Não é um blog sobre cachorros e bikinis

Categoria: Crônicas e Similares Page 19 of 21

A História de Todas as Coisas

Outro dia estava eu caminhando pelo Centro do Recife quando escuto uma menina falando alto pra amiga que estava com ela a seguinte frase: “Aquilo é um sofá?”. Ela se referia a um corpo estranho que estava meio submerso no rio Capibaribe. O fato do corpo estranho de fato ser um sofá fez minha imaginação começar a trabalhar. Não custou muito para que eu chegasse a conclusão de que a história daquele sofá talvez fosse bem interessante. Logo depois eu pensei: Seria muito legal conhecer a história de todas as coisas.

Tudo que compramos ou ganhamos sempre trilha um caminho muito longo para chegar até nós. Depois que começamos a usa-los eles começam uma jornada ainda maior, nos acompanhando em vários lugares e vivendo junto conosco toda sorte de experiências boas ou ruins, banais ou extraordinárias. Se nós temos muita coisa pra contar, não é difícil conceber que os objetos que nos cercam também teriam.

Imagine se aquele seu sapato surrado, aquele chinelo velho ou aquela camisa de estimação pudessem contar todas as coisas pelas quais elas passaram. Como seria ouvir uma parte da sua própria história sob a perspectiva de uma calça jeans? Quantas histórias não tem aquele fusca todo conservado que passou por você outro dia ou uma nota de 10 reais.

Fico pensando em todos os lugares que uma câmera fotográfica já teve o prazer de registrar, em quanto já viu um simples par de óculos ou em quantos filmes já viu uma poltrona de cinema… Ou simplesmente no caminho que trilhou o sofá até seu destino final: o Rio Capibaribe. Se ele pudesse me contar talvez fosse legal de ouvir, mas infelizmente não tem como conversar com um sofá sem estar louco.

Dia dos Pais

No último domingo, também conhecido como dia 9 de Agosto ou segundo domingo de Agosto, foi comemorado o dia dos pais. Um dia bem movimentado que gera comoção dentro e fora das redes sociais, agita o comércio e mexe com o coração de pais e filhos. Diante disso fico um pouco receoso ao afirmar que, na pratica, o Dia dos Pais é que nem o Dia das Mães… Só que da segunda divisão.

Antes de continuar quero deixar claro que não estou afirmando que as mães são melhores que os pais. O raciocínio que será desenvolvido nas próximas linhas leva em consideração apenas os eventos, rituais, práticas e coisas parecidas que estão relacionadas com a data em questão.

Para os pais o Dia dos Pais funciona quase como o natal. O presente preferencial dos filhos é alguma roupa ou calçado, normalmente essa escolha é influenciada por uma frase bem simples: “Teu pai tá precisando de (Insira a Peça de Roupa/Calçado Aqui)”. Não estou dizendo que a mãe solta essa frase com intenção de sabotar o presente, mas é sabido que em muitos lares a mulher tem um inventário de todas as necessidades de vestuário dos demais membros da família. Comparando esses presentes com os presentes clássicos do Dia das Mães temos a ala feminina abrindo uma boa vantagem.

Além dos presentes temos o tamanho das homenagens. Um exemplo disso foi uma campanha feita por uma marca multinacional no ano dos Jogos Olímpicos de Londres. A ideia da campanha era mostrar a vida de atletas fictícios desde a infância até a idade de competir nos Jogos, mas sempre com o foco nas mães. A campanha durou alguns meses. Se o exemplo anterior não te convenceu, vou dar o exemplo de um fato que aconteceu com um tio meu. No Dia das Mães a escola em que o filho dele estudava promoveu um café da manhã com as mães, elas foram na escola e tudo mais. No Dia dos Pais meu tio ganhou uma gravata de papel.

Pra finalizar retomo ao paralelo que fiz no inicio do texto com a segunda divisão. Normalmente os times da segunda divisão não tem as maiores estrelas, os jogos são em horários estranhos e muitas vezes nem passam na televisão. Apesar de tudo isso o torcedor não abandona o time, veste sua camisa com orgulho, comemora cada vitória e sofre com cada derrota, mas acima de tudo ele torce pelo seu time do coração.

Saudade

Muitos falam de como as coisas mudaram de uns tempos pra cá. De como a internet mudou a forma como as pessoas se relacionam e se comunicam. Muita gente reclama que não existe mais conversa ao vivo, privacidade entre outras coisas que todos estão cansados de ouvir. Não discordo de nada disso, mas isso não é o que mais me incomoda. Hoje em dia o que existe na internet é a ausência de algo que eu tenho muita saudade: o meio termo.

Em uma época em que haters e fanboys e derivados estão espreitando em cada esquina da rede infernal de computadores eu me pego cercado por gente que se diz moderna e cabeça aberta com posições tão radicais (ainda que radicais de uma maneira moderna) quanto os classificados como conservadores.

Antes que você, caro leitor, me deixe falando sozinho pensando que vou começar a falar sobre inclusão de minorias, deputados polêmicos, personagens de novela ou sobre o Big Brother saiba que falarei sobre coisas bestas que servem pra ilustrar bem o que estou tentando dizer..

Do que eu sinto saudade não é da tolerância das pessoas, muito menos da falta de ódio nos comentários. Eu sinto falta da nota 5. Sinto falta da dúvida entre o “gostei” e o “não gostei”, de gente em cima do muro ou da simples indiferença. O povo de hoje está mais 8 ou 80 do que nunca. Não existe mais o “gostei, mas não é nada demais” ou “achei massa”, a internet adoeceu e ficou bipolar. Os haters odeiam com a mesma força que os fanboys amam, sempre foi desse jeito, mas hoje qualquer um que não seja um ou outro acaba tomando um dos lados, por que é assim que todo mundo pensa agora.

O público nunca foi tão rígido, intolerante ou apaixonado como é hoje. E nessa onda aqueles que produzem conteúdo precisam lidar não só com o seu público, mas também com os “críticos” de plantão que tem prazer em jogar terra em qualquer coisa que não agrade. As pessoas nunca foram tão desmerecidas por causa de seus gostos ou atacadas por suas opiniões

Por isso apelo humildemente que pratiquem o meio termo. Baixem as expectativas e esqueçam alguns critérios. Guardem o amor pras coisas que realmente importam e esqueçam o ódio, esse nunca fez bem seja com ou sem motivo. Tentem assistir, ler ou escutar alguma coisa sem fazer comparações ou dar notas. Assista por assistir, leia pra passar o tempo e escute alguma coisa só pra se distrair. Afinal, entretenimento é pra entreter e não pra começar a próxima guerra.

Aila e Ayla

Outro dia estava eu conversando com uma amiga. Em dado momento ela me manda a seguinte mensagem “Vou lá em Aila hj”. Imediatamente eu me lembrei desse video, a cena de apresentação de Ayla, personagem de um jogo relativamente antigo. Obviamente eu não podia perder a oportunidade de fazer uma graça com essa coincidência. Joguei uma imagem da personagem do jogo na conversa e fiz um resumo de quem era a sujeita. Em resposta minha amiga mandou um “hahahahah” seguido de um “Vou mostrar essa conversa a ela”. Naquele momento eu não fazia ideia do que tinha acabado de fazer.

Deixando de lado toda a roupagem fantasiosa do jogo e se concentrando na essência do personagem, podemos dizer que Ayla é uma mulher forte, independente, corajosa e que contribui de forma relevante para a sociedade onde vive. Eu não conheço Aila, da mesma forma que não conhecia quando fiz a brincadeira com o nome dela e o da personagem do jogo, mas pouco tempo depois descobri que ela vem passando por uma fase complicada da vida. Assim como muitas pessoas de verdade ela vem enfrentando problemas bem reais. Não cabe a mim dizer quais são esses problemas, mas de alguma forma apresentar as duas, a personagem e a pessoa de verdade, conseguiu produzir um efeito positivo. Pelo menos eu gosto de pensar dessa forma.

Não sei qual o corte do cabelo de Aila, se ela usa um porrete, se usa roupas feitas de pele ou se ela luta contra inimigos reptilianos em um mundo pré-histórico. Eu sei que ela tem enfrentado um inimigo bem mais assustador, inimigo esse que ainda não conseguiu vencer. Apesar disso sei que Aila provavelmente tem força e coragem suficientes pra deixar Ayla com inveja. Particularmente alimento a ilusão de que ao apresentar as duas eu tenha lembrado Aila de que ela é tão forte quanto Ayla. Se eu estiver enganado… Pelo menos valeu a pena fazer a pessoa de verdade conhecer alguém legal que carrega o mesmo nome dela, alguém que provavelmente ela nunca conheceria.

Quase

Acho que não existe nada mais desesperador do que o Quase. Não falo daqueles que usamos quando uma coisa não aconteceu por pouco. O Quase que consegue ser o verdadeiro vilão da história é aquele que usamos em frases como “Quase lá”, “Quase terminando” ou “Quase acabando”. Esse é o verdadeiro vilão da história.

A espera é um dos piores males que afligem o ser humano. Mas a pior de todas as esperas, aquela que consegue fritar os nervos de qualquer super-homem e faz até o homem mais frio arrancar seus cabelos de nervosismo, é aquela que dura alguns instantes, menos que alguns segundos. A espera do Quase.

O Quase é o suspense da vida real. Maior do que qualquer coisa que o cinema já ousou produzir. Inclusive os suspenses do cinema são responsáveis por boa parte das nossas agonias do mundo real. Acho impossível que exista uma pessoa que nunca ficou com pelo menos uma ponta de ansiedade ao ver uma cena de tensão no cinema, daquelas que a vítima desavisada não vê o assassino/zumbi/monstro/demônio que se aproxima silenciosamente. Onde o pobre espectador no alto de seu nervosismo, impotente diante do que está na tela, deseja ardentemente que o pobre personagem seja logo exterminado e a tensão diminua.

Mas os piores suspenses estão nas coisas mais simples da vida. Basta lembrar dos minutos que antecedem o final daquela aula no último horário ou da ligação que demora a ser atendida. Pequenas partes do circulo das horas que mais parecem horas inteiras. Momentos em que até a batida das asas de um beija-flor passa em câmera lenta diante dos nossos olhos.

O elevador que não chega, o sinal que não abre, o arquivo que não sobe, o download que não termina. O expediente que não encerra, o computador que não sai da tela de “Bem Vindo”, os 5 segundos de propaganda que o youtube te obriga a assistir antes dos vídeos e tantas outras coisas que fritam nossos juízos e consomem a nossa paciência… Inclusive, depois de tanto falar dessas coisas e com o texto quase no fim, decidi abreviar o final e reduzir a tensão do momento terminando tudo da forma mais brusca possível.

Dia de Chuva

Dia cinza, preguiça inexplicável e perda da noção das horas. Na maioria dos casos esses e alguns outros fatores são fortes indicadores de que o dia é um Dia de Chuva. A Chuva é uma coisa que está presente na vida de uma porção considerável da humanidade. Mas o efeito de um chuvisco passageiro ou de um toró inesperado não chega nem perto do ambiente criado por um dia dedicado única e exclusivamente à Chuva.

Em um Dia de Chuva especialmente cinza saí do meu local de trabalho e fui à farmácia  comprar um sorvete de casquinha e enquanto pagava conversei ligeiramente com a moça do balcão. Em meio a uma conversa inacreditavelmente banal sobre o tempo, que durou apenas o tempo que a maquineta levou para realizar a operação do cartão de débito, a moça em questão me revelou a vontade nula de fazer algo diferente de dormir naquele dia feioso de quarta-feira. Depois dessa declaração sincera voltei para o escritório e enquanto tomava meu sorvete matutei sobre os efeitos da chuva.

A primeira coisa que brotou do meu pensamento foi justamente o fato de que desde as nove horas da manhã parecia ser cinco horas da tarde. Hora esta que é extremamente safada por ser perigosamente próxima do final do horário de trabalho. Normalmente o ritmo de trabalho cai progressivamente a partir das cinco horas, atingindo seu ponto mais baixo poucos minutos antes do fim do horário de trabalho. Não é difícil imaginar os efeitos negativos que um dia inteiro com cara de fim de tarde pode fazer.

Mas tudo piora quando começa a chover realmente. O barulho da chuva começa a amaciar o sujeito, que fica ligeiramente sonolento. Aos poucos a temperatura baixa e a umidade do ar começa a subir, nesse ponto o pobre ser humano já está sonhando com a sua cama, que nesse momento desperta mais saudade do que todas as lembranças boas da infância juntas. Esse desejo de retorno ao leito só aumenta ao longo do dia, porém ao se aproximar o término do expediente começa a ser substituído pelo medo de voltar pra casa debaixo de chuva, com o bônus de um transito ruim devido à quantidade de água que cai do céu.

Eu normalmente encaro bem Dia de Chuva, principalmente se as minhas meias estiverem secas. O meu desejo pela minha cama é bem moderado, mas a preguiça ainda se manifesta caso eu tenha uma janela na minha frente.

Mas de todas essas coisas os únicos culpados são nossos ancestrais. Que no tempo da pedra lascada não faziam mais nada em Dia de Chuva do que esperar parar de chover… Chego a conclusão que esperto era o homem da caverna que quando chovia decretava feriado.

Maisa Abandona a Infância

Outro dia eu estava na página de notícias que eu visito automaticamente toda vez que eu saio do meu email. Normalmente eu só dou uma olhada nas manchetes, algumas vezes elas são melhores do que as próprias noticias, sendo as noticias sobre famosos as que possuem as melhores dentre as melhores manchetes, principalmente por elas não serem 100% condizentes com o conteúdo das matérias. Eu estou fazendo essa volta enorme só pra dizer que eu estava de bobeira nesse site quando eu vi uma chamada que dizia “Maisa Abandona a Infância”.

Se você leu a matéria deve ter percebido que ela não fala de nenhum abandono da infância de ninguém, muito menos da infância de Maisa. Lembro de ter imaginado como seria uma cena de abandono de infância. Diante do absurdo da cena, percebi que não rola de abandonar a infância.

Crescer demora. Mesmo que passemos a menor parte da nossa vida crescendo, não é uma parada que acontece do dia pra noite, a menos que você seja um personagem de filme da Disney ou um Pokémon. A infância também não é algo que você consegue abandonar, pelo menos não como sugeria a chamada da matéria. Não é como se você pudesse dizer “Já deu, Infância, cansei de você, considere-se abandonada”.

Infância é etapa, pedaço da vida, caminho. Não é algo que você carrega, é o primeiro lugar onde encontramos coisas que valem a pena ser carregadas por toda a vida. Só somos adultos hoje por que antes fomos crianças. Inexperientes, inaptos, infantes. Por mais que alguns queiram esquecer, é impossível não lembrar quando olhamos pra trás. Sem isso seriamos como árvores sem raízes, não teríamos de onde tirar forças para continuar crescendo.

Dia do Amigo

Na ultima segunda-feira, também conhecida como 20 de Julho, foi comemorado o Dia do Amigo. Talvez essa seja uma das datas com a maior disparidade entre o impacto que ela causa dentro e o que causa fora da internet. Isso por que, até onde eu lembro, antes do boom das redes sociais ninguém falava do Dia do Amigo. Por causa disso eu considero válido dizer que hoje esse dia é celebrado graças ao Orkut.

Provavelmente você, caro leitor, tem idade suficiente para se lembrar do Orkut, um dos maiores fenômenos da internet (pelo menos no Brasil) de todos os tempos. Apesar de ninguém ligar mais pro coitado, sua desativação causou uma grande comoção. Eu lembro que na época muita gente corria atrás de aumentar a sua lista de amigos, tanto que atingir a marca de 1000 amigos, e consequentemente não poder adicionar mais ninguém, era motivo de ostentação. Dentro de um ambiente como esse não é difícil acreditar que o Dia do Amigo fosse genuinamente celebrado.

A verdade é que o finado Orkut mudou um pouco a forma de como lidamos com a amizade. Aos poucos fomos acostumados a quantificar nossos amigos, a elevar os conhecidos ao patamar de amigos e  a transformar nossa lista de contatos em uma espécie de galeria de todos que conhecemos. Porém, devido às limitações desse sistema, fomos obrigados a chamar todos os conhecidos, os colegas de trabalho, do curso de inglês, aquele primo que não te vê há 10 anos, ou aquele cara que estudou com você na terceira série de amigos. Provavelmente seja por isso que o Dia do Amigo continua sendo uma data tão celebrada nos ambientes sociais virtuais.

Apesar de não dar tanta bola pro Dia do Amigo, fico pensando aqui com meus botões se futuramente as relações de amizade serão tão rasas quanto essas redes sociais fazem parecer. Se a frase “Vocês são amigos agora” que o Facebook exibe a cada pessoa adicionada à minha lista continuará tão absurda aos meus olhos quanto sempre foi. Se as pessoas vão precisar de uma frase automática do sistema pra saber se alguém se tornou um amigo.

Dia do Homem

Na ultima quarta-feira, também conhecida como 15 de Julho foi “comemorado” o Dia do Homem. Eu até poderia explicar o que me levou a colocar entre aspas o “comemorado”, mas um pensamento recorrente nubla minha cabeça e me impede de raciocinar o suficiente para construir meu argumento: Dia do Homem? Sério isso? Tem um Dia do Homem?

Eu não sou feminista, mas tenho a ligeira impressão de que uma data como essa só faria sentido se nossa sociedade fosse dominada por seres extraterrestres e o homem e a mulher ocupassem exatamente o mesmo papel na sociedade humana escravizada pelos aliens. Mas os alienígenas ainda não chegaram e nós ainda vivemos numa sociedade patriarcal que tem uma cultura muito sexista. Na minha cabeça ter um dia pra quem sempre ditou as regras do jogo não tem muita lógica.

Segundo as informações levantadas por mim através de uma pesquisa muito rasa feita em dois ou três links do Google, esse dia serve pra celebrar as contribuições que os homens deram à sociedade, provavelmente por que tudo que conhecemos foi feito pelo macaco conscientizar o homem sobre os cuidados com a sua própria saúde, já que homem não liga de ir pra médico, algumas outras bobagens e para lutar pelo direito dos homens. Essa última parte é tão nada a ver que não cabe nem comentar. Espero que eles estejam falando da licença paternidade que os homens tem em alguns países.

Mas a parte mais legal do Dia do Homem é o fato de ninguém dar a mínima importância pro Dia do Homem. Até o Dia do Amigo, que só ganhou projeção por causa do Orkut, parece mais coerente do que o Dia do Homem. Inclusive não creio que exista um ser humano que não tenha achado estranho a existência do Dia do Homem. Inclusive eu duvido muito que seja uma data conhecida por uma parcela grande da população. Por isso acho justo que comecemos a celebrar todos os dias que são sumariamente ignorados. Hoje, por exemplo, é 17 de Julho, Dia do Protetor das Florestas, que celebra a obra de grandes protetores da floresta como Chico Mendes, Dorothy Stang e o Curupira (sim, ele mesmo). Inclusive eu acho que esse dia é bem mais relevante que o Dia do Homem. Também é aniversário de David Hasselhoff e aniversário do falecimento de Billie Holiday, que eu não sabia que era mulher até um tempo desse. Nesse mesmo dia foi assassinado, juntamente com sua familia, o último czar da Rússia, Nikolai Romanov.

Ideias

Escrever é uma coisa interessante, pelo menos pra mim. Eu normalmente escrevo contos e outras coisas como este texto que você, querido leitor, está lendo nesse momento. Eu não escrevo contos por ter uma boa estória pra contar. Também não escrevo textos como este por ter algum pensamento ou reflexão genial pra dividir com os que me lêem. Não. Existe um motivo puro e simples que me leva a sentar, algumas vezes por horas, na frente de um computador e exercitar meus dedos no teclado: as ideias precisam sair.
Eu gostaria de ter algum processo criativo exótico ou inusitado. Não tenho. O que acontece comigo não tem nenhum mistério: eu tenho uma ideia e essa ideia me incomoda até ser colocada no papel. Normalmente as ideias crescem e amadurecem um pouco antes de seguirem para o papel, mas elas me incomodam desde o nascimento.
Quando eu comecei a escrever sobre assuntos aleatórios, coisas sem a mínima relevância ou aplicação prática, uma ideia que não para de me incomodar, decidi fazer uma lista de ideias para futuros textos. Tive algumas e as coloquei no papel. Assim como a minha lista de ideias para futuros contos, a lista de futuras crônicas não passou de uma lista. Percebi por fim que essas listas nada mais são que uma detenção para minhas queridas ideias. Como eu disse, elas incomodam até irem pro papel, depois disso ficam quietinhas. Agem como se estivessem felizes por viver em um lugar mais tranquilo do que a minha cabeça. Talvez as listas sejam um pouco mais confortáveis do que um ambiente de pensamentos caóticos.
Mas qual o motivo que me levou a ter a ideia pra esse texto?
A resposta é simples: na época em que a versão original dele foi escrita, dois meses haviam se passado e eu não tinha escrito nada. Consequência do tempo empregado em colocar uma certa ideia no papel. Dei vida a mais um personagem, contei sua história e gastei boas horas escrevendo sobre ele… E também gastei várias ideias nessa brincadeira. O resultado disso é que passei muito tempo sem ter sobre o que escrever. Nunca antes havia trabalhado em um personagem que me absorveu tanto. Tanto que não conseguia pensar em escrever mais nada. Não sei se minhas pobre ideias ficaram enciumadas e resolveram tirar férias ou se minha mente entrou de recesso. Mas lembro que foi um período de produção inexistente, mas naquele tempo eu não precisava tanto produzir. Ao contrário de hoje. Por isso faço um convite para as ideias que me abandonaram e para aquelas que ainda não vieram: Venham, podem vir. Sou todo de vocês. Preciso de vocês mais do que nunca

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