Não é um blog sobre cachorros e bikinis

Categoria: Crônicas e Similares Page 12 of 21

Eu, Você e Os Jogos Malditos

    No último domingo um amigo meu entrou no grupo de chat e anunciou que estava jogando um jogo casual, simples e gratuito. “Baixa esse jogo, vocês vão se lascar, não posso me lascar sozinho”, foram essas palavras aflitas que o sujeito supracitado usou para convencer os integrantes do grupo a jogar também. Eu baixei o jogo, eu joguei o jogo e eu me lasquei.

    Não citarei o nome do jogo para não ajudar a espalhar essa desgraça pelo mundo, mas farei uma descrição ligeira dele. O jogo consiste em clicar na tela para eliminar monstrinhos e passar de fase. Você ganha dinheiro matando os monstros e faz uma infinidade de upgrades pra conseguir matar os monstros mais ligeiro. A graça do jogo desaparece pouco tempo depois, os números chegam a casas astronômicas e param de fazer sentido. Em vez de parar de jogar o que eu faço? Continuo jogando. Gasto um pouco mais de tempo e desligo. No outro dia eu abro de novo e o jogo não parou. Acho um absurdo e o jogo começa a parecer pior. Nem por isso eu paro de jogar.

    O tempo gasto nesse entretenimento maldito é muito menor do que eu costumo gastar em outros jogos, mas qualquer minuto gasto com isso parece custar horas do meu dia. Diante desse quadro revoltante eu fico pensando em quantas pessoas estão na mesma situação.

    O vício em jogos casuais é uma praga relativamente recente. Quem tem a minha idade lembra da febre que foram os jogos do Orkut. As pessoas mais improváveis gastavam a vida jogando Colheita Feliz e coisas do tipo. No Facebook isso também acontece e depois da popularização dos smartphones isso tomou proporções inimagináveis. Isso me leva a questionar o motivo pelo qual esses jogos nos escravizam dessa forma. Pensando um pouco só chego a uma conclusão: todos esses jogos foram tocados pelo demônio e estão infundidos com o poder das trevas.

    Pra mim não existe outra explicação. Algo sobrenatural move esses joguinhos e por isso ficamos presos apesar da raiva e da aversão que eles nos causam. Deixo aqui registrado que pretendo reverter essa relação nociva com o jogo maldito que apareceu na minha vida. Pretendo acabar com essa jogatina sem sentido e voltar minha atenção para vícios menos danosos opções de entretenimento mais saudáveis. Caso você, estimado leitor, esteja passando por uma situação semelhante, saiba que você não está sozinho. Um dia conseguiremos nos livrar dessa desgraça… Mas enquanto esse dia não chega, vou aqui olhar o quanto de dinheiro juntou enquanto eu escrevia esse texto.

Mulher Larga Emprego para Amamentar Namorado

Sim. É isso mesmo. Você não leu errado. Na última quarta-feira eu estava olhando o meu feed do facebook e eis que vejo uma noticia compartilhada por um grande portal de notícias daqui. O título da notícia era  “Mulher larga emprego para amamentar namorado a cada duas horas“, uma manchete chocante e auto explicativa na mesma proporção. Na hora que eu vi esse negócio o cérebro desligou. Antes que pudesse pensar qualquer outra coisa eu pensei:

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Passado o susto inicial fui lá dar uma averiguada boa na notícia. Vamos resumir bem pra diminuir a chance de trauma. Uma moça ouviu falar da prática de amamentação adulta… Vou abrir um parênteses aqui só pra dizer que só de saber que isso existe eu já fiquei traumatizado. Segundo ela, essa prática desenvolve um vínculo único entre as pessoas envolvidas e essa ideia fascinou a jovem. Depois disso começou a saga da moça atrás de um rapaz que topasse essa parada de mamar depois de velho. Ela procurou muito, muito mesmo, a moça realmente estava muito determinada e depois de quase perder as esperanças finalmente encontrou um rapaz disposto e agora os dois estão juntos. A moça amamenta seu namorado a cada duas horas para estimular a produção de leite, largou até o seu emprego como garçonete pra manter a regularidade da amamentação. Os dois estão super felizes com isso e vivendo as maravilhas que apenas o vínculo criado na amamentação pode proporcionar.

  Agora é a parte do post em que eu comento sobre o ocorrido… É, vamos lá.

Sobre isso eu não tenho muito a dizer. Faz tempo que esse mundo tá sem freio e a internet, essa terra maravilhosa, nos ajuda a conhecer mais sobre as coisas malucas que existem no nosso pálido ponto azul. Tudo bem que eu não sou tão velho, não posso dizer que já vi de tudo, mas posso afirmar que vi muita coisa. Nada que eu já vi na minha vida mais ou menos breve se compara com essa maluquice. Notem que a moça não inventou essa onda de amamentar gente crescida, é uma prática com adeptos suficientes pra ser divulgada por aí. Um monte de gente por aí mamando e sendo mamada, literalmente mamando e sendo mamada, sem duplo sentido e nem maldade na afirmação. Pessoas estão aí se nutrindo de leite materno depois de adultos…

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Acho que é isso, até a próxima.

Uma Receita de Decepção

Mais uma vez o tema dessa quarta-feira estava certo fazia um bom tempo. Um tema bem supimpa com um ar reflexocontemplativo, mas nem por isso mais sério que o normal. Mas ontem aconteceu uma coisa que não poderia deixar de relatar, algo que me surpreendeu de uma maneira que me fez desistir do tema de hoje totalmente. Ontem eu descobri uma receita prática de como me decepcionar comigo mesmo.

    Uma receita simples que você pode reproduzir sem problemas com as coisas que você tem na sua casa.Tudo que você precisa é de uma conexão com a internet e um navegador que funcione com o sistema de abas. O rendimento da receita pode variar de acordo com a importância que você dá para o seu tempo desperdiçado e da sua capacidade de se decepcionar consigo mesmo. O tempo de preparo é praticamente inexistente e você pode fazer enquanto realiza suas atividades normais. Agora vou relatar o processo de desenvolvimento dessa maravilhosa receita.

    Ontem estava eu olhando coisas importantes na internet. Sem exagero ou ironias, eu realmente estava olhando coisas importantes na internet. Depois de terminar de olhar as coisas importantes fechei a aba do navegador e logo depois saí do meu e-mail, por consequência fui parar na página do portal que sempre abre quando eu saio do meu e-mail. Nessa página vi algumas inutilidades que me chamaram a atenção e as abri em outras abas. Quando já estava tudo fechado lembrei que precisava ver uma coisa na página importante, prontamente usei o comando de Reabrir Aba do meu navegador. Esse comando, para aqueles que não estão familiarizados, reabre, da mais recente para a mais antiga, as abas recentemente fechadas do navegador. Obviamente as inutilidades abriram primeiro. Obviamente que tive que abrir um monte de abas inúteis pra finalmente conseguir chegar na aba que eu queria. No curto tempo necessário pra conseguir reabrir a aba desejada eu consegui me decepcionar comigo num tanto que chega bateu uma tristeza genuína.

    Nunca tive problemas com conteúdo inútil na internet, inclusive pra mim produzir um bom conteúdo inútil é um objetivo de vida, mas quando o nível de inutilidade é muito grande e você para pra pensar no tempo gasto no consumo daquele conteúdo dói. Perceber o tanto de tempo desperdiçado com coisas que nem te interessavam muito é uma sensação bastante incômoda. Uma receita prática e rápida pra fazer uma auto decepção que fica pronta mais ligeiro que miojo.

    A receita de hoje foi simples? Acha que consegue fazer sem problemas? Não sei se é possível substituir os ingredientes, não tive tempo pra testar, mas sinta-se a vontade pra mexer e mudar alguma coisa. Não deixe de me contar dos resultados quando você fizer e até a próxima receita.

Aniversário de Bikini #1

3 de Junho de 2015. Naquela quarta-feira eu coloquei um sonho no ar. Foi naquele dia que a primeira postagem do Cachorros de Bikini foi publicada. O tempo foi passando, mais coisa foi sendo publicada e eu já estava achando uma pena não publicar um texto exatamente no dia do aniversário do blog. Aí eu olho no calendário e, graças à magia cabalística do ano bissexto, o 3 de Junho de 2016 caiu na sexta-feira…

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É engraçado pensar em como ter um blog mudou a minha vida. A responsabilidade de publicar alguma coisa três vezes na semana e a decisão de levar um projeto tão descompromissado com o máximo de seriedade acabaram transformando a minha rotina. A exemplo daqueles que vivem pra chegar na sexta-feira, os meus sete dias semanais se transformaram em três. Não é raro passar o fim de semana pensando no conto de segunda ou a terça-feira inteira pensando no texto de quarta. Preocupação com postagem que tá quase atrasando, tensão por um tema promissor estar virando um texto ruim e todos os malabarismos que eu fiz pra salvar esses textos. Tudo isso feito com a maior satisfação do mundo. Mas esse texto tá ficando muito sério. Hoje é dia de festa. Dia dos nossos queridos cachorros apagarem as velinhas e caírem com tudo pra cima do bolo.

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Um ano atrás eu escrevi “Bem Vindo ao Cachorros de Bikini”. 366 dias, 134 posts e dois hiatos depois eu me sinto exatamente do mesmo jeito. Eu ainda espero que ao entrar você deixe as coisas sérias da vida na porta e desfrute de um momento repleto das banalidades cotidianas e das coisas mais irrelevantes da vida. Ainda estamos longe de ser o melhor blog do universo, mas já somos o melhor blog com nome de caninos em roupas de banho que publica toda segunda, quarta e sexta e não tem o menor compromisso de falar sério ou de mudar a vida de ninguém. Parabéns, Cachorros de Bikini. Muitas felicidades, muitos anos de vida e todas aquelas coisas clichê que todo mundo deseja nos aniversários. Apague a vela e faça um desejo, mas não conte a ninguém ou não vai se realizar.

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Poucos

Existem algumas vantagens em ser um escritor com poucos leitores. A principal delas é que não tem muitas pessoas pra decepcionar com aquilo que você escreve.

    Não tenho certeza de quantas pessoas já leram meus textos, os poucos publicados antes e os vários publicados depois da criação do Cachorros devem ter atingido algumas poucas centenas de pessoas numa projeção muito otimista. Porém o feedback que eu recebo sobre aquilo que eu coloco no papel, ou publico por aqui, vem de um grupo bem restrito. Meus leitores regulares são todos conhecidos. Uns são amigos de longa data, outros de uma data nem tão longa assim, mas todos dedicam um pouco do seu precioso tempo pra me ajudar a escrever alguma coisa decente. Eles são poucos, são meus amigos, mas nem por isso cobram menos de mim.

    Quantas vezes eu já fui intimado a produzir mais coisas novas. Outras tantas me cobraram a publicação de um ou de outro texto ainda em fase de revisão. Fora as vezes em que eu recebo um “Esse tá legal, mas não tá melhor que aquele outro” por um texto que consumiu horas pra ser escrito e revisado ou ainda um “Essa é a melhor coisa que você escreveu” por um texto ainda inacabado. Isso sem contar os comentários do tipo “Queria que tivesse mais coisa, acabou rápido” ou o tão temido “Isso daria um livro, escreve mais”.

    Fico pensando nos escritores que vendem milhares de livros e na forma feroz como são cobrados pelos seus leitores. Muita gente pra atender e muita gente pra decepcionar. Espero o dia em que serei cobrado por desconhecidos e decepcionarei pessoas que eu nunca vi mais gordas. Enquanto não chega esse dia continuo aqui, escrevendo pros que colocam os olhos nos meus rascunhos e apontam os defeitos que eu não consigo ver. Pessoas que aguardam as versões finais como se esperassem pelo ultimo capítulo da novela. Que comentam o bom e o ruim sem reservas e reclamam dos finais que os enche de curiosidade.

    Para esses poucos eu digo: “Um dia sai”, “Falta sentar e escrever”, “Não sei o que fazer com ele no final”, “Ainda não sei como colocar no papel”, “Falta revisar”, “Escrever um livro dá muito trabalho” e por último, mas não menos importante, eu digo “Obrigado”.

Facebook de Bikini

Ontem aconteceu um dos eventos mais importantes da internet no ano de 2016. Na quinta-feira, 26 de Maio, entrou no ar a página do Cachorros de Bikini no Facebook.  A notícia, que contraria as projeções mais otimistas, pegou até os mais experientes das redes sociais desprevenidos. Foi algo tão inesperado que nem Zuckerberg viu essa chegando.

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    Quando eu comecei o blog eu sabia que em algum momento ele iria pras redes sociais. Compartilhar as postagens e pedir pros amigos fazerem o mesmo deu algum resultado, mas em algum momento isso precisaria passar para o próximo nível. Depois de procrastinar pra caramba planejar muito resolvi colocar o plano em prática. Consegui alguém pra fazer uma imagem de capa e foi só ela chegar que eu fiz a página. Só que nesse intervalo de tempo entre receber a ilustração da capa e colocar a página no ar eu notei uma parada muito importante: eu não sei mexer na bexiga do Facebook.

    Sem exagero nenhum, o máximo de coisa que eu já fiz na cria de Zuckerberg foi configurar a privacidade das postagens e só. Diante dessa informação não é difícil acreditar que eu não tenho a menor ideia do que eu estou fazendo. Toda a experiência em redes sociais que está no meu currículo se resume a curtir uma página e em um belo dia virar administrador dela, e isso já aconteceu umas três vezes. Em uma delas eu nem conheço o dono da página, acabei virando administrador só por que estava lá junto com a meia dúzia de pessoas que curtia a página no começo. A prova final da minha inaptidão pra isso foi a dificuldade de criar a maldita página.

    Criar páginas no Facebook é simples e intuitivo. Não é difícil de mexer, mas é praticamente impossível achar uma categoria certa pra sua página se seu site for um blog pessoal. Depois de rodar por todas elas acabei me conformando em colocar a página na categoria “Site”. Nem vou falar sobre o desastre que foi escolher o público alvo da página pra minimizar a vergonha que eu já estou passando.

    Pra terminar vou agradecer primeiramente ao pessoal da Quadro a Quadro que fez essa ilustração maravilhosa pra capa da página. Agradeço a todos os amigos que aceitaram o convite de deixar seu like na página, principalmente aos que estão fazendo campanha pra conseguir mais gente pra curtir a página, agradeço muito a você que nunca nem me viu e de alguma forma chegou aqui pra ler esse post, mas o maior agradecimento vai pra Mark Zuckerberg. Muito obrigado, Mark, sem você nada disso seria possível.

Maisa de Bikini

Uma das coisas mais legais de ter um site/blog ou derivado é justamente saber como as pessoas chegaram nas suas dependências internéticas. Quando eu olho as estatísticas do Cachorros de Bikini eu sempre presto atenção nas buscas que levam ao site. Algumas delas não tem nada demais, como por exemplo gente de fato procurando por cachorros em trajes de banho ou procurando por crônicas de temas específicos. Outras vezes aparece alguém procurando por coisas que não tem nada com nada, o exemplo mais recente disso foi alguém procurando por “quais os meses de sorte e de azar num ano e os piores do ano”. Mas até hoje a busca frequente mais estranha é “Maisa de Bikini”.

    Pra entender como isso começou precisamos voltar ao longínquo 24 de Julho de 2015. O Cachorros de Bikini não tinha nem dois meses de vida quando publicou naquela sexta-feira o texto Maisa Abandona a Infância. Desde aquele tempo não é raro aparecer alguém por aqui procurando por “Maisa de bikini”, “Maisa de biquine”, “Maisa Bikini” ou qualquer coisas desse tipo. Quando eu vi essas buscas aparecendo eu fiquei assim:

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Sério, qual a motivação que um ser humano racional teria pra procurar por Maisa de Bikini? Pare pra pensar juntamente comigo, caro leitor. Você está alegremente navegando na internet e não mais que de repente dá um estalo na sua cabeça e você pensa: “Deve ter fotos de Maisa de biquíni em algum lugar da internet”. Faz sentido? “Claro que não, Filipe, por que diabos eu vou querer ver imagens de Maisa em trajes de banho?”, concordo com você, não faz o MENOR SENTIDO alguém procurar por um negócio desses. Já tentei entender, já tentei achar o mínimo de lógica e propósito nessa busca. Busca essa tão infrutífera, que o povo vem bater aqui no Cachorros. Comparado com isso a busca por “quais os meses de sorte e de azar num ano e os piores do ano” fica bem menos absurdo. Afinal informações sobre sorte e azar são coisas com plena aplicação prática e normalmente atrelada a estudos empíricos de eventos que obedecem a certos padrões. Eu não acredito em nada disso, mas ainda me parece mais coerente do que procurar por Maisa de biquíni.

O texto de hoje não tem conclusão. O fato em si é suficiente pra me deixar sem palavras. Na falta de algo mais importante pra dizer fico só no bom dia/boa tarde/boa noite, fiquem com Deus e Maisa ama vocês.

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Barata Voadora

Uns quinze dias atrás estava eu interagindo alegremente com meus amigos no chat quando um deles, que não estava tão participativo e interativo, relatou a experiência de ter vencido, em combate singular, uma barata voadora. Depois de comentar uma ou outra coisa sobre o ocorrido, esse mesmo amigo matador de barata me diz: “tu precisa escrever sobre barata voadora”. Naquele momento eu percebi que, apesar de não saber até então, eu realmente precisava falar sobre barata voadora.

Antes de discorrer sobre essa cria do demônio esse ser tão peculiar, precisamos falar um pouco sobre a barata padrão. A barata é um ser cabalístico, misterioso e  intrigante. Além de sua capacidade de aparecer em qualquer lugar, desaparecer que nem fumaça, ter super velocidade e resistência suficiente pra resistir aos efeitos da radiação ou ao impacto de uma chinela. Ela consegue viver muito tempo sem comer, vários dias sem cabeça e se reproduzir em larga escala. Esses são só alguns dos poderes super artrópodes das baratas. Como se já não bastasse tudo isso, um belo dia a barata foi tocada pelas forças mais malignas da galáxia. Confira abaixo o que (mais ou menos) aconteceu com a barata.

Exatamente isso, caro leitor. Depois de ser tocada pelas forças das trevas mais desgraçadas do universo, a barata comum se transformou em um ser que mais parece ter saído de uma história de Lovecraft: a barata voadora.

Uma barata normalmente não tem habilidades suficientes pra agredir um ser humano. Apesar de suja, inconveniente e transmissora de doenças, a barata não é um ser agressivo. A menos que ela seja uma barata voadora. Pois a primeira coisa que esse engenho de satanás inseto maldito faz é voar direto. DIRETO. DI-RE-TO na sua cara. Essa habilidade ofensiva dispara um gatilho no nosso cérebro que nos faz correr da maldita barata. Ao escapar do voo suicida da maldita, sofremos o efeito da névoa nefasta que ela espalha pelo ar com o bater de suas asas. Depois de nos fragilizar psicologicamente e agredir olfativamente, a barata fica parada esperando terminar o cooldown das skills recuperando suas energias para mais um ataque ou para sua fuga. Nesse momento juntamos o que nos resta de determinação, improvisamos uma arma e partimos pro ataque. Acertamos o alvo, mas o sabor da vitória passa rápido. Mas porquê? Por que a desgraçada ainda está VIVA. As energias das trevas protegem a barata voadora de uma forma que ela se torna um ser imorrível ou pior, ela já morreu e foi ressuscitada pelas energias obscuras do universo. Se tornando um inseto-demônio-zumbi-imortal from hell.

Depois de tudo isso eu só tenho uma coisa a dizer: sou grato a Deus por cada dia que eu passo sem encontrar uma barata voadora. E tenho fé de que Ele vai proteger todo aquele que precisar enfrentar esse ser maldito.

18 a 25 Anos

“Estamos ficando velhos, Magneto”. Essa frase eu mandei pro meu irmão poucos minutos depois da meia-noite do dia 14 de Maio de 2016, também conhecido como último sábado, dia em que chegamos à marca histórica de vinte e seis anos de idade. “Eita, Filipe, grandes merdas completar vinte e seis, nem dá pra dizer que é marca histórica”, pode até ser, mas eu só vou completar vinte e seis uma vez na minha vida inteira, o que qualifica essa como uma marca histórica. Com a cabeça nesse número me dei conta que eu ia mudar de faixa etária.

“Jovens de 18 a 25 anos”. Normalmente é a faixa considerada pela pesquisa. Diante desse cenário atentei para o fato que as pesquisas não me consideram mais jovem. Partindo do pressuposto de que a divisão de faixa etária feita pelas pesquisas tem lógica e coerência, posso dizer que não sou mais considerado jovem. Se não sou mais considerado jovem, então de fato me tornei um adulto… Pausa ligeira pra assimilar minha repentina saída da juventude e avaliar minha nova condição de ex-jovem de pesquisa.

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Obrigado pela paciência, vou continuar.

Logo no primeiro mês do Cachorros de Bikini eu falei sobre os mandamentos de um adulto feliz. Escrevi esse texto já com meus vinte e cinco e com essa idade já tinha acostumado com a ideia de ter virado um adulto, mas até então nunca tinha chegado alguém e carimbado “ADULTO” na minha testa. Paro, penso e vejo que no final isso não mudou foi nada.

A partir de um certo ponto da minha vida eu parei de me incomodar com esse lance de idade. O mundo tenta enfiar na sua cabeça que envelhecer é um negócio instantâneo. Ouvir coisas como “tá se sentindo mais velho?” é muito comum quando se faz aniversário, normalmente minha resposta é “não”. Criou-se a ideia de que quando o relógio marca 00:00 no dia do seu aniversário você automaticamente envelhece um ano. Quando eu acordei no sábado só tinha envelhecido um dia, assim como em todos os dias anteriores. Nessa de envelhecer um dia de cada vez passaram os meses, os anos. Do primeiro dia dos dezoito até o último dos vinte e cinco foram 2921 dias. Dias que me envelheceram um pouco de cada vez, que suavemente me transformaram no adulto que sou hoje.

A idade pesa? Pesa. Olhar pra trás e ver quanto tempo passou sempre é um momento meio amargo. Saber que uma criança que nasceu no dia em que eu fiz dezoito já sabe ler, escrever e precisa das duas mãos pra contar a própria idade, assusta. Assusta saber que as amizades já duraram tanto e da idade que as boas lembranças têm. Mas só os números assustam, só me assusto quando conto, só me assusta quando eu olho pra trás e vejo o quanto caminhei. Então eu esqueço dos números, lembro olhando pra frente e se precisar olhar pra trás eu olho o retrovisor. Ficar mais velho é inevitável, mas se repararmos bem, o tanto de mudança que chega com a idade depende só de nós mesmos… Exceto a dor que dá nas costas por sentar em assento sem encosto.

Espirro

O tema da postagem dessa sexta-feira foi decidido na semana passada. Em alguns períodos mais inspirados eu consigo a proeza de ter uns quatro ou cinco temas já escolhidos. Acordei hoje de manhã com a certeza que ao fim do dia eu teria uma análise bem humorada sobre uma tendência social que vem crescendo nos últimos tempos, mas o processo criativo é aleatório e de vez em quando rende umas surpresas interessantes, pelo menos interessantes pra mim. O tema programado pra hoje, infelizmente, vai ser sumariamente descartado e no lugar dele teremos um dos temas mais bestas já tratados nesse blog.

Tudo começou hoje de manhã. Estava eu alegremente a caminho do trabalho juntamente com uma amiga minha que sempre pega carona comigo. Durante o trajeto em direção ao Raincife notei que ela realizou um rápido movimento de cabeça com uma das mãos no rosto. Prontamente perguntei “Isso foi o quê, hein? Foi um espirro?”, e ela me respondeu que sim, aquela era a versão do espirro dela para ambientes fora de casa. “Meu espirro é muito escandaloso”, justificou ela. Não preciso nem dizer que imediatamente meu cérebro começou a trabalhar. Não que meu cérebro tenha feito um trabalho extraordinário, normalmente ele só faz o basicão mesmo e ocupa o resto do tempo com toda sorte de besteira, mas ele trabalhou o suficiente pra chegar à conclusão de que eu precisava falar sobre isso, hoje e aqui.

Durante toda a minha vida eu vi, mas depois de muitos anos eu atentei para o fato de que mulheres normalmente tem um pequeno problema em relação a tosses e espirros. Principalmente espirros. Farei um desafio para você, leitor do sexo masculino, puxe da memória alguma vez em que você viu uma mulher dar um espirro alto, ruidoso, sonoro e/ou escandaloso. Conseguiu? Eu também não. Isso me leva à conclusão de que mulheres não conseguem simplesmente espirrar de boas.

Uma disfarçada, uma segurada ou a incapacidade de espirrar pra fora. Não, não estou exagerando, já ouvi relatos de uma moça que afirmou não conseguir espirrar da forma que eu considero biologicamente mais apropriada. Aí nesse momento eu me pergunto:

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Gostaria muito de ser esclarecido quanto essa particularidade feminina em relação à etiqueta do espirro. Infelizmente minha cabeça não consegue chegar sozinha à uma resposta satisfatória. Se alguma moça puder clarear minha mente em relação a isso ficarei eternamente grato. Desde já agradeço pela atenção e até a semana que vem com um texto um pouco mais relevante.

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