Não é um blog sobre cachorros e bikinis

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Começou o Big Brother

Muitas vezes o ano parece tão longo que a gente acaba esquecendo de algumas coisas que sempre aparecem no começo do ano. Exatamente por isso que todo ano eu esqueço que vai ter Big Brother e quando eu menos espero ele já começou.

O Big Brother Brasil é um programa que passa na TV todo ano desde 2002, sendo que no primeiro ano o programa teve duas edições. Em todas elas tivemos pouco mais de uma dúzia de participantes brigando por um prêmio em dinheiro que eu nem sei mais quanto é, mas que já foi corroído pela inflação. Ao longo de três meses que mais parecem três anos os participantes brincam, brigam, geram polêmica, se agarram uns com os outros e entretêm a família brasileira. Mas o post de hoje não é pra falar sobre toda a engenharia social do Big Brother ou do programa em si, hoje eu vou falar porque o tempo do BBB é provavelmente uma das épocas mais chatas do ano.

Se existe uma coisa no mundo que gera mais reclamações do que a novela das oito nove é o Big Brother. Tem a galera que aproveita pra reciclar o discurso da baixa qualidade do entretenimento da TV aberta e de como o Big Brother é uma desgraça na vida do brasileiro. Tem a galera que é defensora da moral e dos bons costumes e está pronta para apontar qualquer traço de imoralidade identificado no reality show. Fora a galera que odeia a Rede Glóbulo de Televisão e se apoia no discurso dos dois grupos anteriores pra poder odiar a Globo com mais força. Também tem o pessoal que assiste BBB esperando acabar pra poder ver o que vem depois e acaba acompanhando o programa por osmose e obviamente temos as pessoas que de fato são fãs do Big Brother. Aí pensando nisso a gente lembra de duas coisas: a primeira é que todas as pessoas estão na internet e que todo o ódio ou amor pelo programa são despejados aos baldes nas redes sociais, a segunda é que além desses grupos existe mais um que acaba sendo bem menos importante nessa história toda. Existe o grupo das pessoas que não estão nem aí pro Big Brother. E provavelmente essas são as que mais sofrem por causa dos outros grupos.

Imagine que você não tá ligando pro BBB. Imagine que você entra no seu Facebucket e tá lá um monte de gente falando, bem ou mal, do Big Brother. Tanta gente que quase não se fala de outra coisa. Os assuntos vão desde abaixo assinado fake pra tirar o Big Brother até os memes gerados pelo programa e todas as discussões infinitas das pessoas sobre o programa. Aí você chega à conclusão que detesta o BBB, não por aquilo que ele é, mas pelo efeito que ele provoca nas pessoas. E a pior parte é que tudo isso poderia ser evitado com algumas medidas bem simples.

Você acha a qualidade da TV aberta muito baixa? Não veja TV aberta. Hoje em dia tem internet, YouTube, Netflix e TV paga. A qualidade do seu entretenimento depende de você.

Você acha que o BBB é uma imoralidade? Não assista. Acha que não pode ter esse tanto de safadeza por causa das crianças? Até onde eu sei o programa tem uma classificação indicativa e mesmo que fosse livre para todos os públicos, cabe aos responsáveis das crianças (ou adolescentes) regular o que eles assistem.

Você odeia a Globo? Odeie não, ódio só faz mal pra você.

Pra você só interessa o programa que vai passar depois? Então fica de boa que você é de boa.

Você é fã do BBB e detesta quando as pessoas ficam reclamando por causa do BBB? Deixa esse povo pra lá ou então eles vão ficar ainda mais chatos. Você ganha mais votando pra eliminar a galera que você não gosta do programa.

Do nada esse texto pareceu meio sério? Talvez, mas eu tinha que fazer a minha parte. Faz alguns anos que o Big Brother não me atinge e eu não esquento minha cabeça reclamando dele ou brigando por causa de BBB. Por isso eu gostaria muito que todo mundo parasse de esquentar a cabeça por causa de BBB ou por causa de Globo ou por causa de qualquer coisa que passe na televisão. A gente já tem problemas demais, por favor não arrumem outros.

 

Eu, Você e Os Hits do Verão

    Verão. A única estação que, ao contrário do inverno, acontece mais ou menos do mesmo jeito em todo o país. O frio é seletivo, mas o calor é para todos e, assim como ele, as coisas de verão costumam se alastrar de forma bem uniforme por toda Terra Brasilis. Dentre todas as coisas de verão a que mais costuma afetar a vida das pessoas é o hit do verão.

Ao longo de todo o ano algumas músicas chegam ao topo das paradas de sucesso, mas os hits de verão não são iguais aos outros hits. Como o nome já diz, essas músicas costumam explodir em uma época muito específica do ano. O hit de verão costuma aparecer lá pra dezembro, bem a tempo de embalar as festas de fim de ano. Ele também não precisa ser lançado necessariamente no verão. Imaginemos essas músicas como uma espécie bomba relógio programada pra explodir quando a galera começa a ir pra praia. Normalmente isso se dá pela posição geográfica do dono do hit e pela velocidade em que o sucesso da música cresce. Isso acontece de forma bem orgânica e não depende tanto dos veículos tradicionais de mídia para tanto, principalmente quando a música tem conteúdo explícito. É uma coisa que acaba passando de pessoa pra pessoa, coisa que hoje é até mais fácil por causa da internet. Mas até aí nada difere muito o hit do verão de um hit comum. É quando chegamos na hora de falar sobre as duas características que tornam o hit de verão tão peculiar.

A primeira delas é que o hit do verão normalmente é eleito o hit do verão. Não é muito incomum você ver as pessoas dizendo que tal música é “a música do verão” ou o “hit do verão” ou, dependendo da música, “a música do carnaval”. Os termos variam, mas de fato algum desses títulos é atribuído à música coroando o sucesso da mesma. Mas devemos lembrar que esse título tem um efeito adverso: a música ganha um prazo de validade. É exatamente essa a segunda característica.

Os hits de verão costumam ficar vivos enquanto o período de veraneio está em vigência. Isso não acontece exatamente na mesma época todo ano, até porque no Brasil o período mais, digamos, contente do verão acaba junto com o carnaval. Que é quando o ano de fato começa. Sacou a diferença? Agora que terminamos as características gerais do hit de verão eu posso falar das coisas que nem todo mundo vai concordar.

A única característica do hit de verão que faz diferença na minha vida é: a música de verão é a música mais chata do ano. Seu vizinho deu uma festa? Vai tocar o hit do verão. Passou um cara com o som alto na sua rua? Vai estar tocando o hit do verão. Você foi pra praia? Lá vai ter alguém com um som ligado no hit do verão. Foi brincar o carnaval? Vai ouvir o hit do verão. O hit desse ano não é música de carnaval? Vai ter alguém que fez uma versão carnavalesca do hit do verão. Não importa. A certeza é que a música vai tocar, você vai acabar ouvindo algumas inúmeras vezes e vai ficar de saco cheio.

Esse ano o hit do verão, creio eu, ainda não foi de fato definido. Minha aposta pra esse ano é o maravilhoso e arrojado “Deu Onda”, principalmente por contar com uma versão que pode ser cantada pelas crianças e outra para os maiores de 18 anos. Além de inspirar uma série de memes, piadinhas e derivados internets afora. De todo jeito o carnaval ainda tá longe e ainda vai tocar muita coisa até lá. Boa sorte pra todos nós.

Marília Mendonça Foi Acusada de Mandar Indiretas

    No início da semana estava eu andando por um grande portal de notícias de Pernambuco quando me deparei com a seguinte manchete:

Manchete Marília

    Caso você queira ver a notícia é só CLICAR AQUI.

    Antes de comentar a notícia em si acho que vale a pena discorrer um pouco sobre esse personagem tão importante na internet contemporânea: a indireta. Se você habita, passeia ou pelo menos ouve falar das redes sociais, é bem provável que já tenha lido um post de alguém que estava dando uma alfinetada em alguém, mas sem dizer quem era o alvo da alfinetada. Se você viu quer dizer que a indireta não é uma coisa desconhecida de vossa pessoa. Podemos dizer que a indireta normalmente tem quatro efeitos diferentes que listaremos adiante.

O primeiro é atingir a pessoa para quem de fato ela foi mandada. Quando a indireta é realmente bem feita ela chega no alvo e faz o seu estrago, normalmente resultando em alguma indireta em resposta que gera outra e tudo termina numa espécie de guerra fria internética. O segundo efeito é deixar praticamente todo mundo que não é alvo da indireta se perguntando por que diabos aquela mensagem/postagem foi feita. O terceiro efeito é deixar algumas pessoas com a pulga atrás da orelha. Até porque nem sempre dá pra ter certeza se a indireta foi com você ou não. Normalmente as pessoas que ocupam esse grupo tem certeza que não fizeram nada, mas mesmo assim  podem ficar meio desconfiadas dependendo do autor da mensagem. Por último temos aqueles que tem certeza que a indireta foi pra eles, mesmo não sendo. São essas pessoas que validam a afirmação de que uma indireta é que nem uma granada, você mira em um e ela bate em dez.

    Agora podemos finalmente chegar no caso da indireta de Marília Mendonça. Primeiramente devemos ressaltar a fome que a internet tem de degustar a treta dos outros. No final todo mundo fica vendo video de gatinho, de gente caindo ou de acidente na Rússia enquanto espera explodir a próxima treta. Principalmente se for treta entre gente famosa. Principalmente pelo fato de todos os artistas estarem competindo uns com os outros… Pelo menos na cabeça dos fãs.

    Muitas vezes as concorrências só acontecem na cabeça da gente. Artistas ou obras que compartilham públicos semelhantes, ou até o mesmo público, são imediatamente tidos como rivais e, mesmo que de fato sejam rivais, os fãs acabam transformando a rivalidade em uma espécie de guerra. Agora imagine que essa galera que gosta de ver o circo pegar fogo estava de bobeira no Instagram, ou no “Inxta” como dizem os jovens, e viu lá nossa comadre Marília falando alguma coisa pra suas amigas, a dupla Maiara e Maraisa. Obviamente não é difícil imaginar que, na cabeça dessas pessoas, TODAS as duplas sertanejas ou similares formadas por mulheres são todas inimigas mortais e só estão esperando um motivo pra declarar a Primeira Guerra (Sertaneja Feminina) Mundial. Imediatamente eles imaginaram que nossa comadre estava demonstrando de que lado ficaria quando a guerra começasse e ainda aproveitou a deixa pra catucar a dupla que é (teoricamente) a maior concorrente de suas amigas, a dupla das também irmãs Simone e Simaria. Se o plano dessa galera desse certo nós teríamos uma treta que encheria de alegria a internet brasihueira e provocaria uma verdadeira batalha campal entre os fãs das duas duplas.

    Aí quando eu olho pra um negócio desses a única coisa que eu penso é:

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Sério isso? Sério que a galera tá tão doida pra assistir uma confusão que tá inventando até indireta? Sério isso? Marília Mendonça tá fazendo tantas outras coisas mais interessantes e o pessoal se ocupa caçando indireta? Não vejo ninguém falando das demonstrações das habilidades etílicas da moça.

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E esse povo ainda quer falar de indireta.

Previsões Para 2017 (Segundo O Sobrevivente)

Esse ano eu resolvi assistir a um dos maiores clássicos do cinema moderno. Um filme sobre futuro distópico que marcou época e até hoje é considerado uma obra prima do cinema. Estou falando do maravilhoso…

O Sobrevivente 1987

Essa obra espetacular de 1987 mostra um futuro onde a merda virou boné tudo deu errado e o maior sucesso no mundo do entretenimento é um programa de TV chamado O Sobrevivente (The Running Man no original). O filme conseguiu me ganhar logo nos primeiros segundos, quando eu me deparei com as primeiras palavras do texto de abertura..

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“Por volta de 2017”. É assim que o texto começa e já que estamos quase em 2017, resolvi tomar esse filme como base para fazer previsões para 2017.

Primeiro vamos para as novidades. No começo do filme o personagem do nosso amigo Arnold vai pra casa do irmão dele. Chega lá na porta, digita a senha e entra. O problema é que o irmão dele não mora mais lá, a atual residente do apartamento é a mocinha do filme. Ou seja, em 2017 você não vai mais poder redefinir as suas senhas, principalmente quando estiver utilizando coisas que pertenceram a outras pessoas.

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Outra tecnologia que estará disponível para todos os cidadãos comuns é o controle de tudo dentro de casa com comando de voz. Os preguiçosos agradecem. Também temos uma amostra de como o fim do sinal de TV analógico vai nos beneficiar. Com o advento da TV Digital nós vamos poder realizar as mais diversas transações direto dos nossos televisores. No intervalo da novela você vai poder, por exemplo, planejar sua viagem pro Havaí.

 

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Aqueles que não conseguiram migrar para o sinal digital podem ficar despreocupados. Ninguém vai perder os programas de maiores audiência por causa de sinal incompatível. As redes de televisão vão transmitir seus programas diretamente para os telões instalados em locais públicos, de fácil acesso e com grande circulação de pessoas.

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Problemas com WiFi, redes sem fio e falta de conectividade entre os aparelhos? Tudo isso vai ficar no passado. Depois de dar um passo em falso para o futuro daremos dois em direção ao passado e tudo vai voltar a ter fio.

Claro que não devemos esquecer do maior programa de televisão do universo. Em 2017 os condenados pela justiça vão lutar por suas vidas no reality show mais bizarro e violento da história. Estou falando de O Sobrevivente. Obviamente os participantes usarão aparatos esportivos de ponta e serão patrocinados por grandes marcas do esporte, como aquela marca famosa das três listras.

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Agora vamos pra parte ruim do negócio. Para aqueles que detestam injeção temos uma notícia péssima. A partir de 2017 vão começar a aplicar injeção no lugar mais desgraçado possível. Se o termo técnico é “injeção interfalângica” já dá pra imaginar como vai ser.

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Para aqueles que sempre estão levantando acusações contra a manipulação de informação através da imprensa sensacionalista. Em 2017 chutarão todos os paus das barracas e a manipulação da informação vai ser descarada e absurda em níveis nunca antes vistos.

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Eu poderia continuar listando as maravilhas que o mundo retrofuturista de O Sobrevivente previu para o nosso 2017, mas eu não quero tirar toda a graça desse ano que está só começando. Estou aqui esperando ansioso pra que tudo isso aconteça e você?

 

Rogue One e A Rebelião que Vale

    Na última quinta-feira, também conhecida como dia 15 de dezembro, estreou nos cinemas Rogue One: Uma História Star Wars. Um filme que prometia não só contar o roubo dos planos da Estrela da Morte, planos que movem toda a trama do primeiro filme lá de 1977, e mostrar que o universo de Star Wars não é só gente com sabre de luz e os problemas familiares dos Skywalker. E nesse segundo ponto que o filme faz valer um post.

    Faz 39 anos que o primeiro Star Wars chegou no cinema. Faz 39 anos que as tramas dos filmes tem relação com algum Skywalker e faz 39 anos que a tal galáxia muito muito distante é virada do avesso por causa dessa família do barulho que se mete em altas confusões. Esse ano resolveram acabar com a ditadura Skywalker e mostrar que Star Wars é tão grande quanto a galáxia onde as histórias se passam.

    Antes de ver o filme, li muita gente falando que Rogue One tinha um jeitão de Império Contra-Ataca. Isso é um elogio e tanto, levando em consideração que o Episódio V, além de ser o MELHOR filme da franquia, é o Star Wars que tá na cabeça de todo mundo. Sabe a Marcha Imperial? É do Episódio V. Lembra de Yoda ensinando Luke a usar a força? Também aconteceu no Episódio V. Obi-Wan Kenobi aparecendo como fantasma, a cena das naves rebeldes derrubando os walkers imperiais com cabos de tração, ou o romance de Leia e Han e Darth Vader sendo vilão no sentido mais forte da palavra? E de uma das frases mais icônicas do cinema?

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    O Episódio V mostra tudo ainda acontecendo. Começa no meio da história, apresenta um monte de conflitos que, quando são solucionados, dão um final pro filme, mas não dão um final pra história. Os personagens ainda estão crescendo, as peças ainda estão se movendo no tabuleiro e tudo é só uma preparação pro final daquela história. Rogue One é exatamente isso, principalmente na parte do Darth Vader sendo vilão no sentido mais forte da palavra, mas consegue ainda mostrar um lado do Star Wars tão pouco explorado que chega a ser ignorado nos outros filmes. Rogue One é uma história sobre pessoas, pessoas excepcionais. Pessoas excepcionalmente comuns.

    A gente pode definir esse filme como um “Star Wars Chão de Fábrica”. Apesar de vitais nas suas próprias histórias, os personagens principais não são, pelo menos até em certo ponto da trama, importantes dentro do universo do filme. Nenhum deles é o último de uma ordem ancestral de guerreiros místicos, uma representante de um planeta no senado galático ou um contrabandista famoso com a cabeça a prêmio. São espiões, assassinos e sabotadores. Aqueles caras que normalmente são interpretados por atores que entram mudos e saem calados. Personagens que normalmente não chegam nem aos pés das habilidades dos heróis da história. Aqueles que mais sofrem as consequências do conflito entre o Império e a Aliança Rebelde.

    Eu posso continuar listando um monte de coisas, mas pra mim a melhor parte de tudo é: NÃO TEM JEDI.

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    Rogue One provavelmente foi o filme que mais me deixou na carência de Star Wars. Entre o sábado, quando assisti o filme pela primeira vez, e a terça, quando vi o filme pela segunda vez, eu reassisti a trilogia clássica, assisti uns 5 episódios da segunda temporada de Rebels e marquei jogatina de dois jogos de Star Wars diferentes. Além de ter conversado muito sobre o filme por aí.

    Rogue One foi o primeiro filme do universo Star Wars que não tem um número, não faz parte de uma trilogia e não tem nenhum Skywalker gerando a treta. Foi provavelmente o Star Wars com mais pluralidade étnica e com mais mulheres com papéis de destaque. Foi o Star Wars com mais cara de guerra nas estrelas e fora delas. Se pensarmos direito, esse One no nome do título é merecido. Rogue One não foi só pioneiro em alguns sentidos, mas também se tornou algo único. Mesmo que façam algo parecido, ainda vai ser algo “tipo Rogue One”. Ele pode não ser o melhor filme da franquia Star Wars, mas sem sombra de dúvida ele tem o melhor da franquia Star Wars nele.

Ah, e para aqueles que reclamaram de ter mais um filme com uma mulher de protagonista, eu só digo que Mel Lisboa Jyn Erson é a melhor rebelde de todos os tempos.

(Finalmente) Acabou O Campeonato Brasileiro

    Existem coisas que demoram. Existem coisas que parecem mais que nunca vão acabar. Existem coisas que parecem infinitas… E existe o Campeonato Brasileiro.

    Quem me conhece sabe que eu tenho pouquíssima afinidade com futebol. O time indo bem ou mal, pra mim faz muito pouca diferença. Algumas vezes é até divertido entrar na brincadeira e tentar irritar alguém que leva essa história de bola mais a sério. Tem vez que eu presto atenção na tabela pra ter mais assunto pra conversar com meu pai e nas copas do mundo eu vou na casa do meu avô assistir o jogo do Brasil e torcer pelo naufrágio da seleção canarinho. Mas em todo o universo do futebol existe uma coisa que eu odeio: o Campeonato Brasileiro.

    Antes de continuar gostaria de avisar aos meus amigos torcedores que não é nada pessoal. Eu entendo (pelo menos parcialmente) a paixão de vocês pelo nobre esporte bretão e pelas agremiações futebolísticas que moram em seus corações. O problema não é, pelo menos não totalmente, com vocês. Meu problema é com todo o resto.

    O Brasileirão é uma coisa que enche o meu saco. Começa com o fato do campeonato ser praticamente infinito. O Campeonato Brasileiro começa em maio e termina em dezembro, ou seja, dura de sete pra oito meses. Se uma mulher engravidar na primeira rodada do campeonato, existe uma possibilidade dela segurar o filho nos braços no mesmo momento que o capitão do time campeão levanta a taça. Pra você ter uma ideia, toda a temporada européia de futebol acontece numa janela de dez meses, e se o pessoal lá disputasse as partidas com os mesmos intervalos que disputa o pessoal aqui, é certo que duraria muito menos.

    Outra coisa que desperta o ódio no meu coração é o tanto que se fala de futebol por causa do Campeonato Brasileiro. Imagine o tempo que é destinado em todos os noticiários, ou o espaço destinado em todos os jornais e o quanto que existe de conteúdo na internet sobre coisas relacionadas ao futebol Tá lá você vendo de boa as desgraças notícias do dia ou alguma discussão sobre um tema mais sério. Aí do nada para tudo pra falar sobre futebol…

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    Mas aí chegamos no terceiro ponto que sustenta a minha aversão pelo Brasileirão: conversa sobre futebol me cansa. Eu entendo perfeitamente quando uma pessoa fala sobre o que acontece com o seu time e até acho normal falar disso. O que me cansa é quando as pessoas começam a falar sobre TUDO que está rolando no campeonato. Lá vai um que começa a falar da lesão de fulano, da recuperação de num sei quem, de outro beltrano que tá jogando muito, de outro que foi vendido. E por incrível que pareça o assunto NUNCA esgota. Basta ligar no rádio e ouvir algum programa sobre futebol pra ver. Os caras passam literalmente HORAS falando sobre futebol e muitas vezes eles passam horas falando da MESMA COISA e o assunto NUNCA ACABA.

    Pode parecer chato da minha parte, mas num país onde futebol é o assunto preferido de uma parcela grande da população, é praticamente impossível ficar isolado de toda a comoção, discussão, briga e derivados que são gerados por causa da bola. Pelo menos acabou, finalmente acabou, demorou que só, mas acabou. Até o Brasileirão acabou e 2016 não acaba. Esse ano tá demorando a passar mesmo

A Mentira Nossa de Cada Fim de Ano

Dezembro está no ar e com ele a temporada de fim de ano. Essa época tão peculiar do ano que é carregada de mentiras e enganação. E foi por causa de um amigo meu que eu parei pra pensar em como o fim de ano é um aglomerado de mentiras, invenções e derivados.

A mentira já começa na infância, onde somos induzidos a pensar que os presentes que ganhamos são trazidos por um velho escandinavo obeso que voa pelo mundo em uma velocidade sub-lúmica em seu trenó puxado por renas voadoras. A pior parte disso tudo é que os nossos pais, que normalmente compram os nossos presentes, não recebem nenhum crédito. Mesmo gastando um pedaço considerável do seu salário, nossos pobres genitores têm seu esforço eclipsado pela figura vermelha e redonda vinda sei lá de onde. A pior parte disso é que normalmente são eles que nos induzem a acreditar no velho Noel.

Outra mentira contada é sobre o clima natalino. Por causa dos filmes, séries, desenhos e afins que consumimos, somos levados a pensar no natal como uma época cheia de neve, com pinheiro pra todo lado, boneco de neve e essas coisas. Todos os enfeites remetem a neve, frio, gelo, inverno e essas coisas que só existem nos países mais pra cima do globo. Só que nós vivemos, como diz aquela música, rente aos trópicos, onde as águas de março costumavam (em alguns lugares ainda costumam) fechar o verão. Note que são as águas DE MARÇO que acabam com o verão e fazendo a conta inversa é fácil perceber que o nosso natal acontece no começo do verão. Ou seja, não dá nem pra dizer que tá pegando uma brisa fresquinha no natal, quanto mais associar o aniversário de Jesus com alguma coisa fria. E isso me lembra mais uma invenção do fim de ano.

Não sei se você sabe, mas em lugar nenhum da bíblia tem dizendo quando Jesus nasceu. É bem provável que ele tenha nascido no meio do ano, já que o relato biblíco fala de pastores dormindo no meio do campo e acordando com um coral de anjos e em dezembro faz muito frio lá pros lados da palestina, impossibilitando os pastores de dormirem ao relento com seus animais. Aí você pode estar se perguntando: “e de onde a gente tirou que Jesus nasceu no natal?”. Devemos isso aos nossos compadres romanos, que estavam numa vibe de adorar um deus chamado Mitra antes do imperador se converter a uma religião quase recém nascida chamada cristianismo. Por causa disso os cristãos deixaram de ser comida de leão do coliseu e o imperador decidiu que todo mundo tinha que ser cristão junto com ele. Mas até pro imperador romano é meio ruim de convencer todo mundo a mudar de crença do nada, por isso ele aproveitou que Mitra tinha uma história parecida com a de Jesus, instituiu o aniversário de Cristo no fim do ano e pediu pra galera bater parabéns pra ele em vez de fazer isso pra Mitra.

Como você pode ver o final de cada ano é cheio de enganação e de histórias mal contadas. Praticamente tudo que a gente faz não tem o seu propósito original ou é a adaptação de alguma coisa mais antiga. No final todos nos deixamos enganar, até porque uma coisa que costumamos evitar no fim do ano é parecer chato, e ficar reclamando de todas essas mentiras contadas desde sempre nos faz parecer bem azedos.

2016, Um Ano para Recordar (?)

    Esse ano um evento movimentou as interwebs. Do nada os meus feeds foram invadidos por todo o tipo de manifestação apaixonada, sites que eu visito começaram a falar sobre isso, podcasts que eu escuto foram afetados e pessoas que eu conheço foram totalmente absorvidas pela magia desse acontecimento. Esse ano rolou o retorno/despedida de Gilmore Girls. Aqui no Brasil a última temporada das Lorelai lá ganhou um subtítulo bastante sugestivo: Um Ano para Recordar. Depois de filtrar todo esse excesso de nostalgia e overdose de Lorelai, café, diálogos rápidos e fãs tirando a poeira do Stars Hollow que existe dentro de seus corações, meu cérebro começou a trabalhar.

2016 está no fim. Hoje é o último dia de novembro e amanhã começa oficialmente o fim do ano. Finalmente os enfeites de natal estarão dentro do contexto, os comerciais da Coca-Cola vão mostrar a magia dessa época e vão começar a anunciar a programação de fim de ano da Globo. Pensando sobre o final de mais um ciclo solar e em todas as desgraças coisas que aconteceram nesses trezentos e trinta e poucos dias me veio a seguinte questão: 2016 é um ano para recordar?

Nem sempre os anos são memoráveis. Muitas vezes os anos são tão qualquer coisa que a gente vive lembrando das coisas que rolaram nele como se acontecessem em algum outro ano que foi mais relevante. Outras vezes os anos são tão bons que a gente nem se incomoda dele demorar um pouco mais a passar, outras vezes o bom e o ruim se equilibram de tal forma que fica difícil de saber se o saldo do ano foi negativo ou positivo. Algumas vezes os anos são 2016.

É bem provável que 2016 termine com um saldo negativo pra maioria das pessoas, mas de todo jeito algumas coisas boas aconteceram em 2016 pra todo mundo. Olhando para o calendário eu vejo que o ano pareceu longo por causa do tanto de coisa que aconteceu e quando eu penso mais um pouco vejo que apesar de muito canalha, 2016 foi um ano que trouxe consigo muitas coisas legais. Talvez não em número suficiente pra suplantar as coisas boas, mas em número suficiente pra nos fazer aguentar até agora esse ano cão. É só procurar que dá pra achar, é só catucar que aparece é só raspar que eu tenho certeza que tem.

É bem provável que o meu 2016 seja melhor de lembrar do que foi de viver. Inclusive algumas das coisas boas desse ano aconteceram dentro das páginas deste humilde blog. Conquistas pequenas como a publicação de número cem, os cinquenta contos de segunda, a página do Facebook e o primeiro aniversário, são tão significativas e tão banais quanto todas as outras pequenas coisas que aconteceram fora da internet. Em algum momento algo bom aconteceu no 2016 de todo mundo. Nem que seja o retorno/despedida de uma série que mora no coração.

Eu, Você e A Indecisão

    Desde ontem uma pergunta martela na minha cabeça: sobre o que escrever no post de quarta? Lembrei que queria escrever um negócio faz tempo, mas depois senti que devia escrever sobre outra coisa, cogitei usar um tema sobre o qual estou querendo muito escrever, mas só vai sair em dezembro por ser um post com a cara do fim do ano, também veio à mente uma conversa que tive ontem e hoje percebi que tinha esquecido de fazer um post sobre uma determinada música. O resultado disso tudo foi que eu não não consegui escolher. A minha sorte é que aqui eu posso escrever sobre tudo e qualquer coisa, inclusive sobre não conseguir escolher as coisas. Hoje vamos falar de indecisão.

    Até um tempo atrás a gente conseguia ser mais assertivo com as coisas. Um dos males da modernidade e da ascensão do capitalismo é que nós temos opção demais pra tudo. Tudo que é possível consumir apresenta um leque de opções tão grande que escolher está cada vez mais difícil. Desde uma roupa ou um celular, até os filmes no Netflix ou os jogos em diversas plataformas, pra tudo temos opções suficientes pra perdermos horas escolhendo e não nos decidirmos por nada.

    Imagine que você precisa comprar um calçado. A primeira escolha é: loja física ou virtual. Depois você precisa escolher a loja e finalmente iniciar as buscas pelo modelo desejado. Se você estiver ciente exatamente do que você precisa já temos metade do caminho andado, se não você se lascou e muito provavelmente vai perder um tempo considerável perdido entre todos os sapatos, sandálias e derivados. É bem provável que a impossibilidade de escolher te faça comprar mais de um ou de comprar nenhum. Depende também da verba disponível, saldo do cartão de crédito e mais algumas outras variáveis dessa natureza.

    Percebeu que a simples compra de um calçado apresenta uma quantidade enorme de escolhas que precisam ser feitas? Pois é, pequena criança leitora, veja o tanto de escolhas precisamos fazer antes de colocar um pé no chinelo. Agora imagine que a todo momento fazemos escolhas. Boa parte delas são automáticas e para nós nem se parecem com escolhas, já que a decisão é tão rápida que nem parece que escolhemos alguma coisa. Agora imagine que muitas das alternativas apresentadas parecem igualmente boas, ou igualmente ruins. Imagine que a pessoa que precisa escolher não sabe bem o que diabos ela quer. Eis que surge a indecisão.

Algumas pessoas são indecisas por natureza. De fato nem sempre é possível decidir ligeiro sobre algo, mas eu imagino o pânico sentido por uma pessoa que não consegue decidir nunca ou a raiva que sente uma pessoa que depende de uma pessoa indecisa pra saber o que deve fazer. Agora imagine isso em um mundo que cada vez mais se esforça pra nos deixar na dúvida. É, eu também achei essa imagem mental uma bosta.

Eu sei que muitas ideias me ocorreram para o final deste post, mas como não consegui escolher nenhuma vou encerrar por aqui mesmo.

Pode Até Ser Bom, Mas Eu Não Gosto

Uma coisa que eu demorei pra aprender foi a ter (o mínimo de) respeito pelo gosto dos outros, afinal já dizia o ditado: “gosto é que nem braço, tem gente que não tem”. De fato muita gente não tem um gosto, digamos, refinado ou que faça sentido. De fato tem gente que gosta de coisa ruim, mas o foco de hoje não é exatamente esse. Da mesma forma que achar uma coisa ruim boa é relativamente comum, também é comum achar uma coisa boa ruim, mas e quando você sabe que uma coisa é boa em um, ou vários, aspectos, mas mesmo assim você não gosta?

Como eu já falei por aqui um tempo atrás, hoje tudo anda bem polarizado. A famosa escala “de 0 a 10” ou “ de 0 a 5 robôs gigantes estrelas” acabou virando uma escala de “0 ou 10”. Mesmo sem querer a gente acaba absorvendo um pouco esse pensamento polarizado e quando a gente se depara no meio termo fica meio sem saber o que fazer ou sentir. Você olha pro negócio, vê que realmente aquilo tem um certo valor ou relevância, consegue reconhecer os méritos da coisa, mas… Sei lá… Né? Não dá aquele estalo, não rola aquela identificação e você não é cativado.

Coisas desse tipo acontecem comigo com uma certa frequência quando a conversa é música.  Eu consigo reconhecer a importância, o pioneirismo e a qualidade de um monte de gente. Consigo escutar um monte de coisa dos Beatles, Frank Sinatra, Queen, Chico Science e outros gigantes famosões da música sem achar ruim. Em algum momento vai ter alguma coisa que eu vou até gostar, mas eu ainda vou olhar praquilo e sentir que não é pra mim. Parece meio doido, né? Não achar ruim, achar bom em um certo grau e não conseguir gostar parece contraditório ou no mínimo incoerente. Principalmente porque eu sei que gosto de coisas piores, com bem menos qualidade e muito menos relevância, mas que de certo modo conseguiram me cativar. Claro que isso não acontece só com música. Filmes, séries, jogos, livros, comida e tudo mais que pode ser avaliado de alguma forma ou que esteja aberto ao gosto das pessoas segue essa mesma lógica.

Na vida a gente já tem obrigações demais, boa parte delas são obrigações ilusórias impostas pelos outros ou por nós mesmos, a gente não precisa se sentir cobrado a gostar disso ou daquilo. Inclusive a última coisa que deveriam cobrar da gente, ou que nós deveríamos cobrar de nós mesmos, é gostar de alguma coisa. A gente já tem seguro obrigatório, voto obrigatório, alistamento obrigatório, cadastro obrigatório, exame obrigatório, sorriso obrigatório e mais um monte de coisa obrigatória, deixa pelo menos o gosto, seu, meu e dos outros, ser facultativo.

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