Cachorros de Bikini

Não é um blog sobre cachorros e bikinis

Categoria: Crônicas e Similares (Page 1 of 20)

(Finalmente) 300

Este texto está atrasado.

Sim, cara pessoa leitora, este é um texto que saiu muito depois do que deveria. Houve uma época áurea em que este humilde blog tinha a pouco impressionante marca de três publicações por semana. Algo em torno de doze ou treze por mês, perto de cento e cinquenta por ano. Com o primeiro post sendo publicado em junho de 2015, levando em consideração alguns breves hiatos e coisas do tipo, a publicação de número 300 seria lançada na segunda metade de 2017. Mas 2017 foi o ano em que o Cachorros de Bikini desacelerou, em que eu desacelerei. A frequência de publicações passou de um monte de coisa pra quase nada. Mas não se engane, esse não é um lamento, é só uma retrospectiva. Essas coisas acontecem.

Agora imagine minha surpresa ao olhar para o contador do WordPress e ver que eu estava a um post de atingir a nada impressionante marca de 300 publicações.

Pior que quase eu passava direto pelo número 300. Por pouco o número 300 foi o conto que vai sair segunda. Um texto muito legal em que passei os últimos tempos trabalhando. Tá legal, vale a pena ler, mas achei melhor não misturar as coisas. Afinal, 300 é um número que pede, pelo menos, uma decoração especial.


Usar coisas de 300 pra ilustrar esse post é uma escolha meio óbvia. Já que provavelmente ele é o filme que tem apenas um número como título que fez mais sucesso. Eu acho. Deve ser. Vamos dizer que é.


Esse poderia ser um post sobre esse filme que provavelmente só uma parte de quem tava vivo e consciente em 2006 se importa. Só que eu tô com preguiça de ver o filme de novo. A última vez que eu vi 300 faz tanto tempo que eu nem lembro e a vontade de gastar energia pra escrever sobre o filme ou o quadrinho tá tão próxima do zero que vai ficar pra outro dia. Mal aí, galera de Esparta.

Vamos retomar a conversa do início.

Houve uma época em que eu escrevia sempre. Sempre tinha coisa nova por aqui e eu conseguia escoar toda a minha pulsão criativa pra cá. Não sei bem o que aconteceu, mas em algum momento isso não aconteceu mais. Foram dois anos bons e mais três muito agradecido por ter conseguido fazer o que eu fiz por dois anos. E a graça de ter feito isso na internet e de forma escrita, é que tá tudo por aqui. Arquivado, organizado, classificado. Volta e meia eu paro por aqui e dou uma lida numas paradas antigas, nem sempre o que eu leio é muito bom, mas é sempre divertido. Surpreendentemente divertido na verdade. Algumas coisas estão aqui tem tanto tempo que parece que não fui eu quem escreveu. Se você escreve devia fazer isso também, é um exercício interessante.

Houve uma época em que eu escrevia sempre, mas essa época passou. A época atual é uma em que eu escrevo de vez em quando. Num nível de compromisso tão zerado que é mais pra não enferrujar. Ainda é tão bom como sempre, depois que eu termino um texto novo penso que devia fazer mais vezes. Mais ou menos como acontece quando a gente se encontra com uns amigos que a gente quase nunca vê e acaba quase nunca vendo mesmo querendo ver sempre. E mesmo assim cheguei aos 300, quem diria?

40 Anos de Império Contra-ataca

Algumas décadas atrás a indústria do entretenimento, principalmente o cinema, vivia uma realidade muito diferente da atual. Não existiam tantas franquias gigantescas, filmes de grande orçamento e nem tantos filmes com efeitos especiais absurdos. Foi nesse contexto que surgiu o nome que definiu o que é ser uma grande franquia. O filme que mudou a história do cinema, do mercado do cinema. Em 1977 estreou Star Wars, que naquela época era só Star Wars, mas que pouco tempo depois teve seu título mudado para Episódio IV – Uma Nova Esperança, garantindo que teria coisa antes, coisa depois e que qualquer um que caísse de paraquedas no assunto ficasse completamente confuso. Três anos depois saiu o filme que completou quarenta anos na semana passada. Em 21 de maio de 1980 estreava nos Estados Unidos Star Wars Episódio V – O Império Contra-ataca.

Ou o Star Wars preferido de todo mundo.

“Nadavê, Filipe, eu gosto bem mais do Episódio (insira aqui o episódio que você acha que mais gosta)”.


O Império Contra-ataca é Star Wars no seu estado mais puro e lapidado. Tudo que é mais lembrado sobre a primeira trilogia de filmes está nesse filme. Darth Vader como o super vilão temido por seus inimigos e subordinados? Isso só começou aqui. Se você reparar bem em Darth Vader no primeiro filme, vai perceber que ele é um nêmesis pros protagonistas apenas, um agente do Império que age com certa autonomia, mas submetido à autoridade do Governador Tarkin, o homem que comanda a estação bélica apelidada de Estrela da Morte. Vader se torna o carrasco da Rebelião só no Episódio V. O velho Ben Kenobi aparecendo como fantasma? Apesar de soprar um “use a Força” no ouvido de Luke no final do primeiro filme, ele só aparece na sua forma azulada semitransparente aqui. Mestre Yoda? Fez sua estreia aqui, com frases invertidas e os ensinamentos sobre a verdadeira natureza da Força. O romance de Han e Leia? Em meio às brigas, trocas de ofensas e quase total ausência de gentilezas é que floresce o único romance minimamente decente nessa franquia toda. Essa cena aqui…


É do Império Contra-ataca. A cara enrugada do Imperador? Apareceu pela primeira vez, ao vivo e em holograma, nesse filme. E falando em primeiras aparições, além do já citado Mestre Yoda, temos Bobba Fett, pra provar que dá pra ficar famoso só fazendo pose. Também temos outro queridinho dos fãs, Lando Calrissian, fazendo sua primeira aparição nesse universo. Algumas das cenas mais icônicas também estão aqui, como o ataque imperial à Base Echo no planeta Hoth, com a primeira aparição dos AT-AT.

A fuga da Millenium Falcon das marinha imperial, a perseguição pelo campo de asteroides e logo depois todo mundo quase virando comida de verme espacial.

E essa cena aqui.

    Toda a jornada de Luke Skywalker dentro do filme, lentamente se colocando à parte da Rebelião e começando a percorrer um caminho por onde só ele pode andar, o que culmina no Luke que vemos no filme seguinte, é provavelmente o momento mais legal do personagem pra mim. Ele não é mais o garoto da fazenda, mas também não atingiu todo o seu potencial como Jedi, enfrentar o Império junto dos outros rebeldes é importante, mas ainda falta algo para que ele se sinta completo.

Por fim temos outra coisa que ajuda o Império Contra-ataca, ele é o filme do meio. Os filmes do meio têm uma responsabilidade: ser uma boa transição entre a primeira e a terceira parte. Essa é uma tarefa fácil? Não, é um desafio tremendo. O Império Contra-ataca é excelente porque precisou ser. Ele era a continuação do filme que fez um sucesso inacreditável e precisava ser um elo pro filme que fecharia essa história. Ele precisava ser ótimo e, justamente por isso, ele foi.

Veja Império Contra-ataca. Reveja o Império Contra-ataca. Aproveite o Império Contra-ataca. É isso. Até a próxima.

Ainda Consegue?… Ou só um texto sobre fazer aniversário

Os tempos atuais são um convite à reflexão. Caso você, cara pessoa leitora, esteja lendo isso do futuro, basta eu dizer que os “tempos atuais” dos quais eu falo são os tempos de pandemia do coronavírus, quarentena e isolamento que já consumiram um pedaço grande do ano da graça de 2020. Justamente nesse ano, durante todos esses eventos semi-apocalípticos, o proprietário deste humilde sítio eletrônico atingirá a marca histórica de 30 anos vividos.


“Ê, Filipe, bem qualquer coisa fazer 30 anos”. Sim, pessoa leitora hipotética que falou a mesma coisa no meu texto de aniversário em 2016, não é grande coisa no plano geral da humanidade, mas como eu não vou completar 30 anos nunca mais, a marca é histórica pra quem interessa que ela seja… Mas voltemos ao papo reflexivo.

30 anos se tornou uma idade cabalística nos últimos tempos. Muito se fala sobre como todo mundo (não se sabe exatamente quem, mas ainda assim todo mundo) espera que a sua vida esteja toda no lugar aos 30 anos. Eu não sei a de vocês, mas a minha com certeza não está. E a vantagem de não embarcar nessa nóia de vida resolvida é que sobra processamento cerebral pra refletir sobre outras coisas que vêm com a idade… Coisas diferentes de cabelos brancos e dores que não estavam lá até um dia desses. Justamente por isso a presente publicação nasceu. Eu topei com uma coisa que me fez refletir.

Estava hoje de bobeira passando pelo meu Instagram e me deparei com a seguinte tirinha do My Dad is Dracula que eu usei minhas incríveis só que não habilidades gráficas digitais.

Muitas coisas mudam ou se perdem ao longo do caminho de uma vida, independente do tamanho dele ou em que altura desse caminho qualquer um de nós se encontra. E eu nem falo das coisas materiais, das relações pessoais e de tudo que pode ou vai gerar arrependimento. Nem toda mudança é pra pior ou pra melhor, nem tudo que fica pra trás deixa saudade ou faz falta. Boa parte das coisas que ficam pra trás têm mais que ficar pra trás mesmo. Algumas não fazem falta justamente por serem um pedaço de alguém que não existe mais. Basta pensar um pouco pra perceber que várias versões de mim mesmo estão perdidas no passado cada vez mais distantes das idades passadas. E toda vez que eu penso nessas coisas, agradeço de todo coração por isso ter acontecido. Quando eu penso no pai perguntando ao filho se ele ainda consegue enxergar algo mais fantástico do que apenas uma poça d’água suja que reflete a luz de forma multicolorida, eu reflito. Quando eu vejo o semblante triste do menino diante da pergunta, eu me entristeço junto, mas me alegro logo depois. Me coloco no lugar da criança questionada, posiciono um leve sorriso nos lábios e respondo…

Sim, consigo.

A minha cabeça ainda absorve e projeta as mesmas coisas desde sempre. As cores vindas do espaço ainda tingem as histórias dos heróis, vilões, mutantes e dragões que sempre ocuparam meus olhos e povoaram minha imaginação. O pensamento volátil, faminto pelo absurdo das coisas, ainda trabalha incansável para que o mundo continue tão interessante quanto sempre foi, apesar da dificuldade da tarefa. Ainda é fácil torcer a realidade, o tempo e o espaço conforme a necessidade das ideias doidas e tecer mundos inteiros ainda pode ser feito em poucos segundos. Sim, ainda consigo.

Envelhecer ainda não é tão ruim quanto poderia ser, apenas pelo fato de algumas coisas não se renderem à idade. Não por apego ou teimosia, é só que a idade ainda não foi forte o suficiente pra vencer. E espero que nunca seja. Os dias e anos são só números diante dos olhos que envelhecem ainda menos do que a alma da qual eles são janela. A maturidade ainda é seletiva e, felizmente, ainda não obrigatória em muitas ocasiões. A idade pesa leve sobre mim porque eu resolvi tirar dela um pouco do peso que ela nem precisa ter. Mais um ano, mais um dia, uma idade nova que não chegou de uma vez. Vem chegando faz tempo. Tá chegando faz 30 anos. Agora, finalmente, chegou.

Quando a Quarentena Acabar…

Outro dia estava com a cabeça desocupada e acabei lembrando dessa música aqui:

Imediatamente fiz uma versão adaptada para os tempos de hoje do verso de abertura da música. “Quando a quarentena acabar…”, cantarolei eu na minha cabeça que, a partir daquele momento, não estaria tão desocupada assim. Desde então um pensamento recorrente toma conta da minha cabeça. O alívio da falta de ansiedade pelos dias presentes me manteve superficialmente tranquilo até então, mas o encontro constante dos últimos dias tem sido com aquilo que, até então, eu não sabia que perturbava o meu sono. As minhas ansiedades estão depois do fim.

Antes de começar a discorrer com mais detalhes sobre o assunto gostaria de dizer que eu não estou pessimista. Eu acredito que essa crise vai acabar, que covid-19 vai ser só mais uma das inumeras doenças com as quais a gente convive todos os dias, que qualquer dano social e econômico vai ser razoavelmente superado e que apenas o prejuízo humano, como em qualquer outra crise, vai ser irreparável. Sei que o caminho até o fim de tudo pode ser ainda muito longo, ou nem tanto, quem sabe até um pouco maior, mas a espera faz parte da minha vida há tempo suficiente pra me munir da paciência necessária em uma situação dessas… Todas essas palavras não parecem as de alguém preocupado com o que está para acontecer. De fato essas não são, mas as próximas talvez.

Fico pensando no dia em que poderemos dizer que tudo isso acabou. Quando olharemos os destroços do que foi destruído e as ruínas recém nascidas daquilo que acabou de ser abandonado e permanecerá abandonado dali em diante. Penso em todas as mudanças que estão crescendo em seus casulos, esperando o dia de abrir as asas na direção do céu de um mundo que, em vários níveis e proporções, não será o mesmo. Penso no quanto estaremos traumatizados, ou não, depois de tudo isso. Se todas as quedas de braço, as trocas de acusações, as discussões inflamadas, as decisões tomadas e as atitudes adotadas terão valido de alguma coisa.

O futuro aguarda por todos. Vítimas, fatais ou não, filhos e filhas, esposas e maridos, mães e pais, viúvas, viúvos e órfãos da quarentena. Por aqueles que pararam suas vidas e pelos que, feliz ou infelizmente, não tiveram esse privilégio. Por aqueles que contarão essa história toda como um resumo das manchetes dos jornais ou como um relato de guerra. O futuro aguarda por todos que sobreviveram. Ao vírus, ao medo, ao trabalho e à falta dele, à fila do banco, ao calendário, à espera, ao tédio, ao isolamento, à falta de rotina ou ao excesso dela, à solidão, à depressão. À morte batendo na porta ou apenas espiando pela janela. O futuro virá e tenho a inabalável esperança que poucos de nós não estarão aqui para vê-lo, mas, se pensarmos bem, sempre foi assim. As coisas que virão, virão para todos, o quanto delas virá para cada um é uma pergunta que não nos cabe responder.

Espero não ter deixado você, pessoa leitora preocupado ou temeroso. Nunca foi a minha intenção. Os tempos que vivemos já faziam isso bem antes de qualquer novo vírus Made in China. Não gosto muito de falar sério por aqui, mas algumas coisas mais leves só saem da nossa cabeça quando as mais pesadas saem primeiro. Um aperto sem mão, um abraço sem braço e um beijo de longe sem encostar a mão na boca pra todos vocês e até uma próxima com as palavras mais leves que eu puder escrever.

Em 2019 Teve: Muita Gente Sendo Cancelada

Um dia desses estava eu orbitando pelo meu feed do Facebook, algo muito raro nos dias de hoje, e me deparei com a seguinte postagem de uma amiga minha:

Como eu tinha tido só ideia ruim pra esses textos de assuntos de 2019 estava procurando diversificar os temas da série de posts sobre 2019, acabei lembrando de uma das coisas que movimentou a internet no ano passado: gente cancelando gente.

Devo confessar que essa parada de cancelamento chegou bem atrasada pra mim. Comecei a ouvir sobre essas coisas de gente sendo cancelada e, como eu não sou mais um jovem internético moderno e antenado, eu simplesmente ignorava e vida que segue. Em dado momento do ano o termo já estava tão difundido e aparecia em tantos lugares diferentes que fiz o que qualquer pessoa da meia-idade virtual faria no meu lugar, perguntei ao Google o que era. E pra minha surpresa se tratava de… Uma coisa que o povo sempre fez na internet, mas que agora resolveu dar um nome pra poder não só padronizar o termo, mas também pra caracterizar como algo nativo da internet.

Em resumo, uma pessoa com presença em redes sociais, normalmente alguém com um número relativamente grande de seguidores ou de alcance, faz alguma coisa que é a galera não curte muito aí todo mundo cai em cima, critica, deixa de seguir e essas coisas todas. Já viu isso em antes de 2019? Provavelmente sim, só que agora chamam de cancelamento.

Aí você pode pensar “pow, meio qualquer coisa essa parada de cancelar gente”. E eu concordaria com esse possível pensamento se, conforme o número de cancelamentos virtuais foram aumentando, não crescesse também a quantidade de gente analisando o fenômeno virtual da recém criada “cultura do cancelamento”. E dando uma googlada rápida pra reunir algum material pra compor esse texto, acabei esbarrando nisso aqui:

Acabei esbarrando nisso aqui também:

Mas é melhor focar nas paradas que têm credibilidade.

Todo ano alguém que escolhe a palavra/termo do ano. Eu falo “alguém” pelo simples fato de eu não saber quem é o responsável por isso e porque todo ano me parece que é uma instituição diferente que escolhe. Desinformações à parte, temos aí, finalmente, um indício de que esse negócio de gente cancelando gente está muito presente, não só nas ações, mas também na mentalidade da galera usuária de internet, pelo menos em língua inglesa. E que diferença isso faz? Nenhuma, assim como todas as outras coisas que pertencem ao microcosmo da internet.

Não sei se qualquer tipo de linchamento é útil ou justificado, muito provavelmente isso é um claro reflexo de como qualquer pessoa na internet está exposta, como hoje em dia as pessoas podem ser mais ouvidas, acabam ouvindo mais coisa do que gostariam. E se fizermos uma recapitulação das leis da Física, vamos lembrar que quem fala o que quer, ouve o que não quer. E com essa porção da mais vulgar filosofia que eu anuncio o cancelamento de qualquer final que esse texto poderia ter.

Star Wars Episódio IX: Não Vai Ter Mais Skywalker

Quatro anos. Parece que foi um dia desses, mas faz pouco mais de quatro anos que eu escrevi sobre Star Wars pela primeira vez nessas mesmas páginas azuladas. O ano era 2015, eu tinha acabado de ver o Episódio VII, primeiro filme da (mais) nova trilogia de Star Wars. Dando uma lida rápida na publicação daquele dia 23 de dezembro, consegui reviver parte daquele sentimento. De toda a expectativa e de toda esperança que eu tinha nos filmes novos. Aí veio 2017 e com ele o Episódio VIII que foi por uma direção meio… Inesperada. Mais uma vez expectativas foram criadas só que, ao contrário de antes, daquela vez eu não sabia o que esperar da última parte dessa trilogia. Não demorou tanto assim e chegamos ao fatídico 19 de dezembro do recém falecido ano de 2019, quando finalmente estreou:

Star Wars Episódio IX: A Ascensão Skywalker. Um título que gerou tantas ou mais teorias quanto Os Últimos Jedi do filme anterior. Ninguém sabia de que Skywalker estavam falando e nem que ascensão poderia ser essa. Até então a única certeza era que a galera responsável pela história do filme acabou trazendo de volta uma das piores coisas do antigo Universo Expandido: o Imperador.

Vilão maior das duas trilogias anteriores, o Imperador teria originalmente encontrado seu fim no Episódio VI: O Retorno de Jedi (o filme tem quase quarenta anos, isso não é um spoiler), mas histórias posteriores, nenhuma delas em formato de filme ou especial de fim de ano, acabaram trazendo ele de volta dos mortos usando alguma desculpa mirabolante. Histórias que tinham perdido a validade quando a Disney resolveu reformular o cânon e eliminou todo o antigo Universo Expandido. Eliminou só pra poder dar aquela peneirada e trazer de volta qualquer coisa que interessar. Não sei por que seria interessante tirar da cartola a revelação de que na verdade o vilão dos primeiros seis filmes na verdade era o vilão por trás das tretas de todos os nove filmes. Essa foi uma das primeiras coisas reveladas sobre o Episódio IX e uma das poucas coisas que eu fiquei sabendo antes de entrar no cinema. O resto era tudo especulação.

Eis que chegou o dia de ir pro cinema. Eu sento na poltrona. As luzes se apagam. Sobe a música tema e entram as letras amarelas.

Respiro fundo e me ajeito no meu assento e… Foi só isso. Por algum motivo que não sei explicar, eu estava lá vendo um Star Wars que não me fazia sentir como se eu estivesse vendo Star Wars. Provavelmente essa é a melhor forma de definir minha experiência com o filme: não tinha gosto de Star Wars. Não consigo dizer o que estava faltando. Não sei se foi o ritmo, alguma coisa no visual ou na forma como a história começou, mas alguma coisa não estava lá e quando essa coisa começou a aparecer um pouco já foi tão perto do fim que nem fazia lá tanta diferença.

Sem entrar muito no enredo do filme dá pra resumir boa parte do que eu desgosto dele em uma imagem:

Não faço parte daqueles que acham que Os Últimos Jedi é um filme perfeito e irretocável, mas quando o último filme, de uma série de três, estabelece que boa parte do que aconteceu no filme anterior não é lá muito importante. Não faz muito bem pro conjunto.

Mesmo não parecendo, tem algumas coisas realmente boas nesse filme… Só que elas ficam mais por conta de alguns personagens. Kylo Ren segue em uma escalada rumo à redenção como personagem, abandonando de vez aquela caricatura pintada no primeiro filme. C-3PO faz uma das suas melhores participações de toda a franquia, assim como Chewbacca que segue se superando a cada filme. Os conflitos de Rey ganham um pouco mais de corpo, apesar de terem dado uns três passos pra trás e avançado numa direção meio esquisita, o que faz ela tomar umas decisões meio questionáveis… Se o roteiro ajudasse um pouquinho mais ela estaria bem melhor nesse filme. Na verdade todo mundo estaria melhor nesse filme se o roteiro ajudasse um pouquinho mais.

Chegamos ao fim, da trilogia, da saga e do texto. O Episódio IX não só encerra a sua própria trilogia, ele encerra uma saga inteira. Se a Disney estiver falando a verdade, não vai ter mais nenhum Skywalker dando pinta de Jedi nos futuros filmes da franquia. Não se sabe bem o que vai acontecer com Star Wars além das séries prometidas pro serviço de streaming da Disney e das datas marcadas a partir de 2022 para novos filmes. Parece muito tempo, mas se levarmos em conta que o tempo entre trilogias nunca foi inferior a dez anos, dá pra dizer que a gente não vai esperar tanto assim.

 

Em 2019 Teve: Homem-Aranha No Aranhaverso

No longínquo ano de 2017 eu publiquei por aqui um texto apresentando aos meus caros leitores Miles Morales, também conhecido como o Homem-Aranha que vale pra mim. Na época eu estava soltando meus fogos com a possibilidade de uma aparição do meu querido Miles no cinema, mas eis que em 2018 (2019 para os habitantes de Terra Brasilis) eu vi realizado na tela do cinema o meu sonho:

Logo no início do filme o Homem-Aranha que a gente conhece, Peter Parker, falece precocemente e passa o bastão pra um Miles Morales recém mordido por uma aranha radioativa. Mas Miles não está sozinho nessa, um Peter Parker de um universo alternativo e pessoas aranha de diferentes realidades se juntam a ele para impedir o colapso de todo o multiverso.

De maneira geral Homem-Aranha no Aranhaverso não só acerta em muitas coisas, como na caracterização dos personagens, na estética e nas homenagens, mas o filme em si é um grande acerto dada a atual conjuntura dos fatos. Ao contrário do que pode parecer, fazer um filme do Homem-Aranha hoje em dia não é a tarefa mais fácil do mundo: atualmente estamos com a terceira encarnação do Homem-Aranha no cinema, queda de braço entre a Sony e a Marvel sobre o uso do personagem e fãs cheios de expectativa. Então vemos aí o trunfo maior dessa decisão: fazer um filme de animação pra driblar todos esses problemas.

Um filme de animação. Em uma animação ninguém ligaria muito para a cara, ou a voz, dos atores que interpretam os personagens ou encheria o saco pra manter a cronologia dos filmes da Marvel . Além disso era uma oportunidade única de apresentar pro grande público dois dos personagens mais populares dos quadrinhos: Miles Morales e Gwen Aranha.

Quem acompanha minimamente o mercado de quadrinhos de super-heróis sabe que Miles e essa nova versão de Gwen Stacy tomou de assalto o coração de muitos fãs. Os mesmos fãs que sabiam que muita água teria que rolar antes de qualquer um desses dois dar o ar da graça nos filmes da Marvel Studios. Gwen e Miles não teriam outra chance dessas tão cedo. Dito isso, voltamos para o filme.

Aranhaverso é um filme sobre crescimento, a descoberta de uma nova identidade e o que te faz ser o que você é. Ao longo da história não vemos Miles aprendendo a ser muito mais do que apenas um herói. Essa é a história de um garoto aprendendo a ser um Homem-Aranha. Em tempos de caracterizações equivocadas e adaptações que problemáticas temos um filme com seis, eu disse SEIS pessoas aranha na tela (sete se você contar o Homaranha que vai pra vala logo no início do filme), todos com suas próprias personalidades, estéticas e peculiaridades, mas em todos eles é fácil reconhecer o que faz um Homem-Aranha ser um Homem-Aranha.

Apesar de não parecer, o Homem-Aranha é um personagem trágico. Apesar de não ser nascido da tragédia como o Batman e outros similares, o Teioso é marcado pelas tragédias que apareceram no caminho. A perda é algo tão inerente ao personagem quanto a teia ou os poderes aracnídeos, e é justamente a perda que coloca o Homaranha no caminho do heroísmo. E não importa quantas vezes ele é jogado no não, o Homem-Aranha sempre se levanta. Todos eles sempre se levantam. Se tornar um Homem-Aranha é, acima de qualquer coisa, aprender a levantar quantas vezes for preciso.

Aranhaverso foi uma grata surpresa. Arrebatou o coração de muita gente e ganhou um monte de prêmios, incluindo o Oscar de Melhor Filme de Animação, e teve resultados bons o suficiente pra garantir uma continuação, que chega em 2022. Por fim dá pra dizer que o futuro de Miles Morales no cinema parece bastante promissor, seja nesse ou em qualquer outro universo.

Acabou Game of Thrones

Finalmente terminou. No dia 19 de Maio do ano de Nosso Senhor de 2019 chega ao fim a oitava e a última temporada da série de fantasia de maior sucesso da história recente da humanidade. Há exatos dez dias foi ao ar o último episódio de Game of Thrones.

Depois de quase dois anos de espera, o público estava ensandecido com a promessa de finalmente poder assistir o empolgante final de Game of Thrones. Teorias mil estavam sendo discutidas, apostas na lista de defuntos da temporada foram feitas e só seis episódios de oitenta minutos (mais ou menos) pra resolver toda essa história… Acho que alguns problemas que rolaram já estavam anunciados.

Se você, querida pessoa leitora, não assistiu e ainda pretende assistir aos episódios finais, recomendo que salve a presente publicação e leia depois. Vão rolar uns spoilers meio pesados.

Eu passei muito tempo sem ver Game of Thrones. Pulei, literalmente, quatro temporadas. Esse ano calhou da namorada começar a assistir e acabei vendo uns episódios de uma temporada ou outra e assisti à penúltima temporada. Inclusive as minhas expectativas não estavam lá muito altas, já que a última temporada não foi aquele primor, principalmente porque metade dos diálogos terminava com Daenerys pedindo pra alguém dobrar o joelho.


Também tinha gente falando sobre a galera dobrando o joelho pra ela, o que aconteceu com a galera que não dobrou o joelho, o que ia acontecer com quem ainda não tinha escolhido e essas coisas. Pra completar João das Neves passou a temporada inteira tentando convencer todo mundo que a disputa pelo trono não importava e que todo mundo tinha mais que se preparar pra segurar o apocalipse zumbi que estava vindo de além da muralha… Como desgraça pouca é bobagem, a temporada encerrou com um dos piores romances de todos os tempos.

    Aí pulamos pra 2019 e começa a oitava temporada. Os três primeiros episódios ficaram pra resolver a treta com o Rei da Noite e os zumbis refrigerados, os outros três seriam pra finalizar a disputa pelo trono de ferro e fechar a série. A parada começou até bem, vários encontros e reencontros, nostalgia dos personagens, Brienne virando cavaleiro/cavaleira e essas coisas. Aí entra na parte meio fraca dessa temporada: os episódios de batalha. Os episódios 03 e 05 foram episódios com batalhas que tiveram alguns momentos legais, mas que no geral foram meio monótonos. Só que até aí tava tudo mais ou menos ok, mas eles inventaram que Daenerys tinha que ficar muito pistola.


Deram motivos pra ela ficar assim? Sim. Deram uma exagerada no quanto ela ficou possessa de ódio? Pra caramba. Isso coincidiu com a ideia genial que tiveram de descaracterizar metade dos personagens e tudo ficou um belo de um pedaço de cocô. Depois de um episódio inteiro de destruição gratuita e de gente sendo queimada chegamos ao episódio final. que foi meio…

Obviamente eles precisaram consertar algumas das cagadas que eles fizeram no episódio anterior, mas ainda assim o episódio final tem algumas das cenas mais bonitas e mais simbólicas da série inteira. A minha preferida é a cena que tem um dragão derretendo o Trono de Ferro.

Aí eles resolvem lá as coisas, Jão das Neves passa a faca em Daenerys (antes do dragão derreter o Trono), o movimento republicano de Westeros nasce e morre em cinco segundos, os nobres que conseguiram chegar vivos até aqui escolhem um rei novo, rola aquele final que só faltou casamento pra ser final de novela e vida que segue nos Sete Seis Reinos. Mas foi só lá que acabou mesmo, porque na internet o barulho tava só começando. Até agora tem uma galera grande que tá revoltadíssima com esse final meio qualquer coisa que a série teve. Teve gente que fez abaixo assinado pra refazerem a última temporada usando os livros que vão sair como base, teve gente pedindo pra deixarem os autores da série longe de qualquer produto audiovisual, principalmente porque eles estão confirmados nas próxima trilogia de Star Wars, e tem gente que só tá xingando sem parar mesmo.

Independente do caminho ou da situação, chegamos ao fim de Game of Thrones. Dá pra dizer sem exagero que é o fim de uma era na cultura pop. Faz quase dez anos que essa série existe, faz quase dez anos que ela gera comoção e alimenta a cultura do spoiler. Pela primeira vez em quase dez anos as pessoas não estarão esperando por Game of Thrones. Pela próxima notícia, pelo próximo episódio ou pela próxima temporada. Acabou. Nos despedimos dos rostos que aprendemos a chamar por nomes fictícios e damos por encerrado as suas histórias. Não sabemos quanto tempo vai demorar pra aparecer outra série que durante tanto tempo gere esse tanto de comoção. Também não sei se é certo esperar pelo próximo Game of Thrones, procurar um substituto e usar a série como base pra comparar tudo. Basta saber que acabou, não vai ter nada mais pra frente, mas o que aconteceu pra trás permanece. O inverno ainda está chegando, um Lannister ainda paga suas dívidas, os dragões ainda cospem fogo ao ouvir Dracarys e Jon Snow continua sem saber de nada.

 

Previsões para 2019 (Segundo Blade Runner)

No longínquo ano de 2017 eu publiquei um post com previsões para o ano que estava só começando. Todas essas previsões foram baseadas em um filme dos anos oitenta chamado O Sobrevivente. Como filmes antigos costumam acertar bastante quando resolvem adivinhar o que vai rolar no futuro, eu resolvi assistir a outro filme em busca de previsões para o ano que mal começou. Foi aí que eu me lembrei de um filme que mal começa e já mete na sua cara um…


Obviamente eu estou falando de…


Blade Runner não é só um clássico do cinema, como também tem um monte de previsões sobre o modo de vida na Terra em 2019. Assim como O Sobrevivente faz com 2017, Blade Runner já começa acertando por mostrar que em 2019 todo mundo estaria vivendo em um mundo  bastante desgraçado. Pra mim isso foi suficiente pra dar credibilidade pra todas as outras coisas diferentes que vão chegar na nossa vida esse ano e provavelmente a maior delas é a existências dos replicantes. Em resumo os replicantes são formas de vida artificiais que replicam seres vivos naturais. Isso quer dizer que não existem só replicantes humanos, animais também são replicados. Isso quer dizer que você não vai precisar cometer um crime ambiental pra ter um animal exótico em casa.


Infelizmente não é sempre que os replicantes gostam dessa vida replicada. Alguns deles ficam até um pouco… Digamos… Mau humorados.


A publicidade também vai ser feita através de veículos nunca antes vistos. Reaproveitando a ideia dos antigos carros de som, a nova arma dos profissionais da propaganda vai ser o dirigível de som.


Se um carro de som consegue um alcance enorme, imagine um dirigível com uma tela de LED gigante e auto falantes ainda mais potentes. Mal posso esperar pra ver o impacto disso nas eleições de 2020. Mas não vai ser só peça publicitária que vai passar voando por aí. Em 2019 vamos começar a ver os primeiros carros voadores.

Digo que vamos começar porque o próprio filme mostra um tráfego aéreo bem tranquilo. Aparentemente a novidade vai chegar primeiro pras entidades públicas que cuidam da segurança já que os únicos carros voadores vistos no filme são da polícia de Los Angeles. Infelizmente essa mudança não virá sem um custo. Todos os aparelhos de ar condicionado serão removidos dos prédios públicos, todo mundo vai precisar voltar a usar ventilador.

Assim como em 2017, o comando de voz continua com tudo em 2019. Só que agora ele não está limitado apenas aos limites domésticos. Em 2019 os elevadores não só vão falar, mas também vão receber comandos de voz do usuário.


Os computadores também poderão ser totalmente operados totalmente por comando de voz. Infelizmente os modelos compatíveis não tem um visual muito arrojado, mas é um preço pequeno a se pagar pelo conforto de mexer no Photoshop sem mover um dedo sequer.


Falando em computadores, aparentemente as funções de chamada de vídeo não vão existir mais nos telefones celulares, mas pra isso já existe solução. Os, já praticamente extintos, orelhões darão lugar aos videofones públicos. Uma forma muito mais segura, ainda que pouquíssimo privada, de conversar com outra pessoa através de uma chamada de vídeo.

Por causa da crise de armazenamento, armazenar fotos digitalmente vai se tornar impossível para as pessoas comuns. Justamente por isso a impressão de fotos físicas e o uso de câmeras instantâneas, como a Polaroid, vão voltar com tudo, para o deleite daqueles que sentem falta do álbum de família ou de poder rasgar a foto da pessoa querida que acabou de se  tornar muito menos querida.


Eu poderia continuar listando infinitamente as coisas maravilhosas que vão mudar nossas vidas em 2019, mas prefiro fechar essa lista com a melhor coisa que 2019 vai ter: guarda-chuva com neon.


Eu poderia dizer que quem viver verá a confirmação de tudo que foi previsto aqui. Eu poderia dizer para esperarmos ansiosos por cada novidade, mas eu tenho certeza isso não vai acontecer e todos nós sabemos o porquê…

Retrospectiva 2018

2018 já respira por aparelhos e deve ir pra vala na próxima segunda. Justamente por isso eu resolvi bater a poeira do teclado e fingir que eu não tô devendo a retrospectiva de 2017 fazer uma breve recapitulação do ano que tá tão no fim que os próximos dias já tão dentro da margem de erro.

Esse ano foi um ano muito doido. O nível da loucura dos anos anteriores não só está sendo mantido como novos patamares são alcançados todos os dias. 2018 foi o ano das fake news, das internet sem freio, das brigas por causa de política tomando conta de todos os redutos da internet.

Peguei essa lá no Angulo de Vista

Qualquer notícia, publicação, compartilhamento e hashtag gerava todo tipo de comentário maluco e briga sem sentido. Isso nos leva pra um dos fatos mais marcantes de 2018: a prisão do ex-presidente Lula. Tudo isso rolou depois de alguns meses de novela, de um monte de manchete de jornal e do nosso compadre dos nove dedos ter se transformado num novo paradoxo quântico.

E a prisão de Lula gerou o quê? Briga. Coisa que se repetiu em vários momentos de 2018 por motivos variados, a maioria deles estava dentro do tópico de política. Isso me leva a um segundo evento que marcou 2018: a Copa do Mundo da FIFA.

Pela imagem dali de cima já deu pra ver que a nossa seleção terminou o torneio sem nem relar os dedos na taça, que foi pra casa junto com os franceses. Além disso os nossos amigos croatas que, apesar de perderem na final, conseguiram um resultado inédito e comemoraram como se fosse o título de campeão do mundo. Basta ver essa imagem  da presidente da Croácia feliz da vida entregando as medalhas pros jogadores debaixo de um toró pra ter uma ideia da alegria dos croatas.

E depois da Copa teve o quê? Eleição. E o povo tava como? Tava com o sangue nos olhos. Amizades foram desfeitas, relacionamentos acabaram, irmão se virou contra irmão, pai contra filho e nos grupos de família tinha tudo menos mensagem de bom dia. A porteira das fake news foi aberta e finalmente a internet, na verdade o Whatsapp, mostrou o seu poder de espalhar informação. E o Facebook? O Facebook virou uma terra de ninguém tão grande que nem a Mulher Maravilha topa entrar lá (fica aí a referência pra quem pegou).

Mas nem só de briga se fez a eleição desse ano. Junto com todas as coisas anteriormente listadas temos o cara que realmente surpreendeu durante o pleito eleitoral. Não sabe quem é?

Cabo Daciolo é um dos memes do ano, um dos melhores memes do ano. Com toda a sua narrativa sobre revelações divinas, perseguição dos Iluminati e comentários de um nível altíssimo de acidez, nosso compadre Daciolo conseguiu uma quantidade de votos que ninguém esperava que ele teria, superando grandes nomes da política nacional que tinham muito mais tempo de televisão e gastaram infinitamente mais grana.

Falando em votação, não podemos esquecer do cara que venceu o pleito eleitoral. Bolsonaro, o cara mais controverso já eleito desde a redemocratização desta terra verde e amarela. Digo controverso por causa de todo o barulho que ele gerou, contra e a favor dele, sem nem começar a governar nada. Mas não é hoje que a gente vai falar dele por aqui, na verdade nem sei se um dia a gente vai. Já falaram tanto dele em 2018 que eu não só não tenho muito o que dizer como também tô meio farto desse assunto.

Em 2018 também rolou o incêndio do Museu Nacional que, não só escancarou o descaso com que os nossos museus, e por que não dizer nossa História, são tratados, mas também gerou aquele prejuízo sem tamanho pro patrimônio histórico da humanidade. Também não podemos esquecer daquele que deve ser o último casamento real pelas próximas décadas. O principe Harry seguiu o exemplo do pai e do irmão e casou com uma plebeia. Obviamente a plebeia da vez, a atriz Meghan Markle, não é nenhuma pobre lascada e tem tudo pra virar uma versão mais bronzeada de Lady Di.

Como em todos os anos, muitos nomes de peso deixaram o mundo nos últimos doze meses. Na TV tivemos a partida de dois ícones do entretenimento infantil: Simon Shelton Barnes, o Tinky Winky dos Teletubbies, e Stefán Karl Stefánsson, o  vilão Robbie Rotten de Lazy Town. Além deles tivemos o falecimento de Gil Gomes, Graça Araújo, um dos principais nomes do jornalismo pernambucano, e de um dos caras mais criativos que já trabalhou na produção de um desenho animado, Stephen Hillenburg, o criador de Bob Esponja. Por aqui também nos despedimos do cara que provavelmente mais fez o papel de Jesus no mundo, José Pimentel. No mundo da música perdemos Aretha Franklin, Carlos Eduardo Miranda, um dos maiores produtores musicais e um dos jurados mais icônicos da televisão brasileira, Joe Jackson, pai de Michael Jackson e uma das figuras mais controversas da história da música americana, e por último, mas não menos importante, temos Mr. Catra.

A galera que gosta de quadrinhos lamentou a partida da dupla que criou o amigão da vizinhança. Steve Ditko e Stan Lee, apesar de há muito separados, partiram no mesmo ano para a eternidade. Os dois juntos criaram um dos super-heróis mais queridos do público, o Homem-Aranha e Stan Lee junto com vários outros artistas criou o resto do universo Marvel e de quebra deu aquela revolucionada no mercado de quadrinhos americano. De uns tempos pra cá ele só vinha revolucionando o mundo das participações especiais em filmes com personagens Marvel

Em 2018 também demos adeus a Stephen Hawking, um dos poucos físicos famosos que também era famoso fora do meio da física. Billy Graham, um dos maiores nomes do protestantismo norte americano e ex-conselheiro de um monte de presidente dos Estados Unidos. Fechando a lista temos a vereadora Marielle Franco.

Esse ano que passou foi um ano meio esquisito. Não consigo dizer que de fato foi um ano ruim, já que dentre as desgraças que saltam aos nossos olhos sempre estão as pequenas alegrias, os momentos preciosos e as conquistas que só tem valor pra quem foi lá e fez. Os sorrisos entre lágrimas, o mal previsível e o bem inesperado ou só a satisfação de ver o tempo passar por nós sem nada nos fazer.

Não dá pra saber o que 2019 vai ser, mas dá pra começar a imaginar… E pra compor a trilha sonora desse momento de reflexão eu deixo vocês com o hit supremo do ano de 2018.

Feliz ano novo e até 2019.

 

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