Cachorros de Bikini

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Tag: Tempo

Faltam 351 Dias pra Agosto Acabar

Normalmente eu consigo me lembrar exatamente quando e como algumas ideias de tema pros posts daqui do Cachorros surgiram. Dessa vez eu não lembro, por isso a introdução desse tema vai parecer uma história contada por alguém que consumiu alguma substância estranha, mas é só falta de memória mesmo.

Outro dia estava em algum lugar da internet, não lembro exatamente, quando uma amiga minha, acho que sei qual amiga é, mas tô na dúvida se era ela mesmo, publicou uma imagem que eu acho que não era essa que eu vou colocar aqui embaixo, só que era muito parecida.

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Quase dois anos atrás eu fiz um post sobre o glorioso mês de Agosto, mas na ocasião eu estava tão preocupado em ostentar minha antipatia pelo mês oito que deixei um aspecto muito importante passar batido: Agosto tá na lista dos meses mais longos do ano. “Mas, Filipe, Agosto tem 31 dias, metade do calendário tem 31 dias”. Exato, querido leitor, metade do calendário possui 31 dias, mas alguns meses possuem uma habilidade maior para fazer o tempo render. Março, Julho, Agosto e, dependendo do ano, Outubro também faz o tempo render, mas nenhum desses meses têm o mesmo perfil do nosso querido Agosto.

Março é a ressaca do Carnaval, ou o mês do próprio Carnaval, e também a preparação pra Páscoa, ou o mês da própria Páscoa, se mostrando um mês bem versátil com uma variação razoável de um ano pra outro. Julho é um mês de férias escolares, isso quer dizer que boa parte das atividades diárias é facilitada pela ausência de xofens estudando, quer dizer também que ninguém tem muita pressa pra que acabe logo esse mês. A longevidade de Outubro depende muito do ano, do Outubro e de você, portanto não vamos atribuir um motivo realmente claro pra acontecer essa elasticidade cronológica no nosso amigo mês dez. Aí voltamos pra Agosto, um mês sem feriados que impõe uma rotina praticamente uniforme e sem muita diferença entre um dia e outro. O resultado disso é que em Agosto nos sentimos assim:

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Mas dessa vez temos uma ajuda muito bem vinda. Nosso amigo 2017 meteu o pé no acelerador e já fez passar um terço desse mês tão longo. Tudo me leva a crer que em 2017 teremos o Agosto mais rápido de todos os tempos, mas ainda é cedo pra falar… Ainda faltam 351 dias pro final de Agosto.

Ficando Velho Cada Vez Mais Novo

Essa semana estava eu procurando coisas pra ouvir. Dei uma passeada na lista de artistas que eu sigo no Spotify e resolvi jogar na fila de reprodução os discos que saíram esse ano. Puxei rapidamente da memória alguns fulanos que tinham disco recente e fui lá catar as músicas pra jogar na fila. Fui lá no primeiro artista todo animado e descobri que o disco do cara era do ano passado. Passei para o próximo, para o seguinte e o que veio depois dele, quase todos tinham discos que datavam de 2016. Obviamente minha reação inicial foi:

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Parei pra pensar um pouco sobre a questão e acabei achando a explicação na obra de uma pessoa que parece entender muito de como funciona o mundo: Neil Gaiman. Lá em Sandman ele define que os Perpétuos, seres imortais próximos do que entendemos como divindade, têm uma percepção diferente do tempo conforme a idade deles avança. Um Perpétuo recém nascido provavelmente percebe o tempo como nós percebemos, com as horas, dias e anos com a duração padrão, um Perpétuo com milhares de anos provavelmente sente o tempo passando bem mais rápido. Imediatamente eu pensei em algo que já vem martelando na minha cabeça faz algum tempo. Eu olhei pra mim mesmo e pensei “eu tô velho mesmo”.

Uma certa vez uma amiga minha me mandou uma playlist com o sugestivo título de “ficando velho cada vez mais novo”. Você pode ouvir ela logo aqui embaixo.

Não preciso dizer que nenhuma das músicas dessa lista é nova, a mais recente tem quase dez anos. Dez anos que englobam praticamente todos os eventos e coisas que eu tenho na minha cabeça como coisas recentes. Qualquer coisa que ocorreu a menos de quatro anos aconteceu “um tempo desses” e é muito fácil confundir os acontecimentos de um ano com os do anterior. Também não é difícil levar um susto ao descobrir que coisas que aconteceram ontem já têm mais de cinco anos e que boa parte das crianças que eu conheci já estão na faculdade ou que os bebês já sabem ler. Aí chego à questão crucial desta dissertação. Como a gente tá ficando velho tão rápido?

A definição de velho é bastante abrangente. Em valores absolutos a velhice só chega quando a gente já passou um tanto bom da metade dos nossos anos estimados de vida. Em valores relativos depende muito de quem observa. Uma pessoa idosa pode não me achar velho enquanto um adolescente pode pensar exatamente o contrário. Mas e a gente? Como é que a gente chega à conclusão de que tá velho?

Pessoalmente considero que você se sente velho quando de alguma forma a idade pesa. Seja na dor das costas depois de sentar numa posição errada ou nas marcas dos anos que a gente vê no espelho. Qualquer período de tempo inferior a dois anos parece pouco e você lembra de um monte de coisa que existiam até um dia desses, mas que uma geração inteira não vai fazer ideia do que é. 

Ficar impressionado com as facilidades mais bestas da tecnologias e usar com uma frequência razoável expressões como “no meu tempo” e “antigamente”.

Assim como a percepção do tempo é relativa, podemos dizer que a percepção da própria idade é tão relativa quanto. Enquanto eu já vivi, em termos numéricos absolutos, duas vezes mais do que algumas pessoas que eu conheço, não vivi nem um terço do que viveu meu avô e nem metade do que viveu meu pai, chegarei a essa marca no ano que vem. Mesmo me achando velho quando eu olho no calendário, por dentro eu ainda não me sinto com essas idades todas. A falta de maturidade e uma aversão ao comportamento adulto padrão estão ajudando nesse sentido. Fico pensando quando eu não só me sentirei, mas de fato estarei velho. Fico pensando como é ter a idade dos meus avós e se o tempo vai parecer mais ligeiro do que me parece hoje… Ia concluir, mas esqueci como era pra terminar, deve ser a idade

Contos de Segunda #86

Moacir estava de mau humor, não que isso fosse novidade. Ele deixava o mau humor de todas as segundas ao lado da carteira ou no bolso da calça para não correr o risco de esquecer. A diferença naquela segunda em especial era justamente o fato do mau humor ter um motivo, coisa bem rara atualmente. Moacir estava com um humor péssimo por estar com a sensação de que não tinha mais tempo para nada.

Na semana passada Moacir comprou um livro novo e um jogo de computador que estava em promoção, descobriu que tinha saído a temporada nova da série que ele acompanha e que rolou a estreia de mais duas séries novas que ele estava doido para ver, apareceram os amigos com a história de fazer encontros periódicos de jogatina offline e, além disso tudo, ainda estava chovendo todo dia.

Em todos os dias da semana anterior Moacir saiu de casa quebrando a cabeça para tentar achar uma forma de como otimizar o tempo. Tentou almoçar perto para ter mais tempo no horário do almoço, mas tudo que ele conseguiu foi encontrar com os colegas de trabalho que almoçavam perto e formavam uma fila que mais parecia a fila do show de um popstar adolescente. Experimentou pedir uma marmita da tia do almoço, só para descobrir que a tia do almoço tinha uma média de atraso de quarenta minutos em dias de chuva. Tentou levar a marmita de casa e acabou descobrindo que os outros marmiteiros do trabalho tinham um senso de comunidade tão forte que eles paravam para puxar papo mesmo nos dias em que ele não levava marmita, principalmente na hora do almoço.

Já que a hora do almoço se tornou inviável, ele decidiu diminuir a hora do almoço para tentar sair mais cedo. Teria dado certo se ele não tivesse feito isso justamente nos dias em que precisou fazer hora extra. Tentou acordar mais cedo, mas tudo que conseguiu foi descobrir como odiava o som do despertador antes do sol nascer. Ele teria conseguido dormir mais tarde se tivesse tentado isso antes de tentar acordar cedo, mas o sono dele estava tão doido que ele passou o resto da semana só pensando em dormir. O fim de semana chegou e tudo teria dado certo se a internet não estivesse com problemas, impedindo Moacir de baixar o jogo novo e de assistir às séries que queria.

E eis que chegou a segunda-feira. O coração de Moacir estava borbulhando com o ódio mais puro e profundo que uma pessoa poderia sentir. Ele sentou diante do computador com a plena certeza de que poderia matar alguém. Ligou a máquina e esperou aparecer a tela do login. No lugar dela apareceu uma tela de erro. Moacir juntou as mãos no rosto e se perguntou o porquê de tamanho sofrimento. Antes de obter uma resposta satisfatória o telefone tocou.

— Moacir, verifica aí teu e-mail que parece que o relatório da semana passada acabou voltando — disse o chefe. — A gente vai precisar rever.

Silêncio.

— Moacir?

Silêncio.

— Alô?

Um som alto de algo quebrando veio como resposta.

— É… Chefe?

— O que foi isso, Moacir?

— Não vou poder trabalhar no relatório.

— Por que, Moacir?

— Meu monitor acaba de quebrar.

— Teu monitor quebrou?

— É. Eu coloquei a senha errada e a tela explodiu.

— Aconteceu alguma coisa contigo?

— Só a minha mão que tá meio machucada, mas nada que um pouco de gelo não resolva.

Foi A Vida Adulta que Aconteceu Conosco

    Essa semana estava eu tentando marcar uma jogatina offline com meu irmão. Eu digo tentando porque hoje é sexta, a gente tentou desde segunda e o sábado vai chegar sem a gente conseguir fazer nada. Imediatamente eu lembrei de todas as coisas que eu não consigo fazer com os meus amigos por motivos de agenda, trabalho ou grana. Também lembrei que esses mesmos amigos estão em momentos diferentes da vida. Tem amigo que já casou, ou que já é mais ou menos casado, tem amigo noivo com casamento previsto, tem amigo noivo sem previsão de casar, tem amigo trabalhando demais, tem amigo sem trabalho, uns que estão saindo da faculdade e outros que acabaram de entrar e ainda amigo que não marcaria “Nenhuma das Alternativas” no questionário da pesquisa. Nesse ponto da história surge uma pergunta em minha cabeça:

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Independente de quem meus amigos são na fila do pão, a verdade é que aquela história de fazer aquilo que a gente quer quando a gente quer se provou mito muito mais ligeiro do que eu imaginei. Hoje em dia você quer marcar pra encontrar os amigos, mas aí tá todo mundo ocupado ou com algum impedimento. Você resolve juntar a galera pra jogar pela internet ou pra fazer uma atividade lúdica pelo Skype, só que esbarra nos mesmos empecilhos mesmo com cada um na sua casa. Muitas vezes até conversar pelo vatezape com alguns se mostra um trabalho hercúleo. Mais uma vez a pergunta retorna: o que diabos está acontecendo? Não demora muito pra resposta vir.

    Quando eu penso direito na pergunta eu vejo o quão absurda ela é. Acontecendo? Sinto muito, mas não tem nada acontecendo, já aconteceu. O que foi que aconteceu? Acho que no título desse post eu já adiantei a resposta. Foi a vida adulta que aconteceu conosco.

    Em 2017 todos os nascidos na década de 1990 serão maiores de idade. Isso quer dizer que as crianças do início dos 90 já tão nessa de ser adulto faz um bom tempo. Assim como aqueles do final dos 80 e outros que nasceram um pouco antes. Isso quer dizer que a esmagadora maioria dos meus chegados está vivendo na plenitude das suas ocupações e responsabilidades. Isso quer dizer que todo mundo já recebeu o seu diploma de adulto e se brincar já tem gente terminando o mestrado ou o doutorado.

A verdade é que ninguém quer ser adulto. Ser adulto é uma bela de uma bosta e muito se ilude quem tá doido pra ser crescido e dono do próprio nariz. Trabalho, salário, dinheiro, boleto, falta de dinheiro pra pagar o boleto, falta tempo pra gastar com você, sobra tempo que você só pode gastar com você porque os outros não tem tempo pra você gastar tempo com eles, hora extra, preço das coisas subindo, imposto, dor nas costas, taxa, orçamento, voto obrigatório. No final você olha pro lado e tá todo mundo meio perdido nesse tiroteio que é a vida adulta. Os que ficam menos perdidos são os que aceitam mais rápido o estado adulto do seu ser. Simplesmente se jogam aos leões sem olhar pra trás e param de tentar utilizar plenamente a suposta liberdade que a gente achava que ia ter quando fosse adulto.

Antes que você diga que esse post ficou muito pra baixo eu vou deixar uma mensagem de esperança. Hoje eu quero dizer que vale a pena sim lutar contra os intempéries da vida adulta. Vale a pena porque de tanto tentar a gente acaba conseguindo. Acontece muito? Não, mas quando acontece é tão bom que a gente fica com gás suficiente pra continuar tentando. Na prática só vira adulto de vez quem quer ou quem deixa. Eu todo dia reafirmo meu compromisso de tentar levar uma vida menos adulta e é por isso que eu desejo uma vida menos adulta pra todo mundo.

“Volte O Tempo”

Algumas semanas atrás eu comentei em um post polêmico que tinha jogado um jogo muito legal chamado Life is Strange. Nele você joga a história de uma menina que tem o poder de retroceder o tempo e isso é um dos elementos mais legais da mecânica do jogo. Voltar o tempo para refazer escolhas e impedir que as merdas aconteçam é o que você mais faz ao longo dos cinco episódios do jogo. Mas além da história e dos temas abordados no jogo uma coisa me chamou bastante atenção: ao longo de toda a história você escuta personagens diferentes comentando como seria bom poder voltar no tempo e fazer as coisas de outra forma. Lembrando disso paro pra pensar e faço uma pergunta pra mim e pra todos os que estão lendo esse texto: você tem vontade de voltar no tempo e fazer as coisas de um jeito diferente?

    Normalmente a resposta inicial é “sim”, mas não é de se estranhar que essa resposta se transforme em um “mais ou menos” e depois em um “não”. Pensar no que deu errado é bem fácil, mas assim como uma morte inesperada em Game of Thrones, as merdas que acontecem na vida não costumam acontecer por acaso. Além disso, ao pensarmos nas coisas que poderíamos fazer diferente acabamos cometendo o mesmo erro que os protagonistas das histórias sobre viagem no tempo cometem. Por que é muito fácil julgar as escolhas do começo da história quando já sabemos do final.

    Pare pra pensar junto comigo. Você deve conseguir dizer exatamente as consequências e desdobramentos de todas os erros, acertos, cagadas e sortes da sua vida inteira. Provavelmente você consegue achar um ponto chave na sua própria história que fez tudo mudar, para o bem ou para o mal, mas dá pra saber o que teria acontecido se você tivesse feito de um jeito diferente? Dá pra ter uma ideia? Provavelmente. Dá pra saber exatamente o que teria acontecido? De jeito nenhum.

    O que eu aprendi com todas as histórias sobre viagem no tempo que eu já li ou assisti na vida me ensinaram uma lição preciosa: mudar o passado sempre dá merda. Grande ou pequena, sempre vai dar uma merda. Seja por causa do rompimento do tempo e espaço em si ou por desencadear uma série de eventos catastróficos que mandam tudo pra merda de uma forma nunca antes vista na história desse país. Obviamente nem tudo dá tão errado assim, mas só a vontade de querer mudar o que passou já é um veneno.

Pra encerrar vou compartilhar um conceito curioso que eu li outro dia em um livro chamado Filhos de Duna. Muito se engana quem pensa que o futuro é consequência do presente, é justamente o contrário. O futuro é um só, o presente que se arruma pra chegar naquele futuro.

Som, Ritmo e Tempo

Essa semana quando estava pra colocar o pé na rua resolvi dispensar os fones de ouvido e ouvir com atenção os sons de tudo ao meu redor. De fato prestar atenção em todo e qualquer ruído que me cercava foi uma experiência interessante, mas que durou apenas um ou dois minutos, tempo suficiente pra cabeça começar a fervilhar.

Por causa das minhas afinidades musicais acabei ficando um pouco obsessivo por ritmo. O ritmo é algo muito natural, ele está em todo lugar. As batidas do coração, nossos passos, respiração, fala e muitas coisas mais possuem ritmo próprio. Foi pensando nos sons e nos ritmos que comecei a pensar sobre o tempo. Inicialmente pensando na conotação musical da palavra, ainda com um pouco da matemática da música na cabeça, mas logo a mente deu um freio. Literalmente ela “parou no tempo”.

Fico pensando se já tive vontade de falar sobre isso em algum texto. Tempo. Muito provavelmente a medida mais abstrata que o ser humano já inventou. De todas as coisas relativas o tempo é a maior de todas. Não só por percebermos esse nobre senhor de formas diferentes, mas de fato o tempo não passa igual pra todo mundo.

Todo mundo conhece uma pessoa que não mudou nada nos últimos tempos ou aquela pessoa que mudou demais. Gente que parece estacionado na linha cronológica, que continua o mesmo por fora, por dentro ou as duas coisas. Isso nos parece ainda mais absurdo diante da loucura atual do calendário, que parece mais ter tomado um comprimido de ecstasy junto com energético e entrou em um frenesi nunca antes visto na história desse nosso universo.

Não lembro quando o mundo começou a girar tão rápido (provavelmente em 2013, o ano mais rápido desse século), também não sei quando percebi a preciosidade do tempo e comecei a escolher a dedo como desperdiçaria meu tempo. Tão raro que é melhor terminar logo esse texto pra economizar um pouco do meu e do seu tempo.

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