Cachorros de Bikini

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Adeus, Aila

Em agosto de 2015 foi publicado aqui um texto que contava sobre uma conversa que tive com uma amiga minha. Nessa conversa a minha amiga falou sobre uma amiga dela, por um acaso era o mesmo nome de uma personagem de um jogo bem famoso. Apresentei a personagem pra minha amiga, ela gostou e disse que faria o favor de apresenta-la à sua xará. Foi a primeira vez que eu ouvi falar de Aila.

Infelizmente nunca tive o prazer de ser apresentado a Aila, mas de certa forma ela se tornou uma espécie de amiga do Cachorros de Bikini. Não sei o quanto ela acompanhou das publicações, mas uma ou outra curtida apareceram ao longo desses mais de dois anos. Infelizmente hoje, exatamente quando o relógio marcava 01:16 eu recebi a mensagem que me fez sair do jejum de publicações e publicar numa segunda-feira algo que não é um conto. A mensagem foi enviada pela mesma amiga que apresentou Aila ao Cachorros de Bikini. Apenas duas palavras que me acertaram com força:

“Aila morreu”.

E o mínimo que devemos a ela é uma justa homenagem.

“Luminosos seres somos nós, não essa rude matéria”, disse uma vez um personagem verde em um filme famosos. Eu posso dizer sem medo de errar que poucos seres tão luminosos quanto Aila enfrentaram uma matéria tão rude. Ela foi traída, ferida e desafiada pelo próprio corpo ao longo de anos. Caiu em armadilhas armadas pela própria carne e dormiu com o inimigo por noites incontáveis. Lutou com mais força e fé do que um exército de fanáticos, enfrentou monstros piores do que qualquer herói mitológico e tempestades mais fortes do que qualquer ilha tropical. Pessoas tidas como melhores teriam desistido bem antes… Eu com certeza teria desistido bem antes… Talvez você tivesse desistido bem antes, mas Aila não fez isso, lutou até o final. Creio que mesmo no final seu espírito ainda estava forte, mas a rude matéria não foi tão forte assim.

“Luminosos seres somos nós, mas apenas recipientes temporários nossos corpos são”, disse em outra ocasião o mesmo personagem verde. Temporário. Não fomos feitos para permanecer, nosso breve tempo neste mundo já está contado e não sabemos bem quanto nos falta. O tempo restante de Aila foi contado várias vezes e em praticamente todas elas as contas estavam erradas. Não sei se passar por uma luta tão longa foi o melhor, mas esse é o pensamento de alguém bem menos determinado e muito menos corajoso. Não conheci a força de Aila, assim como nunca ouvi a forma como ela falaria meu nome ou se de fato nos daríamos bem se houvesse a oportunidade de convivermos. Não estive com ela nas horas ruins e em nenhuma das boas, não tenho nada na memória além do nome e dos relatos resumidos que chegaram até mim falando de sua luta e de sua dor. Mas há outros que não só se lembra, mas que nunca esquecerão.

Meu coração e meus sentimentos estão com aqueles que se lembrarão de Aila e que lembrarão deste dia. Creio que com o fim da longa batalha ela pôde finalmente descansar. Creio que ela está em um lugar onde toda a força que ela teve não será mais necessária. Creio que finalmente ela não precisará mais lutar. Infelizmente nunca pude dar um “oi”, só me resta dar “adeus”.

Adeus, Aila.

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  1. Bete

    Muito triste, que Deus abençoe todos que a amavam.

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