Não é um blog sobre cachorros e bikinis

Categoria: Crônicas e Similares Page 13 of 21

Dia das Mães

No último domingo, também conhecido como dia 8 de Maio de 2016, foi comemorado o Dia das Mães. Nem preciso dizer que o tema do texto dessa quarta-feira já estava definido muito tempo atrás, afinal esse é o primeiro Dia das Mães do Cachorros de Bikini e data tão importante não poderia passar batida. Já tinha me preparado pra fazer alguma coisa parecida com o que eu fiz no Dia dos Pais, mas eis que um evento recente fez tudo mudar. A análise sobre a data em si vai ter que ficar pra 2017.

Na semana passada foi aniversário de Vó. No dia 4 de Maio ela chegou à impressionante marca de 84 anos. Infelizmente não pude dar os parabéns pessoalmente no dia 4, por isso dei uma ligada pra ela. Até aí nada de muito diferente dos anos anteriores, foi quando ela me disse uma coisa que me deixou pensativo. Em meio à alegria de receber os parabéns, ela me diz “você é um filho que eu não tive, os outros todos eu tive, não tive você, mas você ainda é meu filho”. Caso as palavras de Dona Irene tenham te deixado com dúvida, me dê um momento e eu vou esclarecer. Vovó teve um monte de filhos, alguns morreram ainda muito pequenos, o mais velho morreu adulto, e os outros cinco que restaram são todos filhos ótimos, ou seja, de filho minha vó não tem do que reclamar. Pra ela os netos sempre foram tão filhos quanto qualquer um dos outros, filhos que não foram gerados por ela. Pode parecer redundante falar isso, afinal, por definição, vó é mãe duas vezes, mas uma coisa é você saber que é assim, outra é você ouvir isso da matrona da família Gomes. Até por que nem todas as avós pensam nos netos efetivamente como filhos. Refletindo sobre isso atentei para um detalhe. Atentei pra todas as mães que tem filhos que elas não tiveram.

A maternidade é algo natural. Ela deriva dos instintos de preservação da espécie e zelo pela prole, acredito que todos os mamíferos agem movidos por esse instinto. Porém nem sempre o processo de gerar um filho é obrigatório para manifestação da maternidade. Tem vez que acontece por escolha, outras por acidente, mas boa parte das pessoas acaba sendo um filho pra várias mães. Tias, avós, vizinhas e derivados são candidatas fortes à essa maternidade extra-uterina, principalmente as que já geraram seus filhos e os rebentos já estão crescidos. A prole cresce, fica independente, mas mãe não funciona do mesmo jeito. Mãe é mãe e pronto. Outras candidatas fortes são as que sempre quiseram, mas nunca geraram um filho. Com essas é um pouco diferente, nesses casos a maternidade não é só o instinto, é um chamado. Mulheres que nasceram com um alerta luminoso no coração que diz “INSIRA UM FILHO AQUI”.

E isso tudo eu falei só pra poder dizer que pra ser mãe basta ser mulher. Basta ter amor, vontade de nutrir e cuidar, um coração com espaço pra sempre caber mais um. Pra ser mãe basta ter um útero, não importa se ele já gerou dez filhos ou nenhum. Nem todo útero consegue gerar um filho, mas todos eles conseguem gerar uma mãe.

Conheça O Carro que Pula Corda

Em um dia qualquer dessa semana estava eu chegando à minha estação de trabalho. Sento na minha cadeira, olho pra tela de login do Windows e vejo que ele carregou o seguinte link: Conheça o carro que pula corda. Não, esse não é o link que eu vi no meu computador. mas depois de uma pesquisa que não passou da terceira página do Google minuciosa, e de ver que só tinha esse carro mesmo pulando corda na internet, escolhi o melhor link que eu consegui arrumar.

Antes de continuar faço uma pausa para você, caro leitor, entrar nesse link e assistir a mais essa joia da internet. “Filipe, preciso disso pra entender o resto desse texto?”. Não, não precisa, mas convenhamos, ainda é um carro pulando corda. Se mesmo assim você não quiser ver o vídeo, aqui vai um GIF hipnótico com os melhores momentos.

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Quando eu vi esse bendito carro pulando corda eu pensei “mas que bela bosta, hein?”. Imaginei que seria algo um pouco mais… Digamos… Interessante. Claro que eu não esperava muito, afinal eu demorei uns três dias pra ver o tal carro e só fiz isso pra poder escrever esse texto depois. Mas isso me levou a uma conclusão: quanto mais merda é o conteúdo, maior a chance de você clicar no maldito link. Só pra ver qual é.

O que mais se vê por aí são links com “você não vai acreditar”, “conheça aqui”, “confira o final impressionante dessa história” ou “como você nunca viu”. Inicialmente você ignora totalmente, depois para pra pensar se leu certo mesmo, volta pra ver. Nesse ponto a semente da curiosidade já está plantada no seu cérebro. Um momento de hesitação, a vontade irresistível, o clique fatídico e então… Decepção. Sim, decepção. A decepção é uma certeza por que sempre, ou pelo menos na esmagadora maioria das vezes, você foi apresentado a mais um conteúdo bem fezes da internet.

“Mas esse texto aqui também é um conteúdo bem mais ou menos”. Isso não deixa de ser verdade, mas devo lembrar que você não chegou aqui através de uma isca. Conteúdo ruim todo mundo consome, mas normalmente consumimos de forma voluntária, não somos obrigados a consumir, no máximo somos convencidos, mas normalmente não do jeito que eu fui convencido a assistir o vídeo do carro pulando corda.

Pensando bem, talvez eu devesse começar uma divulgação mais, digamos, provocativa. Talvez usar mais “você não vai acreditar” ou “ninguém esperava”, até mesmo um “dessa vez passamos dos limites”. Talvez isso facilite um pouco meu trabalho. É só fazer um link que deixe todo mundo curioso, entregar bem menos do que eu prometi e só sucesso. Se der certo é só engarrafar e vender… Parece bem promissor, talvez eu experimente qualquer dia.

72h (Ou Quase) Sem Whatsapp

Na última segunda-feira uma bomba atingiu as internets brasihueiras: um juiz decretou o bloqueio do Whatsapp por 72h. Nem preciso dizer que o ódio e o desespero se espalharam pela internet. Usuários, empresas, agências reguladoras manifestaram repúdio pela decisão da justiça. Até o jornal que passa antes da novela das nove dedicou alguns minutos pra falar do impacto que o  bloqueio do aplicativo causou na vida das pessoas. E ontem, que seria o ´segundo dia de bloqueio do Whatsapp, eu me deparo com a seguinte imagem.

    Sim, essa foi a capa da edição de terça-feira de um dos jornais de grande circulação em Pernambuco. Eu não poderia falar de outra coisa depois de um sinal tão claro do clamor do universo.

Ano passado já tinha rolado um bloqueio do Whatsapp. Lembro da comoção geral causada pela notícia. Assim como nessa semana, várias pessoas estavam quase entrando em depressão por causa da suspensão do serviço. Parecia mais que sem Whatsapp voltaríamos à idade da pedra. Mandando SMS e usando o telefone pra fazer ligações. Obviamente usar outros serviços mensageiros era encarado quase como uma derrota pessoal, uma gambiarra, quase um prêmio de consolação. Nesse momento eu paro pra pensar: como era a vida antes de todo mundo usar Whatsapp?

Como sempre a verdade está nas coisas menos sérias. No início da semana piadas como essa e essa aqui ilustraram bem alguns benefícios (fictícios ou não) da suspensão do nosso querido chat do ícone verdinho trouxe. Antes de Whatsapp ficar popular a dinâmica de conversar com os outros era um pouco diferente. Naquele tempo a internet móvel era meio capenga e todo mundo usava sms ou simplesmente ligava pros outros quando estava fora de casa ou longe de uma rede Wi-Fi aberta. Ninguém mandava foto por que mensagem MMS era muito cara. Ninguém mandava áudio, se era pra falar usando a voz todo mundo ligava. Os grupos de chat ficavam restritos a momentos em que o usuário estava sentado na frente de um computador.

Se pensarmos direito, todo esse desespero pelo bloqueio do Whatsapp rola pelo simples fato da maioria das pessoas não ter utilizado internet no celular sem ele. Pensar as coisas antigas de um jeito novo é meio tenso pro nosso cérebro preguiçoso de ser humano, e antes da gente pensar em se acostumar com as mudanças tá lá o vatezape funcionando de novo. E disso tudo eu só tiro uma lição: melhor mudar pro Telegram. Tem GIF, sticker de Dilma e ninguém bloqueia.

A Magia da Discussão Aleatória

Essa semana estava eu conversando com uns amigos pelo vatezape. Não faço a menor ideia do que estávamos debatendo no momento, mas em certo ponto da conversa, um dos presentes no chat coloca essa imagem.

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Um questionamento completamente inesperado e tão absurdo quanto legitimamente intrigante. Afinal, como seria a calça de um cachorro? Eu escolhi a opção 2 e pensei q todos os demais concordariam comigo e a vida seguiria, mas não foi isso que aconteceu. Um dos presentes discordou e o que começou como uma simples piada nonsense de internet, acabou virando uma extensa discussão sobre vestuário humano adaptado para cachorros. Naquele momento eu percebi algo sublime, tive um lampejo de percepção e notei o que estava realmente acontecendo. Estávamos lá argumentando seriamente sobre um assunto totalmente fora da realidade e que não teria nenhuma aplicação prática na nossa vida. Uma genuína discussão aleatória, uma das coisas mais maravilhosas da comunicação humana.

O debate é algo inerente ao ser humano. Tudo pode gerar uma discussão, seja ela acalorada ou não. Mas a magia mesmo está no debate sobre temas absurdos, lógicas por trás de obras fictícias, especulações sobre coisas que não tem como ser comprovadas ou que abordam um ponto de vista totalmente descabido sobre algum fato perfeitamente comum. Diante do cenário atual dos ambientes de interação, reais ou virtuais, uma discussão sem propósito nem fundamento é uma ilha de tranquilidade no meio de um mar revolto. É aí que fica a magia do negócio.

Por isso eu digo, caro leitor. Sempre que puder entre num debate sem sentido como esse. Levante temas aleatórios ou fatos absurdos só pra ajudar a promover o debate. Argumente, discuta, ouça e respeite a opinião dos outros, será um excelente treino pra quando o debate for sobre algo sério. Mas o motivo principal pra promover uma discussão aleatória é justamente eclipsar as discussões sérias. “Tá maluco, Filipe? Vou ficar me ludibriando com calça de cachorro enquanto o país tá pegando fogo?”, a resposta é não. Obviamente eu não estou pedindo pra você, querido leitor, esquecer das questões importantes da vida, nem pra parar de discuti-las com seus amiguinhos. Estou pedindo pra deixar elas de lado as vezes e simplesmente aproveitar as maravilhas dos absurdos da nossa vida. Não precisamos levar tudo tão a sério. 

Enquanto Meus Cachorros Dormiam

Abril foi um mês meio fraco nesse cantinho azulado da internet conhecido como Cachorros de Bikini. Graças a vários intempéries, contratempos, dificuldades e inconvenientes, o site passou quase o mês todo fora do ar. Não que isso seja um problema muito grande, afinal não estamos mudando a vida de ninguém por aqui e nem fazendo nada de real relevância para a humanidade, mas quando paro pra pensar vejo a quantidade de coisas que aconteceram e não foram comentadas por aqui.

Eu não gosto muito de escrever sobre os assuntos sérios, mas de uns tempos pra cá os nossos políticos estão de parabéns… Pensando bem esse assunto é tão absurdo que deixa de ser coisa séria, então estou autorizado por mim mesmo a comentar. Nos últimos tempos a nossa política está cada vez mais brasihueira. Inclusive devo ressaltar que nosso querido vice-presidente provavelmente é, levando em consideração apenas o seu talento para a zueira, o cara mais indicado pra dirigir esse país. Além de zueiro por natureza e o maior vazador de coisas inacreditáveis da história do planalto central,  ele é uma fonte inesgotável de zueira. Vide reportagens vintage que revistas “de visão” fazem sobre a vice-primeira dama. E obviamente temos uma menção honrosa a todos os nossos deputados federais que mostraram como é que se vota de verdade, inclusive fica a sugestão de que nas próximas eleições os eleitores tenham a opção de voto verbal, aberto e com direito a microfone.

Na categoria “Noticias Que Eu Vi, Mas Deixei Pra Comentar Depois” temos duas notícias que me deixaram simplesmente estupefato… Estupefato não é bem a palavra, mas creio que qualquer outro termo vai diminuir a importância das novas. A primeira delas não teve muita repercussão, mas me intrigou de uma maneira que não sei explicar: matemáticos descobrem um padrão inesperado nos números primos. Um padrão para os números primos? Meu mundo caiu, um dos fundamentos do universo conhecido foi derrubado. Infelizmente a análise de UM TRILHÃO de números primos gerou resultados ainda inconclusivos, mas ainda assim não é pouca merda é algo admirável. Continuem assim, matemáticos pesquisadores, precisamos de mais gente assim. A segunda notícia que eu deixei passar foi um fato que teve uma repercussão inacreditável. Estava em todos os sites de notícia, e o evento não foi só noticiado como todo o seu desenrolar teve uma cobertura massiva de vários meios de comunicação: Anitta fez preenchimento labial e deu ruim. Não, você não leu errado. Durante DIAS se falou dos beiços de Anitta em todo canto. Chegou ao ponto de conhecidos meus falarem coisas como “eu não aguento mais ver o beiço de Anitta em todo canto”. E com isso aprendemos, queridas crianças, que temos que ter cuidado quando formos brincar de plástica.

O maior prejuízo desses dias todos fora do ar foram todos os eventos simples e nem por isso menos extraordinários que não foram devidamente comentados nesse pálido ponto azul do firmamento da internet brasileira. Todo o espetáculo do evento comum de todo dia que deixou de ser aplaudido, todas as curiosidades que testemunhei nesses dias e que não serão registradas e eternizadas aqui. Uma lástima realmente, mas vida que segue, ainda tem muito cachorro de roupa de banho esperando a chance de aparecer por aqui.

No More Trouble

Essa semana foi tensa. Essa semana foi de torar em banda. Nossa classe política tocando fogo no país e a internet pegando fogo. Nesse momento praticamente todo mundo está brigando com alguém ou mostrando seu repúdio por alguma coisa. Deputado mandando beijo pra Xuxa, deputado se cuspindo, presidente #xatiada, dólar que cai subindo reportagem especial sobre a primeira dama do vice, reportagem especial falando mal da reportagem especial sobre a primeira dama da vice e mais um monte de coisa está gerando uma quantidade inacreditável de discussões world wide web a fora. Essas discussões estão gerando brigas diversas e ainda mais confusão. Pensando sobre isso tive um momento de iluminação.

Essa semana estava eu ouvindo reggae no carro. Tempos tão tumultuados pedem um pouco de positive vabration. E dentre os clássicos ouvidos naquele dia estava um dos maiores hinos compostos por Bob Marley. No More Trouble tem uma mensagem bem simples: a vida já tá difícil do jeito que é, não precisamos de mais problemas. A vida já anda muito complicada mas ainda tem gente que não se conforma com os problemas nossos de cada dia e se esforça de verdade pra arrumar mais.

Independente do que acontecer ainda vamos ter que levantar de manhã e cuidar das nossas coisas. As contas ainda vão vencer, o dinheiro ainda vai ficar curto, a gente ainda vai chegar atrasado por causa do trânsito, as crianças ainda vão precisar ir pra escola, o time ainda vai mal no campeonato, o calor vai continuar infernal, a chuva quando vier vai sair lascando tudo, você vai perder aquela promoção que tava esperando tem meses, a paciência vai faltar, a coragem também e daqui a pouco a internet também vai faltar. A vida vai continuar e o mal de cada dia vai estar lá pra gente resolver. Se não bastasse tudo isso e mais um monte de coisa, ainda tem os problemas que cada um faz questão de arrumar pra si mesmo.

Por essas e outras eu sigo a dica do meu pai. Pra toda possível treta, confusão, atrito e desentendimento ele sempre diz a mesma coisa: “EVITE”. Se depender de você, não arrume mais problemas. Eu não preciso de mais problema, provavelmente você também não, por isso deixe pra lá discussões que não vão a lugar nenhum, não arrume treta de graça com seu amiguinho e não esquente a cabeça com aquilo que não depende de você. E principalmente, não leve pro lado pessoal. O problema não é com você, é com todo o resto.

Um Feriado Muito Doido

Um dos principais feriados do ano é o feriado da Páscoa. Essa data comemorativa flutuante só perde para o carnaval no ranking de preferência da nação por celebrações que não tem dia do ano certo pra acontecer. Mas tem uma coisa sobre a nossa querida páscoa que costuma fugir do nosso radar: a Páscoa é um feriado muito doido.

    Nesse momento você deve estar pensando em como é horrível afirmar uma barbaridade dessas. Talvez seja, mas existem argumentos bastante válidos que me levam à essa conclusão. Começa que a data da Páscoa é determinada a partir do fim do Carnaval. Qualquer data que tenha como referência o Carnaval deve ter no mínimo a sua credibilidade contestada. Isso tem a ver com o esquema do calendário lunar, que não casa nunca com o nosso calendário regular. Alguma coisa com a segunda lua nova depois do solstício de uma estação, aí faz a conta de trás pra frente, considera a margem de erro (para mais ou para menos) e vê se o Carnaval cai em fevereiro ou março e se a Páscoa cai em março ou abril.

    Outro ponto doido da Páscoa tem relação direta com o significado por trás do feriado. “Ah, Filipe, mas essa de significado é tranquila, super normal” você pode me dizer, mas não é bem por aí. Hoje quem é cristão lembra do sacrifício de Jesus, mas no tempo de Jesus ele lembrava de Moisés tirando os hebreus do Egito. Além disso eu já ouvi falar que muitos povos celebravam alguma coisa nessa mesma época de quarenta dias depois da segunda lua nova depois do solstício de alguma coisa, é um tipo de data chave que servia pra todo mundo. E isso por que ainda não falamos do fato da Páscoa sofrer o mesmo problema do Natal.

    O Natal, também conhecido como a data que resolveram adotar pra comemorar o aniversário de Jesus, sofre de uma grave distorção prática de significado. Obviamente todo mundo sabe desse esquema de “Já nasceu o Deus-Menino para o nosso bem”, mas isso acaba servindo como desculpa pra juntar a galera, fazer amigo secreto, confraternizar, fingir que gosta de algumas pessoas e tudo aquilo que sabemos que rola no final do ano. Com a Páscoa não é muito diferente, só que é um pouco pior. Até dá pra entender esse lance dos cristãos pegarem uma festa judaica e inserirem um novo significado. Também não é muito difícil sacar a lógica de comer peixe e beber vinho, afinal peixe era comida de Jesus e vinho era a coca-cola da palestina, mas em algum momento dessa história entrou coelho, ovo e chocolate no meio e eu parei de entender as coisas.

Como o chocolate entrou até dá pra entender, afinal ovo sabor ovo é muito sem graça e deixa as crianças meio chateadas e tal, não rende um presente muito bonito e não gera tanto emprego e renda pro povo, mas o coelho que distribui ovo é viagem de ácido pura.

No final a Páscoa acaba virando uma grande desculpa pra comer mais chocolate do que o normal, comer comida de coco (pelo menos é o que mais rola por aqui) e beber vinho, que você pode dizer que bebeu em homenagem ao falecimento de um cara muito brother. Ou simplesmente deixar tudo isso chegar sem se preocupar com motivos e desculpas. Aproveite o feriado que pelo menos a sexta-feira de folga está sempre garantida.

Esquecemos Nossas Raízes

Tenho observado duas coisas recentemente: o meu feed das redes sociais e o calendário. Os dias passando e os assuntos das redes sociais não mudam. Discussões acaloradas, manifestações políticas, piadinhas diversas, incontáveis memes, conversa vazada sem querer, conversa vazada de propósito, acusações de golpe, contra-golpe, reversal, combo breaker e tudo que se pode imaginar sobre a política do Brasil. Mas os dias continuavam a passar e nada do que eu esperava apareceu. Cheguei à conclusão de que esquecemos nossas raízes.

A internet é um lugar maravilhoso. Lugar este que é movido pela raiva e amor de seus usuários e regido pelo calendário. Regência essa que me fez estranhar o que ocorreu esse ano. A páscoa está chegando e, como em todas as datas de igual magnitude, a internet começa a reagir. As mesmas piadas, as mesmas reclamações, piadas novas satirizando piadas dos anos anteriores e coisas do tipo. Mas o suprassumo da época é tudo que envolve o objeto máximo dessa data, a internet se enche de gente falando sobre ovo de páscoa.

Receita de ovo, preço de ovo, comparativo entre o peso/preço da barra e o peso/preço dos ovos. Nessa época a internet costumava encher o saco de tanto que se falava de ovo de páscoa. Mas eis que no ano da Graça de Nosso de Senhor de 2016 um cataclísma político cai sobre a internet brasileira. Uma catástrofe tão grande que, além de jogar irmão contra irmão, pai contra filho, destruir amizade  e promover um cancelamento em massa de assinaturas no Facebook, nos causou um mal do qual talvez não nos recuperemos. Ignoramos totalmente nossas raízes e interrompemos um rito tão tradicional da internet. Diante de nós uma tradição tão forte deu os primeiros sinais de desaparecimento.

Eu nunca compartilhei uma notícia sequer de sobre ovo de páscoa. Nunca divulguei um comparativo que mostrava as vantagens de consumir chocolates apenas em barra. Não fiz nada disso. Fico pensando se eu não colaborei para a internet esquecer suas raízes. Se minha indiferença em relação ao chocolate ovalado não foi uma contribuição para a perda de tão sublime tradição. Agora não vale mais pensar sobre isso, o mal já está feito, só me resta acreditar que os antigos mestres da tradição não vão deixar esse rito tão antigo desaparecer de nossas redes.

Charme

Uma coisa interessante sobre as mulheres são os efeitos que elas conseguem causar em um homem. Não falo apenas daquelas que fazem a cabeça dos transeuntes virar ou recebem uma buzinada indiscreta na rua. Os efeitos que um ser feminino pode causar em um macho são vários, semelhantes à primeira vista, porém bastante distintos. Esses efeitos vão desde o despertar dos instintos mais primitivos do homem primata até o mais puro e simples abestalhamento, quando o indivíduo não consegue fazer muito além de olhar e babar. Mas tem uma coisa que algumas mulheres tem, uma coisa que deixa os homens perplexos e confusos desde a antiguidade. Na falta de um nome melhor conhecemos isso como Charme.

Toda a natureza misteriosa e sobrenatural do ser humano, ou pelo menos boa parte dela, está nas mulheres.  O charme não pode ser explicado de outra forma senão essa. É a capacidade que uma mulher tem de ser bonita e atraente sem necessariamente bonita e atraente. Complicado? Um exemplo prático é melhor, talvez as moças nunca tenham passado por isso, mas acredito que seja um exemplo válido. Todo homem já se deparou com uma mulher que, apesar de não ter uma aparência muito exuberante, chamou sua atenção de uma maneira incomum. Mesmo sem entender, o cara não conseguia tirar os olhos dela. Isso acontece principalmente por que ele mesmo não entende a natureza do magnetismo que a sujeita em questão tem. Ele analisa o que está diante dos olhos e vê que ali não tem nada de incomum, mas o seu pensamento já está preso. Preso por algo que ele não sabe o que é, mas é bonito e o atrai de uma maneira mística, misteriosa e incontrolável.

Em resumo o charme é a habilidade natural que uma mulher tem de ser bonita e feia ao mesmo tempo. Isso pode parecer absurdo, mas acontece. Esse efeito pode ser sentido principalmente quando uma mulher parece muito mais atraente pessoalmente do que nas fotos. Nas cópias estáticas da realidade apenas a aparência da sujeita é registrada. Mas pessoalmente, ao ver o jeito que ela se move, olha, fala e interage, não dá pra tirar os olhos dela. E ainda assim sem saber por que não consegue. Mulheres desse tipo são mestras do “show don’t tell”, ou em bom português “mostre, não diga”. Todas as pistas estão lá, mas você não sabe o que elas querem dizer, e ela não vai te contar. Faz parte do jogo.

Se as informações acima não foram convincentes o suficiente então cabe lembrar que o efeito contrario também acontece. Algumas mulheres atendem a todos os requisitos necessários para serem consideradas bonitas, mas não dão aquele estalo no cérebro. Não fazem muito além de despertar um sentimento de atração física. São seres sem encanto, que revelam mais do que escondem, e não estou falando sobre o modo de vestir. Mulheres sem mistério que não estão sintonizadas com os poderes ancestrais das deusas cultuadas antigamente. Mas pelo menos essas são as mais inofensivas. Se não cantam como sereias, não podem te afogar.

Dia Internacional da Mulher

8 de Março, também conhecido como ontem, dia em que foi comemorado o Dia Internacional da Mulher. Uma data comemorada em todo mundo e que nos lembra da luta feminina pelos seus direitos e por uma sociedade mais justa para pessoas de diferentes gêneros. Como o Cachorros de Bikini não publica nada nas terças este texto está automaticamente atrasado. Como ano que vem o dia 08 vai cair em uma quarta-feira, um texto que vai explorar melhor o significado dessa data e qualquer reflexão do tipo vai ficar pra 2017. Em 2016 vou falar um pouco sobre o ritual folclórico que cerca o dia 08 de Março.

    Março mal começa e vemos todo o tipo de propaganda, vinheta, cartaz, outdoor e derivados fazendo as devidas homenagem aos seres humanos femininos. Homenagens e mais homenagens que se acumulam e aumentam em número, culminando na enxurrada final do dia 08. Dia Internacional da Mulher, dia de ganhar aquela bela rosa acompanhada por um Sonho de Valsa ou similar e um cartão, mensagem ou algo que o valha. Todos os lugares se vestem de rosa, ou não já que atualmente rosa só rola mais em Outubro, e a quantidade exorbitante de parabéns por todos os lados. O que eu acho mais legal de tudo isso é que essa é mais uma prova cabal de que o Dia do Homem é uma parada muito nada a ver.

    O dia 8 de Março não é bem melhor que o 15 de Julho por que todo mundo gosta de adular as moças. Todo o movimento por trás disso é uma mostra de como as questões lembradas no Dia da Mulher são bem mais relevantes. Já começa que ninguém lembra que dia é o Dia do Homem, mas muitas crianças que não sabem nem consultar o calendário sabem qual o Dia Internacional da Mulher, por aí você tira a disparidade que existe entre os dois. Se não acredita é só consultar o datascomemorativas.me. Nesse calendário aparecem datas relevantes como o Dia Nacional do Trovador, o Dia da Identificação, o Dia da Vacina BCG e mais inúmeras datas tão relevantes quanto. Adivinha qual data não aparece nesse calendário? Agora adivinha qual data aparece marcada com uma estrelinha? Essa daí foi tão na cara que nem tem mais como continuar esse tópico.

Pra encerrar esse texto, que já nasceu atrasado, só resta dizer que o Cachorros de Bikini dá os parabéns a todas as moças deste e de outros universos. Vocês merecem bem mais do que uma rosa ou um Sonho de Valsa. Merecem mais do que um “parabéns” ou uns instantes de adulação. Só não digo que merecem o mundo inteiro por que provavelmente se um dia vocês ganhassem iam acabar dividindo ele com os homens. E esse lance de homem cuidando do mundo, seja ele inteiro ou só um pedaço, já sabemos o quão errado dá.

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