Um dos principais feriados do ano é o feriado da Páscoa. Essa data comemorativa flutuante só perde para o carnaval no ranking de preferência da nação por celebrações que não tem dia do ano certo pra acontecer. Mas tem uma coisa sobre a nossa querida páscoa que costuma fugir do nosso radar: a Páscoa é um feriado muito doido.

    Nesse momento você deve estar pensando em como é horrível afirmar uma barbaridade dessas. Talvez seja, mas existem argumentos bastante válidos que me levam à essa conclusão. Começa que a data da Páscoa é determinada a partir do fim do Carnaval. Qualquer data que tenha como referência o Carnaval deve ter no mínimo a sua credibilidade contestada. Isso tem a ver com o esquema do calendário lunar, que não casa nunca com o nosso calendário regular. Alguma coisa com a segunda lua nova depois do solstício de uma estação, aí faz a conta de trás pra frente, considera a margem de erro (para mais ou para menos) e vê se o Carnaval cai em fevereiro ou março e se a Páscoa cai em março ou abril.

    Outro ponto doido da Páscoa tem relação direta com o significado por trás do feriado. “Ah, Filipe, mas essa de significado é tranquila, super normal” você pode me dizer, mas não é bem por aí. Hoje quem é cristão lembra do sacrifício de Jesus, mas no tempo de Jesus ele lembrava de Moisés tirando os hebreus do Egito. Além disso eu já ouvi falar que muitos povos celebravam alguma coisa nessa mesma época de quarenta dias depois da segunda lua nova depois do solstício de alguma coisa, é um tipo de data chave que servia pra todo mundo. E isso por que ainda não falamos do fato da Páscoa sofrer o mesmo problema do Natal.

    O Natal, também conhecido como a data que resolveram adotar pra comemorar o aniversário de Jesus, sofre de uma grave distorção prática de significado. Obviamente todo mundo sabe desse esquema de “Já nasceu o Deus-Menino para o nosso bem”, mas isso acaba servindo como desculpa pra juntar a galera, fazer amigo secreto, confraternizar, fingir que gosta de algumas pessoas e tudo aquilo que sabemos que rola no final do ano. Com a Páscoa não é muito diferente, só que é um pouco pior. Até dá pra entender esse lance dos cristãos pegarem uma festa judaica e inserirem um novo significado. Também não é muito difícil sacar a lógica de comer peixe e beber vinho, afinal peixe era comida de Jesus e vinho era a coca-cola da palestina, mas em algum momento dessa história entrou coelho, ovo e chocolate no meio e eu parei de entender as coisas.

Como o chocolate entrou até dá pra entender, afinal ovo sabor ovo é muito sem graça e deixa as crianças meio chateadas e tal, não rende um presente muito bonito e não gera tanto emprego e renda pro povo, mas o coelho que distribui ovo é viagem de ácido pura.

No final a Páscoa acaba virando uma grande desculpa pra comer mais chocolate do que o normal, comer comida de coco (pelo menos é o que mais rola por aqui) e beber vinho, que você pode dizer que bebeu em homenagem ao falecimento de um cara muito brother. Ou simplesmente deixar tudo isso chegar sem se preocupar com motivos e desculpas. Aproveite o feriado que pelo menos a sexta-feira de folga está sempre garantida.