Cachorros de Bikini

Reflexões rasas sobre coisas profundas e reflexões profundas sobre coisas rasas

Qual o Seu Tipo de Pessoa?

Ontem estava eu fazendo meu cadastro para poder baixar um conteúdo gratuito de uma certa loja. Em dado momento fui eu preencher aquelas informações que eles colocam na nota fiscal. O primeiro campo para preencher era esse aqui:

TipoPessoa

Imediatamente fui levado à uma reflexão relâmpago. Obviamente que o formulário só queria saber se eu era uma pessoa física ou jurídica, inclusive eu fiquei tão estupefato pelo efeito do campo “Tipo de Pessoa” que foi um alívio ver que só existiam essas duas opções. Concluí meu pedido, o PDF chegou no meu email, mas aquela interrogação permaneceu na minha cabeça. Que tipo de pessoa eu sou afinal?

A primeira coisa que precisamos estabelecer aqui é se de fato as pessoas podem ser divididas em tipos. Nosso procedimento normal ao conhecer uma pessoa, seja pra valer ou superficialmente, é encaixar essa pessoa em alguma, ou algumas, das categorias de pessoas que criamos ao longo das nossas vidas. Não classifico isso como um comportamento preconceituoso, na prática precisamos disso pra criar uma espécie de bússola social. Saber onde pisa é o primeiro cuidado que precisamos tomar ao viver em sociedade e esses rótulos que colocamos nos outros nos ajudam a evitar alguns conflitos desnecessários. A parte ruim disso é que corremos o risco de cair na tentação de sermos muito taxativos.

Precisamos lembrar que vivemos num mundo onde as pessoas são tridimensionais. Mesmo que muitos não pareçam, todos os seres humanos podem ser encaixados em algumas, se não várias, categorias e normalmente a quantidade de categorias nas quais encaixamos as pessoas é proporcional ao tanto que conhecemos elas. Pensando nisso eu lembrei de uma parada que eu acabei de descobrir como se chama do diagrama de Venn. Fica fácil de entender como ele funciona observando o exemplo 100% verídico abaixo:

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Seguindo por etapas nós dividimos as pessoas em uma e, dependendo da pessoa ou do nível de conhecimento que temos dela, vemos em quais outras categorias ela e criamos uma espécie de diagrama para cada pessoa. Essa ideia foi colocada em prática de uma maneira trinta e cinco vezes mais inspiradora do que nesse texto por uma rede de TV dinamarquesa. Se for assistir, lembre de se certificar que as LEGENDAS ESTÃO LIGADAS.

Mas aí chegamos ao ponto crítico desse tema. Você já se perguntou que tipo de pessoa você é? Normalmente somos relativamente cientes daquilo que não somos. Digo relativamente porque o autoconhecimento pleno é uma coisa difícil de conseguir e que normalmente não colocamos como meta da vida. Inclusive é bem provável que você, caro leitor, esteja na mesma situação que eu. E eu não consigo dar uma resposta 100% para uma pergunta dessa. Eu posso ficar aqui pensando um tempão e continuar insatisfeito com a resposta. Sempre vai ter alguma coisa que eu não estou enxergando ou algum traço de personalidade que passe despercebido. Exatamente por isso que vou tentar chegar a uma resposta decente pra essa pergunta e recomendo que você faça o mesmo. Quem sabe a gente não aprende alguma coisa?

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É Dia da Mulher e Eu Não Sei O Que Fazer

    Hoje, 8 de março, é o Dia Internacional da Mulher. Normalmente rola algum tipo de homenagem ou enaltecimento do ser humano feminino e todo mundo de repente lembra de tratar as mulheres direito, ou pelo menos um pouco melhor do que de costume. Obviamente o tema do texto de hoje seria alusivo a esse dia tão icônico, mas a dúvida estava justamente em como abordar o tema. A resposta, ou a não resposta, veio depois de fazer uma coisa que a gente muitas vezes esquece de fazer. Eu parei, olhei ao redor e tentei enxergar além das definições padrão do meu sistema. Agora me arrependo um pouco de ter feito isso.

Nunca antes na história desse país as questões ligadas ao feminino estiveram em tanta evidência e é justamente por isso que o Dia Internacional da Mulher está cada vez menos “rosa e Sonho de Valsa” e mais ligado com a raiz da luta pelo direito das mulheres. Por isso eu entrei no Facebook e vi uma quantidade grande de posts cheios de indignação. Olhei por aí na internet e me deparei com uma série de coisas alusivas ao Dia Internacional da Mulher, mas nenhuma delas falava de amenidades que eu estava mais acostumado a ver. De dados alarmantes até histórias comoventes, tudo remetia ao viés original do dia dedicado à luta das moças.

Aí chegamos à minha situação. Eu, um pobre moço que, além de estar no mesmo time de Jon Snow e não saber de nada sobre nada, sou homem e tenho o desafio de fazer um post sobre o Dia Internacional da Mulher em um blog que tem como premissa principal não falar de coisas sérias. Aí em dado momento dessa quarta-feira eu estava exatamente assim:

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Hoje é Dia Internacional da Mulher e eu literalmente não sei o que fazer. Não sei se eu “comemoro” esse dia ou me revolto junto com as moças. Não sei se gasto mais tempo avaliando a sociedade em geral ou me avaliando pra saber se eu também tenho culpa nessa história de tornar a vida das moças pior. No momento em que eu escrevo esse texto eu nem sei mais se dar parabéns é certo ou não. Muito provavelmente estarei errado em qualquer coisa que eu fizer, por isso é até melhor eu não fazer nada.

Eu poderia fazer um texto bonitinho, elogiar o ser feminino enquanto arquétipo ou enaltecer as moças de alguma forma. Mas, por incrível que pareça, isso não é muito adequado. ´Hoje só é o dia que é porque tinha um monte de coisa errada e boa parte dessas coisas continua errada. Espero que um dia o dia 8 de março traga consigo mais das lembranças de uma luta que passou e menos de uma luta que ainda está na metade. Sinceramente desejo que as moças tenho cada vez menos motivos pra lutar. Até ano que vem.

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(Não) Carnaval 2017

    Algumas regiões do Brasil são praticamente sinônimo de carnaval. Em algumas outras a festa existe, mas não é tão famosa, e em outras localidades o carnaval praticamente inexiste. Inclusive são essas cidades que costumam receber as pessoas que querem fugir do carnaval. Como eu dificilmente saio de casa no carnaval e moro em um dos estados que são sinônimo de carnaval, o carnaval acaba chegando em mim. Seja pela música alta dos vizinhos, pela troça que você encontra na rua quando vai comprar pão, as notícias no jornal ou pelo desvio do trânsito por causa do bloco que vai passar. O carnaval chega, pelo menos chegava. Digo isso porque em 2017 o carnaval parece mais que não chegou por aqui.

    Os meus vizinhos devem ter sido abduzidos, porque nesses últimos dias eu não ouvi música nenhuma. Saí uma ou outra vez e não vi nenhuma troça, bloco ou similar na rua. Vi uma ou outra notícia notícia na televisão, mas dei tão pouca atenção que parecia mais que tudo aquilo estava acontecendo em outro lugar. Nem as pessoas conhecidas falaram muito sobre carnaval. As fotos que apareceram nas redes sociais pareciam mais deslocadas no tempo. Acho que nunca antes na vida eu estive tão longe dos festejos carnavalescos. Não me lembro se houve um carnaval com a vizinhança tão silenciosa. Nunca estive tão próximo da sensação de morar em um lugar onde o carnaval não existe.

    “Ah, Filipe, mas que besteira. Em um monte de lugar não tem carnaval e não vejo ninguém fazendo espanto por causa disso”. De fato isso é uma besteira, mas tem dois motivos pra eu fazer espanto com isso. O primeiro é o fato de que eu só escrevo sobre besteiras. Se eu não falar das besteiras eu não vou falar de nada. O segundo motivo é o meu endereço. Eu moro em Pernambuco e aqui o carnaval começa oficialmente depois da virada do ano, isso quando a virada de ano já não é em clima de carnaval ou quando as atividades carnavalescas não começam depois do São João. Ou seja, aqui é carnaval até quando não é pra ser. Tanto que ninguém se admira com essa vibe carnavalesca quase permanente. Exatamente por isso que eu tô achando tudo tão estranho. Na verdade estava, porque o carnaval acabou de acabar.

    As cinzas da quarta-feira já estão indo embora e com elas mais um carnaval. Ano que vem ele vem um pouco mais cedo, dia 10 ele já começa. Se bem que na velocidade em que 2017 tá passando, quando a gente se der conta já vai ser carnaval de novo. Feliz ano novo, 2017 começa pra valer agora.

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Tá Tudo Uma Bosta 2.0

                Lá nos primórdios do Cachorros de Bikini eu publiquei “Tá Tudo Uma Bosta”, um texto que fala sobre não ter vergonha de admitir que as coisas estão um cocô. Como estamos em uma série de textos sobre reclamar da vida, achei pertinente revisitar o tema sob outra perspectiva.

                Pare pra pensar um pouco junto comigo. Basicamente existem duas formas de estar tudo uma bosta. A primeira é quando de fato as coisas estão uma bosta, seja por causa de um evento específico ou por um conjunto de eventos ruins. Quando isso acontece a gente costuma reagir de forma corajosa, pega o boi pelos chifres e enfrenta o desafio de frente, muitas vezes sem nem dizer aos outros que pelo que estamos passando. Isso acontece principalmente pelo fato de estarmos enfrentando situações e problemas realmente ruins. Comprovando que é diante das dificuldades que o ser humano mostra o que tem de melhor. Mas aí chegamos à segunda e principal forma de tudo estar uma bosta: quando elas parecem estar uma bosta. E é diante dessa segunda forma que o ser humano costuma reagir de forma menos, digamos, nobre.

                Junte uns boletos que ainda não foram pagos, uma hora ou duas preso no trânsito, uma bronca do chefe e um banho indesejado de chuva. Pronto, essa é a receita pra fazer alguém chegar à conclusão de que está tudo uma grandessíssima bosta. Obviamente tudo isso está longe de ser algo bom, mas são eventos pontuais que dificilmente acontecem juntos com muita frequência. Eventos que normalmente não estão sob nosso controle e seus malefícios têm um efeito de curta duração. São mais incômodos do que problemas e é justamente por isso que não temos muito o que fazer e é justamente nessa falta de opções para gastar as energias geradas pelas pequenas desgraças que nasce a vontade de reclamar.

                Tão certo como um dia após o outro é a reclamação nossa de cada dia. As pequenas coisas ruins da vida se aglomeram para formar um monstro que nos envenena a mente e nos transforma no tipo mais azedo de ser humano. Resmungamos sem parar e até as coisas boas são enxergadas através das lentes fecais do mau humor. E não basta só resmungar pro amiguinho do lado, desenvolvemos a necessidade de espalhar aos quatro ventos as desgraças que estão acontecendo nas nossas vidas e nesse ponto a internet exerce um papel fundamental. Se antes nossas queixas eram compartilhadas apenas com as pessoas fisicamente próximas, agora podemos literalmente falar isso pra todo mundo. Nem preciso dizer que por causa disso o que a gente mais vê por aí é gente reclamando de tudo na internet. Inclusive tem a galera que faz APENAS isso da vida, ou pelo menos da vida virtual.

                Por fim gostaria de lembrar que as aparências enganam. Não é porque tem cara de bosta e cheiro de bosta que tá tudo uma bosta. Muitas vezes as coisas não vão tão mal quanto parece, outras vezes elas estão indo até bem. Às vezes só depende de como vemos as coisas.

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(Mais Um) Dia do Amigo

Essa semana estava eu no meu lugar quando reparei numa movimentação peculiar nas internets ao meu redor. No meu feed do Facebook e nos grupos de Whatsapp algumas pessoas começaram a aparecer desejando um “feliz Dia do Amigo”. Obviamente eu estranhei. Posso não ter a melhor memória do mundo pra datas, mas eu tenho uma noção boa da época em que as coisas acontecem. Essa noção ficou um pouco melhor depois que eu comecei a marcar esses acontecimentos com posts temáticos neste blog em que você se encontra agora. E foi por causa de um post sobre o Dia do Amigo que eu fui levado à descobrir a verdade: não existe um, nem dois, mas três dias do amigo.

Isso mesmo, querido leitor. No Brasil, no Uruguai, na Argentina e em Moçambique o Dia do Amigo é comemorado normalmente no dia 20 de julho. Esse dia foi instituído depois da campanha de um médico argentino chamado  Enrique Ernesto Febbraro. Esse cara viu o homem supostamente chegando na Lua e viu aquilo como um feito que mostra que a união entre os semelhantes torna o impossível possível. Como não tinha internet naquele tempo, a campanha dele não foi muito longe e só instituiu essa comemoração em quatro países.

Posteriormente a ONU pegou essa ideia de todo mundo de mãos dadas pra construir um mundo melhor e instituiu o Dia Mundial da Amizade. Como a galera da ONU não tava querendo colocar essa data tão simbólica no dia do aniversário de um acontecimento importante, e pelo fato da chegada do homem à Lua ser um dos maiores marcos da Guerra Fria, que além de ser uma guerra praticamente dividiu o mundo em dois, eles escolheram o dia 27 de abril pra celebrar a amizade e essas coisas.

Aí chegamos no ponto em que você me pergunta: “Se tem um Dia do Amigo em julho e um Dia da Amizade em abril, de onde veio esse Dia do Amigo de fevereiro?”. A resposta é bem simples e bem capaz de você saber. Quem inventou essa data de hoje foi esse fulano aqui:

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Sim, ele mesmo. No dia 04 de janeiro é comemorado o aniversário do Facebook e por causa disso desde a última quinta-feira tem coisas rolando no Facebook alusivas à essa data tão “especial”. Depois dessa podemos ir pra parte que eu justifico o tempo que eu gastei fazendo esse texto.

Graças à internet a gente precisa lembrar de bem menos coisa do que antigamente. Aniversário, datas comemorativas em geral e até quanto tempo faz determinado acontecimento estão na lista de coisas que o Facebook costuma te lembrar. Eu mesmo acho sensacional não me preocupar em lembrar dos aniversários de todo mundo e dou graças a Deus pela ajuda que o Facebook me dá. Só que muitas vezes confiamos tanto nas notificações que não percebemos que tem alguma coisa errada. Por exemplo, se eu mudar a data do meu aniversário no Facebook é quase certo que um monte de gente vai me dar parabéns. Com isso eu chego à conclusão de que estamos rumando pra uma relação muito reativa com o mundo. Chegaremos num ponto que a memória da gente não vai se ocupar com datas especiais e simplesmente reagiremos ao saber que hoje é dia de alguma coisa. Desculpe a expressão, mas isso é muito Black Mirror.

Por fim, crianças, gostaria de dizer pra não acreditarem em tudo que Zuckerberg coloca lá no seu feed e principalmente, não dependam do Facebook pra lembrar de tudo. Porque no ritmo que a gente vai, as máquinas não vão precisar de robôs assassinos pra dominar a humanidade. Basta colocar umas notificações no Facebook.

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E o Tema da Festa Foi… Evaristo Costa

Ontem estava eu vagabundando por um portal de notícias local quando me deparo com a seguinte manchete:

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Antes de comentar a notícia é preciso dar uma contextualizada ligeira. Graças ao advento das redes sociais nós, pessoas transeuntes comuns, conseguimos interagir com pessoas que são menos transeuntes do que a gente. Todo tipo de famoso possível e imaginável está nas redes sociais e até os que não são tão famosos assim tem lá os seus milhares de seguidores. Graças a isso a relação fã/ídolo passou para um nível totalmente diferente, principalmente porque alguns desses famosos costumam interagir bastante com os seus seguidores. Alguns deles interagem de uma forma tão, digamos, interessante que esses famosos chamam mais atenção por sua postura nas redes sociais do que pelo seu trabalho em si.

Um dos maiores exemplos disso é um dos apresentadores de telejornal mais amado do Brasil. O âncora do Jornal Hoje, Evaristo Costa. Caso você não esteja familiarizado com as atividades internéticas dele, aqui vão algumas amostras de como esse ser humano é zueiro na internet.

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Microondas
Aí essa semana aí chegaram pro nosso amigo Evaristo e disse que ia rolar uma festa que o tema era “Evaristo Costa”. Pra evitar que dissessem por aí “se não tem foto, não aconteceu” um cara mandou pro nosso amigo Evaristo uma foto tirada nessa festa.

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Achando muita graça e, provavelmente, acreditando que o sucesso da festa não tinha sido essas coisas, Evaristo postou a foto de um cara que foi nessa festa e soltou a pergunta de um milhão de dólares:

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Obviamente ele recebeu uma enxurrada de fotos com pessoas, digamos, interagindo de diversas formas com a forma bidimensional do apresentador do Jornal Hoje. As melhores foram reunidas pelo próprio Evaristo naquele que já é o melhor mosaico de fotos de 2017:

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Como se não bastasse, nosso compadre jornalista, ao postar essa foto no Facebook, colocou a seguinte legenda:

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Na moral, deixa eu parar aqui pra aplaudir esse mito brasileiro.

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Pena que eu já tô velho e não dá mais tempo de ser Evaristo Costa quando eu crescer, mas ainda assim eu posso bater palmas pra esse cara. Imagine você, cara criança leitora, um apresentador de telejornal que atingiu o nível de awesomeness tão elevado ao ponto de virar tema de uma festa. Fátima Bernardes teve festa? William Bonner teve festa? Alexandre Garcia teve festa? Marcelo Resende teve festa? Nem o Papa tem festa, mas e Evaristo? Sim, ele teve e no dia que eu chegar no nível de Evaristo e virar tema de festa eu me aposento da existência terrena. Porque depois disso não vai ter nada mais pra conquistar na vida.

Seria legal se a publicação de hoje terminasse no parágrafo anterior, mas infelizmente devemos falar do final da história. Dando uma olhada na publicação de Evaristo no Facebook vi que o final dessa história não foi muito feliz.

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Descanse em paz Evaristo 2D, nunca te esqueceremos.

 

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Foi A Vida Adulta que Aconteceu Conosco

    Essa semana estava eu tentando marcar uma jogatina offline com meu irmão. Eu digo tentando porque hoje é sexta, a gente tentou desde segunda e o sábado vai chegar sem a gente conseguir fazer nada. Imediatamente eu lembrei de todas as coisas que eu não consigo fazer com os meus amigos por motivos de agenda, trabalho ou grana. Também lembrei que esses mesmos amigos estão em momentos diferentes da vida. Tem amigo que já casou, ou que já é mais ou menos casado, tem amigo noivo com casamento previsto, tem amigo noivo sem previsão de casar, tem amigo trabalhando demais, tem amigo sem trabalho, uns que estão saindo da faculdade e outros que acabaram de entrar e ainda amigo que não marcaria “Nenhuma das Alternativas” no questionário da pesquisa. Nesse ponto da história surge uma pergunta em minha cabeça:

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Independente de quem meus amigos são na fila do pão, a verdade é que aquela história de fazer aquilo que a gente quer quando a gente quer se provou mito muito mais ligeiro do que eu imaginei. Hoje em dia você quer marcar pra encontrar os amigos, mas aí tá todo mundo ocupado ou com algum impedimento. Você resolve juntar a galera pra jogar pela internet ou pra fazer uma atividade lúdica pelo Skype, só que esbarra nos mesmos empecilhos mesmo com cada um na sua casa. Muitas vezes até conversar pelo vatezape com alguns se mostra um trabalho hercúleo. Mais uma vez a pergunta retorna: o que diabos está acontecendo? Não demora muito pra resposta vir.

    Quando eu penso direito na pergunta eu vejo o quão absurda ela é. Acontecendo? Sinto muito, mas não tem nada acontecendo, já aconteceu. O que foi que aconteceu? Acho que no título desse post eu já adiantei a resposta. Foi a vida adulta que aconteceu conosco.

    Em 2017 todos os nascidos na década de 1990 serão maiores de idade. Isso quer dizer que as crianças do início dos 90 já tão nessa de ser adulto faz um bom tempo. Assim como aqueles do final dos 80 e outros que nasceram um pouco antes. Isso quer dizer que a esmagadora maioria dos meus chegados está vivendo na plenitude das suas ocupações e responsabilidades. Isso quer dizer que todo mundo já recebeu o seu diploma de adulto e se brincar já tem gente terminando o mestrado ou o doutorado.

A verdade é que ninguém quer ser adulto. Ser adulto é uma bela de uma bosta e muito se ilude quem tá doido pra ser crescido e dono do próprio nariz. Trabalho, salário, dinheiro, boleto, falta de dinheiro pra pagar o boleto, falta tempo pra gastar com você, sobra tempo que você só pode gastar com você porque os outros não tem tempo pra você gastar tempo com eles, hora extra, preço das coisas subindo, imposto, dor nas costas, taxa, orçamento, voto obrigatório. No final você olha pro lado e tá todo mundo meio perdido nesse tiroteio que é a vida adulta. Os que ficam menos perdidos são os que aceitam mais rápido o estado adulto do seu ser. Simplesmente se jogam aos leões sem olhar pra trás e param de tentar utilizar plenamente a suposta liberdade que a gente achava que ia ter quando fosse adulto.

Antes que você diga que esse post ficou muito pra baixo eu vou deixar uma mensagem de esperança. Hoje eu quero dizer que vale a pena sim lutar contra os intempéries da vida adulta. Vale a pena porque de tanto tentar a gente acaba conseguindo. Acontece muito? Não, mas quando acontece é tão bom que a gente fica com gás suficiente pra continuar tentando. Na prática só vira adulto de vez quem quer ou quem deixa. Eu todo dia reafirmo meu compromisso de tentar levar uma vida menos adulta e é por isso que eu desejo uma vida menos adulta pra todo mundo.

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Começou o Big Brother

Muitas vezes o ano parece tão longo que a gente acaba esquecendo de algumas coisas que sempre aparecem no começo do ano. Exatamente por isso que todo ano eu esqueço que vai ter Big Brother e quando eu menos espero ele já começou.

O Big Brother Brasil é um programa que passa na TV todo ano desde 2002, sendo que no primeiro ano o programa teve duas edições. Em todas elas tivemos pouco mais de uma dúzia de participantes brigando por um prêmio em dinheiro que eu nem sei mais quanto é, mas que já foi corroído pela inflação. Ao longo de três meses que mais parecem três anos os participantes brincam, brigam, geram polêmica, se agarram uns com os outros e entretêm a família brasileira. Mas o post de hoje não é pra falar sobre toda a engenharia social do Big Brother ou do programa em si, hoje eu vou falar porque o tempo do BBB é provavelmente uma das épocas mais chatas do ano.

Se existe uma coisa no mundo que gera mais reclamações do que a novela das oito nove é o Big Brother. Tem a galera que aproveita pra reciclar o discurso da baixa qualidade do entretenimento da TV aberta e de como o Big Brother é uma desgraça na vida do brasileiro. Tem a galera que é defensora da moral e dos bons costumes e está pronta para apontar qualquer traço de imoralidade identificado no reality show. Fora a galera que odeia a Rede Glóbulo de Televisão e se apoia no discurso dos dois grupos anteriores pra poder odiar a Globo com mais força. Também tem o pessoal que assiste BBB esperando acabar pra poder ver o que vem depois e acaba acompanhando o programa por osmose e obviamente temos as pessoas que de fato são fãs do Big Brother. Aí pensando nisso a gente lembra de duas coisas: a primeira é que todas as pessoas estão na internet e que todo o ódio ou amor pelo programa são despejados aos baldes nas redes sociais, a segunda é que além desses grupos existe mais um que acaba sendo bem menos importante nessa história toda. Existe o grupo das pessoas que não estão nem aí pro Big Brother. E provavelmente essas são as que mais sofrem por causa dos outros grupos.

Imagine que você não tá ligando pro BBB. Imagine que você entra no seu Facebucket e tá lá um monte de gente falando, bem ou mal, do Big Brother. Tanta gente que quase não se fala de outra coisa. Os assuntos vão desde abaixo assinado fake pra tirar o Big Brother até os memes gerados pelo programa e todas as discussões infinitas das pessoas sobre o programa. Aí você chega à conclusão que detesta o BBB, não por aquilo que ele é, mas pelo efeito que ele provoca nas pessoas. E a pior parte é que tudo isso poderia ser evitado com algumas medidas bem simples.

Você acha a qualidade da TV aberta muito baixa? Não veja TV aberta. Hoje em dia tem internet, YouTube, Netflix e TV paga. A qualidade do seu entretenimento depende de você.

Você acha que o BBB é uma imoralidade? Não assista. Acha que não pode ter esse tanto de safadeza por causa das crianças? Até onde eu sei o programa tem uma classificação indicativa e mesmo que fosse livre para todos os públicos, cabe aos responsáveis das crianças (ou adolescentes) regular o que eles assistem.

Você odeia a Globo? Odeie não, ódio só faz mal pra você.

Pra você só interessa o programa que vai passar depois? Então fica de boa que você é de boa.

Você é fã do BBB e detesta quando as pessoas ficam reclamando por causa do BBB? Deixa esse povo pra lá ou então eles vão ficar ainda mais chatos. Você ganha mais votando pra eliminar a galera que você não gosta do programa.

Do nada esse texto pareceu meio sério? Talvez, mas eu tinha que fazer a minha parte. Faz alguns anos que o Big Brother não me atinge e eu não esquento minha cabeça reclamando dele ou brigando por causa de BBB. Por isso eu gostaria muito que todo mundo parasse de esquentar a cabeça por causa de BBB ou por causa de Globo ou por causa de qualquer coisa que passe na televisão. A gente já tem problemas demais, por favor não arrumem outros.

 

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Marília Mendonça Foi Acusada de Mandar Indiretas

    No início da semana estava eu andando por um grande portal de notícias de Pernambuco quando me deparei com a seguinte manchete:

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    Caso você queira ver a notícia é só CLICAR AQUI.

    Antes de comentar a notícia em si acho que vale a pena discorrer um pouco sobre esse personagem tão importante na internet contemporânea: a indireta. Se você habita, passeia ou pelo menos ouve falar das redes sociais, é bem provável que já tenha lido um post de alguém que estava dando uma alfinetada em alguém, mas sem dizer quem era o alvo da alfinetada. Se você viu quer dizer que a indireta não é uma coisa desconhecida de vossa pessoa. Podemos dizer que a indireta normalmente tem quatro efeitos diferentes que listaremos adiante.

O primeiro é atingir a pessoa para quem de fato ela foi mandada. Quando a indireta é realmente bem feita ela chega no alvo e faz o seu estrago, normalmente resultando em alguma indireta em resposta que gera outra e tudo termina numa espécie de guerra fria internética. O segundo efeito é deixar praticamente todo mundo que não é alvo da indireta se perguntando por que diabos aquela mensagem/postagem foi feita. O terceiro efeito é deixar algumas pessoas com a pulga atrás da orelha. Até porque nem sempre dá pra ter certeza se a indireta foi com você ou não. Normalmente as pessoas que ocupam esse grupo tem certeza que não fizeram nada, mas mesmo assim  podem ficar meio desconfiadas dependendo do autor da mensagem. Por último temos aqueles que tem certeza que a indireta foi pra eles, mesmo não sendo. São essas pessoas que validam a afirmação de que uma indireta é que nem uma granada, você mira em um e ela bate em dez.

    Agora podemos finalmente chegar no caso da indireta de Marília Mendonça. Primeiramente devemos ressaltar a fome que a internet tem de degustar a treta dos outros. No final todo mundo fica vendo video de gatinho, de gente caindo ou de acidente na Rússia enquanto espera explodir a próxima treta. Principalmente se for treta entre gente famosa. Principalmente pelo fato de todos os artistas estarem competindo uns com os outros… Pelo menos na cabeça dos fãs.

    Muitas vezes as concorrências só acontecem na cabeça da gente. Artistas ou obras que compartilham públicos semelhantes, ou até o mesmo público, são imediatamente tidos como rivais e, mesmo que de fato sejam rivais, os fãs acabam transformando a rivalidade em uma espécie de guerra. Agora imagine que essa galera que gosta de ver o circo pegar fogo estava de bobeira no Instagram, ou no “Inxta” como dizem os jovens, e viu lá nossa comadre Marília falando alguma coisa pra suas amigas, a dupla Maiara e Maraisa. Obviamente não é difícil imaginar que, na cabeça dessas pessoas, TODAS as duplas sertanejas ou similares formadas por mulheres são todas inimigas mortais e só estão esperando um motivo pra declarar a Primeira Guerra (Sertaneja Feminina) Mundial. Imediatamente eles imaginaram que nossa comadre estava demonstrando de que lado ficaria quando a guerra começasse e ainda aproveitou a deixa pra catucar a dupla que é (teoricamente) a maior concorrente de suas amigas, a dupla das também irmãs Simone e Simaria. Se o plano dessa galera desse certo nós teríamos uma treta que encheria de alegria a internet brasihueira e provocaria uma verdadeira batalha campal entre os fãs das duas duplas.

    Aí quando eu olho pra um negócio desses a única coisa que eu penso é:

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Sério isso? Sério que a galera tá tão doida pra assistir uma confusão que tá inventando até indireta? Sério isso? Marília Mendonça tá fazendo tantas outras coisas mais interessantes e o pessoal se ocupa caçando indireta? Não vejo ninguém falando das demonstrações das habilidades etílicas da moça.

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E esse povo ainda quer falar de indireta.

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Contos de Segunda #67

    A história a seguir é uma história verídica. Ela aconteceu com um amigo meu e, desde o ocorrido, ele me pede sempre pra fazer uma transcrição/adaptação dela. Depois de muito enrolar vou finalmente cumprir a promessa de transcrever da melhor maneira a narrativa que chegou pra mim na forma de um dos melhores chats que eu já participei.

— Mesmo com essa prova amanhã você vai pra confraternização?

A pergunta vinha de um colega de trabalho e tinha o tom de uma preocupação genuína. Marcelo desviou sua atenção do computador por um instante. De fato a prova de amanhã preocupava um pouco, mas não o suficiente para fazê-lo desistir da confraternização.

— Eu vou ficar só umas duas horas — respondeu ele. — É coisa rápida. Vou, socializo um pouco, vejo se dá tempo de participar de um sorteio e vou pra casa. Se brincar ainda dá tempo de estudar.

Marcelo estava convicto de que o plano seria seguido à risca. Pelo menos até virar o segundo copo de bebida. Pouco tempo depois ele estava bêbado o suficiente para descartar a possibilidade de estudar quando chegasse em casa. Quando ele finalmente saiu da festa estava lúcido o suficiente para pegar o ônibus certo para casa.

“Tô coitqndo pra xasa oita veZzzzzzzz”, mandou Marcelo para o grupo de chat dos amigos.

    “HAUHAUHAUHAHAUHAUHAU MARCELO TÁ BEBAÇO”, respondeu um dos amigos.

    “Cataiu”, disse Marcelo.

    “Cataiu? Só entendi que ele tá indo pra casa kkkkkkk”, bringou uma amiga.

    “Na moral ;btiado empresa. Te amo seriuo”, declarou Marcelo.

    “HAHAHAHAHHAHAHAHAH. Parece um pirraia que nunca bebeu. Ama todo mundo e fica abraçando poste”, riu outro amigo.

    “Sem limites, Marcelo. Tem que largar o celular quando beber”, aconselhou outra amiga.

“Cadê tua namorada, véi? kkkkkkk”, questionou uma das meninas.

“Ela já foi. Notofcado qe eu to. voltando pra casa”, respondeu Marcelo.

“Já aviso que amanhã é minha vez, mas vou poupar vocês de chat com bêbo”, disse um amigo recém chegado na conversa.

“Poupe não!”, solicitou outro.

“Marcelo, essa tua prova amanhã vai ser um 10”, debochou uma amiga.

“Não!!!! Vu tirar 10. Sei de tdo”

Poucos minutos se passaram antes de Marcelo se lembrar dos riscos que sua embriagues estava trazendo. Tentou listar mentalmente o que tinha consumido na festa e, antes da metade da lista, chegou à conclusão de que vomitar a própria vida tinha grandes chances de acontecer.

“Acho que vou. passat.mal qnd chegar em casa”, concluiu Marcelo, “Me digam. algo pra eu. nao passar mal”.

“Ferro de passar roupas novo! Aí tu vai passar mt bem”, respondeu um dos amigos.

“Meu deius!!! Deu vontafe de chorar. Mas tô no onibus. Que merda é essa???”.

    “Chorar???? kkkkkkkkk”, perguntou uma.

    “Chore naaaaaao”, pediu outra.

    “Eita bebo nojento”, xingou outro.

    “Tô pensando na namorada. Mts saudadr. Meu deus vou chotat no onibus nao”

Marcelo olhou rapidamente ao seu redor e tentou estimar o tamanho da vergonha que passaria caso começasse a chorar. Apesar do número reduzido de passageiros, a vergonha que ele já sentia estava muito maior do que a saudade da namorada. As lágrimas ficariam para outra hora.

Depois de lutar contra a vontade de se afogar em lágrimas dentro do coletivo, Marcelo finalmente chegou em casa. Lembrou da prova e de como precisava estar em condições de fazê-la.

    “Me diz. O que corta. o.alcool?”

    “Doce”, respondeu o grupo inteiro em uníssono.

    “Doce e água”

    “Vomitar corta o efeito na hora”, disse alguém.

    “Quero vomitar não. Minha mãe vai dar o sermão do monte”, alertou Marcelo.

    “Me diz. O que corta. o.alcool?”

“Doce”, respondeu o grupo inteiro em uníssono.

“Doce e água”, disse um deles

“Sério mesmo?”, duvidou Marcelo.

“É Marcelo! Glicose kkk todo bêbo tem que saber disso”, disse uma amiga.

“Só não come muito, senão vai vomitar”, alertou um amigo

“Vomitar corta o efeito na hora”, disse alguém.

“Quero vomitar não. Minha mãe vai falar o sermão do monte”, alertou Marcelo.

“Então toma banho, come alguma coisa, bebe água e vai dormir. Amanhã tu acorda novo”, listou por fim um dos amigos.

“Tá!! Deixa eu tomar banho first”.

“Então toma banho, come alguma coisa, bebe água e vai dormir. Amanhã tu acorda novo”, listou por fim um dos amigos.

Depois de seguir as recomendações, Marcelo foi dormir. No outro dia não podia ter acordado melhor. Sem ressaca e sem vômito. Parou para lembrar da noite anterior. Lembrou de como a festa foi boa e de como foi a sensação de ganhar pela primeira vez na vida um sorteio… Imediatamente surgiu uma pergunta em sua cabeça: o que diabos aconteceu com o brinde do sorteio?

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