Não é um blog sobre cachorros e bikinis

Categoria: Crônicas e Similares Page 18 of 21

Estamos Todos Atrasados

Lembro muito bem de ter ouvido essa frase várias vezes ao longo do segundo ano do meu ensino médio. “Estamos todos atrasados”, era a primeira coisa que o meu professor de português falava ao entrar na sala. Não me recordo se em algum momento realmente estivemos atrasados, também tenho a impressão de que o professor sempre entrava um minutinho depois do horário da aula começar, mas uma coisa que eu sei é que a sensação de estar atrasado volta e meia está presente na minha vida.

Talvez essa afirmação pareça estranha, mas não é incomum sentir que comecei algo depois do tempo, principalmente quando existe um prazo muito curto a ser cumprido. Também tem aqueles momentos em que, depois de pensar que estava tudo adiantado, você cai na real e nota que o atraso já está do tamanho de um mamute. Normalmente acontece quando trocamos o dia da entrega de algum trabalho, esquecemos um compromisso ou estamos com o relógio atrasado. Vale lembrar também que muitas vezes operamos no limite do cronograma, onde qualquer imprevisto nos faz atrasar. Esse ultimo tipo é o que normalmente nos faz arrancar os cabelos, que faz um calafrio subir quando olhamos pro relógio e que testa ao máximo os músculos cardíacos.

Independente do motivo se sentir atrasado, estando ou não atrasado, é uma sensação extremamente incômoda, tanto que o medo de se atrasar acaba gerando boa parte do nosso stress diário. Pensando nisso acabo me lembrando de algumas pessoas que parecem imunes aos efeitos nefastos do atraso. Como não consigo ser assim acabei escrevendo esse texto, não só para compartilhar um pouco da minha aflição, mas também pra aproveitar que o texto dessa sexta está atrasado e usar isso como fonte de inspiração.

Som, Ritmo e Tempo

Essa semana quando estava pra colocar o pé na rua resolvi dispensar os fones de ouvido e ouvir com atenção os sons de tudo ao meu redor. De fato prestar atenção em todo e qualquer ruído que me cercava foi uma experiência interessante, mas que durou apenas um ou dois minutos, tempo suficiente pra cabeça começar a fervilhar.

Por causa das minhas afinidades musicais acabei ficando um pouco obsessivo por ritmo. O ritmo é algo muito natural, ele está em todo lugar. As batidas do coração, nossos passos, respiração, fala e muitas coisas mais possuem ritmo próprio. Foi pensando nos sons e nos ritmos que comecei a pensar sobre o tempo. Inicialmente pensando na conotação musical da palavra, ainda com um pouco da matemática da música na cabeça, mas logo a mente deu um freio. Literalmente ela “parou no tempo”.

Fico pensando se já tive vontade de falar sobre isso em algum texto. Tempo. Muito provavelmente a medida mais abstrata que o ser humano já inventou. De todas as coisas relativas o tempo é a maior de todas. Não só por percebermos esse nobre senhor de formas diferentes, mas de fato o tempo não passa igual pra todo mundo.

Todo mundo conhece uma pessoa que não mudou nada nos últimos tempos ou aquela pessoa que mudou demais. Gente que parece estacionado na linha cronológica, que continua o mesmo por fora, por dentro ou as duas coisas. Isso nos parece ainda mais absurdo diante da loucura atual do calendário, que parece mais ter tomado um comprimido de ecstasy junto com energético e entrou em um frenesi nunca antes visto na história desse nosso universo.

Não lembro quando o mundo começou a girar tão rápido (provavelmente em 2013, o ano mais rápido desse século), também não sei quando percebi a preciosidade do tempo e comecei a escolher a dedo como desperdiçaria meu tempo. Tão raro que é melhor terminar logo esse texto pra economizar um pouco do meu e do seu tempo.

Equalize

Há um tempo atrás peguei uma carona e, pra minha surpresa, começou a tocar uma musica de Pitty no rádio, mais especificamente Equalize. Confesso que nunca fui admirador da famigerada roqueira baiana, mas muitas das coisas que te jogam pro passado não são necessariamente as que você  gosta, são as que estavam lá quando o passado ainda era presente.

Essa música me jogou pra quase 10 atrás. Quando eu passava a tarde assistindo Mtv com o meu, até então inseparável, irmão. Naquele tempo eu sabia ainda menos coisas da vida do que o pouco que sei hoje, principalmente as que eu gostaria de nunca ter sabido, não ganhava dinheiro algum e me orgulhava de ir muito bem na escola.

Mas coisas mudaram, mudaram muito. Os anos foram rápidos e as mudanças não ficaram muito atrás. Aprendi muito mais do que eu fingia saber, tive algumas poucas conquistas e consegui muito do que eu queria. Olho pros livros na prateleira e lembro do tempo que tudo o que eu lia era emprestado, quando fui fazer o ensino médio no Recife e conheci muitos dos amigos que tenho até hoje. Quando eu comecei a realmente ouvir música e ainda cogitava terminar de escrever o livro que eu tinha começado aos onze anos, pouco antes de ficar sem escrever por alguns anos.

Antes da explosão dos filmes em 3d e das TV’s HD, antes de tudo poder ser curtido e compartilhado e os programas do domingo não usarem os Trending Topics como base pras suas pautas. Quando o Faustão era gordo e o Gugu parecia que nunca ia sair do SBT. Entrar na internet fazia barulho e todo mundo conversava pelo MSN. O salário mínimo era ainda mais mínimo e dava pra comprar cartão telefônico em qualquer esquina, ainda existiam notas de um real e estudante usava Passe Fácil no ônibus.

Tempos bons que não voltam, e é melhor que não voltem. Antes que eu pareça contraditório me deixe explicar: por melhor que o passado tenha sido precisamos dele lá, onde sabemos que ele está, seguro em um lugar que ninguém além de nós mesmos pode alcançar. “Passado é propulsão” já dizia a música, justamente por que aquilo que deixamos pra trás é o que nos ajuda a caminhar sempre pra frente.

Meus Problemas com Barba

Há mais ou menos dois anos já estava formado o embrião que se tornaria o Cachorros de Bikini. Naquela época eu escrevi alguns dos textos publicados nos últimos meses, alguns dos que ainda serão publicados e outros que nunca virão a público. Dentre os componentes desse último grupo está um texto com o sugestivo título de “Barba”.

Recentemente resolvi deixar os pelos da face crescerem a vontade, por isso publicar um texto da reserva com essa temática me pareceu uma boa ideia, mas alguma coisa me fez desistir. Puxei pela memória e percebi que o tempo afastou aquelas palavras de mim. Minha voz não estava mais naquele texto, pelo menos não como eu a escuto hoje, e isso me levou a refletir. O que mudou ao longo desse tempo?

Muito provavelmente a maioria das coisas continua no mesmo lugar, mas talvez eu tenha mudado ou mudado a minha relação com a minha barba. Quem sabe a qualidade do texto me pareça menor do que antes ou simplesmente o tema não me interesse como interessou na época. Será que no futuro olharei para meus cachorros publicados e pensarei a mesma coisa?

Foram só dois anos (na verdade um pouco menos), mas foi o suficiente para que alguma coisa mudasse e provavelmente as coisas continuarão mudando. Fico pensando se isso foi só o começo de uma mudança maior ou de uma mudança na ótica pela qual eu enxergo minha produção recente. Talvez em algum momento eu olhe para os cachorros que habitam nesse humilde sitio e perceba que as roupas de banho que eles usam estão fora de moda. Provavelmente algo desse tipo nunca vai acontecer, afinal estamos no Brasil e por aqui bikini nunca saiu de moda. Sem contar que sungas, maiôs e tanguinhas não me parecem trajes adequados para os meus cachorros.

Solidão

Muitas vezes nos deparamos com uma situação bastante singular em nossas vidas: a Solidão. Antes que o nobre leitor me julgue mal, quero deixar claro que este não é um texto sobre relacionamento, homem ou mulher que sai pra comprar cigarro e não volta mais ou sobre aqueles pobres corações esquecidos pelo Cupido. Não, eu vou falar do fato puro e simples de estar em um lugar totalmente livre da presença e/ou interferência de outro ser humano.

Ficar sozinho não é algo difícil de acontecer. Em vários momentos nos vemos sem ninguém por perto, seja no trabalho ou em casa. A diferença está justamente na forma em que cada um encara a falta de companhia.

Para muitos a solidão é uma benção. Um breve, ou nem tão breve assim, momento de paz em que os pensamentos são os únicos que ainda teimam em se aproximar. Para outros a solidão é disfarçada com o som da televisão, música, rádio ou simplesmente por alguma rede social qualquer, mas nem por isso ela se torna menos agradável. Há também aqueles fingem estar sozinhos, seja por necessidade de concentração ou por pura antipatia, e dão um jeito de se isolar dos demais. Cabe uma menção honrosa aos fones de ouvido, que tanto nos ajudam nessas horas.

Tem aqueles que amaldiçoam os momentos em que estão desprovidos de companhias. De fato a Solidão não é uma acompanhante muito agradável em muitas ocasiões. Não ter nenhuma outra pessoa por perto pode ser extremamente perturbador, se não fosse assim os prisioneiros iriam pra uma “Coletiva” e não pra uma “Solitária”. Nada pior do que passar por um dia ruim e não ter nenhum ombro amigo onde se possa chorar pelo leite derramado. Tal situação também é um terror para os excessivamente comunicativos, também conhecidos como tagarelas, matracas ou similares, porém o Silêncio se mostra mais vilão do que a Solidão em si, já que ouvir apenas o som da própria voz é igualmente perturbador.  Talvez isso seja um dos causadores de grande parte do que vemos em todas as redes sociais, que estão cada vez mais apinhadas de pessoas querendo um pouco de atenção.

Quanto à minha relação com a Solidão não tenho muito o que dizer. Todo aquele que tem gosto pela escrita sabe dar valor aos momentos solitários, já que dificilmente alguém escreve acompanhado. Mas a Solidão só é boa mesmo quando você sabe que chega a hora em que ela acaba. Até os escritores, maiores exemplos dos que fazem trabalho solo, escrevem pensando nos outros, pois escritor sem leitor é das duas uma: egoísta ou o ser mais solitário da face da Terra.

Segunda-feira Treze

Treze. Um número bastantes controverso que tem uma série de partidários, desafetos e eleitores, podendo representar tanto a sorte quanto o azar. Numero esse que combinado com um dia da semana e um mês do ano faz um dos combos mais famosos no universo da superstição: a Sexta-feira 13 de Agosto.

Em 2015 o mês de Agosto passou e não teve sexta 13, mas por um acaso eu acabei vendo o 13 combinado com um outro dia da semana nesse mês 08 de 2015. Nessa ultima segunda-feira, 31 de Agosto do ano da graça de 2015, foi publicado o décimo terceiro texto da série Contos de Segunda. Uma segunda-feira (o oposto de uma sexta), dia 31 (que não passa de um 13 invertido). Em meio a essa quantidade inexplicável e sem nenhum significado de coincidências eu publiquei um texto que acaba servindo de marco. Não tem nada a ver com o numero 13 em si, mas sim com o fato desse texto marcar a décima terceira semana de Cachorros de Bikini no ar.

Lembro de um dia ter contado nove textos dentro de uma pasta, hoje eu conto treze semanas de trabalho. Mantendo sempre a rotina de publicar três textos por semana, o que não é lá grande coisa, sem nunca atrasar, o que também não é grande coisa. Independente da quantidade de acessos e leitores, as primeiras semanas de vida desse blog foram um teste. Me desafiei e consegui, produzi mais do que eu esperava e publiquei tanto quanto eu queria.

Segunda 13. A décima terceira. Espero ainda publicar muitos outros treze. Espero continuar contando todas as semanas sem falhar nas publicações. Para finalizar com os números, cabe lembrar de que este é a publicação de número quarenta do Cachorros de Bikini e eu sinceramente espero ainda ter bem mais que treze ideias pulando da cabeça direto pro papel

Agosto

Agosto acabou. Na verdade ainda tem um restinho de mês pela frente, mas na prática esse mês já era. Gostaria de fazer uma bela introdução a este assunto, mas o tema me deixa tão impaciente que, provavelmente pela primeira vez, eu vou direto ao assunto. Pra mim Agosto é o pior mês do ano.

Peço perdão aos queridos amigos que completam idade nova em Agosto e aos pais, que são homenageados nesse mês tão cabuloso, mas preciso expressar a antipatia que nutro pelo mês 08 do ano. Começando por ser o mês de volta às aulas, passando pelas superstições populares e finalmente chegando ao fato de Agosto não ter nenhum feriado, além de, na maioria dos anos, chover tanto quanto em Julho e ser tão quente quanto Setembro, vemos que Agosto tem tudo pra ser um dos piores meses do ano, mas de uns tempos pra cá creio que ele ficou muito pior.

No trabalho Agosto tem sido um dos piores meses do ano, justamente por ser o verdadeiro inicio do segundo semestre, uma prévia da desgraça que vai ser o fim do ano em relação às demandas profissionais. Sem contar que Agosto é um mês ruim pros lojistas de varejo, tirando o dia dos pais ninguém compra nada em dia nenhum. Até a quantidade de casamentos cai drasticamente em Agosto. Na minha cabeça se existe um mês em que uma noiva não quer se casar é por que tem alguma coisa muito errada com ele.

Mês do desgosto, mês do cachorro louco, e a velha piadinha de calendário “Agosto… A gosto de Deus”, tudo joga contra o oitavo mês do ano. Se a maioria das pessoas tem problemas com a segunda-feira, eu tenho com o mês de Agosto na mesma proporção. inclusive vou encerrar esse texto antes do previsto apenas pelo fato de ter “Agosto” como título.

Só Não Pode Deixar Morrer

Quem mora no Recife sabe que algumas das melhores e mais antigas bancas de jornal da cidade estão na Av. Guararapes, Centro do Recife, por isso toda vez que eu vou fazer alguma coisa pelo Centro acabo passando por lá pra dar uma olhada nos quadrinhos. Por um mero acaso acabei entrando numa rápida conversa trivial com o senhor dono (pelo menos eu imagino que seja o dono) da banca sobre uma certa coleção de encadernados que anda saindo e está fazendo bastante sucesso. Tal conversa acabou me fazendo levantar um ponto relevante em relação ao meu relacionamento com as histórias em quadrinhos. Apontei três razões principais que não me deixavam comprar tudo que eu gostaria de ler: a falta de tempo para ler, falta de espaço pra guardar e a falta de grana. A resposta que eu recebi me pareceu tão interessante na hora que me motivou a escrever o texto dessa quarta-feira.

“Tempo a gente arruma”. Faz tempo que o tempo anda apertado. Se você tem a mesma sensação te dou os parabéns por já ter virado um adulto. Infelizmente o tempo é um recurso cada vez mais escasso e nós, pobres seres humanos, temos o costume de diminuir o tempo disponível para nossos hobbies e atividades recreativas de uma maneira geral. Com um pouco de esforço é possível arrumar uma brechinha na nossa vida corrida pra encaixar as coisas que fazemos por pura e simples satisfação. Cara da Banca 1×0 Filipe.

“Espaço a gente ajeita”. Quem é adepto da mídia física sabe o problema que é guardar a coleção, seja de livros, revistas ou seja lá o que for. Muitas vezes a decisão de comprar ou não comprar leva em conta o espaço disponível na estante ou prateleira. Esse tipo de raciocínio acaba sendo levado um pouco pra nossa própria vida. Quantas pessoas se privam de conhecer alguém por não ter “espaço” em suas vidas para um relacionamento? E os que deixam de fazer aquela aula daquele idioma esquisito ou desistem de voltar a estudar por acharem que já tem muitos afazeres na vida e não querem mais uma coisas pra se preocupar? Mais um ponto pro Cara da Banca. Cara da Banca 2×0 Filipe.

Obviamente ele teve que concordar comigo sobre o fator grana. Pelo menos dessa vez nós dois marcamos ponto. Cara da Banca 3×1 Filipe. Mas o que ele me disse depois foi o que realmente me impactou:

“Só não pode deixar o quadrinho morrer”.

Claro que o mercado brasileiro de quadrinhos está muito longe de ser o paraíso para as editoras, grandes e pequenas, que se atrevem a publicar obras de arte sequencial, mas será mesmo que ele estava falando sobre isso? Acredito que essa frase poderia ser lida como “Só não pode deixar o quadrinho morrer pra você”. Fim de jogo, vitória do Cara da Banca.

Não Deu pra Terminar

Sentei na cadeira. Escrevi. Não consegui continuar. Parei pra ler. Ficou ruim. Levantei e arrumei algo melhor pra fazer.

Foi exatamente isso que aconteceu com um texto que eu queria escrever há tempos. Um tema que na minha cabeça prometia, tema bastante conhecido por mim inclusive: a hora extra. Tive umas ideias, pensei que ficariam legais no papel. Eu comecei o texto até empolgado. Mas não veio, não deu aquele barato. Quando eu percebi que o processo de escrita estava me incomodando resolvi ler o que tinha saído até então. Na hora eu notei, mas demorou pra que finalmente eu aceitasse. Ficou tão ruim que não dava vontade de continuar escrevendo.

Não é a primeira vez que acontece. Faz tempo que eu abandonei a ideia de que cada texto escrito precisa ser melhor do que o anterior. Mas esse texto conseguiu me tirar o sossego. Não sei se foi a frustração de ver um tema, aparentemente, divertido ser transposto pro papel de forma tão desinteressante e sem brilho.

Eu queria ter conseguido falar sobre a trilha sonora pitoresca que rola nas horas extras, das besteiras que a galera consome e das coisas esquisitas que acontecem conforme o relógio avança. De como a proximidade da meia-noite nos deixa com as ideias trocadas e de como é chato chegar de manhã no escritório e ver que o sono te fez esmerdalhar tudo e que o seu adicional noturno não valeu de muita coisa. Fazer isso tudo de um jeito interessante não rolou. Sério. Não deu.

Fiquei desanimado um tempo. Isso somado com as correrias da vida me fizeram perder um pouco da vontade de escrever por um tempo, mas agora já foi. Não tenho coragem de apagar o coitado, assim como não apaguei os meus outros escritos que deram errado, pouco certo ou ficaram bem ruins. É bom deixar ele lá pra caso eu escreva alguma coisa muito boa. Vou precisar de algo pra me lembrar que a qualquer hora eu posso escrever uma coisa muito ruim.

Tá Tudo Uma Bosta

O título dessa postagem não é uma frase de minha autoria, ela foi dita por uma amiga/leitora. Foi um dia desses, quando eu perguntei “Como estão as coisas?” e ela prontamente me respondeu “Tá tudo uma bosta. (foi mal a negatividade rsrsrs)”. De fato estar tudo uma bosta é uma situação bem longe do ideal, mas o que realmente me chamou a atenção foi o “foi mal a negatividade”. Naquele instante um tema pro texto dessa quarta-feira apareceu.

Desde muito jovens somos encorajados a responder perguntas do tipo “Tudo bem?”, “Como você está?” e similares com uma resposta positiva. Basta lembrar das aulas de inglês, onde as únicas respostas que aprendíamos a dar eram “I’m fine, thanks” ou algo similar. A atitude positiva automática é uma coisa que entra na nossa programação tão cedo que constatar a verdade através de uma resposta negativa nos parece um crime. Principalmente hoje, quando existe praticamente uma ditadura da felicidade.

Em um mundo em que pessoas fazem uma propaganda massiva da própria felicidade, não se sentir feliz é visto com maus olhos. Ser sincero ao ponto de dizer que tudo está uma bosta é classificado por muitos como pessimismo, negativismo ou puro e simples exagero. Eu tenho pra mim que sempre tem algo bom acontecendo, mas em alguns momentos olhamos para os lados e chegamos a conclusão de que “Tá tudo uma bosta”. Nesses momentos se recriminar por pensar assim me parece tão errado quanto dizer que está tudo certo mesmo não estando. Pessimismo não é admitir que tudo está uma bosta, mas sim desanimar diante da bosta em que tudo aparentemente se transformou. Admitir que as coisas não vão bem é o primeiro passo pra colocá-las nos eixos.

Por último gostaria de deixar bem claro que, apesar de ser uma pessoa que oscila entre o realismo e o otimismo, já vi tudo ao meu redor se transformar em fezes algumas vezes. Não vou mentir dizendo que em todas essas vezes eu encarei com coragem e determinação todas as dificuldades. Bastou só um pouco de otimismo e paciência. Os tempos ruins sempre passam, mas enquanto eles não passam, não se sinta mal em admitir que está tudo uma bela bosta.

Page 18 of 21

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén