Não é um blog sobre cachorros e bikinis

Tag: Verão

Eu, Você e Os Hits do Verão

    Verão. A única estação que, ao contrário do inverno, acontece mais ou menos do mesmo jeito em todo o país. O frio é seletivo, mas o calor é para todos e, assim como ele, as coisas de verão costumam se alastrar de forma bem uniforme por toda Terra Brasilis. Dentre todas as coisas de verão a que mais costuma afetar a vida das pessoas é o hit do verão.

Ao longo de todo o ano algumas músicas chegam ao topo das paradas de sucesso, mas os hits de verão não são iguais aos outros hits. Como o nome já diz, essas músicas costumam explodir em uma época muito específica do ano. O hit de verão costuma aparecer lá pra dezembro, bem a tempo de embalar as festas de fim de ano. Ele também não precisa ser lançado necessariamente no verão. Imaginemos essas músicas como uma espécie bomba relógio programada pra explodir quando a galera começa a ir pra praia. Normalmente isso se dá pela posição geográfica do dono do hit e pela velocidade em que o sucesso da música cresce. Isso acontece de forma bem orgânica e não depende tanto dos veículos tradicionais de mídia para tanto, principalmente quando a música tem conteúdo explícito. É uma coisa que acaba passando de pessoa pra pessoa, coisa que hoje é até mais fácil por causa da internet. Mas até aí nada difere muito o hit do verão de um hit comum. É quando chegamos na hora de falar sobre as duas características que tornam o hit de verão tão peculiar.

A primeira delas é que o hit do verão normalmente é eleito o hit do verão. Não é muito incomum você ver as pessoas dizendo que tal música é “a música do verão” ou o “hit do verão” ou, dependendo da música, “a música do carnaval”. Os termos variam, mas de fato algum desses títulos é atribuído à música coroando o sucesso da mesma. Mas devemos lembrar que esse título tem um efeito adverso: a música ganha um prazo de validade. É exatamente essa a segunda característica.

Os hits de verão costumam ficar vivos enquanto o período de veraneio está em vigência. Isso não acontece exatamente na mesma época todo ano, até porque no Brasil o período mais, digamos, contente do verão acaba junto com o carnaval. Que é quando o ano de fato começa. Sacou a diferença? Agora que terminamos as características gerais do hit de verão eu posso falar das coisas que nem todo mundo vai concordar.

A única característica do hit de verão que faz diferença na minha vida é: a música de verão é a música mais chata do ano. Seu vizinho deu uma festa? Vai tocar o hit do verão. Passou um cara com o som alto na sua rua? Vai estar tocando o hit do verão. Você foi pra praia? Lá vai ter alguém com um som ligado no hit do verão. Foi brincar o carnaval? Vai ouvir o hit do verão. O hit desse ano não é música de carnaval? Vai ter alguém que fez uma versão carnavalesca do hit do verão. Não importa. A certeza é que a música vai tocar, você vai acabar ouvindo algumas inúmeras vezes e vai ficar de saco cheio.

Esse ano o hit do verão, creio eu, ainda não foi de fato definido. Minha aposta pra esse ano é o maravilhoso e arrojado “Deu Onda”, principalmente por contar com uma versão que pode ser cantada pelas crianças e outra para os maiores de 18 anos. Além de inspirar uma série de memes, piadinhas e derivados internets afora. De todo jeito o carnaval ainda tá longe e ainda vai tocar muita coisa até lá. Boa sorte pra todos nós.

A Mentira Nossa de Cada Fim de Ano

Dezembro está no ar e com ele a temporada de fim de ano. Essa época tão peculiar do ano que é carregada de mentiras e enganação. E foi por causa de um amigo meu que eu parei pra pensar em como o fim de ano é um aglomerado de mentiras, invenções e derivados.

A mentira já começa na infância, onde somos induzidos a pensar que os presentes que ganhamos são trazidos por um velho escandinavo obeso que voa pelo mundo em uma velocidade sub-lúmica em seu trenó puxado por renas voadoras. A pior parte disso tudo é que os nossos pais, que normalmente compram os nossos presentes, não recebem nenhum crédito. Mesmo gastando um pedaço considerável do seu salário, nossos pobres genitores têm seu esforço eclipsado pela figura vermelha e redonda vinda sei lá de onde. A pior parte disso é que normalmente são eles que nos induzem a acreditar no velho Noel.

Outra mentira contada é sobre o clima natalino. Por causa dos filmes, séries, desenhos e afins que consumimos, somos levados a pensar no natal como uma época cheia de neve, com pinheiro pra todo lado, boneco de neve e essas coisas. Todos os enfeites remetem a neve, frio, gelo, inverno e essas coisas que só existem nos países mais pra cima do globo. Só que nós vivemos, como diz aquela música, rente aos trópicos, onde as águas de março costumavam (em alguns lugares ainda costumam) fechar o verão. Note que são as águas DE MARÇO que acabam com o verão e fazendo a conta inversa é fácil perceber que o nosso natal acontece no começo do verão. Ou seja, não dá nem pra dizer que tá pegando uma brisa fresquinha no natal, quanto mais associar o aniversário de Jesus com alguma coisa fria. E isso me lembra mais uma invenção do fim de ano.

Não sei se você sabe, mas em lugar nenhum da bíblia tem dizendo quando Jesus nasceu. É bem provável que ele tenha nascido no meio do ano, já que o relato biblíco fala de pastores dormindo no meio do campo e acordando com um coral de anjos e em dezembro faz muito frio lá pros lados da palestina, impossibilitando os pastores de dormirem ao relento com seus animais. Aí você pode estar se perguntando: “e de onde a gente tirou que Jesus nasceu no natal?”. Devemos isso aos nossos compadres romanos, que estavam numa vibe de adorar um deus chamado Mitra antes do imperador se converter a uma religião quase recém nascida chamada cristianismo. Por causa disso os cristãos deixaram de ser comida de leão do coliseu e o imperador decidiu que todo mundo tinha que ser cristão junto com ele. Mas até pro imperador romano é meio ruim de convencer todo mundo a mudar de crença do nada, por isso ele aproveitou que Mitra tinha uma história parecida com a de Jesus, instituiu o aniversário de Cristo no fim do ano e pediu pra galera bater parabéns pra ele em vez de fazer isso pra Mitra.

Como você pode ver o final de cada ano é cheio de enganação e de histórias mal contadas. Praticamente tudo que a gente faz não tem o seu propósito original ou é a adaptação de alguma coisa mais antiga. No final todos nos deixamos enganar, até porque uma coisa que costumamos evitar no fim do ano é parecer chato, e ficar reclamando de todas essas mentiras contadas desde sempre nos faz parecer bem azedos.

O Biquíni Completa 70 Anos

Eis que estava eu vagando por um portal de notícias local quando me deparo com a seguinte manchete: Biquíni completa 70 anos hoje; relembre os principais modelos de cada época. Estarrecido diante de tal notícia, encarei esse momento como um sinal dos céus de que eu precisava dedicar uma postagem ao traje de banho mais popular do mundo. Afinal o biquíni está no nome deste blog e já que eu não sei a data da invenção do cachorro, tenho o dever de pelo menos celebrar o aniversário do biquíni.

    Segundo a Wikipédia, o primeiro registro de um traje similar ao biquíni sendo  claramente utilizado para um fim específico é um mosaico romano do século IV, onde várias moças aparecem praticando esportes. Como os romanos eram uma galera prafrentex, não tanto quanto os gregos que faziam tudo pelados, não é de se estranhar que eles fossem pioneiros na prática de reduzir os trajes para algum fim específico. A maior prova disso é que o próximo ponto na história do biquíni é 5 de Julho de 1946, mais especificamente em Paris e duas coisas sobre esse momento na história me chamaram a atenção. A primeira é que até hoje biquíni é marca registrada na frança e a segunda é que o biquíni nasceu por causa de birra.

    Em 1946 um estilista chamado Jacques Heim mostrou pra todo mundo o átomo, ou como ele mesmo dizia “o menor maiô do mundo”. Três semanas depois o estilista Louis Réard apresentou o biquíni como “menor que o menor maiô do mundo”. Fico imaginando como nosso amigo Louis ficou durante essas três semanas em que ele tramou malignamente derrubar o rival com uma peça mais polêmica.

    O nome biquíni vem do Atol de Bikini que fica na Micronésia e onde no mesmo 1946 a galera fazia teste com bomba atômica. Hoje em dia ninguém mora lá, bomba atômica não é uma coisa que costuma deixar os lugares muito habitáveis. Segundo a Wikipédia, o nome foi usado por causa da ideia que o impacto causado por uma mulher usando biquíni era similar ao efeito de uma bomba nuclear… Assim… Marromenos. Apesar de não ter a capacidade de deixar ilhas da Micronésia desabitadas, o biquíni de fato causou um grande impacto.

    Não preciso nem dizer que naqueles tempos os biquínis geraram polêmica. Afinal depois que o Império Romano caiu, o ser humano ficou com uma certa nóia de não querer mostrar o corpo. Por causa disso o biquíni foi proibido em diversos países, inclusive a França, mas sempre tem uma galera mais moderna que abraça a causa, combate o conservadorismo e rompe com os padrões sociais, com o biquíni não foi diferente. Como artista é um povo muito prafrentex, foram justamente as atrizes da época que abraçaram a causa do biquíni com mais força e contribuíram pra popularizar tão singular traje de banho.

    No Brasil o biquíni foi visto pela primeira vez em 1948, mais especificamente no corpo da alemã Miriam Etz. Apesar do estranhamento inicial o Brasil acabou abraçando o biquíni, nada mais natural pra um país quente que nem o inferno tropical com uma faixa litorânea gigantesca. E depois de pegar por aqui o biquíni foi diminuindo, mudando, ajustando e hoje em dia o Brasil não é só sinônimo de biquíni, mas também o biquíni brasileiro é provavelmente um dos mais icônicos do mundo.

    Posso soar meio machista ao dizer isso, mas biquíni é coisa de mulher. Provavelmente uma das peças mais importantes na mudança da moda feminina, principalmente nos arredores dos trópicos. Provavelmente uma dos trajes mais femininos, talvez ficando atrás somente do vestido. Símbolo de uma quebra de padrões e de preconceitos, ou apenas uma prova que as moças estavam se sentindo um pouco mais poderosas. Pra fechar o texto fico com a definição de Leon Eliachar para o biquíni: “um pedacinho de pano cercado de mulher por todos os lados”.

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