Não é um blog sobre cachorros e bikinis

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Aniversário de Bikini #1

3 de Junho de 2015. Naquela quarta-feira eu coloquei um sonho no ar. Foi naquele dia que a primeira postagem do Cachorros de Bikini foi publicada. O tempo foi passando, mais coisa foi sendo publicada e eu já estava achando uma pena não publicar um texto exatamente no dia do aniversário do blog. Aí eu olho no calendário e, graças à magia cabalística do ano bissexto, o 3 de Junho de 2016 caiu na sexta-feira…

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É engraçado pensar em como ter um blog mudou a minha vida. A responsabilidade de publicar alguma coisa três vezes na semana e a decisão de levar um projeto tão descompromissado com o máximo de seriedade acabaram transformando a minha rotina. A exemplo daqueles que vivem pra chegar na sexta-feira, os meus sete dias semanais se transformaram em três. Não é raro passar o fim de semana pensando no conto de segunda ou a terça-feira inteira pensando no texto de quarta. Preocupação com postagem que tá quase atrasando, tensão por um tema promissor estar virando um texto ruim e todos os malabarismos que eu fiz pra salvar esses textos. Tudo isso feito com a maior satisfação do mundo. Mas esse texto tá ficando muito sério. Hoje é dia de festa. Dia dos nossos queridos cachorros apagarem as velinhas e caírem com tudo pra cima do bolo.

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Um ano atrás eu escrevi “Bem Vindo ao Cachorros de Bikini”. 366 dias, 134 posts e dois hiatos depois eu me sinto exatamente do mesmo jeito. Eu ainda espero que ao entrar você deixe as coisas sérias da vida na porta e desfrute de um momento repleto das banalidades cotidianas e das coisas mais irrelevantes da vida. Ainda estamos longe de ser o melhor blog do universo, mas já somos o melhor blog com nome de caninos em roupas de banho que publica toda segunda, quarta e sexta e não tem o menor compromisso de falar sério ou de mudar a vida de ninguém. Parabéns, Cachorros de Bikini. Muitas felicidades, muitos anos de vida e todas aquelas coisas clichê que todo mundo deseja nos aniversários. Apague a vela e faça um desejo, mas não conte a ninguém ou não vai se realizar.

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Facebook de Bikini

Ontem aconteceu um dos eventos mais importantes da internet no ano de 2016. Na quinta-feira, 26 de Maio, entrou no ar a página do Cachorros de Bikini no Facebook.  A notícia, que contraria as projeções mais otimistas, pegou até os mais experientes das redes sociais desprevenidos. Foi algo tão inesperado que nem Zuckerberg viu essa chegando.

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    Quando eu comecei o blog eu sabia que em algum momento ele iria pras redes sociais. Compartilhar as postagens e pedir pros amigos fazerem o mesmo deu algum resultado, mas em algum momento isso precisaria passar para o próximo nível. Depois de procrastinar pra caramba planejar muito resolvi colocar o plano em prática. Consegui alguém pra fazer uma imagem de capa e foi só ela chegar que eu fiz a página. Só que nesse intervalo de tempo entre receber a ilustração da capa e colocar a página no ar eu notei uma parada muito importante: eu não sei mexer na bexiga do Facebook.

    Sem exagero nenhum, o máximo de coisa que eu já fiz na cria de Zuckerberg foi configurar a privacidade das postagens e só. Diante dessa informação não é difícil acreditar que eu não tenho a menor ideia do que eu estou fazendo. Toda a experiência em redes sociais que está no meu currículo se resume a curtir uma página e em um belo dia virar administrador dela, e isso já aconteceu umas três vezes. Em uma delas eu nem conheço o dono da página, acabei virando administrador só por que estava lá junto com a meia dúzia de pessoas que curtia a página no começo. A prova final da minha inaptidão pra isso foi a dificuldade de criar a maldita página.

    Criar páginas no Facebook é simples e intuitivo. Não é difícil de mexer, mas é praticamente impossível achar uma categoria certa pra sua página se seu site for um blog pessoal. Depois de rodar por todas elas acabei me conformando em colocar a página na categoria “Site”. Nem vou falar sobre o desastre que foi escolher o público alvo da página pra minimizar a vergonha que eu já estou passando.

    Pra terminar vou agradecer primeiramente ao pessoal da Quadro a Quadro que fez essa ilustração maravilhosa pra capa da página. Agradeço a todos os amigos que aceitaram o convite de deixar seu like na página, principalmente aos que estão fazendo campanha pra conseguir mais gente pra curtir a página, agradeço muito a você que nunca nem me viu e de alguma forma chegou aqui pra ler esse post, mas o maior agradecimento vai pra Mark Zuckerberg. Muito obrigado, Mark, sem você nada disso seria possível.

Maisa de Bikini

Uma das coisas mais legais de ter um site/blog ou derivado é justamente saber como as pessoas chegaram nas suas dependências internéticas. Quando eu olho as estatísticas do Cachorros de Bikini eu sempre presto atenção nas buscas que levam ao site. Algumas delas não tem nada demais, como por exemplo gente de fato procurando por cachorros em trajes de banho ou procurando por crônicas de temas específicos. Outras vezes aparece alguém procurando por coisas que não tem nada com nada, o exemplo mais recente disso foi alguém procurando por “quais os meses de sorte e de azar num ano e os piores do ano”. Mas até hoje a busca frequente mais estranha é “Maisa de Bikini”.

    Pra entender como isso começou precisamos voltar ao longínquo 24 de Julho de 2015. O Cachorros de Bikini não tinha nem dois meses de vida quando publicou naquela sexta-feira o texto Maisa Abandona a Infância. Desde aquele tempo não é raro aparecer alguém por aqui procurando por “Maisa de bikini”, “Maisa de biquine”, “Maisa Bikini” ou qualquer coisas desse tipo. Quando eu vi essas buscas aparecendo eu fiquei assim:

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Sério, qual a motivação que um ser humano racional teria pra procurar por Maisa de Bikini? Pare pra pensar juntamente comigo, caro leitor. Você está alegremente navegando na internet e não mais que de repente dá um estalo na sua cabeça e você pensa: “Deve ter fotos de Maisa de biquíni em algum lugar da internet”. Faz sentido? “Claro que não, Filipe, por que diabos eu vou querer ver imagens de Maisa em trajes de banho?”, concordo com você, não faz o MENOR SENTIDO alguém procurar por um negócio desses. Já tentei entender, já tentei achar o mínimo de lógica e propósito nessa busca. Busca essa tão infrutífera, que o povo vem bater aqui no Cachorros. Comparado com isso a busca por “quais os meses de sorte e de azar num ano e os piores do ano” fica bem menos absurdo. Afinal informações sobre sorte e azar são coisas com plena aplicação prática e normalmente atrelada a estudos empíricos de eventos que obedecem a certos padrões. Eu não acredito em nada disso, mas ainda me parece mais coerente do que procurar por Maisa de biquíni.

O texto de hoje não tem conclusão. O fato em si é suficiente pra me deixar sem palavras. Na falta de algo mais importante pra dizer fico só no bom dia/boa tarde/boa noite, fiquem com Deus e Maisa ama vocês.

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Conheça O Carro que Pula Corda

Em um dia qualquer dessa semana estava eu chegando à minha estação de trabalho. Sento na minha cadeira, olho pra tela de login do Windows e vejo que ele carregou o seguinte link: Conheça o carro que pula corda. Não, esse não é o link que eu vi no meu computador. mas depois de uma pesquisa que não passou da terceira página do Google minuciosa, e de ver que só tinha esse carro mesmo pulando corda na internet, escolhi o melhor link que eu consegui arrumar.

Antes de continuar faço uma pausa para você, caro leitor, entrar nesse link e assistir a mais essa joia da internet. “Filipe, preciso disso pra entender o resto desse texto?”. Não, não precisa, mas convenhamos, ainda é um carro pulando corda. Se mesmo assim você não quiser ver o vídeo, aqui vai um GIF hipnótico com os melhores momentos.

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Quando eu vi esse bendito carro pulando corda eu pensei “mas que bela bosta, hein?”. Imaginei que seria algo um pouco mais… Digamos… Interessante. Claro que eu não esperava muito, afinal eu demorei uns três dias pra ver o tal carro e só fiz isso pra poder escrever esse texto depois. Mas isso me levou a uma conclusão: quanto mais merda é o conteúdo, maior a chance de você clicar no maldito link. Só pra ver qual é.

O que mais se vê por aí são links com “você não vai acreditar”, “conheça aqui”, “confira o final impressionante dessa história” ou “como você nunca viu”. Inicialmente você ignora totalmente, depois para pra pensar se leu certo mesmo, volta pra ver. Nesse ponto a semente da curiosidade já está plantada no seu cérebro. Um momento de hesitação, a vontade irresistível, o clique fatídico e então… Decepção. Sim, decepção. A decepção é uma certeza por que sempre, ou pelo menos na esmagadora maioria das vezes, você foi apresentado a mais um conteúdo bem fezes da internet.

“Mas esse texto aqui também é um conteúdo bem mais ou menos”. Isso não deixa de ser verdade, mas devo lembrar que você não chegou aqui através de uma isca. Conteúdo ruim todo mundo consome, mas normalmente consumimos de forma voluntária, não somos obrigados a consumir, no máximo somos convencidos, mas normalmente não do jeito que eu fui convencido a assistir o vídeo do carro pulando corda.

Pensando bem, talvez eu devesse começar uma divulgação mais, digamos, provocativa. Talvez usar mais “você não vai acreditar” ou “ninguém esperava”, até mesmo um “dessa vez passamos dos limites”. Talvez isso facilite um pouco meu trabalho. É só fazer um link que deixe todo mundo curioso, entregar bem menos do que eu prometi e só sucesso. Se der certo é só engarrafar e vender… Parece bem promissor, talvez eu experimente qualquer dia.

72h (Ou Quase) Sem Whatsapp

Na última segunda-feira uma bomba atingiu as internets brasihueiras: um juiz decretou o bloqueio do Whatsapp por 72h. Nem preciso dizer que o ódio e o desespero se espalharam pela internet. Usuários, empresas, agências reguladoras manifestaram repúdio pela decisão da justiça. Até o jornal que passa antes da novela das nove dedicou alguns minutos pra falar do impacto que o  bloqueio do aplicativo causou na vida das pessoas. E ontem, que seria o ´segundo dia de bloqueio do Whatsapp, eu me deparo com a seguinte imagem.

    Sim, essa foi a capa da edição de terça-feira de um dos jornais de grande circulação em Pernambuco. Eu não poderia falar de outra coisa depois de um sinal tão claro do clamor do universo.

Ano passado já tinha rolado um bloqueio do Whatsapp. Lembro da comoção geral causada pela notícia. Assim como nessa semana, várias pessoas estavam quase entrando em depressão por causa da suspensão do serviço. Parecia mais que sem Whatsapp voltaríamos à idade da pedra. Mandando SMS e usando o telefone pra fazer ligações. Obviamente usar outros serviços mensageiros era encarado quase como uma derrota pessoal, uma gambiarra, quase um prêmio de consolação. Nesse momento eu paro pra pensar: como era a vida antes de todo mundo usar Whatsapp?

Como sempre a verdade está nas coisas menos sérias. No início da semana piadas como essa e essa aqui ilustraram bem alguns benefícios (fictícios ou não) da suspensão do nosso querido chat do ícone verdinho trouxe. Antes de Whatsapp ficar popular a dinâmica de conversar com os outros era um pouco diferente. Naquele tempo a internet móvel era meio capenga e todo mundo usava sms ou simplesmente ligava pros outros quando estava fora de casa ou longe de uma rede Wi-Fi aberta. Ninguém mandava foto por que mensagem MMS era muito cara. Ninguém mandava áudio, se era pra falar usando a voz todo mundo ligava. Os grupos de chat ficavam restritos a momentos em que o usuário estava sentado na frente de um computador.

Se pensarmos direito, todo esse desespero pelo bloqueio do Whatsapp rola pelo simples fato da maioria das pessoas não ter utilizado internet no celular sem ele. Pensar as coisas antigas de um jeito novo é meio tenso pro nosso cérebro preguiçoso de ser humano, e antes da gente pensar em se acostumar com as mudanças tá lá o vatezape funcionando de novo. E disso tudo eu só tiro uma lição: melhor mudar pro Telegram. Tem GIF, sticker de Dilma e ninguém bloqueia.

A Magia da Discussão Aleatória

Essa semana estava eu conversando com uns amigos pelo vatezape. Não faço a menor ideia do que estávamos debatendo no momento, mas em certo ponto da conversa, um dos presentes no chat coloca essa imagem.

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Um questionamento completamente inesperado e tão absurdo quanto legitimamente intrigante. Afinal, como seria a calça de um cachorro? Eu escolhi a opção 2 e pensei q todos os demais concordariam comigo e a vida seguiria, mas não foi isso que aconteceu. Um dos presentes discordou e o que começou como uma simples piada nonsense de internet, acabou virando uma extensa discussão sobre vestuário humano adaptado para cachorros. Naquele momento eu percebi algo sublime, tive um lampejo de percepção e notei o que estava realmente acontecendo. Estávamos lá argumentando seriamente sobre um assunto totalmente fora da realidade e que não teria nenhuma aplicação prática na nossa vida. Uma genuína discussão aleatória, uma das coisas mais maravilhosas da comunicação humana.

O debate é algo inerente ao ser humano. Tudo pode gerar uma discussão, seja ela acalorada ou não. Mas a magia mesmo está no debate sobre temas absurdos, lógicas por trás de obras fictícias, especulações sobre coisas que não tem como ser comprovadas ou que abordam um ponto de vista totalmente descabido sobre algum fato perfeitamente comum. Diante do cenário atual dos ambientes de interação, reais ou virtuais, uma discussão sem propósito nem fundamento é uma ilha de tranquilidade no meio de um mar revolto. É aí que fica a magia do negócio.

Por isso eu digo, caro leitor. Sempre que puder entre num debate sem sentido como esse. Levante temas aleatórios ou fatos absurdos só pra ajudar a promover o debate. Argumente, discuta, ouça e respeite a opinião dos outros, será um excelente treino pra quando o debate for sobre algo sério. Mas o motivo principal pra promover uma discussão aleatória é justamente eclipsar as discussões sérias. “Tá maluco, Filipe? Vou ficar me ludibriando com calça de cachorro enquanto o país tá pegando fogo?”, a resposta é não. Obviamente eu não estou pedindo pra você, querido leitor, esquecer das questões importantes da vida, nem pra parar de discuti-las com seus amiguinhos. Estou pedindo pra deixar elas de lado as vezes e simplesmente aproveitar as maravilhas dos absurdos da nossa vida. Não precisamos levar tudo tão a sério. 

Enquanto Meus Cachorros Dormiam

Abril foi um mês meio fraco nesse cantinho azulado da internet conhecido como Cachorros de Bikini. Graças a vários intempéries, contratempos, dificuldades e inconvenientes, o site passou quase o mês todo fora do ar. Não que isso seja um problema muito grande, afinal não estamos mudando a vida de ninguém por aqui e nem fazendo nada de real relevância para a humanidade, mas quando paro pra pensar vejo a quantidade de coisas que aconteceram e não foram comentadas por aqui.

Eu não gosto muito de escrever sobre os assuntos sérios, mas de uns tempos pra cá os nossos políticos estão de parabéns… Pensando bem esse assunto é tão absurdo que deixa de ser coisa séria, então estou autorizado por mim mesmo a comentar. Nos últimos tempos a nossa política está cada vez mais brasihueira. Inclusive devo ressaltar que nosso querido vice-presidente provavelmente é, levando em consideração apenas o seu talento para a zueira, o cara mais indicado pra dirigir esse país. Além de zueiro por natureza e o maior vazador de coisas inacreditáveis da história do planalto central,  ele é uma fonte inesgotável de zueira. Vide reportagens vintage que revistas “de visão” fazem sobre a vice-primeira dama. E obviamente temos uma menção honrosa a todos os nossos deputados federais que mostraram como é que se vota de verdade, inclusive fica a sugestão de que nas próximas eleições os eleitores tenham a opção de voto verbal, aberto e com direito a microfone.

Na categoria “Noticias Que Eu Vi, Mas Deixei Pra Comentar Depois” temos duas notícias que me deixaram simplesmente estupefato… Estupefato não é bem a palavra, mas creio que qualquer outro termo vai diminuir a importância das novas. A primeira delas não teve muita repercussão, mas me intrigou de uma maneira que não sei explicar: matemáticos descobrem um padrão inesperado nos números primos. Um padrão para os números primos? Meu mundo caiu, um dos fundamentos do universo conhecido foi derrubado. Infelizmente a análise de UM TRILHÃO de números primos gerou resultados ainda inconclusivos, mas ainda assim não é pouca merda é algo admirável. Continuem assim, matemáticos pesquisadores, precisamos de mais gente assim. A segunda notícia que eu deixei passar foi um fato que teve uma repercussão inacreditável. Estava em todos os sites de notícia, e o evento não foi só noticiado como todo o seu desenrolar teve uma cobertura massiva de vários meios de comunicação: Anitta fez preenchimento labial e deu ruim. Não, você não leu errado. Durante DIAS se falou dos beiços de Anitta em todo canto. Chegou ao ponto de conhecidos meus falarem coisas como “eu não aguento mais ver o beiço de Anitta em todo canto”. E com isso aprendemos, queridas crianças, que temos que ter cuidado quando formos brincar de plástica.

O maior prejuízo desses dias todos fora do ar foram todos os eventos simples e nem por isso menos extraordinários que não foram devidamente comentados nesse pálido ponto azul do firmamento da internet brasileira. Todo o espetáculo do evento comum de todo dia que deixou de ser aplaudido, todas as curiosidades que testemunhei nesses dias e que não serão registradas e eternizadas aqui. Uma lástima realmente, mas vida que segue, ainda tem muito cachorro de roupa de banho esperando a chance de aparecer por aqui.

No More Trouble

Essa semana foi tensa. Essa semana foi de torar em banda. Nossa classe política tocando fogo no país e a internet pegando fogo. Nesse momento praticamente todo mundo está brigando com alguém ou mostrando seu repúdio por alguma coisa. Deputado mandando beijo pra Xuxa, deputado se cuspindo, presidente #xatiada, dólar que cai subindo reportagem especial sobre a primeira dama do vice, reportagem especial falando mal da reportagem especial sobre a primeira dama da vice e mais um monte de coisa está gerando uma quantidade inacreditável de discussões world wide web a fora. Essas discussões estão gerando brigas diversas e ainda mais confusão. Pensando sobre isso tive um momento de iluminação.

Essa semana estava eu ouvindo reggae no carro. Tempos tão tumultuados pedem um pouco de positive vabration. E dentre os clássicos ouvidos naquele dia estava um dos maiores hinos compostos por Bob Marley. No More Trouble tem uma mensagem bem simples: a vida já tá difícil do jeito que é, não precisamos de mais problemas. A vida já anda muito complicada mas ainda tem gente que não se conforma com os problemas nossos de cada dia e se esforça de verdade pra arrumar mais.

Independente do que acontecer ainda vamos ter que levantar de manhã e cuidar das nossas coisas. As contas ainda vão vencer, o dinheiro ainda vai ficar curto, a gente ainda vai chegar atrasado por causa do trânsito, as crianças ainda vão precisar ir pra escola, o time ainda vai mal no campeonato, o calor vai continuar infernal, a chuva quando vier vai sair lascando tudo, você vai perder aquela promoção que tava esperando tem meses, a paciência vai faltar, a coragem também e daqui a pouco a internet também vai faltar. A vida vai continuar e o mal de cada dia vai estar lá pra gente resolver. Se não bastasse tudo isso e mais um monte de coisa, ainda tem os problemas que cada um faz questão de arrumar pra si mesmo.

Por essas e outras eu sigo a dica do meu pai. Pra toda possível treta, confusão, atrito e desentendimento ele sempre diz a mesma coisa: “EVITE”. Se depender de você, não arrume mais problemas. Eu não preciso de mais problema, provavelmente você também não, por isso deixe pra lá discussões que não vão a lugar nenhum, não arrume treta de graça com seu amiguinho e não esquente a cabeça com aquilo que não depende de você. E principalmente, não leve pro lado pessoal. O problema não é com você, é com todo o resto.

Esquecemos Nossas Raízes

Tenho observado duas coisas recentemente: o meu feed das redes sociais e o calendário. Os dias passando e os assuntos das redes sociais não mudam. Discussões acaloradas, manifestações políticas, piadinhas diversas, incontáveis memes, conversa vazada sem querer, conversa vazada de propósito, acusações de golpe, contra-golpe, reversal, combo breaker e tudo que se pode imaginar sobre a política do Brasil. Mas os dias continuavam a passar e nada do que eu esperava apareceu. Cheguei à conclusão de que esquecemos nossas raízes.

A internet é um lugar maravilhoso. Lugar este que é movido pela raiva e amor de seus usuários e regido pelo calendário. Regência essa que me fez estranhar o que ocorreu esse ano. A páscoa está chegando e, como em todas as datas de igual magnitude, a internet começa a reagir. As mesmas piadas, as mesmas reclamações, piadas novas satirizando piadas dos anos anteriores e coisas do tipo. Mas o suprassumo da época é tudo que envolve o objeto máximo dessa data, a internet se enche de gente falando sobre ovo de páscoa.

Receita de ovo, preço de ovo, comparativo entre o peso/preço da barra e o peso/preço dos ovos. Nessa época a internet costumava encher o saco de tanto que se falava de ovo de páscoa. Mas eis que no ano da Graça de Nosso de Senhor de 2016 um cataclísma político cai sobre a internet brasileira. Uma catástrofe tão grande que, além de jogar irmão contra irmão, pai contra filho, destruir amizade  e promover um cancelamento em massa de assinaturas no Facebook, nos causou um mal do qual talvez não nos recuperemos. Ignoramos totalmente nossas raízes e interrompemos um rito tão tradicional da internet. Diante de nós uma tradição tão forte deu os primeiros sinais de desaparecimento.

Eu nunca compartilhei uma notícia sequer de sobre ovo de páscoa. Nunca divulguei um comparativo que mostrava as vantagens de consumir chocolates apenas em barra. Não fiz nada disso. Fico pensando se eu não colaborei para a internet esquecer suas raízes. Se minha indiferença em relação ao chocolate ovalado não foi uma contribuição para a perda de tão sublime tradição. Agora não vale mais pensar sobre isso, o mal já está feito, só me resta acreditar que os antigos mestres da tradição não vão deixar esse rito tão antigo desaparecer de nossas redes.

Contos de Segunda #37

Fernanda estava com um humor péssimo. O papagaio do vizinho começou a gritaria às quatro da manhã, exatamente três horas antes do despertador de Fernanda tocar. O maldito papagaio costumava fazer esse tipo de coisa, mas nunca tão cedo. Depois de falhar miseravelmente em voltar a dormir Fernanda resolveu antecipar sua corrida noturna. Chegou na rua, ligou a música e colocou os fones de ouvido. Depois de quinhentos metros a música parou. O player ainda reproduzia a música, mas nada de som. Ela experimentou tirar o fone, a música voltou. Ao colocar o fone novamente a música parou. Depois de algumas tentativas Fernanda desistiu, o fone de ouvido só funcionava com o rádio e o jeito foi correr ouvindo o noticiário policial com as noticias da madrugada.

    Depois da corrida desastrosa não foi difícil chegar cedo no trabalho. Ela ligou o computador e conectou os fones de ouvido. Aparentemente eles estavam funcionando perfeitamente. O dia prometia ser tranquilo e sem muitos aborrecimentos. Tudo que Fernanda precisava fazer era não tirar os fones do ouvido. Ela tinha começado recentemente no emprego e um dos seus colegas de sala produzia inúmeros barulhos praticamente insuportáveis. O teclado fazia muito barulho, o scroll do mouse rangia, as rodinhas da cadeira arrastavam no piso e ele tinha um pigarro eterno. Mas tudo isso era barrado, ou pelo menos minimizado, pela ação do fone de ouvido e pela biblioteca de música praticamente infinita do serviço de streaming. Era só carregar a página de um artista ou banda com uma discografia grande, fazer a lista de reprodução e tudo ficaria bem… Mas não ficou.

    “Erro Tente Novamente Mais Tarde”. Foi o que apareceu na tela quando ela tentou acessar a página de um artista. Tentou com outro, mais um, uma banda. “Erro Tente Novamente Mais Tarde”. O sangue de Fernanda começou a esquentar, de repente os 14,90 que ela pagava na assinatura do serviço pareceram uma quantia exorbitante. Tentou o player web, depois pelo aplicativo do celular. “Erro Tente Novamente Mais Tarde”. O colega barulhento chegou mascando chiclete, da forma mais ruidosa e babada que um ser humano poderia mascar um chiclete. Fernanda já estava trincando os dentes, mas antes de perder completamente a calma ela se conformou em passar o dia ouvindo rádio. Como todas as rádios legais da internet eram bloqueadas pelo servidor, ela teve que se conformar com as rádios FM’s normais, com todas aquelas músicas repetidas e intervalos comerciais sem fim.

    Chegou em casa cedo desejando comer e dormir. Depois de comer um pedaço da lasanha do almoço de domingo ela estava pronta pra cair na cama… Quando o papagaio começou a gritar. Uma, duas, três horas. Já passava das 22h e o papagaio ainda berrava. Fernanda decidiu agir. Pegou uma faca, colocou entre os dentes, saiu pela janela da área de serviço, escalou um pedaço da fachada, cortou a tela de proteção e entrou na área de serviço do vizinho, lá ela encontrou o papagaio. Ela olhou furiosa para a ave tresloucada. Os gritos aumentaram. Ela pegou o bicho pelo pescoço e desceu a faca em um golpe vertical… Arrebentando a corrente que prendia o papagaio no poleiro. Ela levou o bicho seguro pelo pescoço até o quarto onde o vizinho dormia com sua esposa. Abriu a porta, jogou o papagaio dentro, fechou a porta e habilmente usou a faca para inutilizar a fechadura. Voltou para a área de serviço, desceu um pedaço da fachada até chegar em casa. Caiu na cama e dormiu bem como jamais dormiria outra vez na vida.

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