Não é um blog sobre cachorros e bikinis

Categoria: Crônicas e Similares Page 16 of 21

É Natal

    25 de Dezembro, também conhecido como Natal é uma das datas mais importantes do nosso calendário. Nesse dia celebramos o aniversário de Jesus, nosso chapa de longa data que ninguém sabe exatamente em que parte do ano nasceu. Celebramos também toda aquela parada de esperança, amor e união que veio junto com o nosso caro messias. Porém o Natal acaba tendo um gosto diferente pra cada um.

    Para alguns o Natal é a desculpa perfeita para reunir todos os parentes, ou pelo menos a maior parte deles. Para outros é a desculpa pra comprar uma tonelada de presentes, caros ou não. Obviamente não podemos esquecer daqueles que aproveitam pra comprar toda sorte de itens de vestuário com o tão esperado décimo terceiro. E tem aqueles que não fazem nada disso e só esperam chegar o pseudo aniversário de Jesus pra poder comer e beber até passar mal, ganhar um ou outro presente dos amigos e parentes mais altruístas e curtir a ressaca do dia 25 sem pressa nem culpa. Outros aproveitam pra replicar a mensagem de amor e união, mesmo quando elas mesmas passam o ano todo sem fazer a menor questão de amar ou se unir com ninguém. E não podemos esquecer das crianças, que são as mais envolvidas pela magia dessa data tão festiva… Ou são simplesmente os que ganham os melhores presentes.

    Natal é tradição. É habito e ritual. Natal é a data onde todos fazem a mesma coisa de todo ano. Sempre existe um ou outro ano em que rola uma exceção, mas sempre voltamos para a configuração padrão e quando menos esperamos estamos lá fazendo charada pra dizer qual tia é a nossa amiga secreta, reclamando do parente que fica perguntando do seu namorado, ou se você e sua noiva marcaram o casamento e de como o filho de fulana é fuleiro por não ter aparecido naquele dia tão especial. Por que se não tivesse nada disso não seria Natal.

    Pra fechar esse texto vou deixar uma musiquinha que combina bem com essa época. E com essa pequena canção o Cachorros de Bikini deseja a todos um feliz Natal.

Despertou

Foi em 2005. Lembro muito bem da comoção gerada, eu mesmo estava bastante animado pra fazer uma coisa inédita na minha vida: ver um filme de Star Wars no cinema. Não era qualquer filme, era a conclusão da nova trilogia, onde finalmente veriamos Anakin Skywalker se trasformar em Darth Vader. Independente dos defeitos do filme, ou da repercussão negativa que a trilogia nova teve entre os fãs, aquela era a despedida de Star Wars no cinema, pelo menos era isso que eu sentia na época.

    O Ano era 2012. Nesse ano recebemos uma notícia que pegou todos de surpresa: Star Wars foi comprado pela Disney. Todos sabiam o que isso significava, todos já podiam sentir o que estava por vir. Só precisávamos saber a data, mas todo mundo já sabia que Star Wars voltaria pro cinema e que não seria pelas mãos de George Lucas.

    Chegamos a dezembro de 2015. Depois de meses de ansiedade, finalmente entrei no cinema para ver mais um filme de Star Wars, com o sugestivo titúlo de O Despertar da Força. Mas eu não estou aqui pra falar sobre o filme. O que me motiva a escrever esse texto foi tudo que eu vi antes. “Despertar”, foi isso que eu vi ao longo de todo o ano de 2015. Durante todo o ano os fãs foram reaparecendo, relembrando uma paixão que estava meio esquecida. Fãs mais jovens ou mais recentes que nunca puderam assistir um universo tão querido nas telas do cinema finalmente teriam sua chance. Não só isso, ao longo de todo o ano muitos se descobriram fãs do universo povoado por Jedis, Siths, palco do conflito épico entre Império e Rebelião. Star Wars despertou dentro de muitos durante esse ano. “Despertar” define bem o que aconteceu esse ano, foi assim que muitos fãs nasceram do dia pra noite, contaminados pela empolgação dos mais antigos e contagiando os mais novos.

Talvez Star Wars seja algo tão singular dentro da cultura pop por isso, por ser algo que acaba passando de geração em geração, que une pessoas de várias idades através de um sentimento único. Foi esse sentimento que os caras do marketing apelidaram de “Força”. Assim como na mitologia dos filmes, algo que nos envolve e nos une. Sabendo disso não é de se admirar a minha felicidade ao ver minha mãe, que viu os primeiros filmes de Star Wars no cinema há mais de 35 anos, junto dos meus primos, que eram pequenos demais pra lembrar da última vez que Star Wars passou no cinema, e dos meus tios e do meu primo mais velho, que acabaram passando pra mim toda essa admiração que tenho pelo universo de George Lucas.

A Força despertou em 2015. Star Wars despertou em 2015. Despertou com uma cara nova, com a cara dos tempos de hoje, com empoderamento feminino e representatividade étnica, em uma galáxia distante que está cada vez próxima de nós. Não sei se alguém esperava algo diferente, mas eu não esperava mais do que o Episódio VII foi. A melhor parte disso tudo é que está só começando.

Férias

Não é novidade pra ninguém que muita coisa que você fazia/dizia/sentia/gostava quando era criança muda totalmente quando você vira adulto. Elas são uma forma da vida te convencer de que a era de ouro da sua vida já  era e que toda esperança de que ela voltará deve ser abandonada e a vida tem que seguir rumo à maturidade. Um dos grandes exemplos disso é o significado diferente que uma das palavras mais sublimes da língua portuguesa pode ter. Estou falando das belas, maravilhosas e ansiosamente aguardadas Férias.

Quando você é criança, e até um tempo depois disso, as Férias nada mais são do que um período em que você fica longe da escola. É quando se tem tempo de sobra pra fazer a única coisa que dá pra fazer nas idades mais baixas: ser criança. Coisa que fica muito mais fácil quando a escola não está lá pra atrapalhar. Tudo isso muda muito quando a gente cresce, por um simples fato: um adulto é dono do seu próprio nariz, mas não é dono do seu próprio tempo.

Pra todo mundo, ou pelo menos pra maior parte das pessoas, chega uma hora da vida em que é preciso oferecer sua força de trabalho em troca de alguns cobres no fim do mês. Por causa disso todo o tempo que possuímos é gasto com o trabalho ou tem o uso que fazemos dele limitado por causa do trabalho. Por isso a sensação que se tem quando as Férias chegam e você é adulto é justamente a de que seu tempo é seu mais uma vez.

Mas ao contrário dos tempos de criança, nem sempre as férias chegam de maneira tranquila. Elas são um direito garantido de todo o trabalhador com carteira assinada, mas elas podem sofrer um ataque severo dos chefes e acabarem adiadas, reduzidas ou simplesmente ignoradas. Além disso nada pode ficar pendente. Sair de férias e deixar trabalho pra depois está totalmente fora de questão. O único trabalho que deve esperar pela sua volta é o trabalho que surgiu durante sua ausência e não o que já estava lá antes de você sair.

Depois de todas as barreiras vencidas e todos os gigantes derrubados é chegado o momento sublime em que sentimos nossas velas estufadas pelos ventos da liberdade e navegamos para as águas tranquilas de um paraíso onde o dinheiro entra na sua conta sem que uma palha seja movida.

Depois de alguns dias voltamos pra guerra. Em pouco tempo as férias serão limadas de nossas mentes e não serão nada além de um pensamento distante de uma outra vida que não parece ser a nossa. Mas é como diz aquela musica, você não precisa de férias quando não tem do que fugir… Mas todos nós temos e por isso tiramos férias.

2015, 75 Anos e 75 Textos

    Semana passada dei uma olhada no contador de postagens do painel do WordPress e percebi que estava se aproximando a postagem de número 75. Como eu tenho um certo gosto por números terminados em cinco, não podia deixar de fazer uma postagem alusiva a esse número tão bonito. Mas o que eu poderia falar sobre o número 75? Depois de matutar um pouco acabei lembrando que 2015 foi o ano em que vários personagens de histórias em quadrinhos completaram 75 anos, isso me levou a questionar: quem mais completou 75 anos em 2015?

    Começando pela música temos Sérgio Reis chegando ao 75º aniversário. Juntamente com Milionário, da dupla Milionário e José Rico. Além deles tem uns outros carinhas menos importantes como Ringo Starr e John Lennon, que morreu tem um bom tempo e nem chegou a ficar tão velho quanto seu outro companheiro de banda.

    No cinema temos umas coisas mais interessantes. Como os 75 anos do Pinóquio da Disney. Sim, você não leu errado, Pinóquio completou 75 anos em 2015 e provavelmente é um dos únicos, ou o único, filme de 1940 que é lembrado até hoje pelo grande público. Na lista de contemporâneos do garoto de madeira temos George Romero, o cara responsável por trazer os zumbis pro estrelato, Al Pacino, Bruce Lee e mais uma galera. Obviamente nenhum deles chega aos pés do ser humano mais notável que nasceu naquele ano, o mito maior das internets, Chuck Norris. Depois dessa vou até passar pro próximo tópico.

    Entre os personagens fictícios da televisão os maiores destaques são uma parte considerável do que passava no SBT quando eu era pequeno: Pernalonga, Pica-Pau, Tom e Jerry. Além deles temos Margarida, namorada do pato Donald, e Lassie, um dos cães mais famosos da ficção. Não sei se o que me deixa mais impressionado é a longevidade desses personagens ou o tempo que esses desenhos foram reprisados

    Por último eu gostaria de listar os personagens das histórias em quadrinhos que estão completando 75 anos em 2015. Entre os vilões mais relevantes temos o Coringa, talvez o vilão mais conhecido dessa lista, a Mulher Gato, o Cara de Barro e o Lex Luthor, o único dessa lista que não é inimigo do Batema. Entre os heróis temos as primeiras versões do Flash e do Lanterna Verde, o Espectro, o Capitão Marvel, que é atualmente conhecido como Shazam, e o primeiro Robin, Dick Grayson.

Sempre simpatizei com o primeiro Robin, e recentemente eu descobri, através de um podcast que eu gosto muito, que ele foi criado por que o Batman não tinha com quem interagir durante suas investigações. Como ficar discutindo sozinho era uma parada meio esquizofrênica, foi criado o menino prodígio. Mais tarde ele acabou servindo como desculpa pra questionar a sexualidade do Batman, o que acabou ajudando a desencadear uma onda de censura nos quadrinhos que moldou toda a indústria nos anos seguintes. Mas isso é assunto pra outra hora. Agora eu desejo parabéns aos aniversariantes e comemoro o 75º texto desse humilde blog.

Presente

Um dos componentes mais importantes dos rituais de fim de ano, sem a menor sombra de dúvida, é o presente. Seja um presente de natal, amigo secreto ou só uma coisa que você comprou usando as festas de dezembro como desculpa, o presente sempre está em alta no fim do ano. Mas afinal, qual é o lance por trás dessa parada de dar presente?

Se não me engano o habito de presentear durante essa época tem origem na história do nascimento de Jesus. Segundo o relato bíblico, Jesus recebeu a visita de três sábios vindos de uma terra distante, cada um deles trouxe um presente para o recém nascido. Cabe ressaltar que em alguns países as crianças não recebem presentes no natal, elas recebem no dia de reis, que faz alusão justamente à visita desses três carinhas ao nosso amigo recém nascido. O tempo passou e, como ninguém sabe direito em que época do ano Jesus nasceu, alguém resolveu que ele ia fazer aniversário em dezembro. Foi quando instituíram também a temporada de troca de presentes.

Basta dezembro começar, o décimo terceiro entrar na conta e as primeiras confraternizações serem marcadas pra começar um surto de complexo de Noel. Não é preciso se esforçar muito pra ouvir palavras como “presente”, “lembrancinha”, “embrulho”, “encomenda”. Boa parte dessas palavras vem acompanhada de “falta”, “comprar”, “tenho que” e o nome do grupo ou pessoa para quem os presentes estão destinados. E se você for como algumas pessoas que eu conheço, muito provavelmente tem uma lista longa de presentes pra escolher e comprar. Realizando um esforço quase hercúleo pra conseguir comprar tudo antes do fatídico dia 25, sem contar que provavelmente você também está fazendo um esforço titânico pra manter o presente em segredo até a hora de ser entregue.

Presentear outras pessoas é uma coisa que eu gosto bastante. Não que eu faça isso com muita frequência, nem faço isso com todo mundo, mas não é muito fácil resistir à tentação de comprar algo que eu sei que o presente acerta em cheio. Principalmente quando aquilo é tudo que a pessoa queria, mas não sabia disso até aquele momento. E esse momento de descoberta é que faz o ato de presentear valer a pena.

Amigo Secreto

    Poucas coisas no folclore do fim do ano conseguem ser mais notórias do que a boa e velha brincadeira de amigo secreto. Ponto alto de várias confraternizações  ou até mesmo algo que merece uma celebração particular, o amigo secreto é uma das poucas coisas que não muda em função da região, faixa etária ou da classe social dos participantes. Uma atividade lúdica e recreativa que movimenta o fim de ano de muita gente, principalmente quando se é adulto, gera uma comoção enorme entre os participantes e rende histórias pro ano inteiro. Mas o que o amigo secreto tem pra causar esse efeito nas pessoas?

    O primeiro fator determinante para a graça do amigo secreto é o fator aleatório. Não existe um ser humano na face do planeta que não veja nem um pouco de graça em sorteios e é isso que o amigo secreto é na prática, um jogo de sorte. O simples ato de tirar um papelzinho com o nome de uma pessoa já gera adrenalina equivalente à de um salto de paraquedas. A tensão, a expectativa e o risco de se dar mal transformam o ato do sorteio em algo único, ou nem tão único caso você tire seu próprio nome e tenha que refazer o sorteio. Logo depois da determinação dos resultados aleatórios temos mais uma etapa atribulada do processo: comprar o presente.

    Escolher presente pros outros nem sempre é uma tarefa simples. Caso a dama da sorte tenha lhe sorrido, seu amigo é uma pessoa que você conhece bem e, com um pouco mais de sorte, até mesmo um ser humano pelo qual você nutre alguma simpatia. Caso não você já começou a brincadeira se lascando na desvantagem, se a dama da sorte resolveu tirar uma bela onda com a sua face o risco de tirar uma pessoa que você detesta é bem grande, principalmente se o amigo secreto for realizado em ambiente de trabalho. Para fins pedagógicos vamos considerar que sempre ocorre a segunda opção. Lá está você quebrando a cabeça para dar um presente pra um ser humano que é quase um desconhecido, caso a pessoa tenha divulgado um presente que gostaria de ganhar a tarefa fica um pouco mais fácil, mas como estamos trabalhando com cenários adversos é melhor excluir essa possibilidade. Se você foi esperto o suficiente pra comprar algo genérico, não muito caro e que agrade todo tipo de pessoa, além de não ter caído na tentação de comprar um vale presente, você pode concorrer prêmio Nobel de amizade secreta, se não foi… Não tem muito o que fazer além de aceitar o fato de que o presente comprado só difere de um pedaço de cocô por causa do cheiro. Infelizmente é o que tem pra hoje, pelo menos o embrulho tá bonito e não vai fazer vergonha na hora da festa/confraternização/almoço/jantar/happy hour/desculpa que arrumaram pra justificar o amigo secreto.

    E eis que chega o grande dia. Cada um dos participantes aparece com pacotes e sacolas das mais variadas cores e tamanhos. A tensão e a expectativa crescem. Sempre tem algum desgraçado participante que falta, deixando uma pessoa sem presente e outra sem amigo secreto. Depois que finalmente todos chegam começa a brincadeira, alguém se habilita e começa o velho jogo de adivinhação, que acaba sendo meio furado por que ou o cara entrega de bandeja o nome do amigo ou faz uma descrição tão doida que ninguém acerta. O tempo vai passando e vai chegando a sua vez, a tensão começa a crescer, não só por causa do presente qualquer coisa que você comprou, mas também pelo medo de receber um presente tão qualquer coisa quanto. Sua vez chega antes, o cara que ia receber o presente acabou faltando rompendo a ordem da brincadeira, você começa a descrever seu amigo com o máximo de acurácia possível, vendo que ninguém vai acertar você diz logo quem é o fulano, entrega o presente e pela cara do sujeito se abrem duas possibilidades: ou você não errou o presente ou o cara merece o Oscar de melhor ator. Você volta pro seu lugar, aliviado, torcendo pra que o seu presente seja pelo menos o vale presente de uma loja legal.

Dezembro

Eis que chegamos à ultima página do calendário. Finalmente caiu a ficha de que 2015 está nos deixando, levando consigo uma quantidade incontável de mazelas. Porém ainda não é dessa vez que comentarei sobre esse ano tão cabuloso, o texto de hoje tem como protagonista o décimo segundo mês do ano, mais conhecido como Dezembro.

Dezembro é um dos meus meses preferidos, muito disso vem dos tempos de escola, onde Dezembro sinalizava o final de mais um ano e o início de mais um período de férias. Os filmes de natal começavam a passar na televisão, a decoração das lojas mudava e o clima de fim de ano era tão presente que era quase palpável. Hoje em dia esse mês tão cabalístico não tem o mesmo gosto de antigamente, a vida adulta acabou me roubando um pouco daquilo que me contagiava nessa época. Isso acabou me permitindo observar os curiosos ritos presentes nessa época.

Quando você fica adulto os sinais do final de ano ficam um pouco diferentes. No lugar das provas finais nós temos trabalho pra terminar antes do recesso, no lugar do presente de natal nós temos o bom e velho amigo secreto, mas não tem arauto maior do final do ano do que a confraternização. Quando a gente é criança essa palavra passa um pouco longe do nosso radar, mas quando envelhecemos é praticamente uma lei do final do ano. Seja da turma do trabalho, da faculdade, amigos do tempo do colégio, pessoal da academia, aula de inglês, pessoal da trilha, do grupo de corrida, do grupo de ciclismo ou qualquer derivado, nessa época “confraternização” é uma palavra de ordem, tudo é desculpa pra se confraternizar. Afinal é disso que as festas de ano se tratam, todo mundo junto de mão dada celebrando o amor e a união entre os povos. O lance é que em boa parte das vezes você não vê muito motivo pra se confraternizar. Em boa parte das vezes você não quer quebrar a cabeça pra achar um presente de amigo secreto que não seja uma bosta. Por isso entramos na parte mais interessante do final do ano: você não quer parecer chato.

Essa época induz um comportamento muito curioso nas pessoas, não estou falando do desejo frenético de confraternizar como se não houvesse amanhã, me refiro à aversão que você desperta nessas pessoas quando não quer participar. Isso é tratado como um crime social,  talvez o único que não tem perdão e que realmente é visto com péssimos olhos pelos demais. Afinal que tipo de pessoa se negaria a dividir momentos preciosos com essas pessoas que fizeram o seu ano uma parada tão especial?

Hoje em dia eu não vejo mais filmes de natal na tv, não sinto muito o clima de fim de ano e não me empolgo muito com a decoração natalina. Hoje em dia o fim do ano é uma linha de chegada, não só por que minhas férias começam depois do natal, mas também por que dificilmente algo fica pro ano que vem. No final do ano realmente acaba e a sensação desse término é o barato do meu dezembro.

Incoerência

Quem tem idade pra se lembrar de como era a vida antes da internet ser o que é hoje viu uma série de hábitos que surgiram em função do avanço da tecnologia. Talvez uma das mudanças que mais influenciaram o comportamento das pessoas nas redes sociais foi o aparecimento da fotografia digital.

Se você está vivo a tempo suficiente pra lembrar do filme fotográfico e do termo “revelar foto”, provavelmente presenciou a mudança proporcionada pelo aparecimento das câmeras digitais. Ver como uma foto ficou sem precisar esperar uma versão física dela foi algo que maravilhou todo mundo na época, mas um detalhe acabou mudando a vida de muitas pessoas para sempre: agora era possível tirar infinitas fotos. Com o custo de revelação eliminado e a possibilidade de armazenar as fotos digitalmente, sem ocupar espaço físico, as pessoas adquiriram o curioso habito de tirar fotos que não tinham a menor intenção de guardar um momento para o futuro. A fotografia digital espalhou pelo mundo o habito de tirar fotos que não servem pra muita coisa. A maior representante dessa categoria fotográfica, sem sombra de duvida, é a auto foto, também conhecida pela alcunha irritante de selfie.

Antes que você, amigo leitor, pense que eu vou tecer uma crítica furiosa sobre as pessoas que fazem seus próprios retratos, peço mais algumas linhas para deixar claro o assunto desse texto. Eu não tenho problemas com pessoas que tiram fotos delas mesmas, também não tenho nada contra as pessoas que publicam essas fotos em suas redes sociais. O fato que me deixa com a cabeça levemente desgraçada não são as fotos, são as legendas.

Eu não sei como funciona esse lance de legenda de foto. Na verdade não sei como funciona esse lance de colocar uma foto sua com uma legenda que não tem ligação alguma com a foto.Eu sou de um tempo que a legenda servia pra ilustrar aquilo que estava na imagem, mas hoje não é raro olhar pro meu feed e ver uma foto, que poderia ser tranquilamente publicada sem legenda, junto de um texto que podia muito bem ter sido publicado sem foto alguma. Algum tipo de aura misteriosa envolve as redes sociais que faz com que as pessoas compartilhem a busca dos seus sonhos, perseverança diante das dificuldades, alegria de viver, fé em Deus e derivados juntamente com uma foto que não ilustra nenhum tipo de busca pelos sonhos, perseverança ou fé em Deus. A alegria de viver escapa, afinal é muito difícil alguém tirar uma foto todo triste. Lembrando que essa mesma foto poderia ser utilizada em qualquer uma das temáticas listadas anteriormente sem prejudicar a falta de conexão entre a imagem e o texto.

Caso alguém que esteja lendo isso aqui esteja ofendido com o que acabei de falar peço desculpas, não é nada pessoal. Se existe alguma lógica ou significado por trás dessa parada, infelizmente eu não consigo entender, inclusive prefiro continuar na ignorância. Não julgo nem condeno quem faz esse tipo de coisa, não me considero melhor do que os outros por não fazer, só acho que não tem problema em publicar uma foto sem legenda ou uma legenda sem foto. Já que elas não fazem parte uma da outra, não tem problema elas aparecerem separadas.

“Meu Amigo Secreto…”

Nesses últimos dias uma hashtag tem figurado bastante nas redes sociais, estou falando da tag #MeuAmigoSecreto. Caso você, caro leitor desavisado, desconheça o que diabos é esse lance de #MeuAmigoSecreto, não se preocupe pois eu vou esclarecê-lo. Façamos um exercício de imaginação, imagine todas aquelas indiretas que vemos todos os dias no facebook, imaginou? Agora imagine que essas indiretas são disparadas, não para gerar a intriga virtual nossa de cada dia, mas para expôr o mau comportamento de outro ser humano. Tudo isso sem necessariamente revelar a identidade do sujeito, naquele esquema de “você sabe que eu estou falando de você seu babaca”. Obviamente toda essa onda me inspirou para escrever esse texto. Nem preciso dizer que aquilo que vem a seguir não tem muita coisa a ver com esse movimento da internet brasileira.

    Esses dias, por causa da hashtag, me lembrei da tradicional brincadeira de amigo secreto. Fim do ano chegando e com ele a temporada de confraternizações. Não vai ser dessa vez que eu vou falar de todas as desventuras que envolvem essa tão desgraçada maravilhosa brincadeira do folclore nacional, vou me ater a um dos aspectos mais notórios da brincadeira: a hora de entregar o presente para o amigo secreto.

    Quando eu vi #MeuAmigoSecreto pela primeira vez no meu feed imaginei que fosse só alguém falando do seu amigo secreto, tanto é que eu nem li o resto, desde aquele dia eu fiquei com uma coisa na cabeça: como é cabuloso fazer esse jogo de adivinhação do amigo secreto. Descrever uma pessoa pode parecer fácil, mas não é muito quando o objetivo é não deixar os outros saberem de quem você está falando. Lembrando que na tentativa de dificultar o jogo da adivinhação você acaba falando um monte de coisa que não tem nada com nada e que pode inclusive gerar um descontentamento gigantesco no seu amigo secreto. Aí fica você com um sorriso amarelo e o seu amigo com cara de bunda, logo depois ele solta um sonoro “mas eu não sou (insira aqui a característica nada a ver que você falou)”. Apesar da situação descrita anteriormente ser bem chata ainda existe a maldita possibilidade do amigo secreto não concordar com alguma  coisa verdadeira que você falou, e pode ter certeza que vai aparecer um gaiato pra confirmar tudo dizendo “fulano é assim mesmo”.

    Pra encerrar eu gostaria de dizer que esse ano eu estou duplamente feliz. Primeiramente pelo fato de não estar em nenhuma brincadeira de amigo secreto e em segundo lugar por finalmente encontrarem uma utilidade pras indiretas nas redes sociais.

Vamos Falar Sério?

“Eu vou falar algo sério?”, essa é uma pergunta que eu me fiz assim que comecei a pensar no que seria o Cachorros de Bikini. Essa é uma pergunta que eu tenho me feito nesses últimos dias. Antes de responder tal questionamento prefiro explicar qual foi a origem dele.

A internet acabou proporcionando algo nunca antes visto na história desse país: todo mundo ganhou voz. Em uma era em que o textão toma conta de quase todas as redes sociais, por motivos óbvios o Twitter está fora dessa onda, e o mimimi se alastra como uma praga, ainda existem pessoas que usam a internet de forma racional para falar com seriedade sobre assuntos realmente relevantes. Para a minha sorte eu conheço algumas dessas pessoas. Pessoas que eu chamo de “amigos” e que, para minha sorte, também usam essa palavra quando se referem a mim. Em boa parte das vezes eu os encho de razão e assino em baixo daquilo que é declamado no meu feed. Nessas horas eu penso “talvez eu devesse expor minha opinião sincera sobre um assunto realmente relevante, afinal eu consigo falar sobre coisas sérias”. Logo depois eu paro e penso “será que eu devo mesmo?”.

Quando escolhi o nome “Cachorros de Bikini” o que eu tinha em mente era, em primeiro lugar, falar sobre coisas conhecidas de todos, mas de um jeito um pouco diferente do comum. Se eu consigo ou não fazer isso é outra história, mas a ideia sempre foi essa. Em segundo lugar eu sempre pensei nessas páginas azuladas como uma espécie de refúgio, um lugar onde o leitor pudesse desligar da vida real por um ou dois minutos. Um lugar onde o banal e o irrelevante podiam ser enxergados como coisas que realmente fazem a diferença na nossa vida, pelo menos por um ou dois minutos. Por isso quando eu estou tentando ter uma ideia para um texto novo a pergunta sempre volta. “Eu vou falar algo sério?”.

A resposta é sempre a mesma: Não. Quem me conhece há mais tempo sabe bem, quando eu começo a ficar sério em algum texto rola uma velha tesourada e alguma coisa acaba sendo censurada. Eu poderia falar algo sério e relevante? Talvez, mas não aqui dentro, aqui é não é lugar pra isso. Ser crítico e ácido é algo que eu até consigo, mas eu deixo pra ser assim fora daqui, caso contrário aquelas frases que aparecem junto com o título do blog seriam mentira. Aqui dentro temos “Coisas bestas da vida tratadas com o cuidado que elas merecem”, “Reflexões rasas sobre coisas profundas e reflexões profundas sobre coisas rasas”, por isso o Cachorros de Bikini se compromete a continuar “Sem nenhum compromisso de mudar a sua vida”. Caso você, caro leitor, queira ver opiniões balizadas sobre questões sérias e importantes, eu posso até indicar algumas pessoas muito mais competentes nesse campo do que eu pra você seguir, mas não espere isso de mim, pelo menos não aqui dentro.

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