Cachorros de Bikini

Não é um blog sobre cachorros e bikinis

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Maiara e Maraisa de Bikini

Mais ou menos um ano e meio atrás eu publiquei neste mesmo blog um post sobre como um monte de gente chegava, e ainda chega, no Cachorros procurando por Maísa de biquíni, e todas as variações possíveis disso, no Google. Tirando uma ou outra busca mais ou menos exótica, pensava eu que a única busca por celebridades em trajes de banho que acabaria nestas páginas azuladas seria essa. Mais uma vez comprovei que eu não sei nada sobre nada. Claro que eu ainda quero falar um pouco mais de Maísa de biquine, mas não hoje.

Esses dias estava passeando pela área de administração do Cachorros de Bikini quando vi duas coisas bem curiosas. A primeira é que alguém chegou por aqui procurando por fotos pornográficas, não sei como, mas chegou. A segunda é que algum ser humano conseguiu encontrar este humilde blog procurando no Google pelo seguinte assunto:

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Imediatamente a minha reação foi:

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Entendo a curiosidade que alguns têm em ver algum artista em roupas, digamos, mais leves. Principalmente quando esse artista em questão não é uma adolescente que nem nossa amiga Maísa. Depois que a cabeça voltou pro raciocínio regular comecei a pensar no quanto a pessoa teve que se esforçar pra chegar aqui procurando por “maiara & maraisa en bikini”. Aí fui ver o quanto de trabalho uma pessoa precisa ter pra chegar no Cachorros de Bikini com essa mesma busca. Você deve imaginar o tamanho da surpresa quando eu vi isso aqui:

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Não sei o quanto o Google otimiza minhas buscas, mas lá estamos nós na SEGUNDA página de pesquisa. Testei fazer o mesmo com a navegação no privado e o resultado não foi muito diferente. Por fim chego à duas possíveis conclusões: ou não existe em lugar algum da internet alguma página que coloque no mesmo lugar as palavras “maiara”, “maraisa” e “bikini”, ou a gama de assuntos por aqui tá tão variada que daqui a pouco qualquer busca que tenha “bikini” no meio vai acabar aqui.

Para aqueles que vão chegar aqui por causa do biquíni de Maiara e Maraisa vai o meu muito obrigado. Para aqueles que ainda vão chegar procurando alguma outra fulana em trajes menores eu digo, sejam bem vindos… E para aqueles que querem saber mais sobre Maísa de biquíni eu digo que esperem até a semana que vem.

 

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Não Quis Peidar Na Casa da Namorada e Morreu

Ontem estava eu em minha residência quando minha mãe me perguntou se eu sabia do caso de um jovem mexicano que segurou o peido até morrer. Estarrecido por um evento tão trágico, peculiar, mas ainda assim trágico, fui olhar nas internets e me deparei com manchetes desse calibre:

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Curiosamente essa notícia só foi veiculada por sites de notícia menores e no Facebook, provavelmente por gente que compartilhou as notícias desses mesmos sites. Se você quiser saber mais sobre essa história e ainda de quebra ver alguns motivos para não segurar a flatulência, clique NESSE LINK AQUI.

O ocorrido foi o seguinte: nosso amigo mexicano, identificado apenas como Jorge M., foi visitar sua namorada perto da hora do almoço. Não sei se ele já tinha essa intenção, mas acabou sendo convidado para almoçar com a namorada e a sogra. Segundo relatos a refeição em questão exigiu bastante das capacidades digestivas do pobre Jorge e seu corpo começou a produzir uma quantidade inesperada de gases. Como o espaço disponível nos intestinos é limitado, o gás pediu pra ser liberado e foi nesse momento que Jorge teve a péssima ideia de não deixar o gás sair. Não sei se o namoro dele era recente ou se ele nunca tinha ido pra casa da namorada, mas o jovem mexicano não quis passar a vergonha de liberar os gases na casa da sua amada e sacrificou o próprio bem estar em nome da reputação. Até aí tudo bem, dá pra entender os motivos do sujeito, mas o tempo passou e perto das oito da noite Jorge, que ainda estava na casa da namorada, caiu no chão com dores abdominais fortíssimas. Foi levado ao hospital, mas não resistiu à uma parada muito louca que deu no intestino dele por causa do acúmulo de gases e morreu.

Vamos pensar um pouco. O cara foi almoçar na casa da namorada, ficou com vergonha de peidar e segurou a onda, não conseguiu um momento livre de testemunhas para liberar os flatos, manteve sua vontade inabalável até o momento em que seu corpo desistiu e entrou em colapso, quase oito horas depois. Olha…

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Esse ser humano tá de parabéns. Ele não só fez uma coisa complicada, ele provocou o colapso do próprio intestino e MORREU pra não passar a vergonha de peidar na frente da namorada. Ele não conseguiu dar uma chegadinha no banheiro? Não conseguiu inventar uma desculpa pra voltar pra casa mais cedo e sair peidando pela rua? E que peido nefasto é esse? O cara tinha comido alguma coisa morta? Alguma coisa viva que morreu e apodreceu dentro dele? Ele tinha alguma doença que transformava o peido dele numa nuvem de veneno mortal? Ou será que ele tinha apenas o costume de segurar o gás e essa foi a gota que transbordou o copo? Impossível responder, mas o resultado tá aí e com ele uma valiosa lição pra todos nós.

Passar vergonha é uma bosta. Vergonha é uma sensação terrível e muita gente prefere uma topada com o dedinho na quina da cama do que passar um pouco de vergonha. Ninguém quer se queimar com a galera por causa de uma besteira, mas até que ponto estamos dispostos a suportar qualquer tipo de sofrimento para evitar a vergonha? Jorge M. era só um carinha mexicano que não queria peidar e acabou morrendo por causa disso. Não quero nem pensar quanta gente tá morrendo por ter vergonha de fazer coisas que são tão naturais quanto respirar.

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Fui Ver Sem Saber e Olha No Que Deu

Essa semana assisti aquele que já é um dos melhores filmes de 2017, Baby Driver ou, na versão brasileira Herbert Richards, Em Ritmo de Fuga. Eu poderia falar de como o filme é sensacional e dar alguns vários motivos pra você que está lendo isso aqui partir imediatamente para o cinema mais próximo pra ver esse filme. Eu não vou fazer isso porque surgiu a chance de falar de algo sobre a minha história com esse filme e com alguns outros.

Tudo começou quando eu fui ver o filme novo do Homem-Aranha. Por causa de alguns problemas logísticos acabei entrando na sala já no meio dos trailers, o trailer de Em Ritmo de Fuga terminou exatamente quando eu sentei na cadeira, mas pela reação de uma das pessoas que estavam comigo percebi que aquele não era só mais um trailer. Os dias passaram e vários dos veículos de mídia que eu consumo começaram a publicar suas críticas (extremamente) positivas sobre o filme. De fato não li mais do que a chamada das resenhas, mas comecei a notar que esse não era só mais um dos blockbusters do verão americano. O filme estreou e eu fui dar uma sacada nas notas dele por aí, todas elas bem altas, nesse ponto eu já estava pra comprar o meu ingresso motivado pela pura curiosidade de assistir ao filme que eu não fazia a mínima ideia do que se tratava.

Fui lá. Vi o Filme. Achei maravilhoso e, depois de passar a sensação de ser atropelado por aquela obra cinematográfica, comecei a pensar.

A internet mudou muita coisa nas nossas vidas, talvez a principal delas foi a forma como conseguimos nos informar sobre as coisas. Hoje em dia os livros que não saíram têm prévias divulgadas pelas editoras, se é material traduzido você pode facilmente obter o material estrangeiro pra dar uma avaliada, provavelmente o primeiro lugar onde vemos um trailer de um filme novo é o YouTube e pra ler uma resenha ninguém precisa mais comprar um jornal ou uma revista. Quantas vezes já fomos ao cinema sabendo tudo sobre um filme? Quantas vezes a quantidade de críticas negativas te fez economizar o dinheiro do ingresso?  Quando foi a última vez que você parou na frente do cinema, olhou o que estava em cartaz e foi ver um filme do qual você não sabia absolutamente nada? Para entendermos melhor o tamanho da mudança precisamos lembrar como as coisas eram e pra ilustrar bem eu vou contar uma historinha.

Um dos maiores traumas da vida da minha querida mãe envolve um dos filmes da franquia Alien. Uma vez ela me contou de como foi levar meus tios pra assistir o filme, na verdade de como ela foi enganada por eles, já que nunca que ela veria um filme daqueles por livre e espontânea vontade. Até hoje ela lembra do alien saindo do peito do cara com uma dose de terror no olhar. Fui lá apurar a história pelo outro lado, perguntei ao meu tio por que ele tinha enganado minha mãe só pra ver aquele filme, a resposta foi bem interessante. Na prática ele não enganou ninguém, já que ele não sabia nada sobre o filme. Segundo ele a forma que as pessoas escolhiam o que iam ver no cinema era bem simples: você abria o jornal, via o cartaz do filme, com sorte conseguiria identificar o nome de algum dos atores ou do diretor, olhava o horário e ia pro cinema. Hoje em dia ainda dá pra fazer isso? Dá. Você tem opção de não fazer as coisas desse jeito? É lógico que tem, mas antes não existia essa possibilidade.

Pra terminar só digo que vale a pena dar uns tiros no escuro de vez em quando. Vá lá ver sem saber de nada, sem compromisso e esteja aberto pra receber aquilo que aparecer na tela… A menos que o ingresso esteja muito caro, se o ingresso estiver caro não faça isso, espere sair no Netflix.

Hiato de Bikini #2

Pois é, queridos leitores, chegamos a mais um anuncio de hiato. Só que dessa vez o hiato vai ser só para o esquema atual de publicações. Nas próximas seis ou sete semanas os Contos de Segunda e os nossos posts sobre assuntos diversos vão tirar uma folga… Na verdade os personagens de segunda estão de greve, mas isso é outra história.
Esse hiato vai ser uma boa oportunidade pra fazer outras coisas e colocar outras ideias no papel. Por isso não se preocupe, ainda vai ter coisa saindo aqui, só que vão ser outras coisas. As coisas de sempre voltam em junho.
Vejo você por aí.

 

Nem Vi Que Chegou no 250

Hoje entrei na área de administrador deste humilde blog e reparei que o número de posts estava em 252. Por alguns segundos o cérebro deu uma bugada. “Como assim passou do 250 e eu não vi?”, foi o que passou pela minha mente naquele instante. Parei pra pensar um pouco e lembrei que o post de número 250 saiu na quarta da semana passada, já que não saiu nada na sexta por causa de uma noite em claro e uma sessão de Pathfinder. Voltei lá na lista de posts e vi que o post de número 250 foi esse aqui:ababa

Acabo de reparar que esse texto foi publicado no Dia do Índio. Obviamente isso não tem nada a ver com as outras coisas que eu vou escrever, mas fique sabendo que, até a hora de publicação deste texto, eu estarei extremamente tentado a dar o maior Alt+Tab da história deste blog para falar de índio. Só não faço isso porque essa marca histórica precisa ser devidamente registrada e comentada.

Originalmente o post de número 250 seria, mais uma vez, sobre o tema que traz mais pessoas da busca do Google para este pequeno site: Maísa de biquini.

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Esse tema já tá maturando na minha cabeça faz um tempo e, se as coisas saírem como eu tô pensando, vai render o texto mais divertido da história deste site. Mas, como vocês já devem ter notado, eu resolvi falar de outra coisa e Maísa vai ficar pra depois. Mal aí, Maísa.

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Fico pensando como seria se eu tivesse lembrado da quantidade de posts na semana passada. Provavelmente faria uma publicação comemorativa nos moldes dos especiais de 100 e 200 publicações… Se bem que o número 200 foi um conto e o especial foi o 199… Enfim, detalhes. Pensando direito, com exceção do número 200 e do número 75 que foi o primeiro de uma série anual, todos os números mais significativos foram ocupados por posts que falam de como esses números são significativos. Não teve nada que fizesse deles uma publicação verdadeiramente marcante. Pelo menos até agora. Pois no último Dia do Índio, eu publiquei o meu post preferido de 2017, pelo menos até a presente data. Uma publicação carregada de sinceridade, de verdade e, principalmente, da paixão que eu tenho enquanto pessoa fã das coisas. Além disso, ele é o lembrete de um dos momentos mais legais, se não o mais legal, da minha vida de fã. Toda vez que eu der uma lida nele vou lembrar disso e saber que ele é o número 250 só deixa ele com um gosto ainda mais especial.

O final desse post vai ser com aquela velha conversa de sempre. 250 é um número lindo, mas não quer dizer tanta coisa assim. Quando (e se) chegarmos aos 500, 1000 ou 10.000 posts, essa marca não será nada… Mas isso é no futuro, agora esse 250 é tão bom quanto qualquer número que vai ter depois dele.

O Sereio Brasileiro

    Hoje estava peregrinando por um grande portal de notícias daqui de Pernambuco quando me deparo com a seguinte manchete:

Sereio

    Se você quiser ler a matéria na íntegra é só CLICAR NESSE LINK.

    Em resumo a matéria fala de Davi Moreira. Ele mora no Rio de Janeiro e é adepto do sereismo. Na prática o sereismo não tem nada de muito exótico ou exagerado, o adepto desse estilo de vida, além de ter um grande amor pelo mar (ou rio, ou piscina, ou qualquer ajuntamento de água profundo o suficiente pra dar uma nadada) quem leva esse estilo de vida nada usando uma cauda de sereia.

    Davi Sereio, como gosta de ser chamado, começou a ganhar notoriedade por causa das suas fotos e vídeos que estão por aí nas internets. Atualmente ele recebe vários convites pra animar baladas e festas na piscina e ganha até 200 dilmas pra fazer essas participações. Segundo ele essa admiração pelas sereias começou com A Pequena Sereia e aumentou depois de ler a obra de Mirella Ferraz, que além de escritora faz esses esquemas de sereia.

    Inclusive se você entrar no blog da moça, com o sugestivo nome de Eu Sou Uma Sereia, vai descobrir que existe toda uma cultura sereista e um monte de gente que é super fã dessas paradas. Lá você também encontra UMA PORRADA de fotos da moça com as mais diversas caudas de sereia, algumas delas assustadoramente reais.

    Enquanto a nossa amiga escritora prefere fazer a distinção entre os gêneros quando fala do povo submarino, detalhados nesse post muito bom sobre tritões que acaba falando das sereias no geral, nosso amigo Davi se considera um meio termo entre sereias e tritões, preferindo a alcunha de sereio, sob o pretexto de adotar uma identidade sem gênero quando coloca o seu rabo de peixe. Apesar dos comentários negativos e da galera galhofando da cara dele, Davi persiste fazendo o que ama, que é atacar de sereio sempre que pode.

    Aí chega o ponto que eu preciso opinar sobre a parada do cara ser sereio. Paro pra avaliar a notícia e chego à conclusão que tudo isso é uma das coisas mais malucas que eu vi nos últimos tempos. Digo isso mais por não imaginar que existisse isso do que por achar que as pessoas que praticam essas sereiadas são malucas. Acredito que todo mundo já pensou como seria se a gente fosse sereia, a diferença é que essa galera não ficou só pensando, foi lá e fez. Só pela atitude essa galera já ganha uns pontos e ganha mais uns se fizer que nem Davi Sereio que nada no mar usando rabo de sereia. Já é cabuloso nadar no mar de forma geral, imagina usando um rabo de sereia?

Cada vez mais me convenço que o mundo está cheio dos mais variados tipos de pessoa e por causa da internet esses tipos mais exóticos aparecem pra gente mais fácil. Justamente por isso não posso dizer que essa de sereia é novidade, provavelmente já tem gente fazendo isso desde sempre e a gente que nunca ouviu falar. Já dizia Salomão: não tem nada de novo debaixo do sol… Nem gente que usa rabo de sereia

Qual o Seu Tipo de Pessoa?

Ontem estava eu fazendo meu cadastro para poder baixar um conteúdo gratuito de uma certa loja. Em dado momento fui eu preencher aquelas informações que eles colocam na nota fiscal. O primeiro campo para preencher era esse aqui:

TipoPessoa

Imediatamente fui levado à uma reflexão relâmpago. Obviamente que o formulário só queria saber se eu era uma pessoa física ou jurídica, inclusive eu fiquei tão estupefato pelo efeito do campo “Tipo de Pessoa” que foi um alívio ver que só existiam essas duas opções. Concluí meu pedido, o PDF chegou no meu email, mas aquela interrogação permaneceu na minha cabeça. Que tipo de pessoa eu sou afinal?

A primeira coisa que precisamos estabelecer aqui é se de fato as pessoas podem ser divididas em tipos. Nosso procedimento normal ao conhecer uma pessoa, seja pra valer ou superficialmente, é encaixar essa pessoa em alguma, ou algumas, das categorias de pessoas que criamos ao longo das nossas vidas. Não classifico isso como um comportamento preconceituoso, na prática precisamos disso pra criar uma espécie de bússola social. Saber onde pisa é o primeiro cuidado que precisamos tomar ao viver em sociedade e esses rótulos que colocamos nos outros nos ajudam a evitar alguns conflitos desnecessários. A parte ruim disso é que corremos o risco de cair na tentação de sermos muito taxativos.

Precisamos lembrar que vivemos num mundo onde as pessoas são tridimensionais. Mesmo que muitos não pareçam, todos os seres humanos podem ser encaixados em algumas, se não várias, categorias e normalmente a quantidade de categorias nas quais encaixamos as pessoas é proporcional ao tanto que conhecemos elas. Pensando nisso eu lembrei de uma parada que eu acabei de descobrir como se chama do diagrama de Venn. Fica fácil de entender como ele funciona observando o exemplo 100% verídico abaixo:

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Seguindo por etapas nós dividimos as pessoas em uma e, dependendo da pessoa ou do nível de conhecimento que temos dela, vemos em quais outras categorias ela se encaixa e criamos uma espécie de diagrama para cada pessoa. Essa ideia foi colocada em prática de uma maneira trinta e cinco vezes mais inspiradora do que nesse texto por uma rede de TV dinamarquesa. Se for assistir, lembre de se certificar que as LEGENDAS ESTÃO LIGADAS.

Mas aí chegamos ao ponto crítico desse tema. Você já se perguntou que tipo de pessoa você é? Normalmente somos relativamente cientes daquilo que não somos. Digo relativamente porque o autoconhecimento pleno é uma coisa difícil de conseguir e que normalmente não colocamos como meta da vida. Inclusive é bem provável que você, caro leitor, esteja na mesma situação que eu. E eu não consigo dar uma resposta 100% para uma pergunta dessa. Eu posso ficar aqui pensando um tempão e continuar insatisfeito com a resposta. Sempre vai ter alguma coisa que eu não estou enxergando ou algum traço de personalidade que passe despercebido. Exatamente por isso que vou tentar chegar a uma resposta decente pra essa pergunta e recomendo que você faça o mesmo. Quem sabe a gente não aprende alguma coisa?

É Dia da Mulher e Eu Não Sei O Que Fazer

    Hoje, 8 de março, é o Dia Internacional da Mulher. Normalmente rola algum tipo de homenagem ou enaltecimento do ser humano feminino e todo mundo de repente lembra de tratar as mulheres direito, ou pelo menos um pouco melhor do que de costume. Obviamente o tema do texto de hoje seria alusivo a esse dia tão icônico, mas a dúvida estava justamente em como abordar o tema. A resposta, ou a não resposta, veio depois de fazer uma coisa que a gente muitas vezes esquece de fazer. Eu parei, olhei ao redor e tentei enxergar além das definições padrão do meu sistema. Agora me arrependo um pouco de ter feito isso.

Nunca antes na história desse país as questões ligadas ao feminino estiveram em tanta evidência e é justamente por isso que o Dia Internacional da Mulher está cada vez menos “rosa e Sonho de Valsa” e mais ligado com a raiz da luta pelo direito das mulheres. Por isso eu entrei no Facebook e vi uma quantidade grande de posts cheios de indignação. Olhei por aí na internet e me deparei com uma série de coisas alusivas ao Dia Internacional da Mulher, mas nenhuma delas falava de amenidades que eu estava mais acostumado a ver. De dados alarmantes até histórias comoventes, tudo remetia ao viés original do dia dedicado à luta das moças.

Aí chegamos à minha situação. Eu, um pobre moço que, além de estar no mesmo time de Jon Snow e não saber de nada sobre nada, sou homem e tenho o desafio de fazer um post sobre o Dia Internacional da Mulher em um blog que tem como premissa principal não falar de coisas sérias. Aí em dado momento dessa quarta-feira eu estava exatamente assim:

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Hoje é Dia Internacional da Mulher e eu literalmente não sei o que fazer. Não sei se eu “comemoro” esse dia ou me revolto junto com as moças. Não sei se gasto mais tempo avaliando a sociedade em geral ou me avaliando pra saber se eu também tenho culpa nessa história de tornar a vida das moças pior. No momento em que eu escrevo esse texto eu nem sei mais se dar parabéns é certo ou não. Muito provavelmente estarei errado em qualquer coisa que eu fizer, por isso é até melhor eu não fazer nada.

Eu poderia fazer um texto bonitinho, elogiar o ser feminino enquanto arquétipo ou enaltecer as moças de alguma forma. Mas, por incrível que pareça, isso não é muito adequado. ´Hoje só é o dia que é porque tinha um monte de coisa errada e boa parte dessas coisas continua errada. Espero que um dia o dia 8 de março traga consigo mais das lembranças de uma luta que passou e menos de uma luta que ainda está na metade. Sinceramente desejo que as moças tenho cada vez menos motivos pra lutar. Até ano que vem.

(Não) Carnaval 2017

    Algumas regiões do Brasil são praticamente sinônimo de carnaval. Em algumas outras a festa existe, mas não é tão famosa, e em outras localidades o carnaval praticamente inexiste. Inclusive são essas cidades que costumam receber as pessoas que querem fugir do carnaval. Como eu dificilmente saio de casa no carnaval e moro em um dos estados que são sinônimo de carnaval, o carnaval acaba chegando em mim. Seja pela música alta dos vizinhos, pela troça que você encontra na rua quando vai comprar pão, as notícias no jornal ou pelo desvio do trânsito por causa do bloco que vai passar. O carnaval chega, pelo menos chegava. Digo isso porque em 2017 o carnaval parece mais que não chegou por aqui.

    Os meus vizinhos devem ter sido abduzidos, porque nesses últimos dias eu não ouvi música nenhuma. Saí uma ou outra vez e não vi nenhuma troça, bloco ou similar na rua. Vi uma ou outra notícia na televisão, mas dei tão pouca atenção que parecia mais que tudo aquilo estava acontecendo em outro lugar. Nem as pessoas conhecidas falaram muito sobre carnaval. As fotos que apareceram nas redes sociais pareciam mais deslocadas no tempo. Acho que nunca antes na vida eu estive tão longe dos festejos carnavalescos. Não me lembro se houve um carnaval com a vizinhança tão silenciosa. Nunca estive tão próximo da sensação de morar em um lugar onde o carnaval não existe.

    “Ah, Filipe, mas que besteira. Em um monte de lugar não tem carnaval e não vejo ninguém fazendo espanto por causa disso”. De fato isso é uma besteira, mas tem dois motivos pra eu fazer espanto com isso. O primeiro é o fato de que eu só escrevo sobre besteiras. Se eu não falar das besteiras, eu não vou falar de nada. O segundo motivo é o meu endereço. Eu moro em Pernambuco e aqui o carnaval começa oficialmente depois da virada do ano, isso quando a virada de ano já não é em clima de carnaval ou quando as atividades carnavalescas não começam depois do São João. Ou seja, aqui é carnaval até quando não é pra ser. Tanto que ninguém se admira com essa vibe carnavalesca quase permanente. Exatamente por isso que eu tô achando tudo tão estranho. Na verdade estava, porque o carnaval acabou de acabar.

    As cinzas da quarta-feira já estão indo embora e com elas mais um carnaval. Ano que vem ele vem um pouco mais cedo, dia 10 ele já começa. Se bem que na velocidade em que 2017 tá passando, quando a gente se der conta já vai ser carnaval de novo. Feliz ano novo, 2017 começa pra valer agora.

Tá Tudo Uma Bosta 2.0

                Lá nos primórdios do Cachorros de Bikini eu publiquei “Tá Tudo Uma Bosta”, um texto que fala sobre não ter vergonha de admitir que as coisas estão um cocô. Como estamos em uma série de textos sobre reclamar da vida, achei pertinente revisitar o tema sob outra perspectiva.

                Pare pra pensar um pouco junto comigo. Basicamente existem duas formas de estar tudo uma bosta. A primeira é quando de fato as coisas estão uma bosta, seja por causa de um evento específico ou por um conjunto de eventos ruins. Quando isso acontece a gente costuma reagir de forma corajosa, pega o boi pelos chifres e enfrenta o desafio de frente, muitas vezes sem nem dizer aos outros que pelo que estamos passando. Isso acontece principalmente pelo fato de estarmos enfrentando situações e problemas realmente ruins. Comprovando que é diante das dificuldades que o ser humano mostra o que tem de melhor. Mas aí chegamos à segunda e principal forma de tudo estar uma bosta: quando elas parecem estar uma bosta. E é diante dessa segunda forma que o ser humano costuma reagir de forma menos, digamos, nobre.

                Junte uns boletos que ainda não foram pagos, uma hora ou duas preso no trânsito, uma bronca do chefe e um banho indesejado de chuva. Pronto, essa é a receita pra fazer alguém chegar à conclusão de que está tudo uma grandessíssima bosta. Obviamente tudo isso está longe de ser algo bom, mas são eventos pontuais que dificilmente acontecem juntos com muita frequência. Eventos que normalmente não estão sob nosso controle e seus malefícios têm um efeito de curta duração. São mais incômodos do que problemas e é justamente por isso que não temos muito o que fazer e é justamente nessa falta de opções para gastar as energias geradas pelas pequenas desgraças que nasce a vontade de reclamar.

                Tão certo como um dia após o outro é a reclamação nossa de cada dia. As pequenas coisas ruins da vida se aglomeram para formar um monstro que nos envenena a mente e nos transforma no tipo mais azedo de ser humano. Resmungamos sem parar e até as coisas boas são enxergadas através das lentes fecais do mau humor. E não basta só resmungar pro amiguinho do lado, desenvolvemos a necessidade de espalhar aos quatro ventos as desgraças que estão acontecendo nas nossas vidas e nesse ponto a internet exerce um papel fundamental. Se antes nossas queixas eram compartilhadas apenas com as pessoas fisicamente próximas, agora podemos literalmente falar isso pra todo mundo. Nem preciso dizer que por causa disso o que a gente mais vê por aí é gente reclamando de tudo na internet. Inclusive tem a galera que faz APENAS isso da vida, ou pelo menos da vida virtual.

                Por fim gostaria de lembrar que as aparências enganam. Não é porque tem cara de bosta e cheiro de bosta que tá tudo uma bosta. Muitas vezes as coisas não vão tão mal quanto parece, outras vezes elas estão indo até bem. Às vezes só depende de como vemos as coisas.

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