Cachorros de Bikini

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Contos de Segunda #54

Elvis detestava o mês de Agosto. Em Agosto ele se sentia estranho, agressivo, impaciente e qualquer coisa incomodava de forma inacreditável. Também era o mês em que nada fazia muito sentido dentro da cabeça dele. Comer coisas que normalmente não eram comestíveis, acordar em locais onde ele não dormiu e agir antes de pensar eram a rotina de Elvis no mês oito do ano.

Elvis era um cachorro e no mês de Agosto ele ficava louco. Mas houve um Agosto em especial em que ele ficou muito mais louco que o normal.

Elvis morava em uma casa. O bairro era tranquilo, distante do centro, cheio de pessoas idosas.  Era. Até uma bela manhã de agosto em que os novos vizinhos chegaram. A família era composta por um homem, uma mulher e a filha do casal. A família parecia normal, Elvis estranhou a maquiagem pesada e as roupas pretas da filha, mas devia ser algo da moda. No meio da tarde chegaram mais três garotas com roupas parecidas. Elvis começou a achar que todas as jovens humanas se vestiam daquele jeito e, aparentemente, elas viviam se mudando, essas também carregavam um monte de caixas de formatos diferentes. Meia hora depois começou.

Elvis nunca tinha ouvido nada tão perturbador. Se ele pudesse definir provavelmente chamaria aquilo de sinfonia do demônio. A raiva crescia, o coração disparou, a saliva se virou em espuma  e um rosnado gutural quase alienígena brotava da garganta. O pobre animal tremia de raiva. Aquilo precisava parar, ele precisava fazer parar. A raiva não deixou o coitado raciocinar o suficiente para encontrar uma forma engenhosa de chegar à casa ao lado. Ao perceber que a sua dona estava abrindo a porta ele saiu em disparada, fez uma curva de noventa graus e, só Deus sabe como, atravessou a cerca viva, penetrando o terreno vizinho. Agora ele precisava achar a fonte do maldito som.

Depois de correr furiosamente algumas vezes ao redor da casa, Elvis descobriu uma pilha de caixas que o levaria até uma janela alta por onde o maldito som vazava como uma erupção do inferno. Ele tomou distância, correu em velocidade máxima, escalou as caixas e voou pela janela. Tudo depois disso é um borrão. As únicas coisas das quais ele lembra é de ser abraçado por braços magricelos e de um som muito agradável. O som grave de um instrumento musical que silenciou as vozes agitadas de jovens humanas. Depois disso ele acordou, estava em casa e não havia nenhuma música tocando.

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  1. Bernardete

    Muito louco.

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