Não é um blog sobre cachorros e bikinis

Categoria: Crônicas e Similares Page 10 of 21

Olimpíada Em Câmera Lenta

Os Jogos Olímpicos de 2016 encerraram no último domingo e, assim como suas edições anteriores, deixou uma quantidade incalculável de imagens impressionantes. Durante os poucos eventos que eu consegui assistir e acompanhando a cobertura dos Jogos nas internets cheguei à conclusão que Olimpíada é uma coisa pra se ver em câmera lenta.

    Como eu disse no dia da abertura, os Jogos por si só são uma das coisas mais incríveis do universo, mas, assim como tudo na vida, a beleza do evento olímpico está no detalhe. A beleza que se esconde na força, na técnica, no salto, na queda, no salto, no suor e na dor. Graças às transmissões podemos ver coisas que só são reveladas pela magia do replay, uma câmera lenta que supera qualquer slow motion do cinema. Detalhes que até um tempo atrás passavam invisíveis diante dos olhos de todos. Cenas que não foram ensaiadas para desfilar vagarosamente na tela do cinema, mas sim detalhes garimpados pelos olhos que miram a alta definição das câmeras.

    E o que dizer dos atletas? Não é de se estranhar que pessoas que eles dessem um jeito de levar para dentro das competições um pouco da sua personalidade. Não foi raro ver imagens de atletas com suas tatuagens, equipamentos personalizados e unhas decoradas. Dentro da rigidez dos regulamentos os competidores conseguiram levar um pouco de suas vidas pra dentro das arenas, ginásios e estádios. Seus desejos, suas motivações e seus sonhos entraram com eles em cada prova. Saber que Nathan Schrimsher competia “Por Você” ou que a arqueira carregava nos braços o desejo de ser “Melhor” e que Lee Eun-ju só queria registrar o momento em que competiu com a vizinha da Coreia do Norte, nos faz enxergar todos aqueles atletas como seres tão humanos quanto qualquer um de nós.

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Pessoas que estão ali vivendo o ponto alto de suas vidas. E não é de surpreender que aqueles que usam o corpo como ferramenta de trabalho registrem em seus corpos algo que suas mentes nunca vão esquecer.

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Pra encerrar convido a todos a acessar a galeria de imagens sensacional que está lá no site do jornal El País ou qualquer outra galeria com registros dos Jogos de 2016, até uma busca no Google Imagens tá valendo, mas não deixe de olhar os últimos dias de competição em câmera lenta. É impossível não se surpreender.

Eu Não Me Arrependo de Nada

Hoje estava eu conversando com uma amiga minha. A conversa ficou meio séria e ela falou ligeiramente sobre o impacto que algumas escolhas tiveram na vida dela. Por um instante eu pensei que ela estava se lamentando, mas uma coisa que ela disse me fez mudar radicalmente de ideia. Pra fechar todo o discurso ela disse: “”mas eu não me arrependi”. Imediatamente vieram duas coisas na minha cabeça. A primeira foi esse GIF da galinha que não se arrepende de nada.

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A segunda foi que nem tudo que a gente não fez é motivo de arrependimento.

Pare pra pensar em quantas coisas que você fez e geraram algum tipo de arrependimento. Quantas dessas coisas você se arrependeu de fazer só por que os outros esperavam que você se arrependesse? Não falo de erros, falo de escolhas. Coisas que cabiam apenas a você decidir e o único a sofrer as consequências foi você mesmo. Se você desistiu de fazer alguma coisa ou de seguir algum rumo e a decisão foi sua, não pense em como poderia ter sido ou como seria tomar outro caminho. Saboreie o mérito de segurar as rédeas da sua própria vida. Olhe na cara fria e cruel da realidade e diga:

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Boa parte das nossas inseguranças vem do medo de se arrepender depois. Não digo para sermos inconsequentes, mas naquelas horas que faltar um pouco de coragem, olhe para o abismo e quando der aquele salto de fé na direção do vazio diga:

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Mudar os planos, desistir, aceitar e seguir em frente faz parte da vida. Não deixe ninguém te fazer sentir um falso arrependimento. Lembre que é pra frente que se anda e essas coisas só fazem ocupar um espaço que não é delas. Se você parar pra pensar vai ver que muito do que muita coisa que você passou não teve nada a ver com erro ou acerto. Muitas vezes não existiram escolhas erradas ou certas, apenas escolhas e não foi mais ninguém além de você quem decidiu. Aposto que quando você fizer uma retrospectiva disso vai chegar à mesma conclusão que esse macaco aqui chegou.

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Não tenho muito pra dizer depois disso, só desejo menos arrependimento e um pouco mais de leveza na vida de todo mundo. Esqueçam um pouco essas coisas chatas e aproveitem o passeio… Ou a descida do barranco.

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“Acho Que Tá Limpa”

    Ontem estava eu manufaturando minha refeição noturna quando tive uma iluminação divina. Um daqueles momentos em que você atenta para algo que sempre esteve ali e sempre passou batido. Tudo aconteceu quando eu usei uma faca e joguei no balcão da pia. Pouquíssimo tempo depois precisei de uma faca olhei pro balcão da pia, mais especificamente pra faca que eu acabado de jogar lá, e pensei: “acho que tá limpa”. Naquele exato instante eu atentei para a maravilha de um sentimento que eu já tinha experimentado. Eu degustei o maravilhoso sentimento de simplesmente não ligar pras coisas.

    O nosso mundo atual coloca na cabeça da gente uma série de preocupações. Preocupação com o futuro, com o passado, com o governo, com os árabes refugiados, com o fim do pacote de dados do celular, com a zika, com a hora de acordar, com a hora de dormir, com a hora de acordar, com o que a gente come ou não come e mais um monte de coisa. Como é saboroso o momento de total abstração, de não se importar, de cagar e andar não estar nem aí e nem vir chegando. Como é deliciosa a inconsequência cotidiana que nos dá coragem pra tomar aquele negócio que já fez aniversário na geladeira ou que nos faz ignorar a existência de germes ou bactérias. Que nos motiva a comer aquele lanche no meio da rua que é praticamente um desacato à saúde pública em forma de alimento gorduroso.

    Diversas vezes eu fui classificado como uma pessoa que não liga pras coisas. Várias vezes de fato eu tive atitudes que reforçam essa verdade, mas nunca tinha parado pra pensar no quanto isso é libertador. É provável que a coincidência de um momento desse acontecer em uma época em que várias coisas consomem meu juízo. Não consigo puxar da memória um momento em que os efeitos terapêuticos de conseguir brevemente parar de me importar com tudo.

    Pra encerrar convido você, querido leitor, a se desapegar um pouco das preocupações. Convido a testar os efeitos terapêuticos de se desapegar das nossas próprias preocupações. A respirar fundo e encher os pulmões com o ar das pequenas irresponsabilidades da vida.

Mas Que Merda, Hein

No momento em que eu escrevo o início desse texto faz apenas um minuto que a frase do título apareceu na minha cabeça. Mais uma vez eu me pego substituindo um tema pensado há muito tempo. Mais uma vez eu me pego usando um tema que surgiu do nada, mas pela primeira vez na história eu estou substituindo um tema tão em cima da hora.

Estava eu procurando gifs pra ilustrar o post desta sexta-feira. Achei uns bem interessantes, já estava pensando em como desenvolver o assunto e nas piadas ruins que eu faria sobre isso. Foi nesse instante que minha cabeça iluminou. Olhei praquela ideia, olhei pra o que eu estava prestes a escrever, olhei pros GIFs que eu tinha juntado até então. Fiz um dois mais dois e o quatro que saiu foi provavelmente a avaliação mais sincera que eu já fiz do meu trabalho: “mas que merda, hein”.

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Como é maravilhosa a sensação de ver o tamanho da merda que você está prestes a gastar sua energia e tempo em algo que não vai dar resultado e que provavelmente seria abandonado na metade. Imagine o custo operacional, o stress e o desânimo que desistir de um post meio escrito e ter que arrumar alguma coisa menos pior pra postar e terminar o dia com o velho gosto de “é o que tem pra hoje” na boca. Mas não hoje, não hoje, querido leitor. Hoje eu vi a ideia merda ruim em sua totalidade. Eu olhei nos olhos da fera ainda em formação e assassinei a desgraçada sem dó antes que ela pudesse fazer algum mal.

Esse tipo de coisa costuma deixar algo bom. Aprendizado, experiência ou até mesmo um ponto a mais em pensamento crítico ou um sinal de que eu consigo ser imparcial na avaliação do meu próprio trabalho. No meu caso não deixou nada além desse GIF sensacional:

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A reflexão que eu deixo pra você, amado leitor, é justamente sobre o apego que temos às nossas ideias. Não se sinta mal de achar sua ideia uma bosta. Antes você achar uma bosta do que todo mundo achar no seu lugar.

“Tira Foto e Põe No Instagram”

Ontem estava eu conversando pelo Vatezape com um amigo meu da faculdade. Entre um mensagem e outra eu falo que no futuro próximo vou fazer uma viagem a trabalho. Imediatamente ele me diz “tira foto e põe no Instagram”. Imediatamente eu me imaginei fazendo isso:

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Depois a conversa seguiu e eu não vi nada demais nessas palavras, mas depois eu parei pra prestar atenção e percebi que esse meu amigo já tinha chegado à conclusão de que esse era o único jeito de me fazer colocar algum registro dessa viagem na internet.

    Quem me conhece sabe que a minha vida nas redes sociais é totalmente low profile. Eu não faço check in, eu não coloco foto e no meu Instagram tem tudo, menos a minha cara. Não faço isso por qualquer tipo de convicção e nem tenho algo contra as pessoas que fazem isso de forma moderada e consciente. É mais uma questão de falta de vontade do que de qualquer outra coisa. Já que não dá vontade de colocar nada na internet, eu acabo esquecendo de registrar as coisas e de principalmente aparecer nas minhas próprias fotos.

    Diante disso não é de se estranhar que vez ou outra apareça alguém me falando coisas como “tira foto lá”, “tu tem que aparecer nas fotos” ou qualquer equivalente desses. Aparentemente algumas pessoas mais próximas realmente querem ver quando eu faço alguma coisa diferente ou quando eu vou pra algum lugar, até por que qualquer uma das duas coisas acontecem muito raramente e quando acontecem as pessoas que só tem contato comigo esporadicamente sequer ficam sabendo que tal fato aconteceu.

    Talvez minha cabeça ainda esteja no tempo em que as pessoas chegavam pra falar com as outras e tinham um monte de coisa da vida pra contar. Hoje em dia quando algumas pessoas vão me contar alguma coisa sempre rola um “eu te vi falando no Facebook, como foi isso?”, fora as vezes que os assuntos já publicados em redes sociais nem entram na pauta, afinal todo mundo já sabe.

Talvez na minha cabeça as redes sociais sejam melhores pra compartilhar besteiras diversas, marcar amigos em coisas que eu acho interessantes do que pra… Digamos… Socializar. Muito provavelmente se alguém quiser fuçar nos meus perfis internéticos não vai ter muito no que fuçar. Obviamente ainda dá pra me ver sendo marcado em fotos e check ins de amigos, mas é bem provável que tenha mais coisa sobre mim no Cachorros de Bikini do que no meu Facebook. Por isso vou tentar lembrar dos amigos quando eu inventar de fazer alguma coisa que mereça um registro. Não garanto nada, mas vou tentar.

Jogos Olímpicos 2016

    Agosto de 2016. Pela primeira vez na televisão na história da humanidade o Brasil vai sediar os Jogos Olímpicos. Diante disso nosso assunto de hoje não poderia ser outro além de Pokémon Go da Olimpíada.

    Não preciso dizer que os Jogos são uma das coisas mais incríveis do mundo. Na minha humilde opinião isso nem é por causa da cerimônia da abertura, da quantidade absurda de pessoas envolvidas na organização/realização dos trocentos eventos que acontecem em um período muito curto ou algo relacionado ao tamanho do evento. Eu acho tudo incrível por que eu sempre tento fazer o exercício mental de me colocar na perspectiva de um daqueles atletas.

    Imagine que toda a sua vida foi regida por um único objetivo. Horas de dedicação todos os dias. Durante todos os anos de mais da metade da sua vida. Aí você chega lá. Mesmo praticando um esporte extremamente desconhecido você tem a chance de se transformar em um herói nacional. Você está na elite, vestindo as cores da sua pátria, amada ou não, ao lado de lendas vivas do esporte, perseguindo um lugar entre os imortais do esporte. Toda a sua vida, todo o seu esforço e todos os seus sacrifícios te levaram até ali e você tem poucos dias, na maioria dos casos poucas horas ou até mesmo poucos minutos pra determinar se tudo foi em vão ou não. Imagine o tamanho da ansiedade de um ser humano desse.

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    Então ampliamos o nosso espectro e observamos tudo de um plano um pouco mais amplo e as coisas ficam ainda mais impressionantes. Nos Jogos as coisas mais incríveis que um ser humano pode fazer acontecem. Onde pessoas levam seus corpos ao limite humano e fazem coisas que só dá pra acreditar por que tem replay.

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    Obviamente não só do épico vivem os Jogos, afinal os atletas são pessoas, tão humanas quanto qualquer um de nós. Carrancudos, bem humorados, sérios ou descontraídos, com todos os gritos, choros, risos, caretas, mungangas e cacuetes, são eles que dão personalidade aos Jogos. Deixando uma marca singular, talvez não na história do esporte, mas pelo menos no coração do público.

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Infelizmente esse ano a Olimpíada tem um gosto meio amargo. Consequência do gosto amargo que o Brasil tem de uns tempos pra cá. Só fazendo um exercício mental pesado vai dar pra ver tudo acontecendo sem ficar indignado. Vou tentar imaginar tudo aquilo que eu vou ver na televisão e na internet como se estivesse acontecendo em um lugar bem longe daqui. Como se o Brasil estivesse sediando os Jogos Olímpicos de Marte e os do planeta Terra estivessem acontecendo em universo diferente… É, acho que desse jeito dá certo.

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Eu, Você e Pokémon Go

    Acho que faz quase um ano que foi anunciado o Pokémon Go. Lembro que quando eu vi essa notícia a minha reação foi mais ou menos essa.

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    Lembro de ter pensado “ok, é um Pokémon pra quem não joga Pokémon”. Lembro de ter pensado que ninguém devia ter achado essa história de Pokémon pra celular grandes coisas. Aos poucos percebi que eu estava errado, um comentário aqui, uma notícia ali e não demorou muito pra ter um monte de gente em efervescência falando como ia ser legal, não vou precisar comprar um vídeo game pra jogar Pokémon maravilha da tecnologia e derivados. Foi então que eu notei que muita gente, mas muita gente mesmo queria jogar Pokémon Go.

    Antes de continuar devo abrir um parênteses. Eu me considero um fã dos jogos Pokémon. Já gastei algumas centenas de horas da minha vida jogando Pokémon, ou seja, qualquer palavra desse texto está totalmente desprovida de qualquer tipo de ódio por Pikachu e seus amigos. Sigamos com o tema.

    Pokémon Go é a confirmação da minha teoria de que Pokémon é uma doença. Se o vírus dele te infectar é pra vida toda. Mesmo depois de um, dois, dez, quinze anos sem nem ver um Pikachu na sua frente, basta o mínimo de interação com qualquer coisa relacionada a esses bichos malditos maravilhosos que tudo volta com força. Se não acredita basta dar uma sacada nesse infográfico divulgado esses dias e que eu roubei lá do site Pokémon Blast News.

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    Praticamente metade dos usuários ativos acima dos 13 anos de idade tem entre 18 e 29 anos. Isso quer dizer que metade dos usuários do aplicativo eram crianças no tempo em que a febre do Pokémon pegava mais gente que dengue e zika. Uma geração inteira que teve muito pouco ou nenhum contato com os jogos da série e guardou o sentimento de o desejo de treinar seus próprios pokémons durante a vida inteira. Pessoas que eram órfãs e não sabiam, pessoas que sempre quiseram jogar uma pokébola e ver um “Gotcha!” na tela ou ter o gosto de triunfar em uma batalha difícil contra um líder de ginásio. Milhões e milhões que nunca de fato foram até o Pokémon, mas que estavam de braços abertos quando Pokémon chegou até eles. Aí você me pergunta onde eu fico nessa história toda?

    Fico aqui de boa só observando essa loucura. Qualquer dia eu faço um post só sobre como o mundo enlouqueceu por causa desse negócio, mas existe uma chance muito remota de eu jogar Pokémon Go. A curiosidade que eu tinha está sendo satisfeita pelo que eu converso com as pessoas que estão jogando. O único motivo que eu vejo pra jogar é ter muito mais gente pra batalhar interagir do que no jogo normal, mas ainda assim a novidade que me anima é novo Pokémon que sai agora em Novembro. Pokémon Go pode ser o que for, mas não tem um Sandshrew iglu.

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    Já dizia o filósofo: “Temos Que Pegar”.

Sobre O Nada

Hoje estava eu pensando sobre qual assunto o texto desta sexta-feira falaria. Depois de pensar um bocado percebi que a minha cabeça estava tão fértil quanto o solo de Cartago, mas eu não podia desistir, não poderia deixar de fazer a publicação de sexta. De fato hoje eu não tinha nada sobre o que escrever. Esse quadro desesperador peculiar fez meu cérebro começar a trabalhar.

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    Foi aí que uma ideia piscou na minha cabeça. Inspirado pelos melhores episódios do Pauta Livre News, hoje eu falaria sobre… O Nada.

    Muita gente tem uma verdadeira aversão ao nada. Nada pra ler, nada pra assistir, nada interessante na internet, nada de bom passando no cinema, nada de novo no front e o mais desagradável de todos, o nada acontece feijoada nada pra fazer. Mas havemos de convir que o nada é um dos maiores agentes de mudança do mundo. O nada é provavelmente é o fertilizante mais poderoso para as ideias. O que seria da humanidade se não existisse o nada? O que seria da humanidade se as pessoas nunca tivessem nada pra fazer? Eu acredito piamente que pelo menos metade das ideias que mais mudaram o mundo vieram de uma bela brisada.

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    Por isso, caro leitor, se uma maré inacreditável de nada te cobrir dos pés à cabeça, não encare como uma coisa negativa. Aproveite o ócio, aproveite o tédio, aproveite a brisa, aproveite o nada como a bênção divina que ele é. Aproveite enquanto pode, por que já já aparece alguma coisa e quando você se der conta o nada foi embora e você não fez nada com ele.

Você Não Sabe de Nada, João das Neves

Todo mundo que atualmente habita nas internets sabe que um dos personagens mais populares da atualidade é Jon Snow. Personagem preferido de muitos fãs de Game of Thrones e um dos meus personagens preferidos d’As Crônicas de Gelo e Fogo, João das Neves é um cara relativamente azarado fora da série. Mesmo depois de fazer e acontecer nas últimas seis temporadas de Game of Thrones e em quatro dos últimos cinco livros, ele tem todas as suas proezas ofuscadas por uma única frase.

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    Isso mesmo, por causa dessa moça ruiva o bastardo preferido da cultura pop ficou conhecido como o cara que não sabe nada. De fato Jon Snow percebe que no fim das contas ele não sabe de nada. Seguindo o exemplo de João das Neves, eu já me convenci tem um tempo que eu não sei de nada, mas acho que até essa semana eu nunca tinha percebido o quanto eu sei pouco. Por uma grande coincidência essa epifania me ocorreu por causa de uma moça ruiva.

Aconteceu no último domingo. Estava eu conversando com uma comadre minha sobre uma conquista pessoal que ela tinha compartilhado no Facebook. Entre um ou outro parabéns acabamos conversando um pouco sobre a vida, o universo e tudo mais. Como em todas as vezes em que eu converso com essa minha comadre ruiva, a conversa terminou e eu fiquei com a sensação de que tava conversando com uma pessoa muito mais adulta que eu. Essa sensação pra mim é bastante familiar, até por que boa parte dos meus amigos é bem mais adulta que eu, mas nenhuma dessas outras pessoas é oito anos mais novo que eu e parece ser uns dez anos mais velho.

Não que seja muito difícil parecer mais adulto que eu, mas eu costumo ganhar da galera que nunca foi obrigado a votar ou que precisou fazer CPF pra poder se inscrever no ENEM. Não é muito difícil de imaginar que eu olhei pra minha tela de chat e cheguei à conclusão que o significado por trás de toda aquela troca de mensagens era: “você não sabe de nada, Filipe Sena”. Aí percebi que estávamos eu e Jon Snow no mesmo barco. Estávamos nós dois sem saber de nada.

A vida depois dos meus vinte anos me fez pensar que eu tinha virado adulto. De fato quando eu coloco meu disfarce e saio pra trabalhar, quando eu pago minhas contas ou quando eu fico com dor nas costas por passar muito tempo num banco sem encosto, eu me sinto adulto (seja lá qual for a sensação de se sentir adulto). Mas a realidade é que eu nunca precisei ser muito adulto, só o suficiente pra passar por média. Não que isso me incomode, não que adultecer seja uma meta pra minha vida, o lance é que lembrar que você tá sabendo tanto quanto Jão Snow e que tem gente que saiu do colégio mais adulto que você te faz parar pra refletir.

Pra finalizar gostaria de compartilhar com todos o jeito que eu encontrei pra me conformar com essa história toda. Quando eu vejo essa minha comadre ruiva nas internets sendo mais adulta que eu, basta lembrar que algum tempo atrás ela publicou no Facebucket que X-Men: Apocalipse tinha sido o melhor filme do ano até então… Ela pode até estar uns dez anos na minha frente, mas essa menina ainda tem muito o que aprender. Pelo menos nisso eu (acho que) ganhei dela.

Tá Frio

Tá frio. Até porque estamos no inverno e o mínimo que se espera é que faça frio, mas esse ano o frio está enchendo o saco mais do que de costume e depois de uma conversa ligeira com minha mãe, resolvi discorrer sobre essa sensação térmica tão, digamos, “refrescante”.giphy

Eu não gosto de frio. Graças ao bom Deus eu moro em uma região especialmente ensolarada do Brasil, conhecida como estado de Pernambuco ou, como algumas pessoas de outras regiões preferem dizer pra simplificar, no “Nôrdeste”. Aqui é quente, bem mais quente que em boa parte do Brasil, mas ainda assim bem menos que em outras partes do Nordeste do país, ou seja, aqui a gente tá acostumado a sentir calor, ser impiedosamente agredido pelo sol, ficar agoniado por causa da quentura, ficar preguento de suor, mas é só bater um vento diferente que a gente acha que tá frio. De Maio pra Junho os ventos começam a ficar meio diferentes e chega a boa e velha frieza.

Antes de continuar devo abrir um parênteses. Se você está lendo esse presente texto e mora em algum lugar abaixo da Bahia pode pensar “ain, mas tu não passa frio, Filipe, aqui tá fazendo 5º de meio-dia”. Sim, eu sei. Eu sei que aqui não faz frio pra valer. Eu sei que aqui inverno é uma versão soft e chuvosa do verão, mas infelizmente eu não sou adaptado pra viver muito abaixo dos 25° e se meu corpo me diz que tá frio eu acredito.

Na prática aqui só faz frio quando não tem Sol. Quando a noite chega escura e cheia de terrores o frio bate, a temperatura vai caindo e na hora de dormir já tá aquela delícia. Fazer coisas como acordar de madrugada pra ir no banheiro ou acordar antes das 6 (em alguns dias antes das 7) da manhã é uma verdadeira provação. Fico pensando nessa galera que pega 5°, 3°, 0° ou até mesmo temperatura negativa e agradeço por não estar em nenhum lugar desse. A inveja de quem consegue ver neve, geada e outros derivados glaciais é tão baixa quanto a temperatura, tanto que as únicas coisas que eu imagino acontecendo comigo em um lugar desse é o meu falecimento precoce ou um tormento sem precedentes… seguido de um falecimento precoce.

A melhor parte dessa história toda é que o tempo frio está quase passando. Setembro vem aí e com ele um pouco mais de calor na nossa vida, mas isso é futuro. Enquanto mais um equinócio não chega, eu fico aqui congelando no meu frio que não é tão frio assim, mas que continua frio demais pra mim.

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