Cachorros de Bikini

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18 a 25 Anos

“Estamos ficando velhos, Magneto”. Essa frase eu mandei pro meu irmão poucos minutos depois da meia-noite do dia 14 de Maio de 2016, também conhecido como último sábado, dia em que chegamos à marca histórica de vinte e seis anos de idade. “Eita, Filipe, grandes merdas completar vinte e seis, nem dá pra dizer que é marca histórica”, pode até ser, mas eu só vou completar vinte e seis uma vez na minha vida inteira, o que qualifica essa como uma marca histórica. Com a cabeça nesse número me dei conta que eu ia mudar de faixa etária.

“Jovens de 18 a 25 anos”. Normalmente é a faixa considerada pela pesquisa. Diante desse cenário atentei para o fato que as pesquisas não me consideram mais jovem. Partindo do pressuposto de que a divisão de faixa etária feita pelas pesquisas tem lógica e coerência, posso dizer que não sou mais considerado jovem. Se não sou mais considerado jovem, então de fato me tornei um adulto… Pausa ligeira pra assimilar minha repentina saída da juventude e avaliar minha nova condição de ex-jovem de pesquisa.

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Obrigado pela paciência, vou continuar.

Logo no primeiro mês do Cachorros de Bikini eu falei sobre os mandamentos de um adulto feliz. Escrevi esse texto já com meus vinte e cinco e com essa idade já tinha acostumado com a ideia de ter virado um adulto, mas até então nunca tinha chegado alguém e carimbado “ADULTO” na minha testa. Paro, penso e vejo que no final isso não mudou foi nada.

A partir de um certo ponto da minha vida eu parei de me incomodar com esse lance de idade. O mundo tenta enfiar na sua cabeça que envelhecer é um negócio instantâneo. Ouvir coisas como “tá se sentindo mais velho?” é muito comum quando se faz aniversário, normalmente minha resposta é “não”. Criou-se a ideia de que quando o relógio marca 00:00 no dia do seu aniversário você automaticamente envelhece um ano. Quando eu acordei no sábado só tinha envelhecido um dia, assim como em todos os dias anteriores. Nessa de envelhecer um dia de cada vez passaram os meses, os anos. Do primeiro dia dos dezoito até o último dos vinte e cinco foram 2921 dias. Dias que me envelheceram um pouco de cada vez, que suavemente me transformaram no adulto que sou hoje.

A idade pesa? Pesa. Olhar pra trás e ver quanto tempo passou sempre é um momento meio amargo. Saber que uma criança que nasceu no dia em que eu fiz dezoito já sabe ler, escrever e precisa das duas mãos pra contar a própria idade, assusta. Assusta saber que as amizades já duraram tanto e da idade que as boas lembranças têm. Mas só os números assustam, só me assusto quando conto, só me assusta quando eu olho pra trás e vejo o quanto caminhei. Então eu esqueço dos números, lembro olhando pra frente e se precisar olhar pra trás eu olho o retrovisor. Ficar mais velho é inevitável, mas se repararmos bem, o tanto de mudança que chega com a idade depende só de nós mesmos… Exceto a dor que dá nas costas por sentar em assento sem encosto.

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4 Comentários

  1. Rodrigo Cerveira Cittadino

    Genial! Me fez refletir. 🙂
    E, pois é, acho que tive minha primeira dor nas costas (daquelas que duram um minuto inteiro, sem motivo aparente) este ano. Só não sei se foi quando eu ainda tinha 25 anos ou depois de já ter feito 26, hauhauhahua!
    Ótimo texto (teve figuras, eu gostei :v)!

  2. Bernardete

    Já, parece que foi ontem, como o tempo passou rápido esses são comentários que pra mim não faz sentido, quando eu olho pra trás eu vejo o que , o como e o quanto vale o tempo e pra mim não passou logo não, e 26 anos demorou pra passar exatamente 26 anos a diferença está em que vivemos um dia de cada vez.

  3. Bernardete

    Esqueci de dizer que as figuras deixou o texto bem legal.

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