Cachorros de Bikini

Não é um blog sobre cachorros e bikinis

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Está Aberta a Temporada de Bombardeio

No início da semana a revista Entertainment Weekly fez um certo barulho na internet publicando uma série de imagens exclusivas do próximo Star Wars. Imediatamente eu senti um cheiro de 2015 no ar. Imediatamente eu soube que a temporada dos bombardeios estava aberta.

Em 2015 estava todo mundo comentando como os trailers de Star Wars Episódio VII não revelavam nada de concreto sobre o filme e de como todo mundo que faz trailer devia aprender com Star Wars. Não lembro exatamente quando começou, mas em algum ponto do ano o pessoal do marketing do filme começou a bombardear a internet com todo tipo de teaser, tv spot, featurette, trailer ou seja lá que nome você pode dar praquele tanto de coisa que foi disparado na cara do público. Isso sem contar os pôsteres, fotos e derivados. Apesar de simplesmente ignorar a imensa maioria do material de divulgação, eu me senti exatamente como esse Destroyer imperial na Batalha de Scarif.

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Foi então que eu me lembrei que não só de Star Wars viverá o nerd neste fim de 2017. Em outubro temos Blade Runner 2049, em novembro temos Thor: Ragnarok e Linga da Gutiça Liga da Justiça e só em dezembro chega o Star Wars Episódio VIII. Nada me tira da cabeça que a galera que trabalha no marketing desses filmes logo vai estar assim:

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E se os estúdios sonharem que o público não tá confiando muito na qualidade desses filmes, aí a coisa fica ainda mais louca. Até porque se as pessoas estão em dúvida sobre suas expectativas, nada mais justo do que abrir a estação e embarcar todo mundo no trem no hype.

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Caso você não esteja familiarizado com a expressão, deixe-me explicar. Muitas vezes as pessoas ficam muito ansiosas e empolgadas por causa de alguma coisa que está pra sair. Já no anuncio os fãs já começam a especular, depois saem as prévias, os teasers e os trailers. Fotos da produção, confirmações de elenco e mais e mais prévias. Toda essa expectativa, ansiedade e fantasia em cima da coisa que ainda não chegou recebe o nome de hype. Só que não é todo mundo que vai na onda, algumas pessoas são mais cautelosas e preferem manter um pé atrás. Por isso convencionou-se falar do hype como um trem, você embarca se quiser. Isso seria algo mais simples se não houvesse tanta safadeza por parte dos nossos brothers dos grandes estúdios.

Infelizmente a gente tá careca de saber que nossos amigos marqueteiros nem sempre tem um material legal na mão ou nem sempre sacam bem qual é a do filme e até mesmo acham que o filme não tem atrativos suficientes pra chamar o público. O resultado disso é que muitos filmes são vendidos errado, outros tantos perdem aquele momento impactante por causa das cenas que já saíram nos trailers e deixaram de ser surpresa e aqueles que tem TODAS as suas cenas boas mostradas antes pro público.

Seja você um passageiro do trem do hype, um daqueles que só vai ficar esperando na estação pelo próximo trem passar ou a pessoa que vai levar mais bomba que aquele pobre Star Destroyer o que interessa é que o fim do ano está chegando, os últimos blockbusters de 2017 já estão logo ali e a disputa será feroz. Se prepare que lá vem bomba.

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Faltam 351 Dias pra Agosto Acabar

Normalmente eu consigo me lembrar exatamente quando e como algumas ideias de tema pros posts daqui do Cachorros surgiram. Dessa vez eu não lembro, por isso a introdução desse tema vai parecer uma história contada por alguém que consumiu alguma substância estranha, mas é só falta de memória mesmo.

Outro dia estava em algum lugar da internet, não lembro exatamente, quando uma amiga minha, acho que sei qual amiga é, mas tô na dúvida se era ela mesmo, publicou uma imagem que eu acho que não era essa que eu vou colocar aqui embaixo, só que era muito parecida.

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Quase dois anos atrás eu fiz um post sobre o glorioso mês de Agosto, mas na ocasião eu estava tão preocupado em ostentar minha antipatia pelo mês oito que deixei um aspecto muito importante passar batido: Agosto tá na lista dos meses mais longos do ano. “Mas, Filipe, Agosto tem 31 dias, metade do calendário tem 31 dias”. Exato, querido leitor, metade do calendário possui 31 dias, mas alguns meses possuem uma habilidade maior para fazer o tempo render. Março, Julho, Agosto e, dependendo do ano, Outubro também faz o tempo render, mas nenhum desses meses têm o mesmo perfil do nosso querido Agosto.

Março é a ressaca do Carnaval, ou o mês do próprio Carnaval, e também a preparação pra Páscoa, ou o mês da própria Páscoa, se mostrando um mês bem versátil com uma variação razoável de um ano pra outro. Julho é um mês de férias escolares, isso quer dizer que boa parte das atividades diárias é facilitada pela ausência de xofens estudando, quer dizer também que ninguém tem muita pressa pra que acabe logo esse mês. A longevidade de Outubro depende muito do ano, do Outubro e de você, portanto não vamos atribuir um motivo realmente claro pra acontecer essa elasticidade cronológica no nosso amigo mês dez. Aí voltamos pra Agosto, um mês sem feriados que impõe uma rotina praticamente uniforme e sem muita diferença entre um dia e outro. O resultado disso é que em Agosto nos sentimos assim:

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Mas dessa vez temos uma ajuda muito bem vinda. Nosso amigo 2017 meteu o pé no acelerador e já fez passar um terço desse mês tão longo. Tudo me leva a crer que em 2017 teremos o Agosto mais rápido de todos os tempos, mas ainda é cedo pra falar… Ainda faltam 351 dias pro final de Agosto.

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Contos de Segunda #89

    Espaço, a fronteira final. Depois de milênios se lançando ao espaço a humanidade finalmente ocupou todo o Sistema Solar, mas não foram só os membros valorosos de nossa espécie que alcançaram as estrelas. Uma grande variedade de trapaceiros, ladrões, contrabandistas e piratas proliferaram por todas as órbitas. Dentre os criminosos mais procurados poucos eram tão famosos quanto Jeannie Nitro, capitã da Combatente 69.

    Depois do assalto ao cargueiro perto de Marte, Jeannie e sua tripulação foram para a Lua. No passado apenas um satélite natural, no presente a maior metrópole do Sistema Solar e a maior concentração de escória e vilania que a humanidade já viu. Foi nesse local tão agradável que Jeannie aguardou semanas pelo contato do seu cliente, o homem que pagou uma fortuna para que ela roubasse um contêiner. Um pequeno, que tinha uma trava com senha. Normalmente esse tipo de trabalho era fácil, mas a aparição de dois cruzadores da Frota Marciana deixaram a Capitã Nitro com a pulga atrás da orelha.

    O encontro foi marcado em um dos bares mais conhecidos da área portuária da Lua. Jeannie estava acompanhada por Sheila e Dolly. Normalmente a capitã preferia ir acompanhada de Charles Chacal, seu copiloto, e Lupe Brown, sua especialista em navegação e comunicação, mas os dois tinham ficado na nave junto com Walter Grace, o engenheiro da Combatente 69. Algo não estava cheirando bem e poucas pessoas no Sistema Solar eram tão boas com uma arma na mão quanto Sheila e Dolly Adaga. As três mal foram notadas quando chegaram no bar e ocuparam uma das mesas mais afastadas.

— O contato vai chegar em dez minutos — começou a capitã. — Ele quer falar comigo em particular, então vocês vão trabalhar no nosso plano de fuga.

— Acha mesmo que as coisas vão esquentar, capitã? — Perguntou Dolly.

— Algo me diz que sim, mas vamos esperar pra ver. Já passaram nossa posição pro pessoal que ficou?

— Coordenadas transmitidas, capitã — respondeu Sheila.

— Coordenadas recebidas, capitã — disse Lupe no comunicador.

— Então saiam daqui, fiquem de olho em qualquer coisa suspeita e não arrumem confusão.

Jeannie ficou de olho no ambiente. Sentada de costas para a parede ela observava todos ao redor em busca de alguém que parecesse estar de olho nela. Foi quando um androide se aproximou e puxou uma cadeira. No lugar do rosto ele tinha uma tela e a constituição frágil indicava que ele não tinha outra função além daquela.

— Saudações, Jeannie Nitro.

— Você é o meu contato?

— Negativo. Assim que a segurança da conversa for garantida iniciarei a transmissão. Por favor, coloque estes fones de ouvido — o androide estendeu a mão oferecendo duas peças gêmeas para a capitã.

— O microfone foi adaptado para embaralhar a sua voz, nenhum dos presentes entenderá uma palavra do que será dito por você.

A capitã obedeceu. Posicionou os fones sobre as orelhas e observou quando a tela que servia de rosto para o androide começou a mostrar um homem parcialmente encoberto pelas sombras.

— Fico feliz de saber que o assalto deu certo, capitã.

— Eu poderia estar feliz assim, mas depois de esperar quase um mês por um mísero contato o meu humor não está dos melhores.

— Precisava ter certeza de que sua nave não tinha sido rastreada até aí.

— Demorou um mês pra ter certeza?

— Não. Demorou um mês para que os agentes da Frota Terrestre baixassem a guarda. Sua nave não foi rastreada, mas a Lua tem olhos e ouvidos demais. Não demorou nem duas semanas para que soubessem que estava aí, mas eles precisavam saber o que aconteceu com o item roubado, por isso esperaram.

— Só me faltava essa…

— A operação de cerco está sendo desmobilizada hoje, é justamente por isso que os agentes estão indo aí te encontrar. É a última chance deles antes de serem realocados para outra operação.

— Porque não me avisou?

— Se você soubesse já teria tentado fugir daqui. Eu precisava dar um jeito de chamar a atenção deles e nada melhor do que Jeannie Nitro em um bar. Sozinha, sem o menor sinal da sua tripulação ou da sua famigerada nave. As naves de patrulha partiram assim que foi decidido que apenas os agentes de campo seriam suficientes.

— Então você preparou a fuga da minha nave, mas pra isso me usou de isca?

— Não se coloque nessa posição indigna, Nitro. Tenho certeza que a última coisa que os agentes de campo vão conseguir fazer é te prender.

— Quanto tempo eu tenho?

O homem olhou para o relógio.

— Dois minutos.

— Pra onde eu devo ir depois que eu sair daqui?

— Marte. O androide vai fornecer as coordenadas.

O autômato entregou um cartão de dados.

— Seu tempo está acabando, Jeannie. Boa sorte, nos vemos em Marte.

A capitã sacou a pistola. Um disparo atingiu o torso e outro atingiu a cabeça do androide. Várias armas foram sacadas e destravadas. Todos os olhos estavam em Jeannie Nitro e na carcaça fumegante do pobre mensageiro mecânico, mas por poucos segundos. Cargas explosivas cuidadosamente posicionadas detonaram uma das paredes do bar. Linhas vermelhas de luz cruzaram a poeira da explosão poucos instantes antes de uma dúzia de operativos com rifles de assalto. Um dentre eles levantou a voz e ordenou:

— Todos no chão! Jeannie Nitro, jogue suas armas no chão e saia com as mãos para cima.

Jeannie paralisou por um segundo, a situação estava se complicando mais rápido do que esperava. Como se não bastasse precisar fugir da Lua ainda precisaria chegar à superfície de Marte. O som de um disparo cortou os pensamentos da pirata. Um dos clientes do bar foi alvejado, um segundo depois os demais abriram fogo. Jeannie virou a mesa e se jogou por trás dela. Tiros zuniam por todos os lados, mas nenhum atingiu a mesa, aparentemente ela ainda não tinha sido avistada pelos agentes.

— Capitã? — Chamou Dolly pelo comunicador.

— Na escuta.

— Capitã, não consigo entender — respondeu Sheila. — Eles devem estar interferindo… Estamos atrás do balcão, identificamos uma rota segura, mas a senhora precisa vir pra cá.

O balcão ficava do outro lado do salão. Ela só precisava correr. A pirata se levantou olhou para o objetivo e saiu correndo. Disparou algumas vezes contra os agentes na esperança de atingir alguns deles. As irmãs Adaga demoraram um pouco para perceber o que sua capitã estavam fazendo, mas assim que perceberam o que estava acontecendo descarregaram suas armas nos soldados do governo.

— Capitã, precisamos ir para o banheiro — disse Dolly disparando uma rajada contra os inimigos

— Banheiro?

— Tua voz tá embaralhada, Capitã — respondeu Sheila quando tirou o pino da granada de fumaça e atirou contra os agentes.

Jeannie finalmente lembrou dos fones e os arrancou das orelhas.

— O que tem o banheiro?

— Vamos abrir a saída lá — respondeu Dolly. — Vão na frente, eu dou cobertura.

Sheila e Jeannie saíram correndo na direção do banheiro, Dolly chegou logo depois.

— E agora? — Perguntou a Capitã.

— Cubram os ouvidos  — respondeu Sheila antes de acionar o detonador.

Uma das paredes do banheiro explodiu, revelando o beco que ficava por trás do bar. As três saíram correndo pela passagem recém aberta

— Charles? — Perguntou Dolly.

— Na escuta.

— Vem logo pegar a gente — ela fez uma pausa por causa de alguma outra explosão dentro do bar. — Saímos do bar, você vai precisar corrigir nossa localização.

— Assim que estiverem paradas transmitam as coordenadas novas — interrompeu Lupe. — Faremos a correção da localização pelo sinal de emergência da Capitã.

— Entendido — respondeu Jeannie acionando o sinal de emergência do comunicador.

Elas saíram do beco na direção da rua principal, mas os soldados estavam por todo lugar. Veículos leves sobrevoavam os prédios anunciando o nome da capitã nos alto falantes. As três correram pelo beco, entraram pela porta de trás de uma loja  e saíram pela vitrine. Correram pela rua, subiram em uma passarela e se jogaram sobre um telhado próximo.

— Charles, cadê você? — Disse Nitro.

— Trinta segundos, Capitã. Somos grandes demais pra manobrar rápido no meio desses prédios.

— Inimigo chegando, Capitã — alertou Sheila.

Atiradores estavam nos telhados próximos. Os veículos leves disparavam sem precisão suas armas automáticas. Dolly deu um tiro certeiro na cabeça de um dos pilotos, o veículo descontrolado caiu bem perto delas, erguendo uma cortina de fumaça escura. Sheila foi atingida no ombro e outro tiro pegou de raspão na testa, Dolly estava mancando e aparentemente a munição estava no fim. Jeannie descarregou o último pente em um agente que estava descendo por um cabo pela fachada do prédio ao lado.

— Capitã? — Perguntou Walter. — Estamos em posição, vou acionar a arma magnética.

— Rápido, Walt!

As três mulheres foram puxadas do telhado no instante em que a Combatente 69 fazia um rasante sobre o edifício. O fogo choveu sobre a nave, mas por poucos instantes. Segundos depois ela já estava fora do setor orbital da Lua.

O comunicador interno da nave tocou, era Lupe.

— Qual a nossa próxima parada, Capitã?

— Marte — respondeu a capitã. — Próxima parada, Marte

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Não Quis Peidar Na Casa da Namorada e Morreu

Ontem estava eu em minha residência quando minha mãe me perguntou se eu sabia do caso de um jovem mexicano que segurou o peido até morrer. Estarrecido por um evento tão trágico, peculiar, mas ainda assim trágico, fui olhar nas internets e me deparei com manchetes desse calibre:

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Curiosamente essa notícia só foi veiculada por sites de notícia menores e no Facebook, provavelmente por gente que compartilhou as notícias desses mesmos sites. Se você quiser saber mais sobre essa história e ainda de quebra ver alguns motivos para não segurar a flatulência, clique NESSE LINK AQUI.

O ocorrido foi o seguinte: nosso amigo mexicano, identificado apenas como Jorge M., foi visitar sua namorada perto da hora do almoço. Não sei se ele já tinha essa intenção, mas acabou sendo convidado para almoçar com a namorada e a sogra. Segundo relatos a refeição em questão exigiu bastante das capacidades digestivas do pobre Jorge e seu corpo começou a produzir uma quantidade inesperada de gases. Como o espaço disponível nos intestinos é limitado, o gás pediu pra ser liberado e foi nesse momento que Jorge teve a péssima ideia de não deixar o gás sair. Não sei se o namoro dele era recente ou se ele nunca tinha ido pra casa da namorada, mas o jovem mexicano não quis passar a vergonha de liberar os gases na casa da sua amada e sacrificou o próprio bem estar em nome da reputação. Até aí tudo bem, dá pra entender os motivos do sujeito, mas o tempo passou e perto das oito da noite Jorge, que ainda estava na casa da namorada, caiu no chão com dores abdominais fortíssimas. Foi levado ao hospital, mas não resistiu à uma parada muito louca que deu no intestino dele por causa do acúmulo de gases e morreu.

Vamos pensar um pouco. O cara foi almoçar na casa da namorada, ficou com vergonha de peidar e segurou a onda, não conseguiu um momento livre de testemunhas para liberar os flatos, manteve sua vontade inabalável até o momento em que seu corpo desistiu e entrou em colapso, quase oito horas depois. Olha…

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Esse ser humano tá de parabéns. Ele não só fez uma coisa complicada, ele provocou o colapso do próprio intestino e MORREU pra não passar a vergonha de peidar na frente da namorada. Ele não conseguiu dar uma chegadinha no banheiro? Não conseguiu inventar uma desculpa pra voltar pra casa mais cedo e sair peidando pela rua? E que peido nefasto é esse? O cara tinha comido alguma coisa morta? Alguma coisa viva que morreu e apodreceu dentro dele? Ele tinha alguma doença que transformava o peido dele numa nuvem de veneno mortal? Ou será que ele tinha apenas o costume de segurar o gás e essa foi a gota que transbordou o copo? Impossível responder, mas o resultado tá aí e com ele uma valiosa lição pra todos nós.

Passar vergonha é uma bosta. Vergonha é uma sensação terrível e muita gente prefere uma topada com o dedinho na quina da cama do que passar um pouco de vergonha. Ninguém quer se queimar com a galera por causa de uma besteira, mas até que ponto estamos dispostos a suportar qualquer tipo de sofrimento para evitar a vergonha? Jorge M. era só um carinha mexicano que não queria peidar e acabou morrendo por causa disso. Não quero nem pensar quanta gente tá morrendo por ter vergonha de fazer coisas que são tão naturais quanto respirar.

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Fui Ver Sem Saber e Olha No Que Deu

Essa semana assisti aquele que já é um dos melhores filmes de 2017, Baby Driver ou, na versão brasileira Herbert Richards, Em Ritmo de Fuga. Eu poderia falar de como o filme é sensacional e dar alguns vários motivos pra você que está lendo isso aqui partir imediatamente para o cinema mais próximo pra ver esse filme. Eu não vou fazer isso porque surgiu a chance de falar de algo sobre a minha história com esse filme e com alguns outros.

Tudo começou quando eu fui ver o filme novo do Homem-Aranha. Por causa de alguns problemas logísticos acabei entrando na sala já no meio dos trailers, o trailer de Em Ritmo de Fuga terminou exatamente quando eu sentei na cadeira, mas pela reação de uma das pessoas que estavam comigo percebi que aquele não era só mais um trailer. Os dias passaram e vários dos veículos de mídia que eu consumo começaram a publicar suas críticas (extremamente) positivas sobre o filme. De fato não li mais do que a chamada das resenhas, mas comecei a notar que esse não era só mais um dos blockbusters do verão americano. O filme estreou e eu fui dar uma sacada nas notas dele por aí, todas elas bem altas, nesse ponto eu já estava pra comprar o meu ingresso motivado pela pura curiosidade de assistir ao filme que eu não fazia a mínima ideia do que se tratava.

Fui lá. Vi o Filme. Achei maravilhoso e, depois de passar a sensação de ser atropelado por aquela obra cinematográfica, comecei a pensar.

A internet mudou muita coisa nas nossas vidas, talvez a principal delas foi a forma como conseguimos nos informar sobre as coisas. Hoje em dia os livros que não saíram têm prévias divulgadas pelas editoras, se é material traduzido você pode facilmente obter o material estrangeiro pra dar uma avaliada, provavelmente o primeiro lugar onde vemos um trailer de um filme novo é o YouTube e pra ler uma resenha ninguém precisa mais comprar um jornal ou uma revista. Quantas vezes já fomos ao cinema sabendo tudo sobre um filme? Quantas vezes a quantidade de críticas negativas te fez economizar o dinheiro do ingresso?  Quando foi a última vez que você parou na frente do cinema, olhou o que estava em cartaz e foi ver um filme do qual você não sabia absolutamente nada? Para entendermos melhor o tamanho da mudança precisamos lembrar como as coisas eram e pra ilustrar bem eu vou contar uma historinha.

Um dos maiores traumas da vida da minha querida mãe envolve um dos filmes da franquia Alien. Uma vez ela me contou de como foi levar meus tios pra assistir o filme, na verdade de como ela foi enganada por eles, já que nunca que ela veria um filme daqueles por livre e espontânea vontade. Até hoje ela lembra do alien saindo do peito do cara com uma dose de terror no olhar. Fui lá apurar a história pelo outro lado, perguntei ao meu tio por que ele tinha enganado minha mãe só pra ver aquele filme, a resposta foi bem interessante. Na prática ele não enganou ninguém, já que ele não sabia nada sobre o filme. Segundo ele a forma que as pessoas escolhiam o que iam ver no cinema era bem simples: você abria o jornal, via o cartaz do filme, com sorte conseguiria identificar o nome de algum dos atores ou do diretor, olhava o horário e ia pro cinema. Hoje em dia ainda dá pra fazer isso? Dá. Você tem opção de não fazer as coisas desse jeito? É lógico que tem, mas antes não existia essa possibilidade.

Pra terminar só digo que vale a pena dar uns tiros no escuro de vez em quando. Vá lá ver sem saber de nada, sem compromisso e esteja aberto pra receber aquilo que aparecer na tela… A menos que o ingresso esteja muito caro, se o ingresso estiver caro não faça isso, espere sair no Netflix.

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Contos de Segunda #88

— Puxe uma cadeira, Carmim, a história é meio longa — foi o que o chefe de polícia disse quando eu abri a porta da sala.

Era uma segunda-feira chuvosa de um dos invernos mais gelados dos últimos anos. Eu mal tinha terminado de almoçar quando recebi uma ligação do departamento de polícia. Não quiseram me adiantar nada pelo telefone, mas pediram para aparecer na central assim que possível, de preferência imediatamente. O cheiro ruim chegou às minhas narinas bem antes de eu sair do meu escritório e não melhorou nada depois da minha conversa com o Chefe O’Hara.

— Não estou para histórias longas, Chefe.

— Muito ocupado?

— Bem menos do que eu gostaria, mas algo me diz que o senhor me chamou aqui porque arrumou um problema que está difícil de resolver. Um problema que não é meu, mas vai ser, assim como todos os prejuízos que a resolução desse problema vai trazer.

— Deixe de ser chorão, Carmim — desdenhou o chefe torcendo o rosto em uma careta. — Você sempre foi muito bem remunerado pelos serviços prestados ao Departamento.

— Além de todas as despesas médicas. Da última vez eu fui baleado duas vezes, uma delas por um dos seus homens.

— Nem sempre é possível saber quais dos policiais têm ligação com o crime, detetive, e suas roupas vermelhas também não te ajudam quando alguém precisa decidir em quem atirar.

— Melhor cortar essa discussão e partir logo para o assunto, Chefe.

— Pois bem — disse ele se ajeitando na cadeira. — Imagino que esteja ciente do desaparecimento de algumas pessoas nos últimos tempos.

— Pessoas desaparecem, Chefe. Acontece em todo lugar.

— Já ouviu falar de William Doyle?

— Magnata da indústria têxtil.

— Desaparecido há cinco semanas — disse O’Hara colocando a foto do desaparecido sobre a mesa. — Lembra de Dominique Loup?

— A cantora? Ela estava sendo vítima de chantagem e me contratou para descobrir quem era o chantagista.

— Três semanas atrás ela cantou na rádio e errou o caminho quando voltava para casa — mais uma foto sobre a mesa. — Não foi vista desde então. Imagino que conheça Klaus Gleizer.

— Não costumo me relacionar com banqueiros, mas sei bem quem é.

— Desapareceu na semana passada — outra foto sobre a mesa.

— Pensei que os ricaços só desapareciam quando sequestrados.

— Não é o caso, Carmim. Não houve nenhum contato posterior ao desaparecimento.

— A polícia sabe onde eles desapareceram?

— Não. Os três circulavam por áreas bem distintas da cidade e não encontramos nenhuma ligação entre eles.

— Alguma informação útil das famílias?

— Doyle é viúvo e nunca teve filhos, Dominique aparentemente cortou ligações com a família quando decidiu seguir a carreira artística, quem nos procurou foi o seu empresário.

— E Klaus Gleizer?

— A família toda vive na Europa e a diretoria do banco optou por manter o desaparecimento em segredo por enquanto. Eles imaginam que tudo se resolverá em poucos dias.

— Alguma notícia de outros desaparecimentos em circunstâncias similares?

— Até agora não.

— Infelizmente não vou poder cobrar o valor de sempre. Esse caso tem cara de que vai dar muito trabalho ou muita dor de cabeça.

— Considere um aumento de vinte por cento. Estou sendo pressionado por todos os lados por causa desses desaparecimentos.

— Algum dos seus vai me auxiliar?

— Me aponte um culpado e vai ter todo o auxílio que precisar.

Provavelmente algum auxílio médico.

— Darei notícias assim que possível — me levantei ainda no meio da frase. — Se importa se eu ficar com as fotos?

— De forma alguma. Pedi para colocarem algumas informações úteis no verso. Não posso fornecer nossos arquivos, mas não vou te deixar às cegas.

— Não esperava menos do senhor.

Na verdade eu esperava bem mais, sempre se espera bem mais da polícia.

A volta para o escritório foi rápida. As informações dadas pelo Chefe O’Hara estavam se batendo sem rumo dentro do meu cérebro e eu precisava começar a ligar os pontos, mas não antes de dar alguns telefonemas. Uma busca minuciosa na casa dos desaparecidos e as coisas começariam a fazer sentido. Entrei no prédio, subi alguns lances de escada e parei diante da porta entreaberta. Saquei a pistola e tentei ver algo pela brecha da porta. Não pude ver nada, mas o perfume que eu senti me fez guardar a arma, mas não me deixou mais tranquilo. Abri a porta devagar e encarei a mulher que me esperava sentada na minha cadeira com os pés sobre a mesa.

— Precisa de trancas melhores, Carmim.

— Trancas boas não me dizem quando alguém arromba meu escritório, Angela. Pensei que não gostasse de vir aqui, você costuma ligar.

Angela Bevoir era um dos maiores problemas da minha vida e também uma boa cliente. Normalmente o pagamento compensava a dor de cabeça, mas só a dor de cabeça.

— Não gosto. A localização é péssima, a limpeza é no mínimo questionável e os degraus são muito altos, mas o assunto é urgente.

— E qual seria?

— Ontem eu quase fui sequestrada — disse ela acendendo um cigarro. — Quero saber o porquê. Pode me ajudar?

— Depende.

— Do quê?

— Do quanto você sabe sobre a nova moda entre os ricaços da cidade.

— E qual seria?

— Desaparecer.

 

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Playlist de Bikini #1

Na última quarta-feira eu publiquei um texto por aqui e coloquei uma playlist pra dar uma complementada no bagulho. Isso acabou me dando a ideia pra uma nova linha de publicação para o Cachorros de Bikini. Este é o primeiro post da série, ainda sem periodicidade definida, Playlist de Bikini, onde eu vou publicar playlists temáticas porque de vez em quando dá preguiça de escrever e fazer playlist é mais fácil  com temas diversos e provavelmente bem limitados porque eu não sou uma pessoa entendida das coisas.

A playlist de hoje tem um tema, digamos, doméstico. Fiz uma lista só com músicas que inspiraram personagens, histórias ou apareceram de alguma forma na nossa série semanal de contos.

A lista está disponível lá no Spotify

E no Deezer

Se você não se utiliza de Spotify ou de Deezer, pode ouvir a playlist lá no Youtube.

 

13 Jovem Ainda

Ficando Velho Cada Vez Mais Novo

Essa semana estava eu procurando coisas pra ouvir. Dei uma passeada na lista de artistas que eu sigo no Spotify e resolvi jogar na fila de reprodução os discos que saíram esse ano. Puxei rapidamente da memória alguns fulanos que tinham disco recente e fui lá catar as músicas pra jogar na fila. Fui lá no primeiro artista todo animado e descobri que o disco do cara era do ano passado. Passei para o próximo, para o seguinte e o que veio depois dele, quase todos tinham discos que datavam de 2016. Obviamente minha reação inicial foi:

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Parei pra pensar um pouco sobre a questão e acabei achando a explicação na obra de uma pessoa que parece entender muito de como funciona o mundo: Neil Gaiman. Lá em Sandman ele define que os Perpétuos, seres imortais próximos do que entendemos como divindade, têm uma percepção diferente do tempo conforme a idade deles avança. Um Perpétuo recém nascido provavelmente percebe o tempo como nós percebemos, com as horas, dias e anos com a duração padrão, um Perpétuo com milhares de anos provavelmente sente o tempo passando bem mais rápido. Imediatamente eu pensei em algo que já vem martelando na minha cabeça faz algum tempo. Eu olhei pra mim mesmo e pensei “eu tô velho mesmo”.

Uma certa vez uma amiga minha me mandou uma playlist com o sugestivo título de “ficando velho cada vez mais novo”. Você pode ouvir ela logo aqui embaixo.

Não preciso dizer que nenhuma das músicas dessa lista é nova, a mais recente tem quase dez anos. Dez anos que englobam praticamente todos os eventos e coisas que eu tenho na minha cabeça como coisas recentes. Qualquer coisa que ocorreu a menos de quatro anos aconteceu “um tempo desses” e é muito fácil confundir os acontecimentos de um ano com os do anterior. Também não é difícil levar um susto ao descobrir que coisas que aconteceram ontem já têm mais de cinco anos e que boa parte das crianças que eu conheci já estão na faculdade ou que os bebês já sabem ler. Aí chego à questão crucial desta dissertação. Como a gente tá ficando velho tão rápido?

A definição de velho é bastante abrangente. Em valores absolutos a velhice só chega quando a gente já passou um tanto bom da metade dos nossos anos estimados de vida. Em valores relativos depende muito de quem observa. Uma pessoa idosa pode não me achar velho enquanto um adolescente pode pensar exatamente o contrário. Mas e a gente? Como é que a gente chega à conclusão de que tá velho?

Pessoalmente considero que você se sente velho quando de alguma forma a idade pesa. Seja na dor das costas depois de sentar numa posição errada ou nas marcas dos anos que a gente vê no espelho. Qualquer período de tempo inferior a dois anos parece pouco e você lembra de um monte de coisa que existiam até um dia desses, mas que uma geração inteira não vai fazer ideia do que é. 

Ficar impressionado com as facilidades mais bestas da tecnologias e usar com uma frequência razoável expressões como “no meu tempo” e “antigamente”.

Assim como a percepção do tempo é relativa, podemos dizer que a percepção da própria idade é tão relativa quanto. Enquanto eu já vivi, em termos numéricos absolutos, duas vezes mais do que algumas pessoas que eu conheço, não vivi nem um terço do que viveu meu avô e nem metade do que viveu meu pai, chegarei a essa marca no ano que vem. Mesmo me achando velho quando eu olho no calendário, por dentro eu ainda não me sinto com essas idades todas. A falta de maturidade e uma aversão ao comportamento adulto padrão estão ajudando nesse sentido. Fico pensando quando eu não só me sentirei, mas de fato estarei velho. Fico pensando como é ter a idade dos meus avós e se o tempo vai parecer mais ligeiro do que me parece hoje… Ia concluir, mas esqueci como era pra terminar, deve ser a idade

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Contos de Segunda #87

Hoje vamos finalmente concluir a primeira história da Dama da Segunda-feira. O conto de hoje é uma continuação direta do Contos de Segunda #80. Pra saber todos os detalhes dessa história é só dar uma passada em Contos de Segunda #38, Contos de Segunda #43, Contos de Segunda #50 – Parte 01 e Contos de Segunda #50 – Parte 02,  Contos de Segunda #62 e Contos de Segunda #77.

Segunda-feira estava no chão. Aparentemente ela tinha passado um tempo desacordada.

“Eu apaguei?”, pensou Segunda. “Por que será que eu apaguei? Não sei bem… Eu lembro que eu estava junto com as meninas… A gente tava fazendo alguma coisa juntas… Acho que eu tava grávida… É, eu lembro de estar grávida, mas depois não tava mais… E tinha dois meninos jogando damas… Acho que eles me chamaram pra jogar com eles e me chamaram de…”

— AIMEUDEUSOQUEESSEMENINOFALOU? — Berrou Segunda-feira quando se recuperou do desmaio. A Dama rapidamente se colocou de pé e grudou as costas na parede. Olhou ao redor e percebeu que Quarta-feira também estava desmaiada, as outras irmãs só estavam em choque.

— Ele falou “Oi, mãe. Quer jogar com a gente?” — respondeu o mais velho.

— Se a senhora não gosta de damas a gente pode fazer outra coisa — disse o mais novo.

— A senhora tá meio pálida — observou o mais velho. — A senhora tá passando mal?

— Aquela moça desmaiou também, Domingo. Acho que ela também tá passando mal.

— Domingo? — Interrompeu Terça-feira.

— É. Meu nome é Domingo — disse o garoto fungando ao fim da frase e arrumando os óculos. — Não lembro de ter nascido de óculos.

— Deve ter aparecido porque a gente acabou de descobrir que nossa mãe usa óculos.

— Mas não apareceu nada na sua cara, Sábado.

— Verdade. Vai ver que você puxou mais a ela.

— Sábado? — Indagou Quinta-feira tentando sem sucesso reanimar Quarta..

— Isso. E vocês quem são? A gente só conhece minha mãe — respondeu sábado.

— Por motivos óbvios — completou Domingo.

— Somos as outras Damas da Semana — respondeu Sexta. — A desmaiada é Quarta, essa com a maquiagem pesada é Quinta, a vestida de hippie é Terça e eu sou Sexta, a melhor de todas.

— Muito prazer… Vocês são tias da gente então? — Perguntou Sábado.

— Sim — respondeu Terça abrindo um sorriso. — Venham aqui me dar um abraço.

Os garotos sorriram e obedeceram. Depois de alguns segundos nos braços da tia, Domingo questionou.

— Por que minha mãe não pediu pra abraçar a gente?

— Parir é uma experiência meio traumática – amenizou Quinta. — E vocês vão ver que a mãe de vocês não tem exatamente todos os parafusos no lugar, mas ainda é uma pessoa fantástica.

Quinta estava certa, aquilo tudo estava sendo muito traumático. Quando ela pensou em ter filhos, na verdade em ter um filho, esperava terminar todo o processo mágicoritualistico com um bebê nos braços e não com dois meninos já meio crescidos que mal nasceram e já sabiam jogar damas. Dois seres plenamente conscientes de quem eram e de quem ela era. Ela respirou fundo, contou até três e finalmente falou.

— Meninas podem nos dar um instante a sós?

As outras Damas saíram carregando o corpo ainda inerte de Quarta-feira para a outra sala. Segunda se abaixou para ficar na altura dos filhos. Os olhos mal podiam acreditar no que estavam vendo. Depois de alguns segundos eles mal podiam enxergar alguma coisa, estavam cheios de lágrimas. Antes que os olhos transbordassem Segunda abraçou seus dois meninos.

— Eu queria tanto vocês aqui — disse ela no começo de um longo abraço.

— Mãe… Acho que já dá pra soltar a gente — disse Sábado.

— A gente tem que ir pra casa… Eu acho — completou Domingo. — A gente vai morar aqui?  O que a gente vai fazer agora?

Segunda soltou os dois. Ela realmente não tinha pensado ainda nessa parte do plano.

— Bem — começou ela. — Acho que primeiro precisamos falar com a avó de vocês e torcer pra ela não transformar a gente em poeira cósmica.

A campainha tocou. A porta abriu e fechou imediatamente, logo depois alguém começou a bater na porta e Sexta apareceu correndo.

— A Mãe-de-Todas tá aqui — disse ela.

— Ah, não — suspirou Segunda.

— Quem é essa, mãe? — Perguntou Sábado.

— Deve ser a Vó-da-Gente — respondeu Domingo.

— Ah, tá.

— O que a gente vai fazer? — Perguntou Sexta.

— Não tem muito o que fazer. Manda a coroa entrar antes que ela derrube a porta.

A Dama da Lua entrou despejando uma quantidade cavalar de revolta sobre suas filhas. A que mais sofreu foi Terça que tinha fechado a porta na cara da mãe, Quarta acabou desmaiando de novo e Quinta tentou ganhar tempo com uma saudação exagerada.

— … Meu assunto não é com vocês — rosnou ela entrando na sala. — Eu quero falar com Segunda, aconteceu alguma coisa aqui e tenho certeza que foi culpa… — A Dama ancestral congelou ao ver as duas crianças. O olhar ia dos meninos para Segunda e de volta para os meninos.

— Oi, vó — disse Sábado impaciente com o silêncio.

— A gente pode chamar ela de vó? — Duvidou Domingo.

— Acho que sim — disse Segunda. — Saudações, Dama da Lua, fonte de tudo que é bom e mãe para todas nós.

— Saudações, Dama da Segunda-feira. Poderia me explicar quem são essas crianças e o que diabos está acontecendo aqui?

— Esses dois são meus filhos, Sábado e Domingo, acabaram de nascer.

— Filhos? São seus… Filhos?

— Exatamente — respondeu Segunda um pouco mais confiante.

— Eu ordeno que encontre um cavaleiro, coloco todas as tuas irmãs à disposição pra te ajudar e apareces com filhos? Como se um não fosse afronta suficiente, tu apareces com dois? DOIS!

— Meninos, por que não vão pedir pra tia Terça mostrar como ela vê o futuro nas jujubas vermelhas? Eu preciso conversar com a avó de vocês. É coisa rápida.

Os dois obedeceram.

— Quer sentar, Mãe?

— Estou nervosa demais para tomar um assento.

— Se não se incomoda eu vou me jogar nessa poltrona aqui, acabei de parir duas entidades cósmicas.

— Perdeu o juízo, Dama? Ficou louca de vez?

— Não vejo como gerar novas vidas pode ser sinal de insanidade.

— Estavas prestes a perder o controle de teus poderes, Segunda-feira. Precisavas de uma forma de esgotar tuas energias, de enfraquecer. Não só correste o risco de causar danos cósmicos irreversíveis, mas também de gerar duas entidades defeituosas, insanas e descontroladas. Uma Dama louca é algo reversível, mas uma coisa que já nasceu insana só tem a destruição como destino.

— Não me fale de Damas loucas, Mãe. Sabemos bem que nem todas podem ser controladas ou curadas. Não podem ou a senhora não quer que elas sejam.

— Não me provoque, Segunda-feira. Estou farta da tua insubordinação. Quem te ajudou?

— Não sou caboeta, Dama da Lua. Descubra a senhora.

— Não me provoque. Teu projeto de maternidade está por um fio. Com um gesto eu posso evaporar essas duas crianças.

— Não me provoque a senhora. Até onde me consta, meu santuário ainda estará ativo por mais algumas horas e eu posso estar enfraquecida pelo parto, mas eu ainda sou a dona da segunda-feira. Experimenta tocar em um táquion daqueles meninos pra ver o que acontece.

— Então é isso? Minha filha ameaça por causa dos crimes que ela mesma cometeu?

— Se encontrar um meio de me livrar da insanidade sem o uso de um mortal é um crime, Mãe, então pode me considerar culpada, mas agora eu posso te dar dois bons motivos pra me deixar seguir com a minha vida.

— Gerar filhos é um convite para o sofrimento, Segunda-feira.

— Não acontece com todas, Mãe. Não acontece sempre.

— Aconteceu comigo, Dama. A dor pode enlouquecer muito mais do que qualquer outra coisa.

— Não pense que eu não sei.

— E mesmo assim quer levar isso adiante?

— Não tenho escolha. Não lembro de casais querendo adotar entidades do tempo.

— Sabes que não vai ser fácil.

— Não estou sozinha, Mãe. Tenho minhas irmãs pra me ajudar.

A Dama da Lua deu um sorriso. Abriu os braços e abraçou a filha.

— Obrigado, Mãe.

— Me apresenta teus filhos?

— Eles vão ter que se apresentar sozinhos, faz menos de meia hora que eu conheço os dois.

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O Inverno Chegou… Mas Tá Quase Acabando

    Estava eu pensando sobre o que escrever nesta sexta-feira gloriosa quando a internet me lembrou disso aqui:

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    Daqui a dois dias vai ao ar o primeiro episódio da sétima temporada de Game of Thrones e eu acabei lembrando que eu nunca parei pra fazer um post sobre a adaptação televisiva das Crônicas de Gelo e Fogo. Justamente por não ter assistido a adaptação televisiva das Crônicas de Gelo e Fogo eu vou parar pra comentar um pouco sobre o que acontece com o planeta Terra quando uma temporada nova do GoT(inho) começa a passar.

    Antes de mais nada devemos lembrar que o sucesso de Game of Thrones, apesar de grande desde o início, veio numa crescente ao longo desses últimos seis anos até atingir o nível de loucura que a gente vê atualmente. Trama cheia de reviravoltas, personagens carismáticos, uma quantidade (muito) acima da média de personagens morrendo de forma inesperada, aquela dose de sacanagem com gente pelada que sempre alavanca a audiência, além de jogar tudo isso dentro daquela temática de fantasia medieval que todo mundo gosta. Não é por acaso que GoT bate todos os anos os recordes de pirataria e vídeos com as reações das pessoas às principais cenas da série tomam conta do YouTube.

Inclusive eu costumo dizer que Game of Thrones é a série que os fãs adoram esperar, quando tá passando a galera fica louca esperando pelo próximo episódio e quando a temporada acaba fica todo mundo louco esperando a temporada seguinte. Depois de analisarmos esse contexto, digamos, cultural vamos pro ponto principal desta postagem.

Se você é tão macaco velho quanto eu, já deve ter notado que Game of Thrones não multiplicou o número de fãs ao longo dos anos, mas sim o seu número de futuras viúvas. Por que eu digo isso? Só porque já foi anunciado que a temporada do ano que vem será a última da série.

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    Exatamente, amiguinhos. 2018 vai ter o final de Game of Thrones. Os motivos pra isso são vários, incluindo os custos de produção e o material fonte das primeiras cinco temporadas e mais umas paradas da sexta estar esgotado. Trocando em miúdos o que rolou foi o seguinte, pegaram os livros pra fazer a série, quatro quando a série começou e mais um que saiu algum tempo depois. A série foi andando, o material foi sendo adaptado e chegou um momento que os livros acabaram. Aí você me pergunta “como assim acabaram?” uma pergunta com uma resposta bem simples. Se você for olhar a data de publicação do primeiro livro, vai ver que a galera tá disputando o Trono de Ferro faz um tempão. Foram lançados cinco livros ao longo de quinze anos (entre 1996 e 2011) e faz uns três anos que tão dizendo que o sexto livro tá pra sair. Como levou apenas um terço do tempo pra série chegar no ponto onde os livros estão atualmente e como na televisão normalmente não rola de dar uma pausa na série e voltar uns cinco anos depois, a galera resolveu se virar e encaminhar a história pro final, seguindo mais ou menos as diretrizes do autor dos livros. Ainda bem que eles resolveram não estender demais a parada pra não correr o risco de cagar tudo mais do que eles já cagaram.

    E eis que nos adiantamos pro fatídico ano de 2018. Já consigo sentir a perturbação gerada pelos gritos de lamento de milhões e milhões de pessoas ao redor do mundo. Eu tô calculando uma comoção parecida com aquela que rolou quando terminou Lost, inclusive com a mesma proporção de gente reclamando do final. Eu não tô ligando muito pra o que pode acontecer na TV, afinal eu só ligo pros livros mesmo e se nos livros a parada sair boa pra mim tá tudo certo, mas eu sou grato por tudo aquilo que apareceu por causa da série, seja camisa, caneca, boneco, jogo,  meme ou até um monte de gente que tá muito longe de ser nerd desesperado pra assistir uma série de fantasia medieval. Mas eu já tô falando demais e o assunto acabou. O assunto, mas o inverno…

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    Esse ainda demora um bocadinho pra terminar.

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