Não é um blog sobre cachorros e bikinis

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Bem-Vindo Ao Mundo Bizarro

Lembro bem como estavam as coisas ontem quando eu fui dormir. A gasolina ainda estava cara, a novela ainda estava ruim, todo mundo ainda estava falando do Enem e nada parecia muito fora do normal. Aí eu acordo de manhã e vou olhar minhas mensagens no Whatsapp e vejo um amigo falando:

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Foi quando eu pensei “ah, mas isso foi antes de terminar a apuração, deixa eu ver aqui no Google como tá o resultado”. Entro no Google, digito “eleição estados unidos” e o buscador sacode isso aqui na minha face:

Resultado

Minha reação foi essa aqui:

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Passado o choque inicial eu parei pra pensar e chego à conclusão de que o mundo realmente ficou maluco. Não vou comentar a persona polêmica de Doutor Tiririca Donald Trump. Também não vou comentar que ele deve ser a pessoa mais maluca que já sentou em cima do botão da bomba atômica. Vou me ater apenas a alguns fatos

Donald Trump provavelmente é uma das pessoas mais odiadas dos Isteites. Ele é odiado, desde o começo da campanha dele nas primárias, por todo o eleitorado do partido adversário. Ao longo da campanha ele começou a ser odiado por todo mundo que estava concorrendo com ele pela vaga de candidato do partido republicano. Depois que ele ganhou a vaga do partido começou a campanha presidencial de fato e ele começou a ser odiado por boa parte dos outros políticos do partido dele e por uma parcela dos eleitores republicanos. Apesar de tanta gente odiando nosso compadre do topete, ele venceu. Mais alguém além de mim achou que os norte americanos estavam jogando uma espécie de jogo do contrário? Sabe onde mais tudo acontece ao contrário? Lá mesmo, no Mundo Bizarro.

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Caso você não saiba do que estou falando vou fazer um resumo ligeiro. O Super-Homem Bizarro é uma cópia imperfeita do Super-Homem que não só pensa, mas também age segundo uma lógica invertida. Mais ou menos como aconteceu na eleição de ontem pra presidente dos Estados Unidos.

A única coisa que posso dizer a todos vocês é: bem-vindo ao mundo bizarro. A partir de agora é bem provável que as maluquices desse mundo de meu Deus só aumentem e tudo vire uma espécie de versão absurdamente alucinada da nossa realidade. As eleições municipais de 2016 no Brasil foram um sinal claro de que o as coisas estão todas alopradas, mas a vitória de Trump realmente abriu as portas pra o Mundo Bizarro. Agora vamos esperar pra ver se as coisas vão pro saco do jeito que todo mundo espera. Eu sinceramente espero que não e mais do que isso espero que no Mundo Bizarro o Brasil tenha um pouco mais de sorte, porque no normal tá tenso o bagulho.

Quarta-feira Feriado

    Hoje é quarta-feira. Hoje também é feriado. Provavelmente já saiu alguma publicação do Cachorros de Bikini em uma quarta de feriado, mas como eu já falei do Dia de Finados no ano passado, achei por bem terminar o dia de folga com um comentário breve sobre esse evento tão trivial. Hoje vamos falar dos feriados de quarta.

Uma das coisas que comprovam que o cérebro do ser humano não é lá grande coisa é a nossa capacidade de ser enganado pelos padrões. A repetição e a rotina acabam deixando nosso cérebro meio acomodado e ele acaba só gastando energia pra processar aquilo que aparece de diferente. Boa parte da nossa vida foi pré-renderizada pelo nosso cérebro e se algo muda no meio da repetição da nossa rotina simplesmente nosso cérebro não processa. E a forma como o feriado da quarta-feira deixa isso claro chega a surpreender.

Normalmente feriados que acontecem na primeira ou na segunda metade da semana têm gosto de feriadão. Nem sempre dá pra rolar o velho emprensado, mas dentro das nossas cabeças o sábado juntou com a quinta e a terça com o domingo. Já a quarta-feira está tão longe dos extremos da semana que o máximo que ela consegue causar é confusão. Começa que uma semana que tem feriado na quarta pode ou não ter duas terças e duas sextas, ou uma de cada em posição trocada. Muitas vezes a terça é vista como uma sexta antecipada, justamente por ser antes da folga, e a sexta chega quase como uma terça por ser o segundo dia depois da folga. O que acaba acontecendo é que a semana termina antes de nos darmos conta que não começamos outra semana. De fato a sexta-feira menos sexta-feira é a que vem depois do feriado da quarta. Mas basta prestar um pouco mais de atenção no calendário que a percepção de tudo isso volta ao normal. Meio doido, né?

Na prática o feriado da quarta transforma o resto da semana em uma espécie de Gato de Schödinger do calendário. Os dias podem ser eles mesmos ou podem ser outros e ainda sendo eles mesmos. Depende exclusivamente do observador.

Sério Que Já É Natal?

Primeiramente fora Temer preciso dizer que esse texto está algumas semanas atrasado. É bem provável que ele tivesse bem mais efeito se fosse lançado pelo menos uns quinze dias antes, mas como eu tinha algumas outras inutilidades pra usar de tema acabado de sair de um hiato de um mês e não tive essa ideia antes tinha outros temas mais importantes pra falar esse daqui acabou ficando pra depois.

Estamos em outubro, também conhecido como décimo mês do ano, e todo mundo sabe que daqui a dois meses estaremos celebrando o Natal. Também é sabido que no Natal as pessoas usam enfeites diversos que fazem alusão à coisas que o comercial da Coca-Cola e os filmes da Sessão da Tarde ensinaram que fazem parte do Natal. Até aí tudo normal, pelo menos até eu reparar que estamos em outubro e já tem enfeite de Natal no meio da rua desde o começo do mês.

Sério isso? Sério que já tem enfeite de Natal por aí? A primeira parcela do décimo terceiro nem caiu na conta e já tem pisca-pisca? As crianças nem enjoaram de brincar com os presentes do dia 12 e já tem guirlanda pendurada? As confraternizações ainda nem foram marcadas, a maldição do amigo secreto não retornou e já tem árvore de Natal por aí?

Do jeito que as coisas vão o Natal vai acabar que nem os modelos novos de carro. Em Abril já tem modelo de carro saindo como modelo do ano que vem. Se continuar nesse ritmo o que vai definir a data é se a páscoa cai em março ou abril. Convenhamos que ficaria estranho colocar os enfeites da festa que celebra o nascimento de Jesus antes de relembrar a morte e comemorar a ressurreição dele. Caso contrário seria uma versão do Tarantino pro nosso calendário.

É bem possível que tudo isso seja pressa pra terminar o ano. 2016 tá um ano meio cabuloso e já tem gente querendo pular pra 2018. Se não dá pra pular tanto assim o que resta é dar a dica pra ver se 2016 entende a indireta e termina antes do tempo. Vai ver que estão sem lugar pra guardar os enfeites e assim que podem já tão colocando os penduricalhos na rua pra otimizar o espaço. Foi assim que o boneco que efeita o escritório que eu trabalho passou quase cinco anos comemorando todos os feriados, inclusive o Natal.

Depois de tanto conjecturar não chego a uma conclusão. Não sou especialista em ciclos comemorativos ou conheço a lógica por trás das decisões dos donos das lojas e demais estabelecimentos comerciais. Só acho que a gente já vive rápido demais, não precisa apressar ainda mais as coisas.

Criança Feliz Quebrou O Nariz

Hoje estava eu matutando sobre a vida, o universo e tudo mais quando lembrei que em outubro do ano passado este humilde blog estava de recesso. Foi por causa disso uma das datas mais importantes do nosso calendário não apareceu nas nossas páginas azuladas, mas eis que o nosso amigo calendário nos dá a oportunidade de falar sobre essa data maravilhosa em tempo real. Afinal hoje é 12 de outubro, hoje é Dia das Crianças.

Caso você esteja pouco familiarizado com o termo ou não esteja ligando o nome à pessoa, uma criança é um ser humano em seus anos iniciais de vida. Suas características principais são a estatura inferior à dos adultos do seu grupo familiar, inocência, imaturidade, imaginação fértil, uma compreensão abstrata e pouco convencional da vida, imunidade à repetição de desenhos animados, músicas e filmes, e a perda periódica dos dentes. Além disso as crianças possuem o poder mutante de se livrar miraculosamente de uma morte certa. Essa habilidade foi desenvolvida por causa da atuação feroz da força gravitacional sobre elas, fazendo com que o infante passe boa parte da sua vida infantil beijando o chão

Diante da singularidade desse ser tão exótico, chego à conclusão de que um dia dedicado à elas é até bem justo, já que existe dia do homem praticamente todas as categorias tem um dia pra chamar de seu. Principalmente por que acaba fazendo todo mundo lembrar um pouco de como é ser criança.

    Nem todo mundo deixa de ser criança. Nunca antes na história da humanidade as pessoas foram tão imaturas ou passaram tanto tempo pra amadurecer, mas o focinho adulto que vemos no espelho colabora pra encurtar a nossa memória e acabamos esquecendo que aquele pirraia catarrento não só está bem vivo por baixo da nossa pele, mas também que não nos tornamos pessoas muito diferentes da nossa versão mais jovem. E é no dia 12 de outubro que paramos pra aquecer nosso coração com as nossas lembranças dos primeiros anos das nossas vidas.

    Mais do que o dia para as crianças, o 12 de outubro é uma celebração da infância. Um momento pra recordar, pra presentear seu infante preferido ou simplesmente uma oportunidade de colocar uma foto antiga no Facebook. Pra finalizar eu gostaria de pedir desculpas aos meus amigos católicos, mas pra mim o feriado do dia 12 de outubro sempre vai ser por causa do dia das crianças.

 

Um Dia Eu Peguei e Fui Embora

Foi ano passado, também conhecido como o ano da graça de Nosso Senhor de 2015, que eu li Cidades de Papel. Li pra poder gravar um episódio do Epifania, podcast da Roda de Escritores, que sairia junto com o filme. O podcast nunca foi gravado, mas pelo menos eu gostei do livro e por causa dele parei pra refletir sobre um conceito bem interessante: a sensação de ir embora.

Em Cidades de Papel temos uma moça chamada Margot Roth Spiegelman que é famosa por desaparecer de tempos em tempos. Em dado momento a jovem comenta sobre a maravilhosa sensação de ir embora, sobre como é libertador deixar tudo pra trás e desaparecer. A ideia de sumir do mapa sempre habitou meu imaginário, tanto que um dos meus poucos contos publicados antes do blog tratava um pouco disso, mas foi só depois de ler Cidades de Papel que eu realmente tive vontade de saber como seria ir embora do nada. Esse ano finalmente aconteceu. Esse ano finalmente eu peguei e fui embora.

Teria sido mais legal se fosse sem aviso, mas não foi. Teria sido mais dramático se eu desaparecesse do mapa de um jeito que ninguém nem soubesse por onde eu andava, mas não foi nem perto. Eu não fugi de casa, eu saí do emprego, também não desapareci, só fiquei fora do alcance do radar das pessoas que trabalhavam comigo. Uma experiência muito banal, totalmente comum e sem qualquer traço do DNA de uma história fantástica, mas a sensação de fazer tudo isso não poderia ter sido melhor.

Ir embora, deixar tudo pra trás, acordar na manhã seguinte e lembrar de como ontem tudo estava diferente me fez sentir mais próximo da legítima liberdade social do que nunca. Obviamente as contas continuaram vencendo no dia dez, o dólar continuou nas alturas e o preço da gasolina continuou pela hora da morte. Dinheiro não começou a brotar das árvores e não demorou muito pro emprego novo começar, mas o gosto doce de ter ido embora ainda se faz sentir quando eu paro pra pensar na vida.

Desconheço as suas aspirações em relação ao abandono das coisas e às partidas inesperadas. Não sei quantas vezes você já fez algo do tipo na vida, mas achei que não haveria forma melhor de encerrar um hiato. Ir embora pode ser sensacional, mas muitas vezes o bom mesmo é estar de volta.

Olimpíada Em Câmera Lenta

Os Jogos Olímpicos de 2016 encerraram no último domingo e, assim como suas edições anteriores, deixou uma quantidade incalculável de imagens impressionantes. Durante os poucos eventos que eu consegui assistir e acompanhando a cobertura dos Jogos nas internets cheguei à conclusão que Olimpíada é uma coisa pra se ver em câmera lenta.

    Como eu disse no dia da abertura, os Jogos por si só são uma das coisas mais incríveis do universo, mas, assim como tudo na vida, a beleza do evento olímpico está no detalhe. A beleza que se esconde na força, na técnica, no salto, na queda, no salto, no suor e na dor. Graças às transmissões podemos ver coisas que só são reveladas pela magia do replay, uma câmera lenta que supera qualquer slow motion do cinema. Detalhes que até um tempo atrás passavam invisíveis diante dos olhos de todos. Cenas que não foram ensaiadas para desfilar vagarosamente na tela do cinema, mas sim detalhes garimpados pelos olhos que miram a alta definição das câmeras.

    E o que dizer dos atletas? Não é de se estranhar que pessoas que eles dessem um jeito de levar para dentro das competições um pouco da sua personalidade. Não foi raro ver imagens de atletas com suas tatuagens, equipamentos personalizados e unhas decoradas. Dentro da rigidez dos regulamentos os competidores conseguiram levar um pouco de suas vidas pra dentro das arenas, ginásios e estádios. Seus desejos, suas motivações e seus sonhos entraram com eles em cada prova. Saber que Nathan Schrimsher competia “Por Você” ou que a arqueira carregava nos braços o desejo de ser “Melhor” e que Lee Eun-ju só queria registrar o momento em que competiu com a vizinha da Coreia do Norte, nos faz enxergar todos aqueles atletas como seres tão humanos quanto qualquer um de nós.

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Pessoas que estão ali vivendo o ponto alto de suas vidas. E não é de surpreender que aqueles que usam o corpo como ferramenta de trabalho registrem em seus corpos algo que suas mentes nunca vão esquecer.

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Pra encerrar convido a todos a acessar a galeria de imagens sensacional que está lá no site do jornal El País ou qualquer outra galeria com registros dos Jogos de 2016, até uma busca no Google Imagens tá valendo, mas não deixe de olhar os últimos dias de competição em câmera lenta. É impossível não se surpreender.

“Tira Foto e Põe No Instagram”

Ontem estava eu conversando pelo Vatezape com um amigo meu da faculdade. Entre um mensagem e outra eu falo que no futuro próximo vou fazer uma viagem a trabalho. Imediatamente ele me diz “tira foto e põe no Instagram”. Imediatamente eu me imaginei fazendo isso:

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Depois a conversa seguiu e eu não vi nada demais nessas palavras, mas depois eu parei pra prestar atenção e percebi que esse meu amigo já tinha chegado à conclusão de que esse era o único jeito de me fazer colocar algum registro dessa viagem na internet.

    Quem me conhece sabe que a minha vida nas redes sociais é totalmente low profile. Eu não faço check in, eu não coloco foto e no meu Instagram tem tudo, menos a minha cara. Não faço isso por qualquer tipo de convicção e nem tenho algo contra as pessoas que fazem isso de forma moderada e consciente. É mais uma questão de falta de vontade do que de qualquer outra coisa. Já que não dá vontade de colocar nada na internet, eu acabo esquecendo de registrar as coisas e de principalmente aparecer nas minhas próprias fotos.

    Diante disso não é de se estranhar que vez ou outra apareça alguém me falando coisas como “tira foto lá”, “tu tem que aparecer nas fotos” ou qualquer equivalente desses. Aparentemente algumas pessoas mais próximas realmente querem ver quando eu faço alguma coisa diferente ou quando eu vou pra algum lugar, até por que qualquer uma das duas coisas acontecem muito raramente e quando acontecem as pessoas que só tem contato comigo esporadicamente sequer ficam sabendo que tal fato aconteceu.

    Talvez minha cabeça ainda esteja no tempo em que as pessoas chegavam pra falar com as outras e tinham um monte de coisa da vida pra contar. Hoje em dia quando algumas pessoas vão me contar alguma coisa sempre rola um “eu te vi falando no Facebook, como foi isso?”, fora as vezes que os assuntos já publicados em redes sociais nem entram na pauta, afinal todo mundo já sabe.

Talvez na minha cabeça as redes sociais sejam melhores pra compartilhar besteiras diversas, marcar amigos em coisas que eu acho interessantes do que pra… Digamos… Socializar. Muito provavelmente se alguém quiser fuçar nos meus perfis internéticos não vai ter muito no que fuçar. Obviamente ainda dá pra me ver sendo marcado em fotos e check ins de amigos, mas é bem provável que tenha mais coisa sobre mim no Cachorros de Bikini do que no meu Facebook. Por isso vou tentar lembrar dos amigos quando eu inventar de fazer alguma coisa que mereça um registro. Não garanto nada, mas vou tentar.

Eu, Você e Pokémon Go

    Acho que faz quase um ano que foi anunciado o Pokémon Go. Lembro que quando eu vi essa notícia a minha reação foi mais ou menos essa.

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    Lembro de ter pensado “ok, é um Pokémon pra quem não joga Pokémon”. Lembro de ter pensado que ninguém devia ter achado essa história de Pokémon pra celular grandes coisas. Aos poucos percebi que eu estava errado, um comentário aqui, uma notícia ali e não demorou muito pra ter um monte de gente em efervescência falando como ia ser legal, não vou precisar comprar um vídeo game pra jogar Pokémon maravilha da tecnologia e derivados. Foi então que eu notei que muita gente, mas muita gente mesmo queria jogar Pokémon Go.

    Antes de continuar devo abrir um parênteses. Eu me considero um fã dos jogos Pokémon. Já gastei algumas centenas de horas da minha vida jogando Pokémon, ou seja, qualquer palavra desse texto está totalmente desprovida de qualquer tipo de ódio por Pikachu e seus amigos. Sigamos com o tema.

    Pokémon Go é a confirmação da minha teoria de que Pokémon é uma doença. Se o vírus dele te infectar é pra vida toda. Mesmo depois de um, dois, dez, quinze anos sem nem ver um Pikachu na sua frente, basta o mínimo de interação com qualquer coisa relacionada a esses bichos malditos maravilhosos que tudo volta com força. Se não acredita basta dar uma sacada nesse infográfico divulgado esses dias e que eu roubei lá do site Pokémon Blast News.

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    Praticamente metade dos usuários ativos acima dos 13 anos de idade tem entre 18 e 29 anos. Isso quer dizer que metade dos usuários do aplicativo eram crianças no tempo em que a febre do Pokémon pegava mais gente que dengue e zika. Uma geração inteira que teve muito pouco ou nenhum contato com os jogos da série e guardou o sentimento de o desejo de treinar seus próprios pokémons durante a vida inteira. Pessoas que eram órfãs e não sabiam, pessoas que sempre quiseram jogar uma pokébola e ver um “Gotcha!” na tela ou ter o gosto de triunfar em uma batalha difícil contra um líder de ginásio. Milhões e milhões que nunca de fato foram até o Pokémon, mas que estavam de braços abertos quando Pokémon chegou até eles. Aí você me pergunta onde eu fico nessa história toda?

    Fico aqui de boa só observando essa loucura. Qualquer dia eu faço um post só sobre como o mundo enlouqueceu por causa desse negócio, mas existe uma chance muito remota de eu jogar Pokémon Go. A curiosidade que eu tinha está sendo satisfeita pelo que eu converso com as pessoas que estão jogando. O único motivo que eu vejo pra jogar é ter muito mais gente pra batalhar interagir do que no jogo normal, mas ainda assim a novidade que me anima é novo Pokémon que sai agora em Novembro. Pokémon Go pode ser o que for, mas não tem um Sandshrew iglu.

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    Já dizia o filósofo: “Temos Que Pegar”.

Você Não Sabe de Nada, João das Neves

Todo mundo que atualmente habita nas internets sabe que um dos personagens mais populares da atualidade é Jon Snow. Personagem preferido de muitos fãs de Game of Thrones e um dos meus personagens preferidos d’As Crônicas de Gelo e Fogo, João das Neves é um cara relativamente azarado fora da série. Mesmo depois de fazer e acontecer nas últimas seis temporadas de Game of Thrones e em quatro dos últimos cinco livros, ele tem todas as suas proezas ofuscadas por uma única frase.

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    Isso mesmo, por causa dessa moça ruiva o bastardo preferido da cultura pop ficou conhecido como o cara que não sabe nada. De fato Jon Snow percebe que no fim das contas ele não sabe de nada. Seguindo o exemplo de João das Neves, eu já me convenci tem um tempo que eu não sei de nada, mas acho que até essa semana eu nunca tinha percebido o quanto eu sei pouco. Por uma grande coincidência essa epifania me ocorreu por causa de uma moça ruiva.

Aconteceu no último domingo. Estava eu conversando com uma comadre minha sobre uma conquista pessoal que ela tinha compartilhado no Facebook. Entre um ou outro parabéns acabamos conversando um pouco sobre a vida, o universo e tudo mais. Como em todas as vezes em que eu converso com essa minha comadre ruiva, a conversa terminou e eu fiquei com a sensação de que tava conversando com uma pessoa muito mais adulta que eu. Essa sensação pra mim é bastante familiar, até por que boa parte dos meus amigos é bem mais adulta que eu, mas nenhuma dessas outras pessoas é oito anos mais novo que eu e parece ser uns dez anos mais velho.

Não que seja muito difícil parecer mais adulto que eu, mas eu costumo ganhar da galera que nunca foi obrigado a votar ou que precisou fazer CPF pra poder se inscrever no ENEM. Não é muito difícil de imaginar que eu olhei pra minha tela de chat e cheguei à conclusão que o significado por trás de toda aquela troca de mensagens era: “você não sabe de nada, Filipe Sena”. Aí percebi que estávamos eu e Jon Snow no mesmo barco. Estávamos nós dois sem saber de nada.

A vida depois dos meus vinte anos me fez pensar que eu tinha virado adulto. De fato quando eu coloco meu disfarce e saio pra trabalhar, quando eu pago minhas contas ou quando eu fico com dor nas costas por passar muito tempo num banco sem encosto, eu me sinto adulto (seja lá qual for a sensação de se sentir adulto). Mas a realidade é que eu nunca precisei ser muito adulto, só o suficiente pra passar por média. Não que isso me incomode, não que adultecer seja uma meta pra minha vida, o lance é que lembrar que você tá sabendo tanto quanto Jão Snow e que tem gente que saiu do colégio mais adulto que você te faz parar pra refletir.

Pra finalizar gostaria de compartilhar com todos o jeito que eu encontrei pra me conformar com essa história toda. Quando eu vejo essa minha comadre ruiva nas internets sendo mais adulta que eu, basta lembrar que algum tempo atrás ela publicou no Facebucket que X-Men: Apocalipse tinha sido o melhor filme do ano até então… Ela pode até estar uns dez anos na minha frente, mas essa menina ainda tem muito o que aprender. Pelo menos nisso eu (acho que) ganhei dela.

Acho Que Já Falei Disso

Ter um blog é uma experiência que eu classifico como, no mínimo, interessante. Mas a parte interessante da parada nem tem muita relação com a repercussão dos posts ou com os temas em si, a parte legal é justamente o que fica por trás de toda essa geração de conteúdo. A tensão de ficar sem ideia, as buscas malucas que chegam no seu site e principalmente a administração das publicações dentro da sua cabeça. Em algum momento da vida eu fiquei com medo de chegar em um ponto de não ter mais do que falar, mas hoje percebi que o perigo real é esquecer que já falei de alguma coisa.

    Tudo aconteceu por causa do Dia do Amigo. Hoje, 20 de Julho, é o Dia do Orkut Dia do Amigo e também um dia em que eu estava seco de ideia. Como em todas as vezes em que eu estou sem ideia, olhei pro calendário e pensei “vou falar sobre o Dia do Amigo”, mas não demorou nem cinco segundos pra que eu lembrasse que eu fiz um post sobre o Dia do Amigo… No ano passado. Nesse exato instante me bateu aquele velho medo. Hoje eu lembrei, mas e se eu não conseguir lembrar todas as vezes?

    Contando com esta presente publicação, o Cachorros de Bikini publicou 155 posts. 102 desses posts pertencem à categoria “Crônicas e Similares”, onde eu publico textos sobre assuntos variados como este aqui. O blog tem um ano, ainda rola de lembrar mais ou menos dos principais assuntos publicados, mas já já o Cachorros vai ter dois, três quatro anos e esses 102 vão virar 204, 306, 408. E o que dizer da cabeça do autor do blog, conhecido internacionalmente como “eu”? Esse ser humano que, apesar de um nível relativamente satisfatório de inteligência, consegue se mostrar um verdadeiro quadrúpede em alguns momentos da vida. Como um indivíduo desse vai evitar esses momentos caducos da vida blogueira?

    Eu simplesmente não faço a mínima ideia de como vai ser. Se não acontecer, bom, se acontecer… Sei lá, sempre vai ter alguém que nunca me viu falando sobre aquilo, alguma opinião minha que mudou ou até mesmo alguma coisa que merece mais um ou outro parágrafo. Fico imaginando que não vai ser muito difícil ver alguma coisa repetida por aqui. Se eu ficar velho escrevendo nesse blog é certeza que isso vai rolar, mas aí eu vou ter uma desculpa. Afinal, velho gosta de repetir assunto, provavelmente eu não fugirei à regra.

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