma loja, olhar pra esse ovo de CENTO E CINQUENTA GRAMAS, vão ficar com vontade de comprar esse negócio, até porque todo mundo quer um relógio na forma de um controle de vídeo game, vão olhar o preço maravilhoso de SESSENTA REAIS e vão achar que estão fazendo um bom negócio?

Faz um tempo que eu aceitei que as coisas não estão fazendo mais o mínimo sentido e cada vez mais eu fico convencido que a humanidade tomou um caminho sem volta para a loucura total e depois dessa do ovo eu tenho um pouco mais de certeza. Pra terminar eu vou fazer um cálculo seguindo a tradição da Páscoa. Com uma conta ligeira eu constatei que com o dinheiro de três ovos do PlayStation, que vem com relógios no formato de controle, dá pra comprar um controle de verdade. Pense nisso e até semana que vem.

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Qual o Seu Tipo de Pessoa?

Ontem estava eu fazendo meu cadastro para poder baixar um conteúdo gratuito de uma certa loja. Em dado momento fui eu preencher aquelas informações que eles colocam na nota fiscal. O primeiro campo para preencher era esse aqui:

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Imediatamente fui levado à uma reflexão relâmpago. Obviamente que o formulário só queria saber se eu era uma pessoa física ou jurídica, inclusive eu fiquei tão estupefato pelo efeito do campo “Tipo de Pessoa” que foi um alívio ver que só existiam essas duas opções. Concluí meu pedido, o PDF chegou no meu email, mas aquela interrogação permaneceu na minha cabeça. Que tipo de pessoa eu sou afinal?

A primeira coisa que precisamos estabelecer aqui é se de fato as pessoas podem ser divididas em tipos. Nosso procedimento normal ao conhecer uma pessoa, seja pra valer ou superficialmente, é encaixar essa pessoa em alguma, ou algumas, das categorias de pessoas que criamos ao longo das nossas vidas. Não classifico isso como um comportamento preconceituoso, na prática precisamos disso pra criar uma espécie de bússola social. Saber onde pisa é o primeiro cuidado que precisamos tomar ao viver em sociedade e esses rótulos que colocamos nos outros nos ajudam a evitar alguns conflitos desnecessários. A parte ruim disso é que corremos o risco de cair na tentação de sermos muito taxativos.

Precisamos lembrar que vivemos num mundo onde as pessoas são tridimensionais. Mesmo que muitos não pareçam, todos os seres humanos podem ser encaixados em algumas, se não várias, categorias e normalmente a quantidade de categorias nas quais encaixamos as pessoas é proporcional ao tanto que conhecemos elas. Pensando nisso eu lembrei de uma parada que eu acabei de descobrir como se chama do diagrama de Venn. Fica fácil de entender como ele funciona observando o exemplo 100% verídico abaixo:

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Seguindo por etapas nós dividimos as pessoas em uma e, dependendo da pessoa ou do nível de conhecimento que temos dela, vemos em quais outras categorias ela e criamos uma espécie de diagrama para cada pessoa. Essa ideia foi colocada em prática de uma maneira trinta e cinco vezes mais inspiradora do que nesse texto por uma rede de TV dinamarquesa. Se for assistir, lembre de se certificar que as LEGENDAS ESTÃO LIGADAS.

Mas aí chegamos ao ponto crítico desse tema. Você já se perguntou que tipo de pessoa você é? Normalmente somos relativamente cientes daquilo que não somos. Digo relativamente porque o autoconhecimento pleno é uma coisa difícil de conseguir e que normalmente não colocamos como meta da vida. Inclusive é bem provável que você, caro leitor, esteja na mesma situação que eu. E eu não consigo dar uma resposta 100% para uma pergunta dessa. Eu posso ficar aqui pensando um tempão e continuar insatisfeito com a resposta. Sempre vai ter alguma coisa que eu não estou enxergando ou algum traço de personalidade que passe despercebido. Exatamente por isso que vou tentar chegar a uma resposta decente pra essa pergunta e recomendo que você faça o mesmo. Quem sabe a gente não aprende alguma coisa?

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A Cabeça Tá Gasta

    De todas as atividades que eu faço, apenas uma delas é remunerada. Nessa atividade eu preciso usar um nível bem baixo de criatividade, de modo que eu fico arrumando formas de descarregar o tanto de ideias que eu costumo ter. Foi exatamente por isso que eu comecei com este blog e esse é o motivo principal pra jogar coisas e escrever pra outros sites. Só que eu ando exagerando e por causa disso a cabeça tá meio fraca de ideia ultimamente. Aí eu comecei a pensar sobre isso.

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    Cheguei à duas conclusões. A primeira é que não é hoje que sai o post sobre Logan. Foi mal, Wolverine.

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    A segunda é que minha cabeça tá gasta.

    Eu tenho o prazer e o privilégio de ter na minha lista de amigos pessoas que trabalham com criatividade. Designers, músicos, escritores (profissionais ou não) e até atores. Independente de fazer por lazer ou pra pagar as contas, todos eles trabalham tendo ideias e colocando essas ideias no papel. Boa parte, se não a grande maioria, deles exercita a criatividade além do seu ofício principal. É bem provável que eles tenham caído na mesma armadilha que eu: gastam mais ideias do que é possível ter.

Imagine que a sua cabeça é uma conta bancária e as ideias são dinheiro. Periodicamente entra algum dinheiro na sua conta e você vai gastando de acordo com a necessidade. Assim como na conta bancária, se as ideias saem mais do que entram, você começa tirar de onde não tem pra cobrir os gastos. A sua conta vai ficando vermelha, vermelha e vai continuar avermelhando enquanto as ideias não pararem de sair. Obviamente você pensa que isso não é um problema, mas quando você menos espera, você olha pro lado e tá tudo vermelho.

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Você pensa e não vem nada. Você vê um filme e aquilo não traz inspiração nenhuma. Você fica olhando pro teto, pensando no miolo do pote, na morte da bezerra e nada parecido com um “eureka” aparece na sua cabeça. O cérebro fica mais vazio do que cena de faroeste mostrando o deserto, pelo menos no faroeste passa uma bola de mato sendo levada pelo vento.

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Eu tava pensando aqui em como terminar o post, mas lembrei que não era sobre isso que era o post de hoje. Aí comecei a pensar no outro tema e acabou que eu não tive ideia nenhuma, obviamente a preguiça dos fins de tarde de sexta não ajuda nesse sentido. Só me resta desejar que o fim de semana traga um monte de ideias pra todo mundo. Até semana que vem

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São As Águas de Março Fechando O Verão

O carnaval acabou, Março já tá na metade e a gente já viveu quase 25% de 2017 e, assim como em outros anos, tem chovido para caramba. Afinal são as águas de março fechando o verão.

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Mesmo a chuva de março rolando praticamente todo ano, eu nunca tinha parado pra fazer a associação dessas famosas águas pluviais do mês três com o final de alguma coisa. Não sou um admirador do trabalho de Elis, a Regina, e de Tom Jobã, mas acabei pensando neles e nas citações que fizeram à famosa composição do nosso amigo Tommy. Prestando atenção na chuva e no calendário acabei vendo que março é um moço peculiar dentro do calendário. E não é só por causa das águas que fecham o verão.

Começa que Março é o primeiro mês pra valer do ano. Janeiro tem muita gente de férias, fevereiro tem carnaval e, mesmo quando não tem folia, continua lá com seus 28 dias. Abril vem logo depois, abre a temporada de feriados nacionais e normalmente traz consigo a primeira data comercial do calendário, a Páscoa. Peço perdão para aqueles que, assim como eu, comemoram a Páscoa pelo seu significado para os cristãos, mas as lojas só querem mesmo saber de vender chocolate. Aí você me pergunta: “E março, Filipe? Tá ali em cima dizendo que o texto é de março, cadê março? Quero meu dinheiro de volta”. Aí eu digo: tô chegando lá.

Março é tipo julho e agosto. Feriado, se tiver, é só estadual ou municipal. Os três são considerados meses longos e normalmente não figuram entre os primeiros lugares no ranking geral de meses preferidos do ano. Só que, ao contrário dos seus outros amigos, março tem uma coisa que o torna praticamente um mês coringa: em março pode ter carnaval, pode ter Páscoa e pode não ter nada. Ainda assim ele permanece com aquele mesmo jeito de março. Tá ligado/ligada jeito de março? Então, é esse mesmo.

Em março pode ter carnaval, mas nem por isso fevereiro deixa de ter a cara de “mês do carnaval”. Quando o carnaval cai em março, automaticamente nossa cabeça é transportada por cinco ou seis dias de volta pra fevereiro. Tanto que, quando o carnaval cai em fevereiro, a gente quase não ouve “esse ano o carnaval cai em fevereiro”, mas quando a festa da carne cai em março o aviso começa no ano anterior quando o carnaval termina. É que nem quando sua mãe fica te lembrando de um negócio o tempo todo pra não ter risco de você esquecer e fazer no dia errado. A mesma coisa rola com a páscoa, mas como a quantidade de festa e dias de folga é menor, não precisa desses alertas todos.

É março e tem chovido. Esse ano as águas de março vieram logo depois do carnaval, logo no começo do mês, pra deixar bem claro que aquela moleza do começo do ano acabou. É de março que a expectativa pelo milho do São João começa, principalmente praquela galera mais velha que cresceu, assim como eu, ouvindo que se chover no dia de São José o ano vai ser bom de milho. Enquanto o dia de São José não chega, as águas de março vão fechando o verão.  

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Wesley Safadão Cover

    Hoje acordei com uma expectativa boa pro texto dessa sexta-feira. Já tinha resolvido falar sobre o maravilhoso Logan, último filme de Hugh Jackman como Wolverino, e seria muito massa e talz. Só que eu fui atravessar a rua e dei de cara com isso aqui:

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    Sim. Isso mesmo. Eu vivi pra ver o anúncio do show de um cover de Wesley Safadão. Obviamente eu fiquei bem chocado com essa parada e, obviamente, isso despertou uma reflexão muito profunda e minha cabeça começou a fervilhar. Infelizmente o texto do Wolverino vai ficar pra semana que vem. Desculpa, Hugh Jackman.

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    O cover é uma prática muito comum no nosso planeta. Toda hora tem gente fazendo versão da música de outra pessoa. Normalmente as bandas começam fazendo isso enquanto não tem repertório próprio ou público cativo. Algumas bandas viram especialistas em fazer covers de determinados artistas e ganham a vida tocando músicas desse artista ou banda. Normalmente isso rola com artistas que já morreram, bandas que já acabaram, que são de outro país e raramente, ou nunca, passam por aqui e quando passam tem os shows meio caros. Aí chegamos no assunto de hoje e à pergunta fundamental: por que diabos existe um cover de Wesley Safadão?

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    Bora lá fazer uma lista dos motivos pelos quais isso é uma coisa meio absurda. Primeiro que nosso compadre Safadão não morreu, não é estrangeiro e faz show por aqui direto. Tô totalmente por fora do valor do ingresso pro show dele, mas acredito que não é um valor tão inacreditável ao ponto das pessoas precisarem ir pro show do cover. E por último temos o principal motivo pra um cover de safadão não fazer sentido: hoje em dia todo mundo toca música de todo mundo.

    Wesley Safadão toca música de um monte de gente e um monte de gente toca música dele. Além disso ele faz parceria com mais um monte de gente e acaba tocando as músicas em que ele fez participação e dos artistas que fizeram parceria com ele. Outros artistas do mesmo segmento têm uma prática similar, principalmente quando começou a rolar um intercâmbio entre a galera do forró e a galera do sertanejo universitário. Se repertório de todo mundo tá meio misturado e se você escuta música de todo mundo no show de todo mundo, não faz sentido existir um cover pra tocar as músicas de um cara que já tem as músicas tocadas por um monte de gente.

    Já disse e digo de novo: eu vivi pra ver esse dia chegar. O dia em que eu colocaria meus olhos num anúncio de um show do cover de Wesley Safadão. Não um cara que toca as músicas dele, não um cara que faz homenagens. Uma pessoa que é especializada em músicas de Wesley Safadão. O ser humano tá de parabéns mesmo.

 

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Preguiça da Vida

    Hoje estava eu pensando no que escrever nessa primeira sexta-feira de março. A verdade é que eu ando meio sem ideias e tem dia que é difícil espremer alguma coisa aproveitável da cabeça e hoje esse esforço pra ter uma ideia me cansou mais do que o normal. Na verdade não cansou, já que só em pensar no trabalho de ter uma ideia foi o suficiente pra me deixar cansado. Foi aí que eu liguei o computador do trabalho e me deparei com essa imagem na tela de login.

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    Além de ter minhas angústias confortadas pelo semblante tranquilo do bicho preguiça, encarei essa visão como um sinal dos céus. Então a ideia brotou na minha cabeça e cá estou pra falar de preguiça, o bicho e a que a gente sente.

Ao digitar na pesquisa do Google a palavra “preguiça” me deparei com alguns significados para a palavra:

  1. Aversão ao trabalho; ócio, vadiagem.
  2. Estado de prostração e moleza, de causa orgânica ou psíquica.
  3. Falta de pressa ou de empenho, morosidade, lentidão.

    Para efeitos didáticos vamos ignorar o primeiro significado, pois ele sugere uma espécie de má vontade por parte do ser preguiçoso, e vamos tomar como significados mais úteis para a discussão os outros dois.

    A preguiça é uma parada tão cabulosa que está na lista mais famosa de coisas condenadas pela Bíblia. Um grupo seleto conhecido mundialmente como Os Sete Pecados Capitais. E de fato a preguiça é algo tão potencialmente danoso que podemos comparar a uma doença. A preguiça nos faz literalmente desistir da vida, nos faz exaustos antes mesmo de pensarmos em algo pra fazer ou simplesmente nos desacelera violentamente. Nesse ponto podemos associar bem o estado preguiçoso do ser humano com o bicho preguiça.

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    Note que o nosso amigo bicho não parece preguiçoso na forma em que estamos acostumados a ver em outros animais. Cachorros e gatos normalmente manifestam preguiça de uma forma similar à nossa, mas o bicho preguiça consegue transcender o conceito de estado preguiçoso. Pra ele não existem um estado diferente daquele ou um momento em que existe pressa. Pra preguiça o mundo passa acelerado enquanto ela desacelera até quase parar. A lentidão está entranhada na carne e nos ossos, das unhas dos pés até a cabeça.

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Aí vem o efeito que o bicho preguiça provoca em nós, seres que vivemos em diferentes velocidades. A preguiça tem uma aura deboísta tão forte que acabamos por desacelerar também. Como permanecer acelerado diante de uma imagem como essa?

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Essa desaceleração costuma ser tão brusca, que sentimos uma espécie de efeito anestésico. Relaxamos tão rápido que quase nos sentimos como o bicho que nos contaminou. Por um instante nos tornamos tão lentos quanto eles e talvez até tão good vibes quanto eles. Podemos até dizer que observar preguiças, seja em fotos ou vídeos, é algo quase terapêutico.

Chegou a hora de encerrar o post de hoje. Pensei em desenvolver um encerramento legal e tal, mas adivinha? Deu preguiça. Por isso vou encerrar com essa rara imagem de uma preguiça sorrindo.

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Até semana que vem.

 

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(Não) Carnaval 2017

    Algumas regiões do Brasil são praticamente sinônimo de carnaval. Em algumas outras a festa existe, mas não é tão famosa, e em outras localidades o carnaval praticamente inexiste. Inclusive são essas cidades que costumam receber as pessoas que querem fugir do carnaval. Como eu dificilmente saio de casa no carnaval e moro em um dos estados que são sinônimo de carnaval, o carnaval acaba chegando em mim. Seja pela música alta dos vizinhos, pela troça que você encontra na rua quando vai comprar pão, as notícias no jornal ou pelo desvio do trânsito por causa do bloco que vai passar. O carnaval chega, pelo menos chegava. Digo isso porque em 2017 o carnaval parece mais que não chegou por aqui.

    Os meus vizinhos devem ter sido abduzidos, porque nesses últimos dias eu não ouvi música nenhuma. Saí uma ou outra vez e não vi nenhuma troça, bloco ou similar na rua. Vi uma ou outra notícia notícia na televisão, mas dei tão pouca atenção que parecia mais que tudo aquilo estava acontecendo em outro lugar. Nem as pessoas conhecidas falaram muito sobre carnaval. As fotos que apareceram nas redes sociais pareciam mais deslocadas no tempo. Acho que nunca antes na vida eu estive tão longe dos festejos carnavalescos. Não me lembro se houve um carnaval com a vizinhança tão silenciosa. Nunca estive tão próximo da sensação de morar em um lugar onde o carnaval não existe.

    “Ah, Filipe, mas que besteira. Em um monte de lugar não tem carnaval e não vejo ninguém fazendo espanto por causa disso”. De fato isso é uma besteira, mas tem dois motivos pra eu fazer espanto com isso. O primeiro é o fato de que eu só escrevo sobre besteiras. Se eu não falar das besteiras eu não vou falar de nada. O segundo motivo é o meu endereço. Eu moro em Pernambuco e aqui o carnaval começa oficialmente depois da virada do ano, isso quando a virada de ano já não é em clima de carnaval ou quando as atividades carnavalescas não começam depois do São João. Ou seja, aqui é carnaval até quando não é pra ser. Tanto que ninguém se admira com essa vibe carnavalesca quase permanente. Exatamente por isso que eu tô achando tudo tão estranho. Na verdade estava, porque o carnaval acabou de acabar.

    As cinzas da quarta-feira já estão indo embora e com elas mais um carnaval. Ano que vem ele vem um pouco mais cedo, dia 10 ele já começa. Se bem que na velocidade em que 2017 tá passando, quando a gente se der conta já vai ser carnaval de novo. Feliz ano novo, 2017 começa pra valer agora.

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Oscar (Carnavalesco) 2017

No próximo domingo, conhecido internacionalmente nos países que usam o calendário cristão regular como 26 de fevereiro, acontece a cerimônia da entrega do Oscar, o prêmio mais famoso, e talvez um dos menos justos, prêmios do cinema mundial. Por uma questão de calendário lunar, esse ano a cerimônia acontece no domingo de carnaval.

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Isso quer dizer que, enquanto a galera estiver batendo palma pros ganhadores do careca dourado, muita gente vai estar pulando atrás do trio, cantando o enredo da escola de samba, fazendo uma resistência reacionária na defesa das marchinhas politicamente incorretas, seguindo a orquestra no desfile de uma agremiação mais velha que a minha vó ou simplesmente gritando “É Troinhaaaaa” “Olindaaaaa, quero cantaaaaar…”. Isso quer dizer que em Terra Brasilis o Oscar será eclipsado pela festa da carne e pelo feriado convenientemente prolongado. Os jornais, principalmente nos estados em que a festa é maior, e a TV vão cagar baldes para os vencedores e desconfio que nem transmissão deve rolar na TV aberta. Já que o mesmo canal que transmite a cerimônia é o que transmite o desfile das escolas de samba.

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Mas como o Cachorros de Bikini é um blog que não adere às festas de Momo, só ao feriado, ainda vamos fazer o nosso post sobre o Oscar desse ano.

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Esse ano quem tá querendo levar tudo é LaLaLaLaLaLaLa La La Land. Com 14 indicações o musical tem toda cara de que vai ser o bicho papão desse ano, mas tem uma galera correndo por fora que talvez surpreenda. E eu sinceramente espero que a surpresa venha do filme do filme de ET mais legal que eu assisti na minha vida. Tudo bem que eu não assisti tantos filmes de ET na minha vida, mas com certeza Amy Adams e Os ET A Chegada é um dos melhores de ET de todos os tempos. A jornada de Amy Adams pra falar com os ET’s está concorrendo a Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Design de Produção, Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som, Melhor Montagem, Melhor Fotografia, Melhor Filme e Melhor Direção. Junto com Estrelas Além do Tempo A chegada tem grandes chances de fazer que nem Mad Max no ano passado e sair tirando o doce da boca de um monte de concorrente mais favorito.

Na categoria Star Wars Desse Ano temos Rogue One concorrendo em algumas categorias técnicas, mas esse ano o páreo de Melhores Efeitos Visuais e Melhor Mixagem de Som tá bem difícil e a minha torcida pra primeira categoria é pra Kuro e As Cordas Mágicas, também conhecido como o primeiro filme de animação a concorrer na categoria de Efeitos Visuais desde O Estranho Mundo de Jack em 1994.

Nesse último ano eu assisti pouquíssimos filmes que estão entre os indicados. Tudo bem que eu nunca vejo muitos dos indicados, mas esse ano foi um dos que eu vi menos. Mas como esse post e a minha torcida são sempre baseados em coisa nenhuma, a credibilidade continua a mesma do ano passado. Bom carnaval pra você e nos vemos depois do Oscar.

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Porque Reclamar Faz Bem

Por incrível que pareça existem alguns hábitos do ser humano moderno que são tão antigos quanto a própria humanidade. Um deles é o hábito de se reunir ao redor da fogueira pra jogar conversa fora. Obviamente hoje em dia não fazemos fogueira com tanta frequência, mas nos reunimos ao redor das mesas de jantar, de restaurante, de buteco, de RPG ou até mesmo nos grupos de Whatsapp. Não importa qual é a fogueira, o que interessa é que ainda nos sentamos ao redor dela, da mesma forma que nossos ancestrais mais primitivos faziam, e dividimos com os outros histórias, notícias e em boa parte das vezes reclamamos da vida. Mas, ao contrário dos resmungos nossos de todas as horas, as reclamações feitas diante da fogueira funcionam quase como um terapia.

Lembro de um período da minha vida em que eu me reunia com alguns amigos quase toda sexta-feira depois do expediente.A gente se juntava, comia pizza, falava besteira e depois ia todo mundo pra casa. Mas alguma coisa curiosa acontecia quando os únicos presentes eram eu e mais dois amigos meus. Quando a gente se juntava a conversa tinha uma pauta única: reclamar do trabalho. Por uma mera coincidência, a época em que nós três tínhamos mais motivos pra reclamar do trabalho foi a época em que mais vezes só nós três aparecíamos pra comer pizza. Ficou fácil de imaginar o tanto de tempo que a gente passou reclamando do trabalho, da vida, do universo e de tudo mais. Justamente por isso hoje eu posso dizer que se não fosse por aquelas horas de reclamação eu teria encarado aquele período da minha vida profissional com muito menos ânimo.

Temos por hábito reclamar.Ou pelo menos procurar motivo para reclamar e por isso boa parte dessas queixas são bem irrelevantes pros outros. Justamente por isso que quando você se senta ao redor da “fogueira” com os seus amigos, você só reclama dos problemas de verdade. Afinal você vai ocupar o tempo de todos os participantes da conversa exclusivamente com os seus assuntos, a atenção dos amigos tem que valer a pena. Por isso os problemas que chegam à luz do fogo e ao conhecimento de todos são os problemas de verdade, os que realmente são problemas. Coisas que estão nos deixando aflitos, decisões difíceis que estão tirando o nosso sossego, assim como os planos pro futuro ou os vacilos do passado. Tudo levado diante de pessoas que também já dividiram seus problemas com você.

Reclamar não é agradável, mas pode ter um efeito bastante positivo. Por isso a mensagem de hoje é: RECLAME. Não digo pra reclamar sem parar ou achar defeito em tudo. Pense nas coisas que realmente estão piorando a sua vida e, se possível, divida com alguém. Não recomendo fazer isso publicamente, seja em redes sociais ou naquele seu grupo do Whatsapp que tem 46583628 pessoas. Tão bem selecionados quanto os problemas que serão exposto precisam ser os ouvidos que vão ouvir esse problema. E é com esse último conselho que eu encerro a série de posts sobre as reclamações nossas de cada dia. Espero demorar muito pra fazer outra série temática porque esse negócio de planejar muito e não escrever sobre outro assunto é meio chato e só é legal de verdade no final do ano.

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Reclame da Sua Vida Aqui

                Estava eu pensando sobre o conto que sairia nessa última segunda. O tema obviamente precisava combinar com a atual série de posts sobre reclamar da vida. Cheguei à conclusão de que seria uma boa criar um novo personagem e que a história teria alguma coisa a ver com um balcão de reclamações. Aí veio uma gripe muito louca, e graças a Deus bem rápida, uns problemas com o trânsito e acabou que não escrevi nada, pelo menos não ainda. Mas assim como na natureza, dentro da cabeça da gente nada se perde, tudo se transforma. Por isso resolvi aproveitar essa ideia do balcão de reclamações e fazer um exercício de imaginação junto com você, pessoa leitora.

Imagine que nós, enquanto seres viventes, temos alguns direitos na vida, algo parecido com os direitos do consumidor. Não falo de nada abstrato como felicidade, amor ou coisas do gênero, falo de ter as coisas da vida funcionando direito. Sorte suficiente para nunca esquecer o guarda-chuva em dias chuvosos, um sistema seletor de relacionamentos minimamente confiável, uma cabeça que esteja mais ou menos no lugar, uma ou duas aptidões e alguma ideia de quais caminhos estão disponíveis para seguir poderiam estar entre as coisas inclusas no pacote da vida e garantidos por lei. Agora imagine que, assim como a maioria dos produtos e serviços, existisse uma espécie de Serviço de Atendimento ao Consumidor que trabalhasse recebendo e resolvendo nossas queixas em relação aos problemas da vida que estivessem ligados a “defeitos de fabricação”, “desgaste prematuro das peças” ou “falha no sistema operacional”. Se isso existisse do que você reclamaria?

                Seria algo mais ou menos assim: você entra no posto de atendimento, pega uma senha, aguarda a sua vez e depois de ser chamado você chega lá no guichê de atendimento pra reclamar de alguma coisa. Eles anotam a sua reclamação, fazem uma avaliação pra saber se aquilo procede, se os termos da garantia (da sua vida) cobrem aquilo e se comprometem em resolver o problema ou substituir o “produto defeituoso”. Partindo do pressuposto que você saberia exatamente qual defeito você ou sua vida estavam apresentando. Não sei pra você, mas pra mim isso parece bastante interessante.

                Só pra começar eu provavelmente reclamaria dos meus problemas de sono. Ao contrário do que pode parecer, meus problemas com sono envolvem a dificuldade de permanecer acordado depois de uma certa hora da noite e a incapacidade de dormir por períodos prolongados mesmo quando horas extras de sono se fazem necessárias. Outro problema seria a minha falta de organização, que na verdade é uma espécie de organização seletiva. Já que eu facilmente consigo ser organizado com as coisas mais inúteis e ser totalmente desorganizado com as coisas que realmente importam. Tudo isso só pra começar.

                Eu poderia passar mais uns dois anos aqui só escrevendo as coisas que estão erradas em mim, mas aí eu perderia totalmente o foco. A ideia aqui é justamente jogar essa peteca pro leitor e é por isso que vou repetir a pergunta: do que você reclamaria? Pare, pense e se possível me diga. Tenho certeza que com um pouco de imaginação todos nós chegaremos a conclusões interessantes.

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