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Mandamentos de um Adulto Feliz

Outro dia passeando por um site de notícias me deparei com um link bem interessante: “Os 9 Mandamentos de um Adulto Feliz”. Prontamente cliquei no link, não por ser um adulto infeliz, mas eu queria saber quais eram os tais mandamentos. Fui bater num daqueles sites que falam de moda, life style, e todas essas coisas que estão tão inseridas na minha vida quanto a migração das baleias jubarte. Mas como eu li a postagem antes de perceber qual era a do site consegui ler o texto sem preconceitos.

Antes de continuar recomendo que leia o texto nesse link aqui. Só pra nivelar o papo, mas se essa não for a sua vontade, caro leitor, não vai ter prejuízo algum. Agora voltemos ao tema.

Particularmente eu gostei dos mandamentos. O texto é bem escrito e alguns dos mandamentos são relacionados com filmes, o que ajuda a justificar o ponto da autora. Mas uma coisa me veio à mente quando terminei de ler: eu li esse texto por que eu sou um adulto.

Quando a maior parte da sua vida é composta por infância e adolescência não é tão fácil se imaginar como um ser humano adulto. Eu devo ter começado a me ver como tal lá nos meus 20 anos, quando eu comecei o meu estágio. De fato a vida profissional é a forja da vida adulta, tanto é que ao longo da história da humanidade os adultos se tornaram adultos cada vez mais tarde conforme o tempo passava, com isso foram aparecendo cada vez mais períodos de transição. Adolescência não existia até um dia desses e o termo Jovens Adultos já começa a aparecer. Como eu nunca consegui me sentir mais velho do que eu de fato era, imediatamente me enquadrei como um jovem adulto. Por que pra mim um jovem adulto é uma espécie de Pinóquio. Ele só quer ser um adulto de verdade.

Pode parecer exagero, mas ao atingir a maior idade nos tornamos adultos… só que não. Continuando com a analogia do Pinóquio podemos comparar o nosso aniversário de 18 anos com a noite em que o Pinóquio ganha vida.  Ele fica lá todo serelepe por que ficou vivo, que não tem mais cordões nele (sim, eu sei desse lance dos cordões por que assisti Vingadores, não por lembrar do filme do Pinóquio). Mas ele começa a notar que ser um boneco não é suficiente. Então ele corre atrás pra tentar virar um ser vivo de verdade.

Eu nunca fiz questão de correr atrás de coisa alguma pra virar um adulto de verdade, eu estava muito ocupado tentando me acostumar a ser um um adulto de madeira, talvez por isso eu fiquei tão surpreso com meus próprios pensamentos quando terminei o texto dos 9 mandamentos. Durante todo esse tempo eu devia estar tão distraído com o fato de ser um boneco que ganhou vida que não notei que estava me transformando em um menino de verdade. Tanto é que quando eu finalmente comecei a perceber eu já era de carne e osso.

Por não me enxergar como adulto nunca havia parado pra pensar em ser um adulto feliz. Por não ter alimentado meus momentos de infelicidade nunca havia parado pra pensar na felicidade como um objetivo de vida. E talvez por isso eu tenha gostado tanto do ultimo mandamento: crie seus próprios mandamentos. Como eu não poderia deixar de exercitar minha criatividade aqui vai um mandamento meu:

Não persiga a felicidade como se ela fosse a coisa mais importante, não transforme satisfação em obrigação. Deixe pra lá o que te faz infeliz, o que te faz feliz aparece por consequência.

Voz

Uma amiga veio falar comigo dizendo que achou um texto perdido dentro do computador dela e achava que o texto era meu. De fato era meu, tratava-se da primeira versão deste texto aqui. Segundo ela, parecia com as coisas que eu escrevia antigamente, antes de eu moldar a minha voz. Essa afirmação me fez refletir um pouco e achei que valia a pena escrever sobre isso.

Em 2011, quando o texto em questão foi escrito, eu tinha algumas aspirações enquanto escritor semi-amador. Uma dessas aspirações era ter meu próprio estilo. Algo nas minhas linhas que fosse uma espécie de impressão digital. Hoje quase posso dizer que consegui fazer isso, mas não foi pra falar de escrita que eu puxei essa conversa.

Fico pensando se em algum momento tive essa aspiração para minha vida. Se em algum momento eu desejei que a minha singularidade enquanto ser humano fosse não só reconhecida, mas reconhecível. Que nenhuma outra pessoa fosse ouvida através da minha voz. Provavelmente sim, mas não sei se isso é um desejo de todos.

Nos tempos de hoje, onde todos podem falar e ser ouvidos, o que eu mais vejo são palavras repetidas. A maioria parece ter mais vontade de engrossar o coro do que se fazer ouvir. Imagino se ainda existem pessoas que aspiram ter uma voz só sua. Pessoas que querem ser ouvidas em meio a unidade sonora da turba que nos cerca, tendo ou não algo pra dizer. Seres que podem não ser 100% originais, mas que de fato são 100% singulares mesmo dentro de sua falta de autenticidade. Talvez seja por isso que muita gente fica famosa aparentemente sem motivo, apenas por terem suas singularidades reconhecidas e admiradas. Eu sinceramente espero ver um pouco mais disso por aí, pessoas que conseguem falar com sua própria voz, mesmo sabendo que isso está ficando cada vez mais difícil. Já que as pessoas parecem querer ser qualquer coisa hoje em dia, menos elas mesmas.

Dia dos Namorados

12 de Junho. Também conhecido no Brasil como véspera do dia de Santo Antônio e Dia dos Namorados. Por uma coincidência em 2015 essa data tão festiva caiu numa sexta-feira, se caísse em outro dia eu ia falar dele mesmo assim por isso não podia deixar a oportunidade de discorrer sobre.

Eu nunca fui muito fã do Dia dos Namorados. Quando eu era mais novo não gostava pelo simples fato de sempre passar o 12/06 desacompanhado, motivo que eu considero até justo, mas que na prática é bem besta, tanto é que isso foi mudando com o tempo. Hoje em dia eu não gosto do Dia dos Namorados por causa do circo que armam em cima dessa data.

Imagino que em algum momento da história o dia 12 de Junho tenha sido um dia mais singelo, onde as demonstrações de carinho e afeição entre os namorados eram menos extravagantes e escancaradas. Não vou bater na tecla de que esse dia se transformou em uma data puramente comercial, não é novidade pra ninguém que no ritmo que as coisas vão logo logo o Dia da Árvore vai ser uma data importante pro comércio. Meu problema com o Dia dos Namorados vem justamente do fato de tudo ter se tornado público.

Com o advento das redes sociais tudo se tornou público. Uma quantidade incalculável de pessoas criou o hábito de colocar suas vidas na internet pra todo mundo ver, levando em consideração que os namoros fazem parte das vidas das pessoas não é de se estranhar o que acontece todos os anos. O romantismo em si não é um problema pra mim, o que realmente me incomoda é a facebookização do Dia dos Namorados.

Antes de continuar devo fazer um adendo. Se você, caro leitor enamorado (ou não), é uma pessoa que faz declarações de amor sinceras e verdadeiras na internet não deve se importar com o que eu vou dizer agora, não é sobre você que eu estou falando. Voltemos ao raciocínio.

Uma vez meu irmão me disse que quando uma empresa não tem um produto que pode ser vendido atravéz de propaganda ela faz propaganda pra se vender como empresa. Hoje a cria do nosso amigo Zuckerberg é praticamente um acervo de propaganda. As pessoas fazem propagandas de suas vidas, se vendendo como pessoas, e isso todo mundo tá cansado de ouvir, porém tomando como base esse raciocínio podemos dizer que muitos vendem seus relacionamentos em redes sociais da mesma forma. Quantas pessoas hoje farão suas declarações, obviamente ilustradas por um mosaico de fotos com momentos felizes do casal, mais preocupadas com o que os outros vão achar do que com a reação da pessoa amada? Quantos casais que estão trocando juras de amor nesse momento não conseguem nem passar um dia sem brigar?

Mas o texto está ficando muito sério e hoje é não é dia pra isso. Hoje é dia de ouvir aquele rock farofa dos anos 80, seja por estar com alguém ou pra ficar roendo na solidão, de mandar e receber flores, de fingir que gostou do presente de ganhar aquela coisa que te faz dizer “Não acredito!” e logo depois um “Não precisava” seguido de um “Adorei!”. Dia de fazer o mundo inteiro saber que você gosta de verdade de alguém, ou de simplesmente fazer a única pessoa que realmente importa lembrar disso, ou de fazê-la saber. Afinal nem toda declaração tem que ser feita pra todo mundo ver, por que o amor existe muito antes da internet e ninguém nunca precisou dela pra dizer o que sente até um tempo desses.

Sexta-Feira

Sexta-feira.

De todos os dias da semana não há mística maior do que aquela que envolve a Sexta.  Nem mesmo a Segunda consagrada como um dia maldito pelos seus eternos desafetos consegue superar o véu tecido pelos adoradores do sexto dia. Não são todos que detestam a pobre Segunda-feira, mas dificilmente existe um ser racional que não goste da Sexta.

Ela é um daqueles bastiões de igualdade que existem no mundo. Não importa o que você vai fazer. Se você vai beber até cair, se vai até altas horas em uma balada, se vai se agarrar com um numero incontável de elementos do sexo oposto ou se vai simplesmente capotar no sofá durante o intervalo da novela. O momento único em que todas as amarras se soltam, você respira fundo e pensa: “Agora só Segunda” não acontece só comigo e com você, é algo compartilhado por todos os mortais.

É nesse momento mágico que a deusa Sexta desce de seu trono celeste e abraça todos os mortais com amor, liberdade e a possibilidade de não trabalhar ressacado no outro dia. Em um instante o abraço quase materno do fim do sexto dia tira de você o gosto amargo das quatro segundas-feiras que vieram antes, trocando-o pelo sabor doce da noite de sexta-feira.

A noite de Sexta não é excludente e discriminatória como a noite de Sábado, que massacra sem dó os solitários, os tímidos e os desprovidos de grana ou de ânimo pra sair de sua casa. Para noite de Sexta está reservado o ritual mais sagrado da semana, aquele que normalmente nos faz acordar mais tarde no outro dia e dar graças a Deus por ser sábado. Depois disso o que resta são os 20 minutos que o fim de semana costuma durar. Mas os dois dias que se seguem nunca serão tão mágicos quanto a doce Sexta, são logo eclipsados pela sombra negra da segunda-feira. E quando ela finalmente chega não é por sábados ou domingos que nossos corações anseiam. Clamamos por ela, clamamos pela Sexta. É só ela que queremos.

No final nada disso importa, até por que hoje é sexta, qualquer coisa além disso pode esperar até semana que vem.

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