Cachorros de Bikini

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Maisa Abandona a Infância

Outro dia eu estava na página de notícias que eu visito automaticamente toda vez que eu saio do meu email. Normalmente eu só dou uma olhada nas manchetes, algumas vezes elas são melhores do que as próprias noticias, sendo as noticias sobre famosos as que possuem as melhores dentre as melhores manchetes, principalmente por elas não serem 100% condizentes com o conteúdo das matérias. Eu estou fazendo essa volta enorme só pra dizer que eu estava de bobeira nesse site quando eu vi uma chamada que dizia “Maisa Abandona a Infância”.

Se você leu a matéria deve ter percebido que ela não fala de nenhum abandono da infância de ninguém, muito menos da infância de Maisa. Lembro de ter imaginado como seria uma cena de abandono de infância. Diante do absurdo da cena, percebi que não rola de abandonar a infância.

Crescer demora. Mesmo que passemos a menor parte da nossa vida crescendo, não é uma parada que acontece do dia pra noite, a menos que você seja um personagem de filme da Disney ou um Pokémon. A infância também não é algo que você consegue abandonar, pelo menos não como sugeria a chamada da matéria. Não é como se você pudesse dizer “Já deu, Infância, cansei de você, considere-se abandonada”.

Infância é etapa, pedaço da vida, caminho. Não é algo que você carrega, é o primeiro lugar onde encontramos coisas que valem a pena ser carregadas por toda a vida. Só somos adultos hoje por que antes fomos crianças. Inexperientes, inaptos, infantes. Por mais que alguns queiram esquecer, é impossível não lembrar quando olhamos pra trás. Sem isso seriamos como árvores sem raízes, não teríamos de onde tirar forças para continuar crescendo.

Dia do Amigo

Na ultima segunda-feira, também conhecida como 20 de Julho, foi comemorado o Dia do Amigo. Talvez essa seja uma das datas com a maior disparidade entre o impacto que ela causa dentro e o que causa fora da internet. Isso por que, até onde eu lembro, antes do boom das redes sociais ninguém falava do Dia do Amigo. Por causa disso eu considero válido dizer que hoje esse dia é celebrado graças ao Orkut.

Provavelmente você, caro leitor, tem idade suficiente para se lembrar do Orkut, um dos maiores fenômenos da internet (pelo menos no Brasil) de todos os tempos. Apesar de ninguém ligar mais pro coitado, sua desativação causou uma grande comoção. Eu lembro que na época muita gente corria atrás de aumentar a sua lista de amigos, tanto que atingir a marca de 1000 amigos, e consequentemente não poder adicionar mais ninguém, era motivo de ostentação. Dentro de um ambiente como esse não é difícil acreditar que o Dia do Amigo fosse genuinamente celebrado.

A verdade é que o finado Orkut mudou um pouco a forma de como lidamos com a amizade. Aos poucos fomos acostumados a quantificar nossos amigos, a elevar os conhecidos ao patamar de amigos e  a transformar nossa lista de contatos em uma espécie de galeria de todos que conhecemos. Porém, devido às limitações desse sistema, fomos obrigados a chamar todos os conhecidos, os colegas de trabalho, do curso de inglês, aquele primo que não te vê há 10 anos, ou aquele cara que estudou com você na terceira série de amigos. Provavelmente seja por isso que o Dia do Amigo continua sendo uma data tão celebrada nos ambientes sociais virtuais.

Apesar de não dar tanta bola pro Dia do Amigo, fico pensando aqui com meus botões se futuramente as relações de amizade serão tão rasas quanto essas redes sociais fazem parecer. Se a frase “Vocês são amigos agora” que o Facebook exibe a cada pessoa adicionada à minha lista continuará tão absurda aos meus olhos quanto sempre foi. Se as pessoas vão precisar de uma frase automática do sistema pra saber se alguém se tornou um amigo.

Contos de Segunda #7

Josias era terapeuta. Ao longo dos anos ele percebeu em seus pacientes um ponto em comum. Todos sentiam aversão pela segunda-feira, mas alguns deles possuíam uma espécie de depressão associada ao primeiro dia útil da semana. Ele precisava dar um jeito nisso.

Depois de muita pesquisa e de muitas experiências, ele chegou à conclusão de que a hipnose seria a melhor forma de combater essa depressão. Através de uma série de gatilhos mentais, mensagens subliminares e coisas do tipo, o paciente se tornava incapaz de lembrar coisas associadas à segunda-feira. Coisas como se fosse impossível perceber que era segunda, ou que amanhã seria segunda, ou que ontem foi segunda. Saber que o dia 23 cai no início da semana, mas não saber que isso era uma segunda-feira. Criar esses bloqueios de modo que o paciente não seja prejudicado em sua vida cotidiana foi um verdadeiro desafio, rendendo renome internacional e vários prêmios. Porém Josias escondia um segredo. Na verdade ele mesmo foi o principal motivo para o início das pesquisas. Josias sofria da depressão associada à segunda-feira, mas por algum motivo misterioso ele era imune ao tratamento hipnótico.

Ele tentou com neurologistas e psiquiatras, mas não descobriu como poderia fazer o tratamento funcionar. Pelo menos não de forma tranquila. Cansado de ver pacientes livres de seus traumas, enquanto ele amargava o sofrimento e a tristeza gerada pela segunda, Josias resolveu aumentar a intensidade dos estímulos, ativar vários gatilhos mentais ao mesmo tempo e prolongar o tempo de exposição… Deu resultado… Mas não o resultado esperado.

Atualmente Josias ocupa uma cela no manicômio judiciário. Ele foi preso por ter assassinado um homem após uma discussão onde o mesmo afirmou ser quarta-feira. Para Josias era segunda-feira, assim como em todos os outros dias

Dia do Homem

Na ultima quarta-feira, também conhecida como 15 de Julho foi “comemorado” o Dia do Homem. Eu até poderia explicar o que me levou a colocar entre aspas o “comemorado”, mas um pensamento recorrente nubla minha cabeça e me impede de raciocinar o suficiente para construir meu argumento: Dia do Homem? Sério isso? Tem um Dia do Homem?

Eu não sou feminista, mas tenho a ligeira impressão de que uma data como essa só faria sentido se nossa sociedade fosse dominada por seres extraterrestres e o homem e a mulher ocupassem exatamente o mesmo papel na sociedade humana escravizada pelos aliens. Mas os alienígenas ainda não chegaram e nós ainda vivemos numa sociedade patriarcal que tem uma cultura muito sexista. Na minha cabeça ter um dia pra quem sempre ditou as regras do jogo não tem muita lógica.

Segundo as informações levantadas por mim através de uma pesquisa muito rasa feita em dois ou três links do Google, esse dia serve pra celebrar as contribuições que os homens deram à sociedade, provavelmente por que tudo que conhecemos foi feito pelo macaco conscientizar o homem sobre os cuidados com a sua própria saúde, já que homem não liga de ir pra médico, algumas outras bobagens e para lutar pelo direito dos homens. Essa última parte é tão nada a ver que não cabe nem comentar. Espero que eles estejam falando da licença paternidade que os homens tem em alguns países.

Mas a parte mais legal do Dia do Homem é o fato de ninguém dar a mínima importância pro Dia do Homem. Até o Dia do Amigo, que só ganhou projeção por causa do Orkut, parece mais coerente do que o Dia do Homem. Inclusive não creio que exista um ser humano que não tenha achado estranho a existência do Dia do Homem. Inclusive eu duvido muito que seja uma data conhecida por uma parcela grande da população. Por isso acho justo que comecemos a celebrar todos os dias que são sumariamente ignorados. Hoje, por exemplo, é 17 de Julho, Dia do Protetor das Florestas, que celebra a obra de grandes protetores da floresta como Chico Mendes, Dorothy Stang e o Curupira (sim, ele mesmo). Inclusive eu acho que esse dia é bem mais relevante que o Dia do Homem. Também é aniversário de David Hasselhoff e aniversário do falecimento de Billie Holiday, que eu não sabia que era mulher até um tempo desse. Nesse mesmo dia foi assassinado, juntamente com sua familia, o último czar da Rússia, Nikolai Romanov.

Ideias

Escrever é uma coisa interessante, pelo menos pra mim. Eu normalmente escrevo contos e outras coisas como este texto que você, querido leitor, está lendo nesse momento. Eu não escrevo contos por ter uma boa estória pra contar. Também não escrevo textos como este por ter algum pensamento ou reflexão genial pra dividir com os que me lêem. Não. Existe um motivo puro e simples que me leva a sentar, algumas vezes por horas, na frente de um computador e exercitar meus dedos no teclado: as ideias precisam sair.
Eu gostaria de ter algum processo criativo exótico ou inusitado. Não tenho. O que acontece comigo não tem nenhum mistério: eu tenho uma ideia e essa ideia me incomoda até ser colocada no papel. Normalmente as ideias crescem e amadurecem um pouco antes de seguirem para o papel, mas elas me incomodam desde o nascimento.
Quando eu comecei a escrever sobre assuntos aleatórios, coisas sem a mínima relevância ou aplicação prática, uma ideia que não para de me incomodar, decidi fazer uma lista de ideias para futuros textos. Tive algumas e as coloquei no papel. Assim como a minha lista de ideias para futuros contos, a lista de futuras crônicas não passou de uma lista. Percebi por fim que essas listas nada mais são que uma detenção para minhas queridas ideias. Como eu disse, elas incomodam até irem pro papel, depois disso ficam quietinhas. Agem como se estivessem felizes por viver em um lugar mais tranquilo do que a minha cabeça. Talvez as listas sejam um pouco mais confortáveis do que um ambiente de pensamentos caóticos.
Mas qual o motivo que me levou a ter a ideia pra esse texto?
A resposta é simples: na época em que a versão original dele foi escrita, dois meses haviam se passado e eu não tinha escrito nada. Consequência do tempo empregado em colocar uma certa ideia no papel. Dei vida a mais um personagem, contei sua história e gastei boas horas escrevendo sobre ele… E também gastei várias ideias nessa brincadeira. O resultado disso é que passei muito tempo sem ter sobre o que escrever. Nunca antes havia trabalhado em um personagem que me absorveu tanto. Tanto que não conseguia pensar em escrever mais nada. Não sei se minhas pobre ideias ficaram enciumadas e resolveram tirar férias ou se minha mente entrou de recesso. Mas lembro que foi um período de produção inexistente, mas naquele tempo eu não precisava tanto produzir. Ao contrário de hoje. Por isso faço um convite para as ideias que me abandonaram e para aquelas que ainda não vieram: Venham, podem vir. Sou todo de vocês. Preciso de vocês mais do que nunca

Contos de Segunda #6

Rubens estava deprimido, como em todos os domingos quando terminava o Fantástico. O ultimo suspiro do fim de semana. O primeiro indício da chegada da segunda-feira. De tão tranquilo provavelmente a única coisa que fazia Rubens reclamar era a segunda-feira e tudo que tinha alguma relação com ela. Ele tinha isso bem vivo no pensamento quando tropeçou em uma lâmpada mágica de onde saiu um gênio oferecendo três desejos.

– Eu desejo que não exista mais segunda-feira – disse ele entusiasmado.

– Pense bem – respondeu o gênio – a semana de trabalho tem que começar por algum lugar, se não for a segunda será a terça. Não posso realizar esse tipo de desejo.

– Então acabe com o domingo. No desejo seguinte farei a sexta-feira se tornar um feriado eterno.

– O mal será o mesmo. Os dias mudarão de nome e carregarão o mesmo estigma. Não posso desperdiçar meus poderes cósmicos dessa forma. Não posso realizar esse tipo de desejo.

“Foi-se o tempo em que as coisas de graça eram realmente de graça” pensou Rubens. A suspeita de que o gênio estava tentando dar um jeito de não atender desejo algum. Tinha que ser algo que funcionasse bem e que o gênio não pudesse deixar de fazer. E foi o que aconteceu.

Na noite daquela mesma segunda-feira, Jorge ligou a TV e viu o resultado do seu primeiro desejo: o Fantástico mudara de horário, agora seria exibido nas noites de segunda. Logo depois o resultado do segundo desejo: nos domingos a noite os programas exibidos seriam totalmente aleatórios, impedindo que esses programas fossem de alguma forma associados com o fim do final de semana. Mas e o terceiro?

Bem, o terceiro desejo foi simples. Motivado pela insatisfação, raiva e frustração. Além da vontade de ajudar o próximo ser humano que topasse com o gênio. Rubens desejou que a partir daquele dia mais nenhum desejo podia ser negado. Nunca mais.

 

Me Sinto Responsável

Essa semana eu estava conversando com minha irmã sobre a minha falta de vontade de assistir alguma série de TV nova. Eu tenho o problema de sempre abandonar toda e qualquer série que eu assisto. Não importa se eu gosto ou não, sempre chega uma hora que eu paro de assistir e nunca mais volto, e isso me incomoda bastante. Dividi essa informação com minha irmã e ela foi bem taxativa em dizer que se eu estou pensando assim quer dizer que eu estou trabalhando mesmo sem estar trabalhando. Em seguida ela me falou sobre um vídeo que ela assistiu recentemente tratando desse assunto.

Antes de continuar vale a pena dar uma conferida no vídeo, ele se chama “When Does Play Becomes Work?“ e está em inglês e tem legendas também em inglês. Em resumo o carinha do vídeo fala sobre como a necessidade que criamos de consumir entretenimento faz com que, de certa forma, trabalhemos para os produtores de conteúdo. Ao nos tornarmos consumidores fieis de algum produto de mídia, seja ela qual for, arrumamos uma espécie de emprego. É sobre isso que eu quero falar, mas vou focar na minha experiência pessoal.

É muito difícil assistir/jogar/ler/ouvir 100% daquilo que queremos. Seja por falta de grana pra comprar ou falta de tempo pra consumir, nós vivemos “em débito” com alguma coisa. Não que realmente estejamos devendo, mas nos sentimos como se estivéssemos. Me pesa na consciência quando eu lembro das séries que eu deixei pra lá, mesmo sem nunca perder a vontade de assistir. Também me sinto mal quando olho todos os livros e quadrinhos que estão na minha estante e nunca foram lidos, sem contar os jogos que eu não terminei. Tudo isso me faz sentir responsável, mas pelo quê?

Será que é certo eu me sentir mal por isso? Será que eu estou transformando o meu entretenimento em uma obrigação? Até que ponto minha vontade de assistir, ler e jogar é genuína? A partir de que nível essa vontade se torna uma obrigação que eu criei com as coisas que eu gosto de consumir? Eu só sei que quando a diversão vira obrigação você precisa arrumar alguma outra coisa pra se divertir. Depois dessa divagação toda, gostaria de parafrasear minha irmã e dizer que não devemos nos desanimar por abandonar uma série (ou seja lá o que for), ela sempre acaba voltado pra gente.

Deixa Terminar

Na semana passada eu publiquei um texto falando sobre o final de uma série que eu gosto muito e sentimento que o fim das coisas desperta (caso não tenha lido clique aqui). Mas um dia desses recebi uma noticia que me fez refletir: Naruto acabou, mas voltou. Não sei exatamente se a volta foi definitiva ou se foi ligeira pra matar a saudade. A questão verdadeira aqui é a seguinte: não estão deixando as coisas terminarem. Mas o maior exemplo disso nem é Naruto, ele não chegou nem aos pés de Toy Story.

Quando saiu Toy Story 3 eu me preparei pra dar adeus a uma coisa que fez parte da minha infância. Lá em 1995 eu fui pro cinema pela primeira vez e o filme em cartaz era Toy Story. Nem preciso dizer que eu me apaixonei pelo filme, e pela Pixar, naquele momento. Foi todo esse amor que eu levei pra sala de cinema alguns anos depois, quando fui ver o ultimo Toy Story. No fim do filme eu e boa parte da galera estávamos aos prantos. Não só pelo desfecho emocionante de um filme carregado de emoção, mas também daquela ser a despedida de personagens que permearam minha infância e moldaram meu caráter infantil. Aí pegam e anunciam que vai ter um Toy Story 4.

A primeira coisa que eu pensei foi “e eu chorei aquilo tudo pra NADA?”. A segunda coisa foi “tão de sacanagem” “eles não querem largar o osso mesmo”. Dizem por aí que em time que tá ganhando não se mexe, mas de uns tempos pra cá a galera tá levando isso bem a sério. Não sei se é por medo de arriscar ou por puro comodismo, mas nunca antes se reciclou tanta ideia quanto hoje em dia. O retorno garantido deixou a possibilidade de fazer algo novo em segundo plano. A zona de conforto criativa se tornou confortável demais, pior pras ideias novas, que estão cada vez mais sem espaço.

Pra finalizar eu digo que se é pra terminar que termine, deixem que faça falta e dê saudade. Deixem que as coisas novas venham e conquistem seus próprios lugares dentro dos nossos corações. Não parem de procurar a fórmula do ouro só por que conseguiram fazer o chumbo ficar brilhante.

Contos de Segunda #5

O despertador tocou de novo. Era o terceiro alarme. Foi quando Marcelo acordou. Ele sabia que estava atrasado, também sabia que só pessoas desempregadas podem fazer festa até tarde no domingo de noite sem sofrer nenhum prejuízo. Mas Marcelo não estava nem aí. Pela primeira vez na história seu time do coração levantou a taça de campeão da segunda divisão do campeonato estadual. Isso merecia uma comemoração. Mas comemorar tanto quanto Marcelo comemorou era um pouco de exagero. Principalmente por que aquela era a sua segunda semana no novo estágio.

Ele caminhou até o espelho, olhou atentamente para o reflexo e se sentiu reprovado no teste do espelho. Sua semelhança atual com um paciente terminal de seriado médico o fez desistir totalmente de aparecer no escritório. Mas a pergunta era: como faltar sem queimar o filme?

A primeira opção era o bom e velho atestado médico, mas Marcelo tinha “RESSACA” escrito na testa e a segunda era um dia difícil pra conseguir atestados do jeito tradicional.

Marcelo tinha um amigo médico. Normalmente ele não ajudava com atestados fraudulentos, mas ele também estava feliz com o título de campeão da segunda divisão do estadual. Talvez ele abrisse uma exceção. Talvez, se ele não estivesse tão acabado quanto Marcelo, a diferença entre os dois é que o médico não precisava acordar cedo, tanto é que não acordou. Na quinta ligação o atestado médico foi riscado da lista de soluções possíveis. A segunda opção era que alguma catástrofe urbana estivesse acontecendo no caminho até o estágio. Depois de uma rápida busca em sites de notícia a possibilidade de ter um protesto, acidente ou greve interrompendo o transito foi descartada. O jeito era chegar lá e tentar convencer os outros de que a ressaca, a falta de sono e a cara de de desastre eram um tipo novo de virose.

Marcelo se arrumou o melhor que pôde, meteu os óculos escuros no rosto, respirou fundo e partiu. Durante todo o caminho ele rezou para todos os deuses e santos que ele conhecia. Refletiu sobre como o fanatismo pelo seu time estava atrapalhando sua vida e que não seria uma boa idéia adicionar um estágio de uma semana ao currículo. Mas ao descer do ônibus a primeira coisa que ele viu foi o cordão de isolamento dos bombeiros. O prédio onde ele trabalhava estava sendo evacuado. Segundo o corpo de bombeiros uma máquina de fotocópias explodiu ao tentar ser operada por um dos coordenadores da empresa. Testemunhas afirmam que o estagiário que fazia as cópias estava atrasado, o que levou a uma operação errada da máquina, resultando no acidente. Ninguém ficou ferido, fato que fez Marcelo permitir que um sorriso brotasse em seus lábios. Diante daquela situação ele só podia dar meia volta e partir pra casa.

 

Hoje é Dia de Rock

3 de Julho. Por algum motivo, que eu não faço ideia qual seja, é comemorado o Dia Mundial do Rock. Diante da falta de ideias dessa data tão peculiar resolvi discorrer sobre a minha relação com esse tal de rock n’ roll e aproveitar a chance de deixar algumas opiniões pessoais sobre esse tema tão cativante.

Eu comecei a consumir musica de fato na adolescência. Como aqui em casa não se tinha o habito de ouvir musica, principalmente por falta de um aparelho de som, meus contatos iniciais foram através da Mtv. Graças à Music Television brasileira eu conheci muitos dos artistas que eu escuto até hoje. Quando começou a ter computador aqui em casa as mp3 começaram a aparecer também, foi quando eu comecei a ouvir o que eu via na Mtv e o que chegava aqui através dos meus primos. Praticamente tudo que chegava era rock e claro que, como um bom adolescente que era, eu elegi o rock como o melhor estilo musical e automaticamente todo o resto virou um monte de cocô.

Naquele tempo minha visão de música era muito limitada. Tanto que eu desprezava tudo que não era rock. O rock era o melhor, a verdade absoluta, a forma mais sensacional de musica no nível de pensar que quem gosta de rock não pode gostar disso ou daquilo. Só depois dos 18 que eu comecei a expandir um pouco mais meus horizontes. Como disse uma vez um famoso youtuber brasileiro vesgo: Chega uma hora que você tem que diminuir o nível de rock na sua vida. Não sei se era exatamente isso, mas era mais ou menos assim, e foi o que aconteceu comigo.

Hoje em dia boa parte do que eu escuto tem pouca ou nenhuma relação com rock. Aumentar a quantidade de música e diminuir o volume de rock foi uma coisa muito boa no fim das contas, mas nem por isso eu deixei de lado o bom e velho rock n’ roll. Descobri umas paradas antigas e visito regularmente uns lances alternativos. Ouvi coisa que estão lá nas raízes e outras que beberam da mesma fonte, mas que seguiram por outra vertente. Devido a essas viagens musicais meus amigos falam que eu escuto coisas muito estranhas que ninguém conhece. Apesar disso eu quero recomendar pra essa data tão festiva uma parada que todo mundo conhece. Pra hoje eu recomendo aquela música com o solo de guitarra que te arrepia, aquela que te dá vontade de cantar bem alto, com uma bateria que faz o coração bater mais forte e com um baixo marcante que faz a alegria dos seus ouvidos. Eu não preciso dizer qual música é, você sabe exatamente de qual eu estou falando. Aumenta o volume e deixa o som rolar que hoje é dia de rock, bebê.

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