Não é um blog sobre cachorros e bikinis

Categoria: Crônicas e Similares Page 15 of 21

Muito Mais Música

    Logo no começo do ano da Graça de 2016 eu estava de bobeira nas internets e me deparei com uma postagem bem interessante. A postagem em questão saiu em um site de cultura pop que eu costumo frequentar, nela são apresentadas sete resoluções de ano novo que podem ser adotadas por qualquer pessoa. Entre resoluções sérias e outras nem tanto, estava uma que eu considerei deveras relevante para a vida prática de qualquer ser humano. O número 2 da lista de resoluções para 2016, segundo essa lista, é “Ouvir Muito Mais Música”.

    Ouvir música atualmente dá muito menos trabalho do que já deu um dia. Praticamente todos os celulares de hoje em dia reproduzem música, inclusive os fones de ouvido costumam vir junto com o aparelho. De todas as mídias que migraram pro digital, a música foi a que melhor conseguiu fazer essa transição, eliminando totalmente a necessidade de mídia física. Mas por que será que ainda consumimos música de um jeito, em boa parte do tempo, preguiçoso?

Na lista o autor não critica gêneros ou estilos específicos. A crítica é contra o igual, o padronizado.Existe muita coisa por aí pra ser ouvida, e principalmente pra ser gostada. Graças a essa maravilha chamada internet, tecnologia que veio pra ficar, qualquer um pode gravar uma música e jogar no mundo pra todo mundo ouvir. Coisas antigas antes de difícil acesso, agora estão a dois cliques de distância. E ainda assim continuamos ouvindo as mesmas coisas de sempre. Não que seja culpa nossa, fazemos inconscientemente.  Quase sempre escutamos o que nos é familiar. Muitos dos artistas novos que experimentando são apenas variantes daquilo que já conhecemos.

O autor da lista desafia todos nós a nos tornarmos nossos ouvidos mais curiosos. Ouvir um artista relacionado, procurar a versão original de um cover, ir atrás daquele carinha que fez uma participação especial naquela faixa e coisas do tipo, são práticas simples que podem ter resultados surpreendentes. Quando menos esperamos, topamos com algum artista interessante que ninguém ouviu falar, ou damos chance pra um estilo que nunca pensávamos que existia. E tenho certeza que quando isso acontece você se sente como eu. Como se aquilo fosse o primeiro passo para um universo muito maior.

“Essa Treta é Realmente Necessária?”

Semana passada estava eu matando tempo no Facebook e eis que me deparo com um link deveras interessante. O link em questão foi compartilhado por um site de humor, daqueles que faz piadas retardadas e totalmente sem sentido. Como eu gosto muito de piadas retardadas e sem sentido, resolvi abrir o link e ver qual é. A piada retardada em questão não era tão engraçada assim, mas uma coisa me chamou muita atenção. Modificando ligeiramente uma cena clássica do desenho do Pica-Pau para que o display do elevador que o nobre pássaro faz subir (ou descer, não lembro direito como era a cena) em uma velocidade insana mostre no lugar de “Essa Velocidade é Realmente Necessária?” a frase “Essa Treta é Realmente Necessária?”. Ponderando sobre essa frase cheguei à conclusão de que ela é muito mais profunda do que parece.

    Treta. Termo popularizado principalmente nas redes sociais que serve para dar nome à todo tipo de confusão, mas usado com mais frequências nas brigas mais complexas. Nos tempos de hoje as redes sociais estão apinhadas de tretas. Qualquer check in, marcação, compartilhamento, textão, textinho, foto, video ou GIF animado tem um potencial enorme pra gerar uma treta. E onde isso se manifesta com mais violência é na área de comentários. É lá que a batalha campal acontece de verdade, onde seres humanos de todas as idades, profissões, religiões e classes sociais se rendem aos seus instintos mais selvagens e caem em cima dos seus teclados cheios de fúria. Nesse momento até o mais pacato dos cidadãos pode se tornar uma besta descontrolada, desejando beber o sangue daqueles que discordam de suas opiniões. Pode acontecer com qualquer um de nós, ninguém está isento de cair na tentação. Mas antes de nos rendermos aos impulsos selvagens de nosso ser, existe uma simples pergunta que deve ser feita: “Essa Treta é Realmente Necessária?”.

    Pense comigo, querido leitor. Quantas vezes você já se fez essa pergunta? Quantas vezes se meteu em uma treta muito louca que não valeu a pena? Quantas vezes se livrou de uma treta muito louca por que percebeu que não valia a pena ceder aos impulsos selvagens? “Algumas”, “um monte”, “nunca” ou qualquer outra resposta para qualquer uma dessas perguntas serve pra comprovar o que eu estou dizendo. Imagine um mundo em que somente as tretas necessárias acontecessem. Imagine um mundo onde as pessoas não quisessem se matar por causa de um assunto irrelevante. Esse mundo maravilhoso onde as discussões triviais são respeitosas, civilizadas, ponderadas e moderadas é possível. Basta fazer essa pergunta sempre que o sangue ferver e as palavras furiosas subirem pela garganta ou quiserem sair pela ponta dos dedos. Da próxima vez que o desejo da treta bater, faça a pergunta. Pare um pouco, respire, conte até três e pense “Essa Treta é Realmente Necessária?”. A quantidade de vezes em que a resposta será “Não” vai te deixar surpreso.

Hora Certa

    Creio que todos saibam que antes de escrever o sujeito metido a brincar com as letras era um simples leitor. Não que deixe de ser depois que inventa de escrever, mas isso é conversa pra outra hora. Enfim, completemos o raciocínio. Como todo leitor eu tenho um péssimo hábito: Comprar mais livros do que eu posso ler.

 Leitores são como as formigas da fábula famosa: gostam de garantir sua sobrevivência durante o inverno. E como já dizia aquele Stark que não é o Homem de Ferro “O Inverno está chegando”. E ele chega, pode crer que chega. E, assim como as formigas, os leitores começam seus trabalhos com antecedência, sem pressa, movidos pelo medo da escassez. A fobia de olhar pra uma estante repleta de livros que já foram lidos.

Pode parecer besteira, pode soar parcial ou redundante, mas eu concordo com a atitude desses seres que permeiam entre a ganância e a precaução. Antes que você, caro leitor, ache que eu estou justificando meus próprios maus costumes deixe-me concluir.

Todos nós precisamos de um tomo ainda não lido em nossas prateleiras. A própria perspectiva de uma novidade ao alcance de nossos dedos nos enche de esperança em um amanhã melhor. Ao nos relembrarmos constantemente de que ainda não lemos aquele livro que já fez aniversário exercitamos nossos instintos de zelo e responsabilidade. Mas acima de tudo, quando chegar a hora certa eles serão lidos.

É certo que por causa da escola acabamos lendo um monte de coisa imprópria para a nossa idade. Mas não é disso que eu falo. Livros são que nem músicas. Faz muito mais efeito quando lidos na hora certa. E, dependendo do momento, podem deixar de ser um simples entretenimento e se tornar uma parte importante da sua vida, da sua formação como pessoa ou simplesmente algo que aquece o coração só de lembrar. Podem nos ajudar em momentos difíceis e depois nos esquecermos deles. Ou então não fazerem sentido algum daqui a 2 meses, dois anos ou mais. Mas isso é depois. Antes disso tem magnetismo inicial, o flerte discreto e a atração irresistível que nos faz abrir páginas inexploradas e mergulhar nas suas profundezas durante um bom tempo. E o durante faz com que todo o antes faça sentido.

A Barba Pode Chegar ao Fim em 2016

    Especialista diz que este pode ser o ano em que a barba chegará ao fim. Foi essa noticia que apareceu essa semana no meu feed do Facebucket. Obviamente o título da matéria me chamou a atenção, por dois motivos simples: eu sou um cara de barba e queria muito saber por qual motivo a barba “chegará ao fim” em 2016.

    A matéria saiu originalmente no The Independent e fala de como a barba está saindo de moda. “Se é só isso, então por que cargas d’água você está falando disso?”, deve ser isso que você, querido leitor, deve estar pensando. Na verdade não tem nada de interessante nisso, a parte legal disso tudo é a forma como o texto foi escrito e as informações que ele se baseou para chegar à conclusão de que em 2016 a barba será derrotada por outras tendências.

    Em entrevista à revista Times britânica, o historiador (sim, historiador) e especialista no assunto (sim, historiador especialista nesse assunto), Alun Whitey, comenta que a queda da barba está prevista desde 2013. Mas apesar das previsões os cabelos da face seguiram resistindo, firmes e fortes até o fatídico ano de 2016, quando novas tendências estão ameaçando os pelos do rosto. Segundo o historiador especialista, nos Estados Unidos já existe um novo ideal que se opõe à barba: o yuccie. Quando essa classe se tornar dominante a era das barbas chegará ao fim. Sinais do fim dos tempos (para as barbas) já podem ser vistos por aí.

    Fico pensando se as coisas realmente acontecessem como foi descrito na matéria. Um estilo é considerado rei, mas aos poucos uma trama política começa a ser tecida. Aos poucos focos de resistência começam a aparecer e as coisas caminham para a mudança no poder. Um novo estilo ascende e derruba um já estabelecido, iniciando um novo reinado da moda. Fico pensando o que aconteceria com aqueles que se negassem a aceitar o novo regime. Seriam considerados subversivos? Criminosos? Sofreriam represálias? Infelizmente o jogo da moda não está nem perto de ser um Game of Thrones, mas agradeço a Deus pela ditadura da moda ser algo que não me obriga a nada. Minha barba sobreviverá ao ano de 2016.

Protocolo Chico Bento

Quando eu era pequeno, assim como muitas outras crianças, gostava muito de ler as histórias da Turma da Mônica. Algumas coisas que eu li naquela época estão vivas na minha cabeça até hoje, mas nenhuma outra ficou tão gravada na minha memória quanto uma certa história do Chico Bento. Até porque ela inspirou o título desse texto. Hoje vamos falar de algo comum a todos nós: o Protocolo Chico Bento.

    Mas antes vamos começar pelo começo. Na história em questão nosso querido personagem está apressado. Ele rouba goiaba, nada no ribeirão, namora e faz mais uma série de coisas em uma velocidade digna de Usain Bolt. No último quadrinho a mãe de Chico ao ser questionada sobre a pressa do menino responde: “último dia das férias”.

    Assim como vários outros animais, o ser humano possui alguns procedimentos pré configurados no seu cérebro. Apesar da nossa capacidade de raciocínio, nem todos os nossos instintos foram superados, alguns deles foram adaptados aos tempos modernos, a maioria deles é ligado ao sentimento de urgência. O fim do dia, fim do prazo, fim das férias ou qualquer outro tipo de encerramento tem o potencial para se tornar uma verdadeira bomba de ansiedade gerando alguns comportamentos meio estranhos. No caso do fim das férias o nosso cérebro ativa um protocolo que direciona nossas ações e influencia nosso julgamento. Entra em ação o Protocolo Chico Bento.

    No início das férias é comum listarmos todas as coisas que queremos fazer para “aproveitar bem as férias”. Como boa parte dos seres humanos não lida muito bem com os compromissos que assume consigo mesmo, não é difícil que nada do que foi listado anteriormente seja, nem que minimamente, cumprido. A preguiça, a rotina de vagabundagem, o Netflix, o Steam, os livros comprados na Black Friday do ano anterior e tantas outras coisas acabam nos afastando do nosso propósito inicial, seja ele qual for. Os dias passam e quando nos damos conta as férias já estão no fim. Automaticamente nos lembramos de tudo que deveríamos ter feito, é o gatilho para a ativação do protocolo. Nos tornamos o Chico daquela história. Começamos a ter dias mais cheios, arrumamos compromissos e consumimos conteúdo em um nível de produtividade quase robótico.

Janeiro está exatamente na metade. Logo logo ele chega ao fim, e com ele as férias de muita gente. As minhas vão terminar um pouco antes, apesar de não sentir muito esse ano, o protocolo continua rodando no meu cérebro em segundo plano. Ainda tenho alguns dias, ele ainda pode entrar em ação.

A Odisseia Espacial de David Bowie

No começo dessa semana recebemos a notícia da morte de David Bowie. A primeira coisa que preciso dizer é que eu não sou fã desse nobre falecido, meu conhecimento acerca da obra dele só é maior do que o conhecimento da minha avó sobre The Walking Dead. A segunda é que, apesar de saber praticamente nada sobre a obra do nosso compadre David, tem uma música dele que eu gosto muito. Uma música que eu conheci por um acaso e que conta uma história muito curta, mas tão profunda e impactante que eu não podia deixar de falar sobre ela, principalmente na semana em que o seu compositor partiu dessa pra melhor. Hoje prestarei uma pequena homenagem. Hoje vou falar sobre Space Oddity.

    Eu conheci Space Oddity quase sem querer, em um video de um canal gringo muito simpático chamado Glove and Boots. Nesse video eles fazem uma brincadeira com o astronauta Chris Hadfield, que fez um clipe tocando uma versão de  Space Oddity no espaço antes de retornar para a Terra. Foi a primeira vez que eu ouvi a história de Major Tom, pelo menos um trecho dela já que nas duas versões citadas acima o final da história do Major não é contada. Depois eu escutei a música e soube do fim da história. Foi quando eu me apaixonei por essa música.

    A música narra a viagem de Major Tom ao espaço. No começo só o que ouvimos é a voz do Controle da Missão. As orientações são passadas, a contagem regressiva é iniciada, “vá com Deus” diz o Controle da Missão, a nave decola. Ele consegue, chega ao espaço, a decolagem foi um sucesso. Os jornais vão querer saber até qual camisa Tom usava quando chegou ao espaço. Ele é autorizado a sair da cápsula, se tiver coragem. Pela primeira vez ouvimos a voz do Major Tom, ele sai pela porta, a música chega ao auge, ele começa a flutuar de uma forma muito peculiar, as estrelas que ele observam não se parecem muito com as que ele via na Terra. A música desce, o tom do Major não é mais eufórico, mas sim reflexivo. Sentado em seu pedaço de lata ele se sente impotente, diante do mundo azul. Ele sente como se ainda estivesse no mesmo lugar, apesar de ter viajado tanto. Aparentemente ele não sabe o que fazer, mas aparentemente sua nave sabe onde ir. Ele deixa que ela o leve. Ele manda uma mensagem de despedida para sua esposa. O Controle da Missão perde o contato com o astronauta. Tom continua sua reflexão, dessa vez na órbita da Lua. É o fim da música, mas não exatamente o fim da história.

    Posteriormente Tom aparece em outra música de Bowie. Nela ele é citado como uma espécie de drogado. A própria viagem de Tom narrada em Space Oddity é considerada uma alegoria para o consumo de heroína, mas isso já é outra história. Seja Tom drogado ou não, seja o seu foguete uma seringa cheia de heroína ou não, ainda temos uma história profunda de um homem que viajou para o lugar mais longe que ele conhecia, experimentou coisas que não seriam possíveis para a maioria dos seres humanos e percebeu que no final ele não tinha ido tão longe assim. Talvez ele não tenha voltado justamente por não ter ido para lugar algum.

Voltar pra Casa

Existem algumas poucas coisas que são comuns a todos. Coisas que mostram que no fundo todo mundo é feito do mesmo material. Que pensa e sente de um jeito muito parecido.

    Um desses sentimentos comuns é aquele que desperta quando você, depois de muito ou de pouco tempo, volta pra casa.

    Muitos já disseram: o lar é onde o coração está. Apesar de não gostar de pensar no coração como alguma coisa além daquilo que ele é de fato, concordo com a afirmação.

Sair de casa é um ato de auto-agressão. Antes que me acusem de instigar a reclusão ou qualquer coisa do gênero, deixem-me explicar. As nossas casas, de maneira geral, são locais onde nos sentimos seguros. Essa segurança vem justamente do fato de conhecermos tudo que existe dentro dela. Desde o rangido que a porta faz até a parte do sofá que é mais fofa. Quando saímos somos lançados em um mundo hostil que cada vez mais parece querer devorar as nossas tripas e beber o nosso sangue.

Considerando o ato de sair de casa como uma coisa tão traumática, não é difícil pensar no retorno pra casa como uma benção divina. Gosto de pensar que todos os dias colocamos nossas roupas de mergulho, penduramos o tanque de oxigênio nas costas e mergulhamos no mundo. Quando voltamos no fim do dia, exaustos por tanto lutar com os inimigos que nos espreitam do lado de fora, conseguimos finalmente respirar. Tiramos todo o peso das costas, as roupas de borracha e os pés de pato e nos recuperamos pro dia seguinte.

Mas nem sempre saímos de casa pra matar um leão. As vezes, vezes essas que se tornam mais raras conforme a idade avança, saímos de casa apenas por diversão. Inclusive acredito que só conseguimos nos divertir por saber que temos pra onde voltar. Em algumas dessas vezes saímos de casa por vários dias, e em casos como esse tudo é bem mais forte.

Vamos manter em mente a analogia com o mergulhador. Imagine que ao sair de casa por vários dias você leva oxigênio suficiente pra respirar debaixo d’água até a hora de voltar. O tempo vai passando, e com o passar do tempo você se acostuma a ficar submerso, respirando com máscara e usando uma roupa de borracha. Em um determinado momento começa a pensar que não seria tão ruim continuar no fundo do mar, que poderia passar mais tempo vivendo daquele jeito. Mas chega a hora de voltar, a tristeza que o fim de uma boa viagem traz começa a se misturar com a ansiedade por voltar logo pra um canto conhecido. Assim como um mergulhador que vai se aproximando devagar da superfície, nos aproximamos vagarosamente do nosso destino, e quando finalmente colocamos os pés dentro de casa… Aquilo que sentimos faz todo o tempo fora ter valido a pena. Vale a pena passar um tempo longe, só pra poder se sentir mais feliz quando chegar em casa… É isso.

Promessas de Bikini para 2016

2016 acabou de começar e claro que todos estão renovando suas promessas de ano novo. Já que o Cachorros de Bikini foi uma promessa de ano novo que eu cumpri com um ano de atraso, nada mais justo do que fazer uma lista de promessas para esse ano. Começando pelas mais fáceis.

    Primeiramente eu prometo continuar o volume de publicações atual, com pouco ou nenhum atraso. Isso quer dizer que todas as segundas, quartas e sextas teremos coisa nova aqui no Cachorros.

    Em segundo lugar eu prometo que esse ano eu tomo vergonha na cara e faço uma página no Facebook. O Cachorros precisa entrar nas redes sociais e eu já tô enrolando muito pra fazer isso, previsão de antes do fim de 2016 do primeiro semestre desse ano.

    Em terceiro lugar eu prometo continuar as histórias dos melhores personagens da série Contos de Segunda. Pessoas como Jorge, Cristina, Erick, Aluísio, Fernanda e Maurício vão continuar suas aventuras de início de semana em 2016. Não sei dizer quando ou com que frequência, mas esses carinhas ainda vão render boas histórias.

    Por último eu prometo que chegaremos a 2017. Não sei se vai ser difícil ou não, mas essa é a promessa que eu mais quero cumprir.

“…E Ano Novo Também”

2016 finalmente chegou e como só temos chance de falar sobre esse assunto uma vez por ano, não é nenhuma surpresa que o texto de hoje fala sobre esse evento tão especial que acontece todo ano: a celebração da chegada do Ano Novo.

    Dia 31 de dezembro é a data de uma das maiores, para muitos a maior, festa do ano. É quando celebramos a final de mais um ano e o início de um novo. Nesse dia é feito todo tipo de simpatia, promessa, resolução e derivados. Quando as pessoas manifestam seus desejos pro ano que vai chegar de várias maneiras, principalmente pela cor das roupas. Mas no fundo todo mundo quer a mesma coisa: um ano bom, um ano melhor ou simplesmente um ano diferente. A parte mais interessante disso é que na nossa cabeça tudo isso rola instantaneamente.

    Marcos cronológicos sempre nos fazem pensar de maneira episódica. Vivemos dividindo a vida em etapas. Os anos da escola e os períodos da faculdade nos ajudam a pensar dessa maneira, além da convivência com todas as outras pessoas que foram, de certa forma, tão induzidas a pensar dessa forma como nós. A verdade é que não funciona exatamente desse jeito.Dividimos nossa vida em anos, mas os anos não dividem nossa vida. As etapas que passamos tem transições suaves e graduais, nada é tão imediato quanto gostamos de pensar.

    É provável que aquela grana que você desejou quando colocou sua roupa amarela só venha em abril, ou aquela dieta que você prometeu fazer só faça efeito lá pra fevereiro. Os resultados da academia que você falou que ia começar a frequentar só devem aparecer mesmo lá pra metade do ano. A promoção no trabalho ou aquele grande amor talvez só deem as caras lá pra outubro e é provável que tudo que você falou que ia ser nesse ano não seja realidade até antes do próximo natal. Se alguma das coisas listadas acima acontecer, não quer dizer q você é azarado, nem relapso ou coisa do tipo. Só nos lembra que o calendário não é um jogo do Mario, você não vai sair da fase do deserto e cair direto na fase do gelo pra depois ir direto pra fase espacial.

    Mesmo com o calendário dizendo o contrário, 2015 ainda não terminou. Os ecos de seus acontecimentos ainda serão ouvidos por um bom tempo. Uma transição gradual e suave, como sempre foi, mas a gente nunca lembra disso. Mesmo assim algo já está diferente, é só prestar atenção. Feliz Ano Novo, e um ano bom pra todos nós.

Retrospectiva 2015

    2015 acaba amanhã e nada mais justo do que o último post do ano ser um ligeiro resumo do que aconteceu ao longo desses últimos trezentos e sessenta e poucos dias. O texto de hoje é um pouco mais sério do que de costume. Espero que você não se importe.

    2014 foi um ano muito cabuloso. Graças a isso todo mundo esperava de 2015 uma folguinha. Mas no lugar disso tivemos um ano que se esforçou pra superar o seu antecessor. 2015 foi cabuloso na  mesma proporção, mas ele conseguiu ser cabuloso de uma maneira muito diferente. Esse ano foi o ano do absurdo.

    De dólar batendo quatro e vinte até barragem de lama rompendo, passando por pedofilia ao vivo pra internet toda ver e policial batendo em menor de idade. Esse ano foi um ano de notícias que não davam pra acreditar. Cada olhada no jornal era um exercício de incredulidade. Um ano em que descobriram que uma mulher que fugiu por engano da Coréia do Norte, vazaram uma carta do nosso vice-presidente e bloquearam o Whatsapp é um ano digno de nota. E não citei esses últimos exemplos por serem mais importantes, mas por serem tão absurdos quanto as coisas sérias que rolaram nesse ano cão.

    Particularmente eu considero que 2015 foi um grande aprendizado. Normalmente é isso que a gente consegue aproveitar de tempo ruim. Esse ano muita coisa deu errado, muita mesmo. Apesar da quantidade grande de cagadas e arrependimentos acabei aprendendo uma ou duas coisas. Não necessariamente as coisas que eu de fato precisava aprender, mas foi o que deu pra fazer. Esse ano eu atingi picos de stress nunca antes vistos, tive alguns dos momentos mais divertidos e emocionantes da vida, ganhei um LEGO de presente, comprei uma estante e finalmente coloquei o Cachorros de Bikini no ar. Comecei a ver coisas que eu não via antes e olhar de forma diferente pra coisas que eu sempre enxerguei.

    2015 nos deixa meio quebrados. Foram quase doze meses apanhando desse calendário que demorou pra terminar. A mensagem que ele deixa pra 2016 é simples: lute. Se 2015 foi carrasco, 2016 não quer ficar atrás. Lute. Esse ano tudo vai jogar contra a gente. Lute. Não precisa levantar bandeira nem se alistar em nenhum exército, basta enfrentar e resistir. Lute. Foram o que os bons exemplos de 2015 me mostraram. Foi o que eu aprendi com Imperatriz Furiosa em Mad Max, Rey em Star Wars e com várias mulheres de carne e osso que levantaram suas vozes em 2015. 2016 está nos chamando pra briga e não temos como fugir. Lute, mas se é pra lutar, lute como uma menina. Elas entendem muito bem disso, bem mais do que você pode imaginar.

 

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