Cachorros de Bikini

Não é um blog sobre cachorros e bikinis

Categoria: Crônicas e Similares (Page 1 of 19)

“Hoje Tem Jogo do Brasil”

“Hoje tem jogo do Brasil”. Essa é uma frase que circula pela boca de vários seres humanos ao longo do ano, mas de quatro em quatro ela atinge o ápice do seu poder. Porque só durante a Copa do Mundo o jogo da seleção brasileira consegue ser alguma coisa.

Boa parte do Brasil tem uma relação de amor e ódio com a Seleção Brasileira de Futebol. Seja por ter testemunhado na infância a conquista de algum título importante, seja por ser realmente apaixonado por futebol ou simplesmente torcer pelo Brasil em qualquer coisa que tenha um brasileiro, o motivo do amor é tão variado quanto os motivos do ódio. Já que normalmente os dois sentimentos não só se alternam, mas também acabam coexistindo. Afinal, o que é torcer senão experimentar os maiores extremos do espectro emocional humano?

Nem preciso dizer que pra quem torce a Copa é uma espécie de carnaval. E olha que eu nem tô falando dos que viajam pra ver a Copa in loco. Tal qual o folião antes do reinado de Momo, o torcedor inicia uma preparação quase ritualística que vai desde acompanhar o sorteio dos grupos, passando por completar o álbum de figurinhas, por comprar uma TV nova, até adquirir a superfaturada camisa da Seleção, muitos ainda tão usando a mesma de 2006 já que não houve atualização no número de estrelas desde então. Eis que a Copa começa, o Brasil só joga sei lá quando, mas o torcedor já está de olho nos possíveis adversários das próximas fases e torcendo pelo tropeço daqueles que foram carrascos do Brazéu em Copas passadas. Fora que três jogos por dia durante algumas semanas é o sonho de todo fã de futebol.

Eis que chega o dia do jogo do Brasil. Não se fala de outra coisa. Só se fala da logística pré-jogo: vai ter folga? Vai rolar só uma parada e depois todo mundo volta? Vai fechar ou não? Tem coisa pra comprar antes do jogo? Vai ver o jogo na casa de quem?

Boa parte dessas perguntas não vai ter resposta, a única certeza é que na hora do jogo (quase) tudo vai parar. O próprio Planeta Terra pararia se não fosse plano se tivesse um BR lá girando a manivela da rotação/translação. Afinal o Brasil está jogando e mais do que decidir o título mundial, ele está decidindo a existência da próxima folga.


A Copa do Mundo consegue unir duas das coisas preferidas dos brasileiros: folga e ganhar dos outros países. Se a folga acontecer pra assistir o Brasil ganhar dos outros países melhor ainda. E quanto mais a Seleção ganha, mais folga tem pra poder ver a Seleção ganhar mais e se ganhar tudo pode ser que role um feriado maroto que nem lá em 2002.

É claro que existe uma parcela da população que não tá nem aí (e nem tá chegando) pra Copa, pro jogo, pra Seleção ou pra qualquer um dos seus jogadores. Eu sou um dos que prefere mil vezes assistir o filme do Pelé, mas enquanto eu não for o último ser humano na face da Terra o jogo do Brasil vai mexer com a minha vida. Seja pelo barulho dos vizinhos, seja pelo assunto dominar todas as conversas ou pelo fato de ter gente com quem eu me importo que se importa de ver o jogo. Mas principalmente por causa do nosso querido Canarinho Pistola.

Melhor mascote de todos os tempos.

 

Star Wars Episódio VIII: Jedi Não Tem Plural

Fim do ano tá aí e com ele mais um filme da mais querida franquia do cinema. Sim, cara criança leitora, estou falando de mais um Star Wars. Dessa vez temos o oitavo episódio da série principal de filmes que atende pelo sugestivo título de Os Últimos Jedi. Nem preciso dizer que uma infinidade de fãs ansiosos rumaram, e ainda estão rumando, pros cinemas sedentos pelo mais novo capítulo da história de Rey, Finn, Poe e aquela galerinha do barulho que apronta altas confusões pra livrar a galáxia muito muito distante das garras nefastas da Primeira Ordem. O engraçado foi o tamanho do barulho que esse filme conseguiu criar.

Se você ainda não viu, não se preocupe que não vai ter spoiler, se você já viu, é bem possível que você concorde com boa parte do que eu vou falar aqui. Preparados? Então se segure porque vamos saltar direto no meio dessa confusão toda.


Os Últimos Jedi literalmente rachou a base de fãs de Star Wars no meio. Tudo bem que o mundo anda bem polarizado ultimamente, mas dessa vez a galera conseguiu se superar. Até petição online pra que esse filme fosse eliminado da cronologia canônica fizeram. Mas por que será que isso aconteceu? Será que foi culpa do diretor? Será que isso foi culpa do público? Será que foi culpa do governo golpista, já que antes não tinha fã de Star Wars dividido? Será que foi culpa dos porgs?

Os Últimos Jedi é principalmente sobre aprendizado e descoberta. Inclusive essa é a motivação principal de Rey ao buscar Luke Skywalker, ela quer e precisa de um mestre, alguém que mostre como ela deve usar os seus poderes recém descobertos. Nem todos os personagens têm essa mesma motivação, mas o resultado acaba sendo parecido para todos. Mas esse aprendizado não vem de graça. Os Últimos Jedi também é sobre fracasso, tentativa e erro, aprendizado através da falha, e eles se mostram professores melhores do que qualquer Jedi ou Sith jamais foi. Se no Episódio VII os nossos protagonistas nos mostraram quem eles eram, no Episódio VIII eles descobriram o que precisam se tornar e de quebra ainda trilharam boa parte do caminho que os levará até lá. E talvez seja essa uma parte boa do problema.

Uma das coisas que esse filme faz muito é quebrar as expectativas do espectador. Você ainda não viu o filme? É bem provável que boa parte do que você está esperando não aconteça. Se você já viu o filme, é bem provável que tenha tido sua expectativa quebrada umas duas ou três vezes pelo menos. E o principal de tudo é que, depois de tudo que rolou, não dá pra ter a menor ideia do que vai rolar no Episódio IX. E eu nem falo isso por causa da forma como o filme termina, falo isso por causa da forma em que tudo que parecia ter sido “prometido” em O Despertar da Força foi deixado de lado e no lugar disso veio um monte de coisa que muita gente não esperava. E particularmente eu acho isso tudo uma maravilha.

Tendo esclarecido os possíveis motivos de tanta treta entre os fãs, chegou o momento de deixar a racionalidade de lado e falar de forma mais passional. A partir de agora vou deixar de lado as análises e deixar o coração de fã bater no teclado.

É impossível pra mim pensar no Episódio VIII sem me empolgar. O visual do filme é inacreditável, a guerra nas estrelas nunca foi tão linda e Poe Dameron pilotando seu X-Wing só não é a poesia mais bonita escrita no ano de 2017 por causa de uma cena ne destruição em preto e branco que fez o cinema inteiro prender a respiração. Luke, em sua versão velha e acabada, não atendeu boa parte das minhas expectativas, mas não me decepcionou em nada. E os personagens novos? Almirante Holdo entrou com tudo na lista dos comandantes rebeldes mais memoráveis e DJ faz jus a toda tradição de trapaceiros da saga e rouba a cena em todos os momentos que aparece, mas nenhum deles conseguiu arrebatar meu coração como Rose fez. Saí do cinema desejando que Rose estivesse no Rogue One, e no Episódio IV e no Episódio V e no VI ou em qualquer outro.


Só que nada disso foi o melhor do filme. Mais do que qualquer mocinho ou bandido, qualquer Jedi velho ou fora da lei carismático. Dá pra discordar sobre tudo, menos que esse filme foi a melhor participação dela.


Leia, antes princesa e agora general, nos fez sentir ainda mais pela partida precoce de Carrie Fisher, exatamente um ano atrás. Ela não é só uma figura inspiradora, uma verdadeira líder para todos que estão ao seu redor. A última princesa de Alderaan é a legítima herdeira da Aliança Rebelde. Como líder da Resistência ela trata de ensinar pros seus companheiros mais novos como o coração de um verdadeiro rebelde deve ser. Lembrar a todos que rebeliões são construídas com base na esperança. A parte ruim de tudo isso é que não veremos essa líder tão excepcional na conclusão dessa trilogia. Uma despedida digna da grandeza dessa personagem.

O Episódio VIII veio e logo vai passar, deixando apenas a curiosidade de saber como vai ser o final dessa história, mas isso só vai rolar no longínquo futuro de 2019. Enquanto o futuro não chega o assunto de Star Wars fica por aqui. Até a próxima e que a Força esteja com você… Sempre.

2017, 75 Anos e 285 Textos

Dezembro. Ano terminando, a internet já tá cheia de gente falando de uva passa e a voz de Simone já pode ser ouvida nos mais diversos estabelecimentos do Brasil. Juntamente com o final de ano temos algumas pautas prontas alguns posts tradicionais deste querido blog. Provavelmente o mais legal deles seja o post que comemora os 75 anos de coisas diversas. Normalmente ele sai em um post com a numeração terminada em 5, mas como o 283 foi uma homenagem motivada por uma fatalidade, eu vou dar uma roubada e dizer que esse aqui é o post 285 que vale.

Começando, como sempre, com a ala musical da coisa temos os 75 anos de algumas moças já falecidas, Nara Leão, a musa da Bossa Nova, Celly Campello, a moça que tomava banho de lua e pedia pro Cupido deixar ela em paz, Clara Nunes, a primeira cantora a ter um disco com mais de 100 mil cópias vendidas. Passando pra ala masculina dos defuntos temos Ronnie James Dio, o cara que cantava Holy Diver, e o cara que minha mãe parafraseia pra me lembrar de acender os faróis na estrada, Tim Maia. Ainda nessa ala falecida temos duas vítimas da maldição dos 27 anos, Brian Jones, membro fundador dos Rolling Stones, e um dos guitarristas mais importantes de todos os tempos, Jimi Hendrix. Passando rapidamente pra parte da galera viva pra fechar logo esse tópico temos Paulinho da Viola, Milton Nascimento, Caetano, o Veloso, e seu brother Gilberto Gil. Juntamente com eles temos o possívelmente falecido Beatle Paul McCartney e Jorge Ben Jor.

Na parte de cinema abrimos os trabalhos com os 75 anos de Bambi. Sim, você não leu errado, faz 75 que a mãe do Bambi morreu. Também temos Casablanca, um clássico do cinema que provavelmente é a única coisa além de Bambi que eu reconheço da lista da Wikipédia. Na lista de personalidades do cinema que estão completando 75 anos temos Martin Scorsese e Harrison Ford, conhecido principalmente como Han Solo ou Indiana Jones.

Na última das categorias tradicionais temos os personagens de histórias em quadrinhos. Esse ano não tem muita gente, mas tem umas coisas interessantes. O primeiro da lista é mais um vilão do Batema, o Duas-Caras, que ficou bem famoso por causa do filme lá que tinha o Coringa Heath Ledger. Juntamente com ele temos Zé Carioca nos quadrinhos da Disney e a primeira edição do título solo da Mulher Maravilha, que trouxe uma série de personagens que apareceram no filme dela e que estão completando 75 anos em 2017, tais como Doutora Veneno e Etta Candy.

Mais um post de 75 anos se foi. Ele é só mais um lembrete de como 2017 tá perto do fim. Enquanto contamos regressivamente e riscamos compulsivamente os dias do calendário, lembramos desse ano e de tudo que esperamos dele. Confesso que esperava bem menos do que recebi e bem mais do que eu ofereci, mas isso é coisa pra outro dia.

Meio Cagada Essa Liga Aí

Quando os filmes baseados em quadrinhos de super-herói deixaram de ser um projeto de risco e Hollywood percebeu que as capas e as máscaras eram quase garantia de uma bilheteria boa, lá na metade pro fim da primeira década dos anos 2000, um questionamento foi levantado por muitos fãs de quadrinhos: “e o filme da Liga da Justiça?”. A Marvel começou a montar o que culminaria o primeiro filme dos Vingadores e a continuaram perguntando “e o filme da Liga da Justiça?”. Saiu Homem de Aço, o último filme solo do Superman, e mais gente começou a perguntar “cadê o filme da Liga?”. Eis que anunciam o infame Batman vs. Superman como o filme que serviria como um prelúdio pro filme da Liga e não muito tempo depois anunciaram 2017 como o ano em que finalmente veríamos a maior equipe de heróis de todos os tempos na tela grande. Aí veio BvS e todo mundo ficou com um pé atrás, pensaram que tava tudo perdido e que o filme da Liga ia ser um belo pedaço de bolo fecal. Foi aí que veio o filme dela.

O filme da Mulher Maravilha, apesar de não ser a oitava maravilha (trocadilho não intencional) do mundo, deu esperança de pelo menos ver um clima mais parecido com das histórias em quadrinhos do que os filmes que vieram antes. Só que nem tudo na vida são flores e a parada começou a desandar.

Não é de hoje que a Warner Bros. faz o favor de dificultar a vida de quem trabalha com os filmes da DC. Rolou isso em BvS, rolou isso naquela beleza que é o Esquadrão Suicida. Só que dessa vez a coisa foi pior. Por causa de uma tragédia familiar, o visionário diretor Zack Snyder acabou pulando fora da produção e foi substituído por Joss Whedon, também conhecido como o diretor de Vingadores 1 e 2. Se você estava entre as pessoas que pensaram que isso resultaria numa coisa boa, é bem provável que agora você já tenha reconhecido que se enganou.

Liga da Justiça tem uma série de problemas, mas de longe os maiores problemas do filme são por causa de coisas que rolaram fora do filme. Troca de diretor, refilmagem, Super Homem com bigode apagado digitalmente e pra completar ainda reduziram em pelo menos meia hora o tempo do longa, o resultado disso foi um número meio absurdo de cenas que apareceram no trailer e morreram na mesa do editor. O desenvolvimento dos personagens e até o ritmo da história sofreram muito com a redução na duração, sem contar que tem algumas coisas que ficaram meio estranhas de um jeito que eu não sei bem explicar, muito provavelmente por causa da troca do diretor e uma mistureba do que foi filmado antes e depois. A história do filme não é lá essas coisas, como na maioria dos filmes de herói, mas ela seria bem mais legal se o vilão não fosse meio cagado.

Liga da Justiça não só introduziu o Flash, o Ciborgue e o Aquaman no atual  universo cinematográfico da DC, também introduziu os Novos Deuses através da participação do Lobo das Estepes e sua legião de parademônios que queriam destruir a Terra em nome de Darkseid. Infelizmente a motivação do nosso amigo precisa ser deduzida com base em algumas dicas que o filme dá e acaba que a situação lá do cataclisma que o Lobo das Estepes provoca oferece bem mais risco do que ele mesmo.

A caracterização dos personagens foi bem menos problemática do que nos outros filmes. Apesar de não gostar muito do Batema piadista, achar que eles deviam ter puxado mais coisa da Mulher Maravilha de Patty Jenkins pra Mulher Maravilha da Liga e estranhar um pouco o Flash. Temos um Superman sorrindo no meio da porradaria, um Aquaman menos problemático do que eu imaginava e um Ciborgue que só não foi melhor por falta de tempo de tela.

Infelizmente o filme da Liga da Justiça não foi essa Coca-Cola toda. Sem Lanterna Verde e sem Caçador de Marte, essa equipe tá um pouco longe dos meus sonhos pra Liga no cinema, mas acho que podia ter sido bem pior. O futuro da Liga no Cinema me parece promissor o suficiente pra olhar pra frente um pouco mais esperançoso. Acho que na próxima eles conseguem.

Adeus, Aila

Em agosto de 2015 foi publicado aqui um texto que contava sobre uma conversa que tive com uma amiga minha. Nessa conversa a minha amiga falou sobre uma amiga dela, por um acaso era o mesmo nome de uma personagem de um jogo bem famoso. Apresentei a personagem pra minha amiga, ela gostou e disse que faria o favor de apresenta-la à sua xará. Foi a primeira vez que eu ouvi falar de Aila.

Infelizmente nunca tive o prazer de ser apresentado a Aila, mas de certa forma ela se tornou uma espécie de amiga do Cachorros de Bikini. Não sei o quanto ela acompanhou das publicações, mas uma ou outra curtida apareceram ao longo desses mais de dois anos. Infelizmente hoje, exatamente quando o relógio marcava 01:16 eu recebi a mensagem que me fez sair do jejum de publicações e publicar numa segunda-feira algo que não é um conto. A mensagem foi enviada pela mesma amiga que apresentou Aila ao Cachorros de Bikini. Apenas duas palavras que me acertaram com força:

“Aila morreu”.

E o mínimo que devemos a ela é uma justa homenagem.

“Luminosos seres somos nós, não essa rude matéria”, disse uma vez um personagem verde em um filme famosos. Eu posso dizer sem medo de errar que poucos seres tão luminosos quanto Aila enfrentaram uma matéria tão rude. Ela foi traída, ferida e desafiada pelo próprio corpo ao longo de anos. Caiu em armadilhas armadas pela própria carne e dormiu com o inimigo por noites incontáveis. Lutou com mais força e fé do que um exército de fanáticos, enfrentou monstros piores do que qualquer herói mitológico e tempestades mais fortes do que qualquer ilha tropical. Pessoas tidas como melhores teriam desistido bem antes… Eu com certeza teria desistido bem antes… Talvez você tivesse desistido bem antes, mas Aila não fez isso, lutou até o final. Creio que mesmo no final seu espírito ainda estava forte, mas a rude matéria não foi tão forte assim.

“Luminosos seres somos nós, mas apenas recipientes temporários nossos corpos são”, disse em outra ocasião o mesmo personagem verde. Temporário. Não fomos feitos para permanecer, nosso breve tempo neste mundo já está contado e não sabemos bem quanto nos falta. O tempo restante de Aila foi contado várias vezes e em praticamente todas elas as contas estavam erradas. Não sei se passar por uma luta tão longa foi o melhor, mas esse é o pensamento de alguém bem menos determinado e muito menos corajoso. Não conheci a força de Aila, assim como nunca ouvi a forma como ela falaria meu nome ou se de fato nos daríamos bem se houvesse a oportunidade de convivermos. Não estive com ela nas horas ruins e em nenhuma das boas, não tenho nada na memória além do nome e dos relatos resumidos que chegaram até mim falando de sua luta e de sua dor. Mas há outros que não só se lembram, mas que nunca esquecerão.

Meu coração e meus sentimentos estão com aqueles que se lembrarão de Aila e que lembrarão deste dia. Creio que com o fim da longa batalha ela pôde finalmente descansar. Creio que ela está em um lugar onde toda a força que ela teve não será mais necessária. Creio que finalmente ela não precisará mais lutar. Infelizmente nunca pude dar um “oi”, só me resta dar “adeus”.

Adeus, Aila.

É, Parece que Deu Merda

Essa semana eu estava parado no sinal quando recebi um jornal distribuído gratuitamente aos motoristas. Passei rapidamente a vista nos destaques da capa e me deparei com a seguinte manchete:

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Imediatamente eu pensei:

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Normalmente eu não comento de política por aqui e muito menos sobre coisas tão sérias quanto, mas dessa vez não vai ter como.

Henrique Meirelles é o atual Ministro da Fazenda. Ele já foi presidente do Banco Central e tem um currículo impressionante. Ao contrário de muita gente que entra pra ser ministro de qualquer coisa no Brasil, esse cara é um dos poucos que parece saber o que está fazendo. Se você não concorda muito com as decisões do cara, vai concordar comigo que o cara tem, pelo menos, um currículo compatível com o cargo que ele exerce.

Um belo dia esse cara manda um vídeo pra galera da Assembléia de Deus pedindo orações pela economia. Do nada pouco que eu pesquisei, Henrique Meirelles não é um membro da Assembléia. Apesar de ter uma boa relação com a instituição, nas matérias que eu li a religião dele não é citada em momento algum. Aí o cara aparece abertamente pedindo orações pela economia. Ele não comentou com a tia dele que vai pro círculo de oração que ela colocasse o Brasil na lista de pedidos de oração. Ele não pediu isso pelo Whatsapp pro pastor que é brother dele. Ele mandou um vídeo convocando milhares, talvez milhões de pessoas, para uma campanha de oração em prol da economia do Brasil que vai durar o mês de outubro inteiro. Eu sou um cara religioso, cristão protestante, evangélico, crente ou, como diriam alguns, idiota bitolado. Eu acredito no poder da oração e que a fé é uma coisa muito poderosa, mas também sei que quem não é religioso acaba encarando isso como um último recurso. Deus é o último recurso de muita gente, inclusive de alguns religiosos, e quando você vê um cara do quilate do Ministro da Fazenda apelando pra intervenção divina não tem como pensar outra coisa. Se apelou é porque deu merda pra valer.

Merda acontece. Essa é, provavelmente, uma das poucas verdades aceitas por todas as pessoas. Acontece, sempre aconteceu e continuará acontecendo. Cabe ressaltar que é bem provável que a humanidade seja extinta depois da maior merda de todos os tempos. Normalmente é por causa dela que a fé das pessoas costuma aparecer, é por causa dela que as pessoas prometem coisas que não podem cumprir e é por causa dela que algumas das mudanças mais importantes acontecem na nossa vida. Então lembre-se, criança leitora, se aquele seu amigo que não sabe nem com quantas letras se escreve Deus começou a apelar por intervenção divina, saiba que deu merda pra valer.   

Maiara e Maraisa de Bikini

Mais ou menos um ano e meio atrás eu publiquei neste mesmo blog um post sobre como um monte de gente chegava, e ainda chega, no Cachorros procurando por Maísa de biquíni, e todas as variações possíveis disso, no Google. Tirando uma ou outra busca mais ou menos exótica, pensava eu que a única busca por celebridades em trajes de banho que acabaria nestas páginas azuladas seria essa. Mais uma vez comprovei que eu não sei nada sobre nada. Claro que eu ainda quero falar um pouco mais de Maísa de biquine, mas não hoje.

Esses dias estava passeando pela área de administração do Cachorros de Bikini quando vi duas coisas bem curiosas. A primeira é que alguém chegou por aqui procurando por fotos pornográficas, não sei como, mas chegou. A segunda é que algum ser humano conseguiu encontrar este humilde blog procurando no Google pelo seguinte assunto:

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Imediatamente a minha reação foi:

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Entendo a curiosidade que alguns têm em ver algum artista em roupas, digamos, mais leves. Principalmente quando esse artista em questão não é uma adolescente que nem nossa amiga Maísa. Depois que a cabeça voltou pro raciocínio regular comecei a pensar no quanto a pessoa teve que se esforçar pra chegar aqui procurando por “maiara & maraisa en bikini”. Aí fui ver o quanto de trabalho uma pessoa precisa ter pra chegar no Cachorros de Bikini com essa mesma busca. Você deve imaginar o tamanho da surpresa quando eu vi isso aqui:

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Não sei o quanto o Google otimiza minhas buscas, mas lá estamos nós na SEGUNDA página de pesquisa. Testei fazer o mesmo com a navegação no privado e o resultado não foi muito diferente. Por fim chego à duas possíveis conclusões: ou não existe em lugar algum da internet alguma página que coloque no mesmo lugar as palavras “maiara”, “maraisa” e “bikini”, ou a gama de assuntos por aqui tá tão variada que daqui a pouco qualquer busca que tenha “bikini” no meio vai acabar aqui.

Para aqueles que vão chegar aqui por causa do biquíni de Maiara e Maraisa vai o meu muito obrigado. Para aqueles que ainda vão chegar procurando alguma outra fulana em trajes menores eu digo, sejam bem vindos… E para aqueles que querem saber mais sobre Maísa de biquíni eu digo que esperem até a semana que vem.

 

A Soneca do Despertador

Eu nunca fui uma pessoa de dormir demais. Tirando casos em que o cansaço atinge níveis muito elevados ou onde as horas de sono são muito reduzidas, perder a hora é algo que muito dificilmente acontece comigo. Justamente por isso eu tenho uma grande dificuldade de entender aquelas pessoas que sempre perdem a hora, que tem uma dificuldade extrema pra acordar ou que saem de casa, mas só se consideram acordados horas depois. Se você se encaixa em algumas dessas categorias, esse texto foi feito pra você.

Desde tempos antigos o ser humano se utiliza de sinais para despertar. Os raios do sol ou o canto do galo servem de alarme faz algumas centenas ou milhares de anos. Com o avanço da tecnologia o homem resolveu usar o relógio como base para os aparelhos despertadores e quando os celulares se tornaram mais populares o despertador se tornou ainda mais utilizado. Só que, pra variar, o ser humano sempre desvirtua as invenções e as utiliza para o mal e com os alarmes dos celulares não seria diferente. Imagine que os relógios despertadores só conseguem despertar em um horário, já que armazenam um horário de alarme por vez, mas os celulares não possuem essa limitação. Armazenar um, dois, três ou cinco alarmes não é problema até para os mais simples dos aparelhos. E foi aí que começou a loucura.

Colocar o celular pra te acordar de manhã é algo que todo mundo faz, seja com toques calmos ou com uma sirene que anuncia o apocalipse, é raro encontrar uma pessoa, por menos dorminhoca que seja, que não se utilize desse recurso tão prático. Com mais gente usando o despertador se tornaram mais e mais comuns os casos de gente passando direto por cima do alarme e acordando bem depois do pobre celular ter desistido de tocar. É aí que a engenhosidade humana entra. Já que não existe limite de armazenamento de alarmes, por que não colocar alguns vários alarmes em sequência?

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Já vi gente que coloca dois, três e até mais alarmes com intervalos variados entre si. Muitos deles servem só pra lembrar quanto tempo faz que o preguiçoso tá enrolando pra levantar da cama, mas outros são verdadeiros procedimentos de segurança, pra garantir que aquele ser humano acorde dentro do limite de tolerância do horário. Só que algumas dessas pessoas possuem capacidades sonâmbulas de manipular os objetos e aí entra a função mais controversa dos despertadores: a soneca.

Só dá pra fazer duas coisas quando o celular alarma, desligar o alarme ou ativar a função “soneca”, que faz o alarme ser repetido depois de alguns minutos. Quando a pessoa escuta o alarme, mas não acorda, a coisa mais fácil de acontecer é que ela desligue o alarme e volte a dormir. Até um tempo desses isso me parecia meio absurdo, até ouvir alguns relatos de pessoas que “desligaram o alarme dormindo”. Quando a pessoa escuta o alarme e acorda, é provável que a função soneca seja ativada e a hora de acordar seja adiada em alguns minutos.

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Se você faz esse tipo de coisa e de fato cochila junto com seu celular, é melhor parar de fazer isso.

Segundo essa matéria AQUI, acordar e dormir repetidas vezes em pouco tempo é o mesmo que bater o cérebro num liquidificador. O resultado disso é taquicardia, perdas de memória, confusão mental, dores e, veja só, irritabilidade. Isso quer dizer que usar a soneca do celular pode deixar você chato, dolorido, meio senil e ainda com o coração disparado. É uma maravilha, não é mesmo?

Por isso, criança leitora, ouça os alarmes, acorde de primeira e evite todos os efeitos malditos da preguiça. Melhor acordar assustado com o primeiro alarme do que acordar sem saber que lugar é aquele depois da terceira ou quarta soneca.

Não Vejo Esses Filmes de Capeta

    Na semana passada estreou nos cinemas brasileiros a aguardada sequência daquele filme com a boneca do capiroto. Estou falando de Anabelle 2, que na verdade se passa antes do primeiro filme que também vem antes do filme onde Anabelle, a boneca dos infernos, parece primeiro… É, também achei confuso, mas em vez de falar do filme, vou aproveitar pra falar sobre a minha relação com aqueles filmes que eu classifico como “filmes de capeta”.

    Quando eu era pequeno meu pai sempre contava uma história sobre um tio dele gostava muito de filmes de terror e de como isso acabou atraindo umas paradas muito estranhas que aconteceram na casa dele. Por essa razão eu cresci em um ambiente que desestimulava qualquer contato com filmes que tivessem as temáticas mais recorrentes nas obras de terror. Somado a isso, temos o fato de eu ser cagão desde criança, o que contribuiu ainda mais pra me afastar dessas coisas de terror. Mas eis que em um belo dia tudo mudou e, no período de um ano, eu assisti mais filmes de terror do que em todo o resto da minha vida. O que aconteceu pra mudar tudo? Simples, eu comecei a namorar.

    “Eita, Filipe, o que tem isso a ver com filmes de capeta?”. A resposta é bem simples, a moça com quem eu namorava na época era uma amante de toda espécie de filme de capeta e em vários momentos acabei usando esses filmes malditos pra conseguir assistir os filmes que eu queria acompanhado da minha lady da época. Inclusive foi nessa época que eu fui assistir o primeiro filme solo da boneca maldita capetosa dos infernos.

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    A primeira coisa que eu descobri foi: quanto menos acostumado em assistir filmes de terror, pior vai ser pra você. As pessoas que gostam muito de filme de terror normalmente conseguem passar bem pelos sustos e não tem tanto medo quanto uma pessoa que nunca vê essas paradas. Levar susto, dar grito no meio do cinema e assistir minutos inteiros do filme sem olhar pra tela foram coisas que eu fiz quando fui assistir esse filme desgraçado da boneca, justamente por não ser resistente à todas essas estratégias que os diretores usam pra te fazer saltar da cadeira e sujar as calças. A segunda coisa que eu descobri foi que, em sua grande maioria, esses filmes de terror são filmes bem ruins.

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    Tirando os capetas, os sustos e todas as famílias felizes que têm suas vidas desgraçadas ao longo da história, não sobra muita coisa. A explicação mirabolante que dão pra origem do bicho ou do fenômeno em questão costuma ser bem melhor que os diálogos e do que o enredo em si. Pelo menos os atores costumam estar bem comprometidos com a parada, ao contrário de outros filmes tão ruins quanto, os atores de filme de terror precisam ser competentes o suficiente pra passar todo o terror que a cena pede.

    “Ai, Filipe, tu fala isso porque tu tem medinho desses filmes”. Óbvio que eu tenho medo dessas películas malditas. Não gosto desse tipo de filme e nunca vou gostar, até porque o costume de ver acaba gerando os filtros que você precisa ter pra assistir essa parada e achar legal, se eu não vejo não tem como criar costume. Eu sou cagão, sou cagão mesmo e sou muito mais feliz não assistindo a essas coisas. Acho que o único filme de terror que eu gosto é Alien – O Oitavo Passageiro, que é bem mais de boa do que todos esses negócios de capeta que passam por aí. Talvez até tivesse mais alguma coisa pra falar, mas não consigo pensar em terminar de escrever esse negócio pra apagar o gif da boneca que eu baixei pra inserir no post. Até a próxima.

Eu, Você e Esse Trânsito Maldito

    Esta semana não foi raro parar para avaliar minha vida no caminho para o trabalho ou para casa. Na verdade eu estava analisando minha vida em dois momentos específicos. Digo isso pelo simples fato de ter passado essa semana por dois dos maiores engarrafamentos que eu já encarei nos meus quase três anos como motorista.

    Se existir uma lista dos maiores vilões para os seres que habitam ou circulam diariamente pelas cidades grandes, é bem provável que o trânsito esteja no topo da lista para a maioria das pessoas. Se quando você é criança os monstros que aparecem quando a luz apaga, o velho do saco, o bicho papão ou aquela velha estranha que vive na sua rua são as coisas que mais te metem medo, quando você é adulto essa função de encher o seu coração de pavor pode muito bem ser ocupada pelo trânsito. A diferença é que, ao contrário dos monstros que teoricamente vinham pra te pegar, é você que vai pegar o trânsito.

    Não sei você, mas quando eu falo ou penso em alguma frase que tem a expressão “pegar trânsito”, a minha alma se enche de medo ou de tristeza. Quando a frase envolve alguma forma de pensamento preventivo, o medo toma conta, afinal a incerteza faz isso com a gente. Quando o trânsito ruim se torna uma certeza, ou uma sentença, o mundo perde a cor e todas aquelas músicas de bad que você já ouviu na vida começam a fazer muito sentido. Mas nada é maior do que a aleatoriedade do trânsito.

    Basta você fazer o seu caminho de casa para o trabalho/escola/curso/faculdade de segunda à sexta pra memorizar quais os pontos de engarrafamento, mas também é bem possível que você tenha experimentado passar por alguns pontos onde tanto faz o trânsito estar uma beleza como estar uma desgraça. Imagine que toda vez que você sai de casa você joga um dado e torce pra tirar um número alto o suficiente pra te livrar do trânsito.

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Mas tudo que foi comentado até agora acontece antes ou depois do engarrafamento, justamente onde a desgraça verdadeira do trânsito habita. O engarrafamento é o ponto máximo do trânsito, pode ser só uma lentidão momentânea, uma lentidão sem fim ou você pode simplesmente ver a mudança na cor dos sinais algumas várias vezes antes de ter a oportunidade de andar um palmo que seja. Buzinas motivadas pela revolta e/ou pela falta de educação aparecem aqui e ali, um ou outro carro acaba cheirando a bunda de outro que freou muito repentinamente e sempre vai aparecer uma ambulância ou viatura da polícia pra testar a capacidade dos motoristas de livrar espaço na via. Claro que também temos os motoqueiros que fazem questão de tirar aquele fino no seu retrovisor e de desafiar as leis da física e a anatomia de suas motocicletas. Mas nenhuma dessas coisas mede tão bem o tamanho da desgraça quanto o volume do comércio no engarrafamento.

Água e pipoca no sinal é (pelo menos na região metropolitana do Hellcife) o que mais tem, frutas você encontra em alguns pontos da cidade e as flanelas são bem comuns, mas de acordo com o nível de paralisia da via as coisas mudam um pouco. A primeira coisa que muda é a distância do vendedor pro sinal/semáforo/farol. Quando você vê aquele vendedor de pipoca de sempre uns trezentos metros antes de onde ele normalmente fica pode apostar sem medo que o trânsito tá uma derrota. Outro indicativo é o aparecimento de coisas que não são vendidas normalmente, como por exemplo um restaurante que fica em uma das avenidas com trânsito mais potencialmente cabuloso do Recife e que, nos dias de trânsito mais pesado, coloca os funcionários pra vender galeto no engarrafamento. Recentemente uma galera que vende bolo de rolo a cinco reais se instalou na mesma avenida onde a galera vende galeto. Em outro ponto da cidade, segundo relatos de um amigo meu, outro restaurante vende pizza, isso mesmo, pizza para aqueles enganchados no trânsito. Não duvido que logo estaremos no patamar angolano, onde eu vi gente vendendo até cachorro no meio do trânsito.

Trânsito é uma bosta. Um engarrafamento do bom, daquele que quase triplica o tempo do nosso trajeto, tem o poder de drenar todas as nossas alegrias e esgotar as nossas mentes. Para minimizar isso eu recomendo uma carona que não seja mimizenta, até porque nenhum motorista precisa de alguém pra aumentar o nível de derrota daquela situação, ou alguma coisa que ocupe o tempo gerando o mínimo de entretenimento. Um conhecido meu começou a ouvir audiolivros, eu costumo ouvir podcasts, outros se aproveitam do rádio ou da televisão de suas centrais de mídia. Eu não recomendo muito ouvir música porque é uma maneira simples de você marcar o tamanho da demora que aquilo tudo está te causando, além de achar que nunca é muito legal colocar trilha sonora na desgraça. Mas a maior recomendação que eu dou é uma coisa que eu tento fazer sempre e em algumas vezes eu tenho sucesso: tente não esquentar a cabeça com coisas que fogem do seu controle. Até semana que vem

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