Não é novidade pra ninguém que muita coisa que você fazia/dizia/sentia/gostava quando era criança muda totalmente quando você vira adulto. Elas são uma forma da vida te convencer de que a era de ouro da sua vida já  era e que toda esperança de que ela voltará deve ser abandonada e a vida tem que seguir rumo à maturidade. Um dos grandes exemplos disso é o significado diferente que uma das palavras mais sublimes da língua portuguesa pode ter. Estou falando das belas, maravilhosas e ansiosamente aguardadas Férias.

Quando você é criança, e até um tempo depois disso, as Férias nada mais são do que um período em que você fica longe da escola. É quando se tem tempo de sobra pra fazer a única coisa que dá pra fazer nas idades mais baixas: ser criança. Coisa que fica muito mais fácil quando a escola não está lá pra atrapalhar. Tudo isso muda muito quando a gente cresce, por um simples fato: um adulto é dono do seu próprio nariz, mas não é dono do seu próprio tempo.

Pra todo mundo, ou pelo menos pra maior parte das pessoas, chega uma hora da vida em que é preciso oferecer sua força de trabalho em troca de alguns cobres no fim do mês. Por causa disso todo o tempo que possuímos é gasto com o trabalho ou tem o uso que fazemos dele limitado por causa do trabalho. Por isso a sensação que se tem quando as Férias chegam e você é adulto é justamente a de que seu tempo é seu mais uma vez.

Mas ao contrário dos tempos de criança, nem sempre as férias chegam de maneira tranquila. Elas são um direito garantido de todo o trabalhador com carteira assinada, mas elas podem sofrer um ataque severo dos chefes e acabarem adiadas, reduzidas ou simplesmente ignoradas. Além disso nada pode ficar pendente. Sair de férias e deixar trabalho pra depois está totalmente fora de questão. O único trabalho que deve esperar pela sua volta é o trabalho que surgiu durante sua ausência e não o que já estava lá antes de você sair.

Depois de todas as barreiras vencidas e todos os gigantes derrubados é chegado o momento sublime em que sentimos nossas velas estufadas pelos ventos da liberdade e navegamos para as águas tranquilas de um paraíso onde o dinheiro entra na sua conta sem que uma palha seja movida.

Depois de alguns dias voltamos pra guerra. Em pouco tempo as férias serão limadas de nossas mentes e não serão nada além de um pensamento distante de uma outra vida que não parece ser a nossa. Mas é como diz aquela musica, você não precisa de férias quando não tem do que fugir… Mas todos nós temos e por isso tiramos férias.

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