Cachorros de Bikini

Não é um blog sobre cachorros e bikinis

Tag: Quarta-feira (Página 1 de 9)

Rock_Pigeon_Columba_livia

O Sexo dos Pombos

Esses dias eu estava viajando a trabalho. Como da outra vez em que isso aconteceu, interrompi o fluxo normal de publicações deste maravilhoso blog. Nessa onda de parar de publicar eu não fiz post por causa do meu aniversário, nem por causa do dia das mães ou por causa do aniversário do Cachorros de Bikini (completamos dois anos no começo deste mês). Também mantive a política editorial em relação aos temas pessoais que chegam a ser publicados por aqui. Normalmente ninguém liga pra essa parada, mas um certo amigo do trabalho passou o último mês e meio inconformado com a minha negligência. Em um dos picos de insatisfação ele me disse: “Vou te dar um tema, você vai fazer um post sobre o sexo dos pombos”. O pedido era compreensível, afinal um par dessas aves tão singulares estava passando as últimas noites tendo um romance ardente na janela do quarto desse meu amigo. Imediatamente eu preparei o “não”, mas o meu cérebro acabou me traindo. Durante o meio segundo que levou pra negativa sair do cérebro e chegar na garganta, as engrenagens trabalharam e cá estou eu pra falar do sexo dos pombos.

Sempre ouvi falar que duas coisas que não se vê muito por aí é enterro de anão e filhote de pombo. Tendo isso em mente, não parece absurdo pensar que os pombos são gerados espontaneamente já na forma adulta, o que removeria de suas vidas a necessidade do envolvimento carnal entre os indivíduos de gêneros opostos, removeria inclusive a necessidade de haver a diferenciação de gêneros. Mesmo contrariando esse conhecimento popular perpetuado ao longo de tantas gerações, os pombos não só se reproduzem da mesma forma que as outras aves, como também são um padrão para os casais apaixonados. Não é raro ouvir em novelas ou filmes dublados que os casais apaixonados são “dois pombinhos”. Isso nos leva ao primeiro ponto relevante dessa nossa conversa: o romance dos pombos.

Nunca consegui processar direito essa associação entre os casais apaixonados e os pombos. Normalmente aves não são muito expressivas, o pombo não foge muito a essa regra, mas eis que estou um dia olhando pela janela e vejo uma cena muito semelhante à essa aqui:

Sim, você acabou de ver o registro de um pombo cortejando uma pomba e, por incrível que pareça, o pombo me pareceu bem mais respeitoso com sua paquera do que boa parte dos animais que eu já vi em situação similar. Antes que você ache que eu sou um voyeur de bicho, devo dizer que assisti um tanto considerável de Globo Rural ao longo da minha, não tão curta assim, vida de 27 anos. Também devemos lembrar que os pombos são monogâmicos, ou seja, não possuem mais de um parceiro por vez. Levando isso tudo em consideração podemos dizer que o pombo é um animal relativamente romântico. Então chegamos ao ponto principal deste post: o tal sexo dos pombos.

Segundo a Wikipédia, os pombos se reproduzem ao longo de todo ano e preferem fazer isso em locais que se assemelham aos ambientes onde eles fazem seus ninhos na natureza. Os locais preferidos atualmente são os parapeitos das janelas e estruturas similares. Essas duas informações nos levam a duas conclusões: a primeira é que os pombos são seres naturalmente fogosos e não tão nem aí pra épocas propícias, o negócio é procriar. A segunda é que os pombos querem mais é que todo mundo testemunhe o amor deles.

Aí acaba o bem bom. Os ovos chegam ao ninho e lá vão os dois pombinhos pro revezamento de chocar as crias. Depois que eles nascem eles são “amamentados” por suas mães com o chamado leite de bucho, presente nas aves amamentadoras. Depois dessa acho que não tenho mais o que dizer. Até a próxima e não alimente os pombos.

Nem Vi Que Chegou no 250

Hoje entrei na área de administrador deste humilde blog e reparei que o número de posts estava em 252. Por alguns segundos o cérebro deu uma bugada. “Como assim passou do 250 e eu não vi?”, foi o que passou pela minha mente naquele instante. Parei pra pensar um pouco e lembrei que o post de número 250 saiu na quarta da semana passada, já que não saiu nada na sexta por causa de uma noite em claro e uma sessão de Pathfinder. Voltei lá na lista de posts e vi que o post de número 250 foi esse aqui:ababa

Acabo de reparar que esse texto foi publicado no Dia do Índio. Obviamente isso não tem nada a ver com as outras coisas que eu vou escrever, mas fique sabendo que, até a hora de publicação deste texto, eu estarei extremamente tentado a dar o maior Alt+Tab da história deste blog para falar de índio. Só não faço isso porque essa marca histórica precisa ser devidamente registrada e comentada.

Originalmente o post de número 250 seria, mais uma vez, sobre o tema que traz mais pessoas da busca do Google para este pequeno site: Maísa de biquini.

CfxZxVQW4AAkKJU

Esse tema já tá maturando na minha cabeça faz um tempo e, se as coisas saírem como eu tô pensando, vai render o texto mais divertido da história deste site. Mas, como vocês já devem ter notado, eu resolvi falar de outra coisa e Maísa vai ficar pra depois. Mal aí, Maísa.

o-MAISA-facebook-1024x512-1024x512

Fico pensando como seria se eu tivesse lembrado da quantidade de posts na semana passada. Provavelmente faria uma publicação comemorativa nos moldes dos especiais de 100 e 200 publicações… Se bem que o número 200 foi um conto e o especial foi o 199… Enfim, detalhes. Pensando direito, com exceção do número 200 e do número 75 que foi o primeiro de uma série anual, todos os números mais significativos foram ocupados por posts que falam de como esses números são significativos. Não teve nada que fizesse deles uma publicação verdadeiramente marcante. Pelo menos até agora. Pois no último Dia do Índio, eu publiquei o meu post preferido de 2017, pelo menos até a presente data. Uma publicação carregada de sinceridade, de verdade e, principalmente, da paixão que eu tenho enquanto pessoa fã das coisas. Além disso, ele é o lembrete de um dos momentos mais legais, se não o mais legal, da minha vida de fã. Toda vez que eu der uma lida nele vou lembrar disso e saber que ele é o número 250 só deixa ele com um gosto ainda mais especial.

O final desse post vai ser com aquela velha conversa de sempre. 250 é um número lindo, mas não quer dizer tanta coisa assim. Quando (e se) chegarmos aos 500, 1000 ou 10.000 posts, essa marca não será nada… Mas isso é no futuro, agora esse 250 é tão bom quanto qualquer número que vai ter depois dele.

Coração de Fã

    Na semana passada estava eu falando com uma amiga. Em pauta estava um grande evento nerd que aconteceu esses dias no Centro de Convenções de Pernambuco. A partir de certo momento da conversa o tema mudou um pouco, começamos a falar dos problemas de ter um “coração nerd” e de como a racionalidade nem sempre entra na equação quando o assunto é tomar uma decisão que envolve algo que nós gostamos. Desde então fiquei matutando sobre esse assunto e decidi expandir um pouco mais esse conceito. É por isso que hoje eu não vou falar do “coração nerd”, afinal esse termo é muito restritivo. No final as pessoas anerdalhadas só se diferem dos outros seres humanos por causa de suas paixões por certas coisas. Hoje vou falar do coração de fã.

    Por definição o fã é uma pessoa que nutre uma grande admiração por algo ou alguém. O termo é derivado de “fanático” e é utilizado mesmo quando não existe de fato um fanatismo. Essas pessoas possuem um amor irrestrito pelos alvos de sua admiração e por elas sofrem, riem, choram e brigam (ah, como brigam). O fã é aquele tipo de pessoa que vai achar um absurdo o fato de você nunca ter ouvido falar daquilo que ele gosta, lido aquela série de 513.614 livros e visto todos os filmes de uma certa franquia. Obviamente depois disso ele vai encaixar coisa do tipo “tu precisa ver”, “tem todas as temporadas no Netflix” ou “eu te empresto se tu quiser” e “eu trago pra tu jogar”.

    O fã é o tipo de pessoa que se sente no dever de espalhar aquilo que ele gosta pelo mundo. Porque ser fã sozinho não tem graça e é por isso que os fãs costumam ser extremamente sociáveis com outros fãs, mesmo quando sua capacidade (ou vontade) de socializar é quase nula no contexto normal da vida cotidiana. Isso é potencializado ainda mais quando o fã em questão gosta de algo que pertence a um nicho muito específico, o tipo de coisa que a maioria dos seus amigos não gosta ou gosta de forma muito moderada, que seu pai não faz a menor ideia do que é e que, em alguns momentos, é também um motivo para se envergonhar. Afinal sempre rola um “isso é coisa de tabacudo virjão”,  “isso não é coisa pra mulherzinha?” ou o clássico “isso é negócio de criança” quando você tem certos gostos.

Mas nada difere tanto o fã do transeunte do que o coração.

O coração do fã é, acima de tudo, o maior inimigo das decisões racionais. Todo mundo sabe que as decisões tomadas com base na emoção costumam ser um pouco inconsequentes. Dormir em horários absurdos, encarar filas enormes, correr alguns riscos, prejudicar o orçamento, estourar o cartão, faltar àquela aula da faculdade e até mesmo escapulir do trabalho são coisas que, no mínimo, todo fã já cogitou fazer e pelo menos uma delas já foi feita. Até porque o fã é uma pessoa que faz sacrifícios, seja sacrificando seu tempo, seu dinheiro, seu conforto e até sua reputação. Para o fã muitas coisas são inevitáveis. Comprar aquele livro, aquela HQ, gastar dezenas de horas com aquele jogo ou na maratona daquela série, ver pela milionésima vez aquele filme ou infartar quando o time do coração joga não é uma opção, é inevitável. Pode demorar para acontecer, mas acaba acontecendo. É quase um comportamento compulsivo, algo puramente movido pela emoção. É a tradução literal do que é ser fã.

Eu sou um fã. Tomo decisões puramente emocionais, passo horas discutindo sobre coisas que não mudam em nada a minha vida, indico coisas pros outros, gasto uma parte do meu dinheiro com as minhas paixões e uma parte muito maior do meu tempo com essas mesmas paixões. Cresci numa família de fãs e é provável que, se eu chegar a formar uma família, ela seja uma família de fãs. Fui ensinado a gostar das coisas de forma saudável, mas nem por isso gostar menos. Já fui, e sou, diminuído e hostilizado por causa das coisas que eu gosto, as mesmas coisas que ajudaram a criar algumas das maiores amizades que eu tenho hoje. Sou um fã, não é por opção, é inevitável.

Acabou… Ainda Bem

    No último domingo foi ao ar o episódio final da série mais recente da franquia Gundam. Eu acompanhei, episódio por episódio, ao longo de semanas a reta final dessa história. Faz mais sentido dizer que eu acompanhei toda a sucessão de desgraças que aconteceram ao longo de toda a segunda temporada, principalmente nos últimos oito ou dez episódios. Foi tanta desgraça que, quando o último episódio chegou ao fim, em vez de ficar triste pelo fim de um anime tão bom, eu fiquei aliviado. E foi essa sensação tão singular que me deu a ideia pro post dessa quarta-feira.

    Nós, espectadores/leitores/ouvintes/jogadores, temos um hábito que é, no mínimo, pouco saudável: o hábito de se apegar aos personagens. O nível de apego varia muito de pessoa pra pessoa e depende principalmente de três fatores. O primeiro é o nível de identificação que o personagem gera no espectador. Quanto mais nós nos enxergamos naquele personagem, quanto mais vemos ali uma representação de nós mesmos, mais nos apegamos, afinal é a gente que tá ali. A identificação pode não acontecer exatamente com o personagem, pode acontecer uma identificação com a causa que aquele personagem, ou grupo de personagens defendem. Você compra a ideia. O segundo fator é o nível de admiração que o espectador tem por aquele personagem. Enquanto no primeiro caso temos os personagens mais “gente como a gente”, nesse segundo nós temos personagens que são mais icônicos, verdadeiras fontes de inspiração, algo mais parecido com o herói clássico ou uma adaptação dos arquétipos clássicos e ideais de heroísmo para o contexto da trama em questão. O terceiro fator é justamente o desempenho ou a importância do personagem dentro da história. Quanto mais diferença os personagens fazem na trama, mais queremos que ele continue fazendo a diferença. Claro que existem os personagens que fazem a diferença de forma negativa, mas esse não é o foco no momento. Aí chegamos na parte principal desta publicação: o sofrimento.

    Normalmente uma boa história apresenta um conflito interessante. Existe um desafio, um obstáculo, um inimigo, ou vários, que estão lá pra complicar a vida dos mocinhos. O mocinho vence os desafios e a história acaba. Só que existem algumas histórias em que tudo é conseguido à duras penas e os mocinhos se lascam de uma maneira absurda. Os fãs de Guerra dos Tronos, Homem-Aranha, Demolidor e de alguns desenhos japoneses sabem bem do que eu tô falando.

Todo esse sofrimento acaba ultrapassando as fronteiras da ficção e chega na gente quase como uma agressão. Em algumas histórias o mais maltratado é, sem dúvidas, o leitor/jogador/espectador. Vale aqui a menção honrosa do autor mais lembrado atualmente por maltratar seus personagens e o público, nosso amigo autor de Guerra dos Tronos, George R.R. Martin.

0ed

Aí um dia acaba a história e junto com ela o sofrimento daqueles personagens. Quando o final do Gundam finalmente chegou, eu não tive pena de ver aquela série fantástica terminando. Eu só queria parar de esperar pela próxima desgraça. Agora não preciso esperar mais… Ainda bem. Ainda bem que acabou. Que alívio.

 

O Sereio Brasileiro

    Hoje estava peregrinando por um grande portal de notícias daqui de Pernambuco quando me deparo com a seguinte manchete:

Sereio

    Se você quiser ler a matéria na íntegra é só CLICAR NESSE LINK.

    Em resumo a matéria fala de Davi Moreira. Ele mora no Rio de Janeiro e é adepto do sereismo. Na prática o sereismo não tem nada de muito exótico ou exagerado, o adepto desse estilo de vida, além de ter um grande amor pelo mar (ou rio, ou piscina, ou qualquer ajuntamento de água profundo o suficiente pra dar uma nadada) quem leva esse estilo de vida nada usando uma cauda de sereia.

    Davi Sereio, como gosta de ser chamado, começou a ganhar notoriedade por causa das suas fotos e vídeos que estão por aí nas internets. Atualmente ele recebe vários convites pra animar baladas e festas na piscina e ganha até 200 dilmas pra fazer essas participações. Segundo ele essa admiração pelas sereias começou com A Pequena Sereia e aumentou depois de ler a obra de Mirella Ferraz, que além de escritora faz esses esquemas de sereia.

    Inclusive se você entrar no blog da moça, com o sugestivo nome de Eu Sou Uma Sereia, vai descobrir que existe toda uma cultura sereista e um monte de gente que é super fã dessas paradas. Lá você também encontra UMA PORRADA de fotos da moça com as mais diversas caudas de sereia, algumas delas assustadoramente reais.

    Enquanto a nossa amiga escritora prefere fazer a distinção entre os gêneros quando fala do povo submarino, detalhados nesse post muito bom sobre tritões que acaba falando das sereias no geral, nosso amigo Davi se considera um meio termo entre sereias e tritões, preferindo a alcunha de sereio, sob o pretexto de adotar uma identidade sem gênero quando coloca o seu rabo de peixe. Apesar dos comentários negativos e da galera galhofando da cara dele, Davi persiste fazendo o que ama, que é atacar de sereio sempre que pode.

    Aí chega o ponto que eu preciso opinar sobre a parada do cara ser sereio. Paro pra avaliar a notícia e chego à conclusão que tudo isso é uma das coisas mais malucas que eu vi nos últimos tempos. Digo isso mais por não imaginar que existisse isso do que por achar que as pessoas que praticam essas sereiadas são malucas. Acredito que todo mundo já pensou como seria se a gente fosse sereia, a diferença é que essa galera não ficou só pensando, foi lá e fez. Só pela atitude essa galera já ganha uns pontos e ganha mais uns se fizer que nem Davi Sereio que nada no mar usando rabo de sereia. Já é cabuloso nadar no mar de forma geral, imagina usando um rabo de sereia?

Cada vez mais me convenço que o mundo está cheio dos mais variados tipos de pessoa e por causa da internet esses tipos mais exóticos aparecem pra gente mais fácil. Justamente por isso não posso dizer que essa de sereia é novidade, provavelmente já tem gente fazendo isso desde sempre e a gente que nunca ouviu falar. Já dizia Salomão: não tem nada de novo debaixo do sol… Nem gente que usa rabo de sereia

Qual o Seu Tipo de Pessoa?

Ontem estava eu fazendo meu cadastro para poder baixar um conteúdo gratuito de uma certa loja. Em dado momento fui eu preencher aquelas informações que eles colocam na nota fiscal. O primeiro campo para preencher era esse aqui:

TipoPessoa

Imediatamente fui levado à uma reflexão relâmpago. Obviamente que o formulário só queria saber se eu era uma pessoa física ou jurídica, inclusive eu fiquei tão estupefato pelo efeito do campo “Tipo de Pessoa” que foi um alívio ver que só existiam essas duas opções. Concluí meu pedido, o PDF chegou no meu email, mas aquela interrogação permaneceu na minha cabeça. Que tipo de pessoa eu sou afinal?

A primeira coisa que precisamos estabelecer aqui é se de fato as pessoas podem ser divididas em tipos. Nosso procedimento normal ao conhecer uma pessoa, seja pra valer ou superficialmente, é encaixar essa pessoa em alguma, ou algumas, das categorias de pessoas que criamos ao longo das nossas vidas. Não classifico isso como um comportamento preconceituoso, na prática precisamos disso pra criar uma espécie de bússola social. Saber onde pisa é o primeiro cuidado que precisamos tomar ao viver em sociedade e esses rótulos que colocamos nos outros nos ajudam a evitar alguns conflitos desnecessários. A parte ruim disso é que corremos o risco de cair na tentação de sermos muito taxativos.

Precisamos lembrar que vivemos num mundo onde as pessoas são tridimensionais. Mesmo que muitos não pareçam, todos os seres humanos podem ser encaixados em algumas, se não várias, categorias e normalmente a quantidade de categorias nas quais encaixamos as pessoas é proporcional ao tanto que conhecemos elas. Pensando nisso eu lembrei de uma parada que eu acabei de descobrir como se chama do diagrama de Venn. Fica fácil de entender como ele funciona observando o exemplo 100% verídico abaixo:

P018_Batman

Seguindo por etapas nós dividimos as pessoas em uma e, dependendo da pessoa ou do nível de conhecimento que temos dela, vemos em quais outras categorias ela se encaixa e criamos uma espécie de diagrama para cada pessoa. Essa ideia foi colocada em prática de uma maneira trinta e cinco vezes mais inspiradora do que nesse texto por uma rede de TV dinamarquesa. Se for assistir, lembre de se certificar que as LEGENDAS ESTÃO LIGADAS.

Mas aí chegamos ao ponto crítico desse tema. Você já se perguntou que tipo de pessoa você é? Normalmente somos relativamente cientes daquilo que não somos. Digo relativamente porque o autoconhecimento pleno é uma coisa difícil de conseguir e que normalmente não colocamos como meta da vida. Inclusive é bem provável que você, caro leitor, esteja na mesma situação que eu. E eu não consigo dar uma resposta 100% para uma pergunta dessa. Eu posso ficar aqui pensando um tempão e continuar insatisfeito com a resposta. Sempre vai ter alguma coisa que eu não estou enxergando ou algum traço de personalidade que passe despercebido. Exatamente por isso que vou tentar chegar a uma resposta decente pra essa pergunta e recomendo que você faça o mesmo. Quem sabe a gente não aprende alguma coisa?

São As Águas de Março Fechando O Verão

O carnaval acabou, Março já tá na metade e a gente já viveu quase 25% de 2017 e, assim como em outros anos, tem chovido para caramba. Afinal são as águas de março fechando o verão.

Sem título

Mesmo a chuva de março rolando praticamente todo ano, eu nunca tinha parado pra fazer a associação dessas famosas águas pluviais do mês três com o final de alguma coisa. Não sou um admirador do trabalho de Elis, a Regina, e de Tom Jobã, mas acabei pensando neles e nas citações que fizeram à famosa composição do nosso amigo Tommy. Prestando atenção na chuva e no calendário acabei vendo que março é um moço peculiar dentro do calendário. E não é só por causa das águas que fecham o verão.

Começa que Março é o primeiro mês pra valer do ano. Janeiro tem muita gente de férias, fevereiro tem carnaval e, mesmo quando não tem folia, continua lá com seus 28 dias. Abril vem logo depois, abre a temporada de feriados nacionais e normalmente traz consigo a primeira data comercial do calendário, a Páscoa. Peço perdão para aqueles que, assim como eu, comemoram a Páscoa pelo seu significado para os cristãos, mas as lojas só querem mesmo saber de vender chocolate. Aí você me pergunta: “E março, Filipe? Tá ali em cima dizendo que o texto é de março, cadê março? Quero meu dinheiro de volta”. Aí eu digo: tô chegando lá.

Março é tipo julho e agosto. Feriado, se tiver, é só estadual ou municipal. Os três são considerados meses longos e normalmente não figuram entre os primeiros lugares no ranking geral de meses preferidos do ano. Só que, ao contrário dos seus outros amigos, março tem uma coisa que o torna praticamente um mês coringa: em março pode ter carnaval, pode ter Páscoa e pode não ter nada. Ainda assim ele permanece com aquele mesmo jeito de março. Tá ligado/ligada jeito de março? Então, é esse mesmo.

Em março pode ter carnaval, mas nem por isso fevereiro deixa de ter a cara de “mês do carnaval”. Quando o carnaval cai em março, automaticamente nossa cabeça é transportada por cinco ou seis dias de volta pra fevereiro. Tanto que, quando o carnaval cai em fevereiro, a gente quase não ouve “esse ano o carnaval cai em fevereiro”, mas quando a festa da carne cai em março o aviso começa no ano anterior quando o carnaval termina. É que nem quando sua mãe fica te lembrando de um negócio o tempo todo pra não ter risco de você esquecer e fazer no dia errado. A mesma coisa rola com a páscoa, mas como a quantidade de festa e dias de folga é menor, não precisa desses alertas todos.

É março e tem chovido. Esse ano as águas de março vieram logo depois do carnaval, logo no começo do mês, pra deixar bem claro que aquela moleza do começo do ano acabou. É de março que a expectativa pelo milho do São João começa, principalmente praquela galera mais velha que cresceu, assim como eu, ouvindo que se chover no dia de São José o ano vai ser bom de milho. Enquanto o dia de São José não chega, as águas de março vão fechando o verão.  

É Dia da Mulher e Eu Não Sei O Que Fazer

    Hoje, 8 de março, é o Dia Internacional da Mulher. Normalmente rola algum tipo de homenagem ou enaltecimento do ser humano feminino e todo mundo de repente lembra de tratar as mulheres direito, ou pelo menos um pouco melhor do que de costume. Obviamente o tema do texto de hoje seria alusivo a esse dia tão icônico, mas a dúvida estava justamente em como abordar o tema. A resposta, ou a não resposta, veio depois de fazer uma coisa que a gente muitas vezes esquece de fazer. Eu parei, olhei ao redor e tentei enxergar além das definições padrão do meu sistema. Agora me arrependo um pouco de ter feito isso.

Nunca antes na história desse país as questões ligadas ao feminino estiveram em tanta evidência e é justamente por isso que o Dia Internacional da Mulher está cada vez menos “rosa e Sonho de Valsa” e mais ligado com a raiz da luta pelo direito das mulheres. Por isso eu entrei no Facebook e vi uma quantidade grande de posts cheios de indignação. Olhei por aí na internet e me deparei com uma série de coisas alusivas ao Dia Internacional da Mulher, mas nenhuma delas falava de amenidades que eu estava mais acostumado a ver. De dados alarmantes até histórias comoventes, tudo remetia ao viés original do dia dedicado à luta das moças.

Aí chegamos à minha situação. Eu, um pobre moço que, além de estar no mesmo time de Jon Snow e não saber de nada sobre nada, sou homem e tenho o desafio de fazer um post sobre o Dia Internacional da Mulher em um blog que tem como premissa principal não falar de coisas sérias. Aí em dado momento dessa quarta-feira eu estava exatamente assim:

panda-facepalm-o

Hoje é Dia Internacional da Mulher e eu literalmente não sei o que fazer. Não sei se eu “comemoro” esse dia ou me revolto junto com as moças. Não sei se gasto mais tempo avaliando a sociedade em geral ou me avaliando pra saber se eu também tenho culpa nessa história de tornar a vida das moças pior. No momento em que eu escrevo esse texto eu nem sei mais se dar parabéns é certo ou não. Muito provavelmente estarei errado em qualquer coisa que eu fizer, por isso é até melhor eu não fazer nada.

Eu poderia fazer um texto bonitinho, elogiar o ser feminino enquanto arquétipo ou enaltecer as moças de alguma forma. Mas, por incrível que pareça, isso não é muito adequado. ´Hoje só é o dia que é porque tinha um monte de coisa errada e boa parte dessas coisas continua errada. Espero que um dia o dia 8 de março traga consigo mais das lembranças de uma luta que passou e menos de uma luta que ainda está na metade. Sinceramente desejo que as moças tenho cada vez menos motivos pra lutar. Até ano que vem.

(Não) Carnaval 2017

    Algumas regiões do Brasil são praticamente sinônimo de carnaval. Em algumas outras a festa existe, mas não é tão famosa, e em outras localidades o carnaval praticamente inexiste. Inclusive são essas cidades que costumam receber as pessoas que querem fugir do carnaval. Como eu dificilmente saio de casa no carnaval e moro em um dos estados que são sinônimo de carnaval, o carnaval acaba chegando em mim. Seja pela música alta dos vizinhos, pela troça que você encontra na rua quando vai comprar pão, as notícias no jornal ou pelo desvio do trânsito por causa do bloco que vai passar. O carnaval chega, pelo menos chegava. Digo isso porque em 2017 o carnaval parece mais que não chegou por aqui.

    Os meus vizinhos devem ter sido abduzidos, porque nesses últimos dias eu não ouvi música nenhuma. Saí uma ou outra vez e não vi nenhuma troça, bloco ou similar na rua. Vi uma ou outra notícia na televisão, mas dei tão pouca atenção que parecia mais que tudo aquilo estava acontecendo em outro lugar. Nem as pessoas conhecidas falaram muito sobre carnaval. As fotos que apareceram nas redes sociais pareciam mais deslocadas no tempo. Acho que nunca antes na vida eu estive tão longe dos festejos carnavalescos. Não me lembro se houve um carnaval com a vizinhança tão silenciosa. Nunca estive tão próximo da sensação de morar em um lugar onde o carnaval não existe.

    “Ah, Filipe, mas que besteira. Em um monte de lugar não tem carnaval e não vejo ninguém fazendo espanto por causa disso”. De fato isso é uma besteira, mas tem dois motivos pra eu fazer espanto com isso. O primeiro é o fato de que eu só escrevo sobre besteiras. Se eu não falar das besteiras, eu não vou falar de nada. O segundo motivo é o meu endereço. Eu moro em Pernambuco e aqui o carnaval começa oficialmente depois da virada do ano, isso quando a virada de ano já não é em clima de carnaval ou quando as atividades carnavalescas não começam depois do São João. Ou seja, aqui é carnaval até quando não é pra ser. Tanto que ninguém se admira com essa vibe carnavalesca quase permanente. Exatamente por isso que eu tô achando tudo tão estranho. Na verdade estava, porque o carnaval acabou de acabar.

    As cinzas da quarta-feira já estão indo embora e com elas mais um carnaval. Ano que vem ele vem um pouco mais cedo, dia 10 ele já começa. Se bem que na velocidade em que 2017 tá passando, quando a gente se der conta já vai ser carnaval de novo. Feliz ano novo, 2017 começa pra valer agora.

Porque Reclamar Faz Bem

Por incrível que pareça existem alguns hábitos do ser humano moderno que são tão antigos quanto a própria humanidade. Um deles é o hábito de se reunir ao redor da fogueira pra jogar conversa fora. Obviamente hoje em dia não fazemos fogueira com tanta frequência, mas nos reunimos ao redor das mesas de jantar, de restaurante, de buteco, de RPG ou até mesmo nos grupos de Whatsapp. Não importa qual é a fogueira, o que interessa é que ainda nos sentamos ao redor dela, da mesma forma que nossos ancestrais mais primitivos faziam, e dividimos com os outros histórias, notícias e em boa parte das vezes reclamamos da vida. Mas, ao contrário dos resmungos nossos de todas as horas, as reclamações feitas diante da fogueira funcionam quase como um terapia.

Lembro de um período da minha vida em que eu me reunia com alguns amigos quase toda sexta-feira depois do expediente.A gente se juntava, comia pizza, falava besteira e depois ia todo mundo pra casa. Mas alguma coisa curiosa acontecia quando os únicos presentes eram eu e mais dois amigos meus. Quando a gente se juntava a conversa tinha uma pauta única: reclamar do trabalho. Por uma mera coincidência, a época em que nós três tínhamos mais motivos pra reclamar do trabalho foi a época em que mais vezes só nós três aparecíamos pra comer pizza. Ficou fácil de imaginar o tanto de tempo que a gente passou reclamando do trabalho, da vida, do universo e de tudo mais. Justamente por isso hoje eu posso dizer que se não fosse por aquelas horas de reclamação eu teria encarado aquele período da minha vida profissional com muito menos ânimo.

Temos por hábito reclamar.Ou pelo menos procurar motivo para reclamar e por isso boa parte dessas queixas são bem irrelevantes pros outros. Justamente por isso que quando você se senta ao redor da “fogueira” com os seus amigos, você só reclama dos problemas de verdade. Afinal você vai ocupar o tempo de todos os participantes da conversa exclusivamente com os seus assuntos, a atenção dos amigos tem que valer a pena. Por isso os problemas que chegam à luz do fogo e ao conhecimento de todos são os problemas de verdade, os que realmente são problemas. Coisas que estão nos deixando aflitos, decisões difíceis que estão tirando o nosso sossego, assim como os planos pro futuro ou os vacilos do passado. Tudo levado diante de pessoas que também já dividiram seus problemas com você.

Reclamar não é agradável, mas pode ter um efeito bastante positivo. Por isso a mensagem de hoje é: RECLAME. Não digo pra reclamar sem parar ou achar defeito em tudo. Pense nas coisas que realmente estão piorando a sua vida e, se possível, divida com alguém. Não recomendo fazer isso publicamente, seja em redes sociais ou naquele seu grupo do Whatsapp que tem 46583628 pessoas. Tão bem selecionados quanto os problemas que serão exposto precisam ser os ouvidos que vão ouvir esse problema. E é com esse último conselho que eu encerro a série de posts sobre as reclamações nossas de cada dia. Espero demorar muito pra fazer outra série temática porque esse negócio de planejar muito e não escrever sobre outro assunto é meio chato e só é legal de verdade no final do ano.

Página 1 de 9

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén