Não é um blog sobre cachorros e bikinis

Tag: Praia

Contos de Segunda #50 – Parte 01

Essa é a terceira parte da história da Dama da Segunda-feira. Pra saber como toda essa história começou é só ler os Contos de Segunda #38 e Contos de Segunda #43.

Desde tempos imemoriais as Damas escolhem entre os mortais aqueles dignos de receber uma porção de seus poderes. Uma dádiva que está além da imaginação de qualquer mortal. Foi para finalmente encontrar um Cavaleiro que a Dama da Segunda-feira resolveu procurar pela Dama do Mar e aprender o seu canto de sereia.

    — Por que a gente nunca viaja de carro? — Perguntou Sexta-feira.

    Era uma segunda-feira de feriado. As Damas da Semana tinham entrado em uma passagem dimensional criada por Quarta-feira e saído em uma pequena cidade litorânea.

    — Eu gostava mais quando a gente viajava antigamente — resmungou Quinta-feira. — Parece que vocês não gostam mais de juntar as irmãs.

    — Estamos prestes a cometer um crime, temos uma irmã que consegue dobrar o tempo e o espaço e outra que está quase pirando — disse Terça-feira contando nos dedos.

    — Ei! — Interrompeu Segunda-feira. — Eu não estou pirando… Pelo menos ainda não.

    A verdade é que aquele feriado tinha drenado tanto das energias excedentes de Segunda que ela sentia a cabeça funcionando muito melhor do que nos últimos dias.

    — Isso é maluquice — disse Quarta-feira como se falasse sozinha. — A Mãe vai transformar a gente em pó.

    — Não se a gente fizer rápido — rebateu Terça. — E agora, Segunda?

    — Peguei uma dica com uma Dama do Rio que é minha aluna de literatura. Ela contou que nessa praia tem uma trilha que só uma Dama pode enxergar, se seguirmos a trilha chegamos ao santuário da Dama do…

    — Santuário!? — interrompeu Quarta com o sangue fugindo do rosto. — E eu pensando que a Mãe ia nos matar. A gente vai morrer antes!

    — Relaxa que a gente já entrou em outros santuários — tranquilizou Sexta.

    — Um ou dois, Sexta, e eles estavam vazios — lembrou Quinta.

    — Uma Dama é absoluta em seu santuário, Segunda — disse Terça olhando nos olhos da irmã. — Ela é mais antiga do que a gente e praticamente invencível em seu lugar de poder. Tem certeza que quer fazer isso?

    Apenas o silêncio respondeu à pergunta da Dama. Segunda sabia do perigo de enfrentar uma entidade tão poderosa em seu território, mas o tempo corria contra ela e as alternativas eram poucas.

    — Coloquem os biquínis e me esperem na praia — disse Segunda com um tom sério. —  Volto assim que achar a trilha. Tentem não chamar atenção

    Segunda sumiu antes que as irmãs pudessem questionar. Para as quatro que ficaram só restou acatar as ordens e partir para a praia.

    A areia estava lotada. A maré estava alta e a área disponível para os guardassóis estava drasticamente reduzida. Mesmo fora de seus dias correspondentes, as Damas da Semana emanavam poder suficiente para chamar a atenção de todos os mortais, alguns já estavam completamente enfeitiçados pela beleza feérica do quarteto.

    — Temos que ficar separadas — disse Quarta. — Mais tempo juntas e metade da praia vai entrar em transe.

    — Preciso me conectar às forças que circulam nesse lugar — disse Terça tirando da bolsa uma placa que dizia “LEIO SUA MÃO! É GRÁTIS”. — Não estou conseguindo sentir o futuro direito. Vou ficar no calçadão lendo mãos.

    — Vi um quiosque logo ali que parece ter umas bebidas interessantes, acho que vou para lá — completou Quarta.

    — Você quer dizer umas bebidas caras, né? — Desdenhou Quinta. — Eu ouvi música em algum lugar. Eu e Sexta vamos seguir o rastro do som.

    — Não se preocupem em chamar atenção, tá todo mundo olhando pra mim — provocou Sexta.

    Algumas horas se passaram antes de Segunda convocar as irmãs. Quando elas sentiram uma vontade incontrolável de ir para a parte mais deserta da praia, sabiam que era a irmã mais velha chamando. O mar castigava as pedras e a maré ainda não tinha revelado nenhuma trilha.

    — Segunda — disse Terça. — Temos que esperar a maré baixar.

    — Não — respondeu Segunda. — A maré aqui nunca baixa. Faz horas que chegamos e a maré não diminuiu um centímetro.

    — Mas e a trilha? — Perguntou Sexta.

    — É uma trilha que apenas uma Dama pode ver — lembrou Quinta. — A água é para afastar os mortais, não outras Damas.

    Quinta andou em direção às pedras. A cada passo que dava a água se abria diante dos seus pés. Poucos passos depois e já era possível ver uma grande fenda no meio do paredão rochoso. As outras seguiram atrás, pouco tempo depois estavam todas dentro da caverna. Durante alguns minutos elas andaram pelo chão de rocha úmida, nenhuma luz do sol chegava ali, mas algo no fundo da caverna mantinha o ambiente iluminado. Antes de chegarem à fonte de luz uma voz fez as cinco congelarem.

    — O que temos aqui? Cinco Damas — as silabas eram ditas lentamente, o som escorregava para dentro dos ouvidos delas. — Tão jovens, tão belas… Espero que tenham um bom motivo para invadir meu santuário… Ou vou esquecer que não gosto de matar minhas irmãs.

 

O Biquíni Completa 70 Anos

Eis que estava eu vagando por um portal de notícias local quando me deparo com a seguinte manchete: Biquíni completa 70 anos hoje; relembre os principais modelos de cada época. Estarrecido diante de tal notícia, encarei esse momento como um sinal dos céus de que eu precisava dedicar uma postagem ao traje de banho mais popular do mundo. Afinal o biquíni está no nome deste blog e já que eu não sei a data da invenção do cachorro, tenho o dever de pelo menos celebrar o aniversário do biquíni.

    Segundo a Wikipédia, o primeiro registro de um traje similar ao biquíni sendo  claramente utilizado para um fim específico é um mosaico romano do século IV, onde várias moças aparecem praticando esportes. Como os romanos eram uma galera prafrentex, não tanto quanto os gregos que faziam tudo pelados, não é de se estranhar que eles fossem pioneiros na prática de reduzir os trajes para algum fim específico. A maior prova disso é que o próximo ponto na história do biquíni é 5 de Julho de 1946, mais especificamente em Paris e duas coisas sobre esse momento na história me chamaram a atenção. A primeira é que até hoje biquíni é marca registrada na frança e a segunda é que o biquíni nasceu por causa de birra.

    Em 1946 um estilista chamado Jacques Heim mostrou pra todo mundo o átomo, ou como ele mesmo dizia “o menor maiô do mundo”. Três semanas depois o estilista Louis Réard apresentou o biquíni como “menor que o menor maiô do mundo”. Fico imaginando como nosso amigo Louis ficou durante essas três semanas em que ele tramou malignamente derrubar o rival com uma peça mais polêmica.

    O nome biquíni vem do Atol de Bikini que fica na Micronésia e onde no mesmo 1946 a galera fazia teste com bomba atômica. Hoje em dia ninguém mora lá, bomba atômica não é uma coisa que costuma deixar os lugares muito habitáveis. Segundo a Wikipédia, o nome foi usado por causa da ideia que o impacto causado por uma mulher usando biquíni era similar ao efeito de uma bomba nuclear… Assim… Marromenos. Apesar de não ter a capacidade de deixar ilhas da Micronésia desabitadas, o biquíni de fato causou um grande impacto.

    Não preciso nem dizer que naqueles tempos os biquínis geraram polêmica. Afinal depois que o Império Romano caiu, o ser humano ficou com uma certa nóia de não querer mostrar o corpo. Por causa disso o biquíni foi proibido em diversos países, inclusive a França, mas sempre tem uma galera mais moderna que abraça a causa, combate o conservadorismo e rompe com os padrões sociais, com o biquíni não foi diferente. Como artista é um povo muito prafrentex, foram justamente as atrizes da época que abraçaram a causa do biquíni com mais força e contribuíram pra popularizar tão singular traje de banho.

    No Brasil o biquíni foi visto pela primeira vez em 1948, mais especificamente no corpo da alemã Miriam Etz. Apesar do estranhamento inicial o Brasil acabou abraçando o biquíni, nada mais natural pra um país quente que nem o inferno tropical com uma faixa litorânea gigantesca. E depois de pegar por aqui o biquíni foi diminuindo, mudando, ajustando e hoje em dia o Brasil não é só sinônimo de biquíni, mas também o biquíni brasileiro é provavelmente um dos mais icônicos do mundo.

    Posso soar meio machista ao dizer isso, mas biquíni é coisa de mulher. Provavelmente uma das peças mais importantes na mudança da moda feminina, principalmente nos arredores dos trópicos. Provavelmente uma dos trajes mais femininos, talvez ficando atrás somente do vestido. Símbolo de uma quebra de padrões e de preconceitos, ou apenas uma prova que as moças estavam se sentindo um pouco mais poderosas. Pra fechar o texto fico com a definição de Leon Eliachar para o biquíni: “um pedacinho de pano cercado de mulher por todos os lados”.

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén