Cachorros de Bikini

Não é um blog sobre cachorros e bikinis

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É, Parece que Deu Merda

Essa semana eu estava parado no sinal quando recebi um jornal distribuído gratuitamente aos motoristas. Passei rapidamente a vista nos destaques da capa e me deparei com a seguinte manchete:

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Imediatamente eu pensei:

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Normalmente eu não comento de política por aqui e muito menos sobre coisas tão sérias quanto, mas dessa vez não vai ter como.

Henrique Meirelles é o atual Ministro da Fazenda. Ele já foi presidente do Banco Central e tem um currículo impressionante. Ao contrário de muita gente que entra pra ser ministro de qualquer coisa no Brasil, esse cara é um dos poucos que parece saber o que está fazendo. Se você não concorda muito com as decisões do cara, vai concordar comigo que o cara tem, pelo menos, um currículo compatível com o cargo que ele exerce.

Um belo dia esse cara manda um vídeo pra galera da Assembléia de Deus pedindo orações pela economia. Do nada pouco que eu pesquisei, Henrique Meirelles não é um membro da Assembléia. Apesar de ter uma boa relação com a instituição, nas matérias que eu li a religião dele não é citada em momento algum. Aí o cara aparece abertamente pedindo orações pela economia. Ele não comentou com a tia dele que vai pro círculo de oração que ela colocasse o Brasil na lista de pedidos de oração. Ele não pediu isso pelo Whatsapp pro pastor que é brother dele. Ele mandou um vídeo convocando milhares, talvez milhões de pessoas, para uma campanha de oração em prol da economia do Brasil que vai durar o mês de outubro inteiro. Eu sou um cara religioso, cristão protestante, evangélico, crente ou, como diriam alguns, idiota bitolado. Eu acredito no poder da oração e que a fé é uma coisa muito poderosa, mas também sei que quem não é religioso acaba encarando isso como um último recurso. Deus é o último recurso de muita gente, inclusive de alguns religiosos, e quando você vê um cara do quilate do Ministro da Fazenda apelando pra intervenção divina não tem como pensar outra coisa. Se apelou é porque deu merda pra valer.

Merda acontece. Essa é, provavelmente, uma das poucas verdades aceitas por todas as pessoas. Acontece, sempre aconteceu e continuará acontecendo. Cabe ressaltar que é bem provável que a humanidade seja extinta depois da maior merda de todos os tempos. Normalmente é por causa dela que a fé das pessoas costuma aparecer, é por causa dela que as pessoas prometem coisas que não podem cumprir e é por causa dela que algumas das mudanças mais importantes acontecem na nossa vida. Então lembre-se, criança leitora, se aquele seu amigo que não sabe nem com quantas letras se escreve Deus começou a apelar por intervenção divina, saiba que deu merda pra valer.   

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Maiara e Maraisa de Bikini

Mais ou menos um ano e meio atrás eu publiquei neste mesmo blog um post sobre como um monte de gente chegava, e ainda chega, no Cachorros procurando por Maísa de biquíni, e todas as variações possíveis disso, no Google. Tirando uma ou outra busca mais ou menos exótica, pensava eu que a única busca por celebridades em trajes de banho que acabaria nestas páginas azuladas seria essa. Mais uma vez comprovei que eu não sei nada sobre nada. Claro que eu ainda quero falar um pouco mais de Maísa de biquine, mas não hoje.

Esses dias estava passeando pela área de administração do Cachorros de Bikini quando vi duas coisas bem curiosas. A primeira é que alguém chegou por aqui procurando por fotos pornográficas, não sei como, mas chegou. A segunda é que algum ser humano conseguiu encontrar este humilde blog procurando no Google pelo seguinte assunto:

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Imediatamente a minha reação foi:

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Entendo a curiosidade que alguns têm em ver algum artista em roupas, digamos, mais leves. Principalmente quando esse artista em questão não é uma adolescente que nem nossa amiga Maísa. Depois que a cabeça voltou pro raciocínio regular comecei a pensar no quanto a pessoa teve que se esforçar pra chegar aqui procurando por “maiara & maraisa en bikini”. Aí fui ver o quanto de trabalho uma pessoa precisa ter pra chegar no Cachorros de Bikini com essa mesma busca. Você deve imaginar o tamanho da surpresa quando eu vi isso aqui:

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Não sei o quanto o Google otimiza minhas buscas, mas lá estamos nós na SEGUNDA página de pesquisa. Testei fazer o mesmo com a navegação no privado e o resultado não foi muito diferente. Por fim chego à duas possíveis conclusões: ou não existe em lugar algum da internet alguma página que coloque no mesmo lugar as palavras “maiara”, “maraisa” e “bikini”, ou a gama de assuntos por aqui tá tão variada que daqui a pouco qualquer busca que tenha “bikini” no meio vai acabar aqui.

Para aqueles que vão chegar aqui por causa do biquíni de Maiara e Maraisa vai o meu muito obrigado. Para aqueles que ainda vão chegar procurando alguma outra fulana em trajes menores eu digo, sejam bem vindos… E para aqueles que querem saber mais sobre Maísa de biquíni eu digo que esperem até a semana que vem.

 

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Playlist de Bikini #2

Amanhã é dia 7 de setembro, também conhecido como o Dia da Independência do nosso querido Brazéu e por isso vamos celebrar esta data tão festiva com uma playlist temática feita com todo o amor e carinho.

A escolha do tema de hoje pode parecer até um pouco óbvia, mas não poderia ser outro. Para celebrar a nossa independência fiz uma playlist só com artistas independentes brasihueiros. Eu não tenho certeza se todo mundo que eu joguei na lista é, de fato, artista independente, não sei se todo mundo tem gravadora ou se ter gravadora exclui o artista/banda. Também é possível que alguém da lista não seja independente atualmente ou que só tenha a cara de independente. Infelizmente não tenho como fazer e nem quero fazer uma auditoria pra saber se todo mundo da lista é de fato independente.

Devo lembrar que as escolhas feitas são puramente pessoais e de forma alguma tenta eleger as melhores coisas independentes. Justamente por isso a lista ficou bem grande, pra você poder pular as músicas que menos te agradarem sem se preocupar em deixar a lista muito pequena. Garanto que pelo menos umas dez ou doze músicas devem passar no crivo da maioria das pessoas.

Essa lista maravilhosa também está lá no Deezer.

Se você não se utiliza, ou não quer utilizar, dos serviços da galera do Spotify ou do Deezer, tem uma versão da playlist no YouTube com uma ou duas faixas faltando por causa das limitações de disponibilidade.

Bom feriado para todos.

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A Soneca do Despertador

Eu nunca fui uma pessoa de dormir demais. Tirando casos em que o cansaço atinge níveis muito elevados ou onde as horas de sono são muito reduzidas, perder a hora é algo que muito dificilmente acontece comigo. Justamente por isso eu tenho uma grande dificuldade de entender aquelas pessoas que sempre perdem a hora, que tem uma dificuldade extrema pra acordar ou que saem de casa, mas só se consideram acordados horas depois. Se você se encaixa em algumas dessas categorias, esse texto foi feito pra você.

Desde tempos antigos o ser humano se utiliza de sinais para despertar. Os raios do sol ou o canto do galo servem de alarme faz algumas centenas ou milhares de anos. Com o avanço da tecnologia o homem resolveu usar o relógio como base para os aparelhos despertadores e quando os celulares se tornaram mais populares o despertador se tornou ainda mais utilizado. Só que, pra variar, o ser humano sempre desvirtua as invenções e as utiliza para o mal e com os alarmes dos celulares não seria diferente. Imagine que os relógios despertadores só conseguem despertar em um horário, já que armazenam um horário de alarme por vez, mas os celulares não possuem essa limitação. Armazenar um, dois, três ou cinco alarmes não é problema até para os mais simples dos aparelhos. E foi aí que começou a loucura.

Colocar o celular pra te acordar de manhã é algo que todo mundo faz, seja com toques calmos ou com uma sirene que anuncia o apocalipse, é raro encontrar uma pessoa, por menos dorminhoca que seja, que não se utilize desse recurso tão prático. Com mais gente usando o despertador se tornaram mais e mais comuns os casos de gente passando direto por cima do alarme e acordando bem depois do pobre celular ter desistido de tocar. É aí que a engenhosidade humana entra. Já que não existe limite de armazenamento de alarmes, por que não colocar alguns vários alarmes em sequência?

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Já vi gente que coloca dois, três e até mais alarmes com intervalos variados entre si. Muitos deles servem só pra lembrar quanto tempo faz que o preguiçoso tá enrolando pra levantar da cama, mas outros são verdadeiros procedimentos de segurança, pra garantir que aquele ser humano acorde dentro do limite de tolerância do horário. Só que algumas dessas pessoas possuem capacidades sonâmbulas de manipular os objetos e aí entra a função mais controversa dos despertadores: a soneca.

Só dá pra fazer duas coisas quando o celular alarma, desligar o alarme ou ativar a função “soneca”, que faz o alarme ser repetido depois de alguns minutos. Quando a pessoa escuta o alarme, mas não acorda, a coisa mais fácil de acontecer é que ela desligue o alarme e volte a dormir. Até um tempo desses isso me parecia meio absurdo, até ouvir alguns relatos de pessoas que “desligaram o alarme dormindo”. Quando a pessoa escuta o alarme e acorda, é provável que a função soneca seja ativada e a hora de acordar seja adiada em alguns minutos.

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Se você faz esse tipo de coisa e de fato cochila junto com seu celular, é melhor parar de fazer isso.

Segundo essa matéria AQUI, acordar e dormir repetidas vezes em pouco tempo é o mesmo que bater o cérebro num liquidificador. O resultado disso é taquicardia, perdas de memória, confusão mental, dores e, veja só, irritabilidade. Isso quer dizer que usar a soneca do celular pode deixar você chato, dolorido, meio senil e ainda com o coração disparado. É uma maravilha, não é mesmo?

Por isso, criança leitora, ouça os alarmes, acorde de primeira e evite todos os efeitos malditos da preguiça. Melhor acordar assustado com o primeiro alarme do que acordar sem saber que lugar é aquele depois da terceira ou quarta soneca.

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Não Vejo Esses Filmes de Capeta

    Na semana passada estreou nos cinemas brasileiros a aguardada sequência daquele filme com a boneca do capiroto. Estou falando de Anabelle 2, que na verdade se passa antes do primeiro filme que também vem antes do filme onde Anabelle, a boneca dos infernos, parece primeiro… É, também achei confuso, mas em vez de falar do filme, vou aproveitar pra falar sobre a minha relação com aqueles filmes que eu classifico como “filmes de capeta”.

    Quando eu era pequeno meu pai sempre contava uma história sobre um tio dele gostava muito de filmes de terror e de como isso acabou atraindo umas paradas muito estranhas que aconteceram na casa dele. Por essa razão eu cresci em um ambiente que desestimulava qualquer contato com filmes que tivessem as temáticas mais recorrentes nas obras de terror. Somado a isso, temos o fato de eu ser cagão desde criança, o que contribuiu ainda mais pra me afastar dessas coisas de terror. Mas eis que em um belo dia tudo mudou e, no período de um ano, eu assisti mais filmes de terror do que em todo o resto da minha vida. O que aconteceu pra mudar tudo? Simples, eu comecei a namorar.

    “Eita, Filipe, o que tem isso a ver com filmes de capeta?”. A resposta é bem simples, a moça com quem eu namorava na época era uma amante de toda espécie de filme de capeta e em vários momentos acabei usando esses filmes malditos pra conseguir assistir os filmes que eu queria acompanhado da minha lady da época. Inclusive foi nessa época que eu fui assistir o primeiro filme solo da boneca maldita capetosa dos infernos.

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    A primeira coisa que eu descobri foi: quanto menos acostumado em assistir filmes de terror, pior vai ser pra você. As pessoas que gostam muito de filme de terror normalmente conseguem passar bem pelos sustos e não tem tanto medo quanto uma pessoa que nunca vê essas paradas. Levar susto, dar grito no meio do cinema e assistir minutos inteiros do filme sem olhar pra tela foram coisas que eu fiz quando fui assistir esse filme desgraçado da boneca, justamente por não ser resistente à todas essas estratégias que os diretores usam pra te fazer saltar da cadeira e sujar as calças. A segunda coisa que eu descobri foi que, em sua grande maioria, esses filmes de terror são filmes bem ruins.

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    Tirando os capetas, os sustos e todas as famílias felizes que têm suas vidas desgraçadas ao longo da história, não sobra muita coisa. A explicação mirabolante que dão pra origem do bicho ou do fenômeno em questão costuma ser bem melhor que os diálogos e do que o enredo em si. Pelo menos os atores costumam estar bem comprometidos com a parada, ao contrário de outros filmes tão ruins quanto, os atores de filme de terror precisam ser competentes o suficiente pra passar todo o terror que a cena pede.

    “Ai, Filipe, tu fala isso porque tu tem medinho desses filmes. Óbvio que eu tenho medo dessas películas malditas. Não gosto desse tipo de filme e nunca vou gostar, até porque o costume de ver acaba gerando os filtros que você precisa ter pra assistir essa parada e achar legal, se eu não vejo não tem como criar costume. Eu sou cagão, sou cagão mesmo e sou muito mais feliz não assistindo a essas coisas. Acho que o único filme de terror que eu gosto é Alien – O Oitavo Passageiro, que é bem mais de boa do que todos esses negócios de capeta que passam por aí. Talvez até tivesse mais alguma coisa pra falar, mas não consigo pensar em terminar de escrever esse negócio pra apagar o gif da boneca que eu baixei pra inserir no post. Até a próxima.

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Faltam 351 Dias pra Agosto Acabar

Normalmente eu consigo me lembrar exatamente quando e como algumas ideias de tema pros posts daqui do Cachorros surgiram. Dessa vez eu não lembro, por isso a introdução desse tema vai parecer uma história contada por alguém que consumiu alguma substância estranha, mas é só falta de memória mesmo.

Outro dia estava em algum lugar da internet, não lembro exatamente, quando uma amiga minha, acho que sei qual amiga é, mas tô na dúvida se era ela mesmo, publicou uma imagem que eu acho que não era essa que eu vou colocar aqui embaixo, só que era muito parecida.

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Quase dois anos atrás eu fiz um post sobre o glorioso mês de Agosto, mas na ocasião eu estava tão preocupado em ostentar minha antipatia pelo mês oito que deixei um aspecto muito importante passar batido: Agosto tá na lista dos meses mais longos do ano. “Mas, Filipe, Agosto tem 31 dias, metade do calendário tem 31 dias”. Exato, querido leitor, metade do calendário possui 31 dias, mas alguns meses possuem uma habilidade maior para fazer o tempo render. Março, Julho, Agosto e, dependendo do ano, Outubro também faz o tempo render, mas nenhum desses meses têm o mesmo perfil do nosso querido Agosto.

Março é a ressaca do Carnaval, ou o mês do próprio Carnaval, e também a preparação pra Páscoa, ou o mês da própria Páscoa, se mostrando um mês bem versátil com uma variação razoável de um ano pra outro. Julho é um mês de férias escolares, isso quer dizer que boa parte das atividades diárias é facilitada pela ausência de xofens estudando, quer dizer também que ninguém tem muita pressa pra que acabe logo esse mês. A longevidade de Outubro depende muito do ano, do Outubro e de você, portanto não vamos atribuir um motivo realmente claro pra acontecer essa elasticidade cronológica no nosso amigo mês dez. Aí voltamos pra Agosto, um mês sem feriados que impõe uma rotina praticamente uniforme e sem muita diferença entre um dia e outro. O resultado disso é que em Agosto nos sentimos assim:

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Mas dessa vez temos uma ajuda muito bem vinda. Nosso amigo 2017 meteu o pé no acelerador e já fez passar um terço desse mês tão longo. Tudo me leva a crer que em 2017 teremos o Agosto mais rápido de todos os tempos, mas ainda é cedo pra falar… Ainda faltam 351 dias pro final de Agosto.

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Fui Ver Sem Saber e Olha No Que Deu

Essa semana assisti aquele que já é um dos melhores filmes de 2017, Baby Driver ou, na versão brasileira Herbert Richards, Em Ritmo de Fuga. Eu poderia falar de como o filme é sensacional e dar alguns vários motivos pra você que está lendo isso aqui partir imediatamente para o cinema mais próximo pra ver esse filme. Eu não vou fazer isso porque surgiu a chance de falar de algo sobre a minha história com esse filme e com alguns outros.

Tudo começou quando eu fui ver o filme novo do Homem-Aranha. Por causa de alguns problemas logísticos acabei entrando na sala já no meio dos trailers, o trailer de Em Ritmo de Fuga terminou exatamente quando eu sentei na cadeira, mas pela reação de uma das pessoas que estavam comigo percebi que aquele não era só mais um trailer. Os dias passaram e vários dos veículos de mídia que eu consumo começaram a publicar suas críticas (extremamente) positivas sobre o filme. De fato não li mais do que a chamada das resenhas, mas comecei a notar que esse não era só mais um dos blockbusters do verão americano. O filme estreou e eu fui dar uma sacada nas notas dele por aí, todas elas bem altas, nesse ponto eu já estava pra comprar o meu ingresso motivado pela pura curiosidade de assistir ao filme que eu não fazia a mínima ideia do que se tratava.

Fui lá. Vi o Filme. Achei maravilhoso e, depois de passar a sensação de ser atropelado por aquela obra cinematográfica, comecei a pensar.

A internet mudou muita coisa nas nossas vidas, talvez a principal delas foi a forma como conseguimos nos informar sobre as coisas. Hoje em dia os livros que não saíram têm prévias divulgadas pelas editoras, se é material traduzido você pode facilmente obter o material estrangeiro pra dar uma avaliada, provavelmente o primeiro lugar onde vemos um trailer de um filme novo é o YouTube e pra ler uma resenha ninguém precisa mais comprar um jornal ou uma revista. Quantas vezes já fomos ao cinema sabendo tudo sobre um filme? Quantas vezes a quantidade de críticas negativas te fez economizar o dinheiro do ingresso?  Quando foi a última vez que você parou na frente do cinema, olhou o que estava em cartaz e foi ver um filme do qual você não sabia absolutamente nada? Para entendermos melhor o tamanho da mudança precisamos lembrar como as coisas eram e pra ilustrar bem eu vou contar uma historinha.

Um dos maiores traumas da vida da minha querida mãe envolve um dos filmes da franquia Alien. Uma vez ela me contou de como foi levar meus tios pra assistir o filme, na verdade de como ela foi enganada por eles, já que nunca que ela veria um filme daqueles por livre e espontânea vontade. Até hoje ela lembra do alien saindo do peito do cara com uma dose de terror no olhar. Fui lá apurar a história pelo outro lado, perguntei ao meu tio por que ele tinha enganado minha mãe só pra ver aquele filme, a resposta foi bem interessante. Na prática ele não enganou ninguém, já que ele não sabia nada sobre o filme. Segundo ele a forma que as pessoas escolhiam o que iam ver no cinema era bem simples: você abria o jornal, via o cartaz do filme, com sorte conseguiria identificar o nome de algum dos atores ou do diretor, olhava o horário e ia pro cinema. Hoje em dia ainda dá pra fazer isso? Dá. Você tem opção de não fazer as coisas desse jeito? É lógico que tem, mas antes não existia essa possibilidade.

Pra terminar só digo que vale a pena dar uns tiros no escuro de vez em quando. Vá lá ver sem saber de nada, sem compromisso e esteja aberto pra receber aquilo que aparecer na tela… A menos que o ingresso esteja muito caro, se o ingresso estiver caro não faça isso, espere sair no Netflix.

13 Jovem Ainda

Ficando Velho Cada Vez Mais Novo

Essa semana estava eu procurando coisas pra ouvir. Dei uma passeada na lista de artistas que eu sigo no Spotify e resolvi jogar na fila de reprodução os discos que saíram esse ano. Puxei rapidamente da memória alguns fulanos que tinham disco recente e fui lá catar as músicas pra jogar na fila. Fui lá no primeiro artista todo animado e descobri que o disco do cara era do ano passado. Passei para o próximo, para o seguinte e o que veio depois dele, quase todos tinham discos que datavam de 2016. Obviamente minha reação inicial foi:

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Parei pra pensar um pouco sobre a questão e acabei achando a explicação na obra de uma pessoa que parece entender muito de como funciona o mundo: Neil Gaiman. Lá em Sandman ele define que os Perpétuos, seres imortais próximos do que entendemos como divindade, têm uma percepção diferente do tempo conforme a idade deles avança. Um Perpétuo recém nascido provavelmente percebe o tempo como nós percebemos, com as horas, dias e anos com a duração padrão, um Perpétuo com milhares de anos provavelmente sente o tempo passando bem mais rápido. Imediatamente eu pensei em algo que já vem martelando na minha cabeça faz algum tempo. Eu olhei pra mim mesmo e pensei “eu tô velho mesmo”.

Uma certa vez uma amiga minha me mandou uma playlist com o sugestivo título de “ficando velho cada vez mais novo”. Você pode ouvir ela logo aqui embaixo.

Não preciso dizer que nenhuma das músicas dessa lista é nova, a mais recente tem quase dez anos. Dez anos que englobam praticamente todos os eventos e coisas que eu tenho na minha cabeça como coisas recentes. Qualquer coisa que ocorreu a menos de quatro anos aconteceu “um tempo desses” e é muito fácil confundir os acontecimentos de um ano com os do anterior. Também não é difícil levar um susto ao descobrir que coisas que aconteceram ontem já têm mais de cinco anos e que boa parte das crianças que eu conheci já estão na faculdade ou que os bebês já sabem ler. Aí chego à questão crucial desta dissertação. Como a gente tá ficando velho tão rápido?

A definição de velho é bastante abrangente. Em valores absolutos a velhice só chega quando a gente já passou um tanto bom da metade dos nossos anos estimados de vida. Em valores relativos depende muito de quem observa. Uma pessoa idosa pode não me achar velho enquanto um adolescente pode pensar exatamente o contrário. Mas e a gente? Como é que a gente chega à conclusão de que tá velho?

Pessoalmente considero que você se sente velho quando de alguma forma a idade pesa. Seja na dor das costas depois de sentar numa posição errada ou nas marcas dos anos que a gente vê no espelho. Qualquer período de tempo inferior a dois anos parece pouco e você lembra de um monte de coisa que existiam até um dia desses, mas que uma geração inteira não vai fazer ideia do que é. 

Ficar impressionado com as facilidades mais bestas da tecnologias e usar com uma frequência razoável expressões como “no meu tempo” e “antigamente”.

Assim como a percepção do tempo é relativa, podemos dizer que a percepção da própria idade é tão relativa quanto. Enquanto eu já vivi, em termos numéricos absolutos, duas vezes mais do que algumas pessoas que eu conheço, não vivi nem um terço do que viveu meu avô e nem metade do que viveu meu pai, chegarei a essa marca no ano que vem. Mesmo me achando velho quando eu olho no calendário, por dentro eu ainda não me sinto com essas idades todas. A falta de maturidade e uma aversão ao comportamento adulto padrão estão ajudando nesse sentido. Fico pensando quando eu não só me sentirei, mas de fato estarei velho. Fico pensando como é ter a idade dos meus avós e se o tempo vai parecer mais ligeiro do que me parece hoje… Ia concluir, mas esqueci como era pra terminar, deve ser a idade

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Eu, Você e Os Personagens Definitivos

Semana passada rolou a estreia do filme novo do Homem-Aranha. Já vi um monte de gente internet a fora dizendo não só que o filme é espetacular, mas também que nosso compadre Tom Holland é o Peter Parker definitivo. Peguei essa última afirmação e comecei a matutar. Não foi a primeira vez que eu ouvi sobre as versão definitiva de determinado personagem. Quando você consome conteúdo relacionado com cinema e (principalmente) histórias em quadrinhos, onde um personagem pode, ao longo de sua existência, passar por uma infinidade de roteiristas, diretores e produtores, é bem normal ouvir que a versão de tal diretor é a melhor ou que tal roteirista fez a versão que vale de tal personagem. Aí eu chego e pergunto: o que faz da interpretação que um autor dá a um personagem uma versão definitiva?

Superman, Homem-Aranha, Batman, Coringa, Hulk, James Bond, Sherlock Holmes, Rei Arthur, Hércules, Robin Hood, Mad Max, Jesus (sim, ele mesmo), Hannibal Lecter, Zorro e mais uma porrada de personagens tiveram várias versões em várias mídias diferentes. Se você parar pra pensar é bem possível que você tenha suas versões preferidos de cada um deles, assim como eu tenho as minhas, mas por que ela é a sua versão preferida?

Antes de nos direcionarmos ao questionamento de fato, vamos primeiro definir aqui o que é uma boa versão de um personagem. Primeiro devemos lembrar que cada personagem tem a sua versão original, nela estão estabelecidas as principais características do personagem, normalmente atendendo às demandas e preferências do público alvo daquele material. Nesse esquema que foi definido, por exemplo, que o Superman era o último filho de um planeta que explodiu, que Robin Hood roubava dos ricos pra dar aos pobres e que o James Bond era um espião super elegante que pegava todas as mulheres que estivessem dando sopa. Quando rola uma mudança muito drástica em algum desses conceitos base duas coisas podem acontecer: o personagem pode ficar totalmente descaracterizado ou o público pode ficar bem insatisfeito. Depois de garantir que os fundamentos estão lá chega a hora de começar a pensar na interpretação que vai ser dada ao personagem. É aí que chegamos ao cerne do papo das versões definitivas.

Para alguns a versão definitiva se aproveita dos conceitos clássicos e os eleva a um novo patamar, para outros a versão definitiva pode ser um olhar único sobre aquele personagem ou uma reimaginação do personagem para tempos mais modernos e até mesmo a abordagem de um aspecto nunca antes ou pouco explorado. O que importa é que o personagem pareça original mesmo para aqueles que o conhecem bem e, acima de tudo e qualquer coisa, a tal da versão definitiva precisa ser cativante.

Por mais técnica que possa parecer, a escolha da versão definitiva de um personagem é uma decisão emocional. Antes de pensarmos em versões de personagens devemos lembrar que um bom personagem consegue cativar o público. Ele pode ser um personagem secundário, um vilão ou um capanga, mas um bom personagem sempre será cativante e muitas vezes esse carisma acaba superando todos os outros fatores listados acima. Inclusive vale lembrar que muita versão tida como definitiva de alguns personagens não são assim tão definitivas. Vide lá o Coringa do nosso amigo do Heath Ledger.

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Antes de me xingar permita que eu me justifique. Nosso amigo falecido fez um trabalho ótimo como palhaço do crime, bem acima do esperado dele e o melhor que ele poderia fazer tendo um Batema bem qualquer coisa pra contracenar com ele. A questão é que ele não faz a melhor versão do personagem, a mais crua e impactante talvez, mas ainda assim não é a melhor, do cinema talvez, mas não dá pra dizer que é o melhor de todas as mídias, seria uma injustiça muito grande com Mark Hamil, que fez a voz do Coringa em tudo por uns vinte anos, e com a inacreditável versão do Coringa no Batman da Feira da Fruta. Creio que isso pode ser aplicado a vários outros personagens, mas em vez de falarmos mais disso vamos para uma rápida conclusão

De fato existe uma versão definitiva? Claro que existe, pelo menos até a próxima aparecer.

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Meio Cagado Esse Vilão Aí

Na semana passada eu comentei ligeiramente sobre os finais cagados de alguns filmes que eu vi recentemente. Um dos motivos apontados como determinantes para a qualidade dos finais foi justamente a qualidade dos vilões e hoje eu vou dar um destaque maior pra essa galera que nós detestamos tanto odiar: os vilões bosta.

    O vilão é, por definição, o opositor principal do mocinho da história. Essa relação de oposição costuma ser um dos maiores atrativos da história, nos fazendo esperar ansiosamente por cada confronto entre o herói e o vilão, tornando todo o filme apenas um prelúdio para o embate final entre o bem e o mal. Só que tem vez que isso não rola e tudo acaba sendo meio decepcionante por uma série de motivos, alguns deles serão debatidos a seguir.

O primeiro motivo é justamente o fato de alguns vilões não fazerem nada. Sabe aquele bandido que aparece, faz pose, diz umas linhas de diálogo legais, mas acaba entrando e saindo do filme meio sem fazer nada? É exatamente disso que eu tô falando. Um exemplo bom desse tipo de vilão é o Pierce de Logan.

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O cara tem uns equipamentos legais, uns capangas mal encarados e uma aura bem ameaçadora. Só que ele não faz muita coisa além de soltar graça do Hugh Jackman durante o filme todo, além de ter um final que joga na cara do espectador que o nível de periculosidade dele é bem baixo.

Outro vilão que eu considero bem fraco é aquele vilão extremamente bidimensional. O cara não tem motivações e normalmente os objetivos dele estão mais pra uma desculpa do que pra uma justificativa, isso quando a desculpa existe. Normalmente todas as questões relativas ao seu proposito e conduta podem ser respondidas com um “Porque sim”. Pode incluir aí praticamente todos os vilões genéricos de filmes de ação e alguns dos filmes com vilões que querem conquistar/destruir o mundo. Menção honrosa pra nossa amiga Magia do Esquadrão Suicida

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    O próximo vilão da lista dos marromeno é o vilão marqueteiro. Ele sabe vender o peixe dele, deixa todo mundo com medo, faz todas as ameaças do mundo e no final não entrega nada disso. Em algumas ocasiões isso é proposital, como foi o Mandarin de Homem de Ferro 3, mas nem sempre isso funciona muito bem. Os exemplos que me vêm à mente são justamente o Diretor Krennic, de Rogue One, e Santino D’Antonio e seus amigos lá do John Wick 2.

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Por último eu quero destacar aqui um vilão que, na minha humilde opinião, é uma mistura de todos os tipos de vilão citados anteriormente. Provavelmente o vilão que mais me decepcionou na vida, nosso amigo Tom Ridle, que prefere ser chamado pela alcunha de Lord Voldemort.

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Nosso amigo sem venta é um vilão até bem construído. Sua origem e motivações iniciais são bem explorados, e porque não dizer esmiuçadas, ao longo de pelo menos uns dois ou três dos sete livros da série Harry Potter. Só que é justamente o que tem depois disso que complica a parada. Voldemort, pelo menos inicialmente, funciona quase como uma versão mais moderna do Sauron de Senhor dos Anéis. Ele foi, teoricamente, destruído e começa a arquitetar o seu retorno. Nesse período da história ele funciona como uma sombra que paira sobre o protagonista e praticamente tudo de ruim que acontece é através dos seus seguidores. Nessa época ele é um vilão até de boa, aquele lance do mal oculto e da ameaça constante realmente funciona bem. Aí o cara volta e… Assim… Né? Tudo que o cara faz parece meio gratuito, aquela grandeza toda que era pra ele ter praticamente só existe no imaginário popular e no máximo morre alguém por culpa dele. Mas a parada que mais me incomoda é justamente a obsessão que ele tem pelo Harry Potter. Isso até que faria sentido, já que boa parte dos vilões tem relação com a origem do herói e tem todo o lance do elo que existe entre os dois e tal. Só que acaba ficando uma parada meio qualquer coisa quando paro pra pensar que Harry Potter é um dos protagonistas mais incapazes que eu conheço. Desde o começo ele é colocado no posto de escolhido que vai derrotar o mal supremo, mas ao longo dos livros ele não desenvolve nenhuma capacidade ou habilidade que pode ameaçar o Voldemort. Inclusive ele se livra da maioria dos rolos por causa da ajuda da galera dele. Tudo bem que Voldemort não é o melhor vilão do mundo, mas ele seria bem melhor se o herói da história oferecesse um desafio melhorzinho ou se ele tratasse seu inimigo como o adversário fraco que ele é.

Por fim eu só tenho uma coisa a dizer: tem um carinha que também mexe com cobra, é inimigo de um órfão que tem uma origem trágica, é obcecado pela imortalidade e também deixa pedaços dele espalhados por aí pra poder ressuscitar em caso de óbito inesperado. E ele dá de dez a zero no Voldemort… E em boa parte dos vilões que eu vejo por aí.

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Até a próxima.

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