Não é um blog sobre cachorros e bikinis

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Contos de Segunda #44

 As peripécias de Luciana e Roberta para fazer Jorge e Cristina ficarem juntos não começou hoje. Esse conto é uma continuação dos Contos de Segunda#34 e Contos de Segunda #42.

   — Deixa eu ver se eu entendi direito. Vai rolar um ensaio do casamento do seu irmão. A banda do amigo de Jorge vai estar lá e você quer que eu apareça lá pra chegar nele? — Luciana aparentava uma confusão proposital.

    — É — respondeu Roberta mais concentrada no salmão defumado do que nas sutilezas da amiga.

    As duas não se falaram muito desde o dia em que Fábio confirmou que tocaria no casamento do irmão de Roberta. Um ensaio do casamento marcado em cima da hora fez as duas almoçarem juntas

    — Quem ensaia casamento em dia de segunda?

    — Alguém que não pode ensaiar outro dia — no ranking da atenção de Roberta, Luciana estava atrás do salmão e do celular.

    — Foco, Roberta, estamos discutindo coisa séria.

    — Nem tem muito o que discutir. Hoje você aparece comigo lá no ensaio e quando acabar tudo conversa com Fábio. Simples assim.

    — Preferia fazer isso no casamento do teu irmão.

    — Não sei se você sabe, mas Cristina estudou com Beto na faculdade e ela vai estar lá no casamento. Acabo de lembrar que ele estudou contigo também, mas até onde eu sei Beto não vai com a tua cara.

    — E daí?

    — E daí que esse seu plano só vai funcionar se ela não suspeitar de nada. Por que se ela sentir o cheiro dessa armação, vai cantar essa pedra pra Jorge e já era esse teu Game of Thrones versão cupido.

    Contra esse argumento Luciana não encontrou resposta além do silêncio. O relógio estava quase nas nove horas da noite quando ela e Roberta chegaram ao salão de festas. Os noivos já tinham combinado a trilha sonora da cerimônia e agora estavam ensaiando a valsa. Somewhere Only We Know seguido de Burnin’ Love. A banda de Fábio tinha um homem no vocal, mas uma voz feminina foi recrutada para ajudar na versatilidade da banda e permitir os duetos.

    — Acho que ainda vai demorar — Roberta analisava o relógio arrependida, devia ter comprado um maior.

    — Então é a nossa chance — Luciana já tinha analisado todo o ambiente.

    — De quê?

    — De chamar a atenção de Fábio, o que mais seria?

    — O cara tá trabalhando, Luciana. Tem umas cadeiras ali e…

    — Nada disso — Luciana rapidamente se posicionou atrás da amiga, colocou as mãos nos ombros dela e começou a empurrar. — A gente vai esperar um pouco, quando eles se prepararem pra repetir a música você vai ali cumprimentar seu irmão e vai aproveitar a deixa pra falar com Fábio e vai dizer que é amiga de Jorge. Isso vai chamar a atenção dele o suficiente pra ele dar uma olhada ou outra pra onde a gente estiver sentada, o resto é comigo.

    Elas precisaram esperar só um minuto. A música terminou. Beto e sua noiva estavam bem satisfeitos com a performance deles e da banda. Roberta aproveitou a pausa para se aproximar.

    — Caramba, Beto. Não pensei que essa valsa ia ficar tão boa. Obviamente não por causa da noiva, sempre confiei em você, Angela.

    — Eu também pensei que não ia rolar. Nem sei como te agradecer por ter conseguido a banda.

    — Não fiz nada, Jorge que conseguiu convencer a banda a aceitar o convite — ela se virou para a banda. — Boa noite, pessoal.

    — Boa noite! — Respondeu a banda em coro.

— Você deve ser Roberta? — A pergunta vinha do guitarrista.

— Sou eu. Falei contigo no telefone.

— Avise a Jorge que ele só não fica me devendo essa, por que se der certo a gente pretende aproveitar esse segmento matrimonial. Vai ficar pra ver o ensaio?

— Sim, tô ali com uma amiga. Comentei sobre essa história de vocês tocando no casamento e ela ficou curiosa — Roberta olhou pro relógio. — Olha só a hora, e eu aqui atrapalhando. Vou ficar ali até vocês terminarem.

O ensaio recomeçou. Uma dúzia de passos e Roberta chegou onde estava Luciana.

— Valeu, amiga. Agora é só ele agir como o previsto e tá no papo.

O plano de Luciana deu certo. Volta e meia Fábio dava uma olhada discreta para onde as duas amigas estavam. Luciana respondia com olhadas nem tão discretas para o guitarrista. Quando os olhares ficaram mais frequentes ela resolveu brincar com o ego musical dele. Luciana começou a cantar as músicas junto, depois começou a se mexer na cadeira e terminou puxando Roberta para dançar imitando os passos dos noivos. Fábio já estava com a guitarra dentro do case quando foi falar com as duas.

— Que bom que gostaram da música.

— Vocês são muito bons mesmo eu até…

— Tô apaixonada pelo som de vocês — interrompeu Luciana. — Você deve ser o amigo de Jorge, né? Luciana, prazer — A mão já estava estendida antes do “prazer” terminar de sair da boca.

— Fábio. Se gostou agora vai ficar impressionada no casamento, vão rolar umas surpresas bem interessantes.

— Eu não fui convidada, há quem diga que o noivo me detesta.

— Jorge também não fala muito bem de você.

Luciana corou. Todas as dezenas de respostas possíveis morreram ainda na garganta. Ela gaguejou e não saiu nada. Fábio abriu um sorriso.

— É uma pena que você não vai pro casamento, mas se quiser ouvir a gente tocar e estiver com a quinta-feira livre, é só dar uma chegada nesse bar aqui — Fábio sacou um folheto do bolso e entregou a Luciana. — Depois do show você me explica por que Jorge gosta tão pouco de você. Agora preciso ir pra não perder a carona. Até mais.

    Elas esperaram o guitarrista se afastar em silêncio. Luciana ainda estava corada quando Roberta falou.

    — Pois é, amiga. Parece que tudo deu certo. Fico impressionada com a tua capacidade de interpretação.

    — Tô achando que não foi bem isso, Roberta — as palavras saíram devagar da boca de Luciana. — Acho que essa história não vai ficar só com Jorge e Cristina.

Barata Voadora

Uns quinze dias atrás estava eu interagindo alegremente com meus amigos no chat quando um deles, que não estava tão participativo e interativo, relatou a experiência de ter vencido, em combate singular, uma barata voadora. Depois de comentar uma ou outra coisa sobre o ocorrido, esse mesmo amigo matador de barata me diz: “tu precisa escrever sobre barata voadora”. Naquele momento eu percebi que, apesar de não saber até então, eu realmente precisava falar sobre barata voadora.

Antes de discorrer sobre essa cria do demônio esse ser tão peculiar, precisamos falar um pouco sobre a barata padrão. A barata é um ser cabalístico, misterioso e  intrigante. Além de sua capacidade de aparecer em qualquer lugar, desaparecer que nem fumaça, ter super velocidade e resistência suficiente pra resistir aos efeitos da radiação ou ao impacto de uma chinela. Ela consegue viver muito tempo sem comer, vários dias sem cabeça e se reproduzir em larga escala. Esses são só alguns dos poderes super artrópodes das baratas. Como se já não bastasse tudo isso, um belo dia a barata foi tocada pelas forças mais malignas da galáxia. Confira abaixo o que (mais ou menos) aconteceu com a barata.

Exatamente isso, caro leitor. Depois de ser tocada pelas forças das trevas mais desgraçadas do universo, a barata comum se transformou em um ser que mais parece ter saído de uma história de Lovecraft: a barata voadora.

Uma barata normalmente não tem habilidades suficientes pra agredir um ser humano. Apesar de suja, inconveniente e transmissora de doenças, a barata não é um ser agressivo. A menos que ela seja uma barata voadora. Pois a primeira coisa que esse engenho de satanás inseto maldito faz é voar direto. DIRETO. DI-RE-TO na sua cara. Essa habilidade ofensiva dispara um gatilho no nosso cérebro que nos faz correr da maldita barata. Ao escapar do voo suicida da maldita, sofremos o efeito da névoa nefasta que ela espalha pelo ar com o bater de suas asas. Depois de nos fragilizar psicologicamente e agredir olfativamente, a barata fica parada esperando terminar o cooldown das skills recuperando suas energias para mais um ataque ou para sua fuga. Nesse momento juntamos o que nos resta de determinação, improvisamos uma arma e partimos pro ataque. Acertamos o alvo, mas o sabor da vitória passa rápido. Mas porquê? Por que a desgraçada ainda está VIVA. As energias das trevas protegem a barata voadora de uma forma que ela se torna um ser imorrível ou pior, ela já morreu e foi ressuscitada pelas energias obscuras do universo. Se tornando um inseto-demônio-zumbi-imortal from hell.

Depois de tudo isso eu só tenho uma coisa a dizer: sou grato a Deus por cada dia que eu passo sem encontrar uma barata voadora. E tenho fé de que Ele vai proteger todo aquele que precisar enfrentar esse ser maldito.

18 a 25 Anos

“Estamos ficando velhos, Magneto”. Essa frase eu mandei pro meu irmão poucos minutos depois da meia-noite do dia 14 de Maio de 2016, também conhecido como último sábado, dia em que chegamos à marca histórica de vinte e seis anos de idade. “Eita, Filipe, grandes merdas completar vinte e seis, nem dá pra dizer que é marca histórica”, pode até ser, mas eu só vou completar vinte e seis uma vez na minha vida inteira, o que qualifica essa como uma marca histórica. Com a cabeça nesse número me dei conta que eu ia mudar de faixa etária.

“Jovens de 18 a 25 anos”. Normalmente é a faixa considerada pela pesquisa. Diante desse cenário atentei para o fato que as pesquisas não me consideram mais jovem. Partindo do pressuposto de que a divisão de faixa etária feita pelas pesquisas tem lógica e coerência, posso dizer que não sou mais considerado jovem. Se não sou mais considerado jovem, então de fato me tornei um adulto… Pausa ligeira pra assimilar minha repentina saída da juventude e avaliar minha nova condição de ex-jovem de pesquisa.

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Obrigado pela paciência, vou continuar.

Logo no primeiro mês do Cachorros de Bikini eu falei sobre os mandamentos de um adulto feliz. Escrevi esse texto já com meus vinte e cinco e com essa idade já tinha acostumado com a ideia de ter virado um adulto, mas até então nunca tinha chegado alguém e carimbado “ADULTO” na minha testa. Paro, penso e vejo que no final isso não mudou foi nada.

A partir de um certo ponto da minha vida eu parei de me incomodar com esse lance de idade. O mundo tenta enfiar na sua cabeça que envelhecer é um negócio instantâneo. Ouvir coisas como “tá se sentindo mais velho?” é muito comum quando se faz aniversário, normalmente minha resposta é “não”. Criou-se a ideia de que quando o relógio marca 00:00 no dia do seu aniversário você automaticamente envelhece um ano. Quando eu acordei no sábado só tinha envelhecido um dia, assim como em todos os dias anteriores. Nessa de envelhecer um dia de cada vez passaram os meses, os anos. Do primeiro dia dos dezoito até o último dos vinte e cinco foram 2921 dias. Dias que me envelheceram um pouco de cada vez, que suavemente me transformaram no adulto que sou hoje.

A idade pesa? Pesa. Olhar pra trás e ver quanto tempo passou sempre é um momento meio amargo. Saber que uma criança que nasceu no dia em que eu fiz dezoito já sabe ler, escrever e precisa das duas mãos pra contar a própria idade, assusta. Assusta saber que as amizades já duraram tanto e da idade que as boas lembranças têm. Mas só os números assustam, só me assusto quando conto, só me assusta quando eu olho pra trás e vejo o quanto caminhei. Então eu esqueço dos números, lembro olhando pra frente e se precisar olhar pra trás eu olho o retrovisor. Ficar mais velho é inevitável, mas se repararmos bem, o tanto de mudança que chega com a idade depende só de nós mesmos… Exceto a dor que dá nas costas por sentar em assento sem encosto.

Contos de Segunda #42

Os fatos narrados a seguir são uma continuação direta do Contos de Segunda #34 e tem relação direta com os eventos do Contos de Segunda #27, leia aqui a Parte 01 e a Parte 02.

Roberta estava impaciente. Fazia três semanas que ela tentava extrair uma informação muito importante: para qual amigo Jorge contava tudo da vida dele. Essa informação era vital para o plano de Luciana de juntar Jorge e Cristina. Roberta não entendia bem o por quê, mas concordou em ajudar. De fato teria ajudado, se Jorge não tivesse passado quase duas semanas viajando e tivesse voltado ao trabalho por tempo o suficiente para contrair zika, mas estaria de volta a partir daquela segunda-feira. Exatamente uma semana antes de Cristina voltar de férias e poder interceptar o plano. O problema era como fazer isso. Roberta estava perdida em pensamentos cupidoconspiratórios quando Luciana entrou na sala.

    — O boy de Cristina morreu? Volta mais não?

    — Bom dia pra você também, Luciana.

    — Eu aviso quando estiver bom — ela puxou uma cadeira para perto de Roberta e sentou.

— Três semanas, Roberta, três malditas semanas que não me renderam nada. Pensei que você e Jorge eram amigos o suficiente pra desenrolar fácil essa história.

— Faz três, como é mesmo? Malditas semanas que eu não vejo Jorge, e até onde eu sei, só encontro com ele aqui no escritório.

— Nem pra pescar no Facebook, Roberta?

— Depois que você começou com essa história ele desfez a amizade comigo, disse que não era nada contra mim, era por sua causa. Depois disso ele ativou opções de privacidade que nem Mark Zuckerberg conhece.

— Instagram?

— Jorge é tão inativo no Instagram quanto minha vó. Ela sempre espera um neto passar lá pra ajudar ela com os filtros.

— Nem Linkedin?

— Nem sei, não uso Linkedin.

    — Deve ter alguma coisa em algum lugar. E-mail ou celular… Isso, preciso do celular.

    — Ah, não. Não vou roubar celular de seu ninguém.

    — Deixa de ser dramática, Roberta. Esse vai ser o plano B. Se não der pra conseguir nada hoje, amanhã a gente tenta o celular.

    — A gente você, Luciana. Eu tô fora dessa de pegar celular dos outros.

    — Só não te digo umas verdades por que o boy já passou ali do outro lado e eu tenho uns cinco segundos pra sair sem ele me ver. Vê se consegue as coisas hoje, beijo.

    Poucos segundos depois Jorge entrou na sala. Ele parecia estar totalmente recuperado.

    — Bom dia, Roberta. Como ficaram as coisas aqui enquanto eu estava fora?

    — Melhor do que você imagina. Curtiu bem a zika?

    — O máximo que eu pude. Nos primeiros dias eu fiquei dormindo sem parar, só depois que eu consegui fazer alguma coisa. E os preparativos do casamento?

    — Meu irmão tá me deixando maluca, é pior que a noiva. Agora ele cismou que quer uma banda que toque só rock.

    — Um amigo meu é guitarrista. A banda dele é muito boa, toca todo tipo de rock. Se quiser eu passo o contato.

    — Sério?

    — Sério. Nunca vi ele dizendo que tocou em casamento, mas acho que ele topa. Se ele disser que não aceita, me avisa que eu converso com ele. Tenho alguns favores pra cobrar.

    — Ah, Jorge — o rosto de Roberta corou de leve . Nunca que eu ia te pedir pra fazer uma coisa dessas.

    — Fábio é quase meu irmão, pra mim ele desenrola essa guerra.

    — Valeu mesmo, Jorge.

    Roberta voltou para seu computador. Quando estava para voltar ao trabalho teve um estalo. Um detalhe que por pouco escapava. Foi quando a chama da conspiração se acendeu no seu peito. Ela pegou o celular, abriu o chat com Luciana e mandou uma mensagem.

    “Já tenho o nome do alvo.”

    “Só com o nome não dá pra achar.”

    “Nome e telefone. Depois eu explico melhor.”

    O pacto de cumplicidade acabava de ser selado. Roberta não gostava muito de fazer essas coisas… Mas agora não tinha mais volta.

Espirro

O tema da postagem dessa sexta-feira foi decidido na semana passada. Em alguns períodos mais inspirados eu consigo a proeza de ter uns quatro ou cinco temas já escolhidos. Acordei hoje de manhã com a certeza que ao fim do dia eu teria uma análise bem humorada sobre uma tendência social que vem crescendo nos últimos tempos, mas o processo criativo é aleatório e de vez em quando rende umas surpresas interessantes, pelo menos interessantes pra mim. O tema programado pra hoje, infelizmente, vai ser sumariamente descartado e no lugar dele teremos um dos temas mais bestas já tratados nesse blog.

Tudo começou hoje de manhã. Estava eu alegremente a caminho do trabalho juntamente com uma amiga minha que sempre pega carona comigo. Durante o trajeto em direção ao Raincife notei que ela realizou um rápido movimento de cabeça com uma das mãos no rosto. Prontamente perguntei “Isso foi o quê, hein? Foi um espirro?”, e ela me respondeu que sim, aquela era a versão do espirro dela para ambientes fora de casa. “Meu espirro é muito escandaloso”, justificou ela. Não preciso nem dizer que imediatamente meu cérebro começou a trabalhar. Não que meu cérebro tenha feito um trabalho extraordinário, normalmente ele só faz o basicão mesmo e ocupa o resto do tempo com toda sorte de besteira, mas ele trabalhou o suficiente pra chegar à conclusão de que eu precisava falar sobre isso, hoje e aqui.

Durante toda a minha vida eu vi, mas depois de muitos anos eu atentei para o fato de que mulheres normalmente tem um pequeno problema em relação a tosses e espirros. Principalmente espirros. Farei um desafio para você, leitor do sexo masculino, puxe da memória alguma vez em que você viu uma mulher dar um espirro alto, ruidoso, sonoro e/ou escandaloso. Conseguiu? Eu também não. Isso me leva à conclusão de que mulheres não conseguem simplesmente espirrar de boas.

Uma disfarçada, uma segurada ou a incapacidade de espirrar pra fora. Não, não estou exagerando, já ouvi relatos de uma moça que afirmou não conseguir espirrar da forma que eu considero biologicamente mais apropriada. Aí nesse momento eu me pergunto:

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Gostaria muito de ser esclarecido quanto essa particularidade feminina em relação à etiqueta do espirro. Infelizmente minha cabeça não consegue chegar sozinha à uma resposta satisfatória. Se alguma moça puder clarear minha mente em relação a isso ficarei eternamente grato. Desde já agradeço pela atenção e até a semana que vem com um texto um pouco mais relevante.

Dia das Mães

No último domingo, também conhecido como dia 8 de Maio de 2016, foi comemorado o Dia das Mães. Nem preciso dizer que o tema do texto dessa quarta-feira já estava definido muito tempo atrás, afinal esse é o primeiro Dia das Mães do Cachorros de Bikini e data tão importante não poderia passar batida. Já tinha me preparado pra fazer alguma coisa parecida com o que eu fiz no Dia dos Pais, mas eis que um evento recente fez tudo mudar. A análise sobre a data em si vai ter que ficar pra 2017.

Na semana passada foi aniversário de Vó. No dia 4 de Maio ela chegou à impressionante marca de 84 anos. Infelizmente não pude dar os parabéns pessoalmente no dia 4, por isso dei uma ligada pra ela. Até aí nada de muito diferente dos anos anteriores, foi quando ela me disse uma coisa que me deixou pensativo. Em meio à alegria de receber os parabéns, ela me diz “você é um filho que eu não tive, os outros todos eu tive, não tive você, mas você ainda é meu filho”. Caso as palavras de Dona Irene tenham te deixado com dúvida, me dê um momento e eu vou esclarecer. Vovó teve um monte de filhos, alguns morreram ainda muito pequenos, o mais velho morreu adulto, e os outros cinco que restaram são todos filhos ótimos, ou seja, de filho minha vó não tem do que reclamar. Pra ela os netos sempre foram tão filhos quanto qualquer um dos outros, filhos que não foram gerados por ela. Pode parecer redundante falar isso, afinal, por definição, vó é mãe duas vezes, mas uma coisa é você saber que é assim, outra é você ouvir isso da matrona da família Gomes. Até por que nem todas as avós pensam nos netos efetivamente como filhos. Refletindo sobre isso atentei para um detalhe. Atentei pra todas as mães que tem filhos que elas não tiveram.

A maternidade é algo natural. Ela deriva dos instintos de preservação da espécie e zelo pela prole, acredito que todos os mamíferos agem movidos por esse instinto. Porém nem sempre o processo de gerar um filho é obrigatório para manifestação da maternidade. Tem vez que acontece por escolha, outras por acidente, mas boa parte das pessoas acaba sendo um filho pra várias mães. Tias, avós, vizinhas e derivados são candidatas fortes à essa maternidade extra-uterina, principalmente as que já geraram seus filhos e os rebentos já estão crescidos. A prole cresce, fica independente, mas mãe não funciona do mesmo jeito. Mãe é mãe e pronto. Outras candidatas fortes são as que sempre quiseram, mas nunca geraram um filho. Com essas é um pouco diferente, nesses casos a maternidade não é só o instinto, é um chamado. Mulheres que nasceram com um alerta luminoso no coração que diz “INSIRA UM FILHO AQUI”.

E isso tudo eu falei só pra poder dizer que pra ser mãe basta ser mulher. Basta ter amor, vontade de nutrir e cuidar, um coração com espaço pra sempre caber mais um. Pra ser mãe basta ter um útero, não importa se ele já gerou dez filhos ou nenhum. Nem todo útero consegue gerar um filho, mas todos eles conseguem gerar uma mãe.

72h (Ou Quase) Sem Whatsapp

Na última segunda-feira uma bomba atingiu as internets brasihueiras: um juiz decretou o bloqueio do Whatsapp por 72h. Nem preciso dizer que o ódio e o desespero se espalharam pela internet. Usuários, empresas, agências reguladoras manifestaram repúdio pela decisão da justiça. Até o jornal que passa antes da novela das nove dedicou alguns minutos pra falar do impacto que o  bloqueio do aplicativo causou na vida das pessoas. E ontem, que seria o ´segundo dia de bloqueio do Whatsapp, eu me deparo com a seguinte imagem.

    Sim, essa foi a capa da edição de terça-feira de um dos jornais de grande circulação em Pernambuco. Eu não poderia falar de outra coisa depois de um sinal tão claro do clamor do universo.

Ano passado já tinha rolado um bloqueio do Whatsapp. Lembro da comoção geral causada pela notícia. Assim como nessa semana, várias pessoas estavam quase entrando em depressão por causa da suspensão do serviço. Parecia mais que sem Whatsapp voltaríamos à idade da pedra. Mandando SMS e usando o telefone pra fazer ligações. Obviamente usar outros serviços mensageiros era encarado quase como uma derrota pessoal, uma gambiarra, quase um prêmio de consolação. Nesse momento eu paro pra pensar: como era a vida antes de todo mundo usar Whatsapp?

Como sempre a verdade está nas coisas menos sérias. No início da semana piadas como essa e essa aqui ilustraram bem alguns benefícios (fictícios ou não) da suspensão do nosso querido chat do ícone verdinho trouxe. Antes de Whatsapp ficar popular a dinâmica de conversar com os outros era um pouco diferente. Naquele tempo a internet móvel era meio capenga e todo mundo usava sms ou simplesmente ligava pros outros quando estava fora de casa ou longe de uma rede Wi-Fi aberta. Ninguém mandava foto por que mensagem MMS era muito cara. Ninguém mandava áudio, se era pra falar usando a voz todo mundo ligava. Os grupos de chat ficavam restritos a momentos em que o usuário estava sentado na frente de um computador.

Se pensarmos direito, todo esse desespero pelo bloqueio do Whatsapp rola pelo simples fato da maioria das pessoas não ter utilizado internet no celular sem ele. Pensar as coisas antigas de um jeito novo é meio tenso pro nosso cérebro preguiçoso de ser humano, e antes da gente pensar em se acostumar com as mudanças tá lá o vatezape funcionando de novo. E disso tudo eu só tiro uma lição: melhor mudar pro Telegram. Tem GIF, sticker de Dilma e ninguém bloqueia.

A Magia da Discussão Aleatória

Essa semana estava eu conversando com uns amigos pelo vatezape. Não faço a menor ideia do que estávamos debatendo no momento, mas em certo ponto da conversa, um dos presentes no chat coloca essa imagem.

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Um questionamento completamente inesperado e tão absurdo quanto legitimamente intrigante. Afinal, como seria a calça de um cachorro? Eu escolhi a opção 2 e pensei q todos os demais concordariam comigo e a vida seguiria, mas não foi isso que aconteceu. Um dos presentes discordou e o que começou como uma simples piada nonsense de internet, acabou virando uma extensa discussão sobre vestuário humano adaptado para cachorros. Naquele momento eu percebi algo sublime, tive um lampejo de percepção e notei o que estava realmente acontecendo. Estávamos lá argumentando seriamente sobre um assunto totalmente fora da realidade e que não teria nenhuma aplicação prática na nossa vida. Uma genuína discussão aleatória, uma das coisas mais maravilhosas da comunicação humana.

O debate é algo inerente ao ser humano. Tudo pode gerar uma discussão, seja ela acalorada ou não. Mas a magia mesmo está no debate sobre temas absurdos, lógicas por trás de obras fictícias, especulações sobre coisas que não tem como ser comprovadas ou que abordam um ponto de vista totalmente descabido sobre algum fato perfeitamente comum. Diante do cenário atual dos ambientes de interação, reais ou virtuais, uma discussão sem propósito nem fundamento é uma ilha de tranquilidade no meio de um mar revolto. É aí que fica a magia do negócio.

Por isso eu digo, caro leitor. Sempre que puder entre num debate sem sentido como esse. Levante temas aleatórios ou fatos absurdos só pra ajudar a promover o debate. Argumente, discuta, ouça e respeite a opinião dos outros, será um excelente treino pra quando o debate for sobre algo sério. Mas o motivo principal pra promover uma discussão aleatória é justamente eclipsar as discussões sérias. “Tá maluco, Filipe? Vou ficar me ludibriando com calça de cachorro enquanto o país tá pegando fogo?”, a resposta é não. Obviamente eu não estou pedindo pra você, querido leitor, esquecer das questões importantes da vida, nem pra parar de discuti-las com seus amiguinhos. Estou pedindo pra deixar elas de lado as vezes e simplesmente aproveitar as maravilhas dos absurdos da nossa vida. Não precisamos levar tudo tão a sério. 

Enquanto Meus Cachorros Dormiam

Abril foi um mês meio fraco nesse cantinho azulado da internet conhecido como Cachorros de Bikini. Graças a vários intempéries, contratempos, dificuldades e inconvenientes, o site passou quase o mês todo fora do ar. Não que isso seja um problema muito grande, afinal não estamos mudando a vida de ninguém por aqui e nem fazendo nada de real relevância para a humanidade, mas quando paro pra pensar vejo a quantidade de coisas que aconteceram e não foram comentadas por aqui.

Eu não gosto muito de escrever sobre os assuntos sérios, mas de uns tempos pra cá os nossos políticos estão de parabéns… Pensando bem esse assunto é tão absurdo que deixa de ser coisa séria, então estou autorizado por mim mesmo a comentar. Nos últimos tempos a nossa política está cada vez mais brasihueira. Inclusive devo ressaltar que nosso querido vice-presidente provavelmente é, levando em consideração apenas o seu talento para a zueira, o cara mais indicado pra dirigir esse país. Além de zueiro por natureza e o maior vazador de coisas inacreditáveis da história do planalto central,  ele é uma fonte inesgotável de zueira. Vide reportagens vintage que revistas “de visão” fazem sobre a vice-primeira dama. E obviamente temos uma menção honrosa a todos os nossos deputados federais que mostraram como é que se vota de verdade, inclusive fica a sugestão de que nas próximas eleições os eleitores tenham a opção de voto verbal, aberto e com direito a microfone.

Na categoria “Noticias Que Eu Vi, Mas Deixei Pra Comentar Depois” temos duas notícias que me deixaram simplesmente estupefato… Estupefato não é bem a palavra, mas creio que qualquer outro termo vai diminuir a importância das novas. A primeira delas não teve muita repercussão, mas me intrigou de uma maneira que não sei explicar: matemáticos descobrem um padrão inesperado nos números primos. Um padrão para os números primos? Meu mundo caiu, um dos fundamentos do universo conhecido foi derrubado. Infelizmente a análise de UM TRILHÃO de números primos gerou resultados ainda inconclusivos, mas ainda assim não é pouca merda é algo admirável. Continuem assim, matemáticos pesquisadores, precisamos de mais gente assim. A segunda notícia que eu deixei passar foi um fato que teve uma repercussão inacreditável. Estava em todos os sites de notícia, e o evento não foi só noticiado como todo o seu desenrolar teve uma cobertura massiva de vários meios de comunicação: Anitta fez preenchimento labial e deu ruim. Não, você não leu errado. Durante DIAS se falou dos beiços de Anitta em todo canto. Chegou ao ponto de conhecidos meus falarem coisas como “eu não aguento mais ver o beiço de Anitta em todo canto”. E com isso aprendemos, queridas crianças, que temos que ter cuidado quando formos brincar de plástica.

O maior prejuízo desses dias todos fora do ar foram todos os eventos simples e nem por isso menos extraordinários que não foram devidamente comentados nesse pálido ponto azul do firmamento da internet brasileira. Todo o espetáculo do evento comum de todo dia que deixou de ser aplaudido, todas as curiosidades que testemunhei nesses dias e que não serão registradas e eternizadas aqui. Uma lástima realmente, mas vida que segue, ainda tem muito cachorro de roupa de banho esperando a chance de aparecer por aqui.

No More Trouble

Essa semana foi tensa. Essa semana foi de torar em banda. Nossa classe política tocando fogo no país e a internet pegando fogo. Nesse momento praticamente todo mundo está brigando com alguém ou mostrando seu repúdio por alguma coisa. Deputado mandando beijo pra Xuxa, deputado se cuspindo, presidente #xatiada, dólar que cai subindo reportagem especial sobre a primeira dama do vice, reportagem especial falando mal da reportagem especial sobre a primeira dama da vice e mais um monte de coisa está gerando uma quantidade inacreditável de discussões world wide web a fora. Essas discussões estão gerando brigas diversas e ainda mais confusão. Pensando sobre isso tive um momento de iluminação.

Essa semana estava eu ouvindo reggae no carro. Tempos tão tumultuados pedem um pouco de positive vabration. E dentre os clássicos ouvidos naquele dia estava um dos maiores hinos compostos por Bob Marley. No More Trouble tem uma mensagem bem simples: a vida já tá difícil do jeito que é, não precisamos de mais problemas. A vida já anda muito complicada mas ainda tem gente que não se conforma com os problemas nossos de cada dia e se esforça de verdade pra arrumar mais.

Independente do que acontecer ainda vamos ter que levantar de manhã e cuidar das nossas coisas. As contas ainda vão vencer, o dinheiro ainda vai ficar curto, a gente ainda vai chegar atrasado por causa do trânsito, as crianças ainda vão precisar ir pra escola, o time ainda vai mal no campeonato, o calor vai continuar infernal, a chuva quando vier vai sair lascando tudo, você vai perder aquela promoção que tava esperando tem meses, a paciência vai faltar, a coragem também e daqui a pouco a internet também vai faltar. A vida vai continuar e o mal de cada dia vai estar lá pra gente resolver. Se não bastasse tudo isso e mais um monte de coisa, ainda tem os problemas que cada um faz questão de arrumar pra si mesmo.

Por essas e outras eu sigo a dica do meu pai. Pra toda possível treta, confusão, atrito e desentendimento ele sempre diz a mesma coisa: “EVITE”. Se depender de você, não arrume mais problemas. Eu não preciso de mais problema, provavelmente você também não, por isso deixe pra lá discussões que não vão a lugar nenhum, não arrume treta de graça com seu amiguinho e não esquente a cabeça com aquilo que não depende de você. E principalmente, não leve pro lado pessoal. O problema não é com você, é com todo o resto.

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