Não é um blog sobre cachorros e bikinis

Categoria: Crônicas e Similares Page 14 of 21

“Só O Homem Penitente Passará”

Outro dia estava eu me lembrando de um dos maiores clássicos do cinema mundial, Indiana Jones e A Última Cruzada. Nesse filme de 1989, Indiana Jones parte atrás do Santo Graal e se mete em muitas confusões por causa de uma turminha do barulho. Já no final do filme, Dr. Jones precisa resolver uns puzzles pra conseguir chegar no graal. Cada um desses desafios tem uma dica marota que deve ser desvendada pelo nosso herói, caso contrário ele não só perderá o graal, mas também poderá perder a vida. Não lembro direito quais são esses desafios ou quais as dicas pra solucioná-los, mas uma dessas dicas ficou gravada na minha memória: “Só o homem penitente passará”.

Essa frase me veio na cabeça durante conversas que tive com diferentes pessoas ao longo dos últimos dias. Todas elas relataram estar passando por alguma dificuldade ou estar desanimado por causa de algum ocorrido na vida. Para todas elas eu disse a mesma coisa: “o que aprendemos em Indiana Jones e A Última Cruzada? Só o homem penitente passará”. Não que alguma dessas pessoas estivesse de fato pagando alguma penitência, mas acho que essa frase se encaixa bem em vários momentos da nossa vida.

Por definição, penitência é uma pena imposta, ou auto imposta, para expiar a culpa gerada por cometer algum erro. Na prática a penitência nada mais é do que um sofrimento e/ou sacrifício temporário que nos faz melhorar em algum aspecto do nosso caráter. Partindo desse conceito podemos afirmar que somos todos penitentes, já que o sofrimento e o sacrifício são tão comuns em nossas vidas que praticamente não existe um momento em que estamos totalmente livres de uma dessas duas coisas. Então quando estiver passando por um momento meio marromeno, quando faltar ânimo e disposição pra encarar os desafios, lembre-se que a dificuldade é uma oportunidade de crescimento, desenvolvimento e evolução. Que muitas vezes uma frase besta de um filme velho que tem pouco compromisso com a realidade pode gerar uma reflexão interessante. Então não se esqueça: “Só o homem penitente passará”.

“Eu Vou Celebrar Um Casamento”

A frase que dá título ao texto de hoje apareceu no meu feed do Facebook no início dessa semana. Ela foi escrita por uma grande amiga minha que está pulando num pé só de tanta felicidade. O motivo já dá pra adivinhar, ela vai celebrar um casamento. Ela não é (até onde eu sei) juíza de paz, não é sacerdotisa  e (ainda) não é representante de nenhum tipo de religião. Ela foi convidada pelos noivos apenas por ser uma amiga do casal e principal responsável pela união dos dois, pelo menos foi o que ela disse. Diante da peculiaridade do fato, fico pensando como é passar por uma experiência tão singular.

    Imagine que um casal de amigos te chamou pra ser padrinho ou madrinha. Agora multiplique isso por cem. Provavelmente essa é a sensação de ser convidado pra celebrar um casamento. Somos acostumados a testemunhar as uniões, eu mesmo fui testemunha de um casamento ano passado e fui lá assinar o livro amarradão, mas uma porcentagem ínfima da população vai a um casamento pra promover, diante de Deus e dos homens, a união entre duas pessoas que, pelo menos até aquele momento, desejam passar o resto dos dias juntos. Juntar as escovas de dente, apesar de não ser muito recomendado pelos dentistas, ter aquela velha conversa de alcova, acordar com o mesmo alguém do lado até que a morte os separe. E tudo isso só vai acontecer por que você estava lá diante dos noivos, padrinhos, madrinhas, família, amigos e da divindade preferida pelos noivos pra fazer uma das perguntas mais conhecidas da humanidade. “Você aceita (insira o nome do noivo ou noiva) como seu/sua legítimo/legítima esposo/esposa?”.

    Eu sei que nunca vai acontecer comigo. Mesmo se convidar amigos pra celebrar uniões fosse uma prática comum, eu não sou uma boa opção pra exercer essa função, mas nem por isso eu deixo de imaginar como seria. A sensação de ficar na frente de toda aquela gente, e principalmente na frente dos noivos. Quem já parou pra observar essa dupla já deve ter notado que, pelo menos naquele momento, eles estão explodindo de felicidade. Talvez a seriedade da cerimônia limite um pouco essa manifestação, mas quem celebra o casamento não tem risco de pegar um lugar ruim pra assistir a cerimônia. Quem celebra o casamento não precisa torcer pra não acabar sentando atrás de uma pessoa com dois metros de altura. Quem celebra está lá, diante dos noivos. Duas almas prontas pra atingir o último patamar na escala de evolução dos relacionamentos. Uma felicidade que transborda por todos os lados. Que escorre como lágrimas, que ilumina os sorrisos e faz as mãos se segurarem com uma firmeza nervosa. Mas principalmente uma felicidade que transborda no olhar. E é para o celebrante da cerimônia que os olhos estão voltados. Olhos de quem só quer dizer o “SIM” e dar o fora dali. Os noivos podem ser o centro das atenções pros convidados, mas se você celebra o casamento, você que é o centro das atenções… Pelo menos pros noivos.

Oscar 2016

No próximo domingo, também conhecido como 28 de Fevereiro, acontecerá a cerimônia do Oscar, a maior premiação do cinema deste lado do universo, que junta uma galera de Hollywood pra premiar os melhores filmes, roteiristas, editores, compositores, sonoplastas, maquiadores, figurinistas, atores e diretores do ano de 2015. Como a maioria desses filmes favoritos aos prêmios, que são sucesso de crítica e entram pra história como marcos do cinema, eu normalmente não assisto, eu me limito a torcer por dois tipos de concorrentes: os blockbusters bons e os filmes de animação que concorrem fora da categoria de Melhor Filme de Animação. Além dos motivos regulares, nesse ano eu tenho alguns a mais pra torcer.

Neste ano, representando a categoria Filmes que O Povão Foi Ver temos Star Wars Episódio VII e Mad Max: Estrada da Fúria. Star Wars nunca foi uma franquia que costuma concorrer nas categorias mais nobres do Oscar, mas como sempre está lá figurando nas categorias técnicas: Efeitos Visuais, Edição, Edição de Som e Mixagem de Som.

Ele levaria fácil se não estivesse concorrendo com Mad Max em todas essas categorias, a briga vai ser entre esses dois. Cabe ressaltar que eu não vi nada dos outros concorrentes, mas convenhamos, é Star Wars e Mad Max, se nenhum desses dois ganhar nessas categorias vai ser marmelada. Além das categorias técnicas, nossa querida Guerra Nas Estrelas está obviamente concorrendo ao Oscar de Melhor Trilha Sonora graças ao nosso velho conhecido John Williams. Nessa categoria vamos ver um embate interessante entre nosso bom e velho John e a lenda do faroeste Ennio Morricone, com seu trabalho em Os Oito Odiados. Como eu sou louco por Star Wars e um admirador de faroeste, qualquer um dos dois que ganhar pra mim tá de bom tamanho.

Mas minha torcida desse ano está mesmo com Mad Max. Além das categorias que concorre com Star Wars, nossa querida Estrada da Fúria também está concorrendo aos prêmios de Melhor Fotografia, Melhor Maquiagem, Melhor Figurino, Melhor Direção de Arte, Melhor Diretor e Melhor Filme. A dobradinha Melhor Filme e Melhor Diretor não tá muito fácil, cheias de filmes com atuações espetaculares e histórias bem mais trabalhadas do que Mad Max, mas se fosse pra apostar eu apostaria em George Miller levando o prêmio de Melhor Diretor. Melhor Maquiagem e Melhor Figurino também estão entre as categorias que Mad Max tem mais chance. Também não assisti nenhum dos outros filmes que estão concorrendo nessas categorias, mas Mad Max tem a Charlize Theron com uma protese mecânica e com maquiagem de graxa explodindo coisa durante uma perseguição frenética no deserto, não preciso dizer mais nada.

Além dos filmes sempre tem algumas pessoas pra quem eu torço. Esse ano eu estou na torcida pra nosso compadre Leonardo DiCaprio finalmente ganhar um careca dourado. Depois de bater na trave um monte de vezes, o nosso amigo merece ganhar um Oscar pra chamar de seu. Mas minha maior torcida desse ano vai pra Silvester Stallone, que já ganhou o Globo de Ouro e está concorrendo ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pela sua atuação em Creed – Nascido Para Lutar, a melhor atuação da vida do Stallone. Vai ser difícil, mas ver Rocky Balboa de volta ao cinema pode mexer com o coração dos membros da Academia.

Na categoria de Filmes Sem Gente de Carne e Osso temos Divertida Mente concorrendo aos prêmios de Melhor Filme de Animação e Melhor Roteiro. Também concorrendo ao prêmio de Melhor Animação temos pela primeira vez um filme brasileiro, O Menino e O Mundo está lá na lista de indicados. Dificilmente ele vai levar a estatueta, mas só de estar lá já vale muito. E pra finalizar temos uma menção honrosa. Lady Gaga está concorrendo junto com Diane Warren ao prêmio de Melhor Canção Original. Não ouvi a música delas e nem a dos concorrentes, mas eu simpatizo com nossa comadre Gaga e sempre é melhor torcer pelo improvável. Afinal quem poderia imaginar que Lady Gaga concorreria ao Oscar algum dia.

Sobre Ideias E Coisas Guardadas

Ontem estava eu sem ideias sobre o que escrever nesta quarta-feira, por isso acabei lembrando da minha lista de ideias. Em algum momento antes de começar a publicar meus escritos nesse humilde sítio virtual, eu tinha anotado algumas ideias para futuros textos. Acabou que essa lista não serviu pra nada e eu acabei escrevendo sobre tudo menos o que estava nela. Por um grande acaso lá tinha um tema que me pareceu promissor, mas não é sobre ele que escreverei hoje. Hoje o tema é a ideia que eu tive quando lembrei da minha lista de ideias.

    Eu não tenho o costume de jogar as coisas fora. A menos que elas sejam de fato coisas que não valem a pena guardar, provavelmente passarão os anos em algum lugar no fundo da gaveta até que eu os encontre por acaso. Se você, assim como eu, tem essa prática pouco recomendada de acumular todo tipo de tralha e cacareco sabe do que eu estou falando. Principalmente por que a parte boa de juntar todas essas coisas está justamente na magia que cerca esse reencontro casual.

    Encontrar um velho guardado que nem se lembrava mais que existia é quase como ver uma foto antiga de família ou encontrar um velho amigo. Imediatamente sensações de épocas passadas retornam com tudo e somos inundados pela mais pura nostalgia. Logo depois direcionamos todo o nosso carinho para aquela peça do passado recém redescoberta. Obviamente nenhum desses sentimentos nos fez guardar aquilo, só fomos guardando, foi ficando, ficando e ficou. Nós não jogamos fora pra preservar o passado ou eternizar nossas memórias. Não jogamos fora por falta de organização, preguiça, a ilusão de que aquilo vai servir pra alguma coisa algum dia ou então ficamos com tanta pena daquilo estragar que guardamos tão bem, mas tão bem, que acabamos não usando. Mas o mesmo não acontece depois do reencontro.

    Magia define o que acontece nesse momento singular. Se antes guardamos as coisas por um mero acaso, depois que nos reencontramos com elas o motivo é outro. Guardamos com carinho. Carinho recém adquirido pelo amor recém descoberto. Infelizmente o romantismo dessa história acaba quando guardamos as coisas de volta. O espaço que elas ocupam continuará sendo um espaço indisponível. Você vai ter que arrumar mais espaço pras suas tralhas novas e provavelmente vai tender a acumular menos tralhas em função disso… Ou você vai virar um acumulador pra valer e tudo vai ficar ainda pior, mas aí já é outra história.

Dois Minutos de Ódio

Eu nunca li nem assisti 1984. Em um tempo que nem se pensava em coisas como Jogos Vorazes, Divergente, Convergente, Detergente, Vem Com A Gente e outras distopias juvenis, uma galera já escrevia sobre futuros que não tinham dado certo. Um desses caras foi George Orwell, autor de 1984. Apesar de nunca ter lido esse clássico da ficção do século XX, acabei ouvindo um ou outro comentário aqui e ali a cerca da obra. E uma das coisas que mais ficou na minha memória foi justamente o horário que unificava toda uma nação: os Dois Minutos de Ódio.

    Funcionava de uma maneira bem simples. Todos os dias o governo super controlador retratado no livro exibia na casa das pessoas um vídeo mostrando um famoso inimigo do Estado. Durante essa exibição todas as pessoas colocavam pra fora todo o ódio que sentiam. Direcionando esse sentimento destrutivo para um inimigo do Estado e não para o Estado, que era o verdadeiro vilão dessa história. Aí fica a duvida de onde eu quero chegar com esse papo todo. Estava eu pensando outro dia se talvez não fosse bom instituir os Dois Minutos de Ódio.

    Ódio é uma palavra muito feia e normalmente usada de forma precipitada. Um sentimento tão negativo talvez tenha sido experimentado genuinamente em pouquíssimas ocasiões ao longo de nossas vidas. Talvez se somarmos todas as coisas que nos irritam na vida, possamos chegar perto do que é o ódio verdadeiro, e se de fato fizéssemos isso? Se resolvêssemos focar todos os nossos sentimentos negativos em um único ponto? Será que o efeito seria igual ao livro? Esqueceríamos de detestar aquilo que realmente nos faz mal e simplesmente agíssemos como se nada de realmente ruim estivesse nos acontecendo?

    Imagino que instituir esse tipo de extravasor tenha um efeito positivo. Principalmente pelo fato de deixarmos de nos irritar com coisas q não valem a pena, pois todo o nosso ódio estaria direcionado para um único ponto. Quem sabe eu institua algo como Dois Parágrafos de Ódio, só pra descarregar toda a minha raiva sobre alguma coisa. Isso provavelmente ocorreria pouquíssimas vezes… Talvez só depois de ler algo do tipo “Filmes Que Você Vai Querer Ver em 20XX”… Sempre tem uns filmes que me dão uma raiva descomunal, principalmente certos filmes de super herói produzidos pela FOX, mas isso fica pra outra hora. Esse tipo de ódio tem hora pra ser externado… Dois minutos, pra ser mais preciso.

Sabemos Coisas Terríveis Sobre Nós Mesmos

Outro dia estava eu vagabundeando pelo meu feed do facebook e me deparo com uma publicação deveras interessante. Uma amiga minha estava compartilhando uma página. Segundo a descrição da página, aquele era um lugar que promovia discussões saudáveis de todos os tipos, promovendo o enriquecimento intelectual de todos aqueles dispostos a participar. Como eu não sou um usuário hard de facebook e como meu intelecto fez um voto de pobreza, se negando a ficar rico, acabei atentando para o texto que essa minha amiga utilizou quando compartilhou a página. Entre outras coisas ela dizia “sabemos coisas terríveis sobre nós mesmos”. Isso já foi o suficiente pra deixar minha cabeça em estado de ebulição.

Pode parecer extremamente óbvio, mas somos as pessoas que mais sabem dos nossos próprios podres. Somos as maiores testemunhas dos nossos próprios crimes. Tudo que fazemos é conhecido por pelo menos uma pessoa. Mas esse conceito é bem besta, o que eu quero sugerir é um pequeno exercício mental.

Imagine uma pessoa hipotética, uma pessoa que sabe absolutamente tudo sobre você. Tudo mesmo. Vamos chamá-la de Pessoa A. Pessoa A está conversando sobre você com uma Pessoa B. Pessoa B só faz te elogiar, de um jeito que faz a Pessoa A ficar irritada. Como ela sabe tudo sobre você, decide acabar com a imagem que a Pessoa B tem de você. Então ela solta um podre cabuloso, daqueles que poderiam terminar uma amizade, um namoro, um casamento ou simplesmente fazer você parecer a pessoa mais horrível do mundo. Que podre seria esse?

O que fizemos que pode ser usado em uma fofoca venenosa? O que temos medo que seja descoberto? O que faria com que todo mundo nos visse de forma diferente? Essas perguntas são bem simples de responder. Não importa se você precisa pensar um pouco, se precisa pensar muito ou se tem a resposta na ponta da língua. Não existe uma Pessoa A, mas você sabe exatamente qual a resposta.

A verdade é que sabemos coisas terríveis sobre nós mesmos. Que talvez sejam terríveis só pra nós e mais ninguém. Ou que sabemos que seriam terríveis para outras pessoas. Caso você ainda esteja em dúvida sobre quais coisas terríveis são essas, basta fazer um exercício bem simples: pense em você como se fosse outra pessoa. Talvez isso te renda mais conhecimento do que imagina.

Esse Aqui É O Número 100!

Cem. One Hundred. Hundert. Hyaku. Miaya. Bǎi. Cent. Sto. Baeg. Cien. Ekató. 100. Esse é o número do post de hoje. Essas linhas que você está lendo, estão compondo a centésima publicação deste humilde blog. Essa marca que não vale de nada impressionante merece um texto comemorativo. Depois de muito matutar… Nem tanto assim… Na verdade eu matutei bem pouco, mas acabei resolvendo juntar alguns números aleatórios para celebrar essa graça alcançada.

O Cachorros de Bikini está ativo há 253 dias. Ao longo desse tempo foram publicados 100 textos, totalizando 41.247 palavras. Sim, você não se enganou. Quem leu todos os textos publicados passou a vista em QUARENTA E UMA MIL DUZENTAS E QUARENTA E SETE PALAVRAS. Uma média de 412 palavras por publicação. Se considerarmos que cada texto demorar mais ou menos uma hora pra ficar pronto, chegamos a pouco mais de 100 horas de trabalho. Se o Cachorros de Bikini fosse um trabalho com carga de 44 horas semanais, eu precisaria trabalhar mais ou menos duas semanas e dois dias. Se eu gastasse esse tempo assistindo séries de TV com episódios de 42 minutos, eu teria assistido quase 143 episódios. É como se eu tivesse assistido Grey’s Anatomy  ou CSI e parado perto do final da sétima temporada, também teria conseguido terminar com folga Friends, How I Met Your Mother.

Dessas milhares de palavras, 14.907 foram escritas em Contos de Segunda. A série especial de início de semana chegou ao seu número 33 na última segunda-feira. Nesses trinta e três contos, nós tivemos 21 protagonistas diferentes e nem preciso dizer que as figurinhas que mais se repetiram foram Cristina e Jorge, o quase-casal mais amado do Cachorros de Bikini. Também é dessa série o maior texto publicado até então, com 1242 palavras o Contos de Segunda #27 – Parte 02  é o recordista. Não por acaso ele foi a primeira vez que Cristina e Jorge dividiram o protagonismo do início de semana.

Uma centena. Paro e penso “Caramba!” e “UAU!”, e logo depois eu penso “Blz, e agora?”. Obviamente eu não esperava atingir esse número e por consequência atingi-lo nunca foi de fato um objetivo. Mas cá estou eu, com uma centena de textos e vontade de fazer mais algumas centenas deles. Já já o blog vai fazer um ano, mais uns cinquenta textos e eu chego lá. Daqui a pouco o número das publicações chega em 200 e eu nem vou sentir. Números são números, mas quando eu olho os números do Cachorros de Bikini o que eu vejo tem muito mais relação com valor do que com quantidade. Se milhares de palavras foram publicadas, isso quer dizer que outras milhares foram apagadas ou sequer chegaram a ser escritas. Se todo esse tempo foi gasto para escrever todas essas publicações, muito mais foi gasto pensando no que escrever e principalmente no que não escrever. Tem gosto de conquista? Tem. Tem gosto de vitória? De leve. Mas acima de tudo tem gosto de surpresa, de alcançar o inesperado. Que venham mais cem, mais mil ou mais dois mil. Um por um. Uma letra, uma linha, um texto de cada vez.

Relaxa, É Carnaval

Carnaval. Festa da Carne. Quatro (ou cinco) dias de festa, alegria, álcool, música, sol no quengo, suor, calor humano, fantasias variadas, músicas que tocam todo ano, hits feitos de chiclete vindos da Bahia, amores que acabam na quarta-feira, outros que vão durar mais alguns muitos carnavais, muita, mas muita “NOTA…DEZ” e todo tipo de sacanagem lúdica e recreativa.

Apesar de não gostar da folia, é impossível ficar totalmente isolado dessa atmosfera. Diante disso resolvi que o texto dessa quarta-feira(de cinzas) seria sobre o carnaval, mas o que falar dessa festa que eu nem de longe vejo? Realmente de festa eu não entendo, mas uma coisa que eu ainda consigo fazer é observar as pessoas. E no carnaval, assim como em outras épocas do ano, as pessoas adquirem um comportamento muito curioso. Não existe época em que as pessoas são mais tolerantes do que no carnaval.

Pode parecer besteira, mas se você parar pra reparar “É Carnaval” não é só uma frase, é quase um sentimento. Nessa história de “É Carnaval”, o folião não se queixa do sol, nem do calor da fantasia. Não liga pro aperto, é solidário com o folião desconhecido que tá passando aperto. E aperto é o que não falta durante o reinado de Momo. Atrás do trio, da orquestra ou seja lá do que for, o espaço é disputado no nível do metrô em hora de pico. Mas no carnaval quem está se apertando não queria estar em outro lugar.

As piadas fazem mais graça, a música parece melhor e aquela fantasia que talvez não tivesse graça nenhuma faz você morrer de rir. Machistas nível “Orgulho de Ser Hétero”  se vestem de mulher e moças que passam 360 e poucos dias do ano falando mal do tamanho da roupa das piriguetes, mas reservam esses quatro dias pra se vestir pior do que elas. Isso sem contar que coisas que normalmente incomodariam muito, acabam sendo quase ignoradas no carnaval. Andar um tempão pra poder pegar um ônibus ou metrô, improvisar banheiro e até cerveja quente acabam sendo parte do que é se aventurar no carnaval.

Mas hoje é quarta-feira e acabou-se o carnaval. Fim da folga para todos, seja folião ou não. Vou aproveitar a deixa para desejar um feliz ano novo para todos. Afinal, todo mundo sabe que 2016 só começa pra valer a partir de amanhã… Mas amanhã já é quinta… Melhor deixar pra segunda.

Escrever Sobre Qualquer Coisa

    Há uns anos atrás, por indicação de um amigo, eu li o maravilhoso Para Ler Como Um Escritor de Francine Prose. Dentre as várias coisas comentadas nesse livro, está a obra de um russo chamado Anton Tchekhov. Esse cara que era médico, dramaturgo e escritor, morreu aos 44 anos de idade vítima de tuberculose e deixou mais ou menos 600 contos escritos. Só pra ter uma ideia do tanto que é isso, é só imaginar que em um ano eu vou chegar na marca de, mais ou menos, 50 contos publicados no Cachorros de Bikini. Contos minúsculos comparados com o tamanho dos contos que esses escritores contistas costumam escrever. Mas de todas as coisas relatadas sobre Tchekhov no livro, a mais impressionante, na minha humilde opinião, é sobre o método de escrita do autor.

    Uma vez nosso compadre russo foi questionado sobre qual era seu método de composição. Ele pegou um cinzeiro da mesa e respondeu “este é meu método de composição, amanhã vou escrever um conto chamado ‘O Cinzeiro’”. Eu nunca li Tchekhov, mas foi só ler isso que comecei a admirar o cara. Até hoje eu penso em como eu gostaria de criar universos como Neil Gaiman, ter uma narrativa tão boa quanto Raphael Draccon ou falar do cotidiano tão bem quanto Xico Sá, mas depois de ler a resposta de Tchekhov meus anseios como escritor ficaram um pouco mais modestos. Atualmente meu maior objetivo é conseguir escrever sobre qualquer coisa.

    Tchekhov não só, segundo ele mesmo, conseguia se inspirar em praticamente tudo. Ele usava essa inspiração pra produzir boa literatura. Fico pensando em como seria fantástico sempre ter sobre o que escrever. Como seria incrível fazer uma boa história inspirado apenas por um copo de plástico, um carregador de celular ou um pedaço de bolo. E também penso no tanto de habilidade que você precisa ter pra conseguir fazer isso e ainda sair uma coisa boa.

    Desde o começo do Cachorros esse foi o maior desafio. Conseguir escrever sobre qualquer coisa é um sonho ainda distante, mas acho que estou fazendo minha parte. Os assuntos aleatórios continuam saindo da cabeça e passando pro papel. Um exemplo disso é que, em plena sexta-feira antes do carnaval, eu estou aqui falando de um russo que conseguia escrever sobre tudo. Até mesmo um misero cinzeiro.

Nascido Para Lutar

    Eu lembro de quando eu era pequeno e muitos dos clássicos dos anos 80 ainda eram reprisados na TV. Dentre os mais reprisados, e com certeza o que está mais vivo na minha memória, está um dos filmes mais icônicos da história desse nosso universo: Rocky IV. Onde Rocky Balboa, “interpretado brilhantemente” por Silvester Stallone, luta contra Ivan Drago, interpretado com bem menos brilho por Dolph Lundgren. Rocky e Rocky II eu só vi quando estava bem mais velho, juntamente com o sexto filme da série Rocky Balboa. O sexto filme não foi só o retorno do velho Balboa, mas também a sua despedida dos ringues. Rocky voltou para mais uma luta e como sempre a luta não foi apenas dentro do ringue, principalmente por causa da relação conflituosa de Rocky com o filho, que acabou gerando uma das cenas mais icônicas do cinema nos últimos anos. Não é difícil adivinhar a minha felicidade quando soube que Rocky Balboa voltaria para o cinema. Dessa vez não seria ele a subir no ringue. Nesse novo filme seriamos apresentados a um novo lutador: Adonis Creed. E para treinar o filho do antigo rival e amigo, Apollo Creed, Rocky Balboa retornou no sensacional Creed, que recebeu merecidamente o subtítulo nacional de “Nascido para Lutar”.

    Eu não vou falar sobre a história do filme. Qualquer resumo que eu fizesse aqui não seria melhor do que qualquer sinopse que tem por aí. Falar sobre como gostei do filme, como o Stallone está atuando muito melhor do que o normal ou de como a trilha sonora é sensacional seria perda de tempo. “Então o que eu tô fazendo lendo esse texto?” deve ser a pergunta que surgiu na sua cabeça, caro leitor. Vamos analisar sob outra ótica. Se repararmos bem, em todos esses filmes, o boxe não é a coisa mais importante.

Em todos esses filmes não só a vida daqueles que lutam gira em torno do ringue. O boxe era uma oportunidade única pra Balboa e ele agarrou com unhas e dentes, e essa escolha mudou a vida dele e de todos ao seu redor. Mas e se lutar fosse uma pura questão de escolha e não a melhor chance de mudar de vida? Não seria spoiler dizer que é justamente isso que acontece com nosso novo protagonista. Adonis Creed escolhe o boxe. Decide ceder à atração irresistível do ringue e mergulha de cabeça. Mas o peso do nome acaba tornando ele o tipo de personagem que eu mais gosto: o personagem de Legado.

Wally West, Tim Drake, Kyle Rayner, Miles Morales e tantos outros personagens das histórias em quadrinhos herdaram o manto dos heróis que vieram antes deles. O que eles tem em comum é a vontade de honrar o manto, o desejo de se provar digno do título, de ser maior que o nome e deixar a sua marca no mundo, de construir algo seu. Adonis não foge muito desse modelo, mas foge totalmente do personagem que Rocky Balboa foi nos primeiros filmes. E é aí que está o brilho do personagem. É nesse ponto que nos enxergamos um pouco no jovem Creed. Foi nesse ponto que eu me rendi à essa história.

Não dá pra discutir muito mais sem entregar mais coisas da história. O que eu vi na tela grande não foi nada revolucionário, mas eu saí do cinema com a impressão de que tinha acabado de ver um clássico instantâneo. Assim como o seu protagonista, o filme é o herdeiro de um legado, o novo detentor do manto, aquele que será responsável por essa série daqui pra frente. E é só o começo da construção de um novo legado.

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