Não é um blog sobre cachorros e bikinis

Tag: Casamento

Outubro

    No Dia das Crianças eu lembrei aqui no blog que no ano passado o Cachorros entrou em férias durante o mês de outubro e nada além de uns dois ou três contos foi publicado. Obviamente eu me esqueci de fazer um comentário sobre esse mês que pra mim é cheio de significado.

Outubro é o primeiro mês do fim do ano. Se o ano só começa depois do carnaval, é correto dizer que ele acaba depois de outubro. Até por que nossos amigos Novembro e Dezembro costumam passar tão rápido que mais parecem um mês só. Olhando por esse prisma temos o nosso querido mês dez como o verdadeiro último mês do ano.

Paremos pra pensar um pouco. Outubro possui apenas um feriado, assim como a maioria dos meses, Novembro e Dezembro possuem dois. Caso Nossa Senhora da Conceição tenha muitos fãs na sua cidade, como é o caso da capital pernambucana, onde eu trabalho, e de Moreno, onde eu resido, Dezembro tem três feriados marotos pro seu ritmo de final de ano passar da marcha lenta pro ponto morto.

Também é nos dois meses finais do ano que o Papai Noel do brasileiro chega. Obviamente estou falando do nosso amigo 13º que nos traz tanta felicidade, alegria e dispara nos nossos cérebros o gatilho das festas de fim de ano. É só a primeira parcela cair na conta que já dá pra escutar Simone cantando dentro da cabeça. Coisa que já não acontece em Outubro. No mês dez a gente ainda tá com a marcha na cadência do tempo acelerado, ainda no embalo da falta de feriados de Agosto e já sentindo a vontade do ano de se acabar logo.

Não podemos esquecer que Outubro é rosa. É nesse mês maravilhoso que rola uma das campanhas mais importantes do ano: a campanha de combate e prevenção do câncer de mama. Que afeta a vida de muitas mulheres todos os anos. Vou deixar anotado aqui pra indicar de alguma forma que o Cachorros de Bikini apóia o Outubro Rosa. Em 2017 a gente vê como fazer isso.

Outubro é um mês bem importante na minha vida. Começa que foi o mês em que, 27 anos atrás, meus pais se casaram. Também foi nele que nasceu minha irmã, a pessoa que não só completou a família, mas também a lotação do carro e garantiu que a gente sempre teria uma desculpa pra negar carona pros outros. Cabe ressaltar que eu não costumo sentir o peso da idade no meu aniversário, eu sinto no dela. É quando eu realmente percebo como a vida passa rápido e o tanto dela que já passou. Em Outubro também teve o casamento do meu irmão, momento único e até então inédito na nossa família. Assim como o aniversário da minha irmã, o casamento do meu irmão foi uma evidência irrefutável de que a vida adulta tinha chegado pra ficar, não só pra mim, mas pra todos os nossos amigos que têm uma idade parecida com a nossa.

Mais 12 dias e começa o fim do ano. Já já começa a torcida pra chegar logo o ano que vem, aquele papo de que esse ano já deu o que tinha que dar e tudo mais. De fato o ano não tarda a encerrar suas atividades. Todo aquele clima de final de ano vai tomar conta de tudo e a sensação de fechar mais um ciclo sempre nos faz pensar na vida… Mas pra mim nem tanto. Tudo que eu tenho pra pensar na vida eu acabo pensando em Outubro.

Contos de Segunda #44

 As peripécias de Luciana e Roberta para fazer Jorge e Cristina ficarem juntos não começou hoje. Esse conto é uma continuação dos Contos de Segunda#34 e Contos de Segunda #42.

   — Deixa eu ver se eu entendi direito. Vai rolar um ensaio do casamento do seu irmão. A banda do amigo de Jorge vai estar lá e você quer que eu apareça lá pra chegar nele? — Luciana aparentava uma confusão proposital.

    — É — respondeu Roberta mais concentrada no salmão defumado do que nas sutilezas da amiga.

    As duas não se falaram muito desde o dia em que Fábio confirmou que tocaria no casamento do irmão de Roberta. Um ensaio do casamento marcado em cima da hora fez as duas almoçarem juntas

    — Quem ensaia casamento em dia de segunda?

    — Alguém que não pode ensaiar outro dia — no ranking da atenção de Roberta, Luciana estava atrás do salmão e do celular.

    — Foco, Roberta, estamos discutindo coisa séria.

    — Nem tem muito o que discutir. Hoje você aparece comigo lá no ensaio e quando acabar tudo conversa com Fábio. Simples assim.

    — Preferia fazer isso no casamento do teu irmão.

    — Não sei se você sabe, mas Cristina estudou com Beto na faculdade e ela vai estar lá no casamento. Acabo de lembrar que ele estudou contigo também, mas até onde eu sei Beto não vai com a tua cara.

    — E daí?

    — E daí que esse seu plano só vai funcionar se ela não suspeitar de nada. Por que se ela sentir o cheiro dessa armação, vai cantar essa pedra pra Jorge e já era esse teu Game of Thrones versão cupido.

    Contra esse argumento Luciana não encontrou resposta além do silêncio. O relógio estava quase nas nove horas da noite quando ela e Roberta chegaram ao salão de festas. Os noivos já tinham combinado a trilha sonora da cerimônia e agora estavam ensaiando a valsa. Somewhere Only We Know seguido de Burnin’ Love. A banda de Fábio tinha um homem no vocal, mas uma voz feminina foi recrutada para ajudar na versatilidade da banda e permitir os duetos.

    — Acho que ainda vai demorar — Roberta analisava o relógio arrependida, devia ter comprado um maior.

    — Então é a nossa chance — Luciana já tinha analisado todo o ambiente.

    — De quê?

    — De chamar a atenção de Fábio, o que mais seria?

    — O cara tá trabalhando, Luciana. Tem umas cadeiras ali e…

    — Nada disso — Luciana rapidamente se posicionou atrás da amiga, colocou as mãos nos ombros dela e começou a empurrar. — A gente vai esperar um pouco, quando eles se prepararem pra repetir a música você vai ali cumprimentar seu irmão e vai aproveitar a deixa pra falar com Fábio e vai dizer que é amiga de Jorge. Isso vai chamar a atenção dele o suficiente pra ele dar uma olhada ou outra pra onde a gente estiver sentada, o resto é comigo.

    Elas precisaram esperar só um minuto. A música terminou. Beto e sua noiva estavam bem satisfeitos com a performance deles e da banda. Roberta aproveitou a pausa para se aproximar.

    — Caramba, Beto. Não pensei que essa valsa ia ficar tão boa. Obviamente não por causa da noiva, sempre confiei em você, Angela.

    — Eu também pensei que não ia rolar. Nem sei como te agradecer por ter conseguido a banda.

    — Não fiz nada, Jorge que conseguiu convencer a banda a aceitar o convite — ela se virou para a banda. — Boa noite, pessoal.

    — Boa noite! — Respondeu a banda em coro.

— Você deve ser Roberta? — A pergunta vinha do guitarrista.

— Sou eu. Falei contigo no telefone.

— Avise a Jorge que ele só não fica me devendo essa, por que se der certo a gente pretende aproveitar esse segmento matrimonial. Vai ficar pra ver o ensaio?

— Sim, tô ali com uma amiga. Comentei sobre essa história de vocês tocando no casamento e ela ficou curiosa — Roberta olhou pro relógio. — Olha só a hora, e eu aqui atrapalhando. Vou ficar ali até vocês terminarem.

O ensaio recomeçou. Uma dúzia de passos e Roberta chegou onde estava Luciana.

— Valeu, amiga. Agora é só ele agir como o previsto e tá no papo.

O plano de Luciana deu certo. Volta e meia Fábio dava uma olhada discreta para onde as duas amigas estavam. Luciana respondia com olhadas nem tão discretas para o guitarrista. Quando os olhares ficaram mais frequentes ela resolveu brincar com o ego musical dele. Luciana começou a cantar as músicas junto, depois começou a se mexer na cadeira e terminou puxando Roberta para dançar imitando os passos dos noivos. Fábio já estava com a guitarra dentro do case quando foi falar com as duas.

— Que bom que gostaram da música.

— Vocês são muito bons mesmo eu até…

— Tô apaixonada pelo som de vocês — interrompeu Luciana. — Você deve ser o amigo de Jorge, né? Luciana, prazer — A mão já estava estendida antes do “prazer” terminar de sair da boca.

— Fábio. Se gostou agora vai ficar impressionada no casamento, vão rolar umas surpresas bem interessantes.

— Eu não fui convidada, há quem diga que o noivo me detesta.

— Jorge também não fala muito bem de você.

Luciana corou. Todas as dezenas de respostas possíveis morreram ainda na garganta. Ela gaguejou e não saiu nada. Fábio abriu um sorriso.

— É uma pena que você não vai pro casamento, mas se quiser ouvir a gente tocar e estiver com a quinta-feira livre, é só dar uma chegada nesse bar aqui — Fábio sacou um folheto do bolso e entregou a Luciana. — Depois do show você me explica por que Jorge gosta tão pouco de você. Agora preciso ir pra não perder a carona. Até mais.

    Elas esperaram o guitarrista se afastar em silêncio. Luciana ainda estava corada quando Roberta falou.

    — Pois é, amiga. Parece que tudo deu certo. Fico impressionada com a tua capacidade de interpretação.

    — Tô achando que não foi bem isso, Roberta — as palavras saíram devagar da boca de Luciana. — Acho que essa história não vai ficar só com Jorge e Cristina.

“Eu Vou Celebrar Um Casamento”

A frase que dá título ao texto de hoje apareceu no meu feed do Facebook no início dessa semana. Ela foi escrita por uma grande amiga minha que está pulando num pé só de tanta felicidade. O motivo já dá pra adivinhar, ela vai celebrar um casamento. Ela não é (até onde eu sei) juíza de paz, não é sacerdotisa  e (ainda) não é representante de nenhum tipo de religião. Ela foi convidada pelos noivos apenas por ser uma amiga do casal e principal responsável pela união dos dois, pelo menos foi o que ela disse. Diante da peculiaridade do fato, fico pensando como é passar por uma experiência tão singular.

    Imagine que um casal de amigos te chamou pra ser padrinho ou madrinha. Agora multiplique isso por cem. Provavelmente essa é a sensação de ser convidado pra celebrar um casamento. Somos acostumados a testemunhar as uniões, eu mesmo fui testemunha de um casamento ano passado e fui lá assinar o livro amarradão, mas uma porcentagem ínfima da população vai a um casamento pra promover, diante de Deus e dos homens, a união entre duas pessoas que, pelo menos até aquele momento, desejam passar o resto dos dias juntos. Juntar as escovas de dente, apesar de não ser muito recomendado pelos dentistas, ter aquela velha conversa de alcova, acordar com o mesmo alguém do lado até que a morte os separe. E tudo isso só vai acontecer por que você estava lá diante dos noivos, padrinhos, madrinhas, família, amigos e da divindade preferida pelos noivos pra fazer uma das perguntas mais conhecidas da humanidade. “Você aceita (insira o nome do noivo ou noiva) como seu/sua legítimo/legítima esposo/esposa?”.

    Eu sei que nunca vai acontecer comigo. Mesmo se convidar amigos pra celebrar uniões fosse uma prática comum, eu não sou uma boa opção pra exercer essa função, mas nem por isso eu deixo de imaginar como seria. A sensação de ficar na frente de toda aquela gente, e principalmente na frente dos noivos. Quem já parou pra observar essa dupla já deve ter notado que, pelo menos naquele momento, eles estão explodindo de felicidade. Talvez a seriedade da cerimônia limite um pouco essa manifestação, mas quem celebra o casamento não tem risco de pegar um lugar ruim pra assistir a cerimônia. Quem celebra o casamento não precisa torcer pra não acabar sentando atrás de uma pessoa com dois metros de altura. Quem celebra está lá, diante dos noivos. Duas almas prontas pra atingir o último patamar na escala de evolução dos relacionamentos. Uma felicidade que transborda por todos os lados. Que escorre como lágrimas, que ilumina os sorrisos e faz as mãos se segurarem com uma firmeza nervosa. Mas principalmente uma felicidade que transborda no olhar. E é para o celebrante da cerimônia que os olhos estão voltados. Olhos de quem só quer dizer o “SIM” e dar o fora dali. Os noivos podem ser o centro das atenções pros convidados, mas se você celebra o casamento, você que é o centro das atenções… Pelo menos pros noivos.

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