Cachorros de Bikini

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Escrever Sobre Qualquer Coisa

    Há uns anos atrás, por indicação de um amigo, eu li o maravilhoso Para Ler Como Um Escritor de Francine Prose. Dentre as várias coisas comentadas nesse livro, está a obra de um russo chamado Anton Tchekhov. Esse cara que era médico, dramaturgo e escritor, morreu aos 44 anos de idade vítima de tuberculose e deixou mais ou menos 600 contos escritos. Só pra ter uma ideia do tanto que é isso, é só imaginar que em um ano eu vou chegar na marca de, mais ou menos, 50 contos publicados no Cachorros de Bikini. Contos minúsculos comparados com o tamanho dos contos que esses escritores contistas costumam escrever. Mas de todas as coisas relatadas sobre Tchekhov no livro, a mais impressionante, na minha humilde opinião, é sobre o método de escrita do autor.

    Uma vez nosso compadre russo foi questionado sobre qual era seu método de composição. Ele pegou um cinzeiro da mesa e respondeu “este é meu método de composição, amanhã vou escrever um conto chamado ‘O Cinzeiro’”. Eu nunca li Tchekhov, mas foi só ler isso que comecei a admirar o cara. Até hoje eu penso em como eu gostaria de criar universos como Neil Gaiman, ter uma narrativa tão boa quanto Raphael Draccon ou falar do cotidiano tão bem quanto Xico Sá, mas depois de ler a resposta de Tchekhov meus anseios como escritor ficaram um pouco mais modestos. Atualmente meu maior objetivo é conseguir escrever sobre qualquer coisa.

    Tchekhov não só, segundo ele mesmo, conseguia se inspirar em praticamente tudo. Ele usava essa inspiração pra produzir boa literatura. Fico pensando em como seria fantástico sempre ter sobre o que escrever. Como seria incrível fazer uma boa história inspirado apenas por um copo de plástico, um carregador de celular ou um pedaço de bolo. E também penso no tanto de habilidade que você precisa ter pra conseguir fazer isso e ainda sair uma coisa boa.

    Desde o começo do Cachorros esse foi o maior desafio. Conseguir escrever sobre qualquer coisa é um sonho ainda distante, mas acho que estou fazendo minha parte. Os assuntos aleatórios continuam saindo da cabeça e passando pro papel. Um exemplo disso é que, em plena sexta-feira antes do carnaval, eu estou aqui falando de um russo que conseguia escrever sobre tudo. Até mesmo um misero cinzeiro.

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2 Comentários

  1. Por nada, Piloto! =D

    Sei que este livro é excepcional, não foi indicação à toa, que bom!

  2. Esse livro é excepcional! [2]
    Acreditam que eu citei ele na prova pra diplomata? (Ok, eu ainda não passei. Mas o livro foi muito, muito, MUITO útil, e adorei poder citá-lo, hehe!)

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