Não é um blog sobre cachorros e bikinis

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Dia de (Re)Finados

Todo ano é assim, novembro mal começa e já rola feriado. Ao contrário dos demais dias de folga do ano, o primeiro feriado de novembro carrega uma vibe um pouco diferente. Convenhamos que esse feriado em específico tem um ar meio mórbido, afinal ele acaba sendo mais uma data para lembrar do que para celebrar. Talvez seja desnecessário dizer, mas eu estou falando do Dia de Finados.

Não é exclusividade do nosso país ter uma data para lembrar daqueles que já foram. A forma como esse dia é celebrado vária um pouco de país pra país, mas com certeza o feriado fúnebre mais famoso do mundo é o Dia de Los Muertos, uma das maiores festas do México. Quando eu lembro dessa festa duas coisas vêm imediatamente na minha cabeça: a primeira é a Calavera Catrina, sempre retratada como uma morta bastante elegante, e a segunda é como a morte pode ser encarada sob uma perspectiva tão diferente da nossa.

Celebrar os mortos é algo que faz parte do povo mexicano desde antes da chegada dos conquistadores espanhóis. Os antigos Astecas e Maias tinham um ponto de vista em relação à morte bem diferente da nossa. Eles acreditavam que encontrar com seus deuses era uma honra e privilégio, inclusive cabe lembrar dos sacrifícios humanos que eles faziam e que ser escolhido para ser sacrificado era motivo de orgulho. Infelizmente a morte não é encarada de forma tão simples por nós. A perda de uma pessoa querida normalmente é algo pouco agradável e isso é perfeitamente reconhecível, mas sempre fico pensando em como seriam as coisas caso pensássemos diferentes.

Imagino como seria se os enterros fossem sempre grandes festas, com os falecidos em trajes de gala em um evento tão grande quanto um casamento, transformando a celebração fúnebre em algo mais refinado. Como seria legal se os funerais vikings virassem moda e todos os pertences fossem queimados junto com seu dono. Não que eu acredite que alguma dessas coisas possam ser usadas pelo defunto na vida eterna, mas o fogo em grandes proporções normalmente tem um efeito estético bastante interessante. Mesmo que não tivesse nada disso seria bom se, quando víssemos alguém partir, nos lembrássemos menos da falta que essa pessoa vai fazer e mais da diferença que ela fez.

Quando Setembro Acabar

O ano era 2004. Onze anos atrás o Green Day lançou um disco que fez um sucesso bem grande na época: o American Idiot. Nunca simpatizei muito com o Green Day, tanto é que nunca ouvi nada deles além do que vi na Mtv, mas sempre achei legal o conceito de lançar um disco que contava uma história. Apesar de nunca ter ouvido o famigerado disco lembro de boa parte das músicas, das que viraram video clipe pelo menos.De todas as músicas daquele disco, muito provavelmente, uma das únicas que é lembrada até hoje é Wake Me Up When September Ends, ou simplesmente “Me Acorde Quando Setembro Acabar”. Setembro acaba hoje, não tem melhor dia pra falar dessa música.

Em 2004 os ataques terroristas do 11 de Setembro tinham acontecido fazia apenas três anos e boa parte das cicatrizes que vemos hoje nos norte-americanos ainda eram feridas naquele tempo. Essa música não fala dos ataques, ela fala do passado, mas não do passado como estamos acostumados. Wake Me Up When September Ends é uma reflexão de como as coisas passam, de como o tempo passa sem nos darmos conta, de como algumas coisas traumáticas não parecem se distanciar de nós com o passar do tempo. Tudo isso está ligado ao mês de Setembro, tão marcante e traumático para o autor da música quanto para o público que ainda sentia os efeitos do 11 de Setembro.

Setembro é um mês doloroso pra muita gente, mesmo para aqueles que nunca escreveram uma música ou sofreram com os ataques terroristas. Muitas pessoas viram a folha do calendário torcendo para que o o mês nove não demore pra acabar. Muitos gostariam de poder dormir e só acordar quando Setembro acabar. Infelizmente não dá pra fazer isso, mas pelo menos Setembro do ano da graça de 2015 deu uma forcinha, correu e passou voando. Setembro veio e acabou. Qualquer coisa ruim que ele acabou trazendo não durou mais do que trinta dias. Já podem acordar, mais um Setembro acabou.

Nostalgia

Não é novidade pra ninguém que de uns tempos pra cá a memória do mundo está na internet. Em função disso trabalhar com o passado, em determinados casos, ficou relativamente simples. Por causa disso começou a surgir um movimento de nostalgia para praticamente todas as gerações com idade suficiente pra sentir saudade daquele tempo bom que não volta mais.

Nostalgia é um sentimento interessante, um sentimento bem discreto na minha humilde opinião. Nostalgia é uma manifestação da saudade, mas não é bem saudade. Nostalgia aquece o coração, nos comove e resgata uma fração do sentimento original de quando as coisas que nos deixam nostálgicos eram presente e não passado. A nostalgia não nos deixa cegos, nem impulsivos, nem agressivos, dificilmente a nostalgia causaria uma guerra ou afetaria um relacionamento. Fazemos coisas pela nostalgia que vamos sentir, não pela que estamos sentindo.

Nostalgia é quase uma droga. Tal qual uma dessas substancias (lícitas ou não), ela nos desliga da realidade por alguns instantes. Ficar nostálgico é como se apaixonar pelo passado, é ficar besta de sentir o melhor tipo de saudade, aquela que a gente sente das coisas que tiveram sua hora e seu lugar. Coisas que apesar de  nos dar saudade estão exatamente onde deveriam estar, na memória e é quando uma memória perdida é resgatada o efeito da nostalgia é multiplicado algumas muitas vezes.

O papo sobre nostalgia termina por aqui. Na prática esse texto não está completo, ele serve como introdução pro texto que será lançado na sexta. Fique de olho que a parte séria da coisa começa no próximo post.

Som, Ritmo e Tempo

Essa semana quando estava pra colocar o pé na rua resolvi dispensar os fones de ouvido e ouvir com atenção os sons de tudo ao meu redor. De fato prestar atenção em todo e qualquer ruído que me cercava foi uma experiência interessante, mas que durou apenas um ou dois minutos, tempo suficiente pra cabeça começar a fervilhar.

Por causa das minhas afinidades musicais acabei ficando um pouco obsessivo por ritmo. O ritmo é algo muito natural, ele está em todo lugar. As batidas do coração, nossos passos, respiração, fala e muitas coisas mais possuem ritmo próprio. Foi pensando nos sons e nos ritmos que comecei a pensar sobre o tempo. Inicialmente pensando na conotação musical da palavra, ainda com um pouco da matemática da música na cabeça, mas logo a mente deu um freio. Literalmente ela “parou no tempo”.

Fico pensando se já tive vontade de falar sobre isso em algum texto. Tempo. Muito provavelmente a medida mais abstrata que o ser humano já inventou. De todas as coisas relativas o tempo é a maior de todas. Não só por percebermos esse nobre senhor de formas diferentes, mas de fato o tempo não passa igual pra todo mundo.

Todo mundo conhece uma pessoa que não mudou nada nos últimos tempos ou aquela pessoa que mudou demais. Gente que parece estacionado na linha cronológica, que continua o mesmo por fora, por dentro ou as duas coisas. Isso nos parece ainda mais absurdo diante da loucura atual do calendário, que parece mais ter tomado um comprimido de ecstasy junto com energético e entrou em um frenesi nunca antes visto na história desse nosso universo.

Não lembro quando o mundo começou a girar tão rápido (provavelmente em 2013, o ano mais rápido desse século), também não sei quando percebi a preciosidade do tempo e comecei a escolher a dedo como desperdiçaria meu tempo. Tão raro que é melhor terminar logo esse texto pra economizar um pouco do meu e do seu tempo.

Meus Problemas com Barba

Há mais ou menos dois anos já estava formado o embrião que se tornaria o Cachorros de Bikini. Naquela época eu escrevi alguns dos textos publicados nos últimos meses, alguns dos que ainda serão publicados e outros que nunca virão a público. Dentre os componentes desse último grupo está um texto com o sugestivo título de “Barba”.

Recentemente resolvi deixar os pelos da face crescerem a vontade, por isso publicar um texto da reserva com essa temática me pareceu uma boa ideia, mas alguma coisa me fez desistir. Puxei pela memória e percebi que o tempo afastou aquelas palavras de mim. Minha voz não estava mais naquele texto, pelo menos não como eu a escuto hoje, e isso me levou a refletir. O que mudou ao longo desse tempo?

Muito provavelmente a maioria das coisas continua no mesmo lugar, mas talvez eu tenha mudado ou mudado a minha relação com a minha barba. Quem sabe a qualidade do texto me pareça menor do que antes ou simplesmente o tema não me interesse como interessou na época. Será que no futuro olharei para meus cachorros publicados e pensarei a mesma coisa?

Foram só dois anos (na verdade um pouco menos), mas foi o suficiente para que alguma coisa mudasse e provavelmente as coisas continuarão mudando. Fico pensando se isso foi só o começo de uma mudança maior ou de uma mudança na ótica pela qual eu enxergo minha produção recente. Talvez em algum momento eu olhe para os cachorros que habitam nesse humilde sitio e perceba que as roupas de banho que eles usam estão fora de moda. Provavelmente algo desse tipo nunca vai acontecer, afinal estamos no Brasil e por aqui bikini nunca saiu de moda. Sem contar que sungas, maiôs e tanguinhas não me parecem trajes adequados para os meus cachorros.

Segunda-feira Treze

Treze. Um número bastantes controverso que tem uma série de partidários, desafetos e eleitores, podendo representar tanto a sorte quanto o azar. Numero esse que combinado com um dia da semana e um mês do ano faz um dos combos mais famosos no universo da superstição: a Sexta-feira 13 de Agosto.

Em 2015 o mês de Agosto passou e não teve sexta 13, mas por um acaso eu acabei vendo o 13 combinado com um outro dia da semana nesse mês 08 de 2015. Nessa ultima segunda-feira, 31 de Agosto do ano da graça de 2015, foi publicado o décimo terceiro texto da série Contos de Segunda. Uma segunda-feira (o oposto de uma sexta), dia 31 (que não passa de um 13 invertido). Em meio a essa quantidade inexplicável e sem nenhum significado de coincidências eu publiquei um texto que acaba servindo de marco. Não tem nada a ver com o numero 13 em si, mas sim com o fato desse texto marcar a décima terceira semana de Cachorros de Bikini no ar.

Lembro de um dia ter contado nove textos dentro de uma pasta, hoje eu conto treze semanas de trabalho. Mantendo sempre a rotina de publicar três textos por semana, o que não é lá grande coisa, sem nunca atrasar, o que também não é grande coisa. Independente da quantidade de acessos e leitores, as primeiras semanas de vida desse blog foram um teste. Me desafiei e consegui, produzi mais do que eu esperava e publiquei tanto quanto eu queria.

Segunda 13. A décima terceira. Espero ainda publicar muitos outros treze. Espero continuar contando todas as semanas sem falhar nas publicações. Para finalizar com os números, cabe lembrar de que este é a publicação de número quarenta do Cachorros de Bikini e eu sinceramente espero ainda ter bem mais que treze ideias pulando da cabeça direto pro papel

Só Não Pode Deixar Morrer

Quem mora no Recife sabe que algumas das melhores e mais antigas bancas de jornal da cidade estão na Av. Guararapes, Centro do Recife, por isso toda vez que eu vou fazer alguma coisa pelo Centro acabo passando por lá pra dar uma olhada nos quadrinhos. Por um mero acaso acabei entrando numa rápida conversa trivial com o senhor dono (pelo menos eu imagino que seja o dono) da banca sobre uma certa coleção de encadernados que anda saindo e está fazendo bastante sucesso. Tal conversa acabou me fazendo levantar um ponto relevante em relação ao meu relacionamento com as histórias em quadrinhos. Apontei três razões principais que não me deixavam comprar tudo que eu gostaria de ler: a falta de tempo para ler, falta de espaço pra guardar e a falta de grana. A resposta que eu recebi me pareceu tão interessante na hora que me motivou a escrever o texto dessa quarta-feira.

“Tempo a gente arruma”. Faz tempo que o tempo anda apertado. Se você tem a mesma sensação te dou os parabéns por já ter virado um adulto. Infelizmente o tempo é um recurso cada vez mais escasso e nós, pobres seres humanos, temos o costume de diminuir o tempo disponível para nossos hobbies e atividades recreativas de uma maneira geral. Com um pouco de esforço é possível arrumar uma brechinha na nossa vida corrida pra encaixar as coisas que fazemos por pura e simples satisfação. Cara da Banca 1×0 Filipe.

“Espaço a gente ajeita”. Quem é adepto da mídia física sabe o problema que é guardar a coleção, seja de livros, revistas ou seja lá o que for. Muitas vezes a decisão de comprar ou não comprar leva em conta o espaço disponível na estante ou prateleira. Esse tipo de raciocínio acaba sendo levado um pouco pra nossa própria vida. Quantas pessoas se privam de conhecer alguém por não ter “espaço” em suas vidas para um relacionamento? E os que deixam de fazer aquela aula daquele idioma esquisito ou desistem de voltar a estudar por acharem que já tem muitos afazeres na vida e não querem mais uma coisas pra se preocupar? Mais um ponto pro Cara da Banca. Cara da Banca 2×0 Filipe.

Obviamente ele teve que concordar comigo sobre o fator grana. Pelo menos dessa vez nós dois marcamos ponto. Cara da Banca 3×1 Filipe. Mas o que ele me disse depois foi o que realmente me impactou:

“Só não pode deixar o quadrinho morrer”.

Claro que o mercado brasileiro de quadrinhos está muito longe de ser o paraíso para as editoras, grandes e pequenas, que se atrevem a publicar obras de arte sequencial, mas será mesmo que ele estava falando sobre isso? Acredito que essa frase poderia ser lida como “Só não pode deixar o quadrinho morrer pra você”. Fim de jogo, vitória do Cara da Banca.

Tá Tudo Uma Bosta

O título dessa postagem não é uma frase de minha autoria, ela foi dita por uma amiga/leitora. Foi um dia desses, quando eu perguntei “Como estão as coisas?” e ela prontamente me respondeu “Tá tudo uma bosta. (foi mal a negatividade rsrsrs)”. De fato estar tudo uma bosta é uma situação bem longe do ideal, mas o que realmente me chamou a atenção foi o “foi mal a negatividade”. Naquele instante um tema pro texto dessa quarta-feira apareceu.

Desde muito jovens somos encorajados a responder perguntas do tipo “Tudo bem?”, “Como você está?” e similares com uma resposta positiva. Basta lembrar das aulas de inglês, onde as únicas respostas que aprendíamos a dar eram “I’m fine, thanks” ou algo similar. A atitude positiva automática é uma coisa que entra na nossa programação tão cedo que constatar a verdade através de uma resposta negativa nos parece um crime. Principalmente hoje, quando existe praticamente uma ditadura da felicidade.

Em um mundo em que pessoas fazem uma propaganda massiva da própria felicidade, não se sentir feliz é visto com maus olhos. Ser sincero ao ponto de dizer que tudo está uma bosta é classificado por muitos como pessimismo, negativismo ou puro e simples exagero. Eu tenho pra mim que sempre tem algo bom acontecendo, mas em alguns momentos olhamos para os lados e chegamos a conclusão de que “Tá tudo uma bosta”. Nesses momentos se recriminar por pensar assim me parece tão errado quanto dizer que está tudo certo mesmo não estando. Pessimismo não é admitir que tudo está uma bosta, mas sim desanimar diante da bosta em que tudo aparentemente se transformou. Admitir que as coisas não vão bem é o primeiro passo pra colocá-las nos eixos.

Por último gostaria de deixar bem claro que, apesar de ser uma pessoa que oscila entre o realismo e o otimismo, já vi tudo ao meu redor se transformar em fezes algumas vezes. Não vou mentir dizendo que em todas essas vezes eu encarei com coragem e determinação todas as dificuldades. Bastou só um pouco de otimismo e paciência. Os tempos ruins sempre passam, mas enquanto eles não passam, não se sinta mal em admitir que está tudo uma bela bosta.

Dia dos Pais

No último domingo, também conhecido como dia 9 de Agosto ou segundo domingo de Agosto, foi comemorado o dia dos pais. Um dia bem movimentado que gera comoção dentro e fora das redes sociais, agita o comércio e mexe com o coração de pais e filhos. Diante disso fico um pouco receoso ao afirmar que, na pratica, o Dia dos Pais é que nem o Dia das Mães… Só que da segunda divisão.

Antes de continuar quero deixar claro que não estou afirmando que as mães são melhores que os pais. O raciocínio que será desenvolvido nas próximas linhas leva em consideração apenas os eventos, rituais, práticas e coisas parecidas que estão relacionadas com a data em questão.

Para os pais o Dia dos Pais funciona quase como o natal. O presente preferencial dos filhos é alguma roupa ou calçado, normalmente essa escolha é influenciada por uma frase bem simples: “Teu pai tá precisando de (Insira a Peça de Roupa/Calçado Aqui)”. Não estou dizendo que a mãe solta essa frase com intenção de sabotar o presente, mas é sabido que em muitos lares a mulher tem um inventário de todas as necessidades de vestuário dos demais membros da família. Comparando esses presentes com os presentes clássicos do Dia das Mães temos a ala feminina abrindo uma boa vantagem.

Além dos presentes temos o tamanho das homenagens. Um exemplo disso foi uma campanha feita por uma marca multinacional no ano dos Jogos Olímpicos de Londres. A ideia da campanha era mostrar a vida de atletas fictícios desde a infância até a idade de competir nos Jogos, mas sempre com o foco nas mães. A campanha durou alguns meses. Se o exemplo anterior não te convenceu, vou dar o exemplo de um fato que aconteceu com um tio meu. No Dia das Mães a escola em que o filho dele estudava promoveu um café da manhã com as mães, elas foram na escola e tudo mais. No Dia dos Pais meu tio ganhou uma gravata de papel.

Pra finalizar retomo ao paralelo que fiz no inicio do texto com a segunda divisão. Normalmente os times da segunda divisão não tem as maiores estrelas, os jogos são em horários estranhos e muitas vezes nem passam na televisão. Apesar de tudo isso o torcedor não abandona o time, veste sua camisa com orgulho, comemora cada vitória e sofre com cada derrota, mas acima de tudo ele torce pelo seu time do coração.

Aila e Ayla

Outro dia estava eu conversando com uma amiga. Em dado momento ela me manda a seguinte mensagem “Vou lá em Aila hj”. Imediatamente eu me lembrei desse video, a cena de apresentação de Ayla, personagem de um jogo relativamente antigo. Obviamente eu não podia perder a oportunidade de fazer uma graça com essa coincidência. Joguei uma imagem da personagem do jogo na conversa e fiz um resumo de quem era a sujeita. Em resposta minha amiga mandou um “hahahahah” seguido de um “Vou mostrar essa conversa a ela”. Naquele momento eu não fazia ideia do que tinha acabado de fazer.

Deixando de lado toda a roupagem fantasiosa do jogo e se concentrando na essência do personagem, podemos dizer que Ayla é uma mulher forte, independente, corajosa e que contribui de forma relevante para a sociedade onde vive. Eu não conheço Aila, da mesma forma que não conhecia quando fiz a brincadeira com o nome dela e o da personagem do jogo, mas pouco tempo depois descobri que ela vem passando por uma fase complicada da vida. Assim como muitas pessoas de verdade ela vem enfrentando problemas bem reais. Não cabe a mim dizer quais são esses problemas, mas de alguma forma apresentar as duas, a personagem e a pessoa de verdade, conseguiu produzir um efeito positivo. Pelo menos eu gosto de pensar dessa forma.

Não sei qual o corte do cabelo de Aila, se ela usa um porrete, se usa roupas feitas de pele ou se ela luta contra inimigos reptilianos em um mundo pré-histórico. Eu sei que ela tem enfrentado um inimigo bem mais assustador, inimigo esse que ainda não conseguiu vencer. Apesar disso sei que Aila provavelmente tem força e coragem suficientes pra deixar Ayla com inveja. Particularmente alimento a ilusão de que ao apresentar as duas eu tenha lembrado Aila de que ela é tão forte quanto Ayla. Se eu estiver enganado… Pelo menos valeu a pena fazer a pessoa de verdade conhecer alguém legal que carrega o mesmo nome dela, alguém que provavelmente ela nunca conheceria.

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