Não é um blog sobre cachorros e bikinis

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A Barba Pode Chegar ao Fim em 2016

    Especialista diz que este pode ser o ano em que a barba chegará ao fim. Foi essa noticia que apareceu essa semana no meu feed do Facebucket. Obviamente o título da matéria me chamou a atenção, por dois motivos simples: eu sou um cara de barba e queria muito saber por qual motivo a barba “chegará ao fim” em 2016.

    A matéria saiu originalmente no The Independent e fala de como a barba está saindo de moda. “Se é só isso, então por que cargas d’água você está falando disso?”, deve ser isso que você, querido leitor, deve estar pensando. Na verdade não tem nada de interessante nisso, a parte legal disso tudo é a forma como o texto foi escrito e as informações que ele se baseou para chegar à conclusão de que em 2016 a barba será derrotada por outras tendências.

    Em entrevista à revista Times britânica, o historiador (sim, historiador) e especialista no assunto (sim, historiador especialista nesse assunto), Alun Whitey, comenta que a queda da barba está prevista desde 2013. Mas apesar das previsões os cabelos da face seguiram resistindo, firmes e fortes até o fatídico ano de 2016, quando novas tendências estão ameaçando os pelos do rosto. Segundo o historiador especialista, nos Estados Unidos já existe um novo ideal que se opõe à barba: o yuccie. Quando essa classe se tornar dominante a era das barbas chegará ao fim. Sinais do fim dos tempos (para as barbas) já podem ser vistos por aí.

    Fico pensando se as coisas realmente acontecessem como foi descrito na matéria. Um estilo é considerado rei, mas aos poucos uma trama política começa a ser tecida. Aos poucos focos de resistência começam a aparecer e as coisas caminham para a mudança no poder. Um novo estilo ascende e derruba um já estabelecido, iniciando um novo reinado da moda. Fico pensando o que aconteceria com aqueles que se negassem a aceitar o novo regime. Seriam considerados subversivos? Criminosos? Sofreriam represálias? Infelizmente o jogo da moda não está nem perto de ser um Game of Thrones, mas agradeço a Deus pela ditadura da moda ser algo que não me obriga a nada. Minha barba sobreviverá ao ano de 2016.

A Odisseia Espacial de David Bowie

No começo dessa semana recebemos a notícia da morte de David Bowie. A primeira coisa que preciso dizer é que eu não sou fã desse nobre falecido, meu conhecimento acerca da obra dele só é maior do que o conhecimento da minha avó sobre The Walking Dead. A segunda é que, apesar de saber praticamente nada sobre a obra do nosso compadre David, tem uma música dele que eu gosto muito. Uma música que eu conheci por um acaso e que conta uma história muito curta, mas tão profunda e impactante que eu não podia deixar de falar sobre ela, principalmente na semana em que o seu compositor partiu dessa pra melhor. Hoje prestarei uma pequena homenagem. Hoje vou falar sobre Space Oddity.

    Eu conheci Space Oddity quase sem querer, em um video de um canal gringo muito simpático chamado Glove and Boots. Nesse video eles fazem uma brincadeira com o astronauta Chris Hadfield, que fez um clipe tocando uma versão de  Space Oddity no espaço antes de retornar para a Terra. Foi a primeira vez que eu ouvi a história de Major Tom, pelo menos um trecho dela já que nas duas versões citadas acima o final da história do Major não é contada. Depois eu escutei a música e soube do fim da história. Foi quando eu me apaixonei por essa música.

    A música narra a viagem de Major Tom ao espaço. No começo só o que ouvimos é a voz do Controle da Missão. As orientações são passadas, a contagem regressiva é iniciada, “vá com Deus” diz o Controle da Missão, a nave decola. Ele consegue, chega ao espaço, a decolagem foi um sucesso. Os jornais vão querer saber até qual camisa Tom usava quando chegou ao espaço. Ele é autorizado a sair da cápsula, se tiver coragem. Pela primeira vez ouvimos a voz do Major Tom, ele sai pela porta, a música chega ao auge, ele começa a flutuar de uma forma muito peculiar, as estrelas que ele observam não se parecem muito com as que ele via na Terra. A música desce, o tom do Major não é mais eufórico, mas sim reflexivo. Sentado em seu pedaço de lata ele se sente impotente, diante do mundo azul. Ele sente como se ainda estivesse no mesmo lugar, apesar de ter viajado tanto. Aparentemente ele não sabe o que fazer, mas aparentemente sua nave sabe onde ir. Ele deixa que ela o leve. Ele manda uma mensagem de despedida para sua esposa. O Controle da Missão perde o contato com o astronauta. Tom continua sua reflexão, dessa vez na órbita da Lua. É o fim da música, mas não exatamente o fim da história.

    Posteriormente Tom aparece em outra música de Bowie. Nela ele é citado como uma espécie de drogado. A própria viagem de Tom narrada em Space Oddity é considerada uma alegoria para o consumo de heroína, mas isso já é outra história. Seja Tom drogado ou não, seja o seu foguete uma seringa cheia de heroína ou não, ainda temos uma história profunda de um homem que viajou para o lugar mais longe que ele conhecia, experimentou coisas que não seriam possíveis para a maioria dos seres humanos e percebeu que no final ele não tinha ido tão longe assim. Talvez ele não tenha voltado justamente por não ter ido para lugar algum.

Promessas de Bikini para 2016

2016 acabou de começar e claro que todos estão renovando suas promessas de ano novo. Já que o Cachorros de Bikini foi uma promessa de ano novo que eu cumpri com um ano de atraso, nada mais justo do que fazer uma lista de promessas para esse ano. Começando pelas mais fáceis.

    Primeiramente eu prometo continuar o volume de publicações atual, com pouco ou nenhum atraso. Isso quer dizer que todas as segundas, quartas e sextas teremos coisa nova aqui no Cachorros.

    Em segundo lugar eu prometo que esse ano eu tomo vergonha na cara e faço uma página no Facebook. O Cachorros precisa entrar nas redes sociais e eu já tô enrolando muito pra fazer isso, previsão de antes do fim de 2016 do primeiro semestre desse ano.

    Em terceiro lugar eu prometo continuar as histórias dos melhores personagens da série Contos de Segunda. Pessoas como Jorge, Cristina, Erick, Aluísio, Fernanda e Maurício vão continuar suas aventuras de início de semana em 2016. Não sei dizer quando ou com que frequência, mas esses carinhas ainda vão render boas histórias.

    Por último eu prometo que chegaremos a 2017. Não sei se vai ser difícil ou não, mas essa é a promessa que eu mais quero cumprir.

Retrospectiva 2015

    2015 acaba amanhã e nada mais justo do que o último post do ano ser um ligeiro resumo do que aconteceu ao longo desses últimos trezentos e sessenta e poucos dias. O texto de hoje é um pouco mais sério do que de costume. Espero que você não se importe.

    2014 foi um ano muito cabuloso. Graças a isso todo mundo esperava de 2015 uma folguinha. Mas no lugar disso tivemos um ano que se esforçou pra superar o seu antecessor. 2015 foi cabuloso na  mesma proporção, mas ele conseguiu ser cabuloso de uma maneira muito diferente. Esse ano foi o ano do absurdo.

    De dólar batendo quatro e vinte até barragem de lama rompendo, passando por pedofilia ao vivo pra internet toda ver e policial batendo em menor de idade. Esse ano foi um ano de notícias que não davam pra acreditar. Cada olhada no jornal era um exercício de incredulidade. Um ano em que descobriram que uma mulher que fugiu por engano da Coréia do Norte, vazaram uma carta do nosso vice-presidente e bloquearam o Whatsapp é um ano digno de nota. E não citei esses últimos exemplos por serem mais importantes, mas por serem tão absurdos quanto as coisas sérias que rolaram nesse ano cão.

    Particularmente eu considero que 2015 foi um grande aprendizado. Normalmente é isso que a gente consegue aproveitar de tempo ruim. Esse ano muita coisa deu errado, muita mesmo. Apesar da quantidade grande de cagadas e arrependimentos acabei aprendendo uma ou duas coisas. Não necessariamente as coisas que eu de fato precisava aprender, mas foi o que deu pra fazer. Esse ano eu atingi picos de stress nunca antes vistos, tive alguns dos momentos mais divertidos e emocionantes da vida, ganhei um LEGO de presente, comprei uma estante e finalmente coloquei o Cachorros de Bikini no ar. Comecei a ver coisas que eu não via antes e olhar de forma diferente pra coisas que eu sempre enxerguei.

    2015 nos deixa meio quebrados. Foram quase doze meses apanhando desse calendário que demorou pra terminar. A mensagem que ele deixa pra 2016 é simples: lute. Se 2015 foi carrasco, 2016 não quer ficar atrás. Lute. Esse ano tudo vai jogar contra a gente. Lute. Não precisa levantar bandeira nem se alistar em nenhum exército, basta enfrentar e resistir. Lute. Foram o que os bons exemplos de 2015 me mostraram. Foi o que eu aprendi com Imperatriz Furiosa em Mad Max, Rey em Star Wars e com várias mulheres de carne e osso que levantaram suas vozes em 2015. 2016 está nos chamando pra briga e não temos como fugir. Lute, mas se é pra lutar, lute como uma menina. Elas entendem muito bem disso, bem mais do que você pode imaginar.

 

Despertou

Foi em 2005. Lembro muito bem da comoção gerada, eu mesmo estava bastante animado pra fazer uma coisa inédita na minha vida: ver um filme de Star Wars no cinema. Não era qualquer filme, era a conclusão da nova trilogia, onde finalmente veriamos Anakin Skywalker se trasformar em Darth Vader. Independente dos defeitos do filme, ou da repercussão negativa que a trilogia nova teve entre os fãs, aquela era a despedida de Star Wars no cinema, pelo menos era isso que eu sentia na época.

    O Ano era 2012. Nesse ano recebemos uma notícia que pegou todos de surpresa: Star Wars foi comprado pela Disney. Todos sabiam o que isso significava, todos já podiam sentir o que estava por vir. Só precisávamos saber a data, mas todo mundo já sabia que Star Wars voltaria pro cinema e que não seria pelas mãos de George Lucas.

    Chegamos a dezembro de 2015. Depois de meses de ansiedade, finalmente entrei no cinema para ver mais um filme de Star Wars, com o sugestivo titúlo de O Despertar da Força. Mas eu não estou aqui pra falar sobre o filme. O que me motiva a escrever esse texto foi tudo que eu vi antes. “Despertar”, foi isso que eu vi ao longo de todo o ano de 2015. Durante todo o ano os fãs foram reaparecendo, relembrando uma paixão que estava meio esquecida. Fãs mais jovens ou mais recentes que nunca puderam assistir um universo tão querido nas telas do cinema finalmente teriam sua chance. Não só isso, ao longo de todo o ano muitos se descobriram fãs do universo povoado por Jedis, Siths, palco do conflito épico entre Império e Rebelião. Star Wars despertou dentro de muitos durante esse ano. “Despertar” define bem o que aconteceu esse ano, foi assim que muitos fãs nasceram do dia pra noite, contaminados pela empolgação dos mais antigos e contagiando os mais novos.

Talvez Star Wars seja algo tão singular dentro da cultura pop por isso, por ser algo que acaba passando de geração em geração, que une pessoas de várias idades através de um sentimento único. Foi esse sentimento que os caras do marketing apelidaram de “Força”. Assim como na mitologia dos filmes, algo que nos envolve e nos une. Sabendo disso não é de se admirar a minha felicidade ao ver minha mãe, que viu os primeiros filmes de Star Wars no cinema há mais de 35 anos, junto dos meus primos, que eram pequenos demais pra lembrar da última vez que Star Wars passou no cinema, e dos meus tios e do meu primo mais velho, que acabaram passando pra mim toda essa admiração que tenho pelo universo de George Lucas.

A Força despertou em 2015. Star Wars despertou em 2015. Despertou com uma cara nova, com a cara dos tempos de hoje, com empoderamento feminino e representatividade étnica, em uma galáxia distante que está cada vez próxima de nós. Não sei se alguém esperava algo diferente, mas eu não esperava mais do que o Episódio VII foi. A melhor parte disso tudo é que está só começando.

Amigo Secreto

    Poucas coisas no folclore do fim do ano conseguem ser mais notórias do que a boa e velha brincadeira de amigo secreto. Ponto alto de várias confraternizações  ou até mesmo algo que merece uma celebração particular, o amigo secreto é uma das poucas coisas que não muda em função da região, faixa etária ou da classe social dos participantes. Uma atividade lúdica e recreativa que movimenta o fim de ano de muita gente, principalmente quando se é adulto, gera uma comoção enorme entre os participantes e rende histórias pro ano inteiro. Mas o que o amigo secreto tem pra causar esse efeito nas pessoas?

    O primeiro fator determinante para a graça do amigo secreto é o fator aleatório. Não existe um ser humano na face do planeta que não veja nem um pouco de graça em sorteios e é isso que o amigo secreto é na prática, um jogo de sorte. O simples ato de tirar um papelzinho com o nome de uma pessoa já gera adrenalina equivalente à de um salto de paraquedas. A tensão, a expectativa e o risco de se dar mal transformam o ato do sorteio em algo único, ou nem tão único caso você tire seu próprio nome e tenha que refazer o sorteio. Logo depois da determinação dos resultados aleatórios temos mais uma etapa atribulada do processo: comprar o presente.

    Escolher presente pros outros nem sempre é uma tarefa simples. Caso a dama da sorte tenha lhe sorrido, seu amigo é uma pessoa que você conhece bem e, com um pouco mais de sorte, até mesmo um ser humano pelo qual você nutre alguma simpatia. Caso não você já começou a brincadeira se lascando na desvantagem, se a dama da sorte resolveu tirar uma bela onda com a sua face o risco de tirar uma pessoa que você detesta é bem grande, principalmente se o amigo secreto for realizado em ambiente de trabalho. Para fins pedagógicos vamos considerar que sempre ocorre a segunda opção. Lá está você quebrando a cabeça para dar um presente pra um ser humano que é quase um desconhecido, caso a pessoa tenha divulgado um presente que gostaria de ganhar a tarefa fica um pouco mais fácil, mas como estamos trabalhando com cenários adversos é melhor excluir essa possibilidade. Se você foi esperto o suficiente pra comprar algo genérico, não muito caro e que agrade todo tipo de pessoa, além de não ter caído na tentação de comprar um vale presente, você pode concorrer prêmio Nobel de amizade secreta, se não foi… Não tem muito o que fazer além de aceitar o fato de que o presente comprado só difere de um pedaço de cocô por causa do cheiro. Infelizmente é o que tem pra hoje, pelo menos o embrulho tá bonito e não vai fazer vergonha na hora da festa/confraternização/almoço/jantar/happy hour/desculpa que arrumaram pra justificar o amigo secreto.

    E eis que chega o grande dia. Cada um dos participantes aparece com pacotes e sacolas das mais variadas cores e tamanhos. A tensão e a expectativa crescem. Sempre tem algum desgraçado participante que falta, deixando uma pessoa sem presente e outra sem amigo secreto. Depois que finalmente todos chegam começa a brincadeira, alguém se habilita e começa o velho jogo de adivinhação, que acaba sendo meio furado por que ou o cara entrega de bandeja o nome do amigo ou faz uma descrição tão doida que ninguém acerta. O tempo vai passando e vai chegando a sua vez, a tensão começa a crescer, não só por causa do presente qualquer coisa que você comprou, mas também pelo medo de receber um presente tão qualquer coisa quanto. Sua vez chega antes, o cara que ia receber o presente acabou faltando rompendo a ordem da brincadeira, você começa a descrever seu amigo com o máximo de acurácia possível, vendo que ninguém vai acertar você diz logo quem é o fulano, entrega o presente e pela cara do sujeito se abrem duas possibilidades: ou você não errou o presente ou o cara merece o Oscar de melhor ator. Você volta pro seu lugar, aliviado, torcendo pra que o seu presente seja pelo menos o vale presente de uma loja legal.

Incoerência

Quem tem idade pra se lembrar de como era a vida antes da internet ser o que é hoje viu uma série de hábitos que surgiram em função do avanço da tecnologia. Talvez uma das mudanças que mais influenciaram o comportamento das pessoas nas redes sociais foi o aparecimento da fotografia digital.

Se você está vivo a tempo suficiente pra lembrar do filme fotográfico e do termo “revelar foto”, provavelmente presenciou a mudança proporcionada pelo aparecimento das câmeras digitais. Ver como uma foto ficou sem precisar esperar uma versão física dela foi algo que maravilhou todo mundo na época, mas um detalhe acabou mudando a vida de muitas pessoas para sempre: agora era possível tirar infinitas fotos. Com o custo de revelação eliminado e a possibilidade de armazenar as fotos digitalmente, sem ocupar espaço físico, as pessoas adquiriram o curioso habito de tirar fotos que não tinham a menor intenção de guardar um momento para o futuro. A fotografia digital espalhou pelo mundo o habito de tirar fotos que não servem pra muita coisa. A maior representante dessa categoria fotográfica, sem sombra de duvida, é a auto foto, também conhecida pela alcunha irritante de selfie.

Antes que você, amigo leitor, pense que eu vou tecer uma crítica furiosa sobre as pessoas que fazem seus próprios retratos, peço mais algumas linhas para deixar claro o assunto desse texto. Eu não tenho problemas com pessoas que tiram fotos delas mesmas, também não tenho nada contra as pessoas que publicam essas fotos em suas redes sociais. O fato que me deixa com a cabeça levemente desgraçada não são as fotos, são as legendas.

Eu não sei como funciona esse lance de legenda de foto. Na verdade não sei como funciona esse lance de colocar uma foto sua com uma legenda que não tem ligação alguma com a foto.Eu sou de um tempo que a legenda servia pra ilustrar aquilo que estava na imagem, mas hoje não é raro olhar pro meu feed e ver uma foto, que poderia ser tranquilamente publicada sem legenda, junto de um texto que podia muito bem ter sido publicado sem foto alguma. Algum tipo de aura misteriosa envolve as redes sociais que faz com que as pessoas compartilhem a busca dos seus sonhos, perseverança diante das dificuldades, alegria de viver, fé em Deus e derivados juntamente com uma foto que não ilustra nenhum tipo de busca pelos sonhos, perseverança ou fé em Deus. A alegria de viver escapa, afinal é muito difícil alguém tirar uma foto todo triste. Lembrando que essa mesma foto poderia ser utilizada em qualquer uma das temáticas listadas anteriormente sem prejudicar a falta de conexão entre a imagem e o texto.

Caso alguém que esteja lendo isso aqui esteja ofendido com o que acabei de falar peço desculpas, não é nada pessoal. Se existe alguma lógica ou significado por trás dessa parada, infelizmente eu não consigo entender, inclusive prefiro continuar na ignorância. Não julgo nem condeno quem faz esse tipo de coisa, não me considero melhor do que os outros por não fazer, só acho que não tem problema em publicar uma foto sem legenda ou uma legenda sem foto. Já que elas não fazem parte uma da outra, não tem problema elas aparecerem separadas.

Vamos Falar Sério?

“Eu vou falar algo sério?”, essa é uma pergunta que eu me fiz assim que comecei a pensar no que seria o Cachorros de Bikini. Essa é uma pergunta que eu tenho me feito nesses últimos dias. Antes de responder tal questionamento prefiro explicar qual foi a origem dele.

A internet acabou proporcionando algo nunca antes visto na história desse país: todo mundo ganhou voz. Em uma era em que o textão toma conta de quase todas as redes sociais, por motivos óbvios o Twitter está fora dessa onda, e o mimimi se alastra como uma praga, ainda existem pessoas que usam a internet de forma racional para falar com seriedade sobre assuntos realmente relevantes. Para a minha sorte eu conheço algumas dessas pessoas. Pessoas que eu chamo de “amigos” e que, para minha sorte, também usam essa palavra quando se referem a mim. Em boa parte das vezes eu os encho de razão e assino em baixo daquilo que é declamado no meu feed. Nessas horas eu penso “talvez eu devesse expor minha opinião sincera sobre um assunto realmente relevante, afinal eu consigo falar sobre coisas sérias”. Logo depois eu paro e penso “será que eu devo mesmo?”.

Quando escolhi o nome “Cachorros de Bikini” o que eu tinha em mente era, em primeiro lugar, falar sobre coisas conhecidas de todos, mas de um jeito um pouco diferente do comum. Se eu consigo ou não fazer isso é outra história, mas a ideia sempre foi essa. Em segundo lugar eu sempre pensei nessas páginas azuladas como uma espécie de refúgio, um lugar onde o leitor pudesse desligar da vida real por um ou dois minutos. Um lugar onde o banal e o irrelevante podiam ser enxergados como coisas que realmente fazem a diferença na nossa vida, pelo menos por um ou dois minutos. Por isso quando eu estou tentando ter uma ideia para um texto novo a pergunta sempre volta. “Eu vou falar algo sério?”.

A resposta é sempre a mesma: Não. Quem me conhece há mais tempo sabe bem, quando eu começo a ficar sério em algum texto rola uma velha tesourada e alguma coisa acaba sendo censurada. Eu poderia falar algo sério e relevante? Talvez, mas não aqui dentro, aqui é não é lugar pra isso. Ser crítico e ácido é algo que eu até consigo, mas eu deixo pra ser assim fora daqui, caso contrário aquelas frases que aparecem junto com o título do blog seriam mentira. Aqui dentro temos “Coisas bestas da vida tratadas com o cuidado que elas merecem”, “Reflexões rasas sobre coisas profundas e reflexões profundas sobre coisas rasas”, por isso o Cachorros de Bikini se compromete a continuar “Sem nenhum compromisso de mudar a sua vida”. Caso você, caro leitor, queira ver opiniões balizadas sobre questões sérias e importantes, eu posso até indicar algumas pessoas muito mais competentes nesse campo do que eu pra você seguir, mas não espere isso de mim, pelo menos não aqui dentro.

E ATEEEEENÇÃO!

Pessoas morrem todos os dias, mas as lendas morrem só de vez em quando. Um desses “de vez em quando” aconteceu ontem, 17 de Novembro de 2015, ontem faleceu Gino César, o Repórter do Bandeira 2.

Caso você, nobre amigo leitor, não resida em Pernambuco ou passou toda a sua vida sem ouvir nem um segundo do Bandeira 2, recomendo que assista esse vídeo abaixo. Caso seu tempo e sua disposição sejam muito limitados, não se preocupe, vou tentar não complicar a história.

Gino César faleceu aos 79 anos e trabalhou no rádio durante a maior parte deles, apesar de ter feito outros trabalhos ficou famoso como repórter policial, trabalho que fazia desde os 22 anos. Sem dúvida alguma o Bandeira 2 é o mais emblemático noticiário do gênero e Gino César o maior ícone do jornalismo policial no rádio pernambucano. Não falo isso apenas pela idade do sujeito, mas também pela forma peculiar de conduzir o noticiário, que acabou transformando o Repórter do Bandeira 2 numa figura folclórica, principalmente entre aqueles que estavam sempre com o ouvido colado no rádio durante as primeiras horas da manhã. Mas qual a minha relação com essa parada toda?

Uma boa parte do público do Bandeira 2 é formado por motoristas de táxi, profissão exercida pelo meu pai. Levando isso em conta, não é de se estranhar que em algum momento eu acabasse escutando o noticiário apresentado por Gino César. Sempre que eu estava no carro junto com meu pai de manhã bem cedo era o Bandeira 2 que tocava no rádio. Eu sempre achei muito curioso, e até divertido, ouvir uma notícia sobre um homem que chegou baleado no Hospital da Restauração que terminava com uma lista de todos os funcionários do hospital que participaram do socorro. Logo depois, sem alterar o tom da voz ou o ritmo da fala, Gino César fazia propaganda de água sanitária e de cuscuz e sem o menor aviso ele soltava um “E ATEEENÇÃO!” antes de voltar para as notícias da madrugada.

Gino César foi o primeiro e único Repórter do Bandeira 2 durante vários anos de sua vida. Não só virou referência para um gênero, mas também se tornou um personagem da cultura popular, um sinônimo de noticiário policial. Fico pensando como Gino César noticiaria o seu falecimento, não é um exercício de imaginação muito difícil para aqueles que o ouviram no rádio, principalmente por que todos sabem como começaria uma noticia dessa importância.

Vai Sair Um Disco Novo

Essa semana estava eu passeando pela minha caixa de email e me deparei com a notificação de um serviço de streaming me avisando do lançamento da nova música de uma cantora que eu gosto muito. Prontamente entrei no site da moça e vi uma maravilhosa notícia: vai sair um disco novo no início do ano que vem. Sem nenhum motivo aparente essa notícia me fez escrever esse texto.

    Se você acompanha o trabalho de algum artista, seja ele músico, escritor, ator, diretor, desenhista, roteirista e derivados, deve conhecer qual a sensação de saber que algo novo desse fulano está pra chegar. A data do lançamento é o Natal do fã e o disco/livro/filme é o presente. Diferente das tradições que envolvem as festas natalinas, o presente vai ser trazido por uma pessoa de carne e osso, sobre a qual não há dúvidas quanto à existência. A expectativa é muito parecida também, já que normalmente o fã é alimentado aos poucos com inúmeras prévias, teasers, trailers, imagens de bastidores, singles do álbum vindouro e coisas do tipo. Nosso monstrinho da expectativa é alimentado e vai crescendo até que chega a fatídica data de abrir o presente… Mas não são todos que procedem assim.

    As vezes somos surpreendidos com lançamentos que não foram anunciados previamente, que escaparam do nosso radar ou que não tiveram prévias para alimentar monstrinho nenhum. É quando somos pegos de jeito, estamos desarmados e desprevenidos, despidos de qualquer preconceito e talvez mais abertos aquilo que nos será apresentado. A expectativa dá lugar a um momento breve de tensão e ansiedade, o momento que fica entre  o nosso “O que é isso aqui?” e o primeiro acorde da canção, primeira página do livro ou a cena de abertura do filme. Instantes que são quase uma apneia mental ou o último suspiro antes do mergulho.

    Então é chegada a hora da verdade. Hora de ver se a espera realmente vale a pena. O momento em que bate aquele medo de tudo ser uma grandessíssima bosta, mas normalmente ele é vencido pela confiança naqueles que nunca nos decepcionam. Às vezes somos recompensados pela nossa espera, às vezes não, mas se de um lado nos decepcionamos, por outro temos nossas expectativas superadas. Quando eu vejo que vai sair um disco novo eu fico com um pé atrás, nunca se sabe quando esses músicos vão inventar alguma maluquice, mas a música que me motivou a escrever esse texto ficou tão legal que o monstrinho da expectativa já começou a crescer. Falta muito pra fevereiro?

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