Cachorros de Bikini

Não é um blog sobre cachorros e bikinis

Contos de Segunda #70

    Márcio estava empolgado. O ano mal tinha começado e ele já estava fazendo o que mais gostava de fazer: planos. No ano passado a maioria dos planos deram certo e por isso Márcio se sentia pronto para planejar mais coisas.

Voltando do trabalho em uma segunda-feira de janeiro ele pensou no que ele poderia fazer para aumentar a relevância do ano que estava só começando. Chegou em casa animado, chutou os sapatos para fora dos pés, puxou um bloco de anotações, sacou uma caneta e escreveu no topo da folha “Promessas de Ano Novo”. Parou alguns instantes para refletir sobre o assunto. Depois de pensar um pouco decidiu que o problema estava no “Promessas”. O que seria listado a seguir não seria visto por mais ninguém e esse lance de prometer as coisas para si mesmo parecia levemente esquizofrênico. Rasurou a primeira palavra e substituiu por “Objetivos”.

Depois de finalmente se sentir confortável com a nomenclatura da lista, Márcio poderia finalmente começar com as promessas os objetivos para o ano que se iniciava. Poderia, mas não começou. Uma barreira invisível se ergueu diante dele. Nela estava escrito:

O QUE DIABOS VOCÊ QUER DESSE ANO NOVO?

Do nada a tarefa de listar os objetivos do ano pareceu algo muito complicado, mas Márcio era um planejador experiente e não desistiria fácil. Exatamente por isso ele decidiu começar com o time que estava ganhando, justamente onde ele não pretendia mexer. Ano passado a tática de pagar um ano de academia surtiu um efeito bem próximo do desejado, portanto a primeira coisa da lista seria: “não abandonar a academia”. Agora sim a lista tinha começado de verdade… Só começado mesmo.

Ao avaliar o primeiro item da lista, Márcio lembrou de como detestava a academia e de como só tinha encarado esses doze meses de atividade física por já estarem pagos. Com mais uma rasura o objetivo se transformou em “não abandonar a academia” e puxou o segundo item que era “arrumar uma atividade física que seja melhor que ir pra academia”. Agora sim as coisas estavam andando, o ânimo tinha retornado e o terceiro item estava quase sendo escrito… Mas qual era mesmo? Márcio coçou a cabeça com a caneta na tentativa da estática dar a partida em alguma ideia adormecida.

Algo relacionado ao trabalho? A dinheiro? Ao aperfeiçoamento pessoal? Aprender um novo idioma ou começar a comer direito? Voltar a estudar ou se livrar das coisas que estão entulhando em casa? Nenhuma das alternativas parecia muito convidativa. Todas elas implicavam em desprender um grande esforço e pelo menos metade delas já estavam sendo feitas, ao menos parcialmente. A animação de Márcio se transformou em pura frustração. Encarou o maldito papel e por pouco não arrancou a folha do bloquinho fora… Por pouco. Em um instante algo iluminou sua mente.

Com poucas palavras libertadoras ele conseguiu concluir a lista. Com o terceiro item finalmente escrito Márcio arrancou a folha do bloquinho e colou com um imã em forma de fruta na porta da geladeira. Olhou para os planos do ano e ficou satisfeito. Pensou no trabalho que teria e no esforço que faria para terminar dezembro com tudo aquilo cumprido. O mais difícil obviamente seria o terceiro objetivo, mas se fosse fácil ele não precisaria escrever. Afinal, aquele provavelmente seria um grande desafio para qualquer pessoa.

Alcançar todos os objetivos que aparecerem esse ano”.

Previsões Para 2017 (Segundo O Sobrevivente)

Esse ano eu resolvi assistir a um dos maiores clássicos do cinema moderno. Um filme sobre futuro distópico que marcou época e até hoje é considerado uma obra prima do cinema. Estou falando do maravilhoso…

O Sobrevivente 1987

Essa obra espetacular de 1987 mostra um futuro onde a merda virou boné tudo deu errado e o maior sucesso no mundo do entretenimento é um programa de TV chamado O Sobrevivente (The Running Man no original). O filme conseguiu me ganhar logo nos primeiros segundos, quando eu me deparei com as primeiras palavras do texto de abertura..

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“Por volta de 2017”. É assim que o texto começa e já que estamos quase em 2017, resolvi tomar esse filme como base para fazer previsões para 2017.

Primeiro vamos para as novidades. No começo do filme o personagem do nosso amigo Arnold vai pra casa do irmão dele. Chega lá na porta, digita a senha e entra. O problema é que o irmão dele não mora mais lá, a atual residente do apartamento é a mocinha do filme. Ou seja, em 2017 você não vai mais poder redefinir as suas senhas, principalmente quando estiver utilizando coisas que pertenceram a outras pessoas.

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Outra tecnologia que estará disponível para todos os cidadãos comuns é o controle de tudo dentro de casa com comando de voz. Os preguiçosos agradecem. Também temos uma amostra de como o fim do sinal de TV analógico vai nos beneficiar. Com o advento da TV Digital nós vamos poder realizar as mais diversas transações direto dos nossos televisores. No intervalo da novela você vai poder, por exemplo, planejar sua viagem pro Havaí.

 

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Aqueles que não conseguiram migrar para o sinal digital podem ficar despreocupados. Ninguém vai perder os programas de maiores audiência por causa de sinal incompatível. As redes de televisão vão transmitir seus programas diretamente para os telões instalados em locais públicos, de fácil acesso e com grande circulação de pessoas.

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Problemas com WiFi, redes sem fio e falta de conectividade entre os aparelhos? Tudo isso vai ficar no passado. Depois de dar um passo em falso para o futuro daremos dois em direção ao passado e tudo vai voltar a ter fio.

Claro que não devemos esquecer do maior programa de televisão do universo. Em 2017 os condenados pela justiça vão lutar por suas vidas no reality show mais bizarro e violento da história. Estou falando de O Sobrevivente. Obviamente os participantes usarão aparatos esportivos de ponta e serão patrocinados por grandes marcas do esporte, como aquela marca famosa das três listras.

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Agora vamos pra parte ruim do negócio. Para aqueles que detestam injeção temos uma notícia péssima. A partir de 2017 vão começar a aplicar injeção no lugar mais desgraçado possível. Se o termo técnico é “injeção interfalângica” já dá pra imaginar como vai ser.

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Para aqueles que sempre estão levantando acusações contra a manipulação de informação através da imprensa sensacionalista. Em 2017 chutarão todos os paus das barracas e a manipulação da informação vai ser descarada e absurda em níveis nunca antes vistos.

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Eu poderia continuar listando as maravilhas que o mundo retrofuturista de O Sobrevivente previu para o nosso 2017, mas eu não quero tirar toda a graça desse ano que está só começando. Estou aqui esperando ansioso pra que tudo isso aconteça e você?

 

Contos de Segunda #69

Jorge e Cristina são os protagonistas do nosso especial de ano novo, mas a história de hoje é uma continuação direta dos eventos de Contos de Segunda #66.

— Fábio vai mesmo arrumar os ingressos?

    — Vai. Hoje mesmo ele deve deixar comigo.

    Cristina e Luciana estavam resolvendo os planos para a virada de ano. Cristina estava um pouco tensa, os planos foram deixados para o último momento, já que Fábio, namorado de Luciana e guitarrista, estava esperando aparecer algum convite para tocar em uma festa de Reveillon e possivelmente conseguir levar as duas amigas de graça. Dois dias atrás Fábio recebeu a confirmação, mas Cristina não estava nem um pouco crédula e já tinha preparado o psicológico para uma virada de ano assistindo duas queimas de fogos.  Das cidades dentro e fora do horário de verão.

    — Pena que não vai ter ingresso pra Roberta — lamentou Luciana.

    — Roberta viajou — replicou Cristina. — Adiantou uns dias das férias, colocou o cachorro na mala do carro e partiu pra casa da família no interior.

    — E eu aqui preocupada com ela — Luciana fez uma pausa para olhar a mensagem de Fábio no celular. — Tudo certo. Hoje de noite eu pego os ingressos.

    Dois dias depois Cristina estava diante do espelho, toda de branco, conferindo a maquiagem antes de Luciana aparecer com o carro. Depois de contemplar o reflexo por alguns segundos, Cristina chegou à conclusão de que estava realmente bem bonita. Ela nem lembrava qual foi a última vez em que tinha se sentido daquele jeito, tanto que imediatamente começou a vislumbrar a possibilidade de aparecer algum fulano interessante que estivesse igualmente interessado… E a possibilidade de aparecer alguns fulanos não tão interessantes assim. Repassou mentalmente o repertório de foras e as bebidas que seriam evitadas por deixarem o jogo mais fácil para os fulanos menos interessantes.

    — Uau — disse Luciana quando Cristina entrou no carro. — Por favor, moça, você poderia sentar no banco de trás? Minha amiga vem aí e ela gosta de andar no banco da frente.

    — Nossa, Luciana. Demorou muito pra pensar nessa piada?

    — Que mulher azeda, meu Deus — respondeu Luciana. — Mudando um pouco de assunto. Fábio disse que vai entrar no palco logo depois dos fogos. Vou ficar na contagem regressiva atrás do palco com ele, quando ele for tocar a gente se encontra. Antes de chamarem ele a gente fica no bar.

    — Não tô com muita vontade de ficar de vela hoje, Luciana. Depois que a gente definir o ponto de encontro eu deixo vocês sozinhos.

    Foi exatamente o que aconteceu. Depois de cumprimentar Fábio, Cristina pegou uma bebida colorida e foi circular pelo evento. Uma multidão vestida de branco estava na frente do palco. Infelizmente a banda da vez tinha um repertório baseado em sertanejo universitário e forró estilizado. Baseado nas piores músicas possíveis de forró e sertanejo. Já que assistir esse show estava fora de questão, ela resolveu arrumar um bom lugar para ver os fogos. Depois de muito procurar, Cristina encontrou um mirante em cima do bar. Dali a visão do palco era péssima, mas a visão do céu estava ótima. Aparentemente as outras pessoas da festa estavam pouco interessadas em ver o céu, deixando a varanda só para Cristina e mais um ou dois casais. Com um pouco de esforço Cristina localizou Luciana e Fábio. O namoro dos dois ainda era uma surpresa e, do jeito que ia, o casamento não tardaria a chegar. Sem dúvida uma das apostas de Cristina para o ano novo. E aparentemente não tinha só ela fazendo apostas de ano novo. Várias pessoas fugiram do branco e estavam usando cores que chamam dinheiro, saúde, amor… Menos uma pessoa que estava usando uma camiseta marrom.

    — Que tipo de mané vira o ano usando marrom? — Questionou ela num tom irônico. O tal fulano vestido de marrom acabou olhando de volta para ela. — Jorge? Só me faltava essa.

    Jorge aparentemente não reconheceu Cristina. Ele estava mais preocupado em manter a conversa com uma moça de cabelo loiro comprido e jeito de musa fitness. Para Cristina a cena era mais uma surpresa do que um incômodo. Na cabeça dela Jorge era incapaz de sustentar uma conversa interessante por muito tempo. Riu sem querer dos próprios pensamentos. Lembrou do incidente do elevador, do jantar desastroso no dia dos namorados e de como tudo estava mais tranquilo agora que Jorge não trabalhava mais com ela. Tranquilo demais. Cristina sentia falta de um rival. Ninguém conseguia oferecer tanto desafio quanto Jorge.

    Ela olhou para o relógio. O ano terminaria em dez minutos. O céu estava sem nuvens e a lua crescente abria um sorriso fino no céu. Infelizmente todas as estrelas estavam cegas pelas luzes. A bebida acabou, ela pegou outra com um garçom errante que passava por ali. Olhou novamente para Jorge e notou que a conversa com a loira fitness não estava indo muito bem. Entre um gole e outro da bebida Jorge ficou fora de vista. Mais cinco minutos e o ano daria adeus. Luciana e Fábio já deviam estar atrás do palco esperando o ano novo chegar.

    — Não imaginei que te veria por aqui — disse uma voz familiar.

    — Não imaginei que existisse gente que vira o ano de marrom.

    Jorge estava parado do lado dela. Ele segurava um copo com alguma bebida transparente e olhava direto para a Lua.

    — Nunca gostei muito dessas coisas de cor de roupa no ano novo. Algumas pessoas ficam realmente incomodadas quando você diz isso ou quando você não acredita em horóscopo.

    — Foi por causa disso que a tua amiga galega desistiu de conversar contigo?

    — Mais ou menos — disse ele sem jeito. — Ela disse que eu tinha que prestar atenção nela e não na moça que estava no mirante. Claro que ela usou alguns termos menos brandos, mas é melhor não repetir exatamente o que ela me falou.

    Cristina corou de leve. As palavras de Jorge a pegaram de surpresa.

    — Mal sabe ela do que se livrou.

    — Concordo. Hoje eu não estou muito pra interagir com desconhecidos. Se Fábio não precisasse de uma ajuda com o equipamento eu nem estaria aqui.

    Começou a contagem regressiva.

    — Hora de fazer um pedido de ano novo, Jorge.

    — Pedido? Nem sei se tem alguma coisa pra pedir. Acho que vou pedir alguém pra arengar contigo no escritório.

    — Acho válido. Não tem ninguém naquele escritório que dê uma briga boa.

    — Claro que tem. É só saber bater que aparece alguém pra bater de volta.

    Os gritos interromperam a conversa. Os fogos iluminaram o céu. Por dez minutos todos contemplaram o céu em silêncio.

    — Vou lá encontrar com Luciana — disse ela olhando para o celular. — Foi bom te ver, Jorge.

    — Vai ver Fábio tocar?

    — Acho que não. Luciana me adiantou o set list do show e a gente não gostou muito. E você?

    — Acho que vou ficar por aqui pro caso de vocês ficarem com vontade de conversar com alguém conhecido.

    — Volta pra tua galega, Jorge. Se depender da gente, o teu começo de ano vai ser bem solitário.

    A frase mal terminou e Cristina saiu andando. Depois de dois passos ela ouviu a resposta de Jorge.

    — Feliz ano novo, Cristina

    Ela não se incomodou em parar, muito menos em desejar o mesmo.

Retrospectiva 2016

Outro dia eu estava na minha timeline do Facebook e me deparei com essa maravilhosa tirinha lá do pessoal do Ângulo de Vista.

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Sim, dá pra resumir 2016 nesse último quadrinho. Um ano que só estava aqui pra ver o circo pegar fogo. Doze meses terroristas que trabalharam incansáveis para deixar a vida da gente mais difícil e para celebrar a partida desse ano tão maravilhoso que vamos fazer uma breve recapitulação de algumas coisas que rolaram esse ano.

Acho que a primeira coisa que a gente lembra de 2016 é do impeachment da pessoa mais engraçada que já governou esse nosso Brasil brasileiro. Derrubaram Dilma e colocaram o nosso amigo Nosferatu no lugar. Imediatamente a gente soube que metade da graça de acompanhar as atividades da presidência foi embora junto com Dilma. A segunda coisa é que oficialmente abriram as porteiras do mundo bizarro com a eleição de Donald Trump para presidente dos Estados Unidos da América. E que Deus nos defenda dele em 2017.

Saindo um pouco da política tivemos os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Obviamente todo mundo pensou que ia dar tudo errado e o Brasil passaria toda a vergonha que não passou na copa de 2014. Contrariando as expectativas os Jogos foram uma beleza e rolaram até umas coisas que nem Zuckerberg viu chegando que nos pegaram de surpresa, como o monte de medalha que Isaquias Queiroz, o dono do melhor cabelo do canoísmo mundial, ganhou.

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Mas infelizmente nem tudo no mundo dos esportes foi alegria. Impossível não lembrar do acidente que vitimou praticamente todo o time da Chapecoense, justamente quando a equipe disputava o título mais importante da história do clube. Poucos dias atrás um time de Uganda estava num barco que afundou, matando 30 pessoas.

E talvez a maior marca de 2016 foi justamente a quantidade de gente famosa/relevante que morreu. Só de nome grande da música morreu Prince, David Bowie, Naná Vasconcelos, Caubi Peixoto, George Michael e mais um monte de gente que eu não vou listar pra lista não ficar muito grande. Os potterheads choraram a morte de Alan Rickman, o cara que deu vida ao professor Severo Snape, o único vilão em Harry Potter que realmente é um vilão bom. Os fãs de Star Wars lamentaram a morte de Kenny Baker, o carinha dentro do R2-D2, os trekers perderam Anton Yelchin, o Chekov dos últimos filmes de Star Trek, os fãs de quadrinhos deram adeus a Darwin Cooke e até os fãs de Digimon perderam a voz que cantou as músicas mais icônicas da série, Kouji Wada também não escapou de 2016. O mundo deu adeus a Debbie Reynolds pouco tempo depois de dar adeus a filha dela. A intérprete de uma das personagens mais importantes do século XX. Esse ano o mundo perdeu a Princesa de Alderaan, em 2016 perdemos Carrie Fisher.

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2016 foi ano de sobreviver. De ser jogado aos leões e de ver muita coisa dando errado. De enfrentar as dificuldades e principalmente resistir a elas. No geral foi um ano meio triste. Chegamos ao final do mês doze bem cansados e esperando que nossas armas não sejam tão necessárias nos próximos 365 dias. 2016 foi ano de lutar. Muito ou pouco todos tivemos nossas lutas e muitas vezes participamos das lutas de outros. 2017 não promete ser tão diferente, mas talvez esse ano que começa agora deva ser olhado sob outra perspectiva.

Esse ano 2016 nos deixa meio quebrados, mas também nos incentiva a olhar pra 2017 com esperança. Ano que vem vai ser um ano bom? Não dá pra saber. Vai ser pior que 2016? Espero que não. Não espero uma mudança miraculosa na vida de todos, muito menos o surgimento de alguém que vai resolver todos os problemas, mas a esperança permanece.

Um feliz ano novo para você, querido leitor. Que 2016 termine cheio de esperança e que 2017 não nos faça esperar em vão.

Contos de Segunda #68

    “Feliz Natal”

    Foi o que disse o taxista ao deixar Ribeiro no aeroporto. Uma viagem de trabalho tinha colocado em risco os planos de Natal dele, mas, mesmo com o cronograma apertado, Ribeiro chegaria a tempo para a ceia. Bem em cima da hora, mas ainda assim a tempo.

    “Feliz Natal”

    Foi o que Ribeiro ouviu da moça no guichê da companhia aérea. Algumas horas de atraso fizeram ele perder a conexão no aeroporto seguinte e consequentemente a ceia de Natal. Por sorte ele conseguiu ser encaixado em um voo direto… Que sairia algumas horas depois. Segundo a previsão ele chegaria em casa com umas duas horas de atraso, mas pelo menos ainda poderia desejar “Feliz Natal” para a maioria dos parentes.

    “Feliz Natal”

    Rosnou Ribeiro entre os dentes ao se despedir do funcionário da companhia aérea. Depois de uma hora correndo pelo aeroporto num estado que deixaria qualquer barata tonta com inveja, Ribeiro descobriu que conseguiu mudar de voo… Só ele, a bagagem estava no outro avião e só chegaria de manhã. Juntamente com os presentes que ele tinha comprado para os sobrinhos.

    Ele olhou no relógio. Os ponteiros marcavam três horas da manhã. Nenhum familiar atendia o celular e Ribeiro estava esperando apenas uma boa desculpa pra assassinar alguém. Todo mundo já tinha ido embora e a área do desembarque estava vazia. Nenhum voo estava previsto para o resto da madrugada. Tudo estava vazio e silencioso.

    O som de vários passos encheu o ambiente. O cheiro de comida encheu o ar e algumas vozes conhecidas foram ouvidas. Ao se virar para ver, Ribeiro deu de cara com a família. Duas dúzias de Ribeiros que estavam ali com uma parte considerável da ceia de Natal nas mãos. Ele não sabia bem como reagir. Poderia abraçar os sobrinhos, dar um beijo na mãe ou na avó, pegar um pedaço do chester ou se jogar no meio dos primos. Na dúvida ele só disse.

    “Feliz Natal”.

E Esse Natal Aí?

    Mais uma vez estamos nas vésperas do Natal, o ano finalmente está começando de fato a acabar e os raios da aurora de 2017 já despontam no horizonte. Normalmente essa época cria uma grande comoção em todas as esferas da vida da gente. Confraternizações, amigos secretos, festas de família, gente contra as uvas passas, gente a favor das uvas passas, gente que é contra essa discussão sobre uvas passas e os tios das pessoas fazendo a piada do pavê.

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    Uma coisa que eu tô notando esse ano é que o clima de Natal tá meio estranho. Normalmente o fim do ano deixa todo mundo mais empolgado, seja por causa dos presentes, por causa das celebrações e reuniões que existem nessa época ou só pelo feriado em si. Só que esse ano aconteceu uma parada que literalmente nunca mais vai acontecer. Esse ano aconteceu 2016. E depois de encarar quase doze meses de 2016 ficou todo mundo cansado. Já tá todo mundo de saco cheio esperando o fim das festas pra começar logo o outro e deixar essa história de 2016 pra lá. Nesse ponto eu, do alto da minha insatisfação com 2016, pergunto: e esse Natal aí, hein?

    Esse ano eu não tô vendo muita gente falando de Natal. Eu não tô vendo muitos enfeites por aí e ainda não ouvi a voz de Simone. Fico pensando o quanto disso é culpa de 2016, já que o clima de Natal tem ficado, digamos, “mais ameno” na minha percepção e isso não é de hoje. Todo ano alguém fala algo do tipo “esse Natal não tá com cara de Natal” ou “nem parece que já já é Natal”. Afinal, o que diabos aconteceu com a magia do Natal?

    Eu gostaria muito de ter alguma sacada genial e apresentar um argumento convincente, mas creio que pra essa pergunta não tenho resposta. Talvez estejamos, assim como nos livros de fantasia, vendo a magia desaparecer do mundo por causa da falta de crença da humanidade ou então eu só estou frequentando os lugares errados. De todo jeito alguma coisa está diferente e é melhor nem saber o que é, vai que bate uma tristeza por causa disso e a famosa bad de Natal resolve aparecer no lugar do Papai Noel.

    Depois de tanta negatividade natalina, gostaria de deixar um “Feliz Natal” para todos vocês, queridos leitores. Que o Natal de todo mundo seja o mais mágico possível e que vocês ganhem todos os presentes que pediram. Feliz Natal!

Rogue One e A Rebelião que Vale

    Na última quinta-feira, também conhecida como dia 15 de dezembro, estreou nos cinemas Rogue One: Uma História Star Wars. Um filme que prometia não só contar o roubo dos planos da Estrela da Morte, planos que movem toda a trama do primeiro filme lá de 1977, e mostrar que o universo de Star Wars não é só gente com sabre de luz e os problemas familiares dos Skywalker. E nesse segundo ponto que o filme faz valer um post.

    Faz 39 anos que o primeiro Star Wars chegou no cinema. Faz 39 anos que as tramas dos filmes tem relação com algum Skywalker e faz 39 anos que a tal galáxia muito muito distante é virada do avesso por causa dessa família do barulho que se mete em altas confusões. Esse ano resolveram acabar com a ditadura Skywalker e mostrar que Star Wars é tão grande quanto a galáxia onde as histórias se passam.

    Antes de ver o filme, li muita gente falando que Rogue One tinha um jeitão de Império Contra-Ataca. Isso é um elogio e tanto, levando em consideração que o Episódio V, além de ser o MELHOR filme da franquia, é o Star Wars que tá na cabeça de todo mundo. Sabe a Marcha Imperial? É do Episódio V. Lembra de Yoda ensinando Luke a usar a força? Também aconteceu no Episódio V. Obi-Wan Kenobi aparecendo como fantasma, a cena das naves rebeldes derrubando os walkers imperiais com cabos de tração, ou o romance de Leia e Han e Darth Vader sendo vilão no sentido mais forte da palavra? E de uma das frases mais icônicas do cinema?

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    O Episódio V mostra tudo ainda acontecendo. Começa no meio da história, apresenta um monte de conflitos que, quando são solucionados, dão um final pro filme, mas não dão um final pra história. Os personagens ainda estão crescendo, as peças ainda estão se movendo no tabuleiro e tudo é só uma preparação pro final daquela história. Rogue One é exatamente isso, principalmente na parte do Darth Vader sendo vilão no sentido mais forte da palavra, mas consegue ainda mostrar um lado do Star Wars tão pouco explorado que chega a ser ignorado nos outros filmes. Rogue One é uma história sobre pessoas, pessoas excepcionais. Pessoas excepcionalmente comuns.

    A gente pode definir esse filme como um “Star Wars Chão de Fábrica”. Apesar de vitais nas suas próprias histórias, os personagens principais não são, pelo menos até em certo ponto da trama, importantes dentro do universo do filme. Nenhum deles é o último de uma ordem ancestral de guerreiros místicos, uma representante de um planeta no senado galático ou um contrabandista famoso com a cabeça a prêmio. São espiões, assassinos e sabotadores. Aqueles caras que normalmente são interpretados por atores que entram mudos e saem calados. Personagens que normalmente não chegam nem aos pés das habilidades dos heróis da história. Aqueles que mais sofrem as consequências do conflito entre o Império e a Aliança Rebelde.

    Eu posso continuar listando um monte de coisas, mas pra mim a melhor parte de tudo é: NÃO TEM JEDI.

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    Rogue One provavelmente foi o filme que mais me deixou na carência de Star Wars. Entre o sábado, quando assisti o filme pela primeira vez, e a terça, quando vi o filme pela segunda vez, eu reassisti a trilogia clássica, assisti uns 5 episódios da segunda temporada de Rebels e marquei jogatina de dois jogos de Star Wars diferentes. Além de ter conversado muito sobre o filme por aí.

    Rogue One foi o primeiro filme do universo Star Wars que não tem um número, não faz parte de uma trilogia e não tem nenhum Skywalker gerando a treta. Foi provavelmente o Star Wars com mais pluralidade étnica e com mais mulheres com papéis de destaque. Foi o Star Wars com mais cara de guerra nas estrelas e fora delas. Se pensarmos direito, esse One no nome do título é merecido. Rogue One não foi só pioneiro em alguns sentidos, mas também se tornou algo único. Mesmo que façam algo parecido, ainda vai ser algo “tipo Rogue One”. Ele pode não ser o melhor filme da franquia Star Wars, mas sem sombra de dúvida ele tem o melhor da franquia Star Wars nele.

Ah, e para aqueles que reclamaram de ter mais um filme com uma mulher de protagonista, eu só digo que Mel Lisboa Jyn Erson é a melhor rebelde de todos os tempos.

Contos de Segunda #67

    A história a seguir é uma história verídica. Ela aconteceu com um amigo meu e, desde o ocorrido, ele me pede sempre pra fazer uma transcrição/adaptação dela. Depois de muito enrolar vou finalmente cumprir a promessa de transcrever da melhor maneira a narrativa que chegou pra mim na forma de um dos melhores chats que eu já participei.

— Mesmo com essa prova amanhã você vai pra confraternização?

A pergunta vinha de um colega de trabalho e tinha o tom de uma preocupação genuína. Marcelo desviou sua atenção do computador por um instante. De fato a prova de amanhã preocupava um pouco, mas não o suficiente para fazê-lo desistir da confraternização.

— Eu vou ficar só umas duas horas — respondeu ele. — É coisa rápida. Vou, socializo um pouco, vejo se dá tempo de participar de um sorteio e vou pra casa. Se brincar ainda dá tempo de estudar.

Marcelo estava convicto de que o plano seria seguido à risca. Pelo menos até virar o segundo copo de bebida. Pouco tempo depois ele estava bêbado o suficiente para descartar a possibilidade de estudar quando chegasse em casa. Quando ele finalmente saiu da festa estava lúcido o suficiente para pegar o ônibus certo para casa.

“Tô coitqndo pra xasa oita veZzzzzzzz”, mandou Marcelo para o grupo de chat dos amigos.

    “HAUHAUHAUHAHAUHAUHAU MARCELO TÁ BEBAÇO”, respondeu um dos amigos.

    “Cataiu”, disse Marcelo.

    “Cataiu? Só entendi que ele tá indo pra casa kkkkkkk”, bringou uma amiga.

    “Na moral ;btiado empresa. Te amo seriuo”, declarou Marcelo.

    “HAHAHAHAHHAHAHAHAH. Parece um pirraia que nunca bebeu. Ama todo mundo e fica abraçando poste”, riu outro amigo.

    “Sem limites, Marcelo. Tem que largar o celular quando beber”, aconselhou outra amiga.

“Cadê tua namorada, véi? kkkkkkk”, questionou uma das meninas.

“Ela já foi. Notofcado qe eu to. voltando pra casa”, respondeu Marcelo.

“Já aviso que amanhã é minha vez, mas vou poupar vocês de chat com bêbo”, disse um amigo recém chegado na conversa.

“Poupe não!”, solicitou outro.

“Marcelo, essa tua prova amanhã vai ser um 10”, debochou uma amiga.

“Não!!!! Vu tirar 10. Sei de tdo”

Poucos minutos se passaram antes de Marcelo se lembrar dos riscos que sua embriagues estava trazendo. Tentou listar mentalmente o que tinha consumido na festa e, antes da metade da lista, chegou à conclusão de que vomitar a própria vida tinha grandes chances de acontecer.

“Acho que vou. passat.mal qnd chegar em casa”, concluiu Marcelo, “Me digam. algo pra eu. nao passar mal”.

“Ferro de passar roupas novo! Aí tu vai passar mt bem”, respondeu um dos amigos.

“Meu deius!!! Deu vontafe de chorar. Mas tô no onibus. Que merda é essa???”.

    “Chorar???? kkkkkkkkk”, perguntou uma.

    “Chore naaaaaao”, pediu outra.

    “Eita bebo nojento”, xingou outro.

    “Tô pensando na namorada. Mts saudadr. Meu deus vou chotat no onibus nao”

Marcelo olhou rapidamente ao seu redor e tentou estimar o tamanho da vergonha que passaria caso começasse a chorar. Apesar do número reduzido de passageiros, a vergonha que ele já sentia estava muito maior do que a saudade da namorada. As lágrimas ficariam para outra hora.

Depois de lutar contra a vontade de se afogar em lágrimas dentro do coletivo, Marcelo finalmente chegou em casa. Lembrou da prova e de como precisava estar em condições de fazê-la.

    “Me diz. O que corta. o.alcool?”

    “Doce”, respondeu o grupo inteiro em uníssono.

    “Doce e água”

    “Vomitar corta o efeito na hora”, disse alguém.

    “Quero vomitar não. Minha mãe vai dar o sermão do monte”, alertou Marcelo.

    “Me diz. O que corta. o.alcool?”

“Doce”, respondeu o grupo inteiro em uníssono.

“Doce e água”, disse um deles

“Sério mesmo?”, duvidou Marcelo.

“É Marcelo! Glicose kkk todo bêbo tem que saber disso”, disse uma amiga.

“Só não come muito, senão vai vomitar”, alertou um amigo

“Vomitar corta o efeito na hora”, disse alguém.

“Quero vomitar não. Minha mãe vai falar o sermão do monte”, alertou Marcelo.

“Então toma banho, come alguma coisa, bebe água e vai dormir. Amanhã tu acorda novo”, listou por fim um dos amigos.

“Tá!! Deixa eu tomar banho first”.

Depois de seguir as recomendações, Marcelo foi dormir. No outro dia não podia ter acordado melhor. Sem ressaca e sem vômito. Parou para lembrar da noite anterior. Lembrou de como a festa foi boa e de como foi a sensação de ganhar pela primeira vez na vida um sorteio… Imediatamente surgiu uma pergunta em sua cabeça: o que diabos aconteceu com o brinde do sorteio?

2016, 75 Anos e 205 Textos

    Exatamente um ano atrás eu escrevi um post especial para comemorar a marca de 75 publicações. No texto em questão eu falei de várias pessoas e personagens que completaram 75 anos em 2015. Então escolhi uma publicação com o número terminado em 5, que no caso da publicação de hoje é 205, pra fazer a lista dos aniversariantes destaques de 2016.

    No campo musical nós abrimos a lista de Dominguinhos, falecido em 2013, Benito di Paula, o cara do Amigo Charlie Brown, o ganhador do Nobel de Literatura e de mais uma porrada de prêmios de áreas diversas, Bob Dylan e por último o cara que só aparece nos nossos fins de ano: Roberto Carlos. Roberto esse que as pessoas erroneamente chamam de “Rei”. Erroneamente porque todo mundo sabe que “Rei” só Reginaldo Rossi.

    No cinema temos o aniversário de algumas obras bem importantes. O Falcão Maltês, Cidadão Kane, O Lobisomem, Sr. e Sra. Smith, que não tem nada a ver com aquele do Brad Pitt com a Angelina Jolie, e Dumbo. Sim, mais uma vez temos um desenho da Disney completando 75 anos, pelo menos dessa vez ele não é o único filme de 1941 que é lembrado até hoje, ao contrário de Pinóquio no ano passado. Passando pras pessoas os destaques vão para o ator Nick Nolte, o mestre da luta com facas, Peter Coyote, e o mestre por trás de obras como O Castelo Animado, Meu Vizinho (ou Amigo) Totoro, Viagem de Chihiro e o maravilhoso, primoroso, lindo e emocionante Princesa Mononoke. Estou falando de um dos fundadores de um dos estúdios de animação mais respeitados do universo, Hayao Miyazaki, um dos fundadores do Estúdio Ghibli.

    Na parte de televisão nós temos o jornalista que dá personalidade à todas as chamadas do Globo Repórter, Sérgio Chapelin e daquele que sempre aponta as vergonhas do Brasil, Boris Casoy. Na parte do entretenimento temos Umberto Magnani, que faleceu sem completar seu último trabalho na televisão, a novela Velho Chico, Betty Faria e Neusa Borges, que também poderiam aparecer na parte de cinema juntamente com um músico, ator de televisão e de um monte de filmes, estou falando de Mussum. Não só um dos mais queridos, ou o mais querido, do elenco original d’Os Trapalhões.

Aí chegamos na parte que eu mais gosto: os personagens de quadrinhos. Em 1941 tivemos o nascimento do Capitão América. Juntamente com o Sentinela da Liberdade foi criado seu sidekick Bucky Barnes, que posteriormente foi reformulado e hoje atende pelo nome de Soldado Invernal. Também temos o Arqueiro Verde, que virou um personagem mais modinha mainstream depois da série Arrow, e seu sidekick Ricardito, que é Speedy no original e eu nem sei como se chama na série.

Também em 41 tivemos o nascimento da Mulher Maravilha, que esse ano causou a maior comoção por ser a melhor coisa sua participação em Batman v. Superman. Não podemos esquecer do aniversário do Aquaman, provavelmente o héroi que mais serviu de inspiração pra piadas desde o tempo dos Super Amigos. Ainda cabem na lista o Caveira Vermelha, inimigo do Capitas Americano, o Pinguim, inimigo do Batema, o Homem Borracha e o Capitão Marvel Jr.. Apesar de quase ninguém conhecer esse último, podemos dizer que ele foi um dos mais influentes dessa lista. Caso você não saiba, foi o visual do Capitão Marvel Jr que inspirou o visual de Elvis Presley. Aquela capinha na metade das costas com uma gola alta e o topete que compunham o visual do Rei do Rock vieram dele. Nem preciso dizer que o motivo disso foi a admiração que Elvis tinha pelo personagem.

Chegamos ao fim de mais um especial de 75 anos, espero que tenham gostado. Sério, espero que tenham gostado porque todo ano eu vou fazer um desses e o que eu menos quero é gente torcendo o nariz pros posts que sairão nos próximos anos.

(Finalmente) Acabou O Campeonato Brasileiro

    Existem coisas que demoram. Existem coisas que parecem mais que nunca vão acabar. Existem coisas que parecem infinitas… E existe o Campeonato Brasileiro.

    Quem me conhece sabe que eu tenho pouquíssima afinidade com futebol. O time indo bem ou mal, pra mim faz muito pouca diferença. Algumas vezes é até divertido entrar na brincadeira e tentar irritar alguém que leva essa história de bola mais a sério. Tem vez que eu presto atenção na tabela pra ter mais assunto pra conversar com meu pai e nas copas do mundo eu vou na casa do meu avô assistir o jogo do Brasil e torcer pelo naufrágio da seleção canarinho. Mas em todo o universo do futebol existe uma coisa que eu odeio: o Campeonato Brasileiro.

    Antes de continuar gostaria de avisar aos meus amigos torcedores que não é nada pessoal. Eu entendo (pelo menos parcialmente) a paixão de vocês pelo nobre esporte bretão e pelas agremiações futebolísticas que moram em seus corações. O problema não é, pelo menos não totalmente, com vocês. Meu problema é com todo o resto.

    O Brasileirão é uma coisa que enche o meu saco. Começa com o fato do campeonato ser praticamente infinito. O Campeonato Brasileiro começa em maio e termina em dezembro, ou seja, dura de sete pra oito meses. Se uma mulher engravidar na primeira rodada do campeonato, existe uma possibilidade dela segurar o filho nos braços no mesmo momento que o capitão do time campeão levanta a taça. Pra você ter uma ideia, toda a temporada européia de futebol acontece numa janela de dez meses, e se o pessoal lá disputasse as partidas com os mesmos intervalos que disputa o pessoal aqui, é certo que duraria muito menos.

    Outra coisa que desperta o ódio no meu coração é o tanto que se fala de futebol por causa do Campeonato Brasileiro. Imagine o tempo que é destinado em todos os noticiários, ou o espaço destinado em todos os jornais e o quanto que existe de conteúdo na internet sobre coisas relacionadas ao futebol Tá lá você vendo de boa as desgraças notícias do dia ou alguma discussão sobre um tema mais sério. Aí do nada para tudo pra falar sobre futebol…

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    Mas aí chegamos no terceiro ponto que sustenta a minha aversão pelo Brasileirão: conversa sobre futebol me cansa. Eu entendo perfeitamente quando uma pessoa fala sobre o que acontece com o seu time e até acho normal falar disso. O que me cansa é quando as pessoas começam a falar sobre TUDO que está rolando no campeonato. Lá vai um que começa a falar da lesão de fulano, da recuperação de num sei quem, de outro beltrano que tá jogando muito, de outro que foi vendido. E por incrível que pareça o assunto NUNCA esgota. Basta ligar no rádio e ouvir algum programa sobre futebol pra ver. Os caras passam literalmente HORAS falando sobre futebol e muitas vezes eles passam horas falando da MESMA COISA e o assunto NUNCA ACABA.

    Pode parecer chato da minha parte, mas num país onde futebol é o assunto preferido de uma parcela grande da população, é praticamente impossível ficar isolado de toda a comoção, discussão, briga e derivados que são gerados por causa da bola. Pelo menos acabou, finalmente acabou, demorou que só, mas acabou. Até o Brasileirão acabou e 2016 não acaba. Esse ano tá demorando a passar mesmo

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