Não é um blog sobre cachorros e bikinis

Tag: Internet

Muito Mais Música

    Logo no começo do ano da Graça de 2016 eu estava de bobeira nas internets e me deparei com uma postagem bem interessante. A postagem em questão saiu em um site de cultura pop que eu costumo frequentar, nela são apresentadas sete resoluções de ano novo que podem ser adotadas por qualquer pessoa. Entre resoluções sérias e outras nem tanto, estava uma que eu considerei deveras relevante para a vida prática de qualquer ser humano. O número 2 da lista de resoluções para 2016, segundo essa lista, é “Ouvir Muito Mais Música”.

    Ouvir música atualmente dá muito menos trabalho do que já deu um dia. Praticamente todos os celulares de hoje em dia reproduzem música, inclusive os fones de ouvido costumam vir junto com o aparelho. De todas as mídias que migraram pro digital, a música foi a que melhor conseguiu fazer essa transição, eliminando totalmente a necessidade de mídia física. Mas por que será que ainda consumimos música de um jeito, em boa parte do tempo, preguiçoso?

Na lista o autor não critica gêneros ou estilos específicos. A crítica é contra o igual, o padronizado.Existe muita coisa por aí pra ser ouvida, e principalmente pra ser gostada. Graças a essa maravilha chamada internet, tecnologia que veio pra ficar, qualquer um pode gravar uma música e jogar no mundo pra todo mundo ouvir. Coisas antigas antes de difícil acesso, agora estão a dois cliques de distância. E ainda assim continuamos ouvindo as mesmas coisas de sempre. Não que seja culpa nossa, fazemos inconscientemente.  Quase sempre escutamos o que nos é familiar. Muitos dos artistas novos que experimentando são apenas variantes daquilo que já conhecemos.

O autor da lista desafia todos nós a nos tornarmos nossos ouvidos mais curiosos. Ouvir um artista relacionado, procurar a versão original de um cover, ir atrás daquele carinha que fez uma participação especial naquela faixa e coisas do tipo, são práticas simples que podem ter resultados surpreendentes. Quando menos esperamos, topamos com algum artista interessante que ninguém ouviu falar, ou damos chance pra um estilo que nunca pensávamos que existia. E tenho certeza que quando isso acontece você se sente como eu. Como se aquilo fosse o primeiro passo para um universo muito maior.

Retrospectiva 2015

    2015 acaba amanhã e nada mais justo do que o último post do ano ser um ligeiro resumo do que aconteceu ao longo desses últimos trezentos e sessenta e poucos dias. O texto de hoje é um pouco mais sério do que de costume. Espero que você não se importe.

    2014 foi um ano muito cabuloso. Graças a isso todo mundo esperava de 2015 uma folguinha. Mas no lugar disso tivemos um ano que se esforçou pra superar o seu antecessor. 2015 foi cabuloso na  mesma proporção, mas ele conseguiu ser cabuloso de uma maneira muito diferente. Esse ano foi o ano do absurdo.

    De dólar batendo quatro e vinte até barragem de lama rompendo, passando por pedofilia ao vivo pra internet toda ver e policial batendo em menor de idade. Esse ano foi um ano de notícias que não davam pra acreditar. Cada olhada no jornal era um exercício de incredulidade. Um ano em que descobriram que uma mulher que fugiu por engano da Coréia do Norte, vazaram uma carta do nosso vice-presidente e bloquearam o Whatsapp é um ano digno de nota. E não citei esses últimos exemplos por serem mais importantes, mas por serem tão absurdos quanto as coisas sérias que rolaram nesse ano cão.

    Particularmente eu considero que 2015 foi um grande aprendizado. Normalmente é isso que a gente consegue aproveitar de tempo ruim. Esse ano muita coisa deu errado, muita mesmo. Apesar da quantidade grande de cagadas e arrependimentos acabei aprendendo uma ou duas coisas. Não necessariamente as coisas que eu de fato precisava aprender, mas foi o que deu pra fazer. Esse ano eu atingi picos de stress nunca antes vistos, tive alguns dos momentos mais divertidos e emocionantes da vida, ganhei um LEGO de presente, comprei uma estante e finalmente coloquei o Cachorros de Bikini no ar. Comecei a ver coisas que eu não via antes e olhar de forma diferente pra coisas que eu sempre enxerguei.

    2015 nos deixa meio quebrados. Foram quase doze meses apanhando desse calendário que demorou pra terminar. A mensagem que ele deixa pra 2016 é simples: lute. Se 2015 foi carrasco, 2016 não quer ficar atrás. Lute. Esse ano tudo vai jogar contra a gente. Lute. Não precisa levantar bandeira nem se alistar em nenhum exército, basta enfrentar e resistir. Lute. Foram o que os bons exemplos de 2015 me mostraram. Foi o que eu aprendi com Imperatriz Furiosa em Mad Max, Rey em Star Wars e com várias mulheres de carne e osso que levantaram suas vozes em 2015. 2016 está nos chamando pra briga e não temos como fugir. Lute, mas se é pra lutar, lute como uma menina. Elas entendem muito bem disso, bem mais do que você pode imaginar.

 

Incoerência

Quem tem idade pra se lembrar de como era a vida antes da internet ser o que é hoje viu uma série de hábitos que surgiram em função do avanço da tecnologia. Talvez uma das mudanças que mais influenciaram o comportamento das pessoas nas redes sociais foi o aparecimento da fotografia digital.

Se você está vivo a tempo suficiente pra lembrar do filme fotográfico e do termo “revelar foto”, provavelmente presenciou a mudança proporcionada pelo aparecimento das câmeras digitais. Ver como uma foto ficou sem precisar esperar uma versão física dela foi algo que maravilhou todo mundo na época, mas um detalhe acabou mudando a vida de muitas pessoas para sempre: agora era possível tirar infinitas fotos. Com o custo de revelação eliminado e a possibilidade de armazenar as fotos digitalmente, sem ocupar espaço físico, as pessoas adquiriram o curioso habito de tirar fotos que não tinham a menor intenção de guardar um momento para o futuro. A fotografia digital espalhou pelo mundo o habito de tirar fotos que não servem pra muita coisa. A maior representante dessa categoria fotográfica, sem sombra de duvida, é a auto foto, também conhecida pela alcunha irritante de selfie.

Antes que você, amigo leitor, pense que eu vou tecer uma crítica furiosa sobre as pessoas que fazem seus próprios retratos, peço mais algumas linhas para deixar claro o assunto desse texto. Eu não tenho problemas com pessoas que tiram fotos delas mesmas, também não tenho nada contra as pessoas que publicam essas fotos em suas redes sociais. O fato que me deixa com a cabeça levemente desgraçada não são as fotos, são as legendas.

Eu não sei como funciona esse lance de legenda de foto. Na verdade não sei como funciona esse lance de colocar uma foto sua com uma legenda que não tem ligação alguma com a foto.Eu sou de um tempo que a legenda servia pra ilustrar aquilo que estava na imagem, mas hoje não é raro olhar pro meu feed e ver uma foto, que poderia ser tranquilamente publicada sem legenda, junto de um texto que podia muito bem ter sido publicado sem foto alguma. Algum tipo de aura misteriosa envolve as redes sociais que faz com que as pessoas compartilhem a busca dos seus sonhos, perseverança diante das dificuldades, alegria de viver, fé em Deus e derivados juntamente com uma foto que não ilustra nenhum tipo de busca pelos sonhos, perseverança ou fé em Deus. A alegria de viver escapa, afinal é muito difícil alguém tirar uma foto todo triste. Lembrando que essa mesma foto poderia ser utilizada em qualquer uma das temáticas listadas anteriormente sem prejudicar a falta de conexão entre a imagem e o texto.

Caso alguém que esteja lendo isso aqui esteja ofendido com o que acabei de falar peço desculpas, não é nada pessoal. Se existe alguma lógica ou significado por trás dessa parada, infelizmente eu não consigo entender, inclusive prefiro continuar na ignorância. Não julgo nem condeno quem faz esse tipo de coisa, não me considero melhor do que os outros por não fazer, só acho que não tem problema em publicar uma foto sem legenda ou uma legenda sem foto. Já que elas não fazem parte uma da outra, não tem problema elas aparecerem separadas.

“Meu Amigo Secreto…”

Nesses últimos dias uma hashtag tem figurado bastante nas redes sociais, estou falando da tag #MeuAmigoSecreto. Caso você, caro leitor desavisado, desconheça o que diabos é esse lance de #MeuAmigoSecreto, não se preocupe pois eu vou esclarecê-lo. Façamos um exercício de imaginação, imagine todas aquelas indiretas que vemos todos os dias no facebook, imaginou? Agora imagine que essas indiretas são disparadas, não para gerar a intriga virtual nossa de cada dia, mas para expôr o mau comportamento de outro ser humano. Tudo isso sem necessariamente revelar a identidade do sujeito, naquele esquema de “você sabe que eu estou falando de você seu babaca”. Obviamente toda essa onda me inspirou para escrever esse texto. Nem preciso dizer que aquilo que vem a seguir não tem muita coisa a ver com esse movimento da internet brasileira.

    Esses dias, por causa da hashtag, me lembrei da tradicional brincadeira de amigo secreto. Fim do ano chegando e com ele a temporada de confraternizações. Não vai ser dessa vez que eu vou falar de todas as desventuras que envolvem essa tão desgraçada maravilhosa brincadeira do folclore nacional, vou me ater a um dos aspectos mais notórios da brincadeira: a hora de entregar o presente para o amigo secreto.

    Quando eu vi #MeuAmigoSecreto pela primeira vez no meu feed imaginei que fosse só alguém falando do seu amigo secreto, tanto é que eu nem li o resto, desde aquele dia eu fiquei com uma coisa na cabeça: como é cabuloso fazer esse jogo de adivinhação do amigo secreto. Descrever uma pessoa pode parecer fácil, mas não é muito quando o objetivo é não deixar os outros saberem de quem você está falando. Lembrando que na tentativa de dificultar o jogo da adivinhação você acaba falando um monte de coisa que não tem nada com nada e que pode inclusive gerar um descontentamento gigantesco no seu amigo secreto. Aí fica você com um sorriso amarelo e o seu amigo com cara de bunda, logo depois ele solta um sonoro “mas eu não sou (insira aqui a característica nada a ver que você falou)”. Apesar da situação descrita anteriormente ser bem chata ainda existe a maldita possibilidade do amigo secreto não concordar com alguma  coisa verdadeira que você falou, e pode ter certeza que vai aparecer um gaiato pra confirmar tudo dizendo “fulano é assim mesmo”.

    Pra encerrar eu gostaria de dizer que esse ano eu estou duplamente feliz. Primeiramente pelo fato de não estar em nenhuma brincadeira de amigo secreto e em segundo lugar por finalmente encontrarem uma utilidade pras indiretas nas redes sociais.

Parabéns, Sua Infância Valeu a Pena

Como eu falei no texto de quarta, a nostalgia é um sentimento muito interessante e que a nossa querida infernet costuma nos ajudar a lembrar de coisas passadas que nos aquecem o coração. Porém, como tudo na internet, esse esquema de nostalgia tem uma vertente que funciona como um tipo de militância meio babaca. Boa parte do que eu vejo que faz referência à nostalgia consiste em exaltar o próprio passado no esquema “o meu é melhor que o seu”.

Eu particularmente gosto de conteúdo que tem essa pegada nostálgica, gosto de verdade, mas não tem como não sentir uma pontada de indignação quando aparece uma frase do tipo “Se você sabe o que é isso sua infância valeu a pena” ou então “Parabéns, você teve uma infância feliz”. Sério isso? Será que só eu enxergo um problema?

Na minha humilde opinião avaliar as experiências dos outros sob a ótica das próprias experiências até tem sentido, sentido esse que é perdido a partir do momento que tudo que é diferente daquilo que você viveu é taxado como inválido, insuficiente ou negativo. Se o Zezinho que vive na roça nunca teve aquele videogame clássico ou aquele brinquedo famosão pode ter tido uma infância muito melhor do que o cara que teve o disparate de classificar a infância de todos aqueles que tiveram a mesma experiência que ele como uma “infância que valeu a pena”.

Nostalgia não funciona igual pra todo mundo. Muitas vezes as coisas podem significar muito ou nada, depende só da pessoa que se lembra. Por isso gostaria de afirmar que, se a sua infância é o tipo de coisa que aquece o seu coração quando você lembra, que te trás uma infinidade de memórias boas e que te faz sentir uma saudade genuína daquele tempo e de fato você conseguiu ser uma criança, parabéns, sua infância valeu a pena.

Saudade

Muitos falam de como as coisas mudaram de uns tempos pra cá. De como a internet mudou a forma como as pessoas se relacionam e se comunicam. Muita gente reclama que não existe mais conversa ao vivo, privacidade entre outras coisas que todos estão cansados de ouvir. Não discordo de nada disso, mas isso não é o que mais me incomoda. Hoje em dia o que existe na internet é a ausência de algo que eu tenho muita saudade: o meio termo.

Em uma época em que haters e fanboys e derivados estão espreitando em cada esquina da rede infernal de computadores eu me pego cercado por gente que se diz moderna e cabeça aberta com posições tão radicais (ainda que radicais de uma maneira moderna) quanto os classificados como conservadores.

Antes que você, caro leitor, me deixe falando sozinho pensando que vou começar a falar sobre inclusão de minorias, deputados polêmicos, personagens de novela ou sobre o Big Brother saiba que falarei sobre coisas bestas que servem pra ilustrar bem o que estou tentando dizer..

Do que eu sinto saudade não é da tolerância das pessoas, muito menos da falta de ódio nos comentários. Eu sinto falta da nota 5. Sinto falta da dúvida entre o “gostei” e o “não gostei”, de gente em cima do muro ou da simples indiferença. O povo de hoje está mais 8 ou 80 do que nunca. Não existe mais o “gostei, mas não é nada demais” ou “achei massa”, a internet adoeceu e ficou bipolar. Os haters odeiam com a mesma força que os fanboys amam, sempre foi desse jeito, mas hoje qualquer um que não seja um ou outro acaba tomando um dos lados, por que é assim que todo mundo pensa agora.

O público nunca foi tão rígido, intolerante ou apaixonado como é hoje. E nessa onda aqueles que produzem conteúdo precisam lidar não só com o seu público, mas também com os “críticos” de plantão que tem prazer em jogar terra em qualquer coisa que não agrade. As pessoas nunca foram tão desmerecidas por causa de seus gostos ou atacadas por suas opiniões

Por isso apelo humildemente que pratiquem o meio termo. Baixem as expectativas e esqueçam alguns critérios. Guardem o amor pras coisas que realmente importam e esqueçam o ódio, esse nunca fez bem seja com ou sem motivo. Tentem assistir, ler ou escutar alguma coisa sem fazer comparações ou dar notas. Assista por assistir, leia pra passar o tempo e escute alguma coisa só pra se distrair. Afinal, entretenimento é pra entreter e não pra começar a próxima guerra.

Dia do Amigo

Na ultima segunda-feira, também conhecida como 20 de Julho, foi comemorado o Dia do Amigo. Talvez essa seja uma das datas com a maior disparidade entre o impacto que ela causa dentro e o que causa fora da internet. Isso por que, até onde eu lembro, antes do boom das redes sociais ninguém falava do Dia do Amigo. Por causa disso eu considero válido dizer que hoje esse dia é celebrado graças ao Orkut.

Provavelmente você, caro leitor, tem idade suficiente para se lembrar do Orkut, um dos maiores fenômenos da internet (pelo menos no Brasil) de todos os tempos. Apesar de ninguém ligar mais pro coitado, sua desativação causou uma grande comoção. Eu lembro que na época muita gente corria atrás de aumentar a sua lista de amigos, tanto que atingir a marca de 1000 amigos, e consequentemente não poder adicionar mais ninguém, era motivo de ostentação. Dentro de um ambiente como esse não é difícil acreditar que o Dia do Amigo fosse genuinamente celebrado.

A verdade é que o finado Orkut mudou um pouco a forma de como lidamos com a amizade. Aos poucos fomos acostumados a quantificar nossos amigos, a elevar os conhecidos ao patamar de amigos e  a transformar nossa lista de contatos em uma espécie de galeria de todos que conhecemos. Porém, devido às limitações desse sistema, fomos obrigados a chamar todos os conhecidos, os colegas de trabalho, do curso de inglês, aquele primo que não te vê há 10 anos, ou aquele cara que estudou com você na terceira série de amigos. Provavelmente seja por isso que o Dia do Amigo continua sendo uma data tão celebrada nos ambientes sociais virtuais.

Apesar de não dar tanta bola pro Dia do Amigo, fico pensando aqui com meus botões se futuramente as relações de amizade serão tão rasas quanto essas redes sociais fazem parecer. Se a frase “Vocês são amigos agora” que o Facebook exibe a cada pessoa adicionada à minha lista continuará tão absurda aos meus olhos quanto sempre foi. Se as pessoas vão precisar de uma frase automática do sistema pra saber se alguém se tornou um amigo.

Me Sinto Responsável

Essa semana eu estava conversando com minha irmã sobre a minha falta de vontade de assistir alguma série de TV nova. Eu tenho o problema de sempre abandonar toda e qualquer série que eu assisto. Não importa se eu gosto ou não, sempre chega uma hora que eu paro de assistir e nunca mais volto, e isso me incomoda bastante. Dividi essa informação com minha irmã e ela foi bem taxativa em dizer que se eu estou pensando assim quer dizer que eu estou trabalhando mesmo sem estar trabalhando. Em seguida ela me falou sobre um vídeo que ela assistiu recentemente tratando desse assunto.

Antes de continuar vale a pena dar uma conferida no vídeo, ele se chama “When Does Play Becomes Work?“ e está em inglês e tem legendas também em inglês. Em resumo o carinha do vídeo fala sobre como a necessidade que criamos de consumir entretenimento faz com que, de certa forma, trabalhemos para os produtores de conteúdo. Ao nos tornarmos consumidores fieis de algum produto de mídia, seja ela qual for, arrumamos uma espécie de emprego. É sobre isso que eu quero falar, mas vou focar na minha experiência pessoal.

É muito difícil assistir/jogar/ler/ouvir 100% daquilo que queremos. Seja por falta de grana pra comprar ou falta de tempo pra consumir, nós vivemos “em débito” com alguma coisa. Não que realmente estejamos devendo, mas nos sentimos como se estivéssemos. Me pesa na consciência quando eu lembro das séries que eu deixei pra lá, mesmo sem nunca perder a vontade de assistir. Também me sinto mal quando olho todos os livros e quadrinhos que estão na minha estante e nunca foram lidos, sem contar os jogos que eu não terminei. Tudo isso me faz sentir responsável, mas pelo quê?

Será que é certo eu me sentir mal por isso? Será que eu estou transformando o meu entretenimento em uma obrigação? Até que ponto minha vontade de assistir, ler e jogar é genuína? A partir de que nível essa vontade se torna uma obrigação que eu criei com as coisas que eu gosto de consumir? Eu só sei que quando a diversão vira obrigação você precisa arrumar alguma outra coisa pra se divertir. Depois dessa divagação toda, gostaria de parafrasear minha irmã e dizer que não devemos nos desanimar por abandonar uma série (ou seja lá o que for), ela sempre acaba voltado pra gente.

Dia dos Namorados

12 de Junho. Também conhecido no Brasil como véspera do dia de Santo Antônio e Dia dos Namorados. Por uma coincidência em 2015 essa data tão festiva caiu numa sexta-feira, se caísse em outro dia eu ia falar dele mesmo assim por isso não podia deixar a oportunidade de discorrer sobre.

Eu nunca fui muito fã do Dia dos Namorados. Quando eu era mais novo não gostava pelo simples fato de sempre passar o 12/06 desacompanhado, motivo que eu considero até justo, mas que na prática é bem besta, tanto é que isso foi mudando com o tempo. Hoje em dia eu não gosto do Dia dos Namorados por causa do circo que armam em cima dessa data.

Imagino que em algum momento da história o dia 12 de Junho tenha sido um dia mais singelo, onde as demonstrações de carinho e afeição entre os namorados eram menos extravagantes e escancaradas. Não vou bater na tecla de que esse dia se transformou em uma data puramente comercial, não é novidade pra ninguém que no ritmo que as coisas vão logo logo o Dia da Árvore vai ser uma data importante pro comércio. Meu problema com o Dia dos Namorados vem justamente do fato de tudo ter se tornado público.

Com o advento das redes sociais tudo se tornou público. Uma quantidade incalculável de pessoas criou o hábito de colocar suas vidas na internet pra todo mundo ver, levando em consideração que os namoros fazem parte das vidas das pessoas não é de se estranhar o que acontece todos os anos. O romantismo em si não é um problema pra mim, o que realmente me incomoda é a facebookização do Dia dos Namorados.

Antes de continuar devo fazer um adendo. Se você, caro leitor enamorado (ou não), é uma pessoa que faz declarações de amor sinceras e verdadeiras na internet não deve se importar com o que eu vou dizer agora, não é sobre você que eu estou falando. Voltemos ao raciocínio.

Uma vez meu irmão me disse que quando uma empresa não tem um produto que pode ser vendido atravéz de propaganda ela faz propaganda pra se vender como empresa. Hoje a cria do nosso amigo Zuckerberg é praticamente um acervo de propaganda. As pessoas fazem propagandas de suas vidas, se vendendo como pessoas, e isso todo mundo tá cansado de ouvir, porém tomando como base esse raciocínio podemos dizer que muitos vendem seus relacionamentos em redes sociais da mesma forma. Quantas pessoas hoje farão suas declarações, obviamente ilustradas por um mosaico de fotos com momentos felizes do casal, mais preocupadas com o que os outros vão achar do que com a reação da pessoa amada? Quantos casais que estão trocando juras de amor nesse momento não conseguem nem passar um dia sem brigar?

Mas o texto está ficando muito sério e hoje é não é dia pra isso. Hoje é dia de ouvir aquele rock farofa dos anos 80, seja por estar com alguém ou pra ficar roendo na solidão, de mandar e receber flores, de fingir que gostou do presente de ganhar aquela coisa que te faz dizer “Não acredito!” e logo depois um “Não precisava” seguido de um “Adorei!”. Dia de fazer o mundo inteiro saber que você gosta de verdade de alguém, ou de simplesmente fazer a única pessoa que realmente importa lembrar disso, ou de fazê-la saber. Afinal nem toda declaração tem que ser feita pra todo mundo ver, por que o amor existe muito antes da internet e ninguém nunca precisou dela pra dizer o que sente até um tempo desses.

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