Não é um blog sobre cachorros e bikinis

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Tá Todo Mundo Liso

Em 2016 um sentimento tomou conta dos brasileiros. Talvez “sentimento” não seja a palavra certa, provavelmente “condição” seria a palavra. Condição, penalidade, status alimentos negativo ou simplesmente mazela. Todas essas palavras definem bem o que aconteceu com a esmagadora maioria da população brasileira porque em 2016 todo mundo ficou liso.

Caso você seja que nem as maravilhosas pessoas de Orlândia (amo vocês, povo de Orlândia #ChupaBatatais) e não more em Pernambuco ou em outro estado do nordeste onde o termo é normalmente empregado, não se preocupe que eu vou esclarecer. Normalmente dizemos que estamos lisos quando falta grana, na pindaíba, falidos, quando as vacas magras ficaram anoréxicas e o maior sonho da vida é o salário do mês que vem. E em 2016 o liseu (estado de liseira) foi uma condição que afligiu muita gente e no final do ano essa realidade vai bater ainda mais forte.

Todo mundo está careca de saber o que normalmente acontece no fim do ano, mas resumindo bem resumido dá pra dizer que no fim do ano as pessoas gastam. Confraternizações, presentes de Natal, amigos secretos e a vinda do décimo terceiro são o combo matador da gastança. Você pode até querer gastar pouco, mas o que provavelmente acontece é você gastar mais do que queria e não gastar mais nada ou gastar pouco várias vezes de modo que no final você gastou mais do que queria. Só que estamos em 2016, ano em que todo mundo ficou liso e quem conseguiu escapar do liseu ainda está sofrendo com os efeitos do liseu ou se livrou dele faz tão pouco tempo que o trauma ainda não passou. Seja apenas psicologicamente ou na prática, a verdade é uma só: tá todo mundo liso.

O que eu mais ouvi em 2016 foram frases do tipo “posso não, tô liso”, “vou nada, tô liso”, “queria, mas tô liso”. Se você não estivesse liso a coisa mais fácil de acontecer era você não fazer nada junto com sua galera pelo fato de alguém, ou todo mundo, estar liso. É bem provável que isso se replique massivamente ao primeiro sinal de amigo secreto, confra da galera ou celebração natalina.

Pra encerrar, querido leitor, digo apenas que o liseu passa… Se não passar pelo menos diminui. Vai ser chato fim de ano sem grana? Já está sendo desde o começo do ano. Por isso não esquente sua cabeça, fica peixe que já já tudo melhora. Por enquanto dá pra ser otimista mesmo estando liso.    

Uma Piscadinha Pra Você

Todos nós temos nossas limitações e incapacidades. Normalmente as limitações podem ser superadas com esforço, paciência e uma boa dose de tempo. O mesmo não acontece com nossas incapacidades. Todos nós temos a incapacidade de fazer algumas coisas, seja de lembrar o nome das pessoas, os caminhos de lugares que você só foi uma vez, escrever com a mão esquerda ou direita ou de entender ironias, sarcasmos, duplos sentidos ou o final de alguns filmes. No texto de hoje eu vou esmiuçar uma das minhas incapacidades. Hoje eu vou falar sobre a minha incapacidade de dar uma piscadinha.

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Piscada, piscadela ou piscadinha é um dos elementos mais fantásticos da comunicação não-verbal em todo o planeta. Ela pode ser tanto uma manifestação do charme de uma pessoa, uma tentativa de sedução, a oferta de um acordo de cumplicidade, uma forma de dizer “deixa comigo” e mais um monte de coisa que varia de acordo com o nível de entrosamento das pessoas envolvidas no colóquio não-verbal. O sucesso do uso desse gesto depende principalmente da naturalidade com que ele é usado. Caso a pessoa não seja, digamos, fluente na linguagem ocular, é bem provável que a piscadinha não saia com a sutileza desejada ou que saia atrasada devido ao esforço mental que um gesto não natural gera.

Talvez você esteja pensando: “O que tem de tão difícil de piscar, Filipe? É só piscar um olho e pronto”. É, pode até ser, mas antes de discordar de mim deixe-me demonstrar de forma mais ilustrativa. Repare nas piscadas a seguir:

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Note que todas elas são bastante sutis, passam bem a mensagem e alteram em quase nada a expressão facial do piscador em questão. Algumas pessoas podem chegar a um nível tão alto no domínio ocular externo que são capazes de usar variações de piscadela e até mesmo piscadelas customizadas. Como é possível ver na semi-piscadinha apaixonante dessa moça asiática do proximo GIF.

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Aí chegamos ao outro extremo da moeda. Imagine que você quer dar uma piscadinha. Imagine que seu objetivo é ser tão sutil ou charmoso quanto os exemplos acima. Aí você faz uma imagem mental de si mesmo piscando que não é essas coisas todas, mas dá pra levar. Então você avalia qual olho você vai piscar, olha pro receptor da mensagem, pisca e o resultado é algo parecido com essas imagens aqui:

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Sai tão ruim que você chega a se sentir mal. E todos nós sabemos que a sensação de derrota só aumenta quando você vê outros bípedes, dentre eles alguns que são desprovidos de qualquer carisma ou charme, conseguem usar tão bem esse recurso de comunicação. Quer um exemplo? Então veja esse GIF do nosso amigo Michael Cera.

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Acho melhor ir pro encerramento.

A incapacidade de dar uma piscadela não costuma me incomodar muito. A expressão faz tão pouco parte da minha vida que nem emoji dando piscadinha eu uso. Trejeitos dessa espécie precisam nascer com a pessoa, não são algo que se aprenda e reproduza sem parecer forçado ou no mínimo desastrado.  Por isso seja você um piscador natural, um piscador autodidata ou um piscador tão ruim quanto eu, aqui vai uma piscadinha caprichada pra você.

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Eu Não Me Arrependo de Nada

Hoje estava eu conversando com uma amiga minha. A conversa ficou meio séria e ela falou ligeiramente sobre o impacto que algumas escolhas tiveram na vida dela. Por um instante eu pensei que ela estava se lamentando, mas uma coisa que ela disse me fez mudar radicalmente de ideia. Pra fechar todo o discurso ela disse: “”mas eu não me arrependi”. Imediatamente vieram duas coisas na minha cabeça. A primeira foi esse GIF da galinha que não se arrepende de nada.

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A segunda foi que nem tudo que a gente não fez é motivo de arrependimento.

Pare pra pensar em quantas coisas que você fez e geraram algum tipo de arrependimento. Quantas dessas coisas você se arrependeu de fazer só por que os outros esperavam que você se arrependesse? Não falo de erros, falo de escolhas. Coisas que cabiam apenas a você decidir e o único a sofrer as consequências foi você mesmo. Se você desistiu de fazer alguma coisa ou de seguir algum rumo e a decisão foi sua, não pense em como poderia ter sido ou como seria tomar outro caminho. Saboreie o mérito de segurar as rédeas da sua própria vida. Olhe na cara fria e cruel da realidade e diga:

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Boa parte das nossas inseguranças vem do medo de se arrepender depois. Não digo para sermos inconsequentes, mas naquelas horas que faltar um pouco de coragem, olhe para o abismo e quando der aquele salto de fé na direção do vazio diga:

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Mudar os planos, desistir, aceitar e seguir em frente faz parte da vida. Não deixe ninguém te fazer sentir um falso arrependimento. Lembre que é pra frente que se anda e essas coisas só fazem ocupar um espaço que não é delas. Se você parar pra pensar vai ver que muito do que muita coisa que você passou não teve nada a ver com erro ou acerto. Muitas vezes não existiram escolhas erradas ou certas, apenas escolhas e não foi mais ninguém além de você quem decidiu. Aposto que quando você fizer uma retrospectiva disso vai chegar à mesma conclusão que esse macaco aqui chegou.

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Não tenho muito pra dizer depois disso, só desejo menos arrependimento e um pouco mais de leveza na vida de todo mundo. Esqueçam um pouco essas coisas chatas e aproveitem o passeio… Ou a descida do barranco.

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“Acho Que Tá Limpa”

    Ontem estava eu manufaturando minha refeição noturna quando tive uma iluminação divina. Um daqueles momentos em que você atenta para algo que sempre esteve ali e sempre passou batido. Tudo aconteceu quando eu usei uma faca e joguei no balcão da pia. Pouquíssimo tempo depois precisei de uma faca olhei pro balcão da pia, mais especificamente pra faca que eu acabado de jogar lá, e pensei: “acho que tá limpa”. Naquele exato instante eu atentei para a maravilha de um sentimento que eu já tinha experimentado. Eu degustei o maravilhoso sentimento de simplesmente não ligar pras coisas.

    O nosso mundo atual coloca na cabeça da gente uma série de preocupações. Preocupação com o futuro, com o passado, com o governo, com os árabes refugiados, com o fim do pacote de dados do celular, com a zika, com a hora de acordar, com a hora de dormir, com a hora de acordar, com o que a gente come ou não come e mais um monte de coisa. Como é saboroso o momento de total abstração, de não se importar, de cagar e andar não estar nem aí e nem vir chegando. Como é deliciosa a inconsequência cotidiana que nos dá coragem pra tomar aquele negócio que já fez aniversário na geladeira ou que nos faz ignorar a existência de germes ou bactérias. Que nos motiva a comer aquele lanche no meio da rua que é praticamente um desacato à saúde pública em forma de alimento gorduroso.

    Diversas vezes eu fui classificado como uma pessoa que não liga pras coisas. Várias vezes de fato eu tive atitudes que reforçam essa verdade, mas nunca tinha parado pra pensar no quanto isso é libertador. É provável que a coincidência de um momento desse acontecer em uma época em que várias coisas consomem meu juízo. Não consigo puxar da memória um momento em que os efeitos terapêuticos de conseguir brevemente parar de me importar com tudo.

    Pra encerrar convido você, querido leitor, a se desapegar um pouco das preocupações. Convido a testar os efeitos terapêuticos de se desapegar das nossas próprias preocupações. A respirar fundo e encher os pulmões com o ar das pequenas irresponsabilidades da vida.

Você Não Sabe de Nada, João das Neves

Todo mundo que atualmente habita nas internets sabe que um dos personagens mais populares da atualidade é Jon Snow. Personagem preferido de muitos fãs de Game of Thrones e um dos meus personagens preferidos d’As Crônicas de Gelo e Fogo, João das Neves é um cara relativamente azarado fora da série. Mesmo depois de fazer e acontecer nas últimas seis temporadas de Game of Thrones e em quatro dos últimos cinco livros, ele tem todas as suas proezas ofuscadas por uma única frase.

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    Isso mesmo, por causa dessa moça ruiva o bastardo preferido da cultura pop ficou conhecido como o cara que não sabe nada. De fato Jon Snow percebe que no fim das contas ele não sabe de nada. Seguindo o exemplo de João das Neves, eu já me convenci tem um tempo que eu não sei de nada, mas acho que até essa semana eu nunca tinha percebido o quanto eu sei pouco. Por uma grande coincidência essa epifania me ocorreu por causa de uma moça ruiva.

Aconteceu no último domingo. Estava eu conversando com uma comadre minha sobre uma conquista pessoal que ela tinha compartilhado no Facebook. Entre um ou outro parabéns acabamos conversando um pouco sobre a vida, o universo e tudo mais. Como em todas as vezes em que eu converso com essa minha comadre ruiva, a conversa terminou e eu fiquei com a sensação de que tava conversando com uma pessoa muito mais adulta que eu. Essa sensação pra mim é bastante familiar, até por que boa parte dos meus amigos é bem mais adulta que eu, mas nenhuma dessas outras pessoas é oito anos mais novo que eu e parece ser uns dez anos mais velho.

Não que seja muito difícil parecer mais adulto que eu, mas eu costumo ganhar da galera que nunca foi obrigado a votar ou que precisou fazer CPF pra poder se inscrever no ENEM. Não é muito difícil de imaginar que eu olhei pra minha tela de chat e cheguei à conclusão que o significado por trás de toda aquela troca de mensagens era: “você não sabe de nada, Filipe Sena”. Aí percebi que estávamos eu e Jon Snow no mesmo barco. Estávamos nós dois sem saber de nada.

A vida depois dos meus vinte anos me fez pensar que eu tinha virado adulto. De fato quando eu coloco meu disfarce e saio pra trabalhar, quando eu pago minhas contas ou quando eu fico com dor nas costas por passar muito tempo num banco sem encosto, eu me sinto adulto (seja lá qual for a sensação de se sentir adulto). Mas a realidade é que eu nunca precisei ser muito adulto, só o suficiente pra passar por média. Não que isso me incomode, não que adultecer seja uma meta pra minha vida, o lance é que lembrar que você tá sabendo tanto quanto Jão Snow e que tem gente que saiu do colégio mais adulto que você te faz parar pra refletir.

Pra finalizar gostaria de compartilhar com todos o jeito que eu encontrei pra me conformar com essa história toda. Quando eu vejo essa minha comadre ruiva nas internets sendo mais adulta que eu, basta lembrar que algum tempo atrás ela publicou no Facebucket que X-Men: Apocalipse tinha sido o melhor filme do ano até então… Ela pode até estar uns dez anos na minha frente, mas essa menina ainda tem muito o que aprender. Pelo menos nisso eu (acho que) ganhei dela.

Contos de Segunda #51

Robson queria roubar uma cadeira. Obviamente ele não precisava de uma cadeira em um nível tão grande de urgência, Robson apenas queria roubar uma cadeira.

    Tudo começou em um sábado. Robson estava no shopping esperando a esposa concluir as compras. Como a loja em questão era cheia de toda a espécie de perfume que atacava a alergia de Robson, ele esperou do lado de fora. Avistou uma cadeira convidativa e se sentou. Foi amor a primeira vista. A partir daquele momento o coração de Robson nunca mais saiu daquela cadeira, ele precisava roubá-la.

    Claro que roubar foi a última opção do pobre coitado. Ele tentou encontrar a cadeira em todas as lojas possíveis e imagináveis. Tentou entrar em contato com a gerência do shopping para tentar comprar a cadeira e não teve nenhuma resposta positiva. Ao longo de meses Robson foi ao shopping apenas para sentar naquela cadeira maravilhosa… E para planejar como levaria ela de lá. Não devia ser muito difícil, afinal era só uma cadeira.

    O plano foi executado em uma segunda-feira na hora do shopping fechar. Robson tinha passado em uma sex shop mais cedo e comprado um par de algemas. Assim que os corredores esvaziaram ele se algemou na cadeira. Alguns minutos depois o segurança do shopping chegou para ver o que estava havendo, Robson usou o máximo dos seus dotes de ator para convencer o segurança de que tinha se algemado à cadeira por acidente. No carro ele tinha as ferramentas necessárias para quebrar as algemas, porém precisaria da ajuda do segurança para carregar a cadeira. O segurança, no auge do seu altruísmo e morrendo de pena de um homem que tinha se algemado acidentalmente com algemas eróticas no meio de um local público, carregou a cadeira com Robson até o estacionamento.

    Estacionado entre duas picapes estava o carro de Robson. Ele abriu o porta malas e pediu gentilmente para que o segurança procurasse pelas ferramentas. Enquanto o solícito funcionário procurava pelas ferramentas, Robson jogou a cadeira na caçamba da picape, abriu as algemas, o carro deu a partida e saiu. O segurança levou uns dois minutos para perceber o que tinha ocorrido. A desculpa de Robson foi que colocou a cadeira na caçamba para ter uma posição melhor para quebrar as algemas, o segurança não sabia se tinha acreditado ou não, ele estava muito ocupado passando um rádio para os outros seguranças.

Robson fechou o porta malas e foi andando disfarçadamente na direção da porta do motorista. A satisfação gerada pelo plano bem sucedido foi gigante. Agora bastava ligar para o cúmplice e combinar o horário de entrega. Não é difícil imaginar a surpresa de Robson ao ouvir o toque do celular do cúmplice vindo da picape que ainda estava parada ao lado do seu carro. Mais surpreso ainda ficou Robson ao ver o seu cúmplice dormindo  do banco do motorista.

Robson entrou no carro, deu a partida e saiu. A derrota amargava em sua boca, a tristeza pesava em seu peito e como se não bastasse tudo isso, ele chegou na cancela de saída, colocou o ticket na máquina, mas não conseguiu sair. Ele tinha esquecido de pagar o estacionamento.

Post Polêmico

    Hoje resolvi criar polêmica. Quando você é proprietário de um blog é bem fácil, é só fazer um post polêmico, onde você fala de alguma coisa controversa e opinando contra uma determinada parcela da população e pronto, está criada a sua polêmica pra usar como quiser… Mas e se essa polêmica não for assim uma coisa que se diga “minha nooossa como é grande essa polêmica”?

    Tudo começou essa semana quando um amigo meu me emprestou o maravilhoso jogo Life is Strange. Fui jogando, jogando e no momento que escrevo esse texto faz menos de duas horas que terminei o jogo. No final da jogatina um amigo me perguntou “o que tu achou do final polêmico?”. Como rola muita coisa no final do jogo, perguntei sobre o que era a polêmica, ele me mandou o link de uma entrevista com o diretor do jogo. Caso você queira ler e não pretenda jogar o jogo, segue o link da entrevista. Li a curta entrevista e o que eu percebi? Não teve polêmica nenhuma.

    “Se o final não é polêmico, qual a polêmica?”. Concordo com você, querido leitor. Também fico refletindo sobre essa suposta polêmica. O jogo trata de assuntos bem sérios como bullying, assédio sexual, depressão, abuso de drogas, violência física e psicológica coisas e por aí vai. Qualquer uma dessas coisas poderia de fato gerar polêmica, mas o final em questão não gerou. O final em questão é só o fechamento da história, todos os assuntos sérios já tinham sido tratados e pouca coisa ainda precisava ser resolvida, mas aí um monte de gente jogou, reclamou do final e… Só. Toda a polêmica gerada não passou de um mimimi ruidoso de uma parcela dos jogadores, na verdade chamar de polêmica foi uma bondade de quem colocou o título na matéria.

    Aí vem a pergunta de um milhão de dólares: como saber se uma coisa é polêmica ou não? Pra mim só é polêmico se vira textão do Facebook, tweet de pastor radical, quando tem tweet de artista rebatendo o pastor radical, e  quando vira pauta de matéria pro Fantástico. Um conteúdo só é polêmico quando chama atenção fora do próprio nicho, além do próprio público. No final “polêmica” é só uma palavra que estão usando pra deixar as manchetes mais atrativas.

    “Ei, Filipe, cadê a polêmica que tu ia criar?”. Ah sim, obrigado por me lembrar… Deixa eu ver… Já sei. Imagine comigo: plantar um feijão no algodão é muito parecido com colocar um bebê humano pra crescer no cadáver de uma vaca. Pense nisso e até o próximo texto.

Eu, Você e Os Jogos Malditos

    No último domingo um amigo meu entrou no grupo de chat e anunciou que estava jogando um jogo casual, simples e gratuito. “Baixa esse jogo, vocês vão se lascar, não posso me lascar sozinho”, foram essas palavras aflitas que o sujeito supracitado usou para convencer os integrantes do grupo a jogar também. Eu baixei o jogo, eu joguei o jogo e eu me lasquei.

    Não citarei o nome do jogo para não ajudar a espalhar essa desgraça pelo mundo, mas farei uma descrição ligeira dele. O jogo consiste em clicar na tela para eliminar monstrinhos e passar de fase. Você ganha dinheiro matando os monstros e faz uma infinidade de upgrades pra conseguir matar os monstros mais ligeiro. A graça do jogo desaparece pouco tempo depois, os números chegam a casas astronômicas e param de fazer sentido. Em vez de parar de jogar o que eu faço? Continuo jogando. Gasto um pouco mais de tempo e desligo. No outro dia eu abro de novo e o jogo não parou. Acho um absurdo e o jogo começa a parecer pior. Nem por isso eu paro de jogar.

    O tempo gasto nesse entretenimento maldito é muito menor do que eu costumo gastar em outros jogos, mas qualquer minuto gasto com isso parece custar horas do meu dia. Diante desse quadro revoltante eu fico pensando em quantas pessoas estão na mesma situação.

    O vício em jogos casuais é uma praga relativamente recente. Quem tem a minha idade lembra da febre que foram os jogos do Orkut. As pessoas mais improváveis gastavam a vida jogando Colheita Feliz e coisas do tipo. No Facebook isso também acontece e depois da popularização dos smartphones isso tomou proporções inimagináveis. Isso me leva a questionar o motivo pelo qual esses jogos nos escravizam dessa forma. Pensando um pouco só chego a uma conclusão: todos esses jogos foram tocados pelo demônio e estão infundidos com o poder das trevas.

    Pra mim não existe outra explicação. Algo sobrenatural move esses joguinhos e por isso ficamos presos apesar da raiva e da aversão que eles nos causam. Deixo aqui registrado que pretendo reverter essa relação nociva com o jogo maldito que apareceu na minha vida. Pretendo acabar com essa jogatina sem sentido e voltar minha atenção para vícios menos danosos opções de entretenimento mais saudáveis. Caso você, estimado leitor, esteja passando por uma situação semelhante, saiba que você não está sozinho. Um dia conseguiremos nos livrar dessa desgraça… Mas enquanto esse dia não chega, vou aqui olhar o quanto de dinheiro juntou enquanto eu escrevia esse texto.

Uma Receita de Decepção

Mais uma vez o tema dessa quarta-feira estava certo fazia um bom tempo. Um tema bem supimpa com um ar reflexocontemplativo, mas nem por isso mais sério que o normal. Mas ontem aconteceu uma coisa que não poderia deixar de relatar, algo que me surpreendeu de uma maneira que me fez desistir do tema de hoje totalmente. Ontem eu descobri uma receita prática de como me decepcionar comigo mesmo.

    Uma receita simples que você pode reproduzir sem problemas com as coisas que você tem na sua casa.Tudo que você precisa é de uma conexão com a internet e um navegador que funcione com o sistema de abas. O rendimento da receita pode variar de acordo com a importância que você dá para o seu tempo desperdiçado e da sua capacidade de se decepcionar consigo mesmo. O tempo de preparo é praticamente inexistente e você pode fazer enquanto realiza suas atividades normais. Agora vou relatar o processo de desenvolvimento dessa maravilhosa receita.

    Ontem estava eu olhando coisas importantes na internet. Sem exagero ou ironias, eu realmente estava olhando coisas importantes na internet. Depois de terminar de olhar as coisas importantes fechei a aba do navegador e logo depois saí do meu e-mail, por consequência fui parar na página do portal que sempre abre quando eu saio do meu e-mail. Nessa página vi algumas inutilidades que me chamaram a atenção e as abri em outras abas. Quando já estava tudo fechado lembrei que precisava ver uma coisa na página importante, prontamente usei o comando de Reabrir Aba do meu navegador. Esse comando, para aqueles que não estão familiarizados, reabre, da mais recente para a mais antiga, as abas recentemente fechadas do navegador. Obviamente as inutilidades abriram primeiro. Obviamente que tive que abrir um monte de abas inúteis pra finalmente conseguir chegar na aba que eu queria. No curto tempo necessário pra conseguir reabrir a aba desejada eu consegui me decepcionar comigo num tanto que chega bateu uma tristeza genuína.

    Nunca tive problemas com conteúdo inútil na internet, inclusive pra mim produzir um bom conteúdo inútil é um objetivo de vida, mas quando o nível de inutilidade é muito grande e você para pra pensar no tempo gasto no consumo daquele conteúdo dói. Perceber o tanto de tempo desperdiçado com coisas que nem te interessavam muito é uma sensação bastante incômoda. Uma receita prática e rápida pra fazer uma auto decepção que fica pronta mais ligeiro que miojo.

    A receita de hoje foi simples? Acha que consegue fazer sem problemas? Não sei se é possível substituir os ingredientes, não tive tempo pra testar, mas sinta-se a vontade pra mexer e mudar alguma coisa. Não deixe de me contar dos resultados quando você fizer e até a próxima receita.

Aniversário de Bikini #1

3 de Junho de 2015. Naquela quarta-feira eu coloquei um sonho no ar. Foi naquele dia que a primeira postagem do Cachorros de Bikini foi publicada. O tempo foi passando, mais coisa foi sendo publicada e eu já estava achando uma pena não publicar um texto exatamente no dia do aniversário do blog. Aí eu olho no calendário e, graças à magia cabalística do ano bissexto, o 3 de Junho de 2016 caiu na sexta-feira…

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É engraçado pensar em como ter um blog mudou a minha vida. A responsabilidade de publicar alguma coisa três vezes na semana e a decisão de levar um projeto tão descompromissado com o máximo de seriedade acabaram transformando a minha rotina. A exemplo daqueles que vivem pra chegar na sexta-feira, os meus sete dias semanais se transformaram em três. Não é raro passar o fim de semana pensando no conto de segunda ou a terça-feira inteira pensando no texto de quarta. Preocupação com postagem que tá quase atrasando, tensão por um tema promissor estar virando um texto ruim e todos os malabarismos que eu fiz pra salvar esses textos. Tudo isso feito com a maior satisfação do mundo. Mas esse texto tá ficando muito sério. Hoje é dia de festa. Dia dos nossos queridos cachorros apagarem as velinhas e caírem com tudo pra cima do bolo.

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Um ano atrás eu escrevi “Bem Vindo ao Cachorros de Bikini”. 366 dias, 134 posts e dois hiatos depois eu me sinto exatamente do mesmo jeito. Eu ainda espero que ao entrar você deixe as coisas sérias da vida na porta e desfrute de um momento repleto das banalidades cotidianas e das coisas mais irrelevantes da vida. Ainda estamos longe de ser o melhor blog do universo, mas já somos o melhor blog com nome de caninos em roupas de banho que publica toda segunda, quarta e sexta e não tem o menor compromisso de falar sério ou de mudar a vida de ninguém. Parabéns, Cachorros de Bikini. Muitas felicidades, muitos anos de vida e todas aquelas coisas clichê que todo mundo deseja nos aniversários. Apague a vela e faça um desejo, mas não conte a ninguém ou não vai se realizar.

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