Cachorros de Bikini

Mais ágil que uma velha, mais rápido que um saco de cimento

É Dia da Mulher e Eu Não Sei O Que Fazer

    Hoje, 8 de março, é o Dia Internacional da Mulher. Normalmente rola algum tipo de homenagem ou enaltecimento do ser humano feminino e todo mundo de repente lembra de tratar as mulheres direito, ou pelo menos um pouco melhor do que de costume. Obviamente o tema do texto de hoje seria alusivo a esse dia tão icônico, mas a dúvida estava justamente em como abordar o tema. A resposta, ou a não resposta, veio depois de fazer uma coisa que a gente muitas vezes esquece de fazer. Eu parei, olhei ao redor e tentei enxergar além das definições padrão do meu sistema. Agora me arrependo um pouco de ter feito isso.

Nunca antes na história desse país as questões ligadas ao feminino estiveram em tanta evidência e é justamente por isso que o Dia Internacional da Mulher está cada vez menos “rosa e Sonho de Valsa” e mais ligado com a raiz da luta pelo direito das mulheres. Por isso eu entrei no Facebook e vi uma quantidade grande de posts cheios de indignação. Olhei por aí na internet e me deparei com uma série de coisas alusivas ao Dia Internacional da Mulher, mas nenhuma delas falava de amenidades que eu estava mais acostumado a ver. De dados alarmantes até histórias comoventes, tudo remetia ao viés original do dia dedicado à luta das moças.

Aí chegamos à minha situação. Eu, um pobre moço que, além de estar no mesmo time de Jon Snow e não saber de nada sobre nada, sou homem e tenho o desafio de fazer um post sobre o Dia Internacional da Mulher em um blog que tem como premissa principal não falar de coisas sérias. Aí em dado momento dessa quarta-feira eu estava exatamente assim:

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Hoje é Dia Internacional da Mulher e eu literalmente não sei o que fazer. Não sei se eu “comemoro” esse dia ou me revolto junto com as moças. Não sei se gasto mais tempo avaliando a sociedade em geral ou me avaliando pra saber se eu também tenho culpa nessa história de tornar a vida das moças pior. No momento em que eu escrevo esse texto eu nem sei mais se dar parabéns é certo ou não. Muito provavelmente estarei errado em qualquer coisa que eu fizer, por isso é até melhor eu não fazer nada.

Eu poderia fazer um texto bonitinho, elogiar o ser feminino enquanto arquétipo ou enaltecer as moças de alguma forma. Mas, por incrível que pareça, isso não é muito adequado. ´Hoje só é o dia que é porque tinha um monte de coisa errada e boa parte dessas coisas continua errada. Espero que um dia o dia 8 de março traga consigo mais das lembranças de uma luta que passou e menos de uma luta que ainda está na metade. Sinceramente desejo que as moças tenho cada vez menos motivos pra lutar. Até ano que vem.

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(Mais Um) Dia do Amigo

Essa semana estava eu no meu lugar quando reparei numa movimentação peculiar nas internets ao meu redor. No meu feed do Facebook e nos grupos de Whatsapp algumas pessoas começaram a aparecer desejando um “feliz Dia do Amigo”. Obviamente eu estranhei. Posso não ter a melhor memória do mundo pra datas, mas eu tenho uma noção boa da época em que as coisas acontecem. Essa noção ficou um pouco melhor depois que eu comecei a marcar esses acontecimentos com posts temáticos neste blog em que você se encontra agora. E foi por causa de um post sobre o Dia do Amigo que eu fui levado à descobrir a verdade: não existe um, nem dois, mas três dias do amigo.

Isso mesmo, querido leitor. No Brasil, no Uruguai, na Argentina e em Moçambique o Dia do Amigo é comemorado normalmente no dia 20 de julho. Esse dia foi instituído depois da campanha de um médico argentino chamado  Enrique Ernesto Febbraro. Esse cara viu o homem supostamente chegando na Lua e viu aquilo como um feito que mostra que a união entre os semelhantes torna o impossível possível. Como não tinha internet naquele tempo, a campanha dele não foi muito longe e só instituiu essa comemoração em quatro países.

Posteriormente a ONU pegou essa ideia de todo mundo de mãos dadas pra construir um mundo melhor e instituiu o Dia Mundial da Amizade. Como a galera da ONU não tava querendo colocar essa data tão simbólica no dia do aniversário de um acontecimento importante, e pelo fato da chegada do homem à Lua ser um dos maiores marcos da Guerra Fria, que além de ser uma guerra praticamente dividiu o mundo em dois, eles escolheram o dia 27 de abril pra celebrar a amizade e essas coisas.

Aí chegamos no ponto em que você me pergunta: “Se tem um Dia do Amigo em julho e um Dia da Amizade em abril, de onde veio esse Dia do Amigo de fevereiro?”. A resposta é bem simples e bem capaz de você saber. Quem inventou essa data de hoje foi esse fulano aqui:

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Sim, ele mesmo. No dia 04 de janeiro é comemorado o aniversário do Facebook e por causa disso desde a última quinta-feira tem coisas rolando no Facebook alusivas à essa data tão “especial”. Depois dessa podemos ir pra parte que eu justifico o tempo que eu gastei fazendo esse texto.

Graças à internet a gente precisa lembrar de bem menos coisa do que antigamente. Aniversário, datas comemorativas em geral e até quanto tempo faz determinado acontecimento estão na lista de coisas que o Facebook costuma te lembrar. Eu mesmo acho sensacional não me preocupar em lembrar dos aniversários de todo mundo e dou graças a Deus pela ajuda que o Facebook me dá. Só que muitas vezes confiamos tanto nas notificações que não percebemos que tem alguma coisa errada. Por exemplo, se eu mudar a data do meu aniversário no Facebook é quase certo que um monte de gente vai me dar parabéns. Com isso eu chego à conclusão de que estamos rumando pra uma relação muito reativa com o mundo. Chegaremos num ponto que a memória da gente não vai se ocupar com datas especiais e simplesmente reagiremos ao saber que hoje é dia de alguma coisa. Desculpe a expressão, mas isso é muito Black Mirror.

Por fim, crianças, gostaria de dizer pra não acreditarem em tudo que Zuckerberg coloca lá no seu feed e principalmente, não dependam do Facebook pra lembrar de tudo. Porque no ritmo que a gente vai, as máquinas não vão precisar de robôs assassinos pra dominar a humanidade. Basta colocar umas notificações no Facebook.

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Orlândia, Eu Te Amo

Um dia desses eu estava conversando com uma amiga minha sobre o Cachorros de Bikini e aproveitei pra pedir gentilmente que ela conseguisse algumas curtidas pra página do Facebook. De fato ela convidou uma galera pra curtir a página, mas eu não sabia que ela tinha convidado toda a lista de amigos dela, lista essa que conta com umas CINCO MIL pessoas. O resultado disso é que a grande maioria dos curtidores do Cachorros no Facebook são habitantes de Orlândia e adjacências. Por isso resolvi agradecer aos maravilhosos habitantes da cidade-jardim com uma publicação dedicada exclusivamente à esse pedaço tão maravilhoso do Brasil.

Orlândia fica no estado de São Paulo e, segundo a Wikipédia, está na região metropolitana de Ribeirão Preto. Só essa informação já mostra como essa cidade é injustiçada. Um lugar tão maravilhoso que merecia ser capital do Brasil não pode ser tratado como um reles município da região metropolitana de uma cidade qualquer. Por isso considero correto dizer que Ribeirão Preto é um município da região metropolitana de Orlândia.

Segundo dados de 2015, esse lugar lindo tem uma população de pouco mais de 42 mil habitantes e um IDH de 0,780, ocupando assim a 128ª posição no ranking nacional de desenvolvimento humano. Bem melhor do que a cidade em que eu vivo que tá na posição três mil e pouco. As temperaturas médias não costumam passar dos 29°C e as mínimas ficam na média dos 18°C, no inverno as temperaturas podem chegar perto dos 10°C. Isso quer dizer que se eu for em Orlândia vai estar frio, em qualquer momento do ano que eu chegar lá vou ficar com frio e se eu for pra lá no inverno é bem provável que eu morra de frio.

Orlândia foi fundada em 1910, recebendo seu nome em homenagem ao patrono da cidade, o Coronel Francisco Orlando Diniz Junqueira. Apesar dessa figura ilustre ser responsável pela fundação desse lugar tão sensacional, a única foto que eu encontrei do Coronel que não é do tamanho de uma figurinha de chiclete é a desse cartaz aqui:

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Originalmente Orlândia fazia parte do município de Batatais e foi desmembrado do município em 1890. Depois de mudar de nome algumas vezes, Orlândia foi elevada à categoria de município 106 anos atrás. Vale lembrar que Batatais está na 350º colocação no ranking do IDH nacional e é por isso que eu digo: CHUPA, BATATAIS! Parece que o jogo virou, hein?

Além de ser um dos melhores lugares do mundo, Orlândia também é conhecida como Cidade das Avenidas, por causa das suas amplas avenidas e quem foi o idealizador desse modelo urbano? Ele mesmo, Coronel Orlando. Mais recentemente a cidade-jardim recebeu o título de Capital Nacional do Futsal, por causa das conquistas da ADC Intelli que possui um dos melhores times de futsal do universo mundo.

Pra finalizar eu quero dizer duas coisas: a primeira é muito obrigado ao povo de Orlândia pela audiência que o Cachorros de Bikini recebe de vocês. A segunda é que com esse texto estamos lançando a hashtag #ChupaBatatais, pelo simples fato de Orlândia ser muito melhor que Batatais.

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“Tira Foto e Põe No Instagram”

Ontem estava eu conversando pelo Vatezape com um amigo meu da faculdade. Entre um mensagem e outra eu falo que no futuro próximo vou fazer uma viagem a trabalho. Imediatamente ele me diz “tira foto e põe no Instagram”. Imediatamente eu me imaginei fazendo isso:

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Depois a conversa seguiu e eu não vi nada demais nessas palavras, mas depois eu parei pra prestar atenção e percebi que esse meu amigo já tinha chegado à conclusão de que esse era o único jeito de me fazer colocar algum registro dessa viagem na internet.

    Quem me conhece sabe que a minha vida nas redes sociais é totalmente low profile. Eu não faço check in, eu não coloco foto e no meu Instagram tem tudo, menos a minha cara. Não faço isso por qualquer tipo de convicção e nem tenho algo contra as pessoas que fazem isso de forma moderada e consciente. É mais uma questão de falta de vontade do que de qualquer outra coisa. Já que não dá vontade de colocar nada na internet, eu acabo esquecendo de registrar as coisas e de principalmente aparecer nas minhas próprias fotos.

    Diante disso não é de se estranhar que vez ou outra apareça alguém me falando coisas como “tira foto lá”, “tu tem que aparecer nas fotos” ou qualquer equivalente desses. Aparentemente algumas pessoas mais próximas realmente querem ver quando eu faço alguma coisa diferente ou quando eu vou pra algum lugar, até por que qualquer uma das duas coisas acontecem muito raramente e quando acontecem as pessoas que só tem contato comigo esporadicamente sequer ficam sabendo que tal fato aconteceu.

    Talvez minha cabeça ainda esteja no tempo em que as pessoas chegavam pra falar com as outras e tinham um monte de coisa da vida pra contar. Hoje em dia quando algumas pessoas vão me contar alguma coisa sempre rola um “eu te vi falando no Facebook, como foi isso?”, fora as vezes que os assuntos já publicados em redes sociais nem entram na pauta, afinal todo mundo já sabe.

Talvez na minha cabeça as redes sociais sejam melhores pra compartilhar besteiras diversas, marcar amigos em coisas que eu acho interessantes do que pra… Digamos… Socializar. Muito provavelmente se alguém quiser fuçar nos meus perfis internéticos não vai ter muito no que fuçar. Obviamente ainda dá pra me ver sendo marcado em fotos e check ins de amigos, mas é bem provável que tenha mais coisa sobre mim no Cachorros de Bikini do que no meu Facebook. Por isso vou tentar lembrar dos amigos quando eu inventar de fazer alguma coisa que mereça um registro. Não garanto nada, mas vou tentar.

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Você Não Sabe de Nada, João das Neves

Todo mundo que atualmente habita nas internets sabe que um dos personagens mais populares da atualidade é Jon Snow. Personagem preferido de muitos fãs de Game of Thrones e um dos meus personagens preferidos d’As Crônicas de Gelo e Fogo, João das Neves é um cara relativamente azarado fora da série. Mesmo depois de fazer e acontecer nas últimas seis temporadas de Game of Thrones e em quatro dos últimos cinco livros, ele tem todas as suas proezas ofuscadas por uma única frase.

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    Isso mesmo, por causa dessa moça ruiva o bastardo preferido da cultura pop ficou conhecido como o cara que não sabe nada. De fato Jon Snow percebe que no fim das contas ele não sabe de nada. Seguindo o exemplo de João das Neves, eu já me convenci tem um tempo que eu não sei de nada, mas acho que até essa semana eu nunca tinha percebido o quanto eu sei pouco. Por uma grande coincidência essa epifania me ocorreu por causa de uma moça ruiva.

Aconteceu no último domingo. Estava eu conversando com uma comadre minha sobre uma conquista pessoal que ela tinha compartilhado no Facebook. Entre um ou outro parabéns acabamos conversando um pouco sobre a vida, o universo e tudo mais. Como em todas as vezes em que eu converso com essa minha comadre ruiva, a conversa terminou e eu fiquei com a sensação de que tava conversando com uma pessoa muito mais adulta que eu. Essa sensação pra mim é bastante familiar, até por que boa parte dos meus amigos é bem mais adulta que eu, mas nenhuma dessas outras pessoas é oito anos mais novo que eu e parece ser uns dez anos mais velho.

Não que seja muito difícil parecer mais adulto que eu, mas eu costumo ganhar da galera que nunca foi obrigado a votar ou que precisou fazer CPF pra poder se inscrever no ENEM. Não é muito difícil de imaginar que eu olhei pra minha tela de chat e cheguei à conclusão que o significado por trás de toda aquela troca de mensagens era: “você não sabe de nada, Filipe Sena”. Aí percebi que estávamos eu e Jon Snow no mesmo barco. Estávamos nós dois sem saber de nada.

A vida depois dos meus vinte anos me fez pensar que eu tinha virado adulto. De fato quando eu coloco meu disfarce e saio pra trabalhar, quando eu pago minhas contas ou quando eu fico com dor nas costas por passar muito tempo num banco sem encosto, eu me sinto adulto (seja lá qual for a sensação de se sentir adulto). Mas a realidade é que eu nunca precisei ser muito adulto, só o suficiente pra passar por média. Não que isso me incomode, não que adultecer seja uma meta pra minha vida, o lance é que lembrar que você tá sabendo tanto quanto Jão Snow e que tem gente que saiu do colégio mais adulto que você te faz parar pra refletir.

Pra finalizar gostaria de compartilhar com todos o jeito que eu encontrei pra me conformar com essa história toda. Quando eu vejo essa minha comadre ruiva nas internets sendo mais adulta que eu, basta lembrar que algum tempo atrás ela publicou no Facebucket que X-Men: Apocalipse tinha sido o melhor filme do ano até então… Ela pode até estar uns dez anos na minha frente, mas essa menina ainda tem muito o que aprender. Pelo menos nisso eu (acho que) ganhei dela.

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Eu, Você e Os Jogos Malditos

    No último domingo um amigo meu entrou no grupo de chat e anunciou que estava jogando um jogo casual, simples e gratuito. “Baixa esse jogo, vocês vão se lascar, não posso me lascar sozinho”, foram essas palavras aflitas que o sujeito supracitado usou para convencer os integrantes do grupo a jogar também. Eu baixei o jogo, eu joguei o jogo e eu me lasquei.

    Não citarei o nome do jogo para não ajudar a espalhar essa desgraça pelo mundo, mas farei uma descrição ligeira dele. O jogo consiste em clicar na tela para eliminar monstrinhos e passar de fase. Você ganha dinheiro matando os monstros e faz uma infinidade de upgrades pra conseguir matar os monstros mais ligeiro. A graça do jogo desaparece pouco tempo depois, os números chegam a casas astronômicas e param de fazer sentido. Em vez de parar de jogar o que eu faço? Continuo jogando. Gasto um pouco mais de tempo e desligo. No outro dia eu abro de novo e o jogo não parou. Acho um absurdo e o jogo começa a parecer pior. Nem por isso eu paro de jogar.

    O tempo gasto nesse entretenimento maldito é muito menor do que eu costumo gastar em outros jogos, mas qualquer minuto gasto com isso parece custar horas do meu dia. Diante desse quadro revoltante eu fico pensando em quantas pessoas estão na mesma situação.

    O vício em jogos casuais é uma praga relativamente recente. Quem tem a minha idade lembra da febre que foram os jogos do Orkut. As pessoas mais improváveis gastavam a vida jogando Colheita Feliz e coisas do tipo. No Facebook isso também acontece e depois da popularização dos smartphones isso tomou proporções inimagináveis. Isso me leva a questionar o motivo pelo qual esses jogos nos escravizam dessa forma. Pensando um pouco só chego a uma conclusão: todos esses jogos foram tocados pelo demônio e estão infundidos com o poder das trevas.

    Pra mim não existe outra explicação. Algo sobrenatural move esses joguinhos e por isso ficamos presos apesar da raiva e da aversão que eles nos causam. Deixo aqui registrado que pretendo reverter essa relação nociva com o jogo maldito que apareceu na minha vida. Pretendo acabar com essa jogatina sem sentido e voltar minha atenção para vícios menos danosos opções de entretenimento mais saudáveis. Caso você, estimado leitor, esteja passando por uma situação semelhante, saiba que você não está sozinho. Um dia conseguiremos nos livrar dessa desgraça… Mas enquanto esse dia não chega, vou aqui olhar o quanto de dinheiro juntou enquanto eu escrevia esse texto.

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Facebook de Bikini

Ontem aconteceu um dos eventos mais importantes da internet no ano de 2016. Na quinta-feira, 26 de Maio, entrou no ar a página do Cachorros de Bikini no Facebook.  A notícia, que contraria as projeções mais otimistas, pegou até os mais experientes das redes sociais desprevenidos. Foi algo tão inesperado que nem Zuckerberg viu essa chegando.

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    Quando eu comecei o blog eu sabia que em algum momento ele iria pras redes sociais. Compartilhar as postagens e pedir pros amigos fazerem o mesmo deu algum resultado, mas em algum momento isso precisaria passar para o próximo nível. Depois de procrastinar pra caramba planejar muito resolvi colocar o plano em prática. Consegui alguém pra fazer uma imagem de capa e foi só ela chegar que eu fiz a página. Só que nesse intervalo de tempo entre receber a ilustração da capa e colocar a página no ar eu notei uma parada muito importante: eu não sei mexer na bexiga do Facebook.

    Sem exagero nenhum, o máximo de coisa que eu já fiz na cria de Zuckerberg foi configurar a privacidade das postagens e só. Diante dessa informação não é difícil acreditar que eu não tenho a menor ideia do que eu estou fazendo. Toda a experiência em redes sociais que está no meu currículo se resume a curtir uma página e em um belo dia virar administrador dela, e isso já aconteceu umas três vezes. Em uma delas eu nem conheço o dono da página, acabei virando administrador só por que estava lá junto com a meia dúzia de pessoas que curtia a página no começo. A prova final da minha inaptidão pra isso foi a dificuldade de criar a maldita página.

    Criar páginas no Facebook é simples e intuitivo. Não é difícil de mexer, mas é praticamente impossível achar uma categoria certa pra sua página se seu site for um blog pessoal. Depois de rodar por todas elas acabei me conformando em colocar a página na categoria “Site”. Nem vou falar sobre o desastre que foi escolher o público alvo da página pra minimizar a vergonha que eu já estou passando.

    Pra terminar vou agradecer primeiramente ao pessoal da Quadro a Quadro que fez essa ilustração maravilhosa pra capa da página. Agradeço a todos os amigos que aceitaram o convite de deixar seu like na página, principalmente aos que estão fazendo campanha pra conseguir mais gente pra curtir a página, agradeço muito a você que nunca nem me viu e de alguma forma chegou aqui pra ler esse post, mas o maior agradecimento vai pra Mark Zuckerberg. Muito obrigado, Mark, sem você nada disso seria possível.

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No More Trouble

Essa semana foi tensa. Essa semana foi de torar em banda. Nossa classe política tocando fogo no país e a internet pegando fogo. Nesse momento praticamente todo mundo está brigando com alguém ou mostrando seu repúdio por alguma coisa. Deputado mandando beijo pra Xuxa, deputado se cuspindo, presidente #xatiada, dólar que cai subindo reportagem especial sobre a primeira dama do vice, reportagem especial falando mal da reportagem especial sobre a primeira dama da vice e mais um monte de coisa está gerando uma quantidade inacreditável de discussões world wide web a fora. Essas discussões estão gerando brigas diversas e ainda mais confusão. Pensando sobre isso tive um momento de iluminação.

Essa semana estava eu ouvindo reggae no carro. Tempos tão tumultuados pedem um pouco de positive vabration. E dentre os clássicos ouvidos naquele dia estava um dos maiores hinos compostos por Bob Marley. No More Trouble tem uma mensagem bem simples: a vida já tá difícil do jeito que é, não precisamos de mais problemas. A vida já anda muito complicada mas ainda tem gente que não se conforma com os problemas nossos de cada dia e se esforça de verdade pra arrumar mais.

Independente do que acontecer ainda vamos ter que levantar de manhã e cuidar das nossas coisas. As contas ainda vão vencer, o dinheiro ainda vai ficar curto, a gente ainda vai chegar atrasado por causa do trânsito, as crianças ainda vão precisar ir pra escola, o time ainda vai mal no campeonato, o calor vai continuar infernal, a chuva quando vier vai sair lascando tudo, você vai perder aquela promoção que tava esperando tem meses, a paciência vai faltar, a coragem também e daqui a pouco a internet também vai faltar. A vida vai continuar e o mal de cada dia vai estar lá pra gente resolver. Se não bastasse tudo isso e mais um monte de coisa, ainda tem os problemas que cada um faz questão de arrumar pra si mesmo.

Por essas e outras eu sigo a dica do meu pai. Pra toda possível treta, confusão, atrito e desentendimento ele sempre diz a mesma coisa: “EVITE”. Se depender de você, não arrume mais problemas. Eu não preciso de mais problema, provavelmente você também não, por isso deixe pra lá discussões que não vão a lugar nenhum, não arrume treta de graça com seu amiguinho e não esquente a cabeça com aquilo que não depende de você. E principalmente, não leve pro lado pessoal. O problema não é com você, é com todo o resto.

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Esquecemos Nossas Raízes

Tenho observado duas coisas recentemente: o meu feed das redes sociais e o calendário. Os dias passando e os assuntos das redes sociais não mudam. Discussões acaloradas, manifestações políticas, piadinhas diversas, incontáveis memes, conversa vazada sem querer, conversa vazada de propósito, acusações de golpe, contra-golpe, reversal, combo breaker e tudo que se pode imaginar sobre a política do Brasil. Mas os dias continuavam a passar e nada do que eu esperava apareceu. Cheguei à conclusão de que esquecemos nossas raízes.

A internet é um lugar maravilhoso. Lugar este que é movido pela raiva e amor de seus usuários e regido pelo calendário. Regência essa que me fez estranhar o que ocorreu esse ano. A páscoa está chegando e, como em todas as datas de igual magnitude, a internet começa a reagir. As mesmas piadas, as mesmas reclamações, piadas novas satirizando piadas dos anos anteriores e coisas do tipo. Mas o suprassumo da época é tudo que envolve o objeto máximo dessa data, a internet se enche de gente falando sobre ovo de páscoa.

Receita de ovo, preço de ovo, comparativo entre o peso/preço da barra e o peso/preço dos ovos. Nessa época a internet costumava encher o saco de tanto que se falava de ovo de páscoa. Mas eis que no ano da Graça de Nosso de Senhor de 2016 um cataclísma político cai sobre a internet brasileira. Uma catástrofe tão grande que, além de jogar irmão contra irmão, pai contra filho, destruir amizade  e promover um cancelamento em massa de assinaturas no Facebook, nos causou um mal do qual talvez não nos recuperemos. Ignoramos totalmente nossas raízes e interrompemos um rito tão tradicional da internet. Diante de nós uma tradição tão forte deu os primeiros sinais de desaparecimento.

Eu nunca compartilhei uma notícia sequer de sobre ovo de páscoa. Nunca divulguei um comparativo que mostrava as vantagens de consumir chocolates apenas em barra. Não fiz nada disso. Fico pensando se eu não colaborei para a internet esquecer suas raízes. Se minha indiferença em relação ao chocolate ovalado não foi uma contribuição para a perda de tão sublime tradição. Agora não vale mais pensar sobre isso, o mal já está feito, só me resta acreditar que os antigos mestres da tradição não vão deixar esse rito tão antigo desaparecer de nossas redes.

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Sabemos Coisas Terríveis Sobre Nós Mesmos

Outro dia estava eu vagabundeando pelo meu feed do facebook e me deparo com uma publicação deveras interessante. Uma amiga minha estava compartilhando uma página. Segundo a descrição da página, aquele era um lugar que promovia discussões saudáveis de todos os tipos, promovendo o enriquecimento intelectual de todos aqueles dispostos a participar. Como eu não sou um usuário hard de facebook e como meu intelecto fez um voto de pobreza, se negando a ficar rico, acabei atentando para o texto que essa minha amiga utilizou quando compartilhou a página. Entre outras coisas ela dizia “sabemos coisas terríveis sobre nós mesmos”. Isso já foi o suficiente pra deixar minha cabeça em estado de ebulição.

Pode parecer extremamente óbvio, mas somos as pessoas que mais sabem dos nossos próprios podres. Somos as maiores testemunhas dos nossos próprios crimes. Tudo que fazemos é conhecido por pelo menos uma pessoa. Mas esse conceito é bem besta, o que eu quero sugerir é um pequeno exercício mental.

Imagine uma pessoa hipotética, uma pessoa que sabe absolutamente tudo sobre você. Tudo mesmo. Vamos chamá-la de Pessoa A. Pessoa A está conversando sobre você com uma Pessoa B. Pessoa B só faz te elogiar, de um jeito que faz a Pessoa A ficar irritada. Como ela sabe tudo sobre você, decide acabar com a imagem que a Pessoa B tem de você. Então ela solta um podre cabuloso, daqueles que poderiam terminar uma amizade, um namoro, um casamento ou simplesmente fazer você parecer a pessoa mais horrível do mundo. Que podre seria esse?

O que fizemos que pode ser usado em uma fofoca venenosa? O que temos medo que seja descoberto? O que faria com que todo mundo nos visse de forma diferente? Essas perguntas são bem simples de responder. Não importa se você precisa pensar um pouco, se precisa pensar muito ou se tem a resposta na ponta da língua. Não existe uma Pessoa A, mas você sabe exatamente qual a resposta.

A verdade é que sabemos coisas terríveis sobre nós mesmos. Que talvez sejam terríveis só pra nós e mais ninguém. Ou que sabemos que seriam terríveis para outras pessoas. Caso você ainda esteja em dúvida sobre quais coisas terríveis são essas, basta fazer um exercício bem simples: pense em você como se fosse outra pessoa. Talvez isso te renda mais conhecimento do que imagina.

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