Cachorros de Bikini

Não é um blog sobre cachorros e bikinis

Post Polêmico

    Hoje resolvi criar polêmica. Quando você é proprietário de um blog é bem fácil, é só fazer um post polêmico, onde você fala de alguma coisa controversa e opinando contra uma determinada parcela da população e pronto, está criada a sua polêmica pra usar como quiser… Mas e se essa polêmica não for assim uma coisa que se diga “minha nooossa como é grande essa polêmica”?

    Tudo começou essa semana quando um amigo meu me emprestou o maravilhoso jogo Life is Strange. Fui jogando, jogando e no momento que escrevo esse texto faz menos de duas horas que terminei o jogo. No final da jogatina um amigo me perguntou “o que tu achou do final polêmico?”. Como rola muita coisa no final do jogo, perguntei sobre o que era a polêmica, ele me mandou o link de uma entrevista com o diretor do jogo. Caso você queira ler e não pretenda jogar o jogo, segue o link da entrevista. Li a curta entrevista e o que eu percebi? Não teve polêmica nenhuma.

    “Se o final não é polêmico, qual a polêmica?”. Concordo com você, querido leitor. Também fico refletindo sobre essa suposta polêmica. O jogo trata de assuntos bem sérios como bullying, assédio sexual, depressão, abuso de drogas, violência física e psicológica coisas e por aí vai. Qualquer uma dessas coisas poderia de fato gerar polêmica, mas o final em questão não gerou. O final em questão é só o fechamento da história, todos os assuntos sérios já tinham sido tratados e pouca coisa ainda precisava ser resolvida, mas aí um monte de gente jogou, reclamou do final e… Só. Toda a polêmica gerada não passou de um mimimi ruidoso de uma parcela dos jogadores, na verdade chamar de polêmica foi uma bondade de quem colocou o título na matéria.

    Aí vem a pergunta de um milhão de dólares: como saber se uma coisa é polêmica ou não? Pra mim só é polêmico se vira textão do Facebook, tweet de pastor radical, quando tem tweet de artista rebatendo o pastor radical, e  quando vira pauta de matéria pro Fantástico. Um conteúdo só é polêmico quando chama atenção fora do próprio nicho, além do próprio público. No final “polêmica” é só uma palavra que estão usando pra deixar as manchetes mais atrativas.

    “Ei, Filipe, cadê a polêmica que tu ia criar?”. Ah sim, obrigado por me lembrar… Deixa eu ver… Já sei. Imagine comigo: plantar um feijão no algodão é muito parecido com colocar um bebê humano pra crescer no cadáver de uma vaca. Pense nisso e até o próximo texto.

Contos de Segunda #47

   Horácio era um assassino da máfia. Era assim que ele se enxergava, apenas um assassino da máfia. A máfia enxergava Horácio como o pior assassino de todos os tempos. Não que ele fosse um capanga incompetente, muito pelo contrário. Horácio era excelente em intimidação, cobrava dinheiro como ninguém, era treinado em todas as modalidades de briga de rua, dirigia como um verdadeiro piloto e tinha contatos em todos os lugares… Só não servia para matar os outros. Tanto que ele era sempre a última opção para esse tipo de serviço. Quando todos os matadores estavam impossibilitados de matar ligavam para Horácio.

    — Horácio, preciso que você faça um serviço — disse a voz do outro lado do telefone.

    — Pode dizer, chefe — respondeu Horácio.

    — Sabe o cara da alfandega? Ele pisou feio na bola, preciso que você garanta que essa foi a última vez que ele nos deixou na mão.

    — Não seria melhor só dar um susto no cara?

    — Ele já levou susto demais. Acabou a festa pra ele. Serviço limpo e discreto, Horácio, você é meu único homem na rua hoje.

    — E o resto do pessoal, chefe?

    — O fim de semana foi movimentado, Horácio, precisei dar uma folga pros meninos. Essa demanda apareceu de última hora, se não fosse urgente eu não te pedia. Só resolve isso, ok?

    A ligação foi encerrada antes que o pobre capanga pudesse argumentar. Pelo menos esse alvo seria mais fácil de eliminar do que os outros, o alvo em questão se chamava Carlos, tinha 58 anos e um problema na perna que o impedia de correr. Horácio entrou no carro e partiu para o porto.

    O escritório da alfandega ficava em uma das partes menos movimentadas do porto e como Carlos gostava de fazer hora extra, não seria difícil pegá-lo sozinho. O relógio marcava nove da noite quando o alvo finalmente saiu do escritório em direção ao carro. Horácio estava encostado na porta esperando por ele.

    — Boa noite, Carlos.

    — É… Boa noite… Horácio, não é? Transmita meus cumprimentos ao seu empregador e diga que já estou trabalhando para resolver o imprevisto de hoje.

    — Isso é ótimo, Carlos, mas meu empregador resolveu adotar medidas mais, digamos, permanentes.

    Horácio sacou a pistola. Um serviço limpo e discreto, foi o que o chefe solicitou. Normalmente isso significa um tiro na testa com uma pistola silenciada ou a simulação de um acidente, nenhuma testemunha. O capanga era um péssimo atirador, mas normalmente não errava a uma distancia tão curta. Fez mira e puxou o gatilho… Nada. Carlos olhou incrédulo para seu algoz. Outra tentativa… Nada. Depois da terceira Horácio lembrou de destravar a pistola. A essa altura Carlos já estava correndo o máximo que sua perna defeituosa permitia, bem mais do que Horácio esperava.

    O pobre funcionário da alfandega corria sem saber bem para onde. Os galpões estavam fechados, assim como os escritórios, a única saída era se jogar no mar e esperar que o assassino se contentasse com sua possível morte. Um tiro passou zunindo pela orelha de Carlos, ele começou a correr mais rápido. Outro disparo, o tiro passou raspando no ombro do futuro defunto, ele começou a chorar. A água não estava tão longe, o assassino estava cada vez mais perto.

    Então viu-se uma luz. Ouviu-se um barulho de freio e uma batida. O motorista do caminhão de presunto não esperava um senhor meio manco cruzando seu caminho naquela noite. Não conseguiu evitar, acertou o pobre Carlos em cheio, arremessando o pobre coitado algumas dezenas de metros na frente. Quando a ambulância chegou o coitado já tinha parado de respirar fazia um bom tempo.

    Horácio esperou até a ambulância chegar. Ele ligou para o contato no IML, dez minutos depois o contato ligou informando que um carro já estava a caminho do local. Finalmente Horácio podia comemorar a eliminação de um alvo e o melhor de tudo: ele não precisou matar ninguém.

Disso Eu Sempre Esqueço

Memória é uma das paradas mais misteriosas que existe. A gente costuma imaginar o nosso cérebro como uma coisa parecida com nosso computador, com cada coisa no seu lugar certinho, tudo arquivado e organizado, mas tudo funciona de um jeito muito louco. E de todas as coisas do nosso cérebro a mais louca de todas é a memória.

Poucas coisas na vida são mais aleatórias do que nossa memória. Basta lembrar do tanto de coisas inúteis que vem fácil na nossa cabeça e da quantidade de coisa que a gente precisa lembrar e não lembra. Também tem aquelas coisas que lembramos, esquecemos, lembramos e esquecemos de novo em um looping maluco de esquecimento e lembrança que muitas vezes acontece ao longo de poucos minutos. Porém existe algo pior do que esquecer das coisas: nunca conseguir lembrar.

Não tem jeito, todo mundo tem alguma coisa que sempre escapa. Pagar uma conta, abastecer o carro, assinar a prova, marcar o gabarito, início do prazo, final do prazo, aniversários, datas comemorativas, consulta médica, hora do remédio, desligar alguma coisa, tirar outra da tomada e mais uma infinidade de outras miudezas cotidianas. Sempre, mas pode ter certeza que sempre tem alguma coisa que você esquece em praticamente 100% das vezes. Pode tentar o quanto quiser, pode colocar lembrete, alarme e barbante no dedo. Seu cérebro vai sempre trabalhar de forma que uma nuvem de esquecimento fique estacionada sobre aquela coisa. A seguir farei um relato pessoal para exemplificar melhor.

Quem me conhece costuma dizer que eu tenho uma memória boa. Boa parte das minhas lembranças foram sumariamente esquecidas pelos meus amigos, de modo que volta e meia parece mais que eu estou inventando a história toda. Além disso existe uma quantidade inacreditável de informação completamente inútil que eu tenho guardado na minha cabeça e sem motivo aparente o meu cérebro se recusa a me deixar esquecer. Mas eu fico pensando por qual motivo, razão ou circunstância eu sempre esqueço de colocar o efeito riscado.

O efeito riscado do WordPress é um recurso que eu particularmente gosto muito. Ele é ótimo pra dar um efeito cômico e similares. Só que toda vez que eu escrevo um post com esse efeito… Eu só lembro de colocar um tempão depois. Quando todo mundo interessado já leu e viu uma parada totalmente sem sentido escrita no meio do texto… Espero pelo menos ter lembrado de colocar os efeitos nesse aqui, por que o final que eu tinha pensado antes acabei esquecendo.

Eu, Você e Os Jogos Malditos

    No último domingo um amigo meu entrou no grupo de chat e anunciou que estava jogando um jogo casual, simples e gratuito. “Baixa esse jogo, vocês vão se lascar, não posso me lascar sozinho”, foram essas palavras aflitas que o sujeito supracitado usou para convencer os integrantes do grupo a jogar também. Eu baixei o jogo, eu joguei o jogo e eu me lasquei.

    Não citarei o nome do jogo para não ajudar a espalhar essa desgraça pelo mundo, mas farei uma descrição ligeira dele. O jogo consiste em clicar na tela para eliminar monstrinhos e passar de fase. Você ganha dinheiro matando os monstros e faz uma infinidade de upgrades pra conseguir matar os monstros mais ligeiro. A graça do jogo desaparece pouco tempo depois, os números chegam a casas astronômicas e param de fazer sentido. Em vez de parar de jogar o que eu faço? Continuo jogando. Gasto um pouco mais de tempo e desligo. No outro dia eu abro de novo e o jogo não parou. Acho um absurdo e o jogo começa a parecer pior. Nem por isso eu paro de jogar.

    O tempo gasto nesse entretenimento maldito é muito menor do que eu costumo gastar em outros jogos, mas qualquer minuto gasto com isso parece custar horas do meu dia. Diante desse quadro revoltante eu fico pensando em quantas pessoas estão na mesma situação.

    O vício em jogos casuais é uma praga relativamente recente. Quem tem a minha idade lembra da febre que foram os jogos do Orkut. As pessoas mais improváveis gastavam a vida jogando Colheita Feliz e coisas do tipo. No Facebook isso também acontece e depois da popularização dos smartphones isso tomou proporções inimagináveis. Isso me leva a questionar o motivo pelo qual esses jogos nos escravizam dessa forma. Pensando um pouco só chego a uma conclusão: todos esses jogos foram tocados pelo demônio e estão infundidos com o poder das trevas.

    Pra mim não existe outra explicação. Algo sobrenatural move esses joguinhos e por isso ficamos presos apesar da raiva e da aversão que eles nos causam. Deixo aqui registrado que pretendo reverter essa relação nociva com o jogo maldito que apareceu na minha vida. Pretendo acabar com essa jogatina sem sentido e voltar minha atenção para vícios menos danosos opções de entretenimento mais saudáveis. Caso você, estimado leitor, esteja passando por uma situação semelhante, saiba que você não está sozinho. Um dia conseguiremos nos livrar dessa desgraça… Mas enquanto esse dia não chega, vou aqui olhar o quanto de dinheiro juntou enquanto eu escrevia esse texto.

Contos de Segunda #46

Todo o plano de Luciana e Roberta para juntar Jorge e Cristina não começou hoje. Esse conto, além do retorno de Jorge e Cristina à nossa série semanal,  é uma continuação dos Contos de Segunda#34, Contos de Segunda #42 e Contos de Segunda #44.

— Você e seu rolo atual vão jantar no dia dos namorados, mas em vez de aproveitar o romantismo de um momento a dois comendo sushi, vocês vão articular um blind date comigo e um amigo dele.

    Era sexta-feira. O dia dos namorados daquele ano caía no domingo e Luciana estava tentando convencer Cristina a não passar o dia 12 sozinha em casa. As duas estavam almoçando, Luciana resolveu comer um sanduíche, ela sabia que Cristina comeria alguma salada complicada que deixaria metade do cérebro dela ocupado durante a refeição. Quando o sanduíche terminou o prato de salada ainda estava na metade.

    — Falando desse jeito até parece um absurdo, Cristina. Minhas intenções são puras e minhas ações movidas exclusivamente pelo sentimento sincero que eu nutro por você – uma dose cavalar de teatralidade estava depositada em cada palavra.

    — Sei lá, Luciana. Não tô no clima de romance ultimamente, principalmente quando aparece uma oferta pra segurar vela em dupla — apesar da complicação da salada o cérebro de Cristina estava funcionando melhor que o esperado.

    — Vai ser legal, amiga. Preciso que você vá lá pra aprovar meu guitarrista. Lembra dos meus outros namorados? Graças a você eu me livrei de dois malucos, um eco terrorista e um fanático por futebol. Nunca namorei um músico, sua avaliação se faz necessária… E vai ser de graça.

    Cristina revirou os olhos como se procurasse uma solução dentro da própria cabeça. Olhou para o prato de salada, mas o alface não parecia ter uma solução escrita nas folhas. Ela respirou fundo, olhou Luciana nos olhos e disse:

    — Tá bom, tá bom — ao ouvir essas palavras Luciana bateu palmas eufóricas de satisfação. — Mas você tem que me garantir que esse amigo não é um daqueles malucos de academia, nem um que vai votar em Bolsonaro, nem daquela galera do “ain, não tinha isso no livro” e nem aqueles malucos por quadrinhos — cada um dos tipos proibidos era contado nos dedos.

    — Relaxa, gata. Pode ter certeza que o cara é perfeito pra você.

    — Já te disse pra não me chamar assim

    — Assim como?

    — “Gata”. Vi em algum lugar que não se deve confiar em uma mulher que chama a outra de “gata”, acabei ficando com isso na cabeça. Não sei se isso tem fundamento, mas por via das dúvidas não me chame desse jeito.

    O dia 12 não demorou para chegar. Era fim de tarde quando Luciana colocou a chave do carro na mão do manobrista. O restaurante japonês não era tão grande, mas era bem refinado. Em condições normais seria impossível conseguir uma reserva para o dia dos namorados tão em cima da hora, mas o guitarrista de Luciana faria uma apresentação no restaurante às oito da noite, de alguma forma aquilo ajudou com a reserva. Pouco depois de cruzar a porta um rapaz se aproximou para atendê-las.

    — Boa tarde, senhoritas. Qual o nome que está na reserva?

    — Boa tarde — respondeu Luciana. — A reserva está em nome de Fábio. Imagino que ele já esteja por aí.

    — Está sim, me acompanhem por favor.

    O rapaz conduziu as duas até chegar a um salão. Próximo do bar estava um pequeno palco onde uma moça tocava piano e cantava. Cinco mesas antes do palco estavam Fábio e seu amigo. Os dois conversavam empolgados e não notaram as moças até que as duas estivessem bem perto.

    — … Eu tô dizendo, meu velho, essas coisas só funcionam na televisão e… Olha elas aí — disse Fábio.

    Instintivamente o outro homem da mesa se virou ainda achando graça da conversa interrompida. Em uma fração de segundos o ar de riso foi convertido em uma cara de velório. A reação de Cristina não foi muito melhor.

    — Ah, não… — Disse ela baixinho. — Oi… Jorge.

    — Cristina, que… Surpresa — o olhar de Jorge foi desviado imediatamente para Luciana. — Não sabia que a menina de quem Fábio estava falando era você, Luciana.

    — É sempre bom te ver também, Jorge. A gente chegou muito cedo, Guitarrista?

    — Na hora certa, Lulu — Fábio se levantou, deu um beijo no rosto de Luciana e ofereceu a cadeira ao lado de Jorge. — E você é Cristina. Sou curioso pra te conhecer faz tempo.

    — Digo o mesmo, Fábio. Não sabia que você e Jorge eram amigos — respondeu Cristina sentando de frente para Jorge, o olhar dos dois se encontrou por um instante. Ele estava tão raivoso quanto ela.

    — Então, Luciana, foi Roberta que apresentou vocês dois? — Perguntou Jorge desbloqueando a tela do celular.

    — Ela me levou pra um ensaio do casamento do irmão dela e a gente se conheceu lá.

    — Ah, é mesmo? — Os dedos de Jorge digitavam rapidamente uma mensagem para Roberta. “Você não devia ter se metido nisso, Roberta”.

    — Eu não tinha sido convidada pro casamento e estava curiosa sobre a banda. Cristina não topou me levar de penetra e Roberta acredita piamente que o irmão dela me detesta.

    — Tenho a forte impressão que o irmão dela também acredita nisso — interrompeu Cristina enquanto enviava uma mensagem para Roberta. “Vou te enforcar com as tuas tripas, Roberta”.

    — Se vocês me dão licença, eu vou no banheiro e volto logo — disse Jorge olhando diretamente para Cristina.

    A moça entendeu a deixa. Jorge podia estar no topo da lista negra, mas eles precisariam trabalhar juntos pra sair dessa situação.

    — Eu vou dar uma passada no bar, estou com planos de ficar meio bêbada, melhor começar cedo.

    Os dois seguiram caminhos distintos. Jorge partiu em direção ao banheiro, mas antes disso entregou um cartão a um garçom qualquer pedindo para entregá-lo à moça que estava chegando no bar. Assim que o cartão chegou Cristina discou o número.

    — Se você tiver alguma coisa a ver com essa história… Alguma coisa com saquê e morango, por favor. Se você estiver no meio disso, Jorge, pode ter certeza que eu te mato antes de matar Roberta.

    — Me mata depois, aí eu te ajudo a esfolar Roberta viva. Eu convenci Fábio a tocar no casamento do irmão dela e é assim que ela me paga.

    — A culpa só podia ser tua, Jorge. Deus queira que esse teu amigo da guitarra não tenha muita coisa pra contar a Luciana.

    — Relaxa que Fábio sabe menos coisa do que Luciana, pelo menos sabia. A gente precisa de um plano.

    — Depois dessa mão-de-obra toda não tem plano? E Luciana ainda quer me juntar contigo, sinceramente.

    — E ainda me perguntam por que eu não gosto de você… Fábio toca às oito, são dez pras seis. Imagino que ele vai sair da mesa pelo menos meia hora antes…

    — Eu não vou ficar mais de duas horas olhando pra tua cara, Jorge. Antes disso eu pulo no pescoço de Luciana e a gente vai daqui pra delegacia ou pro hospital… Tais de carro?

    — Sim. E pelo jeito da pergunta Luciana é a tua carona.

    — Foco na solução, Jorge. É só a gente dar um jeito de disfarçar e depois dá uma escapulida. Eu fico no bar e você finge que tá com dor de barriga.

    — Por que eu tenho que fingir que estou com cag… Dor de barriga? É só eu ir pro bar também, digo que quero ver a pianista de perto.

    — Nós dois no mesmo lugar e eles não vão tirar os olhos da gente. Vou voltar pra mesa, lá a gente pensa em alguma coisa.

    Meia hora se passou. Luciana e Fábio pediram sushi, Jorge não pediu nada e Cristina resolveu não tomar mais nada alcoólico. A tensão da mesa era crescente. Luciana e Fábio pareciam estar se divertindo muito com toda a situação, enquanto Jorge e Cristina estavam se sentindo feras enjauladas.

    — Jorge, já comeu desses sushis com camarão? — Perguntou Fábio. — Eu acho meio estranho.

    — Esqueceu que eu sou alérgico? Se eu colocar um camarão na boca já começo a ter reação.

    — Sério? — Perguntou Luciana genuinamente surpresa.

    Cristina olhou para Jorge. Quando ele olhou de volta ela indicou o camarão com os olhos. Ele fez “não” com a cabeça, ela fez “sim.

    — Sério, Luciana. Vê só — antes que alguém pudesse ver Jorge jogou um pedaço de camarão dentro da boca, mastigou duas vezes e cuspiu.

    Imediatamente a língua dele dobrou de tamanho, o rosto ficou vermelho e estava começando a inchar.

    — Meu Deus, Jorge! — Gritou Cristina da forma mais exagerada que ela pode. — Tá doido? A gente tem que te levar pro hospital.

    — Assho que ffffim — respondeu o pobre Jorge.

    — Me dá a chave do carro, eu te levo — disse Cristina. — Fábio precisa tocar e Luciana leva ele depois.

    Os dois se levantaram e saíram correndo. Antes que Luciana e Fábio pudessem entender tudo, Cristina já estava dando partida no carro. Jorge abriu o porta-luvas, sacou um tubo de plástico, tirou uma ponta e cravou na perna. O antialérgico tinha sido rápido o suficiente para salvar Jorge de um possível choque anafilático. Cristina se colocou no caminho de casa, pouco antes de chegar lá Jorge conseguiu falar.

    — Você só pode ser doida, Cristina.

    — Não te obriguei a fazer nada, Jorge, mas não vou ser injusta com você. Parabéns pela coragem.

    — Não pensei muito, dois segundos a mais de raciocínio e a gente ainda estaria lá — o nervosismo na voz dele era perceptível.

    — A gente precisa dar um jeito nisso, Jorge, a situação tá fora de controle.

    — Segunda-feira a gente pensa nisso, Cristina. Esse remédio já tá me deixando com um sono inacreditável. Me deixa em casa que eu te coloco num táxi ou pego meu carro na tua casa amanhã cedo.

    — Eu que não vou pagar táxi, acabei de salvar tua vida. Mereço no mínimo uma carona, com ou sem você no carro.

    — Então considere isso como o seu presente… Feliz dia dos namorados, Cristina.

    Antes que ela pudesse responder Jorge já estava dormindo. Um sorriso surgiu no rosto da moça. Ela dobrou uma esquina e parou em um posto de gasolina, pegou o telefone de Jorge e ligou para a mãe dele. Ele dormiu antes de dizer onde morava.

Mulher Larga Emprego para Amamentar Namorado

Sim. É isso mesmo. Você não leu errado. Na última quarta-feira eu estava olhando o meu feed do facebook e eis que vejo uma noticia compartilhada por um grande portal de notícias daqui. O título da notícia era  “Mulher larga emprego para amamentar namorado a cada duas horas“, uma manchete chocante e auto explicativa na mesma proporção. Na hora que eu vi esse negócio o cérebro desligou. Antes que pudesse pensar qualquer outra coisa eu pensei:

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Passado o susto inicial fui lá dar uma averiguada boa na notícia. Vamos resumir bem pra diminuir a chance de trauma. Uma moça ouviu falar da prática de amamentação adulta… Vou abrir um parênteses aqui só pra dizer que só de saber que isso existe eu já fiquei traumatizado. Segundo ela, essa prática desenvolve um vínculo único entre as pessoas envolvidas e essa ideia fascinou a jovem. Depois disso começou a saga da moça atrás de um rapaz que topasse essa parada de mamar depois de velho. Ela procurou muito, muito mesmo, a moça realmente estava muito determinada e depois de quase perder as esperanças finalmente encontrou um rapaz disposto e agora os dois estão juntos. A moça amamenta seu namorado a cada duas horas para estimular a produção de leite, largou até o seu emprego como garçonete pra manter a regularidade da amamentação. Os dois estão super felizes com isso e vivendo as maravilhas que apenas o vínculo criado na amamentação pode proporcionar.

  Agora é a parte do post em que eu comento sobre o ocorrido… É, vamos lá.

Sobre isso eu não tenho muito a dizer. Faz tempo que esse mundo tá sem freio e a internet, essa terra maravilhosa, nos ajuda a conhecer mais sobre as coisas malucas que existem no nosso pálido ponto azul. Tudo bem que eu não sou tão velho, não posso dizer que já vi de tudo, mas posso afirmar que vi muita coisa. Nada que eu já vi na minha vida mais ou menos breve se compara com essa maluquice. Notem que a moça não inventou essa onda de amamentar gente crescida, é uma prática com adeptos suficientes pra ser divulgada por aí. Um monte de gente por aí mamando e sendo mamada, literalmente mamando e sendo mamada, sem duplo sentido e nem maldade na afirmação. Pessoas estão aí se nutrindo de leite materno depois de adultos…

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Acho que é isso, até a próxima.

Uma Receita de Decepção

Mais uma vez o tema dessa quarta-feira estava certo fazia um bom tempo. Um tema bem supimpa com um ar reflexocontemplativo, mas nem por isso mais sério que o normal. Mas ontem aconteceu uma coisa que não poderia deixar de relatar, algo que me surpreendeu de uma maneira que me fez desistir do tema de hoje totalmente. Ontem eu descobri uma receita prática de como me decepcionar comigo mesmo.

    Uma receita simples que você pode reproduzir sem problemas com as coisas que você tem na sua casa.Tudo que você precisa é de uma conexão com a internet e um navegador que funcione com o sistema de abas. O rendimento da receita pode variar de acordo com a importância que você dá para o seu tempo desperdiçado e da sua capacidade de se decepcionar consigo mesmo. O tempo de preparo é praticamente inexistente e você pode fazer enquanto realiza suas atividades normais. Agora vou relatar o processo de desenvolvimento dessa maravilhosa receita.

    Ontem estava eu olhando coisas importantes na internet. Sem exagero ou ironias, eu realmente estava olhando coisas importantes na internet. Depois de terminar de olhar as coisas importantes fechei a aba do navegador e logo depois saí do meu e-mail, por consequência fui parar na página do portal que sempre abre quando eu saio do meu e-mail. Nessa página vi algumas inutilidades que me chamaram a atenção e as abri em outras abas. Quando já estava tudo fechado lembrei que precisava ver uma coisa na página importante, prontamente usei o comando de Reabrir Aba do meu navegador. Esse comando, para aqueles que não estão familiarizados, reabre, da mais recente para a mais antiga, as abas recentemente fechadas do navegador. Obviamente as inutilidades abriram primeiro. Obviamente que tive que abrir um monte de abas inúteis pra finalmente conseguir chegar na aba que eu queria. No curto tempo necessário pra conseguir reabrir a aba desejada eu consegui me decepcionar comigo num tanto que chega bateu uma tristeza genuína.

    Nunca tive problemas com conteúdo inútil na internet, inclusive pra mim produzir um bom conteúdo inútil é um objetivo de vida, mas quando o nível de inutilidade é muito grande e você para pra pensar no tempo gasto no consumo daquele conteúdo dói. Perceber o tanto de tempo desperdiçado com coisas que nem te interessavam muito é uma sensação bastante incômoda. Uma receita prática e rápida pra fazer uma auto decepção que fica pronta mais ligeiro que miojo.

    A receita de hoje foi simples? Acha que consegue fazer sem problemas? Não sei se é possível substituir os ingredientes, não tive tempo pra testar, mas sinta-se a vontade pra mexer e mudar alguma coisa. Não deixe de me contar dos resultados quando você fizer e até a próxima receita.

Contos de Segunda #45

Erick caçava dragões. “Caçava”, hoje em dia não caça mais. Além de ser muito perigoso, muitas vezes chato e normalmente solitário, o sindicato conseguia deixar tudo ainda pior. Por causa de um dragão ele deixou essa vida de caçar dragão. Isso fez Erick e o dragão em questão se tornarem grandes amigos… Mas não ajudou a pagar as contas. Diante da perspectiva de falência, Erick deixou sua amizade com o dragão de lado e partiu em busca de trabalho.

    Ultimamente alguns reinos estavam em guerra e todo mundo estava meio perdido. Muitos fazendeiros estavam sem fazenda, soldados sem exercito, cavaleiros sem cavalo e taverneiros sem taverna. Muitas dessas pessoas acabavam fugindo para os reinos que estavam em paz e para organizar toda essa massa de trabalhadores os sindicatos fundaram um órgão regulador. Na falta de nomes melhores, as pessoas que trabalhavam nesse órgão ficaram conhecidos como ministros do trabalho. Justamente para encontrar esses ministros que Erick viajou para uma das maiores cidades do reino.

    O sol mal tinha saído quando o ex-caçador chegou ao portão principal e quase uma centena de pessoas já aguardava na fila. Vendedores ambulantes circulavam nos arredores vendendo pães, maçãs e carne seca, em algumas barraquinhas próximas era possível comprar cerveja e vinho, Erick pediu uma caneca de cerveja escura para o desjejum. Depois de um tempo suficiente para as pessoas que aguardavam ficarem todas amigas íntimas a fila começou a andar. Levou quase duas horas para Erick finalmente ser atendido pelo ministro.

    – Saudações, rapaz – disse Erick observando o jovem franzino sentado do outro lado da mesa. Um pergaminho em branco estava na frente dele e uma pena em sua mão.

    – Saudações, senhor. Em que posso ser útil?

– No momento procuro por um trabalho. Digamos que mudei de ramo recentemente e estou… Como posso dizer… Um pouco desinformado sobre as opções de ofício para um homem com as minhas habilidades.

O rapaz molhou a pena e se preparou para escrever.

– Como te chamas, senhor?

– Erick. Sem sobrenome, apenas Erick.

– Ocupação anterior, Erick?

– Eu caçava dragões.

O ministro levantou uma sobrancelha e encarou Erick por um instante. O couro do colete que ele usava sobre a camisa, a pele bronzeada, a queimadura no rosto e a cicatriz na testa confirmavam o que ele dizia.

– Entendo… – o jovem começou a escrever no pergaminho. – Quantos anos de experiência, Erick?

– Cinco anos de treinamento e serviço na sede do sindicato, três anos como caçador auxiliar operando catapultas e balistas e mais quatro como caçador titular, sendo um ano caçando totalmente sozinho.

– Tem familiaridade com quais tipos de arma, Erick? – A pena corria ligeira sobre o pergaminho.

– Espada, longa e de duas mãos, arco longo e de caça, martelo, mangual, machado de arremesso, lança de arremesso e longa. Minha especialidade é combater usando escudos de qualquer tamanho.

– Tens equipamento próprio, Erick? – A pena continuava frenética sobre o papel.

– Sim, é… Uma espada, um escudo revestido de couro de dragão, uma armadura leve feita com as escamas mais duras e uma cota de malha. Também tenho uma catapulta que pode ser convertida em balista, os documentos e a manutenção estão todos em dia.

– Alguma pendência com o sindicato?

– Creio que não. Meu desligamento ocorreu sem problemas.

– Sabes ler, Erick?

– O suficiente para entender as placas da estrada e as mensagens simples dos cartazes da cidade.

– Alguma habilidade adicional digna de nota?

– Trabalho bem com couro, principalmente de répteis, tenho bom senso de orientação, consigo viver durante longos períodos em regiões ermas. Sou acostumado a ambientes com temperaturas elevadas, toco alaúde e não tenho problemas de visão.

– Excelente – o ministro escreveu mais algumas linhas, parou e encarou o que estava escrito antes de continuar. – Erick, tuas opções são bem limitadas. Caso não queiras caçar outro tipo de fera, pode ajudar no treinamento dos patrulheiros da cidade. Nossos homens de armas mais habilidosos foram convocados para a fronteira por causa da eminência da guerra e os que patrulham a cidade têm pouca habilidade. Soube que os mercenários estão arrendando armas de cerco, caso esteja interessado. Nossos artesãos de couro não costumam ter uma demanda alta, mas nossos ferreiros costumam pagar bem para ajudantes que não desmaiam com o calor. Talvez alguém queira um guarda-costas, mas isso não posso garantir – o jovem derreteu um pouco de cera sobre o pergaminho e marcou com o anel. – Apresenta este documento quando procurares por trabalho. Tenha um bom dia e boa sorte na tua nova vida profissional.

Erick pegou o documento e saiu. A fila atrás dele parecia ainda maior, já passava e muito dos portões da cidade. Tantas pessoas procurando um rumo na vida deixaram o ex-caçador pensativo. Talvez ele seguisse alguma das indicações do ministro do trabalho, talvez seguisse todas, mas a vontade que tinha era de não seguir nenhuma delas. Pensou no que tinha conquistado até ali, no que tinha conseguido juntar para si e o que podia deixar de herança para seus possíveis filhos. Lembrou com uma certa saudade dos tempos antes da caça aos dragões. Lembrou de como era viver com a família cuidando de uma taverna e de como ele se imaginava fazendo aquilo no futuro… Ao lembrar daquilo Erick percebeu o que precisava fazer.

No outro dia ele retornou para a fila. Ficou nela desde o amanhecer até o sol se pôr. Chegou inseguro, passou o dia sorrindo e voltou para casa satisfeito. Ele passou o dia empurrando um carrinho com um panelão de ensopado. Por duas moedas a tigela era acompanha por meio pão, por três o freguês levava um pão inteiro e uma tira de carne seca de brinde e por dez era possível levar para casa uma escama de dragão como souvenir.

Aniversário de Bikini #1

3 de Junho de 2015. Naquela quarta-feira eu coloquei um sonho no ar. Foi naquele dia que a primeira postagem do Cachorros de Bikini foi publicada. O tempo foi passando, mais coisa foi sendo publicada e eu já estava achando uma pena não publicar um texto exatamente no dia do aniversário do blog. Aí eu olho no calendário e, graças à magia cabalística do ano bissexto, o 3 de Junho de 2016 caiu na sexta-feira…

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É engraçado pensar em como ter um blog mudou a minha vida. A responsabilidade de publicar alguma coisa três vezes na semana e a decisão de levar um projeto tão descompromissado com o máximo de seriedade acabaram transformando a minha rotina. A exemplo daqueles que vivem pra chegar na sexta-feira, os meus sete dias semanais se transformaram em três. Não é raro passar o fim de semana pensando no conto de segunda ou a terça-feira inteira pensando no texto de quarta. Preocupação com postagem que tá quase atrasando, tensão por um tema promissor estar virando um texto ruim e todos os malabarismos que eu fiz pra salvar esses textos. Tudo isso feito com a maior satisfação do mundo. Mas esse texto tá ficando muito sério. Hoje é dia de festa. Dia dos nossos queridos cachorros apagarem as velinhas e caírem com tudo pra cima do bolo.

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Um ano atrás eu escrevi “Bem Vindo ao Cachorros de Bikini”. 366 dias, 134 posts e dois hiatos depois eu me sinto exatamente do mesmo jeito. Eu ainda espero que ao entrar você deixe as coisas sérias da vida na porta e desfrute de um momento repleto das banalidades cotidianas e das coisas mais irrelevantes da vida. Ainda estamos longe de ser o melhor blog do universo, mas já somos o melhor blog com nome de caninos em roupas de banho que publica toda segunda, quarta e sexta e não tem o menor compromisso de falar sério ou de mudar a vida de ninguém. Parabéns, Cachorros de Bikini. Muitas felicidades, muitos anos de vida e todas aquelas coisas clichê que todo mundo deseja nos aniversários. Apague a vela e faça um desejo, mas não conte a ninguém ou não vai se realizar.

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Poucos

Existem algumas vantagens em ser um escritor com poucos leitores. A principal delas é que não tem muitas pessoas pra decepcionar com aquilo que você escreve.

    Não tenho certeza de quantas pessoas já leram meus textos, os poucos publicados antes e os vários publicados depois da criação do Cachorros devem ter atingido algumas poucas centenas de pessoas numa projeção muito otimista. Porém o feedback que eu recebo sobre aquilo que eu coloco no papel, ou publico por aqui, vem de um grupo bem restrito. Meus leitores regulares são todos conhecidos. Uns são amigos de longa data, outros de uma data nem tão longa assim, mas todos dedicam um pouco do seu precioso tempo pra me ajudar a escrever alguma coisa decente. Eles são poucos, são meus amigos, mas nem por isso cobram menos de mim.

    Quantas vezes eu já fui intimado a produzir mais coisas novas. Outras tantas me cobraram a publicação de um ou de outro texto ainda em fase de revisão. Fora as vezes em que eu recebo um “Esse tá legal, mas não tá melhor que aquele outro” por um texto que consumiu horas pra ser escrito e revisado ou ainda um “Essa é a melhor coisa que você escreveu” por um texto ainda inacabado. Isso sem contar os comentários do tipo “Queria que tivesse mais coisa, acabou rápido” ou o tão temido “Isso daria um livro, escreve mais”.

    Fico pensando nos escritores que vendem milhares de livros e na forma feroz como são cobrados pelos seus leitores. Muita gente pra atender e muita gente pra decepcionar. Espero o dia em que serei cobrado por desconhecidos e decepcionarei pessoas que eu nunca vi mais gordas. Enquanto não chega esse dia continuo aqui, escrevendo pros que colocam os olhos nos meus rascunhos e apontam os defeitos que eu não consigo ver. Pessoas que aguardam as versões finais como se esperassem pelo ultimo capítulo da novela. Que comentam o bom e o ruim sem reservas e reclamam dos finais que os enche de curiosidade.

    Para esses poucos eu digo: “Um dia sai”, “Falta sentar e escrever”, “Não sei o que fazer com ele no final”, “Ainda não sei como colocar no papel”, “Falta revisar”, “Escrever um livro dá muito trabalho” e por último, mas não menos importante, eu digo “Obrigado”.

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